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208 imagens em seguimento sobre o assunto. É claro que, como toda fonte histórica dos sé- culos XVI e XVII, esse documentário constrói um acervo de procedência histórica a ser in- vestigado e contestado de acordo com outros recursos da história para verificar a sua vera- cidade (...) O relato faz de tudo para reforçar o nacionalismo brasileiro, apesar de tratar de uma época na qual o Brasil ainda não é vista como uma nação e sim como colônia e seria uma extensão das posses do governo metro- politano de Portugal, e as pessoas que esta- vam no Brasil ainda não se reconhecem como brasileiros, e legalmente o país ainda não estava formado (...) Além disso, omite-se a crise entre a Companhia de Jesus e os Bandei- rantes na formação de São Paulo, por causa da proibição da escravização dos nativos.” Balbino, David de Oliveira. O cinema como objeto de análise : os desdobramentos e debates históricos por trás de “Os bandeirantes”, um filme do INCE e de Humberto Mauro (1940) / David de Oliveira Balbino. – 2017. O filme Os Bandeirantes, produzido na déca- da de 1940, por Humberto Mauro, até hoje recebe críticas sobre a forma coma que trata a atividade bandeirante dos séculos XVI, XVII e XVIII. As críticas presentes no texto sobre a repre- sentação histórica nesse filme consistiam em a) escolher alguns heróis nacionais em detri- mento de outros que tiveram uma participa- ção muito mais significante no processo his- tórico brasileiro. b) admoestar a direção do filme por não ter se preocupado com a estética do filme cometen- do anacronismos em seu roteiro. c) problematizar os valores nacionalistas pre- sentes no filme e condenar heroísmo do mo- vimento das bandeiras no período colonial brasileiro. d) corrigir os erros de conteúdo do roteiro, já que os bandeirantes não fizeram parte do pe- ríodo colonial e sim do período republicano. e) enfatizar o papel protagonista do regime var- guista como responsável pelo desenvolvimen- to do cinema nacional da década de 40. 40. O Brasil havia sido independente, para todas as intenções e propósitos, desde 1808; desde 16 de dezembro de 1815 o Brasil fazia parte de um reino unido, em pé de igualdade com Portugal. O que estava em jogo no início da década de 1820 era mais uma questão de mo- narquia, estabilidade, continuidade e integri- dade territorial do que revolução colonial. MAXWELL, Kenneth. Por que o Brasil foi diferente. In: MOTA, Carlos Guilherme (org..). Viagem Incompleta – A experiência Brasileira. S.P.: Editora Senac São Paulo, 2000. A charge e o texto apontam para um movi- mento de revisionismo em torno do processo brasileiro de independência, questionando os marcos desse momento histórico a partir do fato de que: a) se questiona a noção de ruptura tradicional- mente atribuída a independência por consi- derarem que houve um movimento maior de continuidade. b) se nega uma possível melhora da condição de vida do escravo, pois a escravidão ainda de- mora 66 anos para ser abolida. c) se afirma ter ocorrido, em vez de um processo gradual de independência a partir do ano de 1808, um movimento totalmente iniciado na década de 1820. d) se questiona os reais impactos da Revolução Liberal do Porto para o processo de indepen- dência brasileiro, atribuindo total responsabi- lidade aos acontecimentos dentro do Brasil. e) se relaciona 1822 com 1808, sendo esta uma grande inovação da historiografia recente pois até então os dois processos eram anali- sados de forma dissociada. 41. O recrutamento forçado de mão-de-obra livre, para os serviços do Exército e da Marinha, existia desde o princípio da guerra, só que, dada a premência e a falta de braços livres, pouco a pouco começou-se a recrutar forçada- mente o escravo como praça. A questão é re- levante: passou-se a admitir o risco de retirar das unidades produtoras escravistas um ele- mento imprescindível ao sistema econômico. SOUSA, Jorge Prata de. Escravidão ou morte: Os escravos brasileiros na Guerra do Paraguai. Rio de Janeiro: Mauad: ADESA, 1996. Durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), a questão do contingente militar sempre foi objeto de debates. As necessidades por novas convocações para o conflito se faziam cons- tantes e em 1865, surgiram os “Voluntário da Pátria”, como eram denominadas as uni- dades militares em meio a esse esforço de reforço do efetivo em termos numéricos. O texto destacado faz menção a uma proble- mática nesse sentido, que dialoga com o(a): a) cenário de insatisfação geral quanto às con- vocações arbitrárias, o que revolta parcelas importantes da elite brasileira, revoltosas com as convocações dos seus jovens.