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Questão de prova: o princípio da inafastabilidade da jurisdição é mitigado devido exigência de processo administrativo para impetrar habeas data?

direito constitucional

2 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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DLRV Advogados Verified user icon

Há mais de um mês

Não há de se falar em mitigação do principio da inafastabilidade de jurisdição.

O que ocorre é que o cabimento do Habeas Data está condicionado a observância do interesse de agir.

Toda e qualquer ação sujeita-se a três requisitos primordiais: possibilidade jurídica do pedido, interesse de agir e legitimidade das partes. Com o Habeas Data não é diferente.

O interesse de agir tem destaque especial quando da impetração do referido remédio constitucional, posto que para se ingressar com o referido writ é necessária a recusa por parte dos bancos de dados para prestarem as informações.

"Art. 8. Parágrafo único. Lei 9.507/97.  A petição inicial deverá ser instruída com prova:

- da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão;

II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou

III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2º do art. 4º ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão."

Caso inexista solicitação administrativa, e conseqüente recusa, não haverá interesse de agir. Assim entende o STJ: O exercício judicial do direito postulativo pressupõe a prova de ter o impetrante requerido, administrativamente, as informações desejadas (STJ, RSTJ, 2:463).

O Enunciado da Súmula 2 do STJ também trata do assunto, determinando que "não cabe o habeas data se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa”.

Portanto, ao nosso ver, não há mitigação do princípio da inafastabilidade de jurisdição, mas sim necessidade de observância do interesse de agir, como em qualquer outro tipo de ação.

Não há de se falar em mitigação do principio da inafastabilidade de jurisdição.

O que ocorre é que o cabimento do Habeas Data está condicionado a observância do interesse de agir.

Toda e qualquer ação sujeita-se a três requisitos primordiais: possibilidade jurídica do pedido, interesse de agir e legitimidade das partes. Com o Habeas Data não é diferente.

O interesse de agir tem destaque especial quando da impetração do referido remédio constitucional, posto que para se ingressar com o referido writ é necessária a recusa por parte dos bancos de dados para prestarem as informações.

"Art. 8. Parágrafo único. Lei 9.507/97.  A petição inicial deverá ser instruída com prova:

- da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão;

II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou

III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2º do art. 4º ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão."

Caso inexista solicitação administrativa, e conseqüente recusa, não haverá interesse de agir. Assim entende o STJ: O exercício judicial do direito postulativo pressupõe a prova de ter o impetrante requerido, administrativamente, as informações desejadas (STJ, RSTJ, 2:463).

O Enunciado da Súmula 2 do STJ também trata do assunto, determinando que "não cabe o habeas data se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa”.

Portanto, ao nosso ver, não há mitigação do princípio da inafastabilidade de jurisdição, mas sim necessidade de observância do interesse de agir, como em qualquer outro tipo de ação.

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Giulliano

Há mais de um mês

 Não. Visto que, tal matéria já foi tratada pelo Supremo Tribunal Federal, senão vejamos :

 

A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. LXXII, alínea a, da Constituição da República.

 

Argumenta que:

 

Em verdade, o habeas data é instrumento processual inidôneo para o enfrentamento da questão, sendo o caso de indeferimento da inicial, na conformidade do art. 295, do CPC c/c o art. 10 da Lei n. 9.507/97, que regula o direito de acesso a informações e disciplina o rito processual de habeas data.

(...)

Ora, as informações pretendidas pela parte recorrida não constam de qualquer banco de dados, mas tão somente de um procedimento administrativo disciplinar por acumulação ilícita de cargos, realidade que inviabiliza a utilização do remédio heróico” 

Em decisão, a Ministra Carmem Lúcia expôs o voto da ex-ministra Ellen Gracie: 

 

A pretensão foi atendida e exauriu-se. A decisão que concedeu a liminar teve natureza satisfativa. Nada mais poderia pretender o impetrante. (...) Portanto, e como salientei na decisão agravada, a concessão da liminar, em face do seu conteúdo satisfativo, não justifica nem mesmo o prosseguimento do mandado de segurança” (RE 402.043, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJ 3.8.2004).

 

Conclui-se que, Por unanimidade, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) presentes à sessão plenária desta quinta-feira (18/02) confirmaram o entendimento da Corte no sentido de que o Habeas Data (HD) não é o instrumento jurídico adequado para que se tenha acesso a autos de processos administrativos. A decisão foi tomada no julgamento de um recurso (agravo regimental) no HD 90 .

 

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