Organização dos poderes

Saiba mais sobre a organização político-administrativa dos Estados, Municípios, Territórios Federais e do Distrito Federal. Nesta série de aulas vamos apresentar como se dá a divisão de poderes entre os entes federativos e outras disposições.

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Aulas de Organização dos poderes

União - Teoria

Apresentação das características da União, seus bens e competências.

TRANSCRIÇÃO

E aí, galera, beleza? Hoje, gente vai começar um novo tópico, que vai falar da organização dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal, dos municípios, e dos territórios federais.
Esse tópico é um pouco mais longo que os outros, e hoje, a gente vai começar falando da União. Como a gente viu, a União, junto com os estados, o Distrito Federal e os municípios, compõem a República Federativa do Brasil.
José Afonso da Silva ensina para a gente que a União se constitui pela congregação das comunidades regionais, ou seja, os estados-membros. Isso quer dizer que, quando falamos em federação, a gente está falando da união dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, e, por isso, a gente chama de União Federal.
A União é uma unidade federativa, a ordem central que se forma pela reunião de partes por meio de um pacto federativo. A União não é, então, a mesma coisa que a República Federativa do Brasil.
A República Federativa do Brasil é soberana no plano internacional, enquanto os entes federativos são autônomos entre si. A União assume papéis diferentes internamente e internacionalmente.
Internamente, a União age em nome de toda a federação. Ela é uma pessoa jurídica de direito público interno, que compõe a Federação Brasileira e é autônoma financeiramente, administrativamente e politicamente, já que possui capacidade de auto-organização, autogoverno, autolegislação e auto-administração.
Internacionalmente, a União representa o país. Ela representa a República Federativa do Brasil.
Ou seja, ela representa a soberania da Federação. O artigo 18, parágrafo 1º, da Constituição prevê que Brasília é a nossa capital federal.
Brasília não se enquadra no conceito geral de cidade, e é também sede do governo do Distrito Federal. Vamos dar uma olhadinha, agora, nos bens da União.
Eles estão previstos no artigo 20 da Constituição de 1988. Eu coloquei na ordem dos incisos mesmos, de I a XI, com algumas palavras-chave para podermos ir lendo junto, direto da Constituição.
São bens da União: "Os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos," "as terras devolutas," "indispensáveis à defesa das fronteiras," "das fortificações e construções militares," "das vias federais de comunicação e a preservação ambiental," "definidas em lei." O inciso III: "Os lagos, rios e quaisquer correntes de água" "e terrenos em seu domínio," "ou que banhem mais de um estado, sirvam de limites com outros países," "ou se estendam a território estrangeiro" "ou dele provenham," "bem como os territórios marginais e as praias fluviais.
" Inciso IV: "As ilhas fluviais e lacustres," "nas zonas limítrofes com outros países," "as praias marítimas," "as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas destas" Quer dizer, das ilhas oceânicas e costeiras "As que contenham a sede de municípios," "exceto aquelas áreas afetadas pelo serviço público" "e a unidade ambiental federal," "e as referidas no artigo 26, inciso II." Sobre o inciso IV, a gente precisa falar rápido aqui que rolou uma mudança com a Emenda Constitucional 46/2005, que está aqui.
Antes da Emenda, não estavam excluídas as áreas que contivessem sede de município. Essa mudança surgiu a partir de uma demanda específica dos municípios localizados na ilha de São Luís, no estado do Maranhão.
A redação anterior à Emenda prejudicava os moradores desses municípios por diversos motivos Exceto aqueles que residiam em terras oriundas das Sesmarias, nenhum morador era proprietário da área onde vivia. Isso impactava na economia e em questões fundiárias e imobiliárias.
Vamos continuar. O inciso V fala dos recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva.
O mar territorial. Os terrenos de marinha e seus acrescidos.
Os potenciais de energia hidráulica. Os recursos minerais, inclusive os do subsolo.
As cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos. E, por incrível que pareça, as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
A definição da dimensão dessas áreas é matéria de direito administrativo. Só para não passar em branco, a gente vai dizer que mar territorial, zona contígua, zona econômica exclusiva e plataforma continental estão previstas aqui na Lei 8617/93, e que a dimensão de faixa de fronteira está prevista no próprio artigo 20, parágrafo 2º.
Uma observação também sobre terras devolutas Todas que não estiverem previstas no artigo 20 são propriedades do estado, desde que não tenham sido trespassadas aos municípios. Vamos ver agora as competências da União.
A competência da União pode ser não legislativa ou legislativa. A competência não legislativa determina um campo de atuação político-administrativa, e, por isso, pode ser chamada também de competência administrativa ou material.
Ela regulamenta o exercício das funções governamentais, podendo ser exclusiva da União, de acordo com o artigo 21, ou comum aos entes federativos, de acordo com o artigo 23. Vale destacar aqui que, no caso da competência comum, o parágrafo único do artigo 23 determina que as normas para a cooperação entre os entes devem ser determinadas por lei complementar, com o objetivo de evitar conflitos e também de otimizar esforços.
No caso de conflito entre os entes federativos, a gente precisa levar em conta o critério da preponderância de interesses. Ainda que não possamos falar em hierarquia entre os entes que compõem a federação, a gente pode, sim, falar em hierarquia de interesses.
E aí, os interesses mais amplos, ou seja, da União, valem mais que os interesses mais restritos. A competência legislativa é aquela que trata das competências definidas no texto constitucional para elaborar leis.
No caso da União Federal, ela se divide em privativa, concorrente, e tributária expressa, residual e extraordinária. A competência privativa está prevista no artigo 22 da Constituição.
De acordo com o parágrafo único, a União, por meio de lei complementar, pode autorizar os estados a legislar sobre questões específicas previstas no artigo 22. Essa possibilidade pode ser estendida também ao Distrito Federal.
A concorrente está prevista no artigo 24, que vai definir as matérias de competência concorrente da União, dos estados e do Distrito Federal. Nesses casos, a competência da União se limita a estabelecer normas gerais.
E aí, em caso de inércia da União, ou seja, se não existir uma lei elaborada pela União sobre norma geral, os estados e o Distrito Federal podem suplementar a União, e legislar também sobre normas gerais. Nesse caso, eles exerceriam competência legislativa plena.
Aí, se a União resolve legislar sobre norma geral, a norma geral que o estado ou o Distrito Federal elaborou, em um momento anterior, tem eficácia suspensa, no ponto em que for contrária à lei federal. Se as normas não forem conflitantes, a norma geral federal e a norma geral estadual ou distrital passam a conviver em harmonia.
A competência tributária expressa, que está prevista no artigo 153, a residual, no artigo 154, inciso I, e a extraordinária, no artigo 154, inciso II, são matérias de direito tributário, e a gente nem vai falar aqui. Para fechar, a gente vai falar das regiões administrativas ou de desenvolvimento.
De acordo com o artigo 43, caput, para efeitos administrativos, a União pode articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social para efeitos administrativos, com o objetivo de desenvolver e reduzir as desigualdades sociais. Vai caber à lei complementar dispor sobre as condições para a integração de regiões em desenvolvimento e a composição dos organismos regionais que vão executar os planos regionais, que integram os planos nacionais de desenvolvimento econômico e social.
Entre os incentivos regionais que a lei prevê, a gente pode citar: igualdade de tarifas, fretes e seguros, juros favorecidos, para financiamento de atividades prioritárias, e isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais. A gente pode citar, como exemplo de regiões administrativas ou de desenvolvimento, a SUDENE e a SUDAM, que inclusive estiveram envolvidas em desvios altíssimos de verbas públicas, o que provocou a extinção das duas em 2001.
As duas foram reinstituídas em 2007, de maneira autárquica especial, administrativamente e financeiramente autônomas, e vinculadas ao Ministério da Integração Nacional. Bom, é isso, galera.
Na próxima aula, a gente começa a primeira parte do conteúdo sobre os estados-membros. Até lá.
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