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Uma questão ética grave que se impõe na atualidade com a globalização consiste em:

Ética na Saúde

ESTÁCIO


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Mayara Kelly

Há mais de um mês

Contemporaneamente, o mundo assiste uma nova revolução tecnológica que não apenas incrementou a produtividade econômica, provocou alterações nos mecanismos de hegemonia política e cultural nas sociedades, como também rompeu os limites, até então estabelecidos, entre o real e a fantasia. A cada dia os cientistas anunciam novas façanhas que pasmam o grande público. As mídias simplificam as análises e a imaginação de espectadores é alçada a vôos mirabolantes de toda ordem. As populações, atingidas pela profusão de mensagens replicadas através das mídias, perdem os contornos entre o que é ou não possível, o que é ou não real. O mundo passa a viver sob uma nova ontologia mágica: parece que quase tudo o que possa ser cientificamente concebido também possa ser realizado.

Se efetivamente nem tudo o que pode ser imaginado possa ser realizado, por outra parte nem tudo o que pode ser realizado com o auxílio desses novos conhecimentos e tecnologias deve ser efetivado. Nestes casos, quais serão os critérios a serem adotados a fim de estabelecer o que é ou não permitido ao cientista em suas pesquisas, aos empresários em sua disputa por mercados, às redes de televisão na disputa por audiência, etc?

Frente aos dados do relatório da ONU sobre desenvolvimento humano, publicado em 1998, considerando que os 20% mais ricos da população mundial são responsáveis por 86% do total de gastos em consumo privado, ao passo que os 20% mais pobres respondem apenas por 1,3%, e considerando que mais de um bilhão de pessoas não tem suas necessidades básicas de consumo satisfeitas (1), a pergunta pela referência ética ao que se deve fazer nos exercícios de liberdade, privados e públicos, ganha contornos ainda mais dramáticos. É ético, frente a esse quadro de exclusão social, que as 358 pessoas mais ricas do mundo, ainda em 1993, já possuíssem ativos que superavam a soma da renda anual de países em que residiam 2,3 bilhões de pessoas, isto é, 45% de toda a população do mundo? (2)

Sob os quadros da globalização, os neoliberais argumentam que o mercado é esfera básica do contrato social e que é a partir dele que a sociedade global deve ser reorganizar. Deixando-se que o mercado funcione livremente, por sua própria conta e risco, a riqueza econômica seria multiplicada e as necessidades humanas atendidas. O mundo todo viveria uma nova era de paz e prosperidade. Respeitando-se as leis do mercado o bem estar social estaria garantido a todos os seres humanos.

Assim, uma vez que a política fica subordinado ao mercado, a ética - segundo o neoliberalismo - subordina-se às leis praxeológicas que, sendo respeitadas integralmente, permitiriam a expansão máxima das liberdades. Como o que se vê, após o avanço dessa onda neoliberal, é a exclusão de gigantescas parcelas da humanidade das condições elementares ao bem viver enquanto uma pequena minoria acumula a maior parte da riqueza mundial, cabe pois investigarmos o caráter dessas leis praxeológicas que regulariam o livre mercado, avaliando se é legítimo subordinar a tais leis as obrigações morais, ou se pelo contrário a política deve determinar a economia e, portanto, se a ética deve ser considerada uma instância superior, a partir da qual seja estabelecido um conjunto de regras legais que imponha limites aos jogos de mercado.

Com este objetivo, apresentaremos na primeira parte do presente estudo uma exposição acerca dos pressupostos do neoliberalismo, formulados por Ludwig Von Mises, que estão na base de todas as vertentes neoliberais que se propagam atualmente pelo planeta. Isso nos permitirá criticar o neoliberalismo em seus fundamentos mais "sagrados", isto é, questionar a vigência das insuspeitas leis do mercado. Na segunda parte, apresentamos uma outra concepção do exercício da liberdade, refletindo sobre suas condições de possibilidade, materiais, políticas, educativo-informacionais e éticas.

Contemporaneamente, o mundo assiste uma nova revolução tecnológica que não apenas incrementou a produtividade econômica, provocou alterações nos mecanismos de hegemonia política e cultural nas sociedades, como também rompeu os limites, até então estabelecidos, entre o real e a fantasia. A cada dia os cientistas anunciam novas façanhas que pasmam o grande público. As mídias simplificam as análises e a imaginação de espectadores é alçada a vôos mirabolantes de toda ordem. As populações, atingidas pela profusão de mensagens replicadas através das mídias, perdem os contornos entre o que é ou não possível, o que é ou não real. O mundo passa a viver sob uma nova ontologia mágica: parece que quase tudo o que possa ser cientificamente concebido também possa ser realizado.

Se efetivamente nem tudo o que pode ser imaginado possa ser realizado, por outra parte nem tudo o que pode ser realizado com o auxílio desses novos conhecimentos e tecnologias deve ser efetivado. Nestes casos, quais serão os critérios a serem adotados a fim de estabelecer o que é ou não permitido ao cientista em suas pesquisas, aos empresários em sua disputa por mercados, às redes de televisão na disputa por audiência, etc?

Frente aos dados do relatório da ONU sobre desenvolvimento humano, publicado em 1998, considerando que os 20% mais ricos da população mundial são responsáveis por 86% do total de gastos em consumo privado, ao passo que os 20% mais pobres respondem apenas por 1,3%, e considerando que mais de um bilhão de pessoas não tem suas necessidades básicas de consumo satisfeitas (1), a pergunta pela referência ética ao que se deve fazer nos exercícios de liberdade, privados e públicos, ganha contornos ainda mais dramáticos. É ético, frente a esse quadro de exclusão social, que as 358 pessoas mais ricas do mundo, ainda em 1993, já possuíssem ativos que superavam a soma da renda anual de países em que residiam 2,3 bilhões de pessoas, isto é, 45% de toda a população do mundo? (2)

Sob os quadros da globalização, os neoliberais argumentam que o mercado é esfera básica do contrato social e que é a partir dele que a sociedade global deve ser reorganizar. Deixando-se que o mercado funcione livremente, por sua própria conta e risco, a riqueza econômica seria multiplicada e as necessidades humanas atendidas. O mundo todo viveria uma nova era de paz e prosperidade. Respeitando-se as leis do mercado o bem estar social estaria garantido a todos os seres humanos.

Assim, uma vez que a política fica subordinado ao mercado, a ética - segundo o neoliberalismo - subordina-se às leis praxeológicas que, sendo respeitadas integralmente, permitiriam a expansão máxima das liberdades. Como o que se vê, após o avanço dessa onda neoliberal, é a exclusão de gigantescas parcelas da humanidade das condições elementares ao bem viver enquanto uma pequena minoria acumula a maior parte da riqueza mundial, cabe pois investigarmos o caráter dessas leis praxeológicas que regulariam o livre mercado, avaliando se é legítimo subordinar a tais leis as obrigações morais, ou se pelo contrário a política deve determinar a economia e, portanto, se a ética deve ser considerada uma instância superior, a partir da qual seja estabelecido um conjunto de regras legais que imponha limites aos jogos de mercado.

Com este objetivo, apresentaremos na primeira parte do presente estudo uma exposição acerca dos pressupostos do neoliberalismo, formulados por Ludwig Von Mises, que estão na base de todas as vertentes neoliberais que se propagam atualmente pelo planeta. Isso nos permitirá criticar o neoliberalismo em seus fundamentos mais "sagrados", isto é, questionar a vigência das insuspeitas leis do mercado. Na segunda parte, apresentamos uma outra concepção do exercício da liberdade, refletindo sobre suas condições de possibilidade, materiais, políticas, educativo-informacionais e éticas.

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