Poder constituinte - Poderes Constituintes Difuso e Supranacio

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Poderes Constituintes Difuso e Supranacional e graus de retroatividade - Teoria

Nesse último vídeo do segundo tópico, vamos apresentar as duas últimas classificações do Poder Constituinte e ainda estudar os fenômenos da recepção, da repristinação, da desconstitucionalização e da recepção material de normas constitucionais. Encerramos a aula com o estudo dos graus de retroatividade da norma constitucional.

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  • play_arrowPoder Constituinte e Poder Constituinte Originário - Teoria

    lockPoder Constituinte Derivado - Teoria

    lockPoderes Constituintes Difuso e Supranacional e graus de retroatividade - Teoria

    lockResumo - poder constituinte - Resumo

  • E aí, galera, beleza? Hoje, a gente vai fechar o nosso segundo tópico, que é sobre o poder constituinte, e em breve vai começar o terceiro, que vai falar das normas constitucionais.
    A gente vai falar hoje dos últimos dois tipos de poder constituinte, o poder constituinte difuso e o poder constituinte supranacional, e vai ver também o que acontece com as normas produzidas durante a vigência da constituição anterior quando se promulga uma nova constituição, e os graus de retroatividade da norma constitucional. Vamos começar falando do poder constituinte difuso.
    Ele se caracteriza como um poder de fato e se manifesta por meio das mutações constitucionais, que a gente já viu antes. A gente pode entendê-lo como mais um mecanismo de modificação da constituição.
    Quando a gente falou do poder constituinte derivado reformador, a gente viu que ele se dá de modo formal, produzindo emendas constitucionais. Quando a modificação é produzida pelo poder constituinte difuso, ela se da de modo informal e espontâneo, como um poder de fato, e decorre de fatores sociais, políticos e econômicos.
    Esse é um processo informal de mudança da constituição. O texto não é modificado, mas sim o sentido interpretativo.
    Ou seja, o texto continua igual, mas o sentido que atribuímos a ele é outro, e é isso que caracteriza a mutação constitucional. O poder constituinte supranacional tem a função de fazer e reformular as constituições transnacionais, supranacionais ou globais.
    Ele se fundamenta na cidadania universal, no pluralismo de ordenamentos jurídicos, na vontade de integração, e em um conceito remodelado de soberania, porque o objetivo do poder constituinte supranacional é estabelecer uma constituição supranacional legítima. Isso acontece no caso de um conjunto de estados que se inter-relacionam em um processo de integração econômica e política, como na União Europeia.
    Assim, cada estado cede uma parcela de soberania para que uma constituição comunitária seja criada. Por isso, o titular desse poder não é o povo, mas o cidadão universal.
    Marcelo Neves vai nos explicar que isso demonstra uma tendência mundial de superar o que ele chama de constitucionalismo provinciano ou paroquial, pelo transconstitucionalismo, que, segundo ele, é mais adequado para resolver questões referentes a direitos fundamentais ou direitos humanos e à organização legítima de poder. A gente vai tentar entender agora o que acontece com as normas que foram produzidas na vigência da constituição anterior, a partir da promulgação de uma nova constituição e do consequente surgimento de um novo estado.
    A gente vai chamar isso de direito intertemporal lato sensu, ou seja, como o direito se constrói no tempo, a relação do direito com o passado, o presente e o futuro. Isso é importante para garantir o respeito ao direito adquirido e a proibição da retroatividade da norma legal, o que, por sua vez, garante a segurança dos cidadãos no que tange aos fatos passados, e impede atos arbitrários e abuso de poder.
    E aí, são alguns fenômenos que acontecem com essas normas da constituição anterior no momento da promulgação de uma nova constituição. A gente tem a recepção, a repristinação, a desconstitucionalização e a recepção material de normas constitucionais.
    Para começar a falar desses fenômenos, precisamos primeiro entender que todas as normas infraconstitucionais que não forem compatíveis com a nova constituição vão ser revogadas. E, por outro lado, as normas infraconstitucionais que estiverem de acordo com a nova ordem serão recepcionadas e podem também ganhar uma cara nova.
    Essa compatibilidade deve ser no sentido material, podendo não acontecer no sentido formal. Ou seja, ela pode ser material e formal, ou só material.
    É o caso de uma lei, por exemplo, elaborada como uma lei ordinária e que é recepcionada como lei complementar. E aí, ela não seria compatível formalmente.
    Assim, quando uma norma infraconstitucional elaborada antes da constituição for incompatível a ela, não se trata de um caso de inconstitucionalidade, e, portanto, não cabe a ação direta de inconstitucionalidade genérica. O que a gente pode alegar é que a norma não foi recepcionada.
    Nesses casos, o STF não admite a teoria da inconstitucionalidade superveniente, ou seja, posterior. Ou a gente fala em compatibilidade, quando é possível a recepção, ou em revogação, quando não existe recepção.
    Segundo o STF, deve prevalecer o princípio da contemporaneidade, que determina que uma lei só pode ser avaliada em relação a sua constitucionalidade se for confrontada com a constituição que estava em vigor no momento em que ela foi elaborada. Isso acaba trazendo uma dúvida.
    O caso é o seguinte A gente está diante de uma lei que feriu o processo legislativo na constituição da época em que foi elaborada, e que até então não teve a constitucionalidade questionada. Caso ela seja compatível com a nova constituição, ela pode ser recepcionada?
    Alguns doutrinadores afirmam que essa lei, como é presumidamente constitucional, já que ninguém questionou a sua constitucionalidade antes, poderia ser recepcionada pelo novo ordenamento, desde que ela fosse compatível com a nova constituição do ponto de vista material, ou seja, quanto ao seu conteúdo. Por outro lado, alguns doutrinadores defendem que uma norma como essa, sempre foi nula desde a sua edição, não importando se ela é compatível materialmente com a nova constituição, porque a inconstitucionalidade de uma lei gera sua nulidade absoluta.
    Assim, se a lei já surge com algum problema, possui um vício congênito, e aí é impossível resolver a partir da recepção, e, por isso, a lei é nula. Por isso, também não é possível falar de constitucionalidade superveniente.
    Para fechar, é importante dizer que a recepção pode acontecer parcialmente, quando só uma parte dela, um artigo ou parágrafo, é recepcionada. Além disso, vale apontar que a recepção ou a revogação de uma lei acontece no momento da promulgação do novo texto constitucional, sendo possível que o STF module os efeitos dessa decisão, podendo dizer a partir de que momento ela passa a valer.
    Vamos passar agora para a repristinação. Esse fenômeno acontece quando, em um momento posterior à promulgação da nova constituição, a gente percebe a possibilidade de recepcionar uma lei que a princípio era incompatível com a nova ordem, e, por isso, não foi recepcionada.
    Por exemplo, o caso de uma lei produzida durante a vigência da Constituição de 1946 que não foi recepcionada no momento da elaboração da Constituição de 1988 e que mais para frente, vemos que a recepção era possível. No Brasil, esse fenômeno não é admitido.
    Uma lei não recepcionada anteriormente não pode voltar a produzir efeitos, salvo se a nova ordem jurídica se manifestar diversamente. A desconstitucionalização acontece quando as normas da constituição anterior compatíveis com a nova ordem permanecem em vigor não mais como parte do texto constitucional, mas como lei infraconstitucional.
    Ou seja, a recepção acontece, mas a norma passa a ter outro status. No Brasil, a gente também não encontra esse fenômeno.
    A recepção material de normas constitucionais acontece quando normas constitucionais anteriores, ainda que de maneira secundária, mantêm a qualidade de normas constitucionais. Essas normas são recebidas por prazo determinado, e o fenômeno só ocorre caso haja previsão expressa na constituição.
    Se a previsão não existir, as normas vão ser revogadas. A gente encontra esse fenômeno na Constituição de 1988, no caput e no parágrafo 1º do artigo 34 da Constituição de 1988.
    Por exemplo, a continuidade da vigência de artigos da Constituição de 1967. Vamos passar para o próximo ponto.
    A norma constitucional tem três graus de retroatividade. Ela tem retroatividade máxima ou restituitória, retroatividade média, e retroatividade mínima, temperada ou mitigada.
    A retroatividade máxima ou restituitória acontece quando a nova lei incide sobre fatos jurídicos que já foram consumados. A retroatividade média se dá quando a lei nova atinge efeitos pendentes de atos jurídicos que foram verificados antes da lei.
    Isso acontece, por exemplo, quando uma lei nova é aplicada a prestações vencidas de um contrato, mas que não foram pagas. Então, os efeitos ainda estão pendentes.
    A retroatividade mínima, temperada ou mitigada acontece quando a lei nova atinge os efeitos dos fatos anteriores a ela, mas que foram verificados depois da data que ela entrou em vigor. Ou seja, a lei atinge não a prestação vencida de um contrato, que só precisa ser paga, mas incide na prestação que ainda não venceu, que é um fato posterior à promulgação da lei.
    De acordo com o STF, as normas constitucionais que se manifestam no poder constituinte originário têm, em regra, retroatividade mínima. Ou seja, no caso de negócios passados, elas são aplicadas só aos fatos posteriores à promulgação da Constituição.
    Embora a retroatividade mínima seja regra, a retroatividade máxima e a média também podem acontecer, desde que se tenha um pedido expresso no texto constitucional, como acontece no artigo 51 do ADCT. É isso, galera.
    Fechamos, então, aqui o conteúdo sobre poder constituinte. Na próxima aula, a gente já começa a falar das normas constitucionais.
    Espero que vocês tenham gostado. Até.
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