TELECOMUNICAÇÕES
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muitos casos, temos um limite máximo de 1200 bps para transmissão de dados sob uma rede telefônica comutada. Isto ocorre pois taxas de erro superiores a um em 100.000, ou mesmo entre 1 em 100.000 a 1 em 200.000 são inaceitáveis para a maioria dos sistemas. Contudo, muitas redes conseguem \u201csobreviver\u201d a linhas com altas taxas de erro. Isto ocorre dada à tendência dos erros ocorrerem em bursts (isto é, bits de erro não são randomicamente distribuídos; entretanto, bursts de erros são randomicamente distribuídos).
	Quando os dados são transmitidos em blocos, o tamanho destes influencia diretamente no número de retransmissões devidas a erro necessárias. Isto ocorre pois um bloco com um bit errado é tão inútil quanto um bloco com 10 ou 15 bits errados. Assim, se nós temos, digamos, 100 impulsos de ruído de um bit de comprimento distribuídos randomicamente sobre um dado período, podemos ter 100 blocos de dados afetados. Se o mesmo número de impulsos de ruído são agrupados em um determinado número de bursts, sobre o mesmo período de tempo, nós temos um número significativamente menor de blocos afetados.
3. CONDICIONAMENTO DA LINHA
	Os vários ruídos presentes na linha telefônica são causados por chaveamentos nas centrais telefônicas e, também, por influências externas, tais como relâmpagos, falhas de alimentação, forças elétricas e magnéticas associadas com outras linhas ou equipamentos. Ruídos impulsivos na linha telefônica geralmente ocorrem um bursts, com tendência a ocorrerem randomicamente. [Erros podem ocorrer sistematicamente (isto é, a intervalos regulares) ou de alguma outra forma previsível (tal como uma falha de hardware), sempre causando um padrão de erro particular. Por causa da sua natureza previsível, erros sistemáticos são tratados mais facilmente que erros randômicos.]
	Quando nós dedicamos uma linha e a temos permanentemente conectada entre terminal e computador, torna-se possível \u201cby-passar\u201d o equipamento de chaveamento da central telefônica e, desta forma, reduzir substancialmente a quantidade de ruído na linha. Ainda, como a linha estará dedicada a esta aplicação, podemos efetuar medidas de performance na mesma e adicionar componentes elétricos para alterar suas características. Este processo, conhecido como condicionamento, melhora as características da linha e, conseqüentemente, reduz a taxa de erro. Desta forma, podemos utilizar taxas de transmissão maiores (tal como 9600 bps) com taxas de erro aceitáveis.
	O processo de condicionamento somente pode ser aplicado a linhas dedicadas. Isto ocorre uma vez que o processo de seleção de linha na central telefônica é randômico e, desta forma, não podemos conhecer exatamente quais as características da linha a ser utilizada e, conseqüentemente, quais os componentes que devem ser adicionados de forma a melhorar as características da mesma.
4. EQUALIZAÇÃO
	Modems modernos são capazes de monitorar a condição da linha e do sinal recebido e automaticamente neutralizar certas variações do comportamento normal. Este processo é conhecido como equalização, sendo hoje, freqüentemente, um processo automático. Os resultados obtidos pela equalização não são tão bons quanto àqueles obtidos pelo condicionamento da linha. Entretanto, transmissões a 4.800 bps sobre uma linha telefônica comutada tem sido conseguida.
5. EFICIÊNCIA E REDUNDÂNCIA
	Pelas razões mostradas acima podemos afirmar que \u201cerros são inevitáveis em qualquer sistema de comunicação real\u201d. Assim, devemos dispor de meios que permitam diminuir os efeitos destes erros no sistema. Tais meios são os códigos detectores/corretores de erros.
	Através da utilização destes códigos conseguimos taxas de erros tão baixas quanto queiramos (porém sempre um número finito), bastando para isto que tenhamos um alto grau de redundância. Note entretanto que um alto grau de redundância significa uma baixa eficiência, pois teremos uma grande parcela de bits \u201cextras\u201d (redundantes) transmitidos. Assim, para a definição do código a ser utilizado, devemos adotar uma solução de compromisso entre eficiência e taxa de erros, sendo que esta solução depende fortemente das características do sistema. Por exemplo, um sistema que transmite textos é menos vulnerável a erros que um sistema de transmissão de dados financeiros e, portanto, pode utilizar um código mais simples (com menor taxa de redundância).
	Falamos muito no parágrafo anterior de eficiência e redundância, vamos agora definí-las formalmente:
- EFICIÊNCIA = (Bits de informação transmitidos)/(Total de Bits transmitidos) * 100%.
- REDUNDÂNCIA = 100% - Eficiência %.
	Olhando para essas definições podemos observar que, quanto maior for a redundância menor a eficiência, mas, por outro lado, maior a confiabilidade obtida (uma vez que teremos uma menor taxa de erros não detectados). Assim, temos de adotar um compromisso entre eficiência e confiabilidade, compromisso este que se norteará pelas características do sistema.
6. DETECÇÃO DE ERRO
	A detecção de erro pode ser feita pelo próprio operador, quando utilizamos a técnica de eco (como veremos mais tarde) ou de forma automática (que é a tendência nos sistemas modernos). A detecção e/ou correção automática minimiza a intervenção do operador e resulta em uma melhoria na performance do sistema, uma vez que se elimina o tempo de reação relativamente longo que é natural às pessoas.
	A detecção automática é implementada através da utilização de códigos detectores de erro, que se baseiam, comumente, na metodologia apresentada na figura a seguir.
Figura 12.2 - Metodologia de check de erros.
	Os códigos detectores de erro simplesmente determinam se ocorreu um erro na transmissão, não possibilitando a correção automática do mesmo [4]. Assim, estes códigos não previnem quanto a ocorrência de erros e sim quanto a ocorrência de erros não-detectados.
	A ação tomada quando um erro é detectado depende do sistema. Por exemplo, se as transmissões são de dados tomados por amostragem para um processo estatístico qualquer, os dados detectados como incorretos podem ser descartados sem maiores conseqüências para o resultado. O mais comum, entretanto, é a solicitação de uma retransmissão dos dados detectados como incorretos. Ainda, no sistema com retransmissão dos dados, uma importante questão a ser definida é o \u201cprotocolo\u201d de retransmissão. Os três tipos básicos de protocolos para retransmissão são [3]: stop-and-wait, go-back-N e selective-repeat.
	No protocolo stop-and-wait o terminal aguarda uma resposta de reconhecimento da mensagem transmitida e, caso esta resposta seja negativa, retransmite a mensagem. Este protocolo apresenta uma grande simplicidade de implementação e é normalmente utilizado em sistemas onde a espera pela confirmação após cada mensagem não acarrete uma perda elevada de eficiência (sistema de TEF, por exemplo). Ainda, como teremos mensagens trafegando em apenas um sentido de cada vez, podemos utilizar uma linha half-duplex.
	No protocolo go-back-N o terminal envia mensagens consecutivamente sem aguardar mensagem de reconhecimento do receptor. Quando uma mensagem é detectada errada, o receptor informa ao terminal, através de um canal de retorno, e o mesmo retransmite todas as mensagens a partir daquela detectada como errada.
	Finalmente temos o protocolo selective-repeat, que apresenta como diferença relativamente ao protocolo go-back-N o fato do terminal repetir apenas aquela mensagem detectada incorreta. A primeira vista isto pode representar uma vantagem inquestionável com relação ao protocolo anterior. Entretanto o receptor neste caso deve ser capaz de reordenar as mensagens recebidas, uma vez que a mensagem retransmitida chegará fora de sua ordem normal, o que pode caracterizar uma desvantagem.
7. CORREÇÃO DE ERROS
	A correção de erros pode ser implementada através de códigos detectores e protocolos de retransmissão, como discutido acima, ou através de códigos corretores de erros. A correção através da retransmissão da(s) mensagens é a forma mais segura de se efetuar a correção,