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Relação de História com Memória?


1 resposta(s)

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Rômulo Mello

Há mais de um mês

Olha, vou recortar um trecho do meu trabalho sobre este mesmo tema:

O discurso mitológico grego exprime essa relação de forma poética. Para os antigos gregos, a memória (Mnemosyne) é uma deusa, e ela é mãe de nove musas filhas de Zeus. Uma de suas filhas musas é a própria história (Clio). Portanto, a memória deu à luz a história, e as duas mantêm uma relação sanguínea de mãe e filha. A história seria, deste modo, atrelada à memória. Essa visão foi muito sustentada pelos historiadores tradicionais, que consideravam que o ofício do historiador era o de “tornar viva”, de preservar a memória coletiva.

 

No entanto, com o advento da modernidade, a história e a memória seguiram caminhos distintos. Há, então, a institucionalização da história como disciplina acadêmica e, por conseguinte, o rompimento com a visão memorialista — predominante na antiga tradição — do ofício do historiador. Assim, o grande marco da distinção entre a história e a memória é salientado: a história caminha em direção à ciência, com novas técnicas, novos métodos de caráter científico e afins; enquanto a memória permanecerá como mera atividade espontânea.

 

O historiador francês Pierre Nora aborda, em seu texto “Entre memória e história: a problemática dos lugares”, sobre a oposição entre história e memória que é importante conhecermos para que compreendamos melhor essa relação e sua dialética:

 

A memória é vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento, inconsciente de suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e manipulações, suceptivel de longas latências e de repentinas revitalizações .A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais. (NORA, 1993, p. 9)

 

Enquanto a memória busca reviver o passado, isto é, torná-lo atual, a história o separa. A história submete tudo à análise crítica, com rigorosos critérios científicos, enquanto a memória não se acomoda detalhes que a confortam; ela se alimenta de lembranças vagas, telescópicas, globais ou flutuantes, particulares ou simbólicas, sensível a todas as transferências, cenas, censura ou projeções (NORA, 1993). Com isso, já temos uma boa noção da dialética relação entre a memória e a história.


Embora, como vemos, a história e a memória sejam tão distintas, elas se relacionam intimamente: a memória, p. ex., leva problemas à história que os submete à análise crítica. Portanto, memória está inclusa na história, e a história está inclusa na memória; nos dizeres do medievalista Jacques Le Goff:  “A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro.” (LE GOFF, 2003, p. 477).

Olha, vou recortar um trecho do meu trabalho sobre este mesmo tema:

O discurso mitológico grego exprime essa relação de forma poética. Para os antigos gregos, a memória (Mnemosyne) é uma deusa, e ela é mãe de nove musas filhas de Zeus. Uma de suas filhas musas é a própria história (Clio). Portanto, a memória deu à luz a história, e as duas mantêm uma relação sanguínea de mãe e filha. A história seria, deste modo, atrelada à memória. Essa visão foi muito sustentada pelos historiadores tradicionais, que consideravam que o ofício do historiador era o de “tornar viva”, de preservar a memória coletiva.

 

No entanto, com o advento da modernidade, a história e a memória seguiram caminhos distintos. Há, então, a institucionalização da história como disciplina acadêmica e, por conseguinte, o rompimento com a visão memorialista — predominante na antiga tradição — do ofício do historiador. Assim, o grande marco da distinção entre a história e a memória é salientado: a história caminha em direção à ciência, com novas técnicas, novos métodos de caráter científico e afins; enquanto a memória permanecerá como mera atividade espontânea.

 

O historiador francês Pierre Nora aborda, em seu texto “Entre memória e história: a problemática dos lugares”, sobre a oposição entre história e memória que é importante conhecermos para que compreendamos melhor essa relação e sua dialética:

 

A memória é vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento, inconsciente de suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e manipulações, suceptivel de longas latências e de repentinas revitalizações .A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais. (NORA, 1993, p. 9)

 

Enquanto a memória busca reviver o passado, isto é, torná-lo atual, a história o separa. A história submete tudo à análise crítica, com rigorosos critérios científicos, enquanto a memória não se acomoda detalhes que a confortam; ela se alimenta de lembranças vagas, telescópicas, globais ou flutuantes, particulares ou simbólicas, sensível a todas as transferências, cenas, censura ou projeções (NORA, 1993). Com isso, já temos uma boa noção da dialética relação entre a memória e a história.


Embora, como vemos, a história e a memória sejam tão distintas, elas se relacionam intimamente: a memória, p. ex., leva problemas à história que os submete à análise crítica. Portanto, memória está inclusa na história, e a história está inclusa na memória; nos dizeres do medievalista Jacques Le Goff:  “A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro.” (LE GOFF, 2003, p. 477).

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