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Quais os efeitos jurídicos do casamento?


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Arlene

Há mais de um mês

Contemporaneamente, o casamento foi pluralizado, seguindo o novo conceito de família, a “família plural” (DIAS, 2013, p. 15), esse avanço teve como fundamento tirar o véu do preconceito e da intolerância da sociedade brasileira. De grande influência para esses avanços foi a introdução do conceito de afetividade nas formações familiares, conforme a doutrina de Maria Berenice Dias (2011): “A Constituição, ao outorgar proteção à família, independentemente da celebração do casamento, vincou um novo conceito de entidade familiar, albergando vínculos afetivos outros.”

Nesse sentido, os Tribunais Superiores do Brasil “assumiram”, avançaram, deixando para trás as discussões improdutivas do Legislativo – como o Projeto de Lei da Câmara nº 122/2006, dentre outros, que não saem do “papel” e das discussões políticas que envolvem as bancadas religiosas – e declararam os direitos referentes à união estável homoafetiva e sua natural conversão em casamento, por intermédio da ADI nº 4277/DF, da ADPF nº 132/RJ e da Resolução Nº 175, de 14 de maio de 2013.

E muito mais do que isso, estas novidades não são inovações, pois já são uma realidade brasileira há muitas décadas, até séculos, ocorre apenas que estão sendo regularizados juridicamente os direitos desses cidadãos e cidadãs, que pagam impostos e seguem os ditames da legislação brasileira, portanto, legalmente, esses brasileiros devem ter os mesmos direitos e deveres da maioria heterossexual.

Dessa forma, com fulcro na máxima de Rui Barbosa "tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam"busca-se o equilíbrio nas relações e o cumprimento do Princípio da Igualdade para propiciar a dignidade à pessoa humana no Brasil.

O casamento é um tema do Direito de Família, ou melhor, “Direito das Famílias” (DIAS, 2013, p.15). Principiando pela Carta Magna, no Capítulo VII, Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso, Art. 226inverbis:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração.

§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

§ 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.

No texto acima, a família é a base social protegida pelo Estado, e a ocorrência do casamento reconhece juridicamente sua existência e, consequentemente, tem-se os efeitos sociais, pessoais e patrimoniais.

Seguindo pedagogicamente em gradação, pelo ordenamento jurídico, vê-se o Código Civil de 2002, no Livro Do Direito de Família, Do Direito Pessoal, Do Casamento, que exara em relação ao instituto complexo do casamento civil, que compreende a habilitação e a celebração como requisitos formais, ditando nos artigos 1.512 e seguintes que:

Art. 1.512. O casamento é civil e gratuita a sua celebração.

Parágrafo único. A habilitação para o casamento, o registro e a primeira certidão serão isentos de selos, emolumentos e custas, para as pessoas cuja pobreza for declarada, sob as penas da lei.

Art. 1.513. É defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na comunhão de vida instituída pela família.

Art. 1.514. O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.

Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.

Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil.

Sendo um ato público com diferentes conceitos na doutrina. No entendimento de Maria Helena Diniz (2010, p.37): “O casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que visa o auxílio mútuo material e espiritual, de modo que haja uma integração fisiopsíquica e a constituição de uma família”.

Segundo Roberto Gonçalves (GONÇALVES, p. 39) é “a união permanente entre o homem e a mulher, de acordo com a lei, a fim de se reproduzirem, de se ajudarem mutuamente e de criarem os seus filhos”.

O conceito de efeitos jurídicos do casamento segundo Souza (2009) é que:

“São conseqüências que se projetam no ambiente social, nas relações pessoais e econômicas dos cônjuges, nas relações pessoais e patrimoniais entre pais e filhos, dando origem a direitos e deveres, disciplinados por normas jurídicas.

Com base nesses conceitos, pode-se inferir os três principais efeitos jurídicos do casamento, em conformidade com Souza (2009).

I - Os efeitos sociais que consistem na própria criação da família vinculados à afinidade - hoje se emprega o termo afetividade que tem um sentido mais amplo - além da possibilidade de emancipação do cônjuge menor, este último efeito, segue o Código Civil, no art. § único, inciso II:

Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.

Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:

I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;

II - pelo casamento;

Constituição Federal de 1988, no art. 226§§ 1º e  situa a família como a base da sociedade e tutelada pelo Estado brasileiro.

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração.

§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

Esse artigo se ajusta com o art. 1.511 do Código Civil que estabelece a igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.

Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.

Outra proteção dada é a liberdade de constituir a família sem a interferência de qualquer pessoa. Assim pronuncia o Código Civil no art. 1.513“É defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na comunhão de vida instituída pela família.”

A partir da constituição da família se estabelece o vínculo de afinidade entre cada cônjuge e os parentes do outro, assim direciona o Código Civil, art. 1.595§§ 1º e in verbis.

Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade.

§ 1º O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro.

§ 2º Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável.

II – Os efeitos pessoais que são os direitos e deveres recíprocos dos cônjuges, e em relação aos filhos na constituição da família, intitulados nos art. 1.565 e 1.566 do Código Civil, portanto:

Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família.

§ 1º Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.

§ 2º O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas.

Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:

I - fidelidade recíproca;

II - vida em comum, no domicílio conjugal;

III - mútua assistência;

IV – sustento e guarda e educação dos filhos;

V - respeito e consideração mútuos.

Destarte, impõe-se legalmente aos cônjuges o dever de respeitarem-se, de sustentar, guardar e educar os filhos, de assistência mútua, de morar no domicílio conjugal e, o mais mitigado, o dever de fidelidade recíproca.

III - Os efeitos econômicos ou patrimoniais estão relacionados ao dever de sustento da família, da obrigação alimentar e às consequências da escolha do regime de bens, isto conforme o art. 1.639, do Código Civil.

Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver.

§ 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.

§ 2o É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros.

Dias (2014, p. 543) configura o pacto antenupcial firmado em um escrito público, podendo ter disposições de natureza pessoal e patrimonial, devendo ser registrado no Cartório de Registro de Imóveis.

No entanto, seguindo o Código Civil, alguns nubentes não poderão escolher o regime, pois o artigo 1.641 versa sobre a obrigatoriedade do regime da separação de bens no casamento de pessoas que estão enquadradas nas causas suspensivas da celebração do casamento; dos maiores de 70 (setenta) anos; e daqueles que dependerem, para casar, de suprimento judicial.

Conforme Dias (2013, p. 68), mesmo com a imposição do regime de separação de bens, em concordância com o Enunciado 262 das jornadas de Direito Civil, após a superação da causa da obrigatoriedade, os cônjuges poderão “requerer a modificação do regime” imposto anteriormente.

Outro efeito diz respeito à preservação do patrimônio da entidade familiar, com o instituto do bem de família que se inicia no art. 1.711 e termina no art. 1.722, do Código Civil. Segundo Dias (2013, p.83), o bem de família “é uma forma de garantir, de proteger a sobrevivência digna da família”.

Não se deve olvidar dos atos que precisam da anuência dos cônjuges para sua validade jurídica, constantes no art. 1.647 do Código Civil.

Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta:

I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;

II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos;

III - prestar fiança ou aval;

IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação.

Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada.

Art. 1.648. Cabe ao juiz, nos casos do artigo antecedente, suprir a outorga, quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo, ou lhe seja impossível concedê-la.

E ainda, o direito sucessório do cônjuge sobrevivente e os direitos da sucessão aberta, conforme o Código Civil, nos artigos 1.829, incisos III e III, e os seguintes 1.830 ao 1.832 e 1.838. Esses direitos advêm do Regimede bens escolhido pelos consortes.

Dias (2013, p. 77) apresenta o “direito patrimonial em relação aos filhos” no qual “os filhos, enquanto menores, estão acolhidos pelo poder familiar”. Assim, os pais devem cuidar da administração de bens dos filhos e do usufruto desses bens. Caso os pais sejam considerados indignos, não terão esse encargo, e os bens serão chamados de ereptícios.

Diante dessa explanação sobre os efeitos jurídicos do casamento, resta claro a importância dada à família e à sua liberdade de constituição atual, como também às consequências multidimensionais de sua existência.

Contemporaneamente, o casamento foi pluralizado, seguindo o novo conceito de família, a “família plural” (DIAS, 2013, p. 15), esse avanço teve como fundamento tirar o véu do preconceito e da intolerância da sociedade brasileira. De grande influência para esses avanços foi a introdução do conceito de afetividade nas formações familiares, conforme a doutrina de Maria Berenice Dias (2011): “A Constituição, ao outorgar proteção à família, independentemente da celebração do casamento, vincou um novo conceito de entidade familiar, albergando vínculos afetivos outros.”

Nesse sentido, os Tribunais Superiores do Brasil “assumiram”, avançaram, deixando para trás as discussões improdutivas do Legislativo – como o Projeto de Lei da Câmara nº 122/2006, dentre outros, que não saem do “papel” e das discussões políticas que envolvem as bancadas religiosas – e declararam os direitos referentes à união estável homoafetiva e sua natural conversão em casamento, por intermédio da ADI nº 4277/DF, da ADPF nº 132/RJ e da Resolução Nº 175, de 14 de maio de 2013.

E muito mais do que isso, estas novidades não são inovações, pois já são uma realidade brasileira há muitas décadas, até séculos, ocorre apenas que estão sendo regularizados juridicamente os direitos desses cidadãos e cidadãs, que pagam impostos e seguem os ditames da legislação brasileira, portanto, legalmente, esses brasileiros devem ter os mesmos direitos e deveres da maioria heterossexual.

Dessa forma, com fulcro na máxima de Rui Barbosa "tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam"busca-se o equilíbrio nas relações e o cumprimento do Princípio da Igualdade para propiciar a dignidade à pessoa humana no Brasil.

O casamento é um tema do Direito de Família, ou melhor, “Direito das Famílias” (DIAS, 2013, p.15). Principiando pela Carta Magna, no Capítulo VII, Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso, Art. 226inverbis:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração.

§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

§ 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.

No texto acima, a família é a base social protegida pelo Estado, e a ocorrência do casamento reconhece juridicamente sua existência e, consequentemente, tem-se os efeitos sociais, pessoais e patrimoniais.

Seguindo pedagogicamente em gradação, pelo ordenamento jurídico, vê-se o Código Civil de 2002, no Livro Do Direito de Família, Do Direito Pessoal, Do Casamento, que exara em relação ao instituto complexo do casamento civil, que compreende a habilitação e a celebração como requisitos formais, ditando nos artigos 1.512 e seguintes que:

Art. 1.512. O casamento é civil e gratuita a sua celebração.

Parágrafo único. A habilitação para o casamento, o registro e a primeira certidão serão isentos de selos, emolumentos e custas, para as pessoas cuja pobreza for declarada, sob as penas da lei.

Art. 1.513. É defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na comunhão de vida instituída pela família.

Art. 1.514. O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.

Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.

Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil.

Sendo um ato público com diferentes conceitos na doutrina. No entendimento de Maria Helena Diniz (2010, p.37): “O casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que visa o auxílio mútuo material e espiritual, de modo que haja uma integração fisiopsíquica e a constituição de uma família”.

Segundo Roberto Gonçalves (GONÇALVES, p. 39) é “a união permanente entre o homem e a mulher, de acordo com a lei, a fim de se reproduzirem, de se ajudarem mutuamente e de criarem os seus filhos”.

O conceito de efeitos jurídicos do casamento segundo Souza (2009) é que:

“São conseqüências que se projetam no ambiente social, nas relações pessoais e econômicas dos cônjuges, nas relações pessoais e patrimoniais entre pais e filhos, dando origem a direitos e deveres, disciplinados por normas jurídicas.

Com base nesses conceitos, pode-se inferir os três principais efeitos jurídicos do casamento, em conformidade com Souza (2009).

I - Os efeitos sociais que consistem na própria criação da família vinculados à afinidade - hoje se emprega o termo afetividade que tem um sentido mais amplo - além da possibilidade de emancipação do cônjuge menor, este último efeito, segue o Código Civil, no art. § único, inciso II:

Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.

Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:

I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;

II - pelo casamento;

Constituição Federal de 1988, no art. 226§§ 1º e  situa a família como a base da sociedade e tutelada pelo Estado brasileiro.

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração.

§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

Esse artigo se ajusta com o art. 1.511 do Código Civil que estabelece a igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.

Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges.

Outra proteção dada é a liberdade de constituir a família sem a interferência de qualquer pessoa. Assim pronuncia o Código Civil no art. 1.513“É defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na comunhão de vida instituída pela família.”

A partir da constituição da família se estabelece o vínculo de afinidade entre cada cônjuge e os parentes do outro, assim direciona o Código Civil, art. 1.595§§ 1º e in verbis.

Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade.

§ 1º O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro.

§ 2º Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável.

II – Os efeitos pessoais que são os direitos e deveres recíprocos dos cônjuges, e em relação aos filhos na constituição da família, intitulados nos art. 1.565 e 1.566 do Código Civil, portanto:

Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família.

§ 1º Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.

§ 2º O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas.

Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:

I - fidelidade recíproca;

II - vida em comum, no domicílio conjugal;

III - mútua assistência;

IV – sustento e guarda e educação dos filhos;

V - respeito e consideração mútuos.

Destarte, impõe-se legalmente aos cônjuges o dever de respeitarem-se, de sustentar, guardar e educar os filhos, de assistência mútua, de morar no domicílio conjugal e, o mais mitigado, o dever de fidelidade recíproca.

III - Os efeitos econômicos ou patrimoniais estão relacionados ao dever de sustento da família, da obrigação alimentar e às consequências da escolha do regime de bens, isto conforme o art. 1.639, do Código Civil.

Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver.

§ 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.

§ 2o É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros.

Dias (2014, p. 543) configura o pacto antenupcial firmado em um escrito público, podendo ter disposições de natureza pessoal e patrimonial, devendo ser registrado no Cartório de Registro de Imóveis.

No entanto, seguindo o Código Civil, alguns nubentes não poderão escolher o regime, pois o artigo 1.641 versa sobre a obrigatoriedade do regime da separação de bens no casamento de pessoas que estão enquadradas nas causas suspensivas da celebração do casamento; dos maiores de 70 (setenta) anos; e daqueles que dependerem, para casar, de suprimento judicial.

Conforme Dias (2013, p. 68), mesmo com a imposição do regime de separação de bens, em concordância com o Enunciado 262 das jornadas de Direito Civil, após a superação da causa da obrigatoriedade, os cônjuges poderão “requerer a modificação do regime” imposto anteriormente.

Outro efeito diz respeito à preservação do patrimônio da entidade familiar, com o instituto do bem de família que se inicia no art. 1.711 e termina no art. 1.722, do Código Civil. Segundo Dias (2013, p.83), o bem de família “é uma forma de garantir, de proteger a sobrevivência digna da família”.

Não se deve olvidar dos atos que precisam da anuência dos cônjuges para sua validade jurídica, constantes no art. 1.647 do Código Civil.

Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta:

I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;

II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos;

III - prestar fiança ou aval;

IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação.

Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada.

Art. 1.648. Cabe ao juiz, nos casos do artigo antecedente, suprir a outorga, quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo, ou lhe seja impossível concedê-la.

E ainda, o direito sucessório do cônjuge sobrevivente e os direitos da sucessão aberta, conforme o Código Civil, nos artigos 1.829, incisos III e III, e os seguintes 1.830 ao 1.832 e 1.838. Esses direitos advêm do Regimede bens escolhido pelos consortes.

Dias (2013, p. 77) apresenta o “direito patrimonial em relação aos filhos” no qual “os filhos, enquanto menores, estão acolhidos pelo poder familiar”. Assim, os pais devem cuidar da administração de bens dos filhos e do usufruto desses bens. Caso os pais sejam considerados indignos, não terão esse encargo, e os bens serão chamados de ereptícios.

Diante dessa explanação sobre os efeitos jurídicos do casamento, resta claro a importância dada à família e à sua liberdade de constituição atual, como também às consequências multidimensionais de sua existência.

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