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Durkheim?

Sociologia

PUC-RIO


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Há mais de um mês

Diferença entre Weber e Durkheim é que o primeiro busca compreender a ação social, e o segundo ao fato social. Compreender a ação social (Weber) é compreender sociologicamente a ação do homem, ação “dotada de sentido e cabe ao cientista social metodizar a compreensão por meio da elaboração e do estabelecimento de conexões causais (esquemas), que possibilitem a decifração do sentido imaginado e subjetivo do sujeito da ação.” (MORAIS, 2003: 62). Por outro lado, o fato social (Durkheim) deve ser compreendido como uma coisa. Ser coisa significa dizer ser um fenômeno externo e ao mesmo tempo generalizado. Generalizado porque tal fenômeno deve ter certo nível de recorrência no conjunto da sociedade. Externo porque deve ser algo afastado as consciências individuais, ou seja, algo independente das manifestações isoladas. Assim, o casamento é um fenômeno generalizado na sociedade, pois é normal as pessoas se casarem, como também é um fenômeno externo ao indivíduo, ou seja, a instituição do casamento, o ato de casar, não vai deixar de existir diante de manifestações isoladas contrárias ao casamento.

O conceito de ação social em Weber gira em torno de três chaves: Ideias, crenças e valores. Norteado por essas chaves, Weber categoriza as ações sociais da seguinte forma:

1) PELA CHAVE DAS IDÉIAS (1) – Ação social racional em relação aos fins: “A ação social de um indivíduo ou grupo será entendida como racional em relação a fins se, para atingir um objetivo previamente definido, lançar-se mão dos meios adequados e necessários. É o caso de uma conduta científica ou de uma ação econômica (modelos típicos de ação que permitem uma interpretação racional). De um lado, Weber afirma que a conexão entre fins e meios é tanto mais racional quanto mais se elimine a interferência perturbadora de erros e afetos que possam desviar seu curso.” (MORAIS, 2003: 62).

2) PELA CHAVE DAS IDÉIAS (2) –  Ação social racional em relação aos valores: “De outro lado, a ação social (conduta) será racional em relação a valores, quando o sujeito orienta-se por fins últimos, agindo em conformidade com seus próprios valores e convicções, mantendo sua fidelidade a estes valores que inspiram sua conduta ou, ainda, na medida em que acredita na legitimidade intrínseca de um comportamento válido por si mesmo. É o caso do cumprimento de um dever, de um imperativo ou exigência ditados por seu próprio senso de dignidade, por suas crenças religiosas, políticas, morais ou estéticas ou por valores nos quais acredita (justiça, honra, ética, fidelidade etc).” (MORAIS, 2003: 62-63).

3) PELA CHAVE DOS VALORES – Ação social de tipo afetiva: “sem qualquer motivação racional”;  “A ação de tipo afetivo é inspirada em emoções e medidas, tais como orgulho, inveja, desespero, vingança etc., e não leva em consideração os meios ou fins a atingir.” (MORAIS, 2003: 63)

4) PELA CHAVE DAS CRENÇAS – Ação social de tipo tradicional:determinada por costumes arraigados”; “Diz-se (...), que uma ação é considerada estritamente tradicional, quando hábitos e costumes arraigados levam a que se aja em função deles (como sempre se fez), tratando-se de uma reação a estímulos habituais.” (MORAIS, 2003: 63)

Informações adicionais sobre a Sociologia de Weber:

A questão religiosa (a família é expressão da religião) é central para explicar a questão econômica. Weber afirma-se, e de fato era, pertencente a classe burguesa. Dessa forma ele julgava estar atestando sua própria fé. Como burguês, sentindo-se e agindo segundo sua classe, vivia então de acordo com os modos vigentes de uma moralidade protestante. Entretanto, assumir isso não significa aprovava a beatice religiosa, era inclusive indiferente ao culto religioso. Ao contrario disso, significava que Weber compreendia o valor instrumental da religião na composição da própria burguesia, ao passo que compreendia que os valores protestantes eram os valores burgueses. Quando escreve A ética protestante e o espirito capitalista (1904), verifica que há na moralidade religiosa certos regramentos econômicos característicos da lógica capitalista. Weber declara então sua fé nos seguintes termos: "Sou um membro da classe burguesa. Sinto-me como tal, fui educado de acordo com suas concepções e seus ideais. No entanto, é de vocação (Beruf) da nossa ciência dizer o que não se gosta de ouvir — de dizê-lo para o alto e para baixo, inclusive para a própria classe [...]. Não foi a burguesia, por sua própria força, que criou o Estado alemão. Uma vez criado, houve no comando da nação uma figura de César, feita de cepa diferente da burguesa [...]. É claro que grande parte da alta burguesia deseja o aparecimento de um novo César que a proteja das classes populares ascendentes, tanto quanto da tendência ao reformismo social vinda do alto, tendência esta que lhe parece ser a das dinastias alemãs.’” (POLLAK, 1996: 89). A teoria weberiana, para de compreender o sistema capitalista, estrutura sua análise da seguinte forma: “a) delimitou a distinção entre uma formação católica e outra protestante, em que a diferença estaria alocada na perspectiva de uma educação humanista (católica) em confronto com uma mais técnica (protestante); b) empreendeu uma análise do ‘espírito capitalista’ (não o sistema econômico e a empresa capitalista), articulado a uma ética de vida em torno da dedicação ao trabalho e da bisca da riqueza, considerados como dever moral.” (WEBER, 2016: 8 – 9). A grande preocupação do autor, o que Weber buscou resolver em sua teoria, foi “a questão do poder, da iniciativa, da conduta e das ações que quase se naturalizam com o passar dos tempos, relacionadas, portanto, a uma dimensão de poder, porque há uma aceitação voluntária em torno de um tipo de conduta considerada como válida” (WEBER, 2016: 10).

Referência bibliográfica:

POLLAK, Michael. Max Weber: elementos para uma biografia sociointelectual (parte II). In MANA 2(2): 85-113, 1996.

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito capitalista. São Paulo: Martin Claret, 2016.

MORAES, Lucio Flávio Renault. O paradigma werberiano da ação social: um ensaio sobre a compreensão do sentido, a criação de tipos ideiais e suas aplicações na teoria organizacional. In Rev. adm. contemp. vol.7 no.2 Curitiba Apr./June 2003.

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 4ed, 1966.

Diferença entre Weber e Durkheim é que o primeiro busca compreender a ação social, e o segundo ao fato social. Compreender a ação social (Weber) é compreender sociologicamente a ação do homem, ação “dotada de sentido e cabe ao cientista social metodizar a compreensão por meio da elaboração e do estabelecimento de conexões causais (esquemas), que possibilitem a decifração do sentido imaginado e subjetivo do sujeito da ação.” (MORAIS, 2003: 62). Por outro lado, o fato social (Durkheim) deve ser compreendido como uma coisa. Ser coisa significa dizer ser um fenômeno externo e ao mesmo tempo generalizado. Generalizado porque tal fenômeno deve ter certo nível de recorrência no conjunto da sociedade. Externo porque deve ser algo afastado as consciências individuais, ou seja, algo independente das manifestações isoladas. Assim, o casamento é um fenômeno generalizado na sociedade, pois é normal as pessoas se casarem, como também é um fenômeno externo ao indivíduo, ou seja, a instituição do casamento, o ato de casar, não vai deixar de existir diante de manifestações isoladas contrárias ao casamento.

O conceito de ação social em Weber gira em torno de três chaves: Ideias, crenças e valores. Norteado por essas chaves, Weber categoriza as ações sociais da seguinte forma:

1) PELA CHAVE DAS IDÉIAS (1) – Ação social racional em relação aos fins: “A ação social de um indivíduo ou grupo será entendida como racional em relação a fins se, para atingir um objetivo previamente definido, lançar-se mão dos meios adequados e necessários. É o caso de uma conduta científica ou de uma ação econômica (modelos típicos de ação que permitem uma interpretação racional). De um lado, Weber afirma que a conexão entre fins e meios é tanto mais racional quanto mais se elimine a interferência perturbadora de erros e afetos que possam desviar seu curso.” (MORAIS, 2003: 62).

2) PELA CHAVE DAS IDÉIAS (2) –  Ação social racional em relação aos valores: “De outro lado, a ação social (conduta) será racional em relação a valores, quando o sujeito orienta-se por fins últimos, agindo em conformidade com seus próprios valores e convicções, mantendo sua fidelidade a estes valores que inspiram sua conduta ou, ainda, na medida em que acredita na legitimidade intrínseca de um comportamento válido por si mesmo. É o caso do cumprimento de um dever, de um imperativo ou exigência ditados por seu próprio senso de dignidade, por suas crenças religiosas, políticas, morais ou estéticas ou por valores nos quais acredita (justiça, honra, ética, fidelidade etc).” (MORAIS, 2003: 62-63).

3) PELA CHAVE DOS VALORES – Ação social de tipo afetiva: “sem qualquer motivação racional”;  “A ação de tipo afetivo é inspirada em emoções e medidas, tais como orgulho, inveja, desespero, vingança etc., e não leva em consideração os meios ou fins a atingir.” (MORAIS, 2003: 63)

4) PELA CHAVE DAS CRENÇAS – Ação social de tipo tradicional:determinada por costumes arraigados”; “Diz-se (...), que uma ação é considerada estritamente tradicional, quando hábitos e costumes arraigados levam a que se aja em função deles (como sempre se fez), tratando-se de uma reação a estímulos habituais.” (MORAIS, 2003: 63)

Informações adicionais sobre a Sociologia de Weber:

A questão religiosa (a família é expressão da religião) é central para explicar a questão econômica. Weber afirma-se, e de fato era, pertencente a classe burguesa. Dessa forma ele julgava estar atestando sua própria fé. Como burguês, sentindo-se e agindo segundo sua classe, vivia então de acordo com os modos vigentes de uma moralidade protestante. Entretanto, assumir isso não significa aprovava a beatice religiosa, era inclusive indiferente ao culto religioso. Ao contrario disso, significava que Weber compreendia o valor instrumental da religião na composição da própria burguesia, ao passo que compreendia que os valores protestantes eram os valores burgueses. Quando escreve A ética protestante e o espirito capitalista (1904), verifica que há na moralidade religiosa certos regramentos econômicos característicos da lógica capitalista. Weber declara então sua fé nos seguintes termos: "Sou um membro da classe burguesa. Sinto-me como tal, fui educado de acordo com suas concepções e seus ideais. No entanto, é de vocação (Beruf) da nossa ciência dizer o que não se gosta de ouvir — de dizê-lo para o alto e para baixo, inclusive para a própria classe [...]. Não foi a burguesia, por sua própria força, que criou o Estado alemão. Uma vez criado, houve no comando da nação uma figura de César, feita de cepa diferente da burguesa [...]. É claro que grande parte da alta burguesia deseja o aparecimento de um novo César que a proteja das classes populares ascendentes, tanto quanto da tendência ao reformismo social vinda do alto, tendência esta que lhe parece ser a das dinastias alemãs.’” (POLLAK, 1996: 89). A teoria weberiana, para de compreender o sistema capitalista, estrutura sua análise da seguinte forma: “a) delimitou a distinção entre uma formação católica e outra protestante, em que a diferença estaria alocada na perspectiva de uma educação humanista (católica) em confronto com uma mais técnica (protestante); b) empreendeu uma análise do ‘espírito capitalista’ (não o sistema econômico e a empresa capitalista), articulado a uma ética de vida em torno da dedicação ao trabalho e da bisca da riqueza, considerados como dever moral.” (WEBER, 2016: 8 – 9). A grande preocupação do autor, o que Weber buscou resolver em sua teoria, foi “a questão do poder, da iniciativa, da conduta e das ações que quase se naturalizam com o passar dos tempos, relacionadas, portanto, a uma dimensão de poder, porque há uma aceitação voluntária em torno de um tipo de conduta considerada como válida” (WEBER, 2016: 10).

Referência bibliográfica:

POLLAK, Michael. Max Weber: elementos para uma biografia sociointelectual (parte II). In MANA 2(2): 85-113, 1996.

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito capitalista. São Paulo: Martin Claret, 2016.

MORAES, Lucio Flávio Renault. O paradigma werberiano da ação social: um ensaio sobre a compreensão do sentido, a criação de tipos ideiais e suas aplicações na teoria organizacional. In Rev. adm. contemp. vol.7 no.2 Curitiba Apr./June 2003.

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 4ed, 1966.

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hikaru uzumaki

Há mais de um mês

Max Weber doferente de Durkheim acreditava que as açoes humanas aconteciam de forma natural, defendendo a ideia que nos, seres humanos que guiamos a sociedade atravéz das açoes sociais, desta forma, se explanando a ideia que os individuos influenciamos na sociedade, pois temos vontades proprias, fazendo esta tomar cada vez rumos distintos.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas