A palavra dos cientistas sobre a crise da água Revista Pesquisa FAPESP A Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgou no dia 12 de dezembro a Carta de São Paulo, um documento com análises e recomendações para enfrentar a crise hídrica no Sudeste. Redigido sob a coordenação do pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), o documento pede modificações imediatas na maneira de administrar os recursos hídricos. “É absolutamente necessário e imprescindível modernizar e dinamizar os sistemas de gestão”, afirmam os cientistas na carta. De acordo com os especialistas, há uma ameaça real à segurança hídrica do Sudeste, em especial na Região Metropolitana de São Paulo e no interior de Minas Gerais e do estado do Rio de Janeiro. O pano de fundo são indícios “fortíssimos” de mudança climática – que devem trazer eventos climáticos cada vez mais extremos – e o fato de os sistemas produtores de água não disporem de capacidade para garantir as vazões necessárias ao atendimento da demanda. Os cientistas recomendam uma drástica redução de consumo de água para 2015, investimentos imediatos em medidas de longo prazo e projetos de saneamento básico e tratamento de esgoto. Também defendem ações de divulgação e informação sobre as medidas emergenciais, os planos de longo prazo e a gravidade da crise. A íntegra da carta está disponível no site da ABC. Fonte: Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Questão 03 de 06 * 10 PONTOS Diante do cenário de crise hídrica apresentado no texto, analise as alternativas a seguir e assinale aquela que melhor relaciona os hábitos de consumo e os padrões produtivos que agravam a crise hídrica com as ações cotidianas e estruturais capazes de mitigar seus efeitos. A) Consumir produtos de indústrias altamente dependentes de água, como têxteis e frigoríficos, sem considerar sua origem hídrica; optar por adquirir bens de empresas com certificação ambiental e reduzir o consumo de itens de ciclo produtivo intensivo em água. B) Apoiar práticas agrícolas baseadas em monoculturas irrigadas e uso excessivo de água; incentivar o plantio doméstico de hortas irrigadas diariamente com mangueira para compensar o impacto das grandes plantações. C) Utilizar energia proveniente de termelétricas movidas a combustíveis fósseis — que demandam grandes volumes de água para resfriamento — e, ao mesmo tempo, instalar painéis solares residenciais; manter hábitos de banho prolongado como forma de relaxamento. D) Adquirir alimentos produzidos em áreas de desmatamento recente, que reduzem a infiltração de água no solo e aumentam a sedimentação de rios; priorizar o consumo de carnes de rebanhos criados em sistemas intensivos, ao mesmo tempo que se coleta água da chuva para lavar calçadas. E) Manter o consumo cotidiano elevado sem considerar a pegada hídrica dos produtos (como soja destinada à exportação, óleo de palma ou algodão); reduzir o tempo de banho e reaproveitar a água cinza para descarga e irrigação de plantas.