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Na parte introdutória é vista que...

Bom galera, é visto no comezinho da introdução do direito das obrigações, dois aspectos, o aspecto do direito REAL e o direito PESSOAL.

Considerando o caso a seguir:

Na aquisição de um veiculo, via contrato de financiamento, com numero de parcelas de 24 vzs, João, adquirente e devedor, tendo do outro lado, veiculos S/A, administradora e credora. João vem cessar o pagamento das parcelas nos autos da 22° prestação, vem quebrar um tipo obrigacional, sendo ele? João possui o Direito Real sobre o veículo que esta adquirindo, mesmo sem sua quitação? A veiculos S/A poderá exercer algum tipo de Direito Pessoal contra João?

 

Aguardo Respostas meus caros Civilistas =) 


2 resposta(s)

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Guilherme Burzynski Dienes

Há mais de um mês

Se for leasing ou alienação fiduciária, João possui a posse direta, e a veículos s/a a posse indireta (propriedade/direito real).

Apesar de a interrupção do pagamento caracterizar inadimplemento, podendo ensejar à resolução do contrato, há a interpretação do STJ de se aplicar a teoria do substancial adimplemento, nos casos onde quase todo o contrato foi adimplido, devendo o credor se utilizar de ação de perdas e danos ou execução, ao invés de reintegração de posse.

"DIREITO CIVIL. CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL PARA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO (LEASING). PAGAMENTO DE TRINTA E UMA DAS TRINTA E SEIS PARCELAS DEVIDAS. RESOLUÇÃO DO CONTRATO. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. DESCABIMENTO. MEDIDAS DESPROPORCIONAIS DIANTE DO DÉBITO REMANESCENTE. APLICAÇÃO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. 1. É pela lente das cláusulas gerais previstas no Código Civil de 2002, sobretudo a da boa-fé objetiva e da função social, que deve ser lido o art. 475, segundo o qual "[a] parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos". 2. Nessa linha de entendimento, a teoria do substancial adimplemento visa a impedir o uso desequilibrado do direito de resolução por parte do credor, preterindo desfazimentos desnecessários em prol da preservação da avença, com vistas à realização dos princípios da boa-fé e da função social do contrato. 3. No caso em apreço, é de se aplicar a da teoria do adimplemento substancial dos contratos, porquanto o réu pagou: "31 das 36 prestações contratadas, 86% da obrigação total (contraprestação e VRG parcelado) e mais R$ 10.500,44 de valor residual garantido". O mencionado descumprimento contratual é inapto a ensejar a reintegração de posse pretendida e, consequentemente, a resolução do contrato de arrendamento mercantil, medidas desproporcionais diante do substancial adimplemento da avença. 4. Não se está a afirmar que a dívida não paga desaparece, o que seria um convite a toda sorte de fraudes. Apenas se afirma que o meio de realização do crédito por que optou a instituição financeira não se mostra consentâneo com a extensão do inadimplemento e, de resto, com os ventos do Código Civil de 2002. Pode, certamente, o credor valer-se de meios menos gravosos e proporcionalmente mais adequados à persecução do crédito remanescente, como, por exemplo, a execução do título. 5. Recurso especial não conhecido."

 

REsp 1051270 / RS
RECURSO ESPECIAL
2008/0089345-5

Se for leasing ou alienação fiduciária, João possui a posse direta, e a veículos s/a a posse indireta (propriedade/direito real).

Apesar de a interrupção do pagamento caracterizar inadimplemento, podendo ensejar à resolução do contrato, há a interpretação do STJ de se aplicar a teoria do substancial adimplemento, nos casos onde quase todo o contrato foi adimplido, devendo o credor se utilizar de ação de perdas e danos ou execução, ao invés de reintegração de posse.

"DIREITO CIVIL. CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL PARA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO (LEASING). PAGAMENTO DE TRINTA E UMA DAS TRINTA E SEIS PARCELAS DEVIDAS. RESOLUÇÃO DO CONTRATO. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. DESCABIMENTO. MEDIDAS DESPROPORCIONAIS DIANTE DO DÉBITO REMANESCENTE. APLICAÇÃO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. 1. É pela lente das cláusulas gerais previstas no Código Civil de 2002, sobretudo a da boa-fé objetiva e da função social, que deve ser lido o art. 475, segundo o qual "[a] parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos". 2. Nessa linha de entendimento, a teoria do substancial adimplemento visa a impedir o uso desequilibrado do direito de resolução por parte do credor, preterindo desfazimentos desnecessários em prol da preservação da avença, com vistas à realização dos princípios da boa-fé e da função social do contrato. 3. No caso em apreço, é de se aplicar a da teoria do adimplemento substancial dos contratos, porquanto o réu pagou: "31 das 36 prestações contratadas, 86% da obrigação total (contraprestação e VRG parcelado) e mais R$ 10.500,44 de valor residual garantido". O mencionado descumprimento contratual é inapto a ensejar a reintegração de posse pretendida e, consequentemente, a resolução do contrato de arrendamento mercantil, medidas desproporcionais diante do substancial adimplemento da avença. 4. Não se está a afirmar que a dívida não paga desaparece, o que seria um convite a toda sorte de fraudes. Apenas se afirma que o meio de realização do crédito por que optou a instituição financeira não se mostra consentâneo com a extensão do inadimplemento e, de resto, com os ventos do Código Civil de 2002. Pode, certamente, o credor valer-se de meios menos gravosos e proporcionalmente mais adequados à persecução do crédito remanescente, como, por exemplo, a execução do título. 5. Recurso especial não conhecido."

 

REsp 1051270 / RS
RECURSO ESPECIAL
2008/0089345-5

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Ailton Santana

Há mais de um mês

Muito Bom Guilherme. Parabéns, você leva minha aprovação. Mas vamos dar uma complicada, no caso de Joao, citado acima, ele não ópta pelo leasing, sendo apenas um contrato de compra e venda, comum entre duas partes civis. Onde ele se compromete em saldar suas obrigações, dividindo o veiculo em 36 vzs, mas não ópta pelo financiamento. Aplicar-se-á sua mesma teoria?

Lembrando que é um contrato inter partes, sem involvimento direto com o Estado.

^^

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes