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A ação de improbidade prescreve?

Direito Administrativo

Direito Administrativo IUNIDERP - ANHANGUERA

3 resposta(s)

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Márcio

Há mais de um mês

Bom dia! Sim, a ação prescreve, consoante os prazos do art. 23 da Lei de Improbidade Administrativa. Contudo, a sanção de ressarcimento ao erário é imprescritível, conforme a jurisprudência majoritária, na inteligência do art. 37, §5º, da Constituição Federal.

Bom dia! Sim, a ação prescreve, consoante os prazos do art. 23 da Lei de Improbidade Administrativa. Contudo, a sanção de ressarcimento ao erário é imprescritível, conforme a jurisprudência majoritária, na inteligência do art. 37, §5º, da Constituição Federal.

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Douglan

Há mais de um mês

Obrigado sr Márcio
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Especialistas PD

Há mais de um mês

A controvérsia acerca da prescrição ou não das ações de ressarcimento ao erário em decorrência de atos de improbidade administrativa gira em torno da interpretação do art. 37, §5º, CF.

Art. 37. (...)

§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.

Sobre o tema, o Professor Rafael Carvalho Rezende Oliveira assim ensina:

“A imprescritibilidade das ações de ressarcimento ao erário é sustentada pela maioria da doutrina, como, por exemplo: José dos Santos Carvalho Filho, Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Emerson Garcia, Marcelo Figueiredo, Wallace Paiva Martins Júnior, Waldo Fazzio Júnior, Pedro Roberto Decomain, José Antonio Lisbôa Neiva, Mateus Bertoncini e Sérgio Turra Sobrane. Isto porque a referida norma constitucional remete ao legislador a prerrogativa para estabelecer os prazos de prescrição para ilícitos que causem prejuízos ao erário, com a ressalva expressa das ações de ressarcimento.

A regra é a prescrição, definida pelo legislador infraconstitucional, tendo em vista o princípio da segurança jurídica, que tem por objetivo a estabilidade das relações sociais. A exceção é a imprescritibilidade admitida apenas nas hipóteses expressamente previstas na Constituição.

Desta forma, a intenção do legislador constituinte foi consagrar uma exceção à regra geral ao prever a imprescritibilidade das pretensões de ressarcimento ao erário.

(...)

Ressalte-se, contudo, a existência de tese doutrinária contrária à imprescritibilidade, que sustenta a aplicação do prazo prescricional de dez anos às ações de ressarcimento ao Erário, na forma do art. 205 do CC. Essa é a posição defendida, exemplificativamente, pelos seguintes autores: Marino Pazzaglini Filho e Rita Tourinho.

O argumento principal utilizado por aqueles que defendem a prescrição das ações de ressarcimento ao Erário é o fato de que a imprescritibilidade é uma exceção ao princípio da segurança jurídica que só pode ser admitida nos casos expressa e taxativamente colocados no texto constitucional (exemplos: art. 5.º, XLII – “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”; art. 5.º, XLIV – “constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”), o que não ocorre no art. 37, § 5.º, da CRFB.

(...)

O STF, em sede de repercussão geral, decidiu que “é prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil” (RE 669.069/MG, Tribunal Pleno, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 03.02.2016). Todavia, a decisão da Suprema Corte não alcançou, em princípio, a discussão da (im)prescritibilidade das ações de improbidade e da Lei Anticorrupção.

É possível perceber que o tema de (im)prescritibilidade das ações de ressarcimento é bastante polêmico e conta com bons argumentos nas duas formas de interpretação da questão.

De nossa parte, entendemos que as ações de ressarcimento ao erário, em decorrência de atos de improbidade administrativa, por força da interpretação do art. 37, § 5.º, da CRFB, são imprescritíveis.” (Manual de Improbidade Administrativa. 6ª ed. pg. 163 e 167)

 

 

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