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c) A Constituição de um Estado Democrático de Direito pode veicular normas que reproduzam o teor das normas do Ato Institucional nº 5?


2 resposta(s)

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Elon Vertelo

Há mais de um mês

Não. A Constituição Federal de 1988 contempla, em seu corpo normativo, a proibição da censura tanto para a liberdade de expressão, que deflui, em suas modalidades, do inciso IX do artigo 5º, quanto para a manifestação do pensamento e o direito da informação, no teor do caput do artigo 200 do referido diploma legal. 

Não. A Constituição Federal de 1988 contempla, em seu corpo normativo, a proibição da censura tanto para a liberdade de expressão, que deflui, em suas modalidades, do inciso IX do artigo 5º, quanto para a manifestação do pensamento e o direito da informação, no teor do caput do artigo 200 do referido diploma legal. 

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Especialistas PD

Há mais de um mês

Pedro Lenza traça um panorama bastante preciso do AI-5:

AI-5, de 13.12.1968: o AI-5, o famigerado e mais violento ato baixado pela ditadura, perduraria até a sua revogação pela EC n. 11, de 17.10.1978, fixando as seguintes "atrocidades", nos termos de sua ementa:

a) formalmente, foram mantidas a Constituição de 24.01.1967 e as Constituições Estaduais, com as modificações constantes do AI-5;

b) o Presidente da República poderia decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores, por ato complementar em estado de sítio ou fora dele, só voltando a funcionar quando convocados seus membros pelo Presidente da República;

e) o Presidente da República, no interesse nacional, poderia decretar a intervenção nos Estados e Municípios, sem as limitações previstas na Constituição;

d) os direitos políticos de quaisquer cidadãos poderiam ser suspensos pelo prazo de 10 anos e cassados os mandatos eletivos federais, estaduais e municipais;

e) ficaram suspensas as garantias constitucionais ou legais de vitaliciedade, inamovibilidade e estabilidade, bem como a de exercício em funções por prazo certo;

f) o Presidente da República, em quaisquer dos casos previstos na Constituição, poderia decretar o estado de sítio e prorrogá-lo, fixando o respectivo prazo;

g) o Presidente da República poderia, após investigação, decretar o confisco de bens de todos quantos tivessem enriquecido ilicitamente, no exercício do cargo ou função;

h) suspendeu-se a garantia de habeas corpus, nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular (art. 10 do AI-5);

i) finalmente, a triste previsão do art. 11 do Al-5: "excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos".

No mesmo dia em que o AI-5 foi baixado por Costa e Silm, o Congresso Nacional foi fechado, nos termos do Ato Complementar n. 38, de 13.12.1968, situação essa que perdurou por mais de 10 meses.” (Direito Constitucional Esquematizado. 21ª ed. pg. 138)

Uma análise superficial dessas normas já é capaz de demonstrar sua incompatibilidade com o Estado Democrático de Direito. Isso porque o AI-5 desrespeita flagrantemente os direitos políticos e praticamente inviabiliza os sistema de freios e contrapesos na medida em que atribui ao Poder Executivo uma série de prerrogativas que sufocam os Poderes Legislativo e Judiciário.

 

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes