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119 1.120 Questões Resolvidas e Comentadas - Português 462.Estas e as duas próximas questões referem-se ao seguinte texto: Sete Quedas por nós passaram E não soubemos amá-las E todas sete foram mortas E todas sete somem no ar, Sete fantasmas, sete crimes Dos vivos golpeando a vida Que nunca mais renascerá. (Carlos Drummond de Andrade) Por “fantasmas” ,no texto, há de entender-se: a. entes sobrenaturais que aparecem aos vivos. b. imagens dos que já não existem. c. imagens da culpa que iremos carregar. d. imagens que assombram e causam medo. e. frutos da imaginação doentia do homem. 463.No texto da questão 462, a repetição do conectivo e tem o efeito de marcar: a. que existe uma seqüência cronológica de fatos. b. uma insistência exagerada no conectivo. c. que existe uma continuidade de fatos, fiel aos acontecimentos. d. que existe uma implicação natural de conseqüência dos dois últimos fatos em relação ao primeiro. e. que existe uma coordenação entre as três orações. 464.No texto da questão 462, quando o autor diz: “sete crimes Dos vivos golpeando a vida Que nunca mais renascerá.” percebe-se que sua mágoa se dirige principalmente: a. à insensata violação do princípio de continuidade natural da vida pelos representantes vivos de uma espécie. b. ao fim das Sete Quedas, decisão impensada dos vivos. c. à impossibilidade de substituir, no futuro, o espetáculo de beleza da vida presente. d. à perda cada vez maior dos bens naturais pelos brasileiros. e. aos verdadeiros crimes que o homem comete em nome do progresso. 465.Esta e a próxima questão referem-se ao seguinte texto: A verdade da poesia é a verdade que comove. Quando Newton diz que a matéria atrai a matéria na razão direta das massas, isso é uma verdade científica que pode ser aferida. Agora, quando Hegel diz que o concreto é a soma de todas as determinações, isso é uma verdade filosófica que não pode ser aferida como a da ciência. Mas quando Drummond diz: “como aqueles primitivos que carrega- vam consigo o maxilar inferior de seus mortos e eu te carrego comigo tardes de maio”, não é verdade, mas é bonito demais, não é? Se você for aferir no nível da verdade, essa frase não vale nada. O que é que sustenta essa frase? É que ela comove. Esse é o conteúdo da poesia. (Ferreira Gullar, Revista Veja)