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Parmênides e Heráclito

Explique a diferença fundamental existente entre as teorias ontológicas de Parmênides e Heráclito.Para tanto, contraponha a metafísica do 1º com a didática do 2º.

FilosofiaUFU

1 resposta(s)

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André

Há mais de um mês

Olá, não entendi muito bem a contraposição pedida, mas acho que posso ajudar quanto a diferença fundamental entre as teorias ontológicas de Parmênides e Heráclito.
Quando se fala em ontologia, se fala, basicamente, da identidade das coisas que existem; ou seja, de quais características fazem com que um ente qualquer (i.e., qualquer coisa que exista) seja como ele é. Por exemplo, seria uma questão ontológica perguntar quais características tornam um sofá em particular (e.g., o que você tem na sua casa) um sofá, e não uma cadeira. Ou seja, por que ao olhar um sofá em particular você o identifica como um sofá e não como um outro ente qualquer, como uma cadeira? Parece existir alguma característica nesse sofá em particular que nos permita identificá-lo como um sofá. Mas se, por ventura, você derrubar café nesse sofá em particular, a identidade desse sofá mudaria? Parece que, em certo sentido, algo mudaria; ninguém diria que o sofá machado de café seria o mesmo que o não manchado de café. Porém, em outro sentido, também nada mudaria; o sofá em particular ainda seria um sofá.

Esse primeiro sentido, em que algo mudaria, é o defendido por Heráclito. Ou seja, como as coisas estão em constante devir (i.e., mudança), não existe realmente uma identidade dos entes; ao tentar identificar um ente qualquer, ele já teria mudado e se tornado um outro ente, e assim sucessivamente, devido a constância do devir. Já o segundo sentido, em que nada mudaria, é o defendido por Parmênides. Ou seja, como ainda é possível identificar os entes mesmo com esse suposto devir (a citar o caso do sofá), então não há realmente um devir; nada muda, mesmo que aparentemente tenha mudado.

Espero que eu tenha ajudado, e me desculpe por não ter discorrido mais sobre o assunto.
Abraços.

Olá, não entendi muito bem a contraposição pedida, mas acho que posso ajudar quanto a diferença fundamental entre as teorias ontológicas de Parmênides e Heráclito.
Quando se fala em ontologia, se fala, basicamente, da identidade das coisas que existem; ou seja, de quais características fazem com que um ente qualquer (i.e., qualquer coisa que exista) seja como ele é. Por exemplo, seria uma questão ontológica perguntar quais características tornam um sofá em particular (e.g., o que você tem na sua casa) um sofá, e não uma cadeira. Ou seja, por que ao olhar um sofá em particular você o identifica como um sofá e não como um outro ente qualquer, como uma cadeira? Parece existir alguma característica nesse sofá em particular que nos permita identificá-lo como um sofá. Mas se, por ventura, você derrubar café nesse sofá em particular, a identidade desse sofá mudaria? Parece que, em certo sentido, algo mudaria; ninguém diria que o sofá machado de café seria o mesmo que o não manchado de café. Porém, em outro sentido, também nada mudaria; o sofá em particular ainda seria um sofá.

Esse primeiro sentido, em que algo mudaria, é o defendido por Heráclito. Ou seja, como as coisas estão em constante devir (i.e., mudança), não existe realmente uma identidade dos entes; ao tentar identificar um ente qualquer, ele já teria mudado e se tornado um outro ente, e assim sucessivamente, devido a constância do devir. Já o segundo sentido, em que nada mudaria, é o defendido por Parmênides. Ou seja, como ainda é possível identificar os entes mesmo com esse suposto devir (a citar o caso do sofá), então não há realmente um devir; nada muda, mesmo que aparentemente tenha mudado.

Espero que eu tenha ajudado, e me desculpe por não ter discorrido mais sobre o assunto.
Abraços.

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