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O licenciamento ambiental pode ser concedido sem aprovação do conselho do meio ambiente?


2 resposta(s)

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Especialistas PD

Há mais de um mês

Sobre o tema, Fabiano Melo leciona:

“Como se viu, todos os entes federativos podem promover o licenciamento ambiental, decorrência da competência administrativa comum do art. 23 da Constituição de 1988. Todavia, faz-se necessária a observância de dois requisitos: existência de órgão ambiental capacitado e de conselho de meio ambiente.

Quanto ao segundo requisito, o estabelecimento de conselhos de meio ambiente, trata-se de mecanismo de efetivação do princípio da participação comunitária. Deveras, como o licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos poluidores e degradadores interessa e afeta diretamente a comunidade da área a ser submetida ao procedimento, nada mais razoável que ela participe das decisões ambientais. O que se propugna é que, em vez de decisões formuladas em gabinetes fechados, haja participação popular na discussão, formulação, execução, acompanhamento e fiscalização das políticas públicas ambientais. E isso não pode ser diferente no licenciamento ambiental, o que transforma os conselhos de meio ambiente em um locus fundamental. Ao contrário da Resolução Conama nº 237/1997, que dispunha sobre a obrigatoriedade de implementação dos conselhos de meio ambiente com caráter deliberativo e participação social, a LC nº 140/2011 foi genérica, consignando somente a obrigatoriedade de conselhos de meio ambiente. Nesse ponto, nota-se um retrocesso, porque a LC permite a formação de conselhos de meio ambiente meramente consultivos, opinativos, sem qualquer possibilidade de questionar eventuais políticas dos governantes de plantão. Ora, o cerne da previsão dos conselhos de meio ambiente é justamente a participação da sociedade civil, o que demanda reconhecer que eles somente cumprem a sua função legal – e finalística – enquanto constituídos como órgãos deliberativos, que transcendem funções meramente opinativas.” (Direito Ambiental. 2ªed. e-book. pgs. 272)

Diante do exposto, percebe-se que o licenciamento ambiental pode ser concedido sem aprovação do conselho do meio ambiente. Depende do poder que a lei do ente federativo ao qual pertença o Conselho conferir a ele (caráter vinculante ou meramente opinativo?).

Resolução Conama nº 237/1997

Art. 20 - Os entes federados, para exercerem suas competências licenciatórias, deverão ter implementados os Conselhos de Meio Ambiente, com caráter deliberativo e participação social e, ainda, possuir em seus quadros ou a sua disposição profissionais legalmente habilitados.

 

Sobre o tema, Fabiano Melo leciona:

“Como se viu, todos os entes federativos podem promover o licenciamento ambiental, decorrência da competência administrativa comum do art. 23 da Constituição de 1988. Todavia, faz-se necessária a observância de dois requisitos: existência de órgão ambiental capacitado e de conselho de meio ambiente.

Quanto ao segundo requisito, o estabelecimento de conselhos de meio ambiente, trata-se de mecanismo de efetivação do princípio da participação comunitária. Deveras, como o licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos poluidores e degradadores interessa e afeta diretamente a comunidade da área a ser submetida ao procedimento, nada mais razoável que ela participe das decisões ambientais. O que se propugna é que, em vez de decisões formuladas em gabinetes fechados, haja participação popular na discussão, formulação, execução, acompanhamento e fiscalização das políticas públicas ambientais. E isso não pode ser diferente no licenciamento ambiental, o que transforma os conselhos de meio ambiente em um locus fundamental. Ao contrário da Resolução Conama nº 237/1997, que dispunha sobre a obrigatoriedade de implementação dos conselhos de meio ambiente com caráter deliberativo e participação social, a LC nº 140/2011 foi genérica, consignando somente a obrigatoriedade de conselhos de meio ambiente. Nesse ponto, nota-se um retrocesso, porque a LC permite a formação de conselhos de meio ambiente meramente consultivos, opinativos, sem qualquer possibilidade de questionar eventuais políticas dos governantes de plantão. Ora, o cerne da previsão dos conselhos de meio ambiente é justamente a participação da sociedade civil, o que demanda reconhecer que eles somente cumprem a sua função legal – e finalística – enquanto constituídos como órgãos deliberativos, que transcendem funções meramente opinativas.” (Direito Ambiental. 2ªed. e-book. pgs. 272)

Diante do exposto, percebe-se que o licenciamento ambiental pode ser concedido sem aprovação do conselho do meio ambiente. Depende do poder que a lei do ente federativo ao qual pertença o Conselho conferir a ele (caráter vinculante ou meramente opinativo?).

Resolução Conama nº 237/1997

Art. 20 - Os entes federados, para exercerem suas competências licenciatórias, deverão ter implementados os Conselhos de Meio Ambiente, com caráter deliberativo e participação social e, ainda, possuir em seus quadros ou a sua disposição profissionais legalmente habilitados.

 

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Diego

Há mais de um mês

https://jus.com.br/artigos/30881/o-licenciamento-ambiental-no-ordenamento-juridico-brasileiro

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes