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Direito Civil

1. Tunico e Tinoco trabalham juntos num conceituado escritório de advocacia no Rio de janeiro. Em janeiro, Tunico conseguiu vitória em expressivo caso judicial no qual atuava como advogado, rendendo-lhe a título de honorários, o montante de 60.000 reais. Ocorre que a exeqüibilidade desse crédito não é imediata, estando o mesmo sujeito a um termo de 120 dias, prazo esse firmado a pedido do patrocinado, o Sr. Alcebíades. Vendo sua situação financeira agravar-se, Tunico procura Tinoco e lhe propõe uma cessão parcial de crédito. O negócio jurídico possui os seguintes contornos: Tinoco tornar-se-ia titular de um crédito no montante de 30.000 reais. Para isso, desembolsaria a quantia de 25.000 reais. O presente negócio foi devidamente celebrado por instrumento público.
a). Para a realização de tal negócio, é imprescindível a anuência do devedor Alcebíades? Justifique.
b). Na data do vencimento, Tinoco toma ciência que Alcebíades encontra-se em estado de insolvência. Poderia Tinoco, de alguma forma, receber a quantia cedida de Tunico? Em caso positivo, explique e identifique o valor que poderá ser cobrado. Em caso negativo, identifique se deve sofrer prejuízo total pela insolvência do devedor.


4 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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Júnior Oliveira Verified user icon

Há mais de um mês

Estamos diante de uma cessão parcial de crédito, disciplinada pelo Código Civil entre os artigos 280 e 298:

Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.

Considerando-se que a cessão foi realizada por meio de instrumento público, ela será eficaz contra terceiros:

Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654. 

 

Feitas essas anotações, passemos às respostas:

a). Para a realização de tal negócio, é imprescindível a anuência do devedor Alcebíades? Justifique.

Não. A menos que haja disposição em contrário convencionada entre Tunico e Alcebíades, e uma vez cumpridos os requisitos legais, a cessão de crédito prescinde de anuência do devedor Alcebíades para sua realização, pois tal hipótese não é prevista na legislação como condição de existência ou de validade do negócio jurídico.

No entanto, essa cessão somente produzirá efeitos em relação ao devedor Alcebíades caso este seja devidamente notificado acerca de sua existência:
 

Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.

(...)

Art. 290.  A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.

 

b). Na data do vencimento, Tinoco toma ciência que Alcebíades encontra-se em estado de insolvência. Poderia Tinoco, de alguma forma, receber a quantia cedida de Tunico? Em caso positivo, explique e identifique o valor que poderá ser cobrado. Em caso negativo, identifique se deve sofrer prejuízo total pela insolvência do devedor.

Uma vez ciente da insolvência do devedor Alcebíades, Tinoco, na qualidade de cessionário do crédito, poderá manejar todas as ações em Direito admitidas para garantir a conservação de seu direito:

Art. 293. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido.

No entanto, Tinoco, salvo disposição convencional em contrário, NÃO poderá cobrar de Tonico o valor do crédito cedido, amargando o prejuízo, pois, em regra, o cedente é responsável apenas pela existência do crédito, não pela solvência do devedor:

Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé.

Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor.

Estamos diante de uma cessão parcial de crédito, disciplinada pelo Código Civil entre os artigos 280 e 298:

Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.

Considerando-se que a cessão foi realizada por meio de instrumento público, ela será eficaz contra terceiros:

Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654. 

 

Feitas essas anotações, passemos às respostas:

a). Para a realização de tal negócio, é imprescindível a anuência do devedor Alcebíades? Justifique.

Não. A menos que haja disposição em contrário convencionada entre Tunico e Alcebíades, e uma vez cumpridos os requisitos legais, a cessão de crédito prescinde de anuência do devedor Alcebíades para sua realização, pois tal hipótese não é prevista na legislação como condição de existência ou de validade do negócio jurídico.

No entanto, essa cessão somente produzirá efeitos em relação ao devedor Alcebíades caso este seja devidamente notificado acerca de sua existência:
 

Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.

(...)

Art. 290.  A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.

 

b). Na data do vencimento, Tinoco toma ciência que Alcebíades encontra-se em estado de insolvência. Poderia Tinoco, de alguma forma, receber a quantia cedida de Tunico? Em caso positivo, explique e identifique o valor que poderá ser cobrado. Em caso negativo, identifique se deve sofrer prejuízo total pela insolvência do devedor.

Uma vez ciente da insolvência do devedor Alcebíades, Tinoco, na qualidade de cessionário do crédito, poderá manejar todas as ações em Direito admitidas para garantir a conservação de seu direito:

Art. 293. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido.

No entanto, Tinoco, salvo disposição convencional em contrário, NÃO poderá cobrar de Tonico o valor do crédito cedido, amargando o prejuízo, pois, em regra, o cedente é responsável apenas pela existência do crédito, não pela solvência do devedor:

Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé.

Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas