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o que pensar a respeito do futuro do nosso planeta frente a tudo o que estamos vivendo em nossa atualidade como as mudanças climáticas,etc ?


3 resposta(s)

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Joao Godinho

Há mais de um mês

Cada dia mais as pessoas vem se conscientizando sobre os cuidados com o planeta, tudo ocorre bem, penso que o futuro nos reserva coisas boas.

Cada dia mais as pessoas vem se conscientizando sobre os cuidados com o planeta, tudo ocorre bem, penso que o futuro nos reserva coisas boas.

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Thayane Moraes

Há mais de um mês

O meio ambiente é o endereço do futuro para o qual haverá a maior convergência de demandas entre todas. Não é necessário realizar estudos muito profundos para se concluir que a qualidade da água se encontra fortemente ameaçada; que o clima tende a se transformar no próximo século por conta do efeito estufa e da redução da camada de ozônio e que a biodiversidade tende a se reduzir, empobrecendo o patrimônio genético, justamente quando a ciência demonstra a cada dia o monumental manancial de recursos para o desenvolvimento científico que a natureza alberga.

A defesa do meio ambiente, conceito que inclui a restauração de ecossistemas, é uma atividade que teve seu desenvolvimento como conjunto de ações ordenadas iniciado em meados do século que se finda e que, para fins didáticos, podem ser agrupadas como segue, em três fases.

Fase pioneira

A simples percepção de que a humanidade, que já havia ordenado o seu comportamento para limitar procedimentos inoportunos do convívio em sociedade, como a tipificação de crimes, contravenções e atitudes comprometedoras da qualidade da vida em comunidades, ameaçava de forma crescente os recursos ambientais, pelo falso entendimento de que aquilo que não pertencia especificamente a alguém poderia ser utilizado de forma inconseqüente por qualquer um, fez surgir de forma espontânea o movimento ambientalista, simultaneamente em várias cidades de diversos países.

Inicialmente sem maiores fundamentos científicos, protestava-se contra atitudes obviamente predadoras do meio ambiente, usando-se os mais exóticos recursos para chamar a atenção como subir em árvore para evitar a sua derrubada, protestar contra os incômodos pontuais da poluição atmosférica ou direcionar a atenção para as causas de mortandade de peixes etc.

As elites tratavam de desqualificar tais atitudes, rotulando os ativistas ecológicos com os mais variados e pejorativos adjetivos, na medida em que elas pressentiam que a defesa do meio ambiente fatalmente acabaria com alguns de seus privilégios e, no mínimo, implicaria em investimentos para controlar os efeitos da poluição, por exemplo.

O protesto contundente e nada ortodoxo, entretanto, foi registrado pelos meios de comunicação, que viam, naquelas atitudes estranhas, no mínimo, matéria de interesse jornalístico. Daí para a assimilação pela sociedade foi um passo natural. Um misto de curiosidade e de concordância com as teses dos ecologistas fez crescer a vontade social de mudar comportamentos predadores por outros com respeito pela natureza, mesmo que, individualmente, essa mesma sociedade ainda não estivesse preparada para efetivamente fazer a sua parte. Muitos achavam que, se os outros melhorassem o meio ambiente, eles, pessoalmente, poderiam continuar a cometer seus pecadilhos ambientais sem dar na vista.

Fase política e do "enforcement"

Como vontade social é precursora da vontade política, a questão ambiental evoluiu para um movimento mundial de criação de temáticos Partidos Verde com destaque para o Die Grünnen, na Alemanha. O caso alemão é emblemático, onde a perspectiva de tornar-se parceiro da coalisão de governo seria concreta com a obtenção de apenas 8 a 10% dos votos, substituindo o Partido Liberal (FDP) como fiel da balança entre os dois grandes partidos (CDU e SPD). Acabou ocorrendo. Hoje o governo alemão é dirigido pela coalisão SPD/Die Grünnen.

No Brasil o Partido Verde (PV) emerge a cada eleição com mais candidatos eleitos, ocupando espaços progressivamente. Os partidos ideológicos de esquerda perderam o discurso diante do inexorável avanço do capitalismo e da globalização, abrindo espaço para um partido temático com discurso claro, objetivo, oportuno e carismático, particularmente entre os jovens.

A pressão dos movimentos ecologistas, amplificada pela mídia, e a inserção do tema no discurso político, a par do desenvolvimento técnico nos institutos oficiais de defesa do meio ambiente e científico nas universidades, levou as autoridades governamentais, em todos os níveis, a editarem leis, decretos, normas técnicas e demais instrumentos de enforcement, isto é, de controle ambiental. No Brasil, aproveitou-se a própria Assembléia Nacional Constituinte de 1988 para inserir um moderno e abrangente capítulo sobre meio ambiente na Constituição Federal.

Ainda no Brasil, houve um notável engajamento do Ministério Público, tanto em nível Nacional (Procuradoria da República) quanto dos estados, pressionando os transgressores da legislação ambiental de um lado e as próprias autoridades do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) de outro, cada um no âmbito das suas responsabilidades ambientais. Dessa ação nasceu a demanda por tecnologias de controle ambiental e de tecnologias limpas de produção.

Fase do mercado

A demanda por serviços técnicos, por equipamentos de controle e de novos processos limpos teve resposta imediata no mercado, alimentado pela academia e pelos institutos tecnológicos. Não foi difícil. O estado da técnica para atendimento das demandas da produção de bens de consumo estava superaquecido. Alterar rotas para produzir equipamentos de controle ambiental foi muito simples, assim como adequar a engenharia de consultoria e projetos aos novos desafios.

Instrumentos mais sofisticados de mercado surgiram, por exemplo, com as series de certificados ISO-9000 e ISO-14000, pelas quais as indústrias globalizadas não têm outras alternativas senão produzir com competência e com responsabilidade ambiental. Mais uma força na direção da ampliação do mercado verde.

 

O futuro

Mesmo o ousado horizonte de um século da Agenda 21 é irrelevante diante da responsabilidade desta geração, transitória para o terceiro milênio, que assiste a uma extraordinária explosão científica e tecnológica e a um aquecimento econômico sem precedentes, infelizmente sem contrapartidas de modelos sócio-econômico e ambiental adequados.

O século XXI vai passar como uma fração de segundo no tempo da existência da humanidade sobre a terra. O que é preocupante é todos desejarem que essa existência tenha a duração não de segundos nessa escala, mas de dias, semanas, anos… Mas como conciliar o enorme potencial de desenvolvimento em escala logarítmica que a base do conhecimento alicerça, com as limitações físicas da superfície do planeta, onde ainda por cima se pretende manter espaços preservados da ocupação antrópica como almoxarifado genético da biodiversidade e reservas de paisagens naturais?

Entre outras respostas, há que se acreditar na capacidade de direcionamento do conhecimento acumulado para soluções nos campos das ciências exatas e biológicas. Nos campos cultural, político e das demais ciências humanas, infelizmente a história mostra os estreitos limites da diplomacia, freqüentemente esgarçados pelas guerras, quando ocorriam incompatibilidades muito menores do que as que o futuro nos reserva. Felizmente os últimos anos criaram um novo ingrediente atenuador de conflitos e que tem alargado o campo de atuação da diplomacia: a globalização da economia. Mas é cedo para afirmar que a paz está selada só porque o comércio criou uma rede de interesses protetora. O trapezista pode cair fora da rede.

População e desenvolvimento nos campos social e econômico

A agricultura tem sido competente para frustrar, com a ampliação da produtividade, antigos prognósticos de fome por falta de alimentos. Mas cabe a pergunta: até quando? E quando toda a população do mundo estiver se alimentando corretamente, o que ninguém ousa não desejar, qual a força político-administrativa capaz de evitar que o pantanal seja dragado e que a floresta amazônica seja totalmente derrubada para a sua transformação em pastagens e campos de soja, como é o sonho de parte da elite da região Norte do país?

O desenvolvimento, por todos desejado, é também a única forma pacífica atualmente conhecida de se controlar a natalidade e estagnar o crescimento demográfico. Na Ásia e na África há outros componentes como intransigências de natureza religiosa e cultural, com os quais há que se conviver com paciência e competência para atingir finalmente o nível econômico capaz de sustar, por mecanismos auto reguladores intrínsecos, o crescimento populacional.

Educação e políticas públicas de ampliação de serviços voltados à defesa do meio ambiente são atividades com potencial de geração de empregos que não têm sido exploradas, a não ser de forma superficial no Brasil.

Demanda do consumo

Sem cometer erros comprometedores do raciocínio aqui exposto, pode-se afirmar que um terço da população mundial - cerca de dois bilhões de humanos - compõe em sua plenitude a chamada sociedade de consumo; outro terço está à margem do consumo, a não ser para sobrevivência, o que é muito pouco; e um outro terço vive uma situação intermediária, em ascensão ao privilegiado mundo dos consumidores.

Pelos impactos ambientais gerados por produção, transporte, comercialização, uso e descarte dos bens e serviços de consumo, no nível em que ocorrem hoje, particularmente em países emergentes como o Brasil, arrepia a simples extrapolação de tais impactos para uma sociedade em que praticamente todos sejam consumidores vorazes. Mas este é o mecanismo que, paradoxalmente, permite, de um lado, a estagnação do crescimento populacional e, de outro, ter-se uma sociedade mais homogênea, portanto mais receptiva às políticas públicas de reciclagem, disciplina individual para a defesa do meio ambiente e consciência coletiva da necessidade de deixar para as futuras gerações condições de vida com qualidade. O pré-requisito fundamental para atingir-se tal estágio é a educação, no seu sentido mais abrangente e, especificamente, a educação ambiental, que tende a ser uma conseqüência natural do processo mais amplo; no Brasil, desde a Constituição de 1988, a educação ambiental é obrigatória em todos os níveis de ensino do país; falta ser obedecida de forma mais efetiva nas escolas e falta, principalmente, o acesso de todas as crianças e jovens às escolas.

Proteção das águas

Fala-se muito ultimamente da ameaça de falta de água para as demandas do próximo século e dramatiza-se a questão insinuando que a água, ou a sua falta, poderá ser a causa de guerras no século XXI. A preocupação faz sentido quando se observa o descaso dos governos e da sociedade em geral com o manejo da água. Basta olhar para qualquer córrego urbano para sentir o drama da água, emporcalhada por esgotos domésticos, resíduos industriais e lixo de todas as naturezas. Na zona rural não é muito diferente. Os agrotóxicos são lançados sobre o solo sem o entendimento de que o passo seguinte é a lixiviação desses venenos para os rios, o mesmo ocorrendo com os fertilizantes químicos. Os desmatamentos generalizados concorrem para o assoreamento dos rios, não havendo nem mesmo a obediência a um dos poucos dispositivos legais de proteção dos recursos hídricos que são as matas ciliares. As medidas para utilização racional da água são mais complexas e abrangentes do que possa parecer, mas possíveis como apresentado a seguir de forma obviamente resumida.

 

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes