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INGRESSAR NA ESCRITA ACADÊMICA: PRÁTICAS DIDÁTICAS E O ENFRENTAMENTO DE CONFLITOS E MITOS SOBRE O MÉTIER ACADÊMICO Juliana Alves Assis Sibely Oliveira e Silva “Professora, eu fico pensando que aprender esse modo de escrever e de falar da universidade é uma espécie de traição com meu grupo, com a comunidade de onde eu vim.” Com essa impactante reflexão dirigida, em sala de aula, à professora da disciplina “Oficina de produção de textos”, ofertada no 1º período de um curso de licenciatura, Luiz – estudante universitário, negro, bolsista do Prouni, ator de teatro, membro do movimento “Juventude Negra Política” – revela não só clara percepção das diferenças entre modos de atuar na/com a língua(gem), como também indica que reconhece os prováveis efeitos sociais e de sentido decorrentes desses mesmos modos. A intervenção de Luiz é cara aos propósitos deste capítulo, inicialmente, por se construir numa visada crítica. Além disso, também (ou, talvez, sobretudo) por instanciar um ponto de vista sobre a apropriação do discurso acadêmico que interroga o lugar dado àquele que passa a integrar uma nova comunidade discursiva (MAINGUENEAU, 2005). Na esteira do que nos lembra Kleiman (2020, p. 48-49), ter em conta ou privilegiar, “no processo de constituição discursiva do estudante universitário”, tão somente o que diz respeito ao percurso de inscrição desse sujeito numa ordem discursiva “institui uma simplificação de um problema cujos desdobramentos e facetas só recentemente começamos a vislumbrar, graças à participação cada vez maior de grupos nunca antes vistos nas salas ou nos corredores das universidades”. Esses grupos, como sabemos, compõem-se de negros, indígenas, pobres, aqueles que não integram as classes que historicamente tiveram assento no ensino superior. Embora se reconheça a efervescência de trabalhos, nos últimos anos, nos solos brasileiro e internacional, que têm fomentado o necessário debate acerca da heterogeneidade constitutiva dos modos de construção do conhecimento, do fazer científico e, consequentemente, da escrita acadêmica e dos processos que podem contribuir para a sua apropriação (HYLAND, 2002; CASTELLÓ; BAÑALES FAZ; VEGA LOPEZ, 2011; CORRÊA, 2013, 2019; ASSIS, 2014 e 2015; RINCK; BOCH; ASSIS, 2015; GROSSMANN, 2015; RODRIGUES, 2018; KOMESU; ASSIS, 2019; RODRIGUES; SILVA, 2019; dentre outros), sabemos que persistem, no meio acadêmico-científico, discursos investidos de uma força centrípeta, que impõem uma avaliação negativa dessa heterogeneidade. Voltando-nos especificamente para o nosso ponto de observação particular, que é a escrita acadêmica, essa ideia de unicidade/homogeneidade se materializa, por exemplo, nas condutas preceituadas nos inúmeros manuais de redação acadêmico-científica disponíveis no mercado editorial, sustentadas por discursos ancorados em uma concepção de escrita científica herdada da tradição racionalista do positivismo lógico das ciências naturais, que encara a ciência como um reflexo da verdade, razão pela qual a língua(gem) adotada pelo pesquisador, na condição de autor, pode se constituir como obstáculo à expressão dessas ditas verdades científicas, aspecto que explica a disseminação/reafirmação de determinados tabus linguísticos: (i) a precisão semântica, com um tabu relativo às metáforas; (ii) a neutralidade emocional, com um tabu relativo ao uso da primeira pessoa do singular e (iii) a economia formal, aliada a uma interdição para a narração, tal como enumera Schwarze (2008). [...] Este trabalho analisou um projeto discursivo que privilegia a construção de saberes e de reflexões acerca de valores que permeiam o diálogo com a palavra de outrem, vistos em sua articulação com a construção de uma posição autoral na escrita acadêmica. Este abre espaço para o debate, a problematização, o compartilhamento, pelos alunos, de dúvidas e, também, de angústias em relação à problemática da citação, assim como para a desconstrução de mitos que orbitam essa temática. Revela-se, assim, a nosso ver, como expediente didático que pode favorecer formas outras de significação e apropriação de saberes e valores sobre a escrita acadêmica, fazendo coro a um pensamento que considera e valoriza a heterogeneidade e a pluralidade epistemológicas do fazer científico dos vários campos de conhecimento, em um alinhamento aproximado com princípios decoloniais. Fonte: ASSIS, Juliana Alves, SILVA, Sibely Oliveira. Ingressar na escrita acadêmica: práticas didáticas e o enfrentamento de conflitos e mitos sobre o métier acadêmico. In: RODRIGUES, Daniela & SILVA, Jane Quintiliano. Práticas discursivas em letramento acadêmico:questões em estudo. Belo Horizonte: Ed. PUC Minas, 2020.(Adaptado). Com base no texto de Alves e Silva (2020), o gerenciamento de vozes na escrita acadêmica envolve a articulação entre diferentes perspectivas e discursos. Nesse contexto, quais aspectos são destacados como desafios para os estudantes universitários ao ingressarem na comunidade acadêmica? Grupo de escolhas da pergunta A dificuldade em conciliar suas experiências e formas de expressão com as normas rígidas do discurso acadêmico. A necessidade de evitar completamente a voz do autor no texto acadêmico, adotando uma escrita impessoal e neutra. A imposição de um único modelo de escrita acadêmica, sem espaço para variações disciplinares. obrigatoriedade de reproduzir as referências teóricas sem a possibilidade de diálogo crítico com elas.
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Filipe Tristão

há 3 dias

Respostas

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há 3 dias

Analisando o texto e as opções, o desafio principal destacado para os estudantes universitários ao ingressarem na comunidade acadêmica é a dificuldade de conciliar suas experiências e formas de expressão com as normas rígidas do discurso acadêmico, que muitas vezes impõem uma escrita homogênea e restritiva, desconsiderando a diversidade cultural e social dos estudantes. Portanto, a alternativa correta é: A dificuldade em conciliar suas experiências e formas de expressão com as normas rígidas do discurso acadêmico.

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