A maior rede de estudos do Brasil

Alguem poderia responder?

CASO CONCRETO 1

Em maio de 2013, o Jornal Brasil veiculou que um gato de rua recebeu uma casa grande no Norte de Londres e um fundo de investimentos de 100 mil libras ( cerca de US$ 160 mil ) de herança.  Estimativas indicam que Tinker  o nome do gato tem oito anos. Tinker se tornou amigo de Margareth Layne, 89 anos, pouco antes de ela morrer, no ano passado. Segundo o testamento dela, que acaba de ser divulgado, Tinker deve ficar na casa avaliada em 350 mil libras (pouco mais de US$ 560 mil). Em outros termos, Margareth quis se fazer substituir em todas as relações jurídicas que travava por seu animal de estimação.

De acordo com o nosso sistema jurídico, responda, justificadamente, as questões abaixo:

a)    Tinker poderia ser sujeito dessas relações jurídicas, em substituição à Margareth?

b)    Partindo do pressuposto de que a falecida não deixou herdeiros, qual a posição de Tinker na relação jurídica que se estabeleceu a partir da morte de Margareth?


3 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

User badge image

RD Resoluções Verified user icon

Há mais de um mês

Temos que Tinker não poderia ser sujeito dessas relações jurídicas, visto que somente pessoas físicas e jurídicas fazem parte de uma relação jurídica, ou seja, isso é vedado a animais. Em relação a falecida não ter deixado herdeiros, Tinker não estabelece nenhuma relação jurídica, o que ocorreria seria que ele tornar-se-ia um bem móvel e será parte da herança.

Temos que Tinker não poderia ser sujeito dessas relações jurídicas, visto que somente pessoas físicas e jurídicas fazem parte de uma relação jurídica, ou seja, isso é vedado a animais. Em relação a falecida não ter deixado herdeiros, Tinker não estabelece nenhuma relação jurídica, o que ocorreria seria que ele tornar-se-ia um bem móvel e será parte da herança.

User badge image

Tiago

Há mais de um mês

TEREZA CRISTINA ZABALA, advogada. Especialista em Direito Processual Civil e Direito Tributário. Pós-graduanda em Direito Ambiental e Urbanístico.

 

 

CÃO HERDEIRO. PODE?

 

A relação entre humanos e bichos de estimação entrou numa nova fase. Atualmente, mais do que amigos, eles agora são vistos como filhos, ou irmãos, enfim entes da família em boa parte dos lares brasileiros.

Como em toda relação familiar, existem aqueles que sustentam a família e existem aqueles que são sustentados, os animais entram neste segundo grupo de indivíduos, ou seja, carecem de cuidados como alimentação, abrigo, cuidados médicos e é claro boa dose de afeto.

Enquanto seu dono está vivo tudo vai muito bem, mas após sua morte, o que acontecerá com o animal que perdeu seu provedor? É possível continuar zelando pelo bem estar do animal de estimação, mesmo após a morte de seu dono? Nos dias atuais, as pessoas se preocupam cada vez mais com esse dilema.

A questão não é tão simples assim, uma vez que animais não podem ser herdeiros ou legatários, portanto não podem receber bens, visto que juridicamente não possuem personalidade jurídica. Mesmo porque se isso fosse possível, como ficaria a sucessão nos bens herdados por animais de estimação?

Mas calma, existe uma solução para nossos animais de estimação. O favorecimento a um bichinho(s) pode ser feito de forma indireta, num testamento que atribua determinado bem ou valor a uma pessoa, com o encargo de cuidar do animal. É conhecido como legado com encargo, de modo que a pessoa beneficiada somente ficará com o bem ou o valor se atender a essa obrigação.

Vamos explicar melhor. Quando uma pessoa falece, todo seu patrimônio será transferido para seus herdeiros. A transmissão do patrimônio ao herdeiro se dá em virtude de lei (quando na falta de testamento, a lei descreve quem são os herdeiros) ou de testamento (quando o falecido diz quem são seus herdeiros). Se houver um testamento, esse predomina sobre a sucessão legítima (segundo a lei) visto que retrata a última vontade do falecido.

Sobre o testamente devemos saber que é um documento que traz a declaração de vontade de uma pessoa (negócio jurídico), de forma escrita (solene), no qual alguém dispõe de seus bens, na sua integralidade ou não, para depois de sua morte. Apenas para informar, são espécies de testamento: i) ordinário (público, cerrado ou particular), ii) especial (marítimo, militar e aeronáutico).

A liberdade de testar é enorme, contudo deve ser respeitada a parte destinada aos herdeiros necessários, são eles filhos, pais e cônjuge. Portanto, metade da herança deve ser obrigatoriamente destinada aos filhos, pais e cônjuge, a outra metade é que pode ser deixado para quem o testador quiser.

E aquele que não possui herdeiros necessários pode testar em favor de qualquer pessoa física ou jurídica, ou seja, namorado, amigo, entidades de apoio à causa animal, enfim não existe restrição.

Desde que respeitado os herdeiros legítimos (lhes cabe metade da herança), ou no caso do autor do testamento não possuir herdeiros necessários (pode transmitir todos seus bens como quiser), ele pode beneficiar seu animal de estimação, na figura de um encargo, e não como de herdeiro (exemplo: deixo minha herança, ou certo bem imóvel para Fulano com o ônus de bem cuidar do meu cachorro/gato/ pássaro - animal de estimação - suprindo todas suas necessidades, até sua morte natural). Cabe ao testador escolher entre os seus herdeiros, amigos, pessoa de confiança, associação de apoio à causa animal aquele que ele entenda ser o melhor para desempenhar o papel de provedor de seu bicho de estimação (visto que deve existir relação de confiança), cabendo a esse beneficiário a recompensa do bem ou valor a ser herdado ao final do ônus realizado.

Assim, o amor entre pessoas e animais de estimação se perpetuará além da morte.

 

 

 

Quer dizer, Tinker não poderá substituir a sua dona pois o gato em se tratando de coisa não possui qualificação pra figurar em nenhum polo das relaçoes jurídicas.

Sem deixar herdeiros A dona do gato pode dispor da herança em benefício do gato desde que o gato seja benefiado indiretamento com legado deixado com encargo.

Faça sua contrução, espero ter ajudado.

User badge image

RD Resoluções Verified user icon

Há mais de um mês

Temos que Tinker não poderia ser sujeito dessas relações jurídicas, visto que somente pessoas físicas e jurídicas fazem parte de uma relação jurídica, ou seja, isso é vedado a animais. Em relação a falecida não ter deixado herdeiros, Tinker não estabelece nenhuma relação jurídica, o que ocorreria seria que ele tornar-se-ia um bem móvel e será parte da herança.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas