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209 b) ausência de um sentimento patriota quanto à importância de se lutar numa Guerra pelo seu país, que explica a baixa adesão de voluntá- rios para as tropas. c) as dificuldades de se retirar um escravo do campo de trabalho para reforçar as tropas mi- litares, tendo em vista a sua importância para o sistema econômico. d) o pouco interesse de escravos em fazer parte dos “voluntários da pátria” pela falta de ga- rantias após o seu retorno da Guerra. e) a pouca credibilidade que o Exército Brasilei- ro transmitia, o que justificava os déficits nos efetivos militares, por não haver uma grande mobilização nacional de esforço de guerra. 42. Pergunte ao Criador (pergunte ao Criador) Quem pintou esta aquarela Livre do açoite da senzala Preso na miséria da favela Será Será que já raiou a liberdade Ou se foi tudo ilusão Será, oh, será Que a lei áurea tão sonhada Há tanto tempo assinada Não foi o fim da escravidão Hoje dentro da realidade Onde está a liberdade Onde está que ninguém viu ... (Estação Primeira de Mangueira , 100 Anos de Liberdade, Realidade Ou Ilusão, 1988) Apenas em 2089, daqui a pelo menos 72 anos, brancos e negros terão uma renda equivalente no Brasil. A projeção é da pes- quisa “A distância que nos une - Um retrato das Desigualdades Brasileiras” da ONG britâ- nica Oxfam, dedicada a combater a pobreza e promover a justiça social. (OLIVEIRA, Tory. Seis estatísticas que mostram o abismo racial no Brasil. Disponível em: ) Tanto o samba enredo da Escola de Samba Primeira de Mangueira de 1988, que lhe ga- rantiu o segundo lugar, e o trecho de uma reportagem redigida para a Carta Capital, auxiliam para a reflexão em torno das con- sequências da escravidão para a população negra, 100 ou 130 anos depois da Lei Áurea. Sobre tal cenário, é correto inferir que: a) a Lei Áurea não teve grande eficácia prática, pois a população negra nunca se tornou livre. b) atualmente, a condição do negro já se equi- para, ou se equiparará em breve tendo em vista as políticas públicas. c) não existe hoje no Brasil uma preocupação por parte do Estado para com a desigualdade entre brancos e negros, que se abstém de interferir nessas questões de cunho social. d) a condição de vida do negro hoje, no geral, em nada avançou desde 1888, pois as desi- gualdades e preconceitos permaneceram. e) os mais de 100 anos de libertação dos es- cravos não foram capazes de equiparar as situações de negros e brancos, já que foram mais de 300 anos de escravidão que deixa- ram profundas marcas. 43. TEXTO I [...] logo após a Proclamação da República iniciaram-se os trabalhos da comissão res- ponsável por elaborar a primeira consti- tuição republicana que foi promulgada em 1891. O artigo 70 definiu os eleitores que podiam se alistar e, apesar, de não mencio- nar nominalmente as mulheres no texto, o documento excluía os eleitores do sexo fe- minino. (MAIA, Andrea Casa Nova; CARDOSO, Luciene Carris; SANTOS, Vicente Saul Moreira dos. Lições do tempo: temas em história e historiografia do Brasil Republicano. Rio de Janeiro. 7 Letras, 2016) TEXTO II Chamando o repórter de “cidadão”, o preto justificava a revolta: era para “não andarem dizendo que o povo é carneiro. De vez em quando é bom a negrada mostrar que sabe morrer como homem!”. [...] O mais impor- tante era “mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo.” (CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo. Companhia das Letras. 1987) Considerando os dois textos, é possível con- cluir que a noção de cidadania durante a Pri- meira República era a) restrita, tanto em termos de direitos políti- cos quanto civis b) igualitária, contemplando os indivíduos in- dependente de sua condição c) parcial, pois a escravidão permanecia pre- sente na letra da lei d) racista, porque excluía juridicamente os ne- gros do direito ao voto e) ampla, eliminando o voto censitário e esten- dendo o sufrágio a todos 44. [...] a revolta começou em nome da legítima defesa dos direitos civis. Despertou simpa- tia geral, permitindo a abertura de espaço momentâneo de livre e ampla manifestação política, não mais limitada à estrita luta contra a vacina. Desabrocharam, então, vá- rias revoltas dentro da revolta. Caminhou a conspiração militar-Centro das Classes Operárias, que buscava derrubar o governo; os consumidores de serviços públicos acer- taram velhas contas com as companhias; a