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Princípios da razoabilidade e proporcionalidade

Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade tem sentido equivalente? Esses princípios são expressos ou implícitos na legislação?


2 resposta(s)

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Ronaldo

Há mais de um mês

São princípios implícitos, mon ami. Não são equivalentes, apesar de serem bem parecidos e normalmente um não anda sem o outro.

Para te exemplificar, vou utilizar as palavras de um professor que conheci em Santa Catarina:

Você conhece uma garota e a convida para ir à sua casa comer massa com frutos do mar. Ao chegar lá você a serve miojo com sardinha. Foi proporcional, uma vez de que era a classe dos alimentos que se servia, mas não era razoável, pela situação fática em que vocês se encontravam.

Assim, a proporcionalidade guia o ato, enquanto a razoabilidade dita o motivo do ato em uma balança com a realidade vivenciada ali.

Se você me agredir, é razoável que eu devolva a agreção, mas não é proporcional se para isso eu tenha que utilizar um tanque de guerra.

Espero que eu tenha sido o mais didático possível, abraços!

São princípios implícitos, mon ami. Não são equivalentes, apesar de serem bem parecidos e normalmente um não anda sem o outro.

Para te exemplificar, vou utilizar as palavras de um professor que conheci em Santa Catarina:

Você conhece uma garota e a convida para ir à sua casa comer massa com frutos do mar. Ao chegar lá você a serve miojo com sardinha. Foi proporcional, uma vez de que era a classe dos alimentos que se servia, mas não era razoável, pela situação fática em que vocês se encontravam.

Assim, a proporcionalidade guia o ato, enquanto a razoabilidade dita o motivo do ato em uma balança com a realidade vivenciada ali.

Se você me agredir, é razoável que eu devolva a agreção, mas não é proporcional se para isso eu tenha que utilizar um tanque de guerra.

Espero que eu tenha sido o mais didático possível, abraços!

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Especialistas PD

Há mais de um mês

O Professor Bernardo Gonçalves explica que “a proporcionalidade apresenta uma estrutura mais complexa que a razoabilidade, que se divide em três sub-regras que devem sempre ser analisadas em sequência: (1) adequação, (2) necessidade e (3) proporcionalidade em sentido estrito.” (...) “Desse modo, a noção de razoabilidade apenas corresponde à primeira das três sub-regras que compõem a estrutura da proporcionalidade, a adequação”. (...) “uma medida estatal é adequada quando o seu emprego faz com que o objeto legítimo pretendido seja alcançado ou pelo menos fomentado. Dessa forma, uma medida somente pode ser considerada inadequada se sua utilização não contribuir em nada para fomentar a realização do objetivo pretendido.” (Curso de Direito Constitucional. 9ª ed. pg. 242-243).

Quanto à origem, esses princípios também possuem diferença. A proporcionalidade tem origem no direito alemão. A razoabilidade, no direito anglo-saxão.

Importante salientar que a doutrina não é pacífica sobre o assunto. Muitos entendem que não há qualquer diferença entre os princípios. O STF, inclusive, em diversas decisões utiliza os princípios como sinônimos. Outros doutrinadores, apesar de entenderem que esses princípios não se confundem, adotam diferentes critérios para distinguí-los.

Analisando os fundamentos do princípio da proporcionalidade e fazendo referência ao julgamento da ADI 855, o Ministro Gilmar Mendes assim conclui:

“Essa decisão parece consolidar o desenvolvimento do princípio da proporcionalidade como postulado constitucional autônomo que teria a sua sede material na disposição constitucional sobre o devido processo legal (art. 5º, LIV).

Embora aparentemente redutora da fundamentação do princípio da proporcionalidade, essa posição aponta uma compreensão do princípio da proporcionalidade como princípio geral de direito. São muitas as manifestações que se colhem na jurisprudência sobre a aplicação do princípio da proporcionalidade como princípio geral de direito.” (Curso de Direito Constitucional. 11ª ed. pg. 223)

Portanto, em sede constitucional não há previsão explícita do princípio em tela. Trata-se de princípio implícito. No entanto, no âmbito do direito administrativo, o art. 2º, da Lei 9784/99, que trata do processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, menciona expressamente os princípios da proporcionalidade e razoabilidade:

Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

 

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