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Derrotabilidade e interpretação das normas constitucionais - Teoria

Nessa aula, vamos ver o conceito de derrotabilidade e os métodos de interpretação das normas constitucionais (jurídico, tópico-problemático, hermenêutico-concretizador, científico-espiritual, normativo-estruturante, comparação constitucional).

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  • play_arrowMutação Constitucional e Reforma Constitucional: Regras e Princípios - Teoria

    lockMutação Constitucional e Reforma Constitucional: Regras e Princípios - Mapa Mental

    lockDerrotabilidade e interpretação das normas constitucionais - Teoria

    lockDerrotabilidade e interpretação das normas constitucionais - Mapa Mental

    lockPrincícipos da interpretação constitucional - Teoria

    lockPrincícipos da interpretação constitucional - Mapa mental (parte 1)

    lockPrincícipos da interpretação constitucional - Mapa mental (parte 2)

    lockHermenêutica - Resumo

  • E aí, galera, tudo na paz? A gente vai continuar hoje o nosso tópico sobre hermenêutica, com o conceito de derrotabilidade, e vai ver também os métodos de interpretação das normas constitucionais.
    O terceiro e último vídeo desse tópico vai falar dos princípios de interpretação constitucional. Vamos começar então com o conceito de derrotabilidade.
    Apesar de os princípios serem muito mais exaltados que as regras, elas são normas super importantes, porque garantem uma solução previsível, eficiente e justa para conflitos sociais. Elas não têm que ser obedecidas só porque são regras ou porque foram editadas por uma autoridade.
    Elas têm que ser obedecidas porque a obediência às regras é moralmente boa, e porque elas produzem efeitos referentes a valores que são importantes para o nosso ordenamento jurídico. O Humberto Ávila traz para a gente algumas justificativas para a gente obedecer as regras, que são as seguintes Eliminar a controvérsia e a incerteza e os custos morais associados a elas, eliminar ou reduzir a arbitrariedade que pode surgir caso os valores morais sejam aplicados diretamente, tentar evitar problemas de coordenação, já que, sem a regra, cada um começaria a defender o seu próprio ponto de vista; de deliberação, já que, sem regras, não teríamos soluções pré-definidas, e aí, seria muito mais custoso, encontrar essas soluções; e de conhecimento, já que as soluções passariam a ser produzidas por pessoas que não têm conhecimento técnico em determinada área ou matéria.
    A derrotabilidade, ou superabilidade, como é chamada pelo Humberto Ávila, é a possibilidade de que a regra seja derrotada, superada ou afastada. Como a gente viu, existem vários motivos para que as regras sejam obedecidas.
    Então, essa possibilidade de afastamento também exige alguns cuidados. O Humberto Ávila apresenta para a gente algumas condições para que isso possa acontecer.
    O primeiro é o fato de que a superação da regra em um caso individual não pode prejudicar a concretização dos valores que são inerentes a ela. Essa condição é considerada um requisito material ou de conteúdo.
    Ele vai apresentar ainda três requisitos procedimentais ou de forma. O primeiro é que tem que ter uma justificativa condizente.
    Ou seja, a incompatibilidade entre a hipótese da regra e a sua finalidade tem que ser demonstrada. Em segundo lugar, tem que ter uma fundamentação condizente, ou seja, uma fundamentação escrita juridicamente fundamentada e logicamente estruturada.
    Por último, ele diz que tem que ter uma comprovação condizente. Isso quer dizer que é necessário que a incompatibilidade seja demonstrada por meios de prova adequados.
    Já que uma mera alegação não é suficiente para se superar uma regra. Em relação ao requisito material que a gente apresentou aqui, é importante pensar que é impossível falar em uma generalização das decisões baseadas na derrotabilidade, porque a derrotabilidade não geraria uma insegurança jurídica.
    Vasconcelo vai dizer para a gente que o requisito material mais importante no caso da derrotabilidade é a coerência da pessoa que está julgando. A aplicação da derrotabilidade em um caso específico produziria uma exceção no interior da regra, e é aí que a gente vê a universalização.
    A partir disso, essa decisão singular se tornaria uma referência para decisões posteriores de casos parecidos. É importante a gente marcar aqui que o STF não se utiliza da expressão "derrotabilidade".
    Vamos ver agora os métodos de interpretação das normas constitucionais. O Canotilho vai ensinar para a gente que a interpretação das normas jurídicas é um conjunto de métodos desenvolvidos pela doutrina e pela jurisprudência com base em critérios ou premissas que são diferentes mas complementares.
    Quais são esses métodos? Primeiro, o método jurídico, ou hermenêutico clássico.
    De acordo com esse método, a Constituição tem que ser encarada como uma lei, e, por isso, usaremos os métodos tradicionais de hermenêutica, com base em alguns elementos da exegese. Nesse método, o papel do intérprete é descobrir o verdadeiro significado, o sentido da norma, e, por isso, o texto tem grande importância.
    Vamos ver os elementos usados nesse método. O elemento genérico, que busca investigar as origens dos conceitos usados pelo legislador; o elemento gramatical ou filológico, que também pode ser chamado de literal ou semântico, e, a partir dele, a análise é feita de modo textual e literal; o elemento lógico, que busca a harmonia lógica das normas constitucionais; o elemento sistemático, que analisa o projeto de lei, a justificativa do projeto, a exposição de motivos, pareceres, e condições culturais que provocaram a elaboração da norma; o elemento teleológico ou sociológico, que busca a finalidade norma; o elemento popular, que baseia a análise na participação da massa, dos partidos políticos e dos sindicatos; o elemento doutrinário, que parte da interpretação feita pela doutrina; e o elemento evolutivo, que segue a linha da mutação constitucional.
    Vamos passar agora para o método tópico-problemático. Nesse método, a gente parte de um problema concreto para a norma.
    A interpretação tem um caráter prático nessa busca pela solução dos problemas. A Constituição, então, seria um sistema aberto de regras e princípios.
    No modelo hermenêutico-concretizador, a gente parte da Constituição para o problema concreto, a partir de alguns pressupostos interpretativos Pressupostos subjetivos, quando o intérprete se vale das suas pré-compreensões sobre o tema para tentar obter o sentido da norma; pressupostos objetivos, quando o intérprete atua como mediador entre a norma e o caso concreto, tomando como pano de fundo a realidade social; e o círculo hermenêutico, que é um movimento de ir e vir entre o subjetivo e o objetivo, até que o intérprete chegue a um entendimento da norma. No método científico espiritual, a Constituição tem que ser interpretada como algo dinâmico e que se renova constantemente junto com as mudanças na vida da sociedade.
    No método normativo estruturante, a gente precisa reconhecer que não tem identidade entre a norma jurídica e o texto normativo. Nesse caso, o teor literal da norma, que vai ser considerado pela pessoa que a está interpretando, tem que ser analisado com base na concretização da norma na realidade social.
    Ou seja, a norma tem que ser concretizada não só pela atividade do legislador, mas também pela atividade do governo, da administração e do judiciário. E, por fim, o método da comparação constitucional.
    Nesse método, a interpretação se dá a partir da comparação entre vários ordenamentos. Bom, gente, por hoje, a gente vai ficar por aqui, e na próxima aula, a gente vai fechar esse tópico com os princípios da interpretação constitucional.
    Até lá. ...

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