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O que são e quais são os vícios ou defeitos dos negócios juridicos?Quando haverá vício do consentimento?


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Carlos Eduardo Ferreira de Souza Verified user icon

Há mais de um mês

Defeito ou vício do  negócio jurídico ocorre quando há determinada imperfeição, de consentimento ou social, que macule a livre e desembaraçada declaração da vontade ou que busque lesar terceiros, o que pode gerar anulação do negócio jurídico celebrado, desde que requerida pela parte interessada, no prazo decadencial de 4 anos, a contar dos fatos previstos no art. 178, I e II, do CC:

"Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado:

I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;

II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico;"

Os vícios ou defeitos dos negócios jurídicos estão regulados entre os arts. 138 e 165, do CC e podem ser de consentimento ou sociais.

1) Vícios de consentimento: erro, dolo, coação, estado de perigo e lesão;

2) Vícios sociais: fraude contra credores.

a) Do erro ou ignorância:

Ocorrerá quando "as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio." (art. 138, do CC). Devemos destacar que o erro é uma falha na percepção daquele que realiza o negócio jurídico, não sendo induzido ou ludibriado por qualquer pessoa.

A Lei Civil traz, ainda o que se chama erro essencial ou substancial (art. 139, do CC):

"Art. 139. O erro é substancial quando:

I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais;

II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante;

III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico."

b) Do dolo:

No dolo existe a ação da outra parte ou de terceiros para induzir à falsa percepção de quem pratica o negócio jurídico. Quando o dolo for fundamental para a prática do negócio, este será anulável (art. 145, do CC).

Lembramos que o dolo acidental se trata daquele que macula o consentimento, mas que não dá causa à celebração do negócio jurídico, ou seja, com ou sem dolo o negócio seria praticado, mas em outras condições. Assim, não gera anulação, mas enseja perdas e danos (art. 146, do CC).

O dolo pode ser manifesto ou por meio do silêncio intencional, bem como pela omissão dolosa, ensejando a anulação do negócio quando for essencial e perdas e danos quando for acidental (art. 147, do CC).

Por fim, pode haver dolo de terceiro, quando este induz alguém a erro para que haja prática do negócio jurídico. Neste caso, se a parte a quem aproveite tivesses ou devesse ter conhecimento, poderá haver anulação. Se a parte não sabia e nem deveria saber, responde o terceiro por perdas e danos (art. 148, do CC).

c) Da Coação:

Nos termos do art. 151, do CC "a coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens".

Pode o juiz, ainda, com base nas circunstâncias, decidir pela coação quando se tratar de pessoa não pertencente à família do paciente (art. 151, §único, do CC).

Lembramos que a ameaça do exercício normal de um direito e o temor reverencial não se consideram coação (art. 153, do CC).

Da mesma forma, "vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos" (art. 154, do CC), mas "subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto". (art. 155, do CC)

d) Do Estado de Perigo:

Conforme dita o art. 156, do CC, "configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa."

Quando se tratar de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz analisará o caso concreto (art. 156, §único, do CC)

e) Da Lesão:

Já a lesão, ocorrerá "quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta." (art. 157, do CC), lembrando que "não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito." (art. 157, §2º, do CC).

f) Da fraude contra credores:

Único vício social do negócio jurídico, temos aqueles negócios praticados por devedores com intuito de lesar credores ou, como informa o art. 158, do CC: "os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos."

Os mesmo direitos são resguardados aos credores cuja garantia se torne insuficiente, mas lembramos que em todo caso, só poderá pleitear anulação aquele credor que já o era ao tempo da prática do ato.

Ademais, por fraude contra credores, "serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante" (art. 159, do CC).

Indo além o Código civil fez previsão do art. 163, do CC, no seguinte sentido: "presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor"

Defeito ou vício do  negócio jurídico ocorre quando há determinada imperfeição, de consentimento ou social, que macule a livre e desembaraçada declaração da vontade ou que busque lesar terceiros, o que pode gerar anulação do negócio jurídico celebrado, desde que requerida pela parte interessada, no prazo decadencial de 4 anos, a contar dos fatos previstos no art. 178, I e II, do CC:

"Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado:

I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;

II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico;"

Os vícios ou defeitos dos negócios jurídicos estão regulados entre os arts. 138 e 165, do CC e podem ser de consentimento ou sociais.

1) Vícios de consentimento: erro, dolo, coação, estado de perigo e lesão;

2) Vícios sociais: fraude contra credores.

a) Do erro ou ignorância:

Ocorrerá quando "as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio." (art. 138, do CC). Devemos destacar que o erro é uma falha na percepção daquele que realiza o negócio jurídico, não sendo induzido ou ludibriado por qualquer pessoa.

A Lei Civil traz, ainda o que se chama erro essencial ou substancial (art. 139, do CC):

"Art. 139. O erro é substancial quando:

I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais;

II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante;

III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico."

b) Do dolo:

No dolo existe a ação da outra parte ou de terceiros para induzir à falsa percepção de quem pratica o negócio jurídico. Quando o dolo for fundamental para a prática do negócio, este será anulável (art. 145, do CC).

Lembramos que o dolo acidental se trata daquele que macula o consentimento, mas que não dá causa à celebração do negócio jurídico, ou seja, com ou sem dolo o negócio seria praticado, mas em outras condições. Assim, não gera anulação, mas enseja perdas e danos (art. 146, do CC).

O dolo pode ser manifesto ou por meio do silêncio intencional, bem como pela omissão dolosa, ensejando a anulação do negócio quando for essencial e perdas e danos quando for acidental (art. 147, do CC).

Por fim, pode haver dolo de terceiro, quando este induz alguém a erro para que haja prática do negócio jurídico. Neste caso, se a parte a quem aproveite tivesses ou devesse ter conhecimento, poderá haver anulação. Se a parte não sabia e nem deveria saber, responde o terceiro por perdas e danos (art. 148, do CC).

c) Da Coação:

Nos termos do art. 151, do CC "a coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens".

Pode o juiz, ainda, com base nas circunstâncias, decidir pela coação quando se tratar de pessoa não pertencente à família do paciente (art. 151, §único, do CC).

Lembramos que a ameaça do exercício normal de um direito e o temor reverencial não se consideram coação (art. 153, do CC).

Da mesma forma, "vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos" (art. 154, do CC), mas "subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto". (art. 155, do CC)

d) Do Estado de Perigo:

Conforme dita o art. 156, do CC, "configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa."

Quando se tratar de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz analisará o caso concreto (art. 156, §único, do CC)

e) Da Lesão:

Já a lesão, ocorrerá "quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta." (art. 157, do CC), lembrando que "não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito." (art. 157, §2º, do CC).

f) Da fraude contra credores:

Único vício social do negócio jurídico, temos aqueles negócios praticados por devedores com intuito de lesar credores ou, como informa o art. 158, do CC: "os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos."

Os mesmo direitos são resguardados aos credores cuja garantia se torne insuficiente, mas lembramos que em todo caso, só poderá pleitear anulação aquele credor que já o era ao tempo da prática do ato.

Ademais, por fraude contra credores, "serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante" (art. 159, do CC).

Indo além o Código civil fez previsão do art. 163, do CC, no seguinte sentido: "presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor"

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Fernanda Sousa

Há mais de um mês

O dolo é acidental, como diz o artigo 146 do Código Civil de 2002: “O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo”. Trata-se então das condições do negocio, em que ele seria realizado independentemente da malicia empregada por outra parte ou terceiro ao agente. Portanto, define-se como aquele dolo que não é causa daquele ato (dolus incidens). Neste caso, o agente realizaria o negocio em beneficio próprio e independente da ação maliciosa de outrem, porem comportamento desta outra pessoa acaba influenciando nas condições estipuladas. Em suma, o negocio jurídico é celebrado pelo agente para seu beneficio, mas o comportamento da outra parte ou terceiro influencia em como o negocio irá se efetivar. Essa espécie de dolo não torna o negocio anulável, apenas obriga a parte que enganou a satisfazer a vitima por perdas e danos.

Outro tipo de dolo, mas não muito importante, é o dolo por terceiro, que ocorre quando a parte que se aproveitar da outra tiver ciência ou não dos fatos. Se o autor do dolo tinha conhecimento acerca dos fatos, o negocio torna-se anulável, mas se não tiver conhecimento, o negocio não é anulável, entretanto a parte prejudicada poderá requer perdas e danos.

2.3. COAÇÃO

É conceituada como sendo a pressão física ou psicológica que é usada contra o negociante a fim de obriga-lo a realizar atos que não lhe interessam que não são do seu querer. A principio a pessoa não tinha desejo, intensão de realizar certo negócio, mas ela é forçada por outrem que se utiliza de algum motivo ou fato a celebrar tal negocio. Neste caso, não há manifestação de vontade, que é o elemento mais essencial para a efetivação do negócio. Carlos Roberto Gonçalves ressalta:

[...] “coação é o vicio mais grave e profundo que pode afetar o negocio jurídico, mais até que o dolo, pois impede a livre manifestação da vontade, enquanto este incide sobre a inteligência da vítima” [...].

Em geral, existem as seguintes espécies de coação: a coação absoluta, que surge quando há violência física, isto é, o coator utiliza de força física para obrigar uma pessoa a realizar certo ato ou negocio jurídico, e, portanto não possui nenhum consentimento da vitima, tornando o negocio ou ato nulo, invalido. A coação relativa ou moral surge quando há uma violência, uma pressão, psicológica ou moral. Nesta, o coator faz ameaças a vitima e a deixa escolhas, ou seja, a pessoa realiza certo ato ou sofrerá as consequências da ameaça.

Um exemplo que pode ser usado, é quando uma pessoa que esta portando arma de fogo, ameaça outra pessoa, dizendo que se ela não realize certo negocio, ela ira morrer.

2.4. ESTADO DE PERIGO

O estado de perigo consiste em uma situação que o agente esta, como o próprio nome diz, em perigo de vida. Constitui-se como a situação em que o negociante, temeroso de grave estado de perigo, seja seu ou de sua família, assume obrigação desproporcional e excessiva, e, sendo esta necessidade conhecida pela outra parte por quem salva. Em suma, estado de perigo, consiste em situação de necessidade extrema física de vida, em quem, o negociante com medo desta situação, aceita obrigação exorbitante onerosa, que é conhecida pela outra parte, a qual se aproveita desta situação para cobrar abusivamente do agente.

2.5. LESAO

Está preconizada, no Código Civil de 2002, em seu artigo 157.

“A lesão se constitui quando no ato da celebração ou execução do negocio jurídico, a pessoa obriga a si própria a uma prestação de valor desproporcional ao da prestação oposta, qual seja, a prestação da outra parte que compõe o negocio jurídico, tanto sendo credor ou devedor.”

Analisando o simples conceito acima descrito, e o interpretando, percebe-se que para que haja a lesão numa relação jurídica, é preciso que existam dois requisitos, sendo um objetivo e o outro subjetivo: o requisito objetivo diz respeito à onerosidade da prestação de uma parte da relação, isto é, ao sacrifício, ao gasto que a pessoa irá ter em seu patrimônio econômico. Portanto, a onerosidade deverá ser excessiva, ao tanto que a tornará desproporcional à outra prestação, e consequentemente fazendo com o individuo perca o interesse em manter o vinculo. No que diz respeito ao requisito subjetivo, esta relacionado com a pessoa que compõe a relação jurídica. É a situação pessoal do individuo formador da relação jurídica, sendo esta situação de premente necessidade ou por inexperiência em celebrar negócios. Em se tratando de premente necessidade, um simples exemplo é o de uma pessoa que está muito doente, e que para tentar se curar, paga uma quantia exorbitante por algum tratamento que, geralmente não chega àquela quantia.

3. DOS VÍCIOS SOCIAIS

Nos denominados vícios sócias do negócio jurídico, ocorre o contrario dos vícios do consentimento, pois enquanto este o defeito se encontra na declaração de vontade de umas das partes da relação processual, aquele se caracteriza pelo fato de o defeito se encontrar na intenção do individuo em manifestar a sua vontade, em que esta intenção é voltada para o fim de prejudicar o meio social, ou seja, para enganar a sociedade, para enganar terceiros. Os vícios são a Fraude Contra Credores e Simulação.

3.1. DA FRAUDE CONTRA CREDORES

Esta modalidade de vício do negocio jurídico, está prevista legalmente nos artigos 158 a 165 do Código Civil de 2002.

“É todo artificio malicioso que uma pessoa emprega com intenção de transgredir direito ou prejudicar interesses de terceiros” (Venosa).

Portanto, o devedor quer fraudar, prejudicar interesses de terceiros ou ainda burlar a lei. Entende-se, que fraudar credores, é o ato praticado pelo devedor, que já esta insolvente, ou que por praticar este ato, se torna insolvente causando prejuízos aos credores. É importante deixar claro que insolvente, é aquela pessoa que já não possui patrimônio, condições econômicas de adimplir, de pagar o que deve. Dessa forma, caracteriza-se pelo fato de o devedor, de um ou mais credores, que assume obrigações com estes, mas não tem como cumprir a prestação, ou quando possui condições, se desfaz de seu patrimônio, tornando-se insolvente, e, portanto não tendo como cumprir com a prestação que lhe cabe.

Observa-se então que existem dois requisitos, sendo o primeiro a má – fé do devedor, ou seja, a malícia, o fato deste manifestar a sua vontade com o planejamento de causar prejuízo para com o credor. O segundo requisito, diz respeito à intenção do devedor de prejudicar o credor, tendo a consciência de que está produzindo um dano. Esses requisitos, como se pode ver, são ambos de ordem subjetiva.

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Fernanda Sousa

Há mais de um mês

Conforme previsão do Código Civil de 2002, os vícios do negocio jurídico podem ser classificados em vícios do consentimento e vícios sociais.

I – CONCEITO, TIPOS E FORMA DO NEGÓCIO JURÍDICO.

Negócio jurídico é uma relação formada dentro dos limites do ordenamento jurídico, por duas ou mais vontades, em que os atos praticados nesta relação visam em adquirir, modificar ou extinguir direitos e obrigações.

Em regra, os negócios jurídicos são bilaterais, com duas vontades, ou plurilaterais com mais de duas vontades. Mas há também, os negócios jurídicos unilaterais, em que há uma única manifestação de vontade.

Quanto à forma dos negócios, a regra é a forma prescrita ou não proibida em lei, conforme se extrai da leitura do artigo 104 do Código Civil de 2002. Conclui-se, portanto, que a manifestação de vontade no negocio jurídico poderá ocorrer tanto de forma escrita, quanto verbal, por gestos, etc. Contudo há algumas exceções, que se referem a negócios jurídicos voltados para constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País, segundo o artigo 108 do CCB/02.

Esta foi uma simples analise do que são negócios jurídicos, quais os seus efeitos. Passemos agora, para o real objeto do presente artigo, que são os defeitos ou Vícios do Negocio Jurídico, defeitos estes que podem tornar um negocio nulo ou anulável.

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Fernanda Sousa

Há mais de um mês

1. DEFINIÇÃO DOS DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO

A vontade é o elemento fundamental para que os atos e negócios jurídicos se efetivem, pois ela representa os desejos e anseios do agente, o que ele quer alcançar. Essa vontade deve ser externada de forma livre, espontânea e clara afim de que o negocio celebrado alcance os efeitos desejados. Silvio de Salvo Venosa em sua obra, ressalta: “a vontade é a mola propulsora dos atos e negócios jurídicos. Essa vontade deve ser manifestada de forma idônea para que o ato tenha vida normal na atividade jurídica e no universo negocial. Se essa vontade não corresponda ao desejo do agente, o negocio jurídico tornar-se-á suscetível de nulidade ou anulação”.

Desse modo, os defeitos ou vícios do negocio jurídico, consistem em negócios em que a real vontade do agente não foi observada, havendo a presença de fatos que o tornam nulo ou passível de anulação. São, pois, falhas, anomalias, que fazem com que a vontade não seja corretamente ou totalmente manifestada e observada. Como consequência fazendo que o negocie acabe provocando efeitos indesejados, efeitos esses que não são o que realmente queria o agente, e causando prejuízo ao próprio agente ou a outrem. De acordo com Carlos Roberto Gonçalves, defeitos do negocio jurídico “são imperfeições que nele podem surgir decorrentes de anomalias na formação da vontade ou na sua declaração”.

A atual codificação, dentro do plano da anulação dispõe em seu artigo 178: “É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negocio jurídico, contando: I – no caso de coação, do dia em que ela cessar; II – no erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negocio jurídico”.

Os referidos defeitos, exceto a fraude contra credores, são classificados como vícios de consentimento, os quais serão analisados a seguir.

2. VICIOS DE CONSENTIMENTO

Os vícios de consentimentos estão relacionados à formação e declaração da vontade da pessoa. Pode-se dizer que eles surgem no negocio jurídico em que o declarante está viciado, havendo fatos, anomalias que fazem com que a vontade seja manifestada de uma forma que não era a real pretensão da pessoa. Os vícios de consentimento, de acordo com o Código Civil de 2002, são: erro ou ignorância, dolo, coação, lesão, estado de perigo.

2.1. ERRO OU IGNORÂNCIA

O erro consiste falsa ideia da realidade, do real estado ou situação das coisas. A pessoa supõe que é uma coisa, mas na verdade se trata de outra, podendo tornar o negocio anulável. Neste caso, o agente erra sozinho, não sendo induzido a errar, pois se fosse, caracterizar-se-ia como dolo. Segundo Flavio Tartuce “erro é um engano fático, uma falsa noção, em relação a uma pessoa, objeto do negocio ou a um direito, que acomete a vontade de uma das partes que celebrou o negocio jurídico”.

A atual codificação, diz em seu artigo 138, que são anuláveis os negócios celebrados com erro, desde que este seja substancial.

Nesse sentido, o erro é substancial quando interessar à natureza do negocio (error in negotio), sendo aquele em a pessoa ao manifestar sua vontade pretendendo praticar certo ato acaba praticando outro, ou seja, erro quanto à espécie de negócio; quando interessar ao objeto principal da declaração (error in corpore) ou a alguma das qualidades a ele essenciais (error in substantia). O primeiro diz respeito ao objeto da negociação. Surge quando o agente supõe que esta adquirindo certo objeto ou coisa e, entretanto adquire outro objeto. Já outro (error in substantia) diz respeito à característica, qualidade do objeto da negociação, característica essa que o torna único; quando interessar à identidade ou qualidade da pessoa (error in persona) seria quando interessar às qualidades da pessoa em torno da declaração de vontade. Somente nestes casos de erro, que se consegue a anulação do negocio celebrado.

Um exemplo simples de erro é quando uma pessoa vai a uma relojoaria com o intuito de comprar um relógio de ouro, mas ao chegar à loja não especifica, não diz à vendedora que deseja e um relógio de ouro. Então compra um relógio acreditando que é de ouro maciço, mas que na verdade é folheado a ouro.

2.2. DOLO

O dolo define-se como a indução maliciosa a cometer o erro. Nota-se neste que neste caso, o agente declarante da vontade não erra sozinho, o erro não é espontâneo, ele é induzido a praticar ato que não seja de sua real vontade. Carlos Roberto Gonçalves, em sua obra, conceitua dolo “como o artificio ou expediente astucioso, empregado para induzir alguém a pratica de um ato que o prejudica, e aproveita ao autor do dolo ou a terceiro. Consiste em sugestões ou manobras maliciosamente levadas a efeito por uma parte, a fim de conseguir da outra uma emissão de vontade que lhe traga proveito, ou a terceiro”.

Quanto aos tipos de dolo, o código civil trata de duas classificações: dolo principal e dolo acidental. Entretanto, no artigo 145 do CC, diz que o negocio jurídico só é anulado por dolo quando este for a sua causa, isto é, o negocio só é anulável se este foi celebrado em consequência de que o agente foi induzido pela outra parte.

O dolo principal (dolus causans dans contratui) é aquele em que é a causa determinante da confirmação do negocio jurídico. Configura-se quando o negocio é realizado e uma das partes utiliza-se de artifícios maliciosos para fazer que a outra parte erre e realize o negocio normalmente. Em síntese, o agente é enganado acerca da real situação e persuadido, fazendo com que acreditasse que aquele ato esteja certo, e se não fosse induzido, não teria realizado o negocio..

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas