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ATIVIDADE 7 (CRÍTICAS ÀS ARTES) AP2 DE BCO - COM RESPOSTA NOS COMENTÁRIOS

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7. Como você poderia resumir as críticas à literatura e ao teatro apresentadas por Platão e Santo Agostinho? (mínimo de 15 linhas) Na Grécia, o gênero dramático – tragédia e comédia – pertence ao âmbito da poesia. Em outras palavras: teatro é poesia. E, para Platão, a poesia é uma espécie de imitação – μίμησις (mímesis, de onde vêm mimetismo, mimético etc.) –, o que significa dizer que ela está bastante afastada da realidade. O mundo das Ideias é o mundo verdadeiro. Nosso mundo sensível é uma cópia desse mundo real e as artes, no geral, produze m obras que são cópias do mundo sensível. Uma obra de arte seria, assim, a cópia de uma cópia. Em seu diálogo A República, Platão trata da justiça e de sua realização no indivíduo e na cidade. Para que a cidade possa ser justa, é preciso que ela seja governada por homens justos. Para tal, eles precisa m ser bem formados. A educação exerce, portanto, um papel essencial para o sucesso de uma sociedade (infelizmente, parece que perdemos de vista essa verdade fundamental!). A educação deve ter características bem específicas, de tal modo que possa tornar virtuosos os governantes e os cidadãos. Ela visa, portanto, à virtude e nela nada pode haver que afaste os governantes do caminho da justiça e os torne viciosos. No livro II de A República, Platão discute o tipo de educação a que deve m ser submetidos os guardiões (governantes) da cidade. A melhor for mação deveria ser baseada na ginástica (γυμναστική), que educa o corpo, e na música (μουσική), que educa a alma. Dentro da categoria “música”, o filósofo inclui os discursos (histórias, poesia et c.). Estes podem s er verdadeiros ou mentirosos. A preocupação maior de Platão é que as crianças e os jovens sejam expostos a maus exemplos transmitidos pelos mitos narrados na poesia, pois estão em uma idade e m que são por um lado bastante impressionáveis, por outro, muito imaturos para julgar o que é certo ou errado. Como pudemos constatar, a crítica e mesmo a censura ao teatro e à literatura é bastante anterior ao que dirá Santo Agostinho e nada tem a ver com a “novidade” do cristianismo. Questões de ordem política, social e filosófica estão na base de tais procedimentos, muito antes de qualquer aspecto religioso que o cristianismo possa ter introduzido no cerne do problema. A literatura pode ser um meio de corrupção das crianças e dos adolescentes. Santo Agostinho tece uma crítica idêntica à de Platão, que mencionou a “ descrição errônea da natureza dos deuses e dos heróis”. Homero, ao mostrar os deuses comportando-se de maneira imoral, oferece um péssimo modelo a ser seguido. Não poucos pensarão que, se u m deus pode agir de tal modo, então não haverá nada repreensível no que ele faz. E, assim, as maiores torpezas são apresentadas como modelos de virtude e muitos agirão de modo impróprio, levados pelos sentimentos despertados pelas belas palavras do poeta. A beleza da linguagem torna palatável e até mesmo delicioso o pior dos vícios. Ele cita Cícero, o qual dizia que Homero atribuía aos deuses os vícios humanos, mas que seria melhor que manifestasse aos homens as perfeições divinas. No entanto, conclui Agostinho, o que Homero fez foi divinizar homens corruptos, para que suas mazelas fossem tomadas como modelos. O que aqui se diz sobre o teatro é facilmente aplicável ao entretenimento que mais tem feito sucesso entre nós: a televisão. De fato, esta é a versão contemporânea do teatro antigo. Nela encontramos vários espetáculos de tipo cênico: novelas, filmes, seriados. Assim como no tempo de Agostinho, muitos hoje são extremamente dependentes do prazer que tira m da televisão. As novelas, em particular, exercem o mesmo tipo de fascínio e os mesmo resultados. Os espectadores conversam diariamente sobre o que está se passando nelas e vivenciam o jogo cênico como se fosse algo real.
UERJ