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Norma penal no espaço

Tício, argentino, com intenção de matar, atira em Mévio, brasileiro, em um navio privado de bandeira americana a 10 milhas da costa do Canadá. Após o tiro, Mévio é levado a uma embarcação pública brasileira que vem a afundar a 9 milhas da costa canadense, causando, exclusivamente, a morte da vítima. Levando em consideração que a Argentina começa o julgamento e que o Canadá não pede extradição, pode o Brasil julgar o fato? Justifique juridicamente.


2 resposta(s)

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Paulo Oliveira

Há mais de um mês

Como trata-se de embarcação pública brasileira poderá o Brasil julgar o fato, conforme o principio da extraterritorialidade no Direito Penal, data venia, se estive equivocado, mas creio nesta colocação.

Se eu tiver contribuido de algum modo não deixa de aprovar a resposta obrigado!

Como trata-se de embarcação pública brasileira poderá o Brasil julgar o fato, conforme o principio da extraterritorialidade no Direito Penal, data venia, se estive equivocado, mas creio nesta colocação.

Se eu tiver contribuido de algum modo não deixa de aprovar a resposta obrigado!

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Carlos Henrique Panhan

Há mais de um mês

De fato, o Brasil tem competência para julgar o fato. Sendo que quanto à aplicação da lei penal no espaço, aqui é adotada a teoria da ubiquidade, como o que se pode notar no art. 6º do CPConsidera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado”, sendo considerado que o local do resultado é extensão do território nacional, de acordo com o parágrafo 1º do art. 5º também do CP, “Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem (...)", assim sendo, é perfeitamente aplicável o dispositivo do caput deste referido artigo "Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional".

Há de se alertar para o fato de que, o Brasil somente será competente para julgar o caso numa hipótese de homicídio, e não de lesão corporal ou tentativa de homicídio, por exemplo. Isto porque temos, a ação (disparo por arma de fogo contra Mévio, proferido por Tício) e o resultado (morte Mévio em naufrágio de embarcação). Para que Mévio seja julgado é necessário estabelecer o nexo de causalidade entre a ação e o resultado, caso contrário, se ficasse excluído qualquer nexo causal entre ambos, o único crime que poderia ter sido cometido por Tício é tentativa de homicídio, esta que por sua vez, não ocorreu em extensão do território brasileiro, afastando assim qualquer resquício de competência do Brasil.

 

 

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