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Porque e como foram criadas as primeiras leis? Elas contribuíram ou não para solucionar a luta de classes na Grécia e Roma antigas? Justifique.

Filosofia

Ce Bahia


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Diego Potin

Há mais de um mês

Após o advento da escrita cuneiforme em 3.100 a.C., o crescimento urbano e o comercial, sociedades passam a desenvolver um grau de complexidade que exige a vigência de um direito mais factual do que um simples costume ou tradição religiosa, pois a simples transmissão oral da cultura começa a se tornar insuficiente e inacessível a todos. A positivação de regras e princípios deu previsibilidade a varias ações e estipulou regras e procedimentos bem determinados para a administração de conflitos e consequentemente de meios para as suas soluções, além de ser acessível a todos.

Inicialmente as leis na Grécia e Roma antigas eram criadas apenas para satisfazer a vontade dos aristocratas. Na Grécia, aos Eupátridas; em Roma aos Patrícios.

Mas, como a população de tais lugares era predominantemente composta de escravos/plebeus, as pressões feitas por tais grupos sociais, fizeram com que houvesse uma flexibilização no direito daquela sociedade, por conseguinte, fazendo com que as leis tutelassem direitos e, não mais apenas deveres, daqueles grupos.

Na Grécia, o principal legislador que tentou diminuir a discrepância de poder entre as então classes sociais, foi Sólon. Sólon revogou a maior parte da severa legislação de Drácon, como também procede a uma reforma institucional, social e econômica (incentivando o comércio e a agricultura).  Acreditando que a igualdade desestimula a guerra, Sólon introduziu um novo equilíbrio de poder entre os nobres e os cidadãos comuns. Ele tornou a justiça mais acessível ao facultar a todos os cidadãos o direito de ação e ao estabelecer o direito de apelação das decisões dos magistrados. Atribui-se a Sólon a criação da Eclésia, assembleia popular da qual podiam participar todos os homens livres atenienses, desde que filhos de pai e mãe atenienses e maiores de 30 anos. Dentro da Eclésia, Sólon criou uma corte suprema, a Helieia, responsável por conhecer das apelações dos cidadãos. Sólon também criou a Boulê, um conselho de diferentes classes sociais encarregado de debater os projetos de lei antes da apreciação/aprovação pela Eclésia.

Em Roma, foi somente no período Republicano (510 a.C. - 27 d.C.) que determinadas leis foram criadas para a solução de conflitos sociais.

Os magistrados patrícios julgavam segundo tradições que apenas eles conheciam e aplicavam. Os plebeus, em razão do descaso patrício, haviam ameaçado abandonar definitivamente a cidade por não terem conhecimento da lei. Destarte, ameaçados de perderem a sua mão-de-obra, os patrícios cedem e acabam por criar a Lei das XII Tábuas (por volta de 450 a.C.), que foram inspiradas no legislador grego supracitado, Sólon. Mas, a Lei das XII Tábuas, foi apenas o começo para a ascensão da plebe. Nos anos subsequentes foram criadas inúmeras leis que praticamente solucionaram a luta de classes entre os romanos, como pode-se observar com a criação da Lei Canuleia, que permitia o casamento entre plebeus e patrícios; a Lei Licínia (367 a.C), a qual disciplinava que a cada ano, um dos cônsules deveria ser plebeu; Lei Ogúlnia (300 a.C.), a qual possibilitava o ingresso dos plebeus nos colégios sacerdotais; a Lei Hortênsia (287 a.C.), determinando que todas a resoluções aprovadas pelos plebeus no Concílio da Plebe Adquirissem força de lei; o Édito de Caracala (212 a.C), o qual concedeu cidadania a todos os súditos do império; a Lei Frumentária (123 a.C.), a qual estabelecia a obrigatoriedade do Estado Romano vender trigo para a Plebe, a preços subsidiados (um dos fatores de decadência do Império Romano do Ocidente e ascensão do Feudalismo); Lei Cláudia (59 a.C.), a qual disciplinava que todos os cidadãos romanos, que possuíssem uma residência em Roma poderiam ser beneficiados com a distribuição de trigo gratuito (panem et circenses).


Referências Bibliográficas:

WOLKMER, A. C. Fundamentos de história do direito. 3. ed. 2.tir.rev. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey, 2006.

ALVES, J. C. M. Direito Romano. 18. ed. rev. Rio de Janeiro: Forense, 2018.




Após o advento da escrita cuneiforme em 3.100 a.C., o crescimento urbano e o comercial, sociedades passam a desenvolver um grau de complexidade que exige a vigência de um direito mais factual do que um simples costume ou tradição religiosa, pois a simples transmissão oral da cultura começa a se tornar insuficiente e inacessível a todos. A positivação de regras e princípios deu previsibilidade a varias ações e estipulou regras e procedimentos bem determinados para a administração de conflitos e consequentemente de meios para as suas soluções, além de ser acessível a todos.

Inicialmente as leis na Grécia e Roma antigas eram criadas apenas para satisfazer a vontade dos aristocratas. Na Grécia, aos Eupátridas; em Roma aos Patrícios.

Mas, como a população de tais lugares era predominantemente composta de escravos/plebeus, as pressões feitas por tais grupos sociais, fizeram com que houvesse uma flexibilização no direito daquela sociedade, por conseguinte, fazendo com que as leis tutelassem direitos e, não mais apenas deveres, daqueles grupos.

Na Grécia, o principal legislador que tentou diminuir a discrepância de poder entre as então classes sociais, foi Sólon. Sólon revogou a maior parte da severa legislação de Drácon, como também procede a uma reforma institucional, social e econômica (incentivando o comércio e a agricultura).  Acreditando que a igualdade desestimula a guerra, Sólon introduziu um novo equilíbrio de poder entre os nobres e os cidadãos comuns. Ele tornou a justiça mais acessível ao facultar a todos os cidadãos o direito de ação e ao estabelecer o direito de apelação das decisões dos magistrados. Atribui-se a Sólon a criação da Eclésia, assembleia popular da qual podiam participar todos os homens livres atenienses, desde que filhos de pai e mãe atenienses e maiores de 30 anos. Dentro da Eclésia, Sólon criou uma corte suprema, a Helieia, responsável por conhecer das apelações dos cidadãos. Sólon também criou a Boulê, um conselho de diferentes classes sociais encarregado de debater os projetos de lei antes da apreciação/aprovação pela Eclésia.

Em Roma, foi somente no período Republicano (510 a.C. - 27 d.C.) que determinadas leis foram criadas para a solução de conflitos sociais.

Os magistrados patrícios julgavam segundo tradições que apenas eles conheciam e aplicavam. Os plebeus, em razão do descaso patrício, haviam ameaçado abandonar definitivamente a cidade por não terem conhecimento da lei. Destarte, ameaçados de perderem a sua mão-de-obra, os patrícios cedem e acabam por criar a Lei das XII Tábuas (por volta de 450 a.C.), que foram inspiradas no legislador grego supracitado, Sólon. Mas, a Lei das XII Tábuas, foi apenas o começo para a ascensão da plebe. Nos anos subsequentes foram criadas inúmeras leis que praticamente solucionaram a luta de classes entre os romanos, como pode-se observar com a criação da Lei Canuleia, que permitia o casamento entre plebeus e patrícios; a Lei Licínia (367 a.C), a qual disciplinava que a cada ano, um dos cônsules deveria ser plebeu; Lei Ogúlnia (300 a.C.), a qual possibilitava o ingresso dos plebeus nos colégios sacerdotais; a Lei Hortênsia (287 a.C.), determinando que todas a resoluções aprovadas pelos plebeus no Concílio da Plebe Adquirissem força de lei; o Édito de Caracala (212 a.C), o qual concedeu cidadania a todos os súditos do império; a Lei Frumentária (123 a.C.), a qual estabelecia a obrigatoriedade do Estado Romano vender trigo para a Plebe, a preços subsidiados (um dos fatores de decadência do Império Romano do Ocidente e ascensão do Feudalismo); Lei Cláudia (59 a.C.), a qual disciplinava que todos os cidadãos romanos, que possuíssem uma residência em Roma poderiam ser beneficiados com a distribuição de trigo gratuito (panem et circenses).


Referências Bibliográficas:

WOLKMER, A. C. Fundamentos de história do direito. 3. ed. 2.tir.rev. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey, 2006.

ALVES, J. C. M. Direito Romano. 18. ed. rev. Rio de Janeiro: Forense, 2018.




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