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Quais a exceções ao Principio da consunção?

Direito Penal I

Humanas / Sociais


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André Pá Azeredo

Há mais de um mês

Não há falar em absorção do falso pelo estelionato, sendo inaplicável o princípio da consunção quando a potencialidade lesiva do documento falso não se exaure no estelionato, sendo apta para o cometimento de outros delitos da mesma ou distinta espécie, restando mantida a condenação.




DIREITO PENAL. PRESCRIÇÃO PELA PENA PROJETADA. INADMISSIBILIDADE. DELITO DO ARTIGO 171, § 3º, DO CÓDIGO PENAL. ESTELIONATO MAJORADO. PRESCRIÇÃO PELA PENA EM CONCRETO. DELITO DO ARTIGO 297, § 3º, INCISO II, DO CÓDIGO PENAL. ANOTAÇÃO FALSA EM CARTEIRA DE TRABALHO. MATERIALIDADE, AUTORIA E DOLO COMPROVADOS. ABSORÇÃO DO FALSO PELO ESTELIONATO. INVIABILIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO INAPLICÁVEL. CONDENAÇÃO. DOSIMETRIA. AGRAVANTE DO ARTIGO 61, INCISO II, G, DO CÓDIGO PENAL. VIOLAÇÃO DE DEVER INERENTE À PROFISSÃO. INCIDÊNCIA. CONTADOR. REDUÇÃO DA PENA DE MULTA. PROPORCIONALIDADE COM A PENA CORPORAL. VALOR UNITÁRIO DO DIA-MULTA. SITUAÇÃO FINANCEIRA DO RÉU. PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA SUBSTITUTIVA. REDUÇÃO INCABÍVEL. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. 1. Inadmissível a prescrição punitiva em perspectiva, projetada, virtual ou antecipada, à míngua de previsão legal. Aplicação da Súmula nº 438 do STJ. 2. Transitada em julgado a sentença condenatória para a acusação, a prescrição da pretensão punitiva regula-se pela pena concretamente aplicada, que remete, no caso, ao prazo prescricional de 4 (quatro) anos, o qual transcorreu entre a data dos fatos e o recebimento da denúncia (fato anterior à Lei nº 12.234/10) no que se refere ao delito do artigo 171, § 3º, c/c 14, inciso II, do Código Penal (tentativa de estelionato). 3. Configura o delito de uso de documento público falso, na modalidade prevista no artigo 297, § 3º, inciso II, do Código Penal, a inserção de vínculo empregatício falso em Carteira de Trabalho e Previdência Social. 4. A materialidade e a autoria estão comprovadas pelos documentos constantes no inquérito policial, mormente pelo laudo pericial documental, o qual constatou que as anotações constantes na Carteira de Trabalho e Previdência Social em questão correspondem à grafia do réu. 5. Sendo genérico o dolo, está delineado no caso, uma vez que demonstrado que o apelante, de forma livre e consciente, inseriu as declarações falsas na referida CTPS. 6. Não há falar em absorção do falso pelo estelionato, sendo inaplicável o princípio da consunção quando a potencialidade lesiva do documento falso não se exaure no estelionato, sendo apta para o cometimento de outros delitos da mesma ou distinta espécie, restando mantida a condenação. 7. Incide a agravante prevista no artigo 61, inciso II, alínea g, do Código Penal, quando o agente perpetra o crime com violação de dever inerente ao seu cargo, ofício ou profissão. No caso, a circunstância de o réu utilizar-se de sua profissão de contador para o cometimento do delito deve majorar a pena, face à facilitação proporcionada pelo seu ofício, violando, ainda, o dever ético da profissão. 8. O número de dias-multa deve ser proporcional à pena privativa de liberdade estabelecida. Já o valor do dia-multa deve ser fixado de acordo com as condições financeiras do condenado. 9. Número de dias-multa reduzido no caso para manter proporcionalidade à pena corporal aplicada. Valor unitário do dia-multa reduzido de acordo com a situação econômica do réu. 10. A prestação pecuniária substitutiva deve ser fixada de modo a não torná-la tão excessiva, inviabilizando seu cumprimento, nem tão diminuta a ponto de mostrar-se inócua, cabendo à defesa trazer aos autos comprovante da hipossuficiência econômica para fins de redução da quantia imposta. Mantido no caso o quantum fixado pelo Juízo a quo, o qual não se revela desproporcional ou incompatível com a situação verificada na espécie. 11. O pedido de gratuidade da justiça e isenção de custas deve ser formulado perante o Juízo da Execução, momento em que a situação econômica do réu poderá ser melhor avaliada.

(TRF-4 - ACR: 50556042420154047100 RS 5055604-24.2015.4.04.7100, Relator: Revisora, Data de Julgamento: 23/04/2019, SÉTIMA TURMA)

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