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Se o STF possui a competência para modificar tudo aquilo tido como inconstitucional, poderia ele ...

invalidar ato jurídico perfeito por força dessa justificativa?


3 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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DLRV Advogados Verified user icon

Há mais de um mês

A orientação do Supremo Tribunal Federal sempre foi no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade produz efeitos ex tunc, reconhecendo a nulidade da lei, e retirando-a do ordenamento jurídico desde o seu nascimento. Argumentavam os Ministros da Corte que reconhecer a validade de uma lei inconstitucional – ainda que por tempo limitado (da publicação da lei até a decisão que reconhece a sua inconstitucionalidade) – representaria uma violação ao princípio da Supremacia da Constituição.

A Lei nº 9.868, de 1999, que veio regular o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade - ADIn e da ação declaratória de constitucionalidade - ADC, permitiu um instituto chamado de "modulação dos efeitos", trazendo o seguinte dispositivo (art. 27):

 "Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado."

Desta forma, ao declarar a inconstitucionalidade de um ato, deve o STF fazer a modulação de sua decisão, considerando, em primeiro lugar, que a própria Constituição determina como limite o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, conforme art. 5o , XXXIV, da CF/88. Interessa saber se os efeitos da declaração de inconstitucionalidade podem retroagir ou, restringindo esses efeitos, ter como limite os direitos adquiridos.

Segundo Regina Ferrari, "admitir que esta declaração viesse estender seus efeitos ao passado de modo absoluto, anulando tudo o que se verificou sob o império da norma agora reconhecida como inconstitucional, seria proporcionar a insegurança jurídica, a instabilidade do direito, pois não estaríamos nunca em condições de apreciar se um ato lícito quando realizado ou um contrato válido quando celebrado conservaria tal característica no futuro.”

Essas lições são suficientes para se concluir que o direito que preencheu todos os requisitos da lei, enquanto válida, não pode mais ser desconstituído, em face da norma declarada inconstitucional. Problema surge quando se vislumbram aquelas situações em que também se preenchiam as condições para se materializar o direito, mas, por qualquer motivo, seu titular não o teve deferido, seja por não ter agido, seja porque a Administração, tomando conhecimento do inicio de processo para declaração de inconstitucionalidade da lei, aguardava a decisão sobre sua invalidação, cabendo, portanto, a análise da expectativa de direito e direito expectado ou esperado.

 

A orientação do Supremo Tribunal Federal sempre foi no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade produz efeitos ex tunc, reconhecendo a nulidade da lei, e retirando-a do ordenamento jurídico desde o seu nascimento. Argumentavam os Ministros da Corte que reconhecer a validade de uma lei inconstitucional – ainda que por tempo limitado (da publicação da lei até a decisão que reconhece a sua inconstitucionalidade) – representaria uma violação ao princípio da Supremacia da Constituição.

A Lei nº 9.868, de 1999, que veio regular o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade - ADIn e da ação declaratória de constitucionalidade - ADC, permitiu um instituto chamado de "modulação dos efeitos", trazendo o seguinte dispositivo (art. 27):

 "Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado."

Desta forma, ao declarar a inconstitucionalidade de um ato, deve o STF fazer a modulação de sua decisão, considerando, em primeiro lugar, que a própria Constituição determina como limite o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, conforme art. 5o , XXXIV, da CF/88. Interessa saber se os efeitos da declaração de inconstitucionalidade podem retroagir ou, restringindo esses efeitos, ter como limite os direitos adquiridos.

Segundo Regina Ferrari, "admitir que esta declaração viesse estender seus efeitos ao passado de modo absoluto, anulando tudo o que se verificou sob o império da norma agora reconhecida como inconstitucional, seria proporcionar a insegurança jurídica, a instabilidade do direito, pois não estaríamos nunca em condições de apreciar se um ato lícito quando realizado ou um contrato válido quando celebrado conservaria tal característica no futuro.”

Essas lições são suficientes para se concluir que o direito que preencheu todos os requisitos da lei, enquanto válida, não pode mais ser desconstituído, em face da norma declarada inconstitucional. Problema surge quando se vislumbram aquelas situações em que também se preenchiam as condições para se materializar o direito, mas, por qualquer motivo, seu titular não o teve deferido, seja por não ter agido, seja porque a Administração, tomando conhecimento do inicio de processo para declaração de inconstitucionalidade da lei, aguardava a decisão sobre sua invalidação, cabendo, portanto, a análise da expectativa de direito e direito expectado ou esperado.

 

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Estudante PD

Há mais de um mês

Eu achei alguns tribunais que fizeram isso, desse modo, o STF também poderia fazer com base nesse argumento https://trf-2.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/888951/apelacao-em-mandado-de-seguranca-ams-46716-20005001005529-7
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Estudante PD

Há mais de um mês

https://tj-df.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/339753814/apelacao-civel-apc-20150110793873

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas