DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade
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adjetivo penal permite a prolação dessa interlocutória mista
terminativa, devendo a expressão "fase do processo" ser interpretada no sentido de "fase da persecução
penal" (Cf. Fernando Capez, Curso, cit., 3. ed., p. 129.).
Perdão judicial na Lei n. 9.807, de 13 de julho de 1999 (Lei de Proteção às Testemunhas): o art. 13
da referida lei cuida da "proteção aos réus colaboradores", dispondo sobre novas hipóteses de perdão
judicial:
"Poderá o juiz, de ofício ou a requerimento das partes, conceder o perdão judicial e a conseqüente
extinção da punibilidade ao acusado que, sendo primário, tenha colaborado efetiva e voluntariamente com
a investigação e o processo criminal, desde que dessa colaboração tenha resultado:
I - a identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação criminosa;
II - a localização da vítima com a sua integridade física preservada;
III - a recuperação total ou parcial do produto do crime.
Parágrafo único. A concessão do perdão judicial levará em conta a personalidade do beneficiado e a
natureza, circunstâncias, gravidade e repercussão social do fato criminoso".
Requisitos para o benefício:
a) condições subjetivas:
a.1) voluntariedade da participação: a colaboração pode ocorrer ainda
que por sugestão de terceiro, pois não se exige a espontaneidade do ato;
a.2) primariedade;
a.3) personalidade recomendável por parte do agente;
b) condições objetivas:
b.1) colaboração efetiva com a investigação e o processo criminal: significa que da colaboração do
acusado, como, por exemplo, a indicação do esconderijo onde se encontra a vítima, advenha
efetivamente o resultado almejado pela norma, como a localização da vítima com sua incolumidade física
preservada. Deve, portanto, estar presente o nexo causal entre ambos;
b.2) identificação dos demais co-autores: devem ser identificados "todos" os participantes para que o
acusado obtenha o benefício legal;
b.3) localização da vítima com sua incolumidade preservada: não basta que tenha sido encontrada com
vida, pois se exige que não tenha sofrido maus-tratos ou lesões corporais. A lei fala em localização da
vítima, no singular; contudo, se houver mais de uma vítima, a localização de apenas uma delas, caso, por
exemplo, se encontrem em locais diversos, não permite a concessão do benefício legal ao colaborador
(Nesse sentido: Damásio E. de Jesus, Perdão judicial/colaboração premiada, IBCCrim, set. 1999, p. 5.).
b.4) recuperação total ou parcial do produto do crime;
b.5) natureza, circunstâncias, gravidade e repercussão social do fato criminoso compatíveis com a
medida, a critério do juiz.
Tais requisitos são alternativos ou cumulativos? Entendemos tratar-se de requisitos alternativos, bastando
que o réu colaborador satisfaça um ou outro, pois há casos em que alguma dessas situações pode não
estar presente. Com efeito, ao se entender que tais requisitos são cumulativos, a aplicação desse benefício
legal estaria muito restrita, na medida em que, em primeiro lugar, dificilmente o acusado lograria preencher
simultaneamente os requisitos objetivos (dentre eles a identificação dos demais participantes; localização
da vítima com sua incolumidade preservada; recuperação do produto do crime); em segundo lugar, nem
todos os delitos comportam o atendimento conjunto dessas condições objetivas, em face de sua
descrição típica. Com efeito, Damásio E. de Jesus, ao sustentar que eles são alternativos, ensina que "a
tese da coexistência dos requisitos restringe a aplicação da dispensa da pena ao crime de extorsão
mediante seqüestro (Código Penal, art. 159), único que, em face de sua descrição típica, permite
conjuntamente 'a localização da vítima com a sua integridade física preservada' e a 'recuperação total ou
parcial do produto do crime'. Qual outro delito admite a cumulação das duas circunstâncias? Cremos que
nenhum. Poder-se-á falar em roubo. De ver-se, contudo, que se a vítima precisa ser localizada com sua
integridade física preservada parece claro que não se cuida de roubo e sim de extorsão mediante
seqüestro. Poderá ser lembrado o crime de seqüestro (Código Penal, art. 148). Mas o tipo menciona o
'produto do crime' (inciso III). Se há 'produto do crime', cuida-se de extorsão mediante seqüestro e não
de simples seqüestro" (Perdão judicial/colaboração premiada, IBCCrim, cit., p. 5.).
Natureza da infração penal que admite a medida: o art. 13, III da Lei n. 9.807, de 13 de julho de 1999,
menciona "crime"; no entanto, o faz porque o Código Penal não cuida, evidentemente, das contravenções.
Por essa razão, a expressão deve ser interpretada no sentido de infração penal. Se o benefício é
permitido para o mais grave (crime), não há razão vedá-lo ao minus (contravenção).
Iniciativa da aplicação da medida: do juiz de ofício ou mediante requerimento das partes.
Fato gerador: colaboração efetiva e voluntária do agente com a investigação e o processo criminal, desde
que tenha resultado: a) a identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação criminosa; b) a
localização da vítima com a sua integridade física preservada; c) a recuperação total ou parcial do
produto do crime.
Sujeito ativo da colaboração: o texto fala em "acusado" (art. 13, caput da Lei n. 9.807, de 13 de julho de
1999), porém entendemos que a norma se estende também ao indiciado. A lei disciplina o perdão judicial
a ser aplicado na sentença de mérito, daí o emprego do termo "acusado". Em assim sendo, a colaboração
pode ser do "investigado", "indiciado" ou "réu", não exigindo a lei que tenha sido ameaçado (art. 15 da
Lei n. 9.807/99) e que tenha sido admitido no Programa de Proteção pelo Conselho Deliberativo (arts. 5º
e 6º da Lei n. 9.807/99) (Nesse sentido: Damásio E. de Jesus, Perdão judicial/colaboração premiada,
Boletim IBCCrim, cit., p. 4.).
Concurso de Pessoas: inadmissibilidade da extensão pessoal: por se tratar de circunstância pessoal, o
perdão judicial é incomunicável, não se estendendo aos demais participantes do crime. Desse modo,
difere, nesse aspecto, o perdão judicial das hipóteses de desistência voluntária, arrependimento eficaz e
arrependimento posterior (CP, arts. 15 e 16). Damásio E. de Jesus faz a seguinte diferenciação: "na
desistência voluntária e no arrependimento ativo (art. 15), opera-se a atipicidade do fato, que não pode
subsistir típico para os outros participantes. No arrependimento posterior (art. 16), o sujeito,
pessoalmente, 'repara o dano' ou 'restitui o objeto material', circunstâncias consideradas objetivas e, por
isso, comunicáveis. No art. 13 da lei especial, entretanto, não há 'desistência voluntária' de execução do
delito e nem 'arrependimento' impeditivo do resultado. Trata-se de crime consumado. E não há
'restituição do produto do crime' por parte do agente, mas voluntária 'colaboração' em sua recuperação.
Inexiste, também, restitutio in integrum da vítima por parte do sujeito. Circunstância pessoal, é
incomunicável (art. 30 do Código Penal)" (Boletim IBCCrim, cit., p. 4.).
Concurso de Pessoas: número de participantes (co-autores e partícipes): o inciso I do art. 13 exige que a
colaboração do acusado tenha resultado na identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação
criminosa. Diante da redação do dispositivo legal conclui-se que o fato deve, no mínimo, ter sido
cometido por três agentes, pois só assim será possível ao colaborador identificar os "demais" co-autores
ou partícipes. Incabível, portanto, a colaboração no caso da prática de crime por tão-somente dois
participantes. Contudo, nesta hipótese, poderá incidir a causa de redução da pena prevista no art. 159, §
4º, do Código Penal, em se tratando de crime de extorsão mediante seqüestro.
Momento para a concessão do benefício legal: assim como o perdão judicial previsto no Código Penal, o
benefício legal da Lei n. 9.807/99 também suscitará dúvidas quanto à oportunidade para a sua concessão.
Para uma corrente, o perdão judicial somente poderá ser concedido quando da prolação da sentença de
mérito; para outra, será possível a sua aplicação