Parafrasear

Pois bem, vamos a mais um desafio de parafrasear hoje termos o seguinte texto.

A ARMADILHA DO PET

 

Norbert Suchanek - Publicado em 23 Janeiro 2014

 

Foi na última semana, quando uma amiga me enviou uma foto de seu quintal de permacultura e com orgulho ela escreveu: "Olha, estou reciclando garrafas de PET, utilizando no viveiro para as minhas plantinhas." A minha amiga se acha ecologicamente correta e consciente, mas sem querer ela entrou na armadilha da grande indústria do plástico e do petróleo.

Por anos, incontáveis workshops de reciclagem ensinaram aos brasileiros, criancinhas, adultos, idosos, donas de casa, comunidades carentes e povos indígenas a maravilha de “reciclar” garrafas PET. As garrafas de PET usadas passam, então, a servir para várias coisas. Vasos para plantas, brinquedos, bijuterias, árvores de Natal, móveis ou qualquer coisa inimaginável. Paralelo a isso, foi criado um mercado de roupas com malha PET, identificada como ecologicamente correta. Camisas caríssimas, porque salvam o planeta, diz a propaganda.

Uma mentira que só virou verdade nesta sociedade do século 21, porque foi repetida milhares vezes. A realidade é esta: O uso de uma garrafa PET velha no seu quintal ou em forma de roupa, ou como um “telhado verde” não é reciclagem e nem preserva o meio ambiente. Reciclagem é quando uma garrafa PET velha vira uma garrafa PET nova, como é feito com as garrafas de vidro. Só assim o uso da matéria-prima, o petróleo, e o gasto de energia, estarão reduzidos. Mas o que acontece com a PET, na realidade, é o contrário disso. A garrafa PET, na prática mundial, não vira uma nova garrafa PET. A garrafa velha vira um outro produto, processo que internacionalmente recebeu o nome “Downcycling”.

Ao contrário do vidro, a PET não pode ser reutilizada na linha de produção original e o seu processo de reciclagem de verdade é ainda caro e complicado. Por isso a indústria de embalagens prefere utilizar matéria-prima para seus produtos e inventou a propaganda da PET-Recicling. Novos mercados para o lixo de PET foram criados e estão estimulando a produção de novas garrafas PET à base da matéria-prima petróleo. Por exemplo, o novo mercado de Eco-Camisas, Eco-Bolsas ou Eco-mochilas de PET precisa de produção de novas garrafas de PET à base da matéria-prima. E isso é um ato contra a sustentabilidade, contra o meio ambiente e contra a nossa saúde.

Pior: ao contrário das fadas da propaganda da indústria química, a produção de PET não é fácil nem limpa. Além do uso de petróleo, também várias substâncias tóxicas são necessárias ou são criadas durante o processo. Por exemplo, a indústria está usando trióxido de antimônio no processo de fazer PET. Mas antimônio é um metal pesado venenoso e pode desenvolver câncer. “A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o trióxido de antimônio no Grupo 2B – possivelmente carcinogênico para o ser humano.”

A substância orgânica Bisfenol-A (BPA) é outro grande vilão na produção de garrafas de plástico e de outras embalagens. Essa substância de fórmula (CH3)2C(C6H4OH)2 é um estrogênio sintético e pode causar câncer e infertilidade. Já foi provado, há anos, que o Bisfenol-A pode contaminar os líquidos dentro das garrafas de PET ou de outros plásticos.

Quem compra garrafas de PET e as usam no seu quintal, como um viveiro, ou quem cria um sofá de PET ou bijuterias, também está responsável pela continuidade do uso do petróleo, da mineração de antimônio e seus efeitos danificadores e pela contaminação do meio ambiente com substâncias tóxicas e cancerígenas. O mundo não precisa de garrafas, camisas ou viveiros de PET. Vidro é o melhor material para guardar qualquer bebida, inclusive a água. As garrafas de vidro podem ser reutilizadas centenas de vezes. E o material de vidro pode ser reciclado sem fim. O próprio vidro é a melhor matéria-prima para fazer vidro.

 

 Os australianos Bill Mollison e David Holmgren, criadores da Permacultura, cunharam esta palavra nos anos 70 para referenciar “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”. Estavam buscando os princípios de uma Agricultura Permanente. Logo depois, o conceito evoluiu para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis”, como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos éticos, socioeconômicos e ambientais. 

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