Federação brasileira

Saiba mais sobre o conceito de Federação. Nesta aula vamos apresentar as características da Federação Brasileira.

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Aulas de Federação brasileira

Formas de Estado e características da Federação - Teoria

Apresentação das formas de Estado (estado unitário e federação) e dos tipos de Federalismo, e das características básicas da Federação.

TRANSCRIÇÃO

E aí, galera? Hoje, a gente vai começar o nosso sexto tópico, que vai falar da Federação Brasileira.
Nesse primeiro vídeo, a gente vai falar das formas de estado e tipos de federalismo, e das características da federação. Na verdade, esse tópico é bem curto e vai ser dividido em três itens, que são forma de estado, características da federação, e, por fim, a gente vai falar da Federação Brasileira.
A organização e a estrutura do estado podem ser analisadas sob três aspectos Forma de governo, que pode ser república ou monarquia, sistema de governo, que pode ser presidencialismo ou parlamentarismo, e forma de estado, que pode ser o estado unitário ou a federação. O Brasil adotou a forma republicana de governo, o sistema presidencialista de governo e a forma de federativa de estado, que é o que veremos agora.
Para falar de federação, a gente vai primeiro falar de estado unitário, a forma de estado que é adotada pela maioria dos estados atualmente. Existem três espécies de estado unitário: o estado unitário puro, o estado unitário descentralizado administrativamente, e o estado unitário descentralizado administrativamente e politicamente.
O estado unitário puro se caracteriza pela absoluta centralização do exercício do poder, tendo em conta o território do estado. Ele não tem nenhum exemplo histórico, porque não tem condições de garantir que o poder seja exercido de maneira eficiente.
O estado unitário descentralizado administrativamente concentra a tomada de decisões políticas nas mãos do governo nacional, mas descentraliza a execução das decisões políticas já tomadas. Ou seja, algumas pessoas são responsáveis pela execução e pela administração de decisões políticas já definidas anteriormente.
O estado unitário descentralizado administrativamente e politicamente é a forma de estado mais comum hoje em dia, especialmente nos países europeus. Nesse tipo de estado unitário, a gente encontra, além da descentralização administrativa, a descentralização política.
O que acontece é que, no momento da execução de decisões já tomadas pelo governo central, as pessoas passam a ter também um certo grau de autonomia política para decidir no caso concreto a melhor atitude a ser adotada na execução. A forma federativa de estado surgiu nos Estados Unidos em 1787.
Em 1776, foi proclamada a independência das 13 colônias britânicas na América. Cada uma passou a se intitular um novo estado soberano e com liberdade e independência plenas.
Através de um tratado internacional chamado Artigos de Confederação, foi formada a Confederação dos Estados Americanos. Essa confederação era, na verdade, um pacto de colaboração.
Nesse pacto, os estados acordavam em se protegerem das ameaças frequentes da Inglaterra. Era garantido o direito de secessão, ou seja, o direito de separação e retirada do pacto, o que só agravava o problema das ameaças de ataques britânicos.
Os estados confederados se reuniram e estruturaram as bases para a Federação Norte-Americana, que não permitia mais o direito de secessão. Nesse novo modelo, cada estado cedia parte da sua soberania para um órgão central.
Esse órgão ficava responsável pela centralização e pela unificação. Os estados eram, então, autônomos entre si, e formaram os Estados Unidos da América.
Como a gente pode ver, os Estados Unidos se formaram a partir de um movimento de centralização, já que partiram da confederação para a federação. No Brasil, a formação foi diferente, já que a gente partiu de um estado unitário centralizado, que foi se descentralizando.
A partir disso, já podemos concluir que os estados norte-americanos têm mais autonomia que os estados brasileiros. Vamos ver agora os tipos de federalismo.
A gente tem o federalismo por agregação ou por desagregação, o federalismo dual ou cooperativo, o federalismo simétrico ou assimétrico, o federalismo orgânico, o federalismo de integração, o federalismo de equilíbrio, e o federalismo de segundo grau. O federalismo por agregação ou por desagregação se baseia na formação histórica, na origem do federalismo em determinado estado.
No federalismo por agregação, os estados, sejam independentes ou soberanos, abrem mão de parte da soberania. Eles se agregam entre si e formam um novo estado federativo.
Os estados-membros dessa federação são autônomos. Esse modelo visa uma solidez maior, já que o vínculo federativo é indissolúvel.
A gente tem como exemplo desse modelo os Estados Unidos, a Alemanha e a Suíça. No federalismo por desagregação ou por segregação, um determinado estado unitário se descentraliza, e aí, surge a federação.
O Brasil é um exemplo desse tipo de federalismo, que surge a partir da proclamação da república, e se materializa com a Constituição de 1891. O federalismo dual ou cooperativo se baseia no modo como as atribuições ou competências se separam entre os entes federativos e se dividem também em dois tipos.
O primeiro, o federalismo dual, se caracteriza pela separação de atribuições rígida entre os entes federativos. Não tem cooperação ou interpenetração entre eles.
Os Estados Unidos são exemplo desse modelo no momento de origem. O modelo cooperativo surge da flexibilização do modelo dual.
Isso aconteceu principalmente durante o século XX com o surgimento do Estado de Bem-Estar Social. Nesse modelo, as atribuições são exercidas de modo comum ou concorrente.
Rola uma aproximação entre os entes federativos, que atuam em conjunto. Esse é o modelo que a gente encontra aqui no Brasil.
Atualmente, o que vem acontecendo é uma substituição do federalismo dual pelo federalismo cooperativo. De acordo com a doutrina, essa substituição gera um risco, que é o fortalecimento do órgão central, em detrimento dos outros entes federativos.
Essa sobreposição da União caracteriza, na verdade, um federalismo de subordinação. Por outro lado, é importante a gente reconhecer que o federalismo cooperativo é democrático, já que se constrói a partir do consentimento geral da nação, e não de uma imposição do poder central.
Aí, a gente não pode falar em autoritarismo. O federalismo simétrico ou assimétrico se baseia em vários fatores, como a cultura, o desenvolvimento e a língua.
No federalismo simétrico, esses fatores são homogêneos, como no caso dos Estados Unidos. Já o federalismo assimétrico pode decorrer da diversidade da língua e da cultura, como no caso da Suíça e do Canadá.
No federalismo orgânico, o estado é considerado um organismo. Esse modelo pretende manter o todo em detrimento da parte.
O que acaba acontecendo é uma predominância do poder central sobre os estados-membros. No federalismo de integração, predomina a ideia de integração nacional, ou seja, a predominância do governo central sobre os outros entes federativos.
As características do modelo federativo em si acabam sendo atenuadas, e é um federalismo meramente formal, já que tem uma grande assimetria entre os entes. De acordo com o federalismo de equilíbrio, os entes federativos têm que se manter em harmonia, com o intuito de reforçar as instituições.
O federalismo de segundo grau é formado só pela esfera federal e pela esfera estadual, como o modelo norte-americano, que apresenta a União e os estados-membros. Vamos ver agora as características da federação.
A descentralização política. Ou seja, a constituição prevê, no seu texto, os núcleos do poder político que conferem autonomia para os entes federativos.
Repartição de competência, que garante a autonomia dos entes federativos, e, por isso, o equilíbrio da federação. Constituição rígida com base jurídica.
Garante distribuição de competência entre os entes autônomos, e, por isso, garante também estabilidade institucional. Inexistência do direito de secessão.
Ou seja, não existe direito de separação. O princípio da indissolubilidade do vínculo federativo garante que a forma federativa de estado não seja objeto de uma proposta de emenda constitucional, como está previsto no artigo 60, parágrafo 4º, inciso I.
Soberania do estado federal. Os estados-membros são autônomos entre si, de acordo com as regras previstas no texto constitucional e nos limites das suas competências.
Eles não têm soberania, que é uma característica do estado federal. Intervenção, que garante que, em uma situação de crise, o processo interventivo é um instrumento que assegura que o equilíbrio federativo e a manutenção da federação.
A auto-organização dos estados-membros, que se dá por meio da elaboração das constituições estaduais, como a gente já viu. Senado Federal, como órgão representativo dos estados-membros do Brasil.
O STF, enquanto guardião da Constituição Brasileira. E Repartição de Receitas, que garante o equilíbrio entre os entes federativos.
Bom, pessoal, hoje a gente fica por aqui. Espero que vocês tenham curtido a aula de hoje.
Até. ...

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