Constituição - conceito e classificação (tipologia) Aprenda tudo que você precisa

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Conceito de Constituição - Teoria

Apresentando a Constituição. Vamos trazer os critérios mais usados e que mais aparecem nos concursos pra falar sobre como classificar a Constituição (sentido sociológico, político, material e formal, jurídico e culturalista).

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    lockClassificações de Constituição - Teoria - parte 1

    lockClassificações de Constituição - Teoria - parte 2

    lockResumo - Constituição - conceito e classificação (tipologia) - Resumo

  • Oi, pessoal, tudo bem? Meu nome é Roberta, e eu vou começar hoje o módulo de Direito Constitucional 1 com vocês.
    O primeiro tópico desse módulo vai ter três aulas e vai falar sobre conceitos e classificações da constituição. Para abrir o estudo, essa primeira aula vai trazer os critérios mais usados e que mais aparecem nos concursos para falar sobre como classificar a constituição.
    A gente pode falar que a palavra constituição pode ser conceituada a partir de diferentes sentidos O sentido sociológico, o sentido político, o sentido material e o sentido formal, que vão ser abordados juntos, o sentido jurídico e o sentido culturalista. Para começar, então, falaremos do sentido sociológico.
    Sob esse ponto de vista, a legitimidade do texto constitucional vem da sua capacidade de refletir as forças sociais que constituem o poder. O que isso quer dizer?
    O Ferdinand Lassale, que é o representante dessa visão sociológica, vai explicar para a gente que a constituição é o resultado da realidade social do país, das forças sociais que comandam o país e um determinado momento histórico. Ele chama isso de constituição real ou efetiva.
    Segundo ele, existe uma segunda constituição, que é a constituição escrita, que caso não esteja afinada com a constituição real, não vai passar de uma folha de papel sem nenhuma legitimidade. Ou seja, de nada vale uma constituição escrita que não condiz com a realidade social do país.
    E aí, para entender esse sentido sociológico, é importante se lembrar de algumas palavras, que são social, realidade social e força social. Vamos passar agora para o sentido político.
    Nesse caso, a constituição não representa exatamente as normas legais que estão inseridas no texto, mas a decisão política que embasa e fundamenta esse texto, que a gente vai chamar de decisão política fundamental. O que é essa decisão política fundamental?
    Na Constituição de 1988, encontramos a decisão política fundamental no preâmbulo e nos artigos de 1 a 12. Esses trechos trazem objetivos e fundamentos da república, direitos e garantias fundamentais individuais e sociais, e os direitos políticos.
    Isso significa que tem outros artigos na constituição que não se apresentam como decisão política fundamental. Chamaremos esses outros artigos de leis constitucionais.
    Na nossa constituição, por exemplo, a gente pode citar os artigos 195 e seguintes, que tratam da organização e do financiamento da seguridade social, e de diversas normas programáticas nas áreas de saúde, habitação e tributação. Carl Schmidt é um representante dessa vertente.
    Ele afirma que a constituição é fruto de uma determinada decisão política. E aí, vocês devem estar se perguntando quem toma essa decisão, mas isso a gente vai ver mais para frente.
    Só para adiantar, o titular dessa decisão é o poder constituinte. A palavra-chave aqui para o sentido político, como você já deve imaginar, é a decisão política.
    O sentido político vai nos ajudar a entender o sentido material e o sentido formal, que a gente vai ver agora. Do ponto de vista material, o que define se uma norma tem caráter constitucional ou não é o conteúdo.
    Ou seja, as normas que definem e tratam de regras estruturais e fundamentais da sociedade, como formas de estado, governo, e quais órgãos compõem esse estado, por exemplo, são consideradas normas materialmente constitucionais. Do ponto de vista formal, esse conteúdo não importa.
    O que vai definir uma norma como norma constitucional é a forma como ela foi introduzida no ordenamento jurídico, que é pelo poder soberano e por meio do processo legislativo adequado, que é bem mais complexo que o processo legislativo de formação das outras normas. E aí, a gente precisa parar para pensar em algumas coisas.
    Em primeiro lugar, podemos chegar à conclusão de que Nem toda norma materialmente constitucional é formalmente constitucional. Ou seja, podemos encontrar normas que tratam de regras estruturais e fundamentais da sociedade fora do texto da constituição.
    Da mesma maneira, nem toda norma formalmente constitucional é materialmente constitucional. Ou seja, no texto da constituição, a gente encontra normas que não necessariamente tratam de regras estruturais e fundamentais da sociedade.
    Em segundo lugar, a gente pode começar a pensar o sentido político e o sentido material, e o sentido formal, juntos. O que o Carl Schmidt chama de lei constitucional, que são as normas que estão na constituição, mas que não representam a decisão política fundamental, como a gente viu, não são estruturais nem fundamentais, e seriam normas apenas formalmente constitucionais.
    Por outro lado, aquilo que ele chama de constituição seria só as normas que são materialmente constitucionais. Na Constituição de 1988 no Brasil inicialmente foi adotado o sentido formal.
    Ou seja, só seria constituição o que estivesse inserido no texto. Em 2004, com a emenda constitucional 45, ficou definido no parágrafo 3º do artigo 5º que os tratados internacionais sobre direitos humanos equivaleriam a emendas constitucionais.
    Isso quer dizer que os tratados teriam caráter constitucional em razão do conteúdo das normas que eles apresentam, e não da forma. Por conta dessa mudança, a gente pode dizer que o Brasil adota hoje um critério misto, que é formal e material ao mesmo tempo.
    Para a gente marcar esses conceitos, vamos lembrar de conteúdo, para sentido material, e, claro, forma, para o sentido formal. Vamos passar agora para o sentido jurídico.
    Aqui, a gente tem o Kelsen como referência. Ele vai dizer que a constituição é resultado da vontade racional do homem, e não das leis naturais.
    Ele dá dois sentidos para a palavra constituição. O sentido lógico-jurídico e o sentido jurídico-positivo.
    No sentido lógico-jurídico, a constituição significa norma fundamental e hipotética, e tem a função de servir de fundamento de validade do texto constitucional. No sentido jurídico-positivo, constituição é o conjunto de normas que regula a criação de outras normas, ou seja, a norma positiva suprema, ou o próprio texto constitucional.
    Para entender melhor esses dois sentidos, a gente precisa ter em mente que no direito existe um escalonamento de normas. Em outras palavras, existe uma verticalidade hierárquica que vai definir que uma norma de hierarquia inferior busca fundamento de validade na norma superior.
    E aí, a ideia da Pirâmide de Kelsen ajuda a gente a entender melhor. Como a gente pode ver, a constituição está aqui no topo da pirâmide.
    Então, ela é a norma que valida todo o ordenamento abaixo dela. Essa constituição dentro da pirâmide é a constituição no sentido jurídico-positivo, e é, portanto, a norma positiva suprema.
    E a gente se pergunta de onde vem a validade dessa constituição, já que na pirâmide não tem nada acima dela. É aqui que entra a constituição no sentido lógico-jurídico, e conseguimos entender por que antes chamamos essa constituição de norma fundamental hipotética, porque ela está fora da pirâmide, não está positivada, não está prevista em nenhum texto.
    Quando a gente falou no sentido político da constituição, a gente falou em decisão política fundamental, sobre quem tomaria essa decisão. Aí, eu falei para vocês sobre o poder constituinte como titular dessa decisão.
    Aqui, no sentido jurídico, mais especificamente no sentido lógico-jurídico, a gente encontra novamente o poder constituinte como aquele que apresenta essa norma fundamental hipotética, que vai definir como vai ser elaborado o texto, que na verdade é a constituição positivada. Mas a gente vai aprofundar isso mais para frente.
    Para ajudar a guardar bem a diferença entre esses dois sentidos, a gente pode dizer que no sentido jurídico-positivo as normas são postas, porque são positivadas, enquanto no sentido lógico-jurídico, as normas são supostas, porque são hipotéticas. Para fechar a aula de hoje, falaremos do sentido culturalista.
    Nele, a constituição é um fato cultural produzido pela própria sociedade, e que pode influir nela. Ela traz ao mesmo tempo elementos históricos, sociais e racionais.
    O sentido culturalista leva a gente ao conceito de constituição total, que vai ser a nossa palavra-chave aqui. A constituição total é um conjunto de normas fundamentais que emanam da vontade de unidade política, regulam a existência, a estrutura e os fins do estado, e o modo de exercício e os limites do poder político.
    Essa constituição é bastante complexa e apresenta aspectos econômicos, sociológicos, jurídicos e filosóficos. Nas próximas aulas, concluiremos esse primeiro tópico, falando das possíveis classificações da constituição.
    Espero que vocês tenham gostado. A gente se vê no próximo vídeo.
    Até lá. ...

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