A maior rede de estudos do Brasil

o que é quantificado pela medida de depuração de creatina?

Química

USP-SP


1 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

User badge image

RD Resoluções Verified user icon

Há mais de um mês

A creatinina é um produto metabólico da fosforilação da creatina fosfato no músculo. A sua produção é relativamente (ainda que não totalmente) constante de hora em hora e diariamente, e os níveis sanguíneos são muito estáveis. A excreção é feita através de uma combinação de filtração glomerular (70-80%) e secreção tubular. 

Em geral, exibe paralelismo de ±10% com a TFG verdadeira (todavia, pode ultrapassar em 10-40% os valores de depuração da insulina, mesmo em indivíduos normais). Na presença de baixas taxas de filtração (<30% do normal) os valores de depuração da creatinina tornam-se cada vez mais imprecisos, uma vez que a fração tubular secretada constitui uma maior proporção da creatinina urinária total (representando, por vezes, até 60% da creatinina urinária na insuficiência renal grave). 

A depuração da creatinina tem uma vantagem sobre a da ureia, em virtude de a taxa de produção de creatinina ser mais constante do que a da ureia. Como o valor sérico faz parte da fórmula de depuração, a ocorrência de menor flutuação no nível sérico permite colheitas de urina a intervalos maiores, além de fornecer resultados mais reproduzíveis. 

Além disso, verifica-se uma menor alteração da excreção de creatinina do que de ureia. Considerações teóricas e clínicas mostraram que a depuração da creatinina constitui uma melhor estimativa da TFG do que a depuração da ureia. Por conseguinte, a depuração da creatinina substituiu a da ureia na maioria dos laboratórios. 

A depuração da creatinina apresenta certas desvantagens. Os limites de referência (90-120 ml/min) foram estabelecidos para adultos jovens. Foi constatado que a TFG diminui com a idade, um registro indica a ocorrência de uma redução de quatro ml/min para cada década depois dos 20 anos de idade. 

Diversos estudos constataram uma depuração de creatinina baixa da ordem de 50 ml/min, em pessoas idosas clinicamente sadias, enquanto um estudo forneceu valores situados entre 40 e 70% do normal. A produção e a excreção de creatinina também diminuem com a idade, embora o nível sérico geralmente permaneça dentro dos limites de referência da população. 

A aplicação de valores normais relacionados com a idade depende de estas alterações serem consideradas fisiológicas (devido a sua ocorrência frequente na população) ou patológicas (por serem mais provavelmente devidas a nefrosclerose arteriolar renal). A depuração de creatinina é influenciada por diversos fatores não-renais. Todas as provas de depuração apresentam um grande problema em comum: a necessidade de colheitas de urina exatamente cronometradas, sem nenhuma perda de urina durante o período de colheita. A colheita de urina incompleta geralmente resulta em falsa diminuição dos valores aparentes de depuração. 

Outro fator a ser considerado é a origem muscular da creatinina sérica e, por conseguinte, a dependência da massa muscular, que pode variar de modo considerável em diferentes indivíduos. A redução da muscular (com a que se observa no indivíduo idoso, em pacientes com insuficiência renal crônica ou em pessoas desnutridas) pode resultar em diminuição dos valores aparentes de depuração. 

Este processo exagera qualquer diminuição devida a uma redução da filtração glomerular. Por outro lado, a ingestão de carne em quantidade suficientemente grande pode aumentar potencialmente o nível sérico de creatinina e diminuir a sua depuração. 

Por fim, existem variáveis laboratoriais. Certas substâncias (como, por exemplo, cetonas) podem interferir no ensaio bioquímico de Jaffe amplamente utilizado para a creatinina. Os métodos cinéticos de picrato alcalino (utilizados em muitos instrumentos químicos automáticos) e os métodos enzimáticos para determinação da creatinina produzem níveis séricos de creatinina cerca de 2,0 mg/100 ml (176,8 umol/l) inferiores ao método de Jaffe mais inespecífico. 

Nos indivíduos normais, o usa desses métodos de ensaio resulta em valores de depuração 20-30 ml/min maiores do que as obtidos quando se utiliza o método de ensaio da creatinina de Jaffe. 

Qualquer que seja o método utilizado, a variação diária na dosagem da mesma amostra de creatinina produz, na maioria dos laboratórios, diferenças de 15-20% nos resultados (representando ± 2 desvio padrão do valor médio). A variação na determinação repetida da depuração de creatinina é de cerca de 20-25% (faixa: 20-34%).

Além disso, quando a depuração da creatinina cai para valores muito baixos (por exemplo, inferiores a 20 ml/min), os valores tomam-se inexatos, de modo que a interpretação torna-se muito difícil. Para concluir, a depuração da creatinina fornece uma estimativa útil da TFG, embora existam problemas na colheita, na sua determinação e na fisiologia corporal (normal ou induzida por doença), podendo produzir resultados inexatos. 

O tempo de colheita padrão da urina para a depuração da creatinina é de 24 h. Vários registros indicam que um período de colheita de 2h fornece resultados que se correlacionam razoavelmente com os obtidos utilizando a colheita de 24 h. A colheita de 2 h deve ser efetuada nas primeiras horas da manhã, com o paciente em jejum, devido a um aumento pós-prandial de 10-40% nos níveis sanguíneos e urinários de creatinina. 

Alguns investigadores acreditam que os resultados da depuração de creatinina são mais exatos se o peso, a área superficial e a idade do paciente ou alguma combinação dessas variáveis forem incluídos na computação dos dados de depuração. Foram publicados vários nomogramas e fórmulas baseando¬-se apenas nos níveis séricos de creatinina e em algumas das variáveis supracitadas, a fim de prever a depuração da creatinina sem a necessidade de colheita de urina. Todavia, todas estas formulas supõem que a função renal do paciente esteja estável. Nenhuma delas foi amplamente aceita ate o presente momento. 

Os valores de depuração para mulheres, quando determinados com esta fórmula, são de 90% dos valores obtidos para homens. Todas as fórmulas de previsão fornecem alguns resultados que divergem dos valores das depurações medidas. 

A depuração da creatinina tem sido considerada uma das provas mais sensíveis disponíveis para indicar a presença de insuficiência renal, devido a rápida queda da depuração para valores baixos. Todavia, muitas condições também produzem uma queda da depuração da creatinina, e, se a depuração já estiver diminuída, será difícil interpretar qualquer redução adicional dos valores. 

Como se espera obter um valor normal de depuração no indivíduo jovem, a observação de urna taxa reduzida de depuração da creatinina pode constituir certa evidência a favor da nefrite.

A creatinina é um produto metabólico da fosforilação da creatina fosfato no músculo. A sua produção é relativamente (ainda que não totalmente) constante de hora em hora e diariamente, e os níveis sanguíneos são muito estáveis. A excreção é feita através de uma combinação de filtração glomerular (70-80%) e secreção tubular. 

Em geral, exibe paralelismo de ±10% com a TFG verdadeira (todavia, pode ultrapassar em 10-40% os valores de depuração da insulina, mesmo em indivíduos normais). Na presença de baixas taxas de filtração (<30% do normal) os valores de depuração da creatinina tornam-se cada vez mais imprecisos, uma vez que a fração tubular secretada constitui uma maior proporção da creatinina urinária total (representando, por vezes, até 60% da creatinina urinária na insuficiência renal grave). 

A depuração da creatinina tem uma vantagem sobre a da ureia, em virtude de a taxa de produção de creatinina ser mais constante do que a da ureia. Como o valor sérico faz parte da fórmula de depuração, a ocorrência de menor flutuação no nível sérico permite colheitas de urina a intervalos maiores, além de fornecer resultados mais reproduzíveis. 

Além disso, verifica-se uma menor alteração da excreção de creatinina do que de ureia. Considerações teóricas e clínicas mostraram que a depuração da creatinina constitui uma melhor estimativa da TFG do que a depuração da ureia. Por conseguinte, a depuração da creatinina substituiu a da ureia na maioria dos laboratórios. 

A depuração da creatinina apresenta certas desvantagens. Os limites de referência (90-120 ml/min) foram estabelecidos para adultos jovens. Foi constatado que a TFG diminui com a idade, um registro indica a ocorrência de uma redução de quatro ml/min para cada década depois dos 20 anos de idade. 

Diversos estudos constataram uma depuração de creatinina baixa da ordem de 50 ml/min, em pessoas idosas clinicamente sadias, enquanto um estudo forneceu valores situados entre 40 e 70% do normal. A produção e a excreção de creatinina também diminuem com a idade, embora o nível sérico geralmente permaneça dentro dos limites de referência da população. 

A aplicação de valores normais relacionados com a idade depende de estas alterações serem consideradas fisiológicas (devido a sua ocorrência frequente na população) ou patológicas (por serem mais provavelmente devidas a nefrosclerose arteriolar renal). A depuração de creatinina é influenciada por diversos fatores não-renais. Todas as provas de depuração apresentam um grande problema em comum: a necessidade de colheitas de urina exatamente cronometradas, sem nenhuma perda de urina durante o período de colheita. A colheita de urina incompleta geralmente resulta em falsa diminuição dos valores aparentes de depuração. 

Outro fator a ser considerado é a origem muscular da creatinina sérica e, por conseguinte, a dependência da massa muscular, que pode variar de modo considerável em diferentes indivíduos. A redução da muscular (com a que se observa no indivíduo idoso, em pacientes com insuficiência renal crônica ou em pessoas desnutridas) pode resultar em diminuição dos valores aparentes de depuração. 

Este processo exagera qualquer diminuição devida a uma redução da filtração glomerular. Por outro lado, a ingestão de carne em quantidade suficientemente grande pode aumentar potencialmente o nível sérico de creatinina e diminuir a sua depuração. 

Por fim, existem variáveis laboratoriais. Certas substâncias (como, por exemplo, cetonas) podem interferir no ensaio bioquímico de Jaffe amplamente utilizado para a creatinina. Os métodos cinéticos de picrato alcalino (utilizados em muitos instrumentos químicos automáticos) e os métodos enzimáticos para determinação da creatinina produzem níveis séricos de creatinina cerca de 2,0 mg/100 ml (176,8 umol/l) inferiores ao método de Jaffe mais inespecífico. 

Nos indivíduos normais, o usa desses métodos de ensaio resulta em valores de depuração 20-30 ml/min maiores do que as obtidos quando se utiliza o método de ensaio da creatinina de Jaffe. 

Qualquer que seja o método utilizado, a variação diária na dosagem da mesma amostra de creatinina produz, na maioria dos laboratórios, diferenças de 15-20% nos resultados (representando ± 2 desvio padrão do valor médio). A variação na determinação repetida da depuração de creatinina é de cerca de 20-25% (faixa: 20-34%).

Além disso, quando a depuração da creatinina cai para valores muito baixos (por exemplo, inferiores a 20 ml/min), os valores tomam-se inexatos, de modo que a interpretação torna-se muito difícil. Para concluir, a depuração da creatinina fornece uma estimativa útil da TFG, embora existam problemas na colheita, na sua determinação e na fisiologia corporal (normal ou induzida por doença), podendo produzir resultados inexatos. 

O tempo de colheita padrão da urina para a depuração da creatinina é de 24 h. Vários registros indicam que um período de colheita de 2h fornece resultados que se correlacionam razoavelmente com os obtidos utilizando a colheita de 24 h. A colheita de 2 h deve ser efetuada nas primeiras horas da manhã, com o paciente em jejum, devido a um aumento pós-prandial de 10-40% nos níveis sanguíneos e urinários de creatinina. 

Alguns investigadores acreditam que os resultados da depuração de creatinina são mais exatos se o peso, a área superficial e a idade do paciente ou alguma combinação dessas variáveis forem incluídos na computação dos dados de depuração. Foram publicados vários nomogramas e fórmulas baseando¬-se apenas nos níveis séricos de creatinina e em algumas das variáveis supracitadas, a fim de prever a depuração da creatinina sem a necessidade de colheita de urina. Todavia, todas estas formulas supõem que a função renal do paciente esteja estável. Nenhuma delas foi amplamente aceita ate o presente momento. 

Os valores de depuração para mulheres, quando determinados com esta fórmula, são de 90% dos valores obtidos para homens. Todas as fórmulas de previsão fornecem alguns resultados que divergem dos valores das depurações medidas. 

A depuração da creatinina tem sido considerada uma das provas mais sensíveis disponíveis para indicar a presença de insuficiência renal, devido a rápida queda da depuração para valores baixos. Todavia, muitas condições também produzem uma queda da depuração da creatinina, e, se a depuração já estiver diminuída, será difícil interpretar qualquer redução adicional dos valores. 

Como se espera obter um valor normal de depuração no indivíduo jovem, a observação de urna taxa reduzida de depuração da creatinina pode constituir certa evidência a favor da nefrite.

User badge image

Vittoria

Há mais de um mês

De acordo com a fisiologia renal,a depuração de creatinina é o volume de plasma sanguíneo que é depurado de creatinina por unidade de tempo. Clinicamente, a depuração de creatinina é uma medida útil para estimar a taxa de filtração glomerular dos rins.

Espero que tenha ajudado

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas