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Parecer jurídico

O EXCELENTÍSSIMO JUIZ DE DIREITO, LUIS CARLOS DUTRA DOS SANTOS, TITULAR 6ª UNIDADE JURISDICIONAL CRIMINAL DO TERMO JUDICIÁRIO DE SÃO LUÍS, DA COMARCA DA ILHA DE SÃO LUÍS CAPITAL DO ESTADO DO MARANHÃO, ETC.

Processo n.º 40839-60.2013.8.10.0001 (446802013)

Autor: MINISTÉRIO PÚBLICO

Réu: MICHAEL FRANKLIN VIEIRA LIMA

Finalidade: Tornar PÚBLICA a sentença prolatada nos autos do processo n.º 40839-60.2013.8.10.0001 (446802013) em que é acusado MICHAEL FRANKLIN VIEIRA LIMA que tramita na 6ª Unidade Jurisdicional, parte dispositiva da sentença a seguir transcrita: "O MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL, por seu representante, ofertou denúncia contra MICHAEL FRANKLIN VIEIRA LIMA, brasileiro, solteiro, nascido em 18/04/1976, natural de São Luís/MA, filho de Maria das Graças Silva Vieira, residente na Rua Projetada, n.º 03, quadra 36, bairro Anjo da Guarda, São Luís/MA, como incurso no delito previsto no art. 155§ 1º, c/c art. 71, ambos do Código Penal(furto noturno em crime continuado). Narra a denúncia, em síntese, que no dia 12 de março de 2013, por volta das 02:00 horas, a vítima flagrou o acusado furtando cinco quilos de arroz e um fardo de refrigerante de sua dispensa, evadindo-se ao notar a presença da vítima. No dia seguinte, por volta das 03:00 horas, avistou novamente o réu em sua casa e constatou que três cadeiras de plástico brancas e um tapete haviam sumido. A polícia foi comunicada e prendeu MICHAEL FRANKLIN em flagrante (fls. 02/04). A denúncia foi recebida em 30 de outubro de 2013 (fl. 53), o acusado foi citado pessoalmente (fl. 63), apresentando resposta escrita à acusação, através de advogado constituído (fls. 71/75). O acusado foi posto em liberdade mediante alvará de soltura no dia 27 de janeiro de 2014 (fls. 84). A audiência de instrução e julgamento se deu de forma desmembrada, nela foram ouvidas a vítima e três testemunhas arroladas pela acusação. O acusado foi qualificado e interrogado (fls. 131/135 e 140/143). A audiência se deu de forma desmembrada, primeiro foi ouvida a vítima (fls. 86/87). O acusado foi qualificado e interrogado (fls. 164/165). O Ministério Público requereu a condenação do acusado nos termos da denúncia (fls. 148/150). A defesa, por sua vez, pediu absolvição com base no art. 386III, do Código de Processo Penal (fls. 155/163). Eis sucinto relatório. Decido. A materialidade e a autoria foram demonstradas pelo depoimento da vítima e testemunhas, bem como pela confissão do acusado. A vítima MARIA EDILEUSA ALVES LIMA contou que conhece o acusado desde criança, sendo sua 

vizinha. Aduz que desde que começou a consumir drogas, MICHAEL pratica pequenos furtos na vizinhança com o objetivo de comprar drogas. O réu é uma pessoa boa, não utiliza de violência, imaginando que somente age dessa forma em razão do vício. Afirma que demorou muito tempo para tomar uma atitude, mas estava tendo muito prejuízo com os furtos e por isso resolveu tomar uma atitude depois de consultar a família do réu. A primeira testemunha BERNARDO ARAÚJO, policial, lembra que na delegacia uma senhora disse que o acusado tinha entrado várias vezes em sua casa, mas não lembra do momento da prisão. A segunda testemunha JOSÉ DA TRINDADE ROCHA MACHADO, policial, disse que a vítima foi até a delegacia registrar ocorrência, dizendo que não aguentava mais ser assaltada por MICHAEL, mas não queria que ele a olhasse, pois tinha medo, pois se conheciam. O réu já era conhecido pela polícia por pequenos furtos, badernas e porte de drogas. Não recorda se algum objeto da vítima foi encontrado com o acusado. A terceira testemunha LUÍS CARLOS AMARAL ARAGÃO, policial, recorda que a vítima registrou ocorrência, alegando ter sido furtada várias vezes. O réu já era conhecido da vítima e dos policiais. Na delegacia MICHAEL confessou o delito, mas nada foi recuperado. O réu era conhecido por praticar pequenos furtos para sustentar o vício em drogas. Interrogado, MICHAEL FRANKLIN respondeu que está sendo processado na 9ª Vara Criminal. Confessa a autoria do delito, explicando que agia dessa forma para sustentar seu vício. Era usuário de crack e também já usou maconha, consumindo droga desde os 12 anos. Os fatos demonstram que o acusado praticou furto, com causa de aumento por ter agido durante o repouso noturno. Ademais, restou demonstrada a continuidade delitiva, por ter cometido o agente dois crimes da mesma espécie, em condições de tempo, lugar e maneira de execução semelhantes, nos moldes do que preceitua o art. 71, doCódigo Penal. Não merece prosperar a alegação da defesa que pretendeu a absolvição, com base no princípio da insignificância. Durante o depoimento a vítima disse que já tinha sido furtada várias vezes e que se somasse seus prejuízos daria para comprar um carro. Além disso, se levarmos em conta as condições econômicas de MARIA EDILEUSA observamos que a subtração de um fardo de refrigerante, cinco quilos de arroz, um tapete e duas cadeiras não pode ser considerado furto de bagatela. Insta ressaltar que as cadeiras subtraídas eram usadas pela vítima numa escola de reforço que possui em sua residência, frisando no depoimento que os vários furtos de MICHAEL às vezes a impedia de trabalhar, pois em alguns episódios o réu roubava lâmpadas, impossibilitando as atividades na "escolinha" que funcionava apenas no período noturno. Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE a denúncia para CONDENAR o réu MICHAEL FRANKLIN VIEIRA LIMA, nas penas do art. 155§ 1º c/c art.71, ambos do Código Penal. Analisadas as circunstâncias do artigo 59, doCódigo Penal, verifico que o réu agiu com culpabilidade normal à espécie, nada tendo a se valorar; é possuidor de bons antecedentes; os dados apurados acerca da conduta social e personalidade do agente são insuficientes; o motivo foi o lucro fácil, já punido pela própria tipicidade e previsão do delito, de acordo com a objetividade jurídica dos crimes contra o patrimônio; às circunstâncias se encontram relatadas nos autos, não tendo nada a se valorar; referente às consequências, os objetos furtados não foram recuperados; o comportamento da vítima não contribuiu para o cometimento do delito. Diante do exposto, fixo-lhe a pena base de 01 (UM) ANO, 04 (QUATRO) MESES E 15 (QUINZE) DIAS DE RECLUSÃO E 11 (ONZE) DIAS-MULTA. Presentes duas atenuantes, a primeira pela confissão espontânea e a segunda em virtude do agente ser menor de 21 (vinte e um) anos na data do fato. Não configurada nenhuma agravante, diminuo a pena na razão de 02 (dois) meses e 15 (dias) de reclusão e 01 (um dia-multa), passando então a 01 (UM) ANO E 02 (DOIS) MESES DE RECLUSÃO E 10 (DEZ) DIAS-MULTA. Não foi configurada nenhuma causa de diminuição, todavia presente causa de aumento em razão do repouso noturno, pelo que elevo a pena em 1/3 (um terço), resultando em 01 (UM) ANO, 07 (SETE) MESES E 10 (DEZ) DIAS DE RECLUSÃO E 13 (TREZE) DIAS-MULTA. Em razão da continuidade delitiva, elevo a pena na fração de 1/6 (um sexto), o que resulta na reprimenda definitiva de 01 (UM) ANO, 10 (DEZ) MESES E 16 (DEZESSEIS) DIAS DE RECLUSÃO E 15 (QUINZE) DIAS-MULTA, em regime aberto em estabelecimento adequado. Atento à condição financeira do condendo, fixo o valor de diamulta em 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo vigente à época, devidamente corrigido. Observo que o acusado permaneceu custodiado preventivamente pelo período de 04 (QUATRO) MESES E 08 (OITO) DIAS, detraindo tal montante da pena definitiva do acusado, em observância a Lei n.º 12.736/2011. Assim, observo que resta ser cumprido 01 (UM) ANO, 06 (SEIS) MESES E 08 (OITO) DIAS DE RECLUSÃO e 15 (QUINZE) DIAS-MULTA. Deixo de promover a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, com base no art. 44III, do Código Penal, pois os autos noticiam que o autor é contumaz em crimes contra o patrimônio, sendo conhecido na região em que mora e pela polícia, em virtude de tais fatos, portanto, a substituição seria medida inócua. Pelos mesmos motivos acima exposto, entendo que o condenado também não faz jus a suspensão condicional da pena, não satisfazendo o requisito do art. 77II, do Código Penal.

Nos termos do art. 15III, da Constituição Federal e art. 71§ 2º, do Código Eleitoral, suspendo os direitos políticos do sentenciado pelo prazo do transcurso da pena de reclusão. Com o trânsito em julgado desta, seu nome deverá ser inscrito no rol dos culpados, calculada a pena de multa, e o réu intimado para o pagamento, oficiando-se ao TRE para as providências quanto à sua situação eleitoral. Após, expeça-se carta de guia ao Juízo das Execuções Penais. Faculto ao condenado o direito de recorrer em liberdade, eis que não se encontram presentes os requisitos para a decretação de prisão preventiva. Isento de custas, eis que assistido pela Defensoria Pública. Notifique-se o Ministério Público Estadual. Dou por publicada esta sentença com a entrega dos autos na Secretaria. Registre-se. Intimem-se, inclusive a vítima, na forma do art. 201§ 2º, do CPP. Arquive-se. São Luís (MA), 07 de agosto de 2014. Juiz LUÍS CARLOS DUTRA DOS SANTOS Titular da 6ª Vara Criminal". São Luís/MA, 22 de agosto de 2014.

Juiz Luis Carlos Dutra dos Santos

Titular da 6ª Vara Criminal desta Capital


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