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Questões de Direito Tributário, alguém que entende e possa me ajudar????

1) Um empresa pagou a multa relativa a não emissão de nota

fiscal. Na sequência, foi autuada para o pagamento do valor

não recolhido do tributo. Em sua defesa, a empresa sustentou

já ter pago a multa, razão pela qual nada mais devia ao Fisco.

Segundo a lei, o argumento é válido?


2) O contribuinte deixou de pagar a tributação de fevereiro e

pagou a relava a março. Quando cobrado, o particular suscitou

o art. 322 do CC2002 e apresentou a quitação de março. Tal

alegação encontra guarida na legislação pública. Dê o

fundamento legal.


3) A dívida tributária é quesível? Fundamente sua resposta na

lei.


4) Qual o fundamento legal do pagamento de juros e encargos

em caso de inadimplência tributária?

A) Dois municípios enviam seus boletos de IPTU a pessoa

domiciliada em local fronteiriço entre os entes federados. O

primeiro estabelece o pagamento em 15 dias, o segundo não

traz data de pagamento. O particular deve pagar as duas dívidas ou encontra instrumento para


5-a) O primeiro município pode estabelecer pagamento do

tributo em 15 dias?


6-a) Qual o prazo do pagamento para o segundo município? Dê

o fundamento legal.


7- a) O particular pode ser devedor de IPTU dos dois

municípios? Ele deve pagar as duas tributações? Qual o

expediente legal para a solução da questão?


8) O que é pagamento em estampilha?


9) Em que casos se dá a imputação? A definição da dívida a ser

paga é poder discricionário da autoridade fiscal?


10) Um aposentado ingressa em juízo para quitar sua dívida

tributária resultante de Declaração de Ajuste de Imposto de

Renda com valor pago a maior da qual é credor. Pede a

compensação nos termos do art. 170 do CTN. É possível a

compensação nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996? A

União poder estabelecer algo diverso do CTN? Por quê?


1 resposta(s)

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John Wolf

Há mais de um mês

1 - argumento é invalido, pois não se confunde a multa pelo descumprimento do dever instrumental com o tributo devido.

2- a questão está muito mal formulada! Quem paga parte de tributo de fevereiro, e depois só paga o de março, então continua a dever a parte não paga de fevereiro, atualizada pela SELIC. Se se trata de parcelamento, e a parte resta inadimplente de um mês, a continuidade do pagamento das cotas não gera também presunção de adimplemento total, até porque o sistema que controla o parcelamento vai apontar a pendência, bem como que vai possibilitar eventual rescisão em caso de inadimplemento de 3 prestações seguidas ou 6 alternadas. Quem escreveu essa questão não tem prática de Direito Tributário.

3- A dívida civil é quesível, o que significa que o pagamento deve ser efetuado no domicílio do devedor, sendo o credor responsável por procurar o devedor para haver o seu pagamento. Já a dívida tributária é portável, o que significa que o devedor é automaticamente constituído em mora pelo término do prazo de pagamento, devendo pagar procurar o credor. Portanto, a Dívida tributária não é quesível, mas portável.

4- O fundamento do pagamento de juros é a remuneração do capital, considerando a perda de uma oportunidade a quem poderia ter o crédito disponível para um investimento seguro. O fundamento jurídico é o art. 161 do CTN com o art. 39 da Lei 9250. Já os encargos decorrem de inscrição em Dívida Ativa e têm natureza de preço público.

5- o instrumento para defesa é a consignação em pagamento. Observa-se que apenas um dos municípios é competente.


6- No caso de ausência de vencimento (data de pagamento, que pode ser alterada sem afronta à anterioridade), o prazo é de 60 dias: Lei 8024/90 "Art. 13. O pagamento de taxas, impostos, contribuições e obrigações previdenciárias resulta na autorização imediata e automática para se promover a conversão de cruzados novos em cruzeiros de valor equivalente ao crédito do ente governamental, na respectiva data de vencimento da obrigação, nos próximos 60 dias".

7- somente um município é competente, sob pena de bis in idem. A hipótese de incidência é a propriedade territorial urbana, de modo que o mesmo fato/situação não pode ensejar o exercício da competência por 2 municípios. O município competente é o da localização do imóvel, conforme registro público imobiliário.

8- Pequeno pedaço de papel usado como prova de pagamento de uma taxa ou de um imposto (ex.: estampilha fiscal) = SELO

9- A imputação não é discricionária. Ela tem uma ordem estabelecida no art. 163 do CTN, como segue:

"Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas:

       I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária;

       II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos;

       III - na ordem crescente dos prazos de prescrição;

       IV - na ordem decrescente dos montantes."


10 - Há 2 formas de compensação - por declaração anual (quando o crédito e débito estão no mesmo exercício), e por envio de pedido avulso (demais casos). O valor a maior pago em relação a um exercício financeiro (ano) não pode ser compensado na declaração de outro exercício (outro ano). Assim, sobre o envio de pedido de compensação. Daí porque faz-se necessário o envio de PER/DCOMP eletrônico por meio do site da SRFB, com lastro no art. 74 da Lei 9430 e IN 1717/2017. Todavia, a dívida em questão não pode ser compensada com crédito de IR, vide inciso I do artigo 74 da Lei 9430, já que ele receberá a restituição administrativamente.

Também não pode haver compensação se a dívida já estiver em cobrança na procuradoria (inscrita). A Fazenda pode alegar ausência de interesse da parte autora por falta de protocolo administrativo.


1 - argumento é invalido, pois não se confunde a multa pelo descumprimento do dever instrumental com o tributo devido.

2- a questão está muito mal formulada! Quem paga parte de tributo de fevereiro, e depois só paga o de março, então continua a dever a parte não paga de fevereiro, atualizada pela SELIC. Se se trata de parcelamento, e a parte resta inadimplente de um mês, a continuidade do pagamento das cotas não gera também presunção de adimplemento total, até porque o sistema que controla o parcelamento vai apontar a pendência, bem como que vai possibilitar eventual rescisão em caso de inadimplemento de 3 prestações seguidas ou 6 alternadas. Quem escreveu essa questão não tem prática de Direito Tributário.

3- A dívida civil é quesível, o que significa que o pagamento deve ser efetuado no domicílio do devedor, sendo o credor responsável por procurar o devedor para haver o seu pagamento. Já a dívida tributária é portável, o que significa que o devedor é automaticamente constituído em mora pelo término do prazo de pagamento, devendo pagar procurar o credor. Portanto, a Dívida tributária não é quesível, mas portável.

4- O fundamento do pagamento de juros é a remuneração do capital, considerando a perda de uma oportunidade a quem poderia ter o crédito disponível para um investimento seguro. O fundamento jurídico é o art. 161 do CTN com o art. 39 da Lei 9250. Já os encargos decorrem de inscrição em Dívida Ativa e têm natureza de preço público.

5- o instrumento para defesa é a consignação em pagamento. Observa-se que apenas um dos municípios é competente.


6- No caso de ausência de vencimento (data de pagamento, que pode ser alterada sem afronta à anterioridade), o prazo é de 60 dias: Lei 8024/90 "Art. 13. O pagamento de taxas, impostos, contribuições e obrigações previdenciárias resulta na autorização imediata e automática para se promover a conversão de cruzados novos em cruzeiros de valor equivalente ao crédito do ente governamental, na respectiva data de vencimento da obrigação, nos próximos 60 dias".

7- somente um município é competente, sob pena de bis in idem. A hipótese de incidência é a propriedade territorial urbana, de modo que o mesmo fato/situação não pode ensejar o exercício da competência por 2 municípios. O município competente é o da localização do imóvel, conforme registro público imobiliário.

8- Pequeno pedaço de papel usado como prova de pagamento de uma taxa ou de um imposto (ex.: estampilha fiscal) = SELO

9- A imputação não é discricionária. Ela tem uma ordem estabelecida no art. 163 do CTN, como segue:

"Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas:

       I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária;

       II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos;

       III - na ordem crescente dos prazos de prescrição;

       IV - na ordem decrescente dos montantes."


10 - Há 2 formas de compensação - por declaração anual (quando o crédito e débito estão no mesmo exercício), e por envio de pedido avulso (demais casos). O valor a maior pago em relação a um exercício financeiro (ano) não pode ser compensado na declaração de outro exercício (outro ano). Assim, sobre o envio de pedido de compensação. Daí porque faz-se necessário o envio de PER/DCOMP eletrônico por meio do site da SRFB, com lastro no art. 74 da Lei 9430 e IN 1717/2017. Todavia, a dívida em questão não pode ser compensada com crédito de IR, vide inciso I do artigo 74 da Lei 9430, já que ele receberá a restituição administrativamente.

Também não pode haver compensação se a dívida já estiver em cobrança na procuradoria (inscrita). A Fazenda pode alegar ausência de interesse da parte autora por falta de protocolo administrativo.


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