Poder constituinte

Saiba mais sobre o conceito de Poder Constituinte. Nesta série de aulas vamos apresentar os conceitos de Poder Constituinte Originário, Derivado, Difuso e Supranacional, e a noção de retroatividade da norma constitucional.

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Aulas de Poder constituinte

Poder Constituinte e Poder Constituinte Originário - Teoria

Nessa aula, vamos ver o conceito de Poder Constituinte e apresentar a primeira de suas quatro classificações, o Poder Constituinte Originário.

TRANSCRIÇÃO

E aí, pessoal, beleza? Vou começar o nosso quarto vídeo do programa de Direito Constitucional 1, e também o segundo tópico do programa, que é poder constituinte.
Esse tópico vai se dividido em três vídeos. Neste primeiro, a gente vai fazer uma apresentação do tema e falar da primeira das classificações possíveis do poder constituinte, que é o poder constituinte originário.
O segundo vídeo vai falar só do poder constituinte derivado. Tem bastante coisa para a gente aprender.
O terceiro e último vai falar sobre as demais classificações, e sobre algumas outras conclusões que a gente também precisa tirar nesse contexto aí do poder constituinte. Vamos começar.
A gente viu o poder constituinte pela primeira vez quando falou de constituição no sentido político, como sendo o resultado da decisão política que embasa e fundamenta esse texto, a chamada decisão política fundamental. O titular dessa decisão, como a gente falou lá atrás, é o poder constituinte.
Mais para frente, ainda nesta primeira aula, quando a gente falou de constituição no sentido jurídico, o poder constituinte apareceu mais uma vez. A gente falou da Pirâmide de Kelsen e viu que a constituição positivada, ou seja, a constituição no sentido jurídico-positivo está no topo dessa pirâmide, vai liderando todo o ordenamento jurídico abaixo dela, e que essa constituição positivada é validada pela norma fundamental hipotética, a constituição no sentido lógico-jurídico, que é apresentada pelo poder constituinte.
Só com essas aparições rápidas, já dá para se ter uma ideia do que é o poder constituinte, mas é importante a gente conceituar. O poder constituinte é o poder de elaborar ou atualizar uma constituição a partir da supressão, da modificação, ou do acréscimo de normas constitucionais, e é um poder que emana do povo.
Então, toda vez que aparecer a necessidade de elaborar ou atualizar o texto constitucional, modificando, suprimindo ou acrescentando uma norma, isso vai ser feito pelo poder constituinte. Esse poder, então, vem do próprio povo, que vai ser regido pela constituição em questão, mas é exercido por outro ente, que não é o povo.
É a assembleia constituinte que vai exercer esse poder. Essa necessidade de mudança surge do que o Ivo Dantas vai chamar de hiato constitucional.
Esse hiato, que ele chama também de revolução nada mais é do que o conflito entre o conteúdo do texto e a realidade social. Isso mostra o que a gente vai chamar de dinâmica constitucional, que é a urgência de o texto político estar sempre alinhado com os valores sociais.
E aí, diante do hiato constitucional, ou seja, essa lacuna entre a constituição e a realidade, podem acontecer alguns fenômenos. A convocação de uma assembleia constituinte, com o intuito de elaborar uma nova constituição, a mutação constitucional, quando o texto é mantido, mas a norma ganha outra interpretação, a reforma constitucional, que se dá por meio de emendas constitucionais, e o hiato autoritário, que rola quando o poder autoritário se manifesta e edita textos de forma arbitrária, como aconteceu durante a ditadura civil militar, com a instauração do AI5.
A partir daqui, a gente vai começar a classificar os tipos de poder constituinte, que são Poder constituinte originário, poder constituinte derivado, poder constituinte difuso, e poder constituinte supranacional. Como eu disse antes, hoje falaremos só do poder constituinte originário, e os outros vão ficar para as próximas aulas.
O poder constituinte originário, que pode ser chamado também de inicial ou inaugural, genuíno ou de primeiro grau, instaura uma nova ordem jurídica, que rompe com a ordem jurídica anterior. O objetivo fundamental do poder constituinte originário é, portanto, criar um novo estado, diferente daquele que vigorava antes.
E o poder constituinte originário pode também ser subdividido em histórico ou fundacional, que é o verdadeiro poder constituinte originário, que estruturou o estado pela primeira vez, ou ele pode ser revolucionário, que são todos aqueles posteriores ao histórico, e que, portanto, rompem com a ordem anterior e instauram uma nova, e, claro, um novo estado. Quanto às características, a gente pode dizer que o poder constituinte originário é inicial, porque quando ele rompe completamente com ordem jurídica anterior ele instaura uma nova ordem jurídica, autômato, já que a estruturação do novo texto vai ser determinada autonomamente, por quem exerce o poder constituinte originário, ilimitado juridicamente, porque ele não deve respeitar os limites impostos pela ordem anterior, incondicionado e soberano na tomada de suas decisões, ou seja, não se submete a nenhuma forma de manifestação fixada anteriormente, permanente, já que ele não se esgota com a elaboração da nova constituição, sendo assim, forma e expressão da liberdade humana, e podendo se manifestar sempre que um momento constituinte, ou seja, uma situação que exige uma ruptura com a ordem vigente, apareça.
E ele pode ser também um poder de fato e político, uma força social de natureza pré-jurídica. Essa característica aqui é bem importante, porque o poder constituinte originário não tem natureza jurídica.
Ele é uma força social, um poder de fato, e a gente precisa marcar isso bem. Antes de a gente passar para o próximo tópico, é importante falar um pouco mais sobre a autonomia e a ilimitação do poder constituinte originário, que, de acordo com a corrente jusnaturalista, o poder constituinte originário não é totalmente autônomo, havendo, portanto, uma limitação.
Essa limitação surge das normas de direito natural, que precisam ser respeitadas. No Brasil, foi adotada a corrente positivista.
Por isso, o direito natural não pode limitar a atuação do poder constituinte originário. Ele é totalmente ilimitado do ponto de vista jurídico.
Como a gente viu antes, ele tem natureza pré-jurídica. Já que a ordem jurídica começa com ele, e não antes dele.
Então, essa ilimitação não significa que o poder constituinte originário é arbitrário. Então, dizer que ele é ilimitado não quer dizer que ele é arbitrário, absoluto ou sem limitações.
Essa ilimitação é, na verdade, uma ausência de vinculação de caráter jurídico-positivo, que tem a ver com a norma anterior. Então, ele é ilimitado, porque não tem vínculo com a norma anterior.
O Canotilho vai ensinar para a gente que o poder constituinte originário se estrutura a partir de padrões e modelos de condutas espirituais, culturais, éticas e sociais, que fazem parte da consciência jurídica geral de uma comunidade, e, por isso, são a vontade do povo. Dessa forma, se, durante o exercício desse poder, a constituição não for fiel a esses valores, a população não deve acolher esse novo texto, e esse poder também não vai poder ser reconhecido como poder constituinte originário.
Vamos falar agora de dois tipos de poder constituinte originário. O poder constituinte originário formal e o poder constituinte originário material.
O poder constituinte originário formal é o ato de criação propriamente dito, e que atribui a um conjunto de normas um status constitucional. Já o poder constituinte originário material é exatamente esse lado substancial, esse status de norma constitucional do texto.
Ele determina o que é constitucional ou não, enquanto o poder constituinte originário formal materializa essas normas no texto. A gente vem vendo essa diferença entre material e formal, então, acho que fica fácil de a gente entender essa diferença no poder constituinte originário também.
O poder constituinte originário tem duas formas de expressão que estão aqui nesse cantinho. A outorga, que se caracteriza pela declaração unilateral do agente revolucionário, como aconteceu nas constituições de 1824, 1937, 1967 e a emenda constitucional número 1 de 1969, de que a gente já falou também.
A outra forma de expressão é a assembleia nacional constituinte, ou convenção, que surge da deliberação da representação popular, como nos casos das constituições de 1891, 1934, 1946 e, claro, da constituição de 1988. Por hoje, a gente encerra o poder constituinte originário, e a gente se vê na próxima aula para poder falar do poder constituinte derivado.
Até. ...

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