8ª) Sobre contrato eletrônico e comércio eletrônico no Brasil é incorreta: a) constata-se o uso cada vez menor de contratos e documentos baseados em meio físico. Contratos de papel, carimbos, autenticações por selo, assinaturas e rubricas muito em breve serão vistos apenas em museus, eis que as novas modalidades contratuais se baseiam notadamente em contratos eletrônicos, assinaturas digitais, smart contracts e blockchain, proporcionando segurança jurídica aos envolvidos, minimizando a necessidade de despesas com recursos naturais, notadamente o uso de papel, reduzindo despesas com translado de documentos em diversas vias, cópias, com assinaturas manuscritas e rubricas, carimbos e despesas cartoriais com autenticação de documentos. b) a transição de um modelo de contrato baseado em suporte físico para contratos eletrônico proporcionará o aumento da eficiência sob a perspectiva econômica, com a redução de custos de transação e com o aumento da eficiência na gestão do tempo, na medida em que as etapas negociais poderão ser realizadas em tempo real, sem sofrer os impactos logísticos inerentes à eventual distância física das partes contratantes. c) o Código Civil brasileiro não estabelece um conceito de contrato. Entretanto, impõe que sua validade esteja condicionada a: presença de agente capaz (pessoa maior de 18 anos e com pleno discernimento); que o objeto negociado seja lícito, possível (viável de ser fornecido), determinado ou determinável; que a contratação siga a forma determinada pela lei ou de maneira que não seja proibida pela lei (Brasil, 2002). Considerando que as contratações via tecnologia da informação e comunicação são feitas, como regra, a distância, sem que as partes contratantes estejam fisicamente presentes, uma cautela recomendável é a de, em se tratando de contratado envolvendo apenas pessoa física, se certificar de que a outra parte seja qualificada para realizar o ato negocial, pois a validade jurídica do negócio depende da capacidade jurídica tanto do vendedor quanto do comprador para realizar o ato negocial. d) como regra geral, a capacidade civil plena surge aos 18 anos completos, tornando o jovem habilitado à prática de todos os atos da vida civil, inclusive celebrar contratos e assumir obrigações juridicamente relevantes, conforme a redação do art. 5º do Código Civil (Brasil, 2002). O problema que interessa ao nosso estudo surge quando, atrás de um dispositivo conectado à internet, há um jovem com menos de 18 anos, nativo digital, com um cartão de crédito nas mãos e motivado a gastar sem anuência de seus pais ou responsáveis legais, situação que nem sempre se torna aparente nas contratações via comércio eletrônico. Mesmo quando os pais venham a se sentir prejudicados por conta da atuação não autorizada do filho (por exemplo, a compra de um brinquedo caro ou de um produto inadequado à sua faixa etária), o negócio jamais poderá ser anulado.