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A aplicação do Princípio da Fungibilidade no Proc. Trab. seria o vínculo da criação de regramento, não havendo lei que o fundamente?

Indagação quanto a apliacação do princípio da fungibilidade no processo trabalhista sem a razão de fundamento de uma lei que o estruture e o dê suporte.


5 resposta(s)

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Thiago José de Souza Oliveira

Há mais de um mês

Agradeço a colaboração Tiago Do Vale, mas indago novamente, qual seria a fundamentação para a existência e pertinência de tal princípio? Não estaríamos diante de um regramento sem lei?

Abraço.

Att.

Thiago JS Oliveira

Agradeço a colaboração Tiago Do Vale, mas indago novamente, qual seria a fundamentação para a existência e pertinência de tal princípio? Não estaríamos diante de um regramento sem lei?

Abraço.

Att.

Thiago JS Oliveira

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Francielli Galvão Penariol

Há mais de um mês

O princípio da fungibilidade recursal adentrou o ordenamento jurídico pátrio por meio da previsão expressa contida no artigo 810 do Código de Processo Civil de 1939 assim dispunha: “salvo a hipótese de má-fé ou erro grosseiro, a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro, devendo os autos ser enviados à Câmara, ou turma, a que competir o julgamento.”.

Com a criação de um novo Código de Processo Civil entendeu-se desnecessário manter tal previsão. Entretanto, o código vigente, embora menos confuso que o anterior, também possui dúvidas capazes de fazer com que os operadores do direito cometam equívocos no momento da interposição dos recursos.

A fungibilidade recursal é um princípio jurídico implícito previsto no artigo 244 do código vigente que dispõe: “quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, Ihe alcançar a finalidade.”.

Os doutrinadores consideram a fungibilidade recursal como uma derivação do princípio da instrumentalidade das formas.

No mesmo sentido ensina Guilherme Freire de Barros Teixeira (2009, p.157):

“Não obstante o Código de Processo Civil de 1973 não tenha reproduzido o dispositivo da lei revogada, o princípio da fungibilidade tem aplicação ainda hoje, tratando-se de um princípio implícito, decorrente da instrumentalidade das formas.”

O entendimento é de que o recurso interposto, ainda que de maneira equivocada, alcança a finalidade que dele se espera, qual seja a reapreciação da matéria debatida.

No âmbito do Tribunal Superior do Trabalho a fungibilidade foi reconhecida, expressamente, por meio da Orientação Jurisprudencial da Seção de Dissídios Individuais II, nº 69:

 

"OJ-SDI2-69 FUNGIBILIDADE RECURSAL. INDEFERIMENTO LIMINAR DE AÇÃO RESCISÓRIA OU MANDADO DE SEGURANÇA. RECURSO PARA O TST. RECEBIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL E DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRT. Inserida em 20.09.00

Recurso ordinário interposto contra despacho monocrático indeferitório da petição inicial de ação rescisória ou de mandado de segurança pode, pelo princípio de fungibilidade recursal, ser recebido como agravo regimental. Hipótese de não conhecimento do recurso pelo TST e devolução dos autos ao TRT, para que aprecie o apelo como agravo regimental".

 

 

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Aléxia Kílaris

Há mais de um mês

O fundamento do princípio da fungibilidade no processo trabalhista é o princípio da instrumentalidade das formas ou o princípio da finalidade, previsto no art. 277 do Código de Processo Civil, e no princípio, também previsto no CPC, do aproveitamento dos atos processuais (art. 283 dp CPC):

Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.

Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que forem necessários a fim de se observarem as prescrições legais.

Parágrafo único. Dar-se-á o aproveitamento dos atos praticados desde que não resulte prejuízo à defesa de qualquer parte.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes