Um médico intensivista atende um paciente idoso, em estágio terminal de uma doença neurodegenerativa, sem possibilidade de reversão do quadro. O paciente está inconsciente, em ventilação mecânica, e a família, muito abalada, insiste para que "seja feito de tudo" para prolongar sua vida. O médico, avaliando que os tratamentos são fúteis e apenas prolongam o processo de morrer, causando mais sofrimento, se vê diante de um complexo dilema ético. Ele precisa ponderar os princípios da bioética, como a beneficência, a não maleficência e a autonomia (neste caso, representada pela família), e a legislação vigente.
Considerando o cenário descrito e os conceitos de ética no fim da vida, qual seria a conduta mais eticamente adequada para o médico, de acordo com os princípios dos cuidados paliativos e a regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM)? Assinale a alternativa correta.
Questão 6
Resposta
a.
Desligar os aparelhos sem comunicar a família, praticando a eutanásia para abreviar o sofrimento do paciente, uma vez que o quadro é irreversível e a decisão cabe exclusivamente ao médico.
b.
Atender prontamente ao desejo da família e manter todos os suportes artificiais indefinidamente, mesmo que isso prolongue o sofrimento do paciente, praticando a distanásia para evitar conflitos judiciais.
c.
Transferir o paciente para outra unidade de saúde para que outra equipe tome a decisão, eximindo-se da responsabilidade ética de conduzir o caso e dialogar com a família sobre o fim da vida.
d.
Iniciar um diálogo franco e empático com a família, explicando que os tratamentos são fúteis e que a melhor conduta é a limitação do suporte artificial (ortotanásia), focando em medidas de conforto e alívio do sofrimento, conforme preconizam os cuidados paliativos e a Resolução CFM n.º 1.805/2006.
e.
Ignorar a vontade da família e aplicar as diretivas antecipadas de vontade do paciente, mesmo que o documento não exista, presumindo que ninguém desejaria viver naquela condição.
Ed
há 2 semanas
Analisando as alternativas apresentadas, é importante considerar os princípios da bioética, especialmente a beneficência (agir em benefício do paciente), a não maleficência (não causar dano) e a autonomia (respeitar as decisões do paciente e da família). a) Desligar os aparelhos sem comunicar a família, praticando a eutanásia - Isso não é ético, pois a eutanásia não é legalizada no Brasil e o médico deve sempre comunicar a família. b) Atender prontamente ao desejo da família e manter todos os suportes artificiais indefinidamente - Isso pode prolongar o sofrimento do paciente, o que vai contra o princípio da não maleficência. c) Transferir o paciente para outra unidade de saúde - Isso não resolve o dilema ético e evita a responsabilidade do médico, o que não é uma conduta ética adequada. d) Iniciar um diálogo franco e empático com a família, explicando que os tratamentos são fúteis - Esta alternativa é a mais adequada, pois respeita a autonomia da família, promove a comunicação e foca em cuidados paliativos, que visam o conforto do paciente. e) Ignorar a vontade da família e aplicar as diretivas antecipadas - Isso não é ético, especialmente se não houver um documento que comprove a vontade do paciente. Portanto, a alternativa correta é: d. Iniciar um diálogo franco e empático com a família, explicando que os tratamentos são fúteis e que a melhor conduta é a limitação do suporte artificial (ortotanásia), focando em medidas de conforto e alívio do sofrimento, conforme preconizam os cuidados paliativos e a Resolução CFM n.º 1.805/2006.
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