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No caso de DOLO EVENTUAL o agente sempre responderá por Homicídio Culposo caso a vítima venha a falecer?

Direito Penal IESTÁCIO

2 resposta(s)

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Marcelo

Há mais de um mês

Ao alegar dolo eventual, os autores buscam uma punição maior (dolosa) para o crime. Entretanto, em alguns casos, como o de embriaguez ao volante, o STF admitiu culpa consciente ao invés de dolo eventual, nesse caso julgando como homicídio culposo. Vide decisão do Habeas Corpus 107801 SP.

Ao alegar dolo eventual, os autores buscam uma punição maior (dolosa) para o crime. Entretanto, em alguns casos, como o de embriaguez ao volante, o STF admitiu culpa consciente ao invés de dolo eventual, nesse caso julgando como homicídio culposo. Vide decisão do Habeas Corpus 107801 SP.

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Estudante

Há mais de um mês

Bom dia, Thiago.

O dolo eventual é uma espécie de dolo, portanto, não há que se falar em homicídio culposo.

A diferença que se observa é entre o dolo direto e o dolo eventual. No primeiro, o agente vislumbra o resultado como objetivo final; enquanto, no segundo, o autor do crime mostra-se indiferente à produção do resultado naturalístico, mas assume totalmente o risco de produzí-lo.

Exemplo de dolo direto: A quer matar B. Para tanto, dispara várias vezes na direção de seu desafeto.

Exemplo de dolo eventual: A deseja chegar em uma reunião importantíssima sem se atrasar. Para realizar seu objetivo, dirige em alta velocidade, pouco se importando se vai encontrar pedestres ou ciclistas no meio do caminho. Então, acaba atropelando várias pessoas.

 

Outro exemplo de dolo eventual: A deseja ferir B (art. 129, CP - lesão corporal), mas não se importa se acabar matando-o (art. 121, CP - Homicídio)

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Já o crime culposo somente se caracteriza quando da ocorrência de uma de suas três "faces", quais sejam:

IMPRUDÊNCIA. O agente atua com precipitação, afoiteza, sem os cuidados que
o caso requer (ex: conduzir veículo em alta velocidade num dia de muita chuva) . É a
forma positiva da. culpa (in agendo);

NEGLIGÊNCIA. É a ausência de precaução (ex: conduzir veículo automotor com
pneus gastos) . Diferentemente da imprudência (positiva - ação) , a negligência é negativa
- omissão (culpa in omitendo) . Revela-se a negligência, ao contrário da modalidade
anterior, antes de se iniciar a conduta; o agente não adota a ação cuidadosa que se exige
no caso concreto, daí advindo o resultado lesivo;

IMPERÍCIA. É a falta de aptidão técnica para o exercício de arte ou profissão (ex:
condutor que troca o pedal do freio pelo da embreagem, gerando o atropelamento.

BIBLIOGRAFIA

Rogério Sanches Cunha, pte. geral, 3ª Ed., JusPodivm

 

Att. Gabriel

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