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2015 Metodologia do ensino de ginástica escolar Profa. Rafaela Liberali Profa. Simone Aparecida Pereira Vieira Copyright © UNIASSELVI 2015 Elaboração: Profa. Rafaela Liberali Profa. Simone Aparecida Pereira Vieira Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 796.41 L695m Liberali, Rafaela Metodologia do ensino de ginástica escolar/ Rafaela Liberali; Simone Aparecida Pereira Vieira. Indaial : UNIASSELVI, 2015. 216 p. : il. ISBN 978-85-7830-937-4 1. Ginástica – Aptidão Física. I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. Impresso por: III apresentação Bem-vindo à disciplina Metodologia do Ensino da Ginástica Escolar. Esse é o nosso Livro Didático, material elaborado com o objetivo de contribuir para a realização de seus estudos e para a ampliação de seus conhecimentos sobre a ginástica escolar, caracterizando o movimento humano e aprofundando o conhecimento sobre a ginástica no ambiente escolar, e proporcionar reflexão sobre outras perspectivas de sua aplicação no espaço educacional em geral. Ao longo da leitura deste Livro Didático, você irá adquirir conhecimento sobre os valores fundamentais que permitam ao profissional desenvolver atividades de ginástica na escola mediante um maior entendimento da criança na compreensão do seu movimento, do seu corpo, para que possa usá-lo com maior inteligência, autonomia, responsabilidade e sensibilidade. Compreender a estrutura e o funcionamento corporal e a investigação do movimento humano, nas diversas técnicas e modalidades de ginástica escolar. Neste Livro Didático, você, futuro educador, encontrará condições para vivenciar, através da prática da ginástica, um meio de aprendizagem necessário para o desenvolvimento, aperfeiçoamento e compreensão, proporcionando consciência da sua manifestação pessoal e cultural, respeito, autoestima, valor integral, soberania, igualdade, subjetividade e empatia, de maneira ampla e com condições de ofertar à sociedade um trabalho educativo com qualidade. Desejo a você um bom trabalho e que aproveite ao máximo o estudo dos temas abordados nesta disciplina. Bons estudos e sucesso! Professora Rafaela Liberali Professora Simone Vieira IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos! UNI V VI VII UNIDADE 1 – RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR .............................................................1 TÓPICO 1 – CONCEITUAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DOS TERMOS EDUCAÇÃO FÍSICA E GINÁSTICA ..................................................................................................3 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................3 2 A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E A GINÁSTICA .................................................................3 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................5 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................9 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................10 TÓPICO 2 – CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA ...................................................15 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................15 2 SÍNTESE DA CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA GINÁSTICA: DA PRÉ-HISTÓRIA À IDADE MÉDIA ...............................................................................................................................15 3 SÍNTESE DA CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA GINÁSTICA: DO RENASCIMENTO ATÉ ATUALMENTE ...........................................................................................................................33 4 INCLUSÃO DA GINÁSTICA ESCOLAR .....................................................................................48 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................55 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................59 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................60 UNIDADE 2 – PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR ............................................................................................65 TÓPICO 1 – A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR ...........................................................67 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................67 2 VALÊNCIAS FÍSICAS TRABALHADAS NA GINÁSTICA ...................................................67 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................102 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................105 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................106 TÓPICO 2 – CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR ..........................109 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................109 2 GINÁSTICA CIRCENSE ...................................................................................................................109LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................146 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................149 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................150 suMário VIII UNIDADE 3 – METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS ..........................................................................................................153 TÓPICO 1 – GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR....................................155 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................155 2 OS CAMPOS DE ATUAÇÃO DA GINÁSTICA ..........................................................................155 3 GINÁSTICA ESCOLAR (PRÉ-ESCOLA AO ENSINO MÉDIO) ..............................................159 4 ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO ENSINO DA GINÁSTICA NA ESCOLA ........................163 5 COMO DAR UMA AULA DE GINÁSTICA ESCOLAR? ...........................................................170 6 AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E NA GINÁSTICA ................................175 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................180 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................183 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................184 TÓPICO 2 – PESQUISA EM GINÁSTICA NA ESCOLA ..............................................................187 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................187 2 PESQUISA EM GINÁSTICA ...........................................................................................................187 2.1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA OU SISTEMÁTICA .....................................................................187 2.2 PESQUISA DE CAMPO DESCRITIVA .......................................................................................188 2.3 PESQUISA DE CAMPO EXPERIMENTAL................................................................................190 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................197 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................199 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................200 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................203 1 UNIDADE 1 RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você será capaz de: • diferenciar os conceitos de educação física e de ginástica e suas peculiaridades; • reconhecer, caracterizar e localizar a história da ginástica e sua inserção no ambiente escolar. Esta unidade está dividida em dois tópicos. Em cada um deles, você encontrará atividades que o ajudarão a fixar os conhecimentos abordados. TÓPICO 1 – CONCEITUAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DOS TERMOS EDUCAÇÃO FÍSICA E GINÁSTICA TÓPICO 2 – CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 CONCEITUAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DOS TERMOS EDUCAÇÃO FÍSICA E GINÁSTICA 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, você verá que a ginástica está inserida no contexto da educação física. Faz parte como conteúdo e elementos fundamentais para serem trabalhados na educação física escolar. 2 A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E A GINÁSTICA A educação física, como qualquer outra disciplina, na escola, tem responsabilidade na concretização do processo de formação e desenvolvimento de valores e atitudes, por meio de aulas educativas, com lugar para discussão e reflexão sobre cada situação ou fato ocorrido e, também, focar no desenvolvimento de várias práticas corporais além dos esportes, como a dança, a ginástica geral, jogos e lutas (GUIMARÃES et al., 2001). Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 1998) da educação física, a ginástica está inserida dentro de um bloco de conteúdos denominado esportes, jogos, lutas e ginásticas. Segundo Brasil (1998, p. 70-71), As ginásticas são técnicas de trabalho corporal que, de modo geral, assumem um caráter individualizado com finalidades diversas. Por exemplo, pode ser feita como preparação para outras modalidades, como relaxamento, para manutenção ou recuperação da saúde ou ainda de forma recreativa, competitiva e de convívio social. Envolvem ou não a utilização de materiais e aparelhos, podendo ocorrer em espaços fechados, ao ar livre e na água. Cabe ressaltar que são um conteúdo que tem uma relação privilegiada com o bloco conhecimentos sobre o corpo, pois nas atividades ginásticas esses conhecimentos se explicitam com bastante clareza. Atualmente, existem várias técnicas de ginástica que trabalham o corpo de modo diferente das ginásticas tradicionais (de exercícios rígidos, mecânicos e repetitivos), visando à percepção do próprio corpo: ter consciência da respiração, perceber relaxamento e tensão dos músculos, sentir as articulações da coluna vertebral. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 4 O endereço on-line a seguir mostra os PCN e sua abordagem na educação física. Se você quiser saber mais sobre ginástica escolar, acesse os PCN (1998). <http://cptstatic.s3.amazonaws.com/pdf/cpt/pcn/volume-08-educacao-fisica.pdf>. DICAS A vida, nos grandes centros urbanos, impõe enormes restrições à atividade física espontânea da criança. Assim, a prática regular de atividade física na escola se torna uma necessidade para as crianças e uma fonte preciosa de saúde, que promove o melhor crescimento e desenvolvimento do praticante (BARROS NETO, 1997). Assim, a educação física, no cenário escolar, passou a ser identificada como componente curricular integrado ao projeto político-pedagógico da escola (KUNZ, 2001). Veja o vídeo no link a seguir que aborda uma reflexão e sensibilização sobre as aulas de educação física nas escolas. <https://www.youtube.com/watch?v=foVvpAvJ0LE>. DICAS Na próxima unidade, você acompanhará a trajetória da história da ginástica escolar e sua inserção na escola, construída de uma maneira clara para uma leitura tranquila. ESTUDOS FU TUROS TÓPICO 1 | CONCEITUAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DOS TERMOS EDUCAÇÃO FÍSICA E GINÁSTICA 5 Leia parte da entrevista com Débora Didonê, dada à Revista Nova Escola, sobre “Ginástica como faz de conta”. Em creches e pré-escolas, o trabalho corporal é acompanhado de muita brincadeira. Só assim ela faz sentido para os pequenos. Se quiser visualizar a entrevista na íntegra, veja o conteúdo disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/0-a-3-anos/ginastica-faz- de-conta-423003.shtml>.Acesso em: 10 set. 2015. Entrevista: “Sou a dona Aranha! Vou pegar essas mosquinhas e prendê-las na minha teia!” Essa é a deixa da professora Camila Sandoval de Andrade para que a turminha de 1 e 2 anos corra e se remexa pela sala. Com um bicho feito de cordas nas mãos, ela brinca de pega-pega com os “insetos”. Quem é capturado acompanha a dona Aranha para onde ela for. Afinal, fica grudado em sua teia! As crianças da Escola Sá Pereira, no Rio de Janeiro, nem percebem que estão fazendo ginástica durante essa atividade. Mas, de que ela é divertida, eles não têm dúvida! Na Educação Infantil, a brincadeiraé o mais importante – inclusive durante as atividades corporais. Por meio de tarefas lúdicas, os pequenos experimentam diferentes maneiras de andar, correr, pular e se esticar, aprendendo inclusive a interagir com os colegas. Para os mais velhos, de três anos, Camila propõe uma variação da brincadeira. Ela forma uma roda com todos sentados no chão e, com um rolo de barbante na mão, aponta para alguém e fala: “Se eu fosse uma aranha, subiria até o céu”. Sua auxiliar vai desenrolando o fio até chegar à criança, que diz: “Eu iria até o fundo do mar...” e aponta para outro coleguinha. Assim, atravessando a roda de lá para cá, o barbante forma uma grande teia, fixada em diferentes pontos da sala. Cantarolando (leia a letra da música acima), a meninada engatinha por baixo da teia e passa entre os fios, dançando e se equilibrando. Assim, todos aprimoram a destreza nos movimentos. Cada um tem seu ritmo Durante as atividades, a professora faz avaliações individuais. Esse acompanhamento é essencial para conhecer cada um e respeitar seus limites. Sabe-se que com três meses o bebê sustenta a cabeça; com cinco vira o corpinho no berço; com seis já fica sentado; e com um ano começa a andar. Mas isso não é regra. “Quem não se encaixa nesse padrão não tem necessariamente um problema”, diz a professora de Educação Física Márcia Simão, de Florianópolis. Por isso, é importante saber se os pequenos moram em casa ou apartamento, se são levados para passear no parque ou se tiveram algum tipo de doença que possa ter afetado seu desenvolvimento. “Assim, o professor compreende as necessidades de cada um e pensa em estímulos para favorecer a evolução deles”, explica o médico Abelardo Bastos Pinto Júnior, da Sociedade Brasileira de Pediatria. LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 6 Para observar a turma de três anos, a professora Adelir Pazetto Ferreira, do Núcleo de Educação Infantil Coqueiros, da rede municipal de Florianópolis, faz um convite. “Vamos dançar rock’n ‘roll?” (Leia a letra da música acima). Acompanhando a cantiga, todos formam uma roda, sacodem os braços, as pernas e a cabeça, giram sobre o próprio eixo, põem a mão na cintura e rebolam. Numa animação só, a turma levanta um dos braços e grita “hey!” para finalizar o remelexo. Apesar de acharem divertido, nem todos conseguem fazer os movimentos. “Alguns só observam antes de participar”, conta Adelir. Para encorajá-los, ela chama cada um pelo nome e mostra como se faz, só na curtição. A competição ensina O momento da brincadeira é ideal para incentivar o respeito entre os colegas, principalmente quando há a ideia de competição. “Eles precisam perceber que estão dando o seu melhor, independentemente de estarem numa competição”, explica a professora Sandra Santos da Silva Jacques. Ela costuma organizar circuitos com grupos de cinco anos no Colégio Miró, em Salvador. Numa das disputas que mais fazem sucesso, dois grupos, de pés descalços, têm de correr até o outro lado do corredor para colocar os sapatos antes do adversário. “Se alguém está muito lento, precisa ouvir gritos de estímulo e nunca vaias”, ensina Sandra. Na etapa em que é preciso carregar água num copo descartável de café, o desafio é aliar rapidez e equilíbrio. Divididos em duas filas adversárias, os pequenos levam o líquido até o outro lado da sala, o despejam em um recipiente e voltam correndo, dando a vez a outro colega. Sandra deixa que eles experimentem várias velocidades. Dessa forma, os alunos percebem que, quando correm muito, a água pode ser derrubada. “A prática adequada pede que o professor corrija sem apontar o erro como algo negativo”, afirma Carol Kolyniak, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Como cada um aprende de um jeito, é preciso modificar as formas de orientação. “Além de reproduzir um movimento feito pelo adulto, às vezes a criança precisa ouvir, passo a passo, como fazê-lo”, explica. Quando necessário, Camila, da Sá Pereira, dá uma orientação individualizada ao grupo de um a três anos. As crianças assistem a um vídeo com a música A Velha a Fiar, sobre uma confusão entre a senhora do título e diversos bichos - mosca, gato, cachorro, boi etc. Cantarolando, imitam os animais, aprimorando suas formas de expressão. Se ficam em dúvida no meio da brincadeira e perguntam: “Como se faz o boi?”, Camila logo relembra o gesto. Todos participam Observar a garotada brincando na hora do recreio é uma boa maneira de conhecer melhor o grupo. “Se alguém nunca topa participar de uma atividade, pode estar acontecendo uma exclusão pelos colegas”, alerta a professora Márcia, de Florianópolis. Além disso, tanto o educador quanto a família precisam TÓPICO 1 | CONCEITUAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO DOS TERMOS EDUCAÇÃO FÍSICA E GINÁSTICA 7 informar quando uma criança se apresenta frequentemente triste e reclusa, para que ambos possam ajudá-la. A falta de estímulo ocorre também por dor ao repetir determinados movimentos. Para Kolyniak, o que causa mais problemas são as atividades de impacto, como correr e pular. “A orientação é alinhar o pé, o joelho e o quadril da criança. Se ela corre com o pé para fora, pode forçar o joelho para dentro”, explica. Para correr com conforto, o ideal é olhar para a frente e alternar os braços. É importante evitar a repetição de um só movimento na mesma aula e não permitir que os pequenos carreguem caixas e brinquedos que estejam acima de 10% do próprio peso. Com esses requisitos atendidos, a garotada terá um bom desenvolvimento muscular e motor e, acima de tudo, uma infância bem vivida. Inclusão Truques para não deixar ninguém de fora Carol Kolyniak propõe uma adaptação para que cegos participem da atividade da teia de aranha, desenvolvida na Escola Sá Pereira, no Rio de Janeiro. O professor pode pegar na mão da criança e ajudá-la a sentir os fios e se movimentar entre eles, bem como orientá-la a erguer a perna para pulá-los ou se abaixar para passar por baixo deles. Depois de algum tempo, ela ganha autonomia na atividade. A etapa do circuito com água, proposta no Colégio Miró, de Salvador, pode ser adaptada ao cadeirante. Se ele se movimenta bem com a cadeira, pode movê-la com uma mão e carregar o copo com a outra. Se isso não for possível, ele leva o copo e um colega empurra a cadeira. Mesmo nesse caso, a habilidade do equilíbrio é desenvolvida. O colega que empurra, por sua vez, precisa observar se a velocidade é adequada. Além disso, o trabalho conjunto pede o diálogo durante a brincadeira. Os dois interagem para encontrar a melhor fórmula de acelerar sem perder o equilíbrio. Brincadeira com movimento... - Aprimora gestos e ritmos corporais. - Estimula a descoberta dos limites do corpo. - Sensibiliza para o convívio com os colegas. O Elefante na Teia de Aranha Um elefante Se pendurou Numa teia de aranha Mas quando viu Que a teia resistiu Foi chamar outro elefante... UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 8 (Repetir a letra com dois elefantes, depois com três, sucessivamente, até alcançar o número de crianças da classe.) Eu Danço Rock’n’roll Eu danço rock’n’roll, Eu danço rock’n’roll, Assim é bem melhor, hey! (Dançar em círculo, girar no próprio eixo e bater uma palma.) Eu boto a mão direita dentro, Eu boto a mão direita fora, Eu boto a mão direita dentro E eu sacudo ela agora (Sacudir a mão dentro e fora do círculo. Repetir a letra e a dança com mão esquerda, pé direito, pé esquerdo, cabeça e bumbum.) 9 Neste tópico você viu que: • A educação física tem responsabilidade na concretização do processo de formação e desenvolvimento de valores e atitudes. • A ginástica está inserida no PCN (1998) da Educação Física. • A ginástica está inserida em um bloco de conteúdos denominado esportes, jogos, lutas e exercícios físicos. RESUMO DO TÓPICO 1 10 Agora responda às questões a seguire teste seu conhecimento. Questão 1 – QUESTÃO 41 do Concurso da Educação Física, São Paulo. De acordo com Valter Bracht, parte da dificuldade para responder à questão “O que é educação física?” está relacionada com a maneira de interpretar a própria pergunta. Afinal, queremos saber o que acontece hoje, nas escolas, durante as aulas de educação física, analisando seus pontos positivos e negativos (situação real), ou queremos saber o que deveria acontecer nas aulas de educação física, preocupados com a garantia da qualidade de ensino (situação ideal). Acerca do texto acima, julgue os itens seguintes de acordo com as ideias de Valter Bracht. I- Manuel Sérgio adota a mesma posição de Valter Bracht diante dessa questão, ou seja, preocupa-se em analisar a situação real da educação física escolar brasileira, quando afirma que a superação da crise de identidade envolve a discussão epistemológica sobre a necessidade de se caminhar em direção a uma ciência da motricidade humana. II- A análise da educação física, como fenômeno, deve concentrar-se na questão sobre o que a educação física é (situação real), ou seja, identificar que tipo de atividades têm sido desenvolvidas nas aulas de educação física e questionar se essas atividades contribuem para a formação do tipo de homem que se deseja. III- A melhoria na qualidade de ensino de educação física escolar depende da realização de um programa de capacitação dos professores centrado na divulgação das novas técnicas e na atualização dos conhecimentos científicos acerca do funcionamento do corpo humano. IV- A análise da educação física como fenômeno requer, em um primeiro momento, o distanciamento da questão sobre o que a educação física deveria ser (situação ideal), ou seja, não existe atualmente uma teoria capaz de revolucionar a educação física e resolver o problema da falta de reconhecimento social. Estão certos apenas os itens: a) I e II. b) I e III. c) II e IV. d) III e IV. Fonte: Disponível em: <https://site.pciconcursos.com.br/provas/11081246/735504f24f36/ sesisp_013_13.pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. AUTOATIVIDADE 11 Questão 2 – QUESTÃO 42 do Concurso da Educação Física, São Paulo. João Paulo Medina, em seu livro A educação física cuida do corpo... e “mente”, adota os princípios da teoria de Paulo Freire para distinguir três graus de consciência das pessoas em relação às possibilidades de interpretar e atuar no mundo. O primeiro nível de consciência, intransitiva, caracteriza aqueles indivíduos que vivem sintonizados no atendimento básico de suas necessidades biológicas de sobrevivência, permanecendo completamente alheios às questões de ordem política e social. O segundo nível de consciência, transitiva ingênua, caracteriza os indivíduos que buscam entender a realidade política que os cerca, mas adotam interpretações simplistas dos problemas, próprias do senso comum, que se baseia na experiência e nos preconceitos, apesar de estarem conscientes de que o jogo político interfere na nossa existência, procuram participar dele de forma a garantir a defesa de seus interesses pessoais. O terceiro nível de consciência, transitiva crítica, caracteriza os indivíduos que se reconhecem como sujeitos de seus próprios atos, adotando uma postura crítica em relação às estruturas de poder e às injustiças sociais, mostrando-se dispostos a lutar pela transformação da realidade em prol do bem comum. De fato, uma distinção clara entre os três níveis de consciência é quase sempre impossível de fazer. Há pessoas que podem assumir posturas críticas em determinadas situações e ingênuas em outras. Mas a caracterização de cada nível de consciência serve de referencial para entendermos a posição que temos diante da realidade. De acordo com as ideias de João Paulo Medina, assinale a opção correta: a) A conquista de níveis de consciência mais lúcida, capazes de permitir que o indivíduo entenda e se posicione diante dos condicionamentos políticos e sociais, depende da capacidade de se estabelecer um diálogo entre as pessoas, pautado em atitudes de amor, humildade, esperança e confiança, paralelo à disposição das pessoas para servir e dar testemunho. b) Em vez de fazer parte de um projeto pedagógico a ser construído em cada situação concreta, as verdadeiras propostas práticas de trabalho em educação física devem contemplar informações técnicas e científicas sobre a melhor maneira de alcançar determinados objetivos, ou seja, em vez de dialogar sobre os valores e objetivos que todos os participantes do processo aceitam conscientemente, a instrumentação do professor depende da capacidade de apresentar uma série de exercícios ou um método de treinamento. c) Considerando que as questões políticas exerçam influência sobre a maneira de ser de cada indivíduo, elas devem ficar ausentes das preocupações pedagógicas. De acordo com Moacir Gadotti, o educador deve ser capaz de separar o ato pedagógico do ato político, mesmo sabendo que existe uma dimensão pedagógica da ação política e uma dimensão política da ação pedagógica. 12 d) Para ser legítima, a ação pedagógica da educação física tem de, necessariamente, ser um projeto pautado em conteúdos nos quais o professor possui larga experiência e nas atividades que ele gosta muito de fazer. Fonte: Disponível em: <https://site.pciconcursos.com.br/provas/11081246/735504f24f36/ sesisp_013_13.pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. Questão 3 – QUESTÃO 52 do Concurso da Educação Física, São Paulo. João Batista Freire, ao discutir se a educação física deveria se dedicar à educação do movimento, à educação pelo movimento ou à educação para o movimento, termina por afirmar que, na sua opinião, a educação física deve ser, na verdade, educação de corpo inteiro. De acordo com as teorias de João Batista Freire, assinale a opção correta. a) A educação física não deve ser entendida como uma educação do movimento, pois seus objetivos curriculares não estão relacionados diretamente com a aquisição de habilidades motoras ou o desenvolvimento da destreza corporal. b) Como a sociedade atual enfatiza acentuadamente a dimensão do fazer, a educação física deve contribuir para desenvolver a aptidão corporal das crianças, preparando-as adequadamente para corresponder às exigências e interesses do mercado de trabalho. c) A educação física deve-se afirmar como uma educação pelo movimento, considerando que as experiências corporais podem servir de base para outras aquisições mais elaboradas, que envolvem aspectos intelectuais, emocionais e sociais. d) A educação física centrada na educação para o movimento, dirigida para o corpo em uma dimensão predominantemente biológica, aproxima-se da perspectiva humanista, pois a pessoa, vista como sujeito, está no foco da ação pedagógica. Fonte: Disponível em: <https://site.pciconcursos.com.br/provas/11081246/735504f24f36/ sesisp_013_13.pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. Questão 4 – QUESTÃO 1 do Concurso da Educação Física, Pernambuco. De acordo com os PCN da Educação Física, ao final do Ensino Fundamental os alunos devem ser capazes de: I - Adotar atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade em situações lúdicas e esportivas, repudiando qualquer espécie de violência. II- Treinar para competições, de forma que alcancem o alto nível para representar o país em competições internacionais. III - Conhecer a diversidade de padrões de saúde, beleza e estética corporal que existem em diferentes grupos sociais, compreendendo sua inserção dentro da cultura em que são produzidos. 13 IV - Reconhecer-se como elemento integrante do ambiente, adotando hábitos saudáveis de higiene, alimentação e atividades corporais, relacionando-os com os efeitos sobre a própria saúde e de melhoria da saúde coletiva. V - Participar de treinamentos esportivos, reconhecendo o esporte como um fenômeno social que tem suas vertentes voltadas para a performance. Estão de acordo com os PCN as afirmações: a) I, IV e V. b) II, III e IV. c) II, IIIe V. d) III, IV e V. e) I, III e IV. Fonte: Disponível em: <https://site.pciconcursos.com.br/provas/22815197/a6a68fa9654d/ pv_professor_de_educacao_fisica.pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. Questão 5 – QUESTÃO 2 do Concurso da Educação Física, Pernambuco. No trabalho pedagógico com a Educação Física a partir da perspectiva pedagógica proposta pelos PCN, três aspectos devem ser levados em consideração: a) Princípio da progressão social; o movimento como meio e fim da educação física; a matriz biológica. b) Princípio da inclusão; as dimensões dos conteúdos (atitudinais, conceituais e procedimentais); os temas transversais. c) Fases do movimento motor; dimensão da aptidão física; os temas sociais. d) Blocos de conteúdo; a educação psicomotora; as abordagens críticas. e) Ensino do mundo da cultura; as dimensões sociais do esporte; o projeto político pedagógico. Fonte: Disponível em: <https://site.pciconcursos.com.br/provas/22815197/a6a68fa9654d/ pv_professor_de_educacao_fisica.pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. Questão 6 – QUESTÃO 3 do Concurso da Educação Física, Pernambuco. De acordo com os PCN, é tarefa da educação física escolar, EXCETO: a) Garantir o acesso dos alunos às práticas da cultural corporal. b) Contribuir para a construção de um estilo pessoal. c) Oferecer instrumentos para que os alunos sejam capazes de apreciar os conteúdos criticamente. d) Abordar os conteúdos de forma aleatória, tendo em vista que os alunos trazem consigo poucas experiências relativas ao conhecimento sistematizado. 14 e) Oportunizar aos alunos para que desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva. Fonte: Disponível em: <https://site.pciconcursos.com.br/provas/22815197/a6a68fa9654d/ pv_professor_de_educacao_fisica.pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. Questão 7 - QUESTÃO 13 do concurso da educação física, Pernambuco. A partir da promulgação da Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), a educação física caracteriza-se: a) Como componente curricular. b) Como matéria biológica. c) Como atividade física, esportiva e recreativa. d) Como ensino do corpo e da mente. e) Como disciplina extracurricular. Fonte: Disponível em: <https://site.pciconcursos.com.br/provas/22815197/a6a68fa9654d/ pv_professor_de_educacao_fisica.pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. Questão 8 - QUESTÃO 15 do Concurso da Educação Física, Pernambuco. A educação física trata, na escola, de uma área denominada: a) Cultura corporal. b) Aptidão física. c) Cultura humana. d) Prática esportiva generalizada. e) Educação, esporte e lazer. Fonte: Disponível em: <https://site.pciconcursos.com.br/provas/22815197/a6a68fa9654d/ pv_professor_de_educacao_fisica.pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. 15 TÓPICO 2 CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste tópico você entenderá a trajetória histórica da ginástica até os dias atuais e sua inserção no ambiente escolar. Iniciaremos contando a história desde os primórdios da civilização e como ela vem acompanhando a evolução da sociedade, principalmente no ambiente escolar. A ginástica, para Ramos (1982, p.15), “vem da Pré-história, afirma-se na Antiguidade, estaciona na Idade Média, fundamenta- se na Idade Moderna e sistematiza-se nos primórdios da Idade Contemporânea”. 2 SÍNTESE DA CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA GINÁSTICA: DA PRÉ-HISTÓRIA À IDADE MÉDIA A palavra ginástica, de acordo com Ayoub (2003), advém do grego Gymnastiké, que significa a arte de fortificar o corpo e dar-lhe agilidade. Esse termo reflete as perspectivas historicamente direcionadas à prática da ginástica pelo homem ao longo da história. Para Ramos (1982), a ginástica era entendida como a prática do exercício físico, que na pré-história tinha papel relevante para sua sobrevivência, expressando principalmente a necessidade vital de atacar e defender-se, possuindo o caráter utilitário, sendo transmitido através das gerações. Podemos observar, nas figuras a seguir, que a ginástica na Pré-história se tratava de uma exercitação espontânea e ocasional, que possuía um caráter natural, utilitário, guerreiro, ritualístico e recreativo e objetivava a luta pela vida, os ritos e cultos, a preparação para a guerra, as ações competitivas entre tribos e as práticas recreativas (OLIVEIRA & NUNOMURA, 2012). UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 16 FIGURA 1 – HOMENS PRÉ-HISTÓRICOS EM ATITUDES DE ATAQUE E DEFESA FONTE: Disponível em: <http://i.ytimg.com/vi/OXzt_1w0qF4/hqdefault.jpg>. Acesso em: 10 set. 2015. FIGURA 2 – HOMENS PRÉ-HISTÓRICOS EM ATITUDES DE ATAQUE E DEFESA FONTE: Disponível em: <https://sites.google.com/site/historiaeducacaofisica/_/ rsrc/1380599367754home/pre_historia_1%5B1%5D.jpg?height=371&width=398>. Acesso em: 10 set. 2015. Veja o vídeo no link a seguir que mostra a atividade física na Pré-história.<https:// www.youtube.com/watch?v=C13_sm3qw6k>. DICAS TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 17 O exercício físico utilitário e sistematizado de forma rudimentar era transmitido de uma geração a outra, por meios dos jogos, rituais e festividades (PARRA, SANTANA, LIMA, 2010). Na Antiguidade, Ramos (1982) cita que a prática de exercícios ocupou um lugar de destaque nas civilizações orientais e do novo mundo. Egípcios, assírios, babilônios, hititas, persas, chineses, japoneses e os índios pré-colombianos utilizavam a ginástica como objeto de culto, recreação e preparação guerreira. Na China, mais ou menos 3000 a.C., um imperador guerreiro, Hoang Ti, pensando no progresso do seu povo, pregava os exercícios físicos com finalidades higiênicas e terapêuticas, além do caráter guerreiro (COSTA, 1998). FIGURA 3 – MILITARES CHINESES PRATICAVAM UM JOGO QUE NA VERDADE ERA UM TREINO MILITAR FONTE: Disponível em: <http://img.historiadigital.org/2014/04/Futebol-Historia- Tsu-Chu.jpg> Acesso em: 10 set. 2015. Na Índia, os exercícios físicos eram tidos, no começo do primeiro milênio, como uma doutrina por causa das "leis de Manu", uma espécie de código civil, político, social e religioso. Eram indispensáveis às necessidades militares, além do caráter fisiológico. Buda atribuía aos exercícios o caminho da energia física, pureza dos sentimentos, bondade e conhecimento das ciências para a suprema felicidade do Nirvana (no budismo, estado de ausência total de sofrimento). A yoga tem suas origens na mesma época, retratando os exercícios ginásticos no livro Yajur Veda, que, além de um aprofundamento da Medicina, ensinava manobras massoterápicas e técnicas de respirar (COSTA, 1998). UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 18 FIGURA 4 – EXERCÍCIOS GINÁSTICOS NO LIVRO "YAJUR VEDA, YOGA” FONTE: Disponível em: <http://www.nucleosattva.com.br/servicos_arquivos/aula01. jpg>.Acesso em: 10 set. 2015. Veja os vídeos nos links a seguir que mostram a história da yoga. <https://www.youtube.com/watch?v=3DFVOvCWzN0>. <https://www.youtube.com/watch?v=s_15soE_eHU>. DICAS No Japão, a educação física era quase sempre ligada aos fundamentos médico-higiênicos, fisiológicos, morais, religiosos e guerreiros. A civilização japonesa também tem sua história ligada ao mar devido à posição geográfica, além das práticas guerreiras feudais, os samurais (COSTA, 1998). TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 19 FIGURA 5 – SAMURAIS, ELITE GUERREIRA DO JAPÃO FEUDAL FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_6VNuFjuhuQM/SoQozx8rk_I/ AAAAAAAAABg/LJQGxc62kbE/s320/OgAAALhWrUhNUCrd7mqW4YZRHVzwguYxHm gHV6RcTM3x8ISdycfrDPN3PReOm7mSwSQ78PraP4pQSbxkuCoQDNLNPNgAm1T1 UKHmrg-ufZkTawJ_Z6R_ONpUto1o.jpg>.Acesso em: 11 set. 2015. FIGURA 6 – SAMURAIS, ELITE GUERREIRA DO JAPÃO FEUDAL FONTE: Disponível em: <http://www.ipcdigital.com/wp-content/uploads/2015/07/ photo_04-596x384-custom.jpg>. Acesso em: 11 set. 2015. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 20 Veja os vídeos nos linksa seguir que mostram os samurais, sua história e costumes. <https://www.youtube.com/watch?v=0Z0EybcIwmQ>. <https://www.youtube.com/watch?v=rg0cUXcB7y4>. <https://www.youtube.com/watch?v=gb_sPe02Gug>. DICAS No Egito, dentre os costumes existiam os exercícios gímnicos, revelados nas pinturas das paredes das tumbas, em que era valorizado o que se conhece hoje como qualidades físicas, tais como: equilíbrio, força, flexibilidade e resistência. Já usavam, embora de forma rudimentar, materiais de apoio, como troncos de árvores, pesos e lanças (COSTA, 1998). FIGURA 7 – EXERCÍCIOS GÍMNICOS REVELADOS NAS PINTURAS DAS PAREDES DAS TUMBAS FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/_QZXB-LgPkaA/S5mZ8XZzmXI/ AAAAAAAAAFA/7oKnJWwvdEY/s320/image013.jpg>.Acesso em: 11 set. 2015. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 21 FIGURA 8 – EXERCÍCIOS GÍMNICOS NAS PINTURAS DAS PAREDES DAS TUMBAS FONTE: Disponível em: <http://esquizofia.files.wordpress.com/2011/08/egyptian- painting-in-the-british-museum.jpg>. Acesso em: 11 set. 2015. A civilização da Grécia, através da sua cultura, marcou e desenvolveu a educação física, por meio de nomes como Sócrates, Platão, Aristóteles e Hipócrates, que contribuíram atribuindo conceitos até hoje aceitos na ligação corpo e alma através das atividades corporais e da música (GOMES, 2010). Os gregos valorizavam não só a ginástica pedagógica, mas também a popular e a militar. Os sistemas metodizados e em grupo, assim como os termos halteres, atleta, ginástica, pentatlo, entre outros, são uma herança desse povo. As atividades sociais e físicas eram uma prática até a velhice, lotando os estádios destinados a isso (COSTA, 1998). FIGURA 9 – HOMENS EM PREPARAÇÃO GUERREIRA FONTE: Disponível em: <http://s3.amazonaws.com/magoo/ ABAAAfhSEAB-6.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 22 FIGURA 10 – HOMENS EM PREPARAÇÃO GUERREIRA FONTE: Disponível em: <http://historiablog.files.wordpress.com/2009/09/ancientgames. jpeg>.Acesso em: 14 set. 2015. Veja os vídeos nos links a seguir que mostram a simulação de jogos na Grécia e a vida dos atletas. <https://www.youtube.com/watch?v=2yl0JmXm2RM>. DICAS Na Grécia antiga, para Platão e Aristóteles, a ginástica: FIGURA 11 – GINÁSTICA PARA PLATÃO E ARISTÓTELES Plano educacional = jovens praticariam a ginástca entre os 7 a 16 anos. Entre 17 a 20 tinham treinamento para exercícios militares. O ginasta era um teórico e o pedotribia um prático. Formação do corpo antes do espírito. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 23 Há pouco mais de 15 séculos, no ano de 393, o imperador bizantino Teodósio I, o Grande, varria do mapa a maior competição atlética do planeta, os Jogos Olímpicos. Celebrados desde 776 a.C. às margens do rio Alfeu e dedicados aos deuses gregos, os Jogos, que congregavam cidadãos dos diversos estados do mundo helênico, entraram na temida lista de "cultos pagãos" e tiveram sua realização sumariamente proibida pelo soberano cristão (VEJA, 1896). O infausto decreto foi apenas mais uma das estocadas forasteiras no destino livre da Grécia, berço da civilização e da cultura ocidental. Assolada por guerras, desvirtuada por invasores, molestada por celerados, a nação de Aristóteles, Sócrates e Platão só se desgarraria do jugo estrangeiro neste século, quando a Guerra de Independência de 1821 libertou a Grécia do Império Otomano. Com a liberdade, porém, veio o desafio de recuperar um país quebrado e desmoralizado pela milenar submissão, tarefa hercúlea, como os gregos vêm dolorosamente percebendo ao longo das últimas décadas (VEJA, 1896). FIGURA 12 – O RENASCIMENTO DA FESTA DOS ESPORTES: OS GREGOS E SEUS CONVIDADOS PARTICIPAM DA CERIMÔNIA DE ABERTURA, ENTRE OS DIAS 6 E 15 DE ABRIL DE 1896 FONTE: Disponível em: <http://veja.abril.com.br/historia/olimpiada-1896/_img/imagens_ edicao/capa1.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 24 FIGURA 13 – A EMOCIONANTE PROVA DOS 100 METROS RASOS: DISPUTA PACÍFICA ENTRE NAÇÕES FONTE: Disponível em: <http://veja.abril.com.br/historia/olimpiada-1896/_img/ imagens_edicao/capa2.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. Veja os vídeos nos links a seguir que mostram a história das Olimpíadas. <https://www.youtube.com/watch?v=xa10pWiWk8g>. <https://www.youtube.com/watch?v=oBeIwFExTS0>. <https://www.youtube.com/watch?v=V2XYVI4A3bA>. DICAS Em Atenas (1896) participaram das provas 295 atletas de 13 países, esses números foram se multiplicando em uma escala geométrica até alcançar os números atuais, identificando os Jogos Olímpicos com a condição de um megaevento. Um megaevento se caracteriza por seu caráter temporal, sua capacidade de atrair um grande número de participantes de diversas nacionalidades e também por chamar a atenção dos meios de comunicação com ressonância global (RUBIO, 2005). Há 60 anos os Jogos Olímpicos deixaram de ser um evento europeu. Durante esse período os Jogos de Verão percorreram a Oceania (duas vezes), a América do Norte (quatro vezes), a Ásia (três vezes) e a Europa (seis vezes) e espera-se que eles possam chegar à África e à América Latina (RUBIO, 2005). TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 25 Em 1985, Fernando Brochado, na época presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, decidiu mudar o nome da ginástica olímpica para ginástica artística, referindo-se àquela ginástica praticada nos grandes equipamentos (seis eventos para o masculino e quatro eventos para o feminino), estabelecendo como modalidades olímpicas as seguintes manifestações esportivas de ginástica: a ginástica artística masculina, a ginástica artística feminina, a ginástica rítmica desportiva, o trampolim acrobático e a ginástica aeróbica. Desse modo, o termo ginástica olímpica estaria se referindo a qualquer uma dessas cinco manifestações esportivas da ginástica (NUNOMURA, NISTA-PICCOLO, EUNEGI, 2004). Atualmente, as competições oficiais envolvem seis provas masculinas e quatro femininas, são elas: FIGURA 14 – PROVAS OLÍMPICAS DA GINÁSTICA Provas masculinas Solo Solo Cavalo com alças Paralelas simétricas Paralelas assimétricas Trave de equilíbrioArgola Salto Salto Barra Provas femininas FONTE: Nunomura, Nista-Piccolo, Eunegi, (2004) A ginástica olímpica, modalidade esportiva mais antiga e popular do programa olímpico, se distingue pela grande variedade de movimentos dinâmicos ou estáticos, de difícil coordenação, executados em condições especiais: nos aparelhos, onde o nível dos ginastas é avaliado por um grupo de juízes, conforme os critérios de dificuldade do programa, a composição e a qualidade de execução (JOÃO & FERNANDES FILHO, 1996). UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 26 FIGURA 15 – GINASTAS OLÍMPICOS DE ANTIGAMENTE FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/thumb/f/f8/Gym_combination_2.JPG/250px-Gym_ combination_2.JPG>. Acesso em: 14 set. 2015. FIGURA 16 – GINASTAS OLÍMPICOS DE ANTIGAMENTE FONTE: Disponível em: <http://www.rio2016.com/sites/default/files/imagecache/ switcher_960x620_rounded_corners/cioc-albert_meyer_pho10002988.ori_.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 27 FIGURA 17 – GINASTAS OLÍMPICOS DE ANTIGAMENTE FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/ thumb/5/53/Weingartner.jpg/160px-Weingartner.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. FIGURA 18 – GINASTAS OLÍMPICOS DE ANTIGAMENTE FONTE: Disponível em: <http://www.medalhabrasil.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ historia_ginastica_03.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 28 FIGURA 19 – GINASTAS OLÍMPICOS 2015 FONTE: Disponível em: <http://news.portalbraganca.com.br/wp-content/uploads/2015/07/ ginastica-r%C3%ADtmica-1024x681.jpeg>.Acesso em: 14 set. 2015. FIGURA 20 – GINASTAS OLÍMPICOS 2015 FONTE: Disponível em: <http://news.portalbraganca.com.br/wp-content/uploads/2015/07/ Gin%C3%A1stica.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 29 Esta unidade trouxe um pouco sobre a história dos Jogos Olímpicos. Na próxima unidade você saberá especificamente as características de cada modalidade da ginástica artística. ESTUDOS FU TUROS A derrota militar da Grécia para Roma não impediu a invasão cultural grega nos romanos, que combatiam a nudez na ginástica. Sendo assim, a atividade física era destinada às práticas militares. A célebre frase "mens sana in corpore sano", de Juvenal, vem desse período romano (COSTA, 1998). A queda do Império Romano foi muito negativa para a educação física, principalmente com a ascensão do cristianismo, que perdurou por toda a Idade Média. O culto ao corpo era um verdadeiro pecado. Também foi chamado, por alguns autores, de "Idade das Trevas" (COSTA, 1998). Nesse momento da história, a ginástica teve um momento de decadência. Passam a existir apenas exercícios físicos, lutas e justas, com objetivos voltados para os dogmas da Igreja, sofrendo forte influência da inflexibilidade do cristianismo dominante, acarretando a concepção de corpo como instrumento do pecado, de modo que, quanto menos ativo, melhor (BERTONI, PEREIRA & PALMA, s/d.). A ginástica ou exercício físico era, nesta época, privilégio da nobreza. Desse modo, defenderiam a pátria e participariam de jogos como os Torneios de Justas aqueles que tivessem títulos de nobreza. E quanto à plebe, seus torneios populares originados na Grécia Antiga foram banidos pela Igreja, restando apenas manifestações de canto e danças (BERTONI, PEREIRA e PALMA, s/d.). Veja os vídeos nos links que mostram a simulação das justas medievales. <https://www.youtube.com/watch?v=FcOnpOCcFQU>. <https://www.youtube.com/watch?v=aZEoWtHglgg>. DICAS UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 30 A preparação militar para as Cruzadas era feita por meio de: FIGURA 21 – TREINAMENTO PARA AS CRUZADAS 4 - Marchas e corridas a pé 3 - O manejo do arco e flecha 2 - Esgrima1 - Treinamento dos cavaleiros FONTES: 1) <https://pixabay.com/pt/knight-cavalo-armadura-idadem%C3%A9dia-2651812/> 2)<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4f/Jagiellonian_Ms.Germ. Quart.16_(Gladiatoria)_09v_-_Longsword_in_armor.jpg>. 3)<http://3.bp.blogspot.com/-oxm3dXSxgKM/TVggcPYQxjI/AAAAAAAADTk/ m6OVbMHWq18/s1600/agincourt_archer.jpg>. 4) <https://idademedia.files.wordpress.com/2012/08/paliodisiena2acidademedieval.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015.> Na Idade Média houve um desenvolvimento da acrobacia, pois se apresentavam nos castelos feudais, palácios reais e nas cidades, acrobatas e equilibristas. Estes, sem dúvida, tiveram influência no desenvolvimento de técnicas de exercícios ginásticos nos períodos posteriores, principalmente com relação aos aparelhos de grande porte (OLIVEIRA e NUNOMURA, 2012). Leia a seguir os outros jogos populares da Idade Média. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 31 UNI UNI Você sabia que um dos jogos mais populares na Idade Média era a "soule", antepassado do futebol? Até os padres, após a missa dominical, se misturavam com o povo e jogavam a "soule". Esse jogo consistia em atingir com a bola de couro ou de madeira com os punhos, com os pés ou com bastões curvos, jogada de qualquer maneira, um alvo defendido pela equipe contrária. Havia “soules” entre povoados vizinhos. A vitória consistia em levar a bola até a praça do povoado adversário. Cada partida era disputada por duas equipes, mas só uma pessoa a vencia, o que explica a violência. Um documento de 1374 afirma que era preciso tomar a bola, não importava como: “o soule permitia socos, pontapés, golpes violentos à vontade”. A prática exigia, portanto, bom preparo físico. FONTE: Disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/na_idade_ media_a_igreja_condena_o_esporte_imprimir.html>. Acesso em: 15 set. 2015. Outro esporte em voga na Idade Média era o jogo da pela, ancestral do tênis moderno. Os praticantes eram essencialmente aristocratas. Em seus primórdios, consistia em lançar uma bola de couro ou lã, chamada de pela, com a palma da mão; daí o nome original em francês – jeu de paume (jogo de palma). FIGURA 22 – JOGO DA “SOULE” FONTE: Disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/img/na_idade_ media_a_igreja_condena_o_esporte_4__2012-07-26202714.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 32 Por volta do fim do século XV, a palma da mão foi substituída pela raquete ou pelo bastão. No século XV e no início do XVI, o jogo passou a ser realizado em uma quadra coberta de 25 a 30 metros de comprimento por 8 a 10 metros de largura. As partidas eram geralmente disputadas por dois jogadores, cada um procurando impedir o adversário de recuperar a bola e devolvê-la. O número de participantes, porém, podia chegar a quatro, seis ou até oito. FONTE: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/na_idade_media_a_igreja_ condena_o_esporte_imprimir.html>. Acesso em: 15 set. 2015. FIGURA 23 – JOGO DA PELA FONTE: Disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/ reportagens/ img/na_idade_media_a_igreja_condena_o_ esporte_1__2012-07-26202509.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. FIGURA 24 – EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO JOGO DA PELA, ANCESTRAL DO TÊNIS, SURGIDO NO SÉCULO XIII Fonte: Disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/ reportagens/img/na_idade_media_a_igreja_condena_o_ esporte_2__2012-07-26202531.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 33 FIGURA 25 – ACROBACIAS DA IDADE MÉDIA FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/6/67/Tiepolo,_Giovanni_Battista_-_Pulcinella_and_the_ Tumblers_-_1797.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. Agora vamos entrar em nova fase da história, com o surgimento novamente da ginástica e sua valorização. ESTUDOS FU TUROS 3 SÍNTESE DA CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA GINÁSTICA: DO RENASCIMENTO ATÉ ATUALMENTE Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para identificar o período da História da Europa que foi um importante movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou na passagem da Idade Média para a Moderna. Foi o primeiro movimento cultural motivado pela burguesia e teve seu início na Europa, na região de Florença, na Itália e, posteriormente, passou por Alemanha, Inglaterra e Países Baixos. No Renascimento a ginástica ressurgiu em vários países, recuperando o corpo macerado pelas guerras, pelos jejuns prolongados e pelos descuidos impostos pela religião, que considerava a prática corporal uma fonte de luxúria e de pecados (OLIVEIRA e NUNOMURA, 2012). UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 34 Durante o Renascimento houve o resgate da importância dos cuidados com o corpo, ressurgindo o ideal pedagógico, em que a prática de exercícios físicos e de jogos deveria ser considerada na formação dos jovens, por isso, necessários nas escolas, mesmo que ainda sem uma finalidade didática e metodologia sistematizada de cultura corporal do movimento (PEREIRA, 2007). Simbolicamente, a partir de 1453, o exercício físico na Idade Moderna, quando da tomada de Constantinopla pelos turcos, passou a ser altamente valorizado como agente de educação, com contribuição de vários pedagogos, para a evolução do conhecimento da educação física com a publicação de obras relacionadas à pedagogia, à fisiologia e à técnica, levando à sistematização da ginástica (PAOLIELLO, 2011). O corpo e a beleza física foram celebrados na arte renascentista. A mulher, antes ligada ao pecado, reapareceu, seminua e deslumbrante, em O Nascimento de Vênus, tela de Sandro Boticelli, pintadaem 1485 (MATOS, GENTILE e FALZETTA, 2004). FIGURA 26 – O NASCIMENTO DE VÊNUS, TELA DE SANDRO BOTICELLI FONTE: Disponível em: <http://www.ufrgs.br/napead/repositorio/objetos/historia-arte/ imgs/idmod/Botticelli_08.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. Michelangelo Buonarroti enfatizou a beleza do corpo masculino em Davi, escultura florentina, em 1504, e na imagem de Adão, pintada no teto da Capela Sistina entre 1508 e 1512. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 35 FIGURA 27 – DAVI DE MICHELANGELO BUONARROTI FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-FkBnrqdTX44/UZ_ IjDtahfI/AAAAAAAAADw/_fSd3pevOEk/s1600/davi+(1).jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. Leonardo da Vinci foi o maior dos “artistas-anatomistas” do Renascimento. Encheu vários cadernos com anotações e desenhos sobre o funcionamento de órgãos, ossos e músculos, que estudava dissecando cadáveres. Reproduzida à exaustão, uma das ilustrações dos diários, o Homem Vitruviano (1490), expressa o equilíbrio e as proporções da figura masculina (MATOS; GENTILE; FALZETTA, 2004). FIGURA 28 – HOMEM VITRUVIANO, DE LEONARDO DA VINCI FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/6/67/Tiepolo,_Giovanni_Battista_-_Pulcinella_and_the_ Tumblers_-_1797.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 36 O guerreiro rude deu lugar a um novo padrão masculino. Esse ideal de diversidade se manteve nos séculos seguintes, nos círculos de elite, reforçando a necessidade dos exercícios físicos. Até por volta do século XVIII acreditava-se que o corpo era apenas o resultado de uma herança genética, mas aos poucos, com o crescimento das cidades e o surgimento de novas ocupações, o físico passou a ser mais exigido. Por motivos de saúde, de higiene e de necessidade para o trabalho cada vez mais repetitivo e especializado (eram os primeiros sinais da Revolução Industrial), a prática de exercícios deveria ser estendida para a maioria da população e não se restringir ao esporte de elite. Assim, entra o corpo no século XIX (MATOS, GENTILE e FALZETTA, 2004). Com a evolução do conhecimento da prática de exercícios físicos, foram publicadas obras relacionadas à pedagogia, à fisiologia e à técnica de execução. Os jogos populares, as danças folclóricas e o atletismo eram as formas mais comuns de exercícios físicos nesse período (OLIVEIRA e NUNOMURA, 2012). Atualmente, as competições estão em alta, exigindo ao máximo a capacidade física dos atletas, com a superação de limites, quebra de recordes, vitória a todo custo. Os esportes de massa surgiram com uma série de transformações na vida urbana. A Inglaterra – cenário de mudanças desde a Revolução Industrial – foi também o berço dos esportes coletivos, tendo como origem as atividades praticadas em colégios e universidades. São elas (MATOS, GENTILE e FALZETTA, 2004): FIGURA 29 – ESPORTES COLETIVOS COM INÍCIO NA INGLATERRA Competições de barcos a remo, 1829, ano do primeiro desafio entre Oxford e Cambridge. Futebol ganhou regulamento unificado (1843) - as regras de Cambridge - e 20 anos depois passou ao controle de uma associação nacional. Boxe adotou em 1867 normas propostas pelo marquês de Queensberry. Em 1880, os ingleses fundaram uma Associação Atlética Amadora. FONTE: Matos, Gentile e Falzetta, (2004) TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 37 Rapidamente, as inovações se espalharam pelo mundo. Em 1892, o barão francês Pierre de Coubertin propôs a reedição dos Jogos Olímpicos. Em sua opinião, a "exportação de atletas" seria o "comércio livre" do futuro e um instrumento para a paz mundial. Quatro anos depois, o rei da Grécia, Jorge I, abriu os primeiros jogos da era contemporânea (MATOS, GENTILE e FALZETTA, 2004). Determinados modelos, especialmente os métodos ginásticos europeus do século XIX, constituídos a partir das diversas formas de se pensar os exercícios físicos em países da Europa, como Dinamarca, Áustria, Alemanha, França, Suécia e Inglaterra, construíram a ginástica contemporânea. Pode-se dizer que o movimento ginástico europeu é fruto do pensamento científico da época, que desejava atribuir um caráter de utilidade aos exercícios físicos, com princípios de ordem e disciplina, contribuindo assim para o afastamento da ginástica de seu núcleo primordial: o divertimento. Neste contexto, houve uma tentativa de negação das práticas populares de artistas de rua, de circo, acrobatas, entre outros, que apresentavam a ginástica como espetáculo, trazendo o corpo como centro de entretenimento (OLIVEIRA, 2007). Quatro principais escolas, a Escola Alemã, a Escola Sueca, a Escola Francesa, serviram de suporte para o surgimento dos principais métodos ginásticos, o que resultou nos três grandes movimentos ginásticos da Europa: o Movimento do Oeste na França, o Movimento do Centro na Alemanha, Áustria e Suíça e o Movimento do Norte, englobando os países da Escandinávia. E a Escola Inglesa, que se voltou para as atividades desportivas (SOUZA, 1997). A Escola Alemã era de caráter extremamente nacionalista, com o objetivo de preparar os corpos para a defesa da pátria, criando um forte espírito nacionalista para atingir a unidade, com homens e mulheres fortes, robustos e saudáveis, apoiando-se nas ciências biológicas, para desenvolver seus métodos (DODÔ e REIS, 2014). Em 1760, inspirado nas doutrinas pedagógicas de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e John Locke (1632-1704), Johann Bernard Basedow (1723-1790) iniciou um processo de estruturação, denominado Método Alemão, que posteriormente atingiu o ápice com os trabalhos de Johann Christoph Friedrich Guts-Muths (1759- 1839), Adolph Spiess (1810-1854) e Friedrich Ludwig Jahn (1778-1852) (DODÔ e REIS, 2014). Guts-Muths foi considerado o pai da ginástica pedagógica. Para ele, deveria ser organizada pelo Estado e ministrada todos os dias e para todos. Spiess preocupou-se com a inserção da ginástica nas escolas e procurou colocá- la no mesmo plano das demais disciplinas escolares. Jahn, principal responsável pela disseminação do método entre a população, trouxe ao seu sistema o caráter militarista e extremamente patriótico, chegando a criar termos próprios, como, por exemplo, a palavra Turnen, que significa ginástica (DODÔ e REIS, 2014). UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 38 Em um manual de ginástica escrito por Guts Muths, ele reconhece a importância da fisiologia como base para a elaboração do que chama de ‘‘verdadeira teoria da ginástica’’. Ele cita que uma verdadeira teoria da ginástica deveria ser elaborada baseada em princípios fisiológicos e a prática de cada exercício regulada pelas qualidades físicas de cada indivíduo, mas tal perfeição não é esperada desse trabalho, feito somente pela genuína experiência de oito anos de prática, que me convenceram de que a ginástica é necessária à educação’. (GUTS MUTHS, 1928, p. 12-13 apud QUITZAU, 2015, p. 113). Veja a seguir que a divisão dos jogos aqui exposta representa as duas classes de exercícios apresentadas por Guts Muths em seu manual de jogos. Dentro das duas classes há ainda outras subdivisões. FIGURA 30 – EXERCÍCIOS PROPOSTOS POR GUTS Tabela 1 Elementos constituintes da ginástica de Guts Muths Exercícios ginásticos Trabalhos manuais Jogosa Saltar Carpintaria De movimento sentados ou de descanso Correr Torneiro Arremessar Jardinagem Lutar Encadernação Escalar Equilibrar Levantar e carregar; exercícios para as costas; pular corda e arco Banhar-se; nadar exercícios de enrijecimento Leitura e declamação Exercício dos sentidos Fonte: Guts Muths (1928) e Guts Muths (1959). a A divisão dos jogos aqui exposta representa as duas classes de exercícios apresentados por Guts Muths em seu manual de jogos. Dentro das duas classes há ainda outras subdivisões. FONTE: Quitzau (2015) Veja os vídeos nos links a seguir que mostram a ginástica alemã: <https://www.youtube.com/watch?v=00vhq4RjQIM>.<https://www.youtube.com/watch?v=1iIwMdZecPo>. DICAS TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 39 FIGURA 31 – GINÁSTICA DE RODA ALEMÃ FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_mIt4N029Eso/S8iIrAXojlI/ AAAAAAAAABw/3L6SvCjWy7w/s1600/NiceKnickers!.jpg>. Acesso em: 17 set. 2015. FIGURA 32 – GINÁSTICA ALEMÃ FONTE: Disponível em: <http://www2.brasilalemanha.com.br/1824_antes_arquivos/ image010.jpg>. Acesaso em: 17 set. 2015. A Escola Alemã resultou na modalidade competitiva atual Ginástica Artística e “foi a base para a estruturação da “Ginástica Moderna”, que é a atual Ginástica Rítmica”. (FIORIN, 2002, p. 27 apud DODÔ e REIS, 2014). UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 40 A Escola Sueca foi idealizada por Pehr Henrick Ling (1776-1839) e possuía um caráter não acentuadamente militar, mas sim “pedagógico” e “social”, com a finalidade de extirpar os vícios da sociedade, em especial o alcoolismo, regenerar a população, gerando indivíduos fortes que pudessem ser úteis à pátria, como soldados ou trabalhadores civis (SOARES, 2004). Levando em consideração os princípios estabelecidos dentro das ciências biológicas, Ling criou exercícios livres sem aparelhos, de execução fácil e estética, além de saltos no cavalo, cambalhotas, jogos ginásticos, patinação e esgrima. Tudo associado a cantos alegres e disciplina militar (RAMOS, 1982). Uma sessão de exercícios livres era composta da seguinte forma (DODÔ e REIS, 2014): 1º - Exercícios de ordem. 2º - Exercícios de pernas ou movimentos preparatórios formando uma pequena série. 3º - Extensão da coluna vertebral. 4º - Suspensões simples e fáceis. 5º- Equilíbrio. 6º - Passo ginástico ou marcha. 7º - Movimentos dos músculos dorsais. 8º - Movimentos dos músculos abdominais. 9º - Movimentos laterais de tronco. 10º - Movimentos de pernas. 11º - Suspensões mais intensas que as do nº 4. 12º - Marchas ou movimentos de pernas, executados mais rapidamente que os outros para preparar saltos. 13º - Saltos. 14º - Movimentos de pernas. 15º - Movimentos respiratórios. FIGURA 33 – GINÁSTICA SUECA FONTE: Disponível em: <http://ginasticasueca.zip.net/images/calistenia.jpg>. Acesso em: 17 set. 2015. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 41 FIGURA 34 – GINÁSTICA SUECA Fonte: Disponível em: <http://www.parkour.pt/site/artigos/parkour/_georges_ hebert/mn.jpg>. Acesso em: 17 set. 2015. Veja os vídeos nos links a seguir que mostram a ginástica sueca. <https://www.youtube.com/watch?v=dsNLap2jqfM>. <https://www.youtube.com/watch?v=kg3Iu5zv_JM>. DICAS “A extensão do movimento não ficou na Suécia, estendeu-se com entusiasmo por todo o mundo, principalmente aos demais países nórdicos – Dinamarca, Noruega e Finlândia” (RAMOS, 1982, p. 211). Na Dinamarca, o Método Sueco foi chamado de Ginástica Racional, por ser fundamentado e consciente de seu objetivo. Entretanto, foi considerado inapto para as necessidades e interesses da juventude dinamarquesa, por ser composto por posições rígidas. Surge, então, a Ginástica Básica Dinamarquesa, idealizada por Niels Bukh, uma Ginástica de Movimento. Assim como Ling, Bukh preocupou-se muito com a postura. Os exercícios deveriam ser diferentes para homens e mulheres e voltados para a correção de defeitos posturais oriundos do trabalho (DODÔ e REIS, 2014). Seguindo os métodos de Ling, a escola dinamarquesa difundiu a ginástica na escola e a prática pela população, porém aos poucos foi criando um novo método, pois não estavam satisfeitos com a sistematização dos exercícios. Para os dinamarqueses, o instrutor de ginástica não deveria somente sistematizar os exercícios e sim conduzir um trabalho de forma que o aluno fosse consciente UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 42 do objetivo da atividade. A ginástica dinamarquesa valorizava os movimentos naturais e sua utilização como instrumento educativo (STANQUEVISCH, 2004). Alguns exercícios propostos por Bukh (DODÔ e REIS, 2014): 1º - extensão lateral das pernas em posição acocorada nas pontas dos pés, com as mãos apoiadas no solo. 2º - separação e extensão das pernas em posição acocorada nas pontas dos pés, apoiando as mãos no solo. 3º - flexão unilateral lenta e profunda dos joelhos, em posição vertical com as pernas abertas e em colaboração com um companheiro. 4º - torsão do tronco com movimento unilateral de braço para fora em posição vertical com o tronco inclinado para a frente, as pernas abertas e os braços flexionados horizontalmente à altura dos ombros. Também inspirada na Ginástica Sueca de Ling, temos a Calistenia, que é uma série de exercícios ginásticos localizados, com fins corretivos, fisiológicos e pedagógicos, que pode integrar perfeitamente qualquer sistema ginástico. Objetivando melhorar a forma física da população, foi introduzida nas escolas americanas em 1860 por Dio Lewis. Os exercícios calistênicos foram divididos em oito grupos: de braços e pernas; para a região póstero-superior do tronco (parte superior da espádua); para a região póstero-inferior do tronco (parte inferior da espádua); para a região lateral do tronco (laterais); de equilíbrio; gerais de ombros e espáduas (Wood) ou gerais de espáduas e ombros (Skartrom); Saltos e corridas (Skarstrom) ou sufocantes (Wood) (DODÔ e REIS, 2014). FIGURA 35 – GINÁSTICA DINAMARQUESA FONTE: Disponível em: <http://s.glbimg.com/po/tt/f/original/2012/08/01/imagem17. jpg>.Acesso em: 17 set. 2015. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 43 FIGURA 36 – GINÁSTICA DINAMARQUESA FONTE: Disponível em: <http://gazetaweb.globo.com/Fotos/Noticias/030810acrobacias. jpg>.Acesso em: 17 set. 2015. Veja os vídeos através dos links a seguir que mostram a ginástica dinamarquesa. <https://www.youtube.com/watch?v=2Ggw4LBd-gs>. <https://www.youtube.com/watch?v=rIF-fHdt2oQ>. DICAS A Escola Francesa teve como principais representantes o Método Francês desenvolvido por D. Francisco de Amoros e Ondeaño (1770-1848), George Demeny (1850-1917) e o Método Natural pensado por Hébert (1875-1957) (RAMOS, 1982). A contribuição de Amoros, um militar que dá início a um trabalho de ginástica com o objetivo de educação moral dos seus alunos, tinha como ideia principal afastar a prática por entretenimento e buscar fundamentá-la em exercícios severos, rigorosos e de exigências acrobáticas (STANQUEVISCH, 2004). Demeny, discordando do método sueco de Ling, propôs exercícios ginásticos completos, arredondados e contínuos (RAMOS, 1982). Voltou-se para a saúde da mulher, combatendo hábitos elegantes, tais como cintas, salto alto, porta-seios; condenava os meios de sustentação artificiais (DODÔ e REIS, 2014). UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 44 “O método (francês) para alcançar os seus objetivos preconiza sete formas de trabalho: jogos, flexionamentos, exercícios educativos, exercícios mímicos, aplicações, desportos individuais e coletivos”. (RAMOS, 1982, p. 222). Abordava exercícios de marcha, corrida, salto, lançamentos, lutas, esgrima, utilização de pesos e halteres, ginástica de aparelhos, remo, ciclismo, natação e salvamento e desportos coletivos. Para Hébert, o avanço da tecnologia e o aumento da utilização das máquinas nos trabalhos afastavam o homem da vida natural, fazendo com que perdesse a sua virilidade. Assim, sistematizou um método baseado na vivência do homem primitivo para aplicá-lo na sociedade moderna, propondo o seu método naturalista, ou seja, uma educação física completa e utilitária, por meio de exercícios naturais completos e sintéticos, contrapondo-se aos mecanismos analíticos observados anteriormente nos métodos de Amoros e Demeny. De modo que ele sistematiza seu método pela classificação de oito grupos de exercícios distintos: “o trepar, o levantar, o lançar, a defesa natural (pelo boxe e pela luta), a natação, a marcha, a corrida e o salto”. (AZEVEDO,1960, p. 129 apud PERDOMO, 2011, p. 23). FIGURA 37 – GINÁSTICA FRANCESA FONTE: Disponível em: <http://irmaosol.files.wordpress.com/2008/10/ginastica- gondomar.jpg>.Acesso em: 17 set. 2015. TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 45 FIGURA 38 – GINÁSTICA FRANCESA FONTE: Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd174/ginastica-para-todos-nas- escolas-de-lavras-06.jpg>. Acesso em: 17 set. 2015. Veja os vídeos através dos links a seguir que mostram a ginástica francesa. <https://www.youtube.com/watch?v=r8vJYmFznDc>. <https://www.youtube.com/watch?v=w9qiqfhI09Q>. DICAS A Escola Inglesa tem o foco no esporte. O esporte moderno nasce na Inglaterra (século XIX). Foi institucionalizado com regras precisas e formas definidas. A ginástica era pouco difundida, o esporte foi considerado o grande meio para promover a educação, através de jogos esportivos: organização, regras, técnicas e padrões de conduta. Os ingleses integraram técnicas antigas do esporte oferecendo ao mundo vários esportes, como: atletismo, futebol, rúgbi, tênis, boxe, natação, patinagem desportiva. Thomas Arnold criou o esporte propriamente dito e o introduziu nas escolas. Estabeleceu regras e formas precisas de organização para as associações desportivas, os clubes universitários, e confiou a sua organização aos alunos. O esporte tinha características educacionais e socializantes, como a cooperação, a perseverança, a tomada de iniciativa, o respeito às regras e ao adversário. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 46 FIGURA 39 – GINÁSTICA NA ESCOLA INGLESA FONTE: Disponível em: <http://colegiobeneditopereiracardoso.zip.net/images/es.png>. Acesso em: 17 set. 2015. Veja os vídeos através dos links a seguir que mostram a ginástica Inglesa. <https://www.youtube.com/watch?v=kssHIOAk_nw>. <https://www.youtube.com/watch?v=wczfYypwifw>. DICAS Nesse percurso histórico e com a sistematização da ginástica e de suas modalidades, foram criadas federações e confederações que passaram a regulamentar e organizar a prática competitiva, fornecendo maior significado a definições, conceitos e finalidades (RAMOS, 1982). Para a melhor compreensão do universo da ginástica nesse contexto atual, faz-se necessário analisar sua estrutura organizacional em nível mundial. A Federação Internacional de Ginástica (FIG) é a organização mais antiga e com maior abrangência internacional na área da ginástica. Está subordinada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), sendo responsável pelas modalidades gímnicas que são competidas nos Jogos Olímpicos. É, portanto, a Federação com maior poder e influência na ginástica mundial (PAOLIELLO, 2011). TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 47 Visite a página da Federação Internacional de Ginástica (FIG). <http://www.fig-gymnastics.com/site/>. DICAS A FIG é um órgão que tem como objetivo orientar, regulamentar, controlar, difundir e promover eventos na área da ginástica. Tem sua origem nas Federações Europeias de Ginástica (Fédérations Européennes de Gymnastique – FEG), estabelecidas em 23 de julho de 1881 em Bruxelas – Bélgica, com a participação da França, Bélgica e Holanda. Apesar de reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional desde 1896, a FEG só participou como Federação Oficial de Ginástica Artística nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908 (PAOLIELLO, 2011). A FIG valida sete modalidades de ginástica: FIGURA 40 – MODALIDADES DE GINÁSTICA Ginástica Artística feminina Ginástica para Todos Ginástica Artística masculina Ginástica Aeróbica Esportiva Ginástica Acrobática Trampolim GinásticaRítmica FONTE: PAOLIELLO, (2011) UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 48 A Ginástica para Todos (GPT) é a única modalidade não competitiva. De acordo com a Confederação Brasileira de Ginástica (2006), a GPT é uma modalidade bastante abrangente. Está fundamentada nas ações gímnicas, integrando vários tipos de manifestações e elementos da cultura corporal, tais como danças, expressões folclóricas, jogos, entre outros, expressos através de atividades livres e criativas (OLIVEIRA, 2007). A GPT é uma ferramenta importante na educação, pela multiplicidade das possibilidades de expressão, universalidade de gestos e facilidade de incorporação de processos formativos e educacionais (OLIVEIRA, 2007). Segue um resumo de cada momento histórico da ginástica: FIGURA 41 – RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DA GINÁSTICA EM CADA PERÍODO HISTÓRICO Característica utilitária Pré-história Idade ContemporâneaIdade ModernaIdade MédiaAntiguidade Primeiras sistematizações dos exercícios fisícos/ginástica Preocupação com a educação; Exercícios ao ar livre Preparação militar Educação corporal, estética e características guerreiras. Praticas corporais Grécia e Roma FONTE: Oliveira, (2007). 4 INCLUSÃO DA GINÁSTICA ESCOLAR Em 1808, com a vinda da família real portuguesa, inicia-se um precário investimento na educação, organizada em educação popular e pública, em que o governo imperial, através do Ato Adicional de 1834, acrescentou na Lei da Educação Elementar, de 1827, uma estrutura educacional dividida em três níveis: instrução primária, secundária e ensino superior, competindo às assembleias provinciais e aos seus governos executivos a responsabilidade sobre os dois primeiros níveis de instrução, e ao governo imperial a estruturação do ensino superior (GOIS JÚNIOR e BATISTA, 2010). O Colégio Pedro II, fundado em 1837, com o objetivo de oferecer uma formação diferenciada à elite carioca do século XIX, introduz no ensino público fluminense as práticas da ginástica, que diferenciaram com uma formação moderna que incluía em seu currículo saberes desconhecidos dos outros colégios, como a música, desenho e a própria ginástica. O aluno formado pelo colégio recebia o título de bacharel em Letras, e poderia ingressar em qualquer curso superior do país (GOIS JÚNIOR e BATISTA, 2010). TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 49 Em São Paulo, a partir de 1835, iniciou-se o ideário de construção de uma Escola Normal, que teria o objetivo de formar o professorado paulista para a instrução primária na província. Contudo, apenas em 1843 apresentou-se à Assembleia paulista o projeto para sua criação, que foi aprovada através da Lei n° 34, de 1846 (GOIS JÚNIOR e BATISTA, 2010). A partir daí, no Brasil império, em 1851, a Lei de nº 630 incluiu a ginástica nos currículos escolares. Rui Barbosa foi um dos primeiros defensores das práticas ginásticas dentro da escola, em 1882, e já nessa época ele ressaltava a importância do cunho social, intelectual e moral da ginástica (DORNELLES, 2007). Preconizava a obrigatoriedade da educação física nas escolas primárias e secundárias, praticada quatro vezes por semana durante 30 minutos (GOMES, 2010). No entanto, é apenas a partir da década de 1920 que vários Estados da Federação começam a realizar suas reformas educacionais e incluem a educação física, com o nome mais frequente de ginástica. (BETTI, 1991). Historicamente, a ginástica aparece nos currículos escolares brasileiros marcada por princípios eugênicos, higiênicos e morais, ditados pelas regras dos militares e da classe médica. Pelo modo de se fazer educação física nas escolas e através dele é que se buscava moldar o homem desejado pela e para a sociedade naquele período (NASCIMENTO et al., 2013). O Brasil teve influência do Sistema Francês de ginástica, que tinha como pressuposto o lado físico (movimentos coordenados, ritmados e coreografados do corpo), para uma formação ética (disciplina), social (resistência às adversidades das guerras) e higiênicas (aumento da força e saúde corporal) (XAVIER e ALMEIDA, 2012). A educação física escolar, sob as orientações metodológicas da escola francesa, era baseada em exercícios calistênicos: movimentos repetitivos que trabalhavam, de forma isolada, membros superiores e inferiores. O professorindicava a forma de realização da ação motora ou demonstrava na prática, de forma que seus alunos repetissem sua execução (XAVIER e ALMEIDA, 2012). O Método Francês alinhava a formação higienista, militar e ideológica e foi a primeira metodologia legal a ser reconhecida e utilizada em currículos escolares no Brasil. Essa utilização ocorreu através do Regulamento nº 7 da Educação Física (XAVIER e ALMEIDA, 2012). A escola alemã também exerceu influência na educação, aproximando eugenia e atividade física, em que a exposição dos atletas alemães olímpicos, normalmente com um biótipo característico, induzia à percepção de uma superioridade genética (altos, fortes e rápidos), influenciando e difundindo a expansão dessa doutrina ao mundo, com reflexos diretos no Brasil (XAVIER e ALMEIDA, 2012). UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 50 A influência médico-higienista era presente na Diretoria da Instrução Pública, com inspeções técnico-escolares, onde eram averiguados, entre outras coisas, os programas e horários de ensino, bem como a Inspeção Médico-Sanitária Escolar, criada através do Decreto nº 867, do Regulamento da Instrução Pública (SANTANA, s/d). UNI O Decreto nº 867 tinha a função de estabelecer a inspeção médica dos alunos e do pessoal administrativo; vigilância higiênica das escolas e do seu material, especialmente sob o ponto de vista ortopédico; a profilaxia das moléstias transmissíveis e evitáveis; ministrar preceitos elementares de higiene aos alunos, guiando os professores nesses misteres; superintender e ensinar educação física nas escolas; estudar as condições locais, topográficas e higiênicas das escolas, cuidando da sua localização; pedir ao diretor geral o fechamento das escolas por medida de higiene e decretar suspenso o funcionamento das mesmas em casos urgentes, dando comunicação àquela autoridade; prestar ao governo e às demais autoridades superiores do ensino informes que fossem solicitados, a respeito de suas visitas ou inspeções (art. 47) (OLIVEIRA, 2004). Algumas instituições aderiram à escola sueca. Então, desde o início do século XX a ginástica se torna presente nas instituições de ensino brasileiras, sendo inserida nos currículos das escolas com o objetivo de educar o corpo das crianças na escola, abordando múltiplas propriedades: pedagógica, higiênica, educativa, social, corretiva, ortopédica, enérgica, viril, social, patriótica, disciplinadora e formadora do caráter (SANTANA, s/d). “Exercicios Physicos”, através da “Gymnastica”, integrariam os currículos dos grupos escolares do Brasil, tornando-se obrigatória, reservando-se, entre outras coisas, tempo na grade de horário, construção de locais apropriados para sua realização, separação por sexo e designação de uma pessoa responsável pelo seu ensinamento, que na maioria das vezes era um general do quartel ou a própria professora responsável pela sala de aula (SANTANA, s/d). Getúlio Vargas instituiu, por meio do Decreto nº 19.404, de 14 de novembro de 1930, o Ministério dos Negócios, Educação e Saúde, e desse modo estariam postas as bases para construir o Estado Nacional, por meio da educação que concorreria para sanear a sociedade brasileira visando a uma concepção higienista por meio da formação de homens, mulheres e crianças fortes e sadios (CORREA, 2013). TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 51 Veja alguns exemplos de fotos de ginástica na escola em 1930: FIGURA 42 – ALUNOS EM 1930, NO RIO DE JANEIRO, EM AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR FONTE: Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd172/as-influencias-das-escolas- francesa-e-alema-de-gymnastica-01.jpg>. Acesso em: 21 set. 2015. FIGURA 43 – ALUNOS EM 1930, NO RIO DE JANEIRO, EM AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/img/revistas/er/n49/a11fig06.jpg>. Acesso em: 22 set. 2015. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 52 FIGURA 44 – ALUNOS EM 1930, PORTO ALEGRE, EM AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/img/revistas/hcsm/v17n2/15f01.jpg>.Acesso em: 22 set. 2015. A partir dos anos 1980 a ginástica adotou um caráter mais pedagógico, passando a ter outros objetivos enquanto disciplina, surgindo assim um movimento de crítica a essa situação e novas tentativas de ressignificar e redimensionar a relação esporte e educação física escolar (NASCIMENTO et al., 2013). Na década de 1980 surgiram então novas abordagens pedagógicas para o ensino da ginástica, com o intuito de quebrar a hegemonia da concepção esportivista e tecnicista, com um olhar que ultrapassasse a competitividade de outras modalidades esportivas e, principalmente, das ginásticas competitivas (BEZERRA et al., 2014). Essas novas concepções gímnicas induziram a ações positivas, principalmente na educação física escolar, possibilitando aos professores oportunizarem a seus discentes, de forma mais educativa, a vivência de distintas dimensões (competitivas e apresentação) e abordagens (tradicionalista, tecnicista, educativa, lazer, saúde etc.) da ginástica. Mas muitos conteúdos continuaram não sendo ofertados aos educandos, devido à falta de preparação dos professores e à inadequação da infraestrutura escolar, em termos de espaço físico e de equipamentos específicos (BEZERRA et al., 2014). UNI Veja a relação entre ginástica e educação física, termos que você observará ao longo da leitura da história: TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 53 UNI Podemos finalizar dizendo que a ginástica no contexto escolar brasileiro se faz presente desde seus primórdios, como a disciplina responsável pela educação corporal da juventude, passando por diversas modificações. Seus objetivos, seus métodos, sua importância e presença no sistema formal de ensino foram alterados sempre de acordo com os interesses da organização social do país, chegando hoje a ser um conhecimento em via de extinção nas escolas (LISBOA; TEIXEIRA, 2012). Ginástica foi tratada como sinônima de educação física (inclusive no Brasil), principalmente devido à sua presença quase que exclusiva (e por vezes obrigatória, por leis e resoluções) como forma de exercitação sistematizada no contexto escolar. Hoje ela é um dos elementos do que chamamos de cultura corporal, pois é uma das primeiras formas sistematizadas das práticas corporais (TOLEDO et al., 2012). A educação física, presente no âmbito escolar desde 1851, foi somente em 1996, através da Lei nº 9.394/96, que passou a vigorar legalmente como um componente curricular da Educação Básica, configurando-se assim como uma disciplina com características e fins educativos, ou seja, passou a integrar a organização curricular escolar, que, aliada aos demais componentes, deveria proporcionar a formação cultural do aluno por meio da seleção, organização, sistematização e problematização de seus conteúdos, com várias práticas, desde jogos até a ginástica competitiva e não competitiva (SILVA; SAMPAIO, 2012). Segundo Zaghi, Simões e Carbinatto (2015), a ginástica deve estar inserida na EF escolar, em todo processo educativo e, especialmente, com abordagem que incentive: • criticidade • criatividade • autonomia • formação humana. Para tanto, as propostas metodológicas advindas de estudos da ginástica para todos (GPT, também conhecida como Ginástica Geral), talvez sejam as que mais se encaixam aos objetivos da escola e, através dela, abordar a ginástica em suas manifestações competitivas, demonstrativas, de condicionamento físico, entre outras. No currículo escolar tradicional brasileiro podemos encontrar manifestações da ginástica de várias linhas europeias, que se caracterizam (ALMEIDA et al., 2012): UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 54 FIGURA 45 – CONTEÚDO DA GINÁSTICA NAS ESCOLAS TRADICIONAIS GINÁSTICA Formas básicas do atletismo Formasbásicas da ginástica caminhar empurrar arremessar carregar levantarsaltar pular correr FONTE: As autoras Além dos exercícios em aparelhos, onde citamos o balançar na barra fixa, equilibrar na trave olímpica, exercícios com aparelhos manuais (salto com arcos, cordas) e diferentes formas de luta (ALMEIDA et al., 2012), também se deve abordar como conteúdo da ginástica a teoria e prática com exploração adequada de espaço; utilização de diferentes trajetórias, direções e planos, bem como a utilização dos recursos de vestimenta e maquiagem (GRILLO et al., 2007). Toda a prática pedagógica da educação física deve reconhecer a ginástica como prática constitutiva da cultura corporal, como prática social produzida pela ação humana com vistas a atender determinadas necessidades sociais, vivenciando no fazer corporal e com reflexão sobre sua significância e propósito (CASTELLANI FILHO, 1997). TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 55 LEITURA COMPLEMENTAR Leia parte da entrevista com Pierre de Coubertin dada à revista Veja em edição especial sobre as Olimpíadas, aludindo à data histórica de abril de 1986, simulando como se a publicação fosse daquela época. Ele era o secretário-geral do Comitê Olímpico Internacional e explicou os motivos que o levaram a reviver os antigos jogos gregos e ataca o envolvimento do dinheiro com a prática esportiva. Se quiser visualizar a entrevista na íntegra, acesse: <http://veja.abril.com. br/historia/olimpiada-1896/entrevista-barao-pierre-de-coubertin.shtml>. Entrevista: Nascido em 1863 no seio de uma família da aristocracia parisiense, Pierre de Frédy tinha desenhado para si uma carreira militar. Mas o jovem humanista acreditava que o poder da educação era maior do que o das armas. Recusando o destino que lhe fora traçado, tomou para si a missão de uma reforma pedagógica na França. Apaixonado pelo esporte – então visto em seu país como um inimigo mortal da intelectualidade, o Barão de Coubertin, como se tornou conhecido, visitou a Inglaterra, os Estados Unidos e o Canadá para conhecer sistemas educacionais que aliassem os exercícios físicos aos intelectuais. Convencido de seu sucesso, dedicou-se, em seu retorno à França, a fundar associações desportivas escolares e à sua organização em nível nacional. As fronteiras gaulesas, porém, já eram pequenas para Coubertin, que sonhava em retomar os antigos Jogos Olímpicos gregos. Uma competição multiesportiva internacional era uma ideia impraticável e utópica para a maioria – mas não para o teimoso francês, que, com a ajuda de alguns poucos abnegados, logrou organizar a competição em plena era moderna. Nesta entrevista, o Barão, defensor ferrenho do amadorismo nos esportes, comenta a resistência encontrada ao restabelecimento dos Jogos Olímpicos e já projeta o legado do evento para a Grécia e para o mundo: “Os Jogos Olímpicos, para os antigos, representavam a união do esporte e promoviam a paz. Não é nada visionário recorrer a eles para obter benefícios similares no futuro”. VEJA – Qual foi a intenção dos membros fundadores do Comitê Olímpico Internacional ao reviver uma instituição que esteve esquecida por tantos séculos? Coubertin – O esporte está assumindo uma importância cada vez maior a cada ano, e o papel que desempenha parece ser tão importante e duradouro no mundo moderno quanto era na Antiguidade. Mais que isso, ele reaparece com novas características, é internacional e democrático, adequado, portanto, às ideias e necessidades dos dias de hoje. Mas hoje, como antes, seu efeito será benéfico ou maléfico de acordo com o uso que dele é feito, e da direção a que é encaminhado. O esporte pode trazer à baila tanto as paixões mais nobres quanto as mais rasas; pode desenvolver as qualidades de honra e altruísmo da mesma forma que a ganância; pode ser cavalheiresco ou corrupto, viril ou bestial; por último, pode ser usado UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 56 para fortalecer a paz ou preparar para a guerra. Ora, nobreza de sentimentos, admiração pelas virtudes de altruísmo e honra, espírito cavalheiresco, energia viril e paz são as necessidades primárias de qualquer democracia moderna, seja ela republicana ou monárquica... VEJA – O senhor acredita que, após esta primeira edição, os Jogos Olímpicos realmente se solidificarão como uma competição esportiva internacional periódica? Coubertin – Com certeza. Não se trata de uma criação local e passageira, mas sim de algo universal e duradouro. Até porque o renascimento dos Jogos não é só fruto de um sonho espontâneo: é a consequência lógica das grandes tendências cosmopolitas de nosso tempo. O século XIX viu o despertar de um gosto pelos esportes em toda a parte. Ao mesmo tempo, as grandes invenções desta era, as estradas de ferro e telégrafos, permitiram a comunicação de pessoas de todas as nacionalidades. Uma relação mais fácil entre homens de todas as línguas abriu naturalmente uma esfera maior para interesses em comum. A humanidade tem começado a viver uma existência menos isolada, diferentes raças aprenderam a se conhecer e a se compreender melhor, e ao comparar seus poderes e realizações nos campos da arte, indústria e ciência, uma rivalidade nobre nasceu entre elas, impulsionando-as a conquistas ainda maiores. As Exposições Universais têm reunido em um ponto do globo os produtos de seus cantos mais remotos. Nos domínios da ciência e da literatura, assembleias e conferências vêm unindo os mais ilustres intelectuais de todas as nações. Não poderia ser de outra forma que também esportistas das mais diversas nacionalidades deveriam começar a se encontrar em território neutro. A Suíça tomou a frente ao convidar atiradores estrangeiros para participar das competições de tiro de sua federação; corridas de bicicleta vêm sendo disputadas em todas as pistas da Europa; Inglaterra e Estados Unidos têm se desafiado por mar e por terra; os mais hábeis esgrimistas de Roma e Paris têm cruzado seus floretes. Gradativamente, o esporte está se tornando mais internacional, estimulando os interesses e ampliando a esfera de ação. O renascimento dos Jogos Olímpicos se tornou possível e, posso dizer, até mesmo necessário. VEJA - Ainda assim, a competição esteve longe de ser uma unanimidade. Como foi a organização? Coubertin – Quando tive a ideia de convocar em Paris um Congresso Internacional do Esporte, em 1892, logo descobri que isso não seria possível sem alguma labuta preliminar, e me lancei com afinco nessa tarefa. Unificar os grandes clubes esportivos franceses e me comunicar com as sociedades similares de outros países era primordial, de um lado, para não oferecer a estranhos o edificante espetáculo da discórdia nacional e, de outro, para obter do exterior diversos adeptos a essa causa. Na primavera de 1893, a situação tinha melhorado tanto que já era possível convocar um congresso. Tínhamos ótima relação com Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos, e convites foram enviados a todas a sociedades esportivas no mundo solicitando-lhes que mandassem representantes para Paris, no mês de junho de 1894. A programação do Congresso foi elaborada de modo a disfarçar seu principal objetivo: o renascimento dos Jogos Olímpicos. Ela trazia apenas questões sobre o esporte em geral. Cuidadosamente, deixei de mencionar tão ambicioso projeto, receando que pudesse levantar tamanha manifestação de TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA 57 desdém e escárnio que acabasse por desencorajar, de antemão, aqueles favoráveis à ideia. Isso porque sempre que eu aludira ao meu plano em encontros em Oxford ou Nova York, ficara tristemente consciente de que minha plateia o considerara utópico e impraticável. VEJA – As coisas não mudaram nem mesmo depois do anúncio da realização do evento em Atenas, com o apoio do governo local? Coubertin – Pouco. Os comitês nacionais e internacionais estavam ocupados recrutando competidores, mas a tarefanão era tão fácil quanto se possa imaginar. Não só era preciso superar a indiferença e a desconfiança. O renascimento dos Jogos Olímpicos incitara certa hostilidade. Embora o Congresso de Paris tenha sido cuidadoso em decretar que toda forma de exercício físico praticada no mundo deveria encontrar seu lugar na programação, os ginastas sentiram-se ofendidos, acreditando não ter recebido proeminência suficiente. A maior parte das associações de ginástica de Alemanha, França e Bélgica está animada por um rigoroso espírito exclusivo. Essas associações não ficaram satisfeitas em declinar do convite para dirigirem-se a Atenas. A federação belga escreveu para as outras federações, sugerindo uma resistência orquestrada contra o trabalho do Congresso de Paris. Eles não se mostraram inclinados a tolerar a presença das modalidades atléticas que eles próprios não praticam; aquilo que desdenhosamente chamam de “esportes ingleses” se tornou, por conta de sua popularidade, especialmente odioso para eles. Felizmente, porém, outras mentes prevaleceram. VEJA – O profissionalismo parece ser cada vez mais uma realidade no esporte. Os Jogos Olímpicos, com seu caráter completamente amadorístico, são uma resposta a esse espírito? Coubertin – Sim, é fato que mais e mais um espírito mercantilista ameaça invadir os círculos esportivos. Os homens não correm ou lutam abertamente por dinheiro, mas ainda assim a tendência a um acordo lamentável se alastrou. O desejo de vencer muitas vezes não tem que ver com a simples ambição por uma distinção honrosa. E, se não desejássemos ver o esporte degenerar e acabar pela segunda vez, ele precisava ser purificado e unido. De todas as medidas que levariam a esse desejado objetivo, só uma me parecia totalmente praticável: a criação de uma competição periódica, para a qual as sociedades esportivas de todas as nacionalidades seriam convidadas a enviar seus representantes, colocando esses encontros sob a única patronagem que poderia lançar sobre eles uma aura de grandeza e glória – a patronagem da Antiguidade Clássica! Nos Jogos Olímpicos, as competições serão sempre disputadas com regulamentos amadores. Abrimos exceção para a esgrima, já que em muitos países professores de esgrima militar são soldados ranqueados. Para eles, providenciou-se um torneio à parte. Para todas as outras modalidades, somente amadores são admitidos. É impossível conceber os Jogos Olímpicos com prêmios em dinheiro. Mas essas regras, que parecem até simples, são bastante complicadas em sua aplicação prática pelo fato de que a definição do que constitui um amador difere de um país para outro – às vezes, de um clube para outro. UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA NO AMBIENTE ESCOLAR 58 VEJA – Os Jogos foram um sucesso na Grécia. A população tomou parte nas celebrações, e um sentimento de orgulho pelo passado glorioso esportivo se alastrou pelo país. Qual o legado do evento ao país? Coubertin – É fato amplamente conhecido que os gregos, durante seus séculos de opressão, haviam perdido completamente o gosto pelos esportes. O povo grego, contudo, não é acometido da indolência natural dos orientais, e estava claro que o hábito atlético, dada a oportunidade, voltaria a se enraizar facilmente entre seu povo. De fato, diversas associações de ginástica haviam se formado nos últimos anos em Atenas e Patras, e o público mostrava cada vez mais interesse em seus feitos. Era, então, um momento favorável para dizer as palavras: Jogos Olímpicos. Assim que ficou claro que Atenas auxiliaria no renascimento das Olimpíadas, uma perfeita febre de atividade muscular tomou conta de todo o reino. E isso não foi nada perto do que se seguiu depois dos Jogos. Eu vi, em pequenas vilas longe da capital, pequenos garotos praticamente sem roupas atirando pedrinhas, pulando sobre barreiras improvisadas, e dois moleques nunca se encontravam nas ruas de Atenas sem disputar uma corrida. Nada superava o entusiasmo com que os vitoriosos eram recebidos por seus conterrâneos no retorno às suas cidades natais. Eram recebidos pelo prefeito e pelas autoridades municipais, e aclamados por uma multidão carregando ramos de oliveira e de louro. Nos tempos antigos, o vencedor adentrava à cidade por uma abertura feita especialmente em seus muros. As cidades gregas já não são mais muradas, mas pode-se dizer que o esporte fez uma abertura no coração da nação. Quando se percebe a influência que a prática de exercícios físicos pode ter no futuro de um país e na força de todo um povo, fica-se tentado a imaginar se a Grécia não dará início a uma nova era a partir de 1896. VEJA – E em relação ao resto do mundo? Os Jogos cumpriram o papel que o senhor imaginava? Coubertin – É claro que, no mundo como um todo, os Jogos Olímpicos ainda não exerceram nenhuma influência, mas estou profundamente convencido de que eles o farão. Esta foi a razão para seu resgate. Como já disse, o esporte moderno precisa ser unificado e purificado. Acredito que nenhuma educação, especialmente em uma época democrática, pode ser boa e completa sem a ajuda do esporte; mas o esporte, para desempenhar seu papel educacional, precisa ser baseado em um desinteresse puro e no sentimento de honra. Foi com esse pensamento em mente que eu busquei reviver os Jogos Olímpicos. Tive sucesso depois de muito esforço. Se a instituição prosperar – e confio que, com o auxílio de todas as nações civilizadas, ela irá prosperar –, acredito que ela pode ser um fator potente, ainda que indireto, na busca da paz universal. Guerras acontecem porque as nações não compreendem erradamente as outras. Não teremos paz enquanto o preconceito que hoje separam as diferentes raças seja erradicado. Para obter este objetivo, que melhor meio do que reunir periodicamente a juventude de todos os países para disputas amistosas de força muscular e agilidade? Os Jogos Olímpicos, para os antigos, representavam a união do esporte e promoviam a paz. Não é nada visionário recorrer a eles para obter benefícios similares no futuro. 59 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico você viu que: • A ginástica é um conceito que engloba modalidades competitivas e não competitivas. • Tem sua origem no grego, gymnastiké – da palavra grega “gymnos” (nu), pelo fato de, na antiguidade clássica, os exercícios se praticarem com o corpo nu. • É o conjunto dos exercícios corporais sistematizados, para esse fim, realizados no solo ou com auxílio de aparelhos e aplicados com objetivos educativos, competitivos, artísticos e terapêuticos etc. • A concepção de ginástica passa como um sistema de exercício físico existente desde a Antiguidade, fundamental na formação do cidadão grego e que posteriormente ocupou novamente um espaço na formação do indivíduo (agora moderno) a partir do Renascimento, especialmente com os métodos europeus de ginástica. • O fortalecimento da ginástica ocorreu com as escolas do Movimento Ginástico Europeu, no século XVIII, com seus autores e movimentos nacionais próprios e utilitários, que atribuíram à ginástica ênfase tanto pedagógica (escolas sueca e francesa) e de treinamento físico (escola inglesa) quanto desportiva e militar (escola alemã). • A educação física esteve presente no âmbito escolar desde 1851, e em 1996, com a Lei nº 9.394/96, passou a vigorar legalmente como um componente curricular da Educação Básica. 60 Agora responda às questões e teste seu conhecimento! Questão 1 - QUESTÃO 26 do ENADE, 2011. Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Física, considera-se que as atividades físicas, recreativas e esportivas compõem o direito dos indivíduos conhecerem e terem acesso às manifestações e expressões culturais que constituem a tradição da Educação Física, tematizadas nas diferentes formas e modalidades de exercícios físicos, ginástica, jogo, esporte, luta/arte marcial e dança. Dessa maneira, o professor pode utilizar o esporte aliado a manifestações e expressões culturais domovimento humano, além de atender a outros objetivos decorrentes da prática de atividades físicas, recreativas e esportivas. Com base no texto acima, avalie as afirmativas a seguir. I- O professor deve, durante as práticas esportivas de competição na escola, orientar os alunos e torcedores a se manifestarem de forma respeitosa e solidária. II- Para o desenvolvimento de manifestações e expressões culturais em uma aula de voleibol na escola, o professor deve dividir o grupo em pequenas rodas, distribuir o material esportivo e deixar os alunos sozinhos, para que eles mantenham a interação e desenvolvam a aprendizagem da cultura corporal sem intervenção pedagógica. III- Nos dias chuvosos, quando não se pode utilizar as quadras, os jogos de tabuleiro tornam-se opções para atividades pedagógicas, durante as quais o professor pode utilizar brincadeiras para orientação e compreensão das regras da sociedade e para a promoção da atividade infantil, do pensamento e da liberdade. IV- Por meio do esporte na escola, o professor pode intervir pedagogicamente junto aos alunos, para que a competitividade nunca ultrapasse os direitos essenciais de cada ser humano, a liberdade individual e a integridade física. V- O professor deve promover atividades físicas, recreativas e esportivas, para estimular a importância da competitividade e da necessidade de ganhar nos jogos, pois esses interesses são fundamentais na ascensão profissional dos alunos. É correto apenas o que se afirma em: a) I e III. b) I, III e IV. c) II, III e V. d) II, IV e V. e) I, II, IV e V. Fonte: Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2011/ EDUCACAO_FISICA.pdf>. Acesso em: 20 set. 2015. AUTOATIVIDADE 61 Questão 2 - QUESTÃO 9 Para professor de educação física do Colégio Municipal de Aroeiras. Para que se compreenda o momento atual da Educação Física é necessário considerar suas origens no contexto brasileiro. Qual origem, no início do século passado, esteve estreitamente vinculada e de forma determinante... a) às instituições políticas e à classe jurídica. b) a uma função higienista e populista. c) a atividade física e os pressupostos higiênicos, eugênicos e físicos. d) às instituições esportivas e à classe médica. e) às instituições militares e à classe médica. Fonte: Disponível em: <http://wwcw.calculemais.com.br/provas-de-concurso/acaplam_2010_ aroeiras-pb_professor-de-educacao-fisica_prova_.pdf>. Acesso em: 20 set. 2015. Questão 3 - QUESTÃO 1 para professor de educação física de Alagoas. Em sua evolução, a Educação Física Escolar teve associadas ao seu desenvolvimento diferentes metodologias e concepções de ensino. Baseando-se nas concepções da Educação Física brasileira, todas as afirmativas estão corretamente descritas nas proposições abaixo, EXCETO: a) Uma concepção pedagogicista, que encara a atividade física não somente como uma prática capaz de promover saúde e de disciplinar a juventude, mas também a educação física como uma prática educativa. b) Uma concepção higienista, capaz de disciplinar as pessoas no sentido de levá-las a se afastarem de práticas capazes de provocar a deterioração da saúde e da moral, o que comprometeria a vida coletiva. c) Uma concepção progressista, cujo objetivo é canalizar energias e também proporcionar o progresso esportivo nas escolas. d) Uma concepção cujo objetivo militarista é a obtenção de uma juventude capaz de suportar o combate à luta, à guerra. e) Uma concepção competivista, culto ao atleta-herói que, a despeito de todas as dificuldades, chegou ao pódio. Fonte: Disponível em: <http://www.calculemais.com.br/provas-de-concurso/cefet-al_2010_if- al_professor-de-educacao-fisica_prova_.pdf>. Acesso em: 20 set. 2015. Questão 4 – QUESTÃO 16 para professor de educação física de Alagoas. Criar hábitos saudáveis e permanentes, além da conscientização da importância da prática de atividades físicas para evitar o sedentarismo são objetivos que a educação física deve atingir dentro dos seus 62 variados conteúdos. O atletismo na Educação Física Escolar especificamente deve: I- Motivar os alunos a uma prática ativa e esporádica. II- Observar o princípio da individualidade biológica de cada aluno. III- Promover o aprendizado de atividades físicas para toda a vida. IV- Estimular o desenvolvimento de habilidades motoras. V- Oferecer vivências não só motoras, mas também da cultura corporal. Está CORRETO o que se afirma na seguinte alternativa: a) I, II, IV e V estão corretas. b) I, III, IV e V estão corretas. c) I, IV e V estão corretas. d) II, III, IV e V estão corretas. e) III e IV estão corretas. Fonte: Disponível em: <http://www.calculemais.com.br/provas-de-concurso/cefet-al_2010_ if-al_professor-de-educacao-fisica_prova_.pdf>. Acesso em: 20 set. 2015. Questão 5 - QUESTÃO 18 para professor de educação física. Para desenvolvermos os conteúdos corporais que compõem a educação física, necessitamos do bom desenvolvimento das habilidades naturais, consideradas habilidades básicas para o esporte, a luta, a ginástica, o jogo, a dança, as atividades rítmicas e expressivas. Portanto, o que são as habilidades naturais? a) Qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética que resulte em um gasto energético maior do que os níveis de repouso. b) É a prática metódica de exercícios físicos, que consistem geralmente em jogos competitivos entre pessoas, ou grupos de pessoas, organizados em partidos. c) São aquelas que se caracterizam por estarem presentes em todos os seres humanos, independentes de seu lugar geográfico e nível sociocultural e que servem de base para aquisição de habilidades culturalmente determinadas. d) São todas as atividades corporais planejadas, estruturadas e que têm por objetivo a melhoria e a manutenção da aptidão física. e) São todos os exercícios e movimentos provenientes da cultura local. Fonte: Disponível em: <http://selecao.ifms.edu.br/edital/files/concurso-publico-edital-no-054- 2010-prova-e-gabarito-educacao-fisica.pdf>. Questão 6 - QUESTÃO 19 para professor de educação física. Existem inúmeras modalidades ginásticas. Algumas delas são também esportes. Dessas modalidades esportivas da ginástica, algumas são esportes olímpicos. Quais modalidades ginásticas são esportes olímpicos? 63 a) Ginástica rítmica, ginástica artística masculina, ginástica artística feminina e ginástica acrobática. b) Ginástica rítmica, ginástica aeróbica esportiva, ginástica artística masculina e ginástica artística feminina. c) Ginástica artística masculina, ginástica artística feminina, ginástica de trampolim e ginástica localizada. d) Ginástica para todos, ginástica passiva, ginástica circense e ginástica de trampolim. e) Ginástica aeróbica esportiva, ginástica localizada, ginástica acrobática e ginástica rítmica. Fonte: Disponível em: <http://selecao.ifms.edu.br/edital/files/concurso-publico-edital-no-054- 2010-prova-e-gabarito-educacao-fisica.pdf>. Acesso em: 20 set. 2015. Questão 7 - QUESTÃO 20 para professor de educação física. Ginástica Para Todos é: a) a mistura de todas as ginásticas conhecidas. b) um sinônimo para a ginástica de academia. c) uma manifestação da cultura corporal que reúne as diferentes interpretações da ginástica, integrando-as com as outras manifestações da cultura corporal de forma livre e criativa. d) uma manifestação folclórica da ginástica utilizada especialmente para os trabalhos realizados com a terceira idade. e) uma modalidade ginástica que utiliza as habilidades naturais para desenvolver o esporte ginástico olímpico. Fonte: Disponível em: <http://selecao.ifms.edu.br/edital/files/concurso-publico-edital-no-054- 2010-prova-e-gabarito-educacao-fisica.pdf>. Acesso em: 20 set. 2015. Questão 8 - QUESTÃO 24 para professor de educação física. Fonte: Em relação à História da Ginástica, qual das alternativas está correta? a) Levando-se em conta a divisão acadêmica da história ocidental, a prática de exercícios físicos:“vem da Antiguidade, estaciona na Idade Média, fundamenta-se na Idade Moderna e sistematiza-se nos primórdios da Idade Contemporânea”. b) Levando-se em conta a divisão acadêmica da história ocidental, a prática de exercícios físicos: “vem da Pré-história, afirma-se na Antiguidade, estaciona na Idade Média, fundamenta-se na Idade Moderna e sistematiza-se nos primórdios da Idade Contemporânea”.C) Levando-se em conta a divisão acadêmica da história ocidental, a prática de exercícios físicos: “vem da Pré-história, afirma-se na Antiguidade, passa por uma evolução sistemática na Idade Média, fundamenta-se na Idade Moderna e regulariza-se nos primórdios da Idade Contemporânea”. 64 c) Levando-se em conta a divisão acadêmica da história ocidental, a prática de exercícios físicos: “vem da Pré-história, afirma-se na Antiguidade, sistematiza-se na Idade Média, estaciona na Idade Moderna e fundamenta- se nos primórdios da Idade Contemporânea”. d) Levando-se em conta a divisão acadêmica da história ocidental, a prática de exercícios físicos: “aparece na Antiguidade, evolui na Idade Média, fundamenta-se na Idade Moderna e regulariza-se nos primórdios da Idade Contemporânea”. FONTE: Disponível em: <http://selecao.ifms.edu.br/edital/files/concurso-publico-edital-no- 054-2010-prova-e-gabarito-educacao-fisica.pdf>. Acesso em: 20 set. 2015. 65 UNIDADE 2 PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Nessa unidade vamos: • conhecer as valências físicas envolvidas na ginástica escolar; • conceituar as diferentes valências físicas; • entender como essas valências físicas são aplicadas em uma aula de ginástica; • diferenciar as metodologias da ginástica na escola; • apontar como cada método de ginástica pode ser utilizado na escola. Esta unidade está dividida em dois tópicos. Em cada um deles, você encon- trará atividades que o ajudarão a fixar os conhecimentos abordados. TÓPICO 1 – A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR TÓPICO 2 – CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA 66 67 TÓPICO 1 A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, você será apresentado a toda fisiologia da ginástica, as valências que estão envolvidas na elaboração e execução de uma aula de ginástica. Os conteúdos de cada valência terão seus conceitos básicos para melhor entendimento e aplicabilidade a ser trabalhada dentro da educação física. 2 VALÊNCIAS FÍSICAS TRABALHADAS NA GINÁSTICA Valências físicas são as qualidades físicas e motoras. São as habilidades físicas de cada indivíduo, classificadas desde os movimentos simples aos de maior complexidade. Todos os indivíduos estão aptos a desenvolver suas valências físicas, pois suas características são definidas geneticamente, onde um tem maior potencial que outro e cada um tem seu limite de desenvolvimento e tolerância (TUBINO, 1979). A seguir temos um organograma para melhor visualização das valências físicas: FIGURA 46 - TIPOS DE VALÊNCIAS FÍSICAS Coordenação Força Potência Valências Físicas Resistência Alongamento VelocidadeRelaxamento Equilíbrio Agilidade Ritmo Flexibilidade FONTE: Tubino (1979) UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 68 Assim, nós, seres humanos, nascemos com capacidade de desempenhar movimentos que envolvam resistência, flexibilidade, força, entre outros. Todas essas nossas habilidades motoras são movimentos aprendidos e que dependem de treinamento (MCARDLE, 1998). Para entendermos melhor, vamos aprofundar cada um dos itens que envolvem a totalidade do movimento. ESTUDOS FU TUROS Resistência Resistência muscular é a qualidade física que dota um músculo da capacidade de executar uma quantidade numerosa de contrações sem que haja diminuição na amplitude do movimento, na frequência, na velocidade e na força de execução, resistindo ao surgimento da fadiga muscular localizada (DANTAS, 1998). Resistência é a capacidade de um grupo muscular executar contrações repetitivas por um período de tempo suficiente para causar fadiga muscular ou manter estaticamente uma percentagem específica de contração voluntária muscular (CVM) por um período de tempo prolongado (GUEDES, 1995). Para Weineck (2000, p. 15), entende-se como resistência “a capacidade geral psicofísica de tolerância à fadiga em sobrecargas de longa duração, bem como a capacidade de uma rápida recuperação após estas sobrecargas”. Em outras palavras, resistência é a capacidade de executar um movimento, durante um dado período de tempo, sem que ocorra perda aparente da eficiência do movimento. Depende da capacidade dos sistemas cardiovascular, respiratório, metabólico e, ainda, da eficiência da coordenação do movimento. Já a resistência muscular localizada (RML) é definida como “qualidade física que permite um contínuo esforço, proveniente de exercícios prolongados, durante um determinado tempo”. (TUBINO, 1979, p. 27). TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 69 FIGURA 47 - EXERCÍCIO DE PRANCHA DEMONSTRANDO RESISTÊNCIA MUSCULAR FONTE: Disponível em: <http://corpoinconsciencia.files.wordpress.com/2013/08/10100 77_332677120198711_1279263519_n.jpg?w=700>. Acesso em: 16 set. 2015. FIGURA 48 - EXERCÍCIO DEMONSTRANDO RESISTÊNCIA MUSCULAR FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9Gc R9G1tBRSnjFHv91ScMlr3eXPR5WH2ZYpbH3Q6D8pBPzBRCipC0sg>. Acesso em: 16 set. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 70 Veja nos vídeos a seguir um pouco mais sobre a prática da resistência muscular. <https://youtu.be/sQ3QE0Y8ZI4?list=PLHpBw6TA-xVwhW70TeAl4blGcYfjOdcFg https://www.youtube.com/watch?v=xjC2L5P0C8Y>. DICAS Para cada atividade ou movimento corporal há uma maneira diferente do músculo resistir. Assim, a seguir estudaremos os tipos de resistência. Existem dois tipos basicamente: a aeróbica e a anaeróbica. Resistência Aeróbica É a capacidade física que permite um esforço por um determinado período de tempo em que há um equilíbrio entre o consumo e a absorção de oxigênio. É qualidade física que concede ao corpo e/ou segmento articular executar uma atividade de baixa a média intensidade por um longo período de tempo. Isso com o indivíduo em um bom estado geral de saúde, tendo as capacidades cardíacas e pulmonares saudáveis, pois na resistência aeróbica há oxigênio suficiente para a queima oxidativa de substâncias energéticas (WEINECK, 2000). O treinamento da resistência aeróbica tem um significado substancial para todas as modalidades esportivas, sem exceção, pois a elevação do nível das possibilidades aeróbicas do organismo cria a base funcional necessária ao aperfeiçoamento de diversos aspectos da preparação do atleta, principalmente em competições (ZATSIORSKY, 1999). FIGURA 49 - ATIVIDADE DE NATAÇÃO DEMONSTRANDO RESISTÊNCIA AERÓBICA FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn1.gstatic.com/ima ges?q=tbn:ANd9GcRw2z0tYzjEeUTVqiEpMbT4lqbtlml60xm 8tskXr6RT>. Acesso em: 16 set. 2015. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 71 FIGURA 50 - ATIVIDADE EM FORMA DE CIRCUITO DEMONSTRANDO RESISTÊNCIA AERÓBICA FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn3.gstatic.com/images?q=tbn: ANd9GcRcXn_XsVbqVh4gv0Rziwafz81aDhUe0j2iQcSDB-xH8O0OnGOB>. Acesso em: 16 set. 2015. FIGURA 51 - ATIVIDADE ANDAR DE BICICLETA DEMONSTRANDO RESISTÊNCIA AERÓBICA FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9G cRvxNmK3_3E8SpXf9W12cUkS MfZ7577XxI0o1upSTXPpnuWYoZg>. Acesso em: 16 set. 2015. Resistência Anaeróbica É a capacidade física que concede ao organismo executar um esforço de alta intensidade por um curto período de tempo. São esforços de grande intensidade que requerem alto gasto de oxigênio, mas de curta duração (KATCH, 2005). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 72 A resistência anaeróbica pode ser explicada pelas solicitações fisiológicas deoxigênio de um atleta durante um exercício, em condições superiores à sua capacidade de consumo, provocando um débito de oxigênio, e que deverá ser reparado após o término desse esforço. Os exercícios realizados para obter resistência anaeróbica utilizam uma forma de energia que não depende do uso do oxigênio, isso porque são atividades de curta duração e de grande intensidade, e muitos são direcionados apenas para alguns músculos. Geralmente, o objetivo do ganho de resistência anaeróbica é o aumento da massa e enrijecimento muscular e força (KATCH, 2005). FIGURA 52 - DEMONSTRAÇÃO DE RESISTÊNCIA ANAERÓBICA Fonte: Disponível em: <https://lh4.googleusercontent.com/2doRVHSXJa0/VDbKXQ egYvI/AAAAAAAAAC8/1FmjzYGy-Ok/s2560/1412876889657.jpeg>. Acesso em: 16 set. 2015. FIGURA 53 - DEMONSTRAÇÃO DE RESISTÊNCIA ANAERÓBICA Fonte: Disponível em: <https://encryptedtbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRmtpj dJQ7zMYstCOaRCRdSwstElaNmBcKWvqv8-x6xUx6Hem5I>. Acesso em: 16 set. 2015. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 73 FIGURA 54 - DEMONSTRAÇÃO DE RESISTÊNCIA ANAERÓBICA FONTE: Disponível em: <http://www.valetodo.info/Acerca/nestor1.jpg>.Acesso em: 16 set. 2015. UNI Resistência muscular é a competência física de um músculo que tem a habilidade de desempenhar várias contrações sem que a amplitude de movimento seja diminuída (DANTAS, 1998). A resistência pode ser estimulada de várias maneiras durante uma aula de educação física, como correr, realizar circuitos com obstáculos, jogar futebol, entre muitas outras. Para saber mais acesse o site a seguir: Fonte: <http://www.fpjournal.org.br>. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 74 O fluxograma a seguir serve para organização e fixação do conteúdo. FIGURA 55 - FLUXOGRAMA DE RESISTÊNCIA Resistência AnaeróbicaAeróbica Exemplos Corridas de arrancadas Futebol Tênis Provas de velocidade Musculação (ginástica) Saltos Exemplos Tipos FONTE: Dantas (1998) Flexibilidade Refere-se à capacidade de o músculo relaxar e ceder a uma força de alongamento, é a amplitude de movimento aumentada, é a extensibilidade muscular (FOX, 1981). “É a capacidade de executarmos movimentos de grande amplitude pela ação da musculatura agônica, acumulando energia cinética potencial, que pode ser utilizada na execução de tarefas motoras que requerem velocidade e/ou potência de contração muscular”. (GALLARDO e AZEVEDO, 2007, p. 35). Segundo Krahenbuhl e Martin (1977), a flexibilidade é composta de dois tipos: 1) Flexibilidade corporal geral É a capacidade de movimentação dos principais sistemas articulares do corpo, como: as articulações escapulares (ombros), coxofemorais (coxas) e coluna vertebral. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 75 2) Flexibilidade específica: É a capacidade de movimentação de determinadas articulações. Capacidade essa que é muito diferenciada, dadas as diferenças de solicitação nas inúmeras tarefas motoras executadas pelo corpo humano. Assim, podemos compreender como é importante a flexibilidade das articulações das mãos de um pianista ou a flexibilidade da articulação coxofemoral para um corredor de obstáculos (SILVA, 2010). A flexibilidade é uma valência física essencial para o desenvolvimento motor humano, por isso a manutenção do corpo com a ginástica é de suma importância não só para os atletas, mas para todos, pois o sedentarismo e a falta de atividades físicas aumentam as consequências em relação à diminuição da flexibilidade, mobilidade do indivíduo (COELHO e ARAÚJO, 2000). A autonomia, a saúde e o bem-estar do indivíduo estão diretamente ligados à prática de exercícios físicos, movimentos esses que fazem a conservação, o gerenciamento e a prevenção da flexibilidade, da resistência, do alongamento, da postura, força, equilíbrio, todas as valências físicas (COELHO e ARAÚJO, 2000). A liberdade e a habilidade de um movimento realizado nas articulações de um indivíduo, com total amplitude de movimento, sem sentir dor e com músculos flexíveis, são compreendidas como flexibilidade muscular, que é um dos pontos- chave para a prevenção de lesões, manutenção do movimento corporal normal e melhora do desempenho atlético. A flexibilidade muscular é muito valorizada e trabalhada na ginástica, no meio esportivo (MACIEL & CÂMARA, 2008). FIGURA 56 - DEMONSTRAÇÃO DE FLEXIBILIDADE CORPORAL FONTE: Disponível em: <http://www.flexibilidadetotal.com.br/wp-content/ uploads/2014/03/programa-de-alongamento.jpg>. Acesso em: 16 set. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 76 FIGURA 57 - DEMONSTRAÇÃO DE FLEXIBILIDADE CORPORAL FONTE: Disponível em: <http://www.flexibilidadetotal.com.br/wp-content/ uploads/2014/03/alongando-as-costas.jpg>. Acesso em: 16 set. 2015. FIGURA 58 - DEMONSTRAÇÃO DE FLEXIBILIDADE CORPORAL FONTE: Disponível em: <http://vidatotal.com.br/user/image/new-page-19_ arquivos-image007.jpg>. Acesso em: 16 set. 2015. Veja no vídeo a seguir um teste bem interessante, chamado “Teste dos dedos ao solo”, que faz a mensuração da flexibilidade da cadeia muscular posterior, muito simples e fácil, e você pode incluir na sua aula de ginástica e testar a flexibilidade de seus alunos. <https://www.youtube.com/watch?v=C4lN8x5o8HY>. DICAS TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 77 NOTA Os autores Gunsch, Silva e Navarro, em 2010, relatam que na ginástica escolar a amplitude de movimento é muito valorizada, assim a flexibilidade tem papel fundamental para executar os exercícios em sua plenitude e conseguir maior efeito em crianças em idade escolar que passaram ou passarão pelo estirão de crescimento, tendo como propósito manter a mobilidade de seus corpos, buscando sempre uma vida mais saudável e de qualidade. É possível ler mais sobre esse assunto no endereço abaixo: Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v. 4, n. 23, p. 505-513. Set/ Out. 2010. Endereço on-line: <www.ibpefex.com.br/www.rbpfex.com.br>. Alongamento Muscular O alongamento é uma das mais importantes categorias de exercícios que podem ser prescritos para manter e restaurar o equilíbrio normal em cada uma destas estruturas: o músculo, a fáscia, o tendão e o ligamento (TROMBLY, 1983). O alongamento se caracteriza com os movimentos amplos e com reduzidas tensões musculares, com o intuito de desenvolver a flexibilidade (ACHOUR JÚNIOR, 1996). Alongamentos promovem o estiramento das fibras musculares, fazendo com que elas aumentem o seu comprimento. Quanto mais alongada uma fibra muscular, maior será a movimentação da articulação regida por aquele músculo, promovendo assim maior flexibilidade (KISNER, 2005). É um termo usado para descrever qualquer manobra terapêutica elaborada para aumentar o comprimento (alongar, estender) estruturas dos tecidos moles, músculos encurtados e, desse modo, aumentar a amplitude de movimento (KISNER, 2005). O exercício de alongamento está intimamente ligado à flexibilidade muscular, os músculos aumentam seu comprimento e, como consequência, há o desenvolvimento e aumento da flexibilidade (ALMEIDA, 2006). O alongamento é uma manobra terapêutica utilizada para aumentar a mobilidade dos tecidos moles, por promover aumento do comprimento das estruturas que tiveram encurtamento adaptativo (KISNER, 2005), podendo ser definido também como técnica utilizada para aumentar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo periarticular, contribuindo para aumentar a flexibilidade articular, isto é, aumentar a amplitude de movimento (ADM). Suas modalidades são: alongamento estático e alongamento balístico (HALBERTSMA, 1999; KNUDSON, 2008). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 78 FIGURA 59 - DEMONSTRAÇÃO DE ALONGAMENTO FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9 GcQn2M1txScWG4KN0HnMKKpbTr0-Lv-iB5ni-CYdSYecx6y0o9gt_g>. Acesso em: 22 set. 2015. Alongamento Estático É um métodopelo qual os tecidos moles são alongados até o ponto de resistência ou tolerância do tecido mantido nesta posição (ANDREWS, 2000). É a técnica mais comum para o ganho de flexibilidade e sua vantagem é a facilidade de execução e o baixo potencial de dano tecidual (ROBERTS, 1999). É aquele em que os membros são movidos lentamente, e mantêm o segmento muscular determinado pela tensão muscular logo acima da amplitude do movimento habitual (ACHOUR JÚNIOR, 1996). FIGURA 60 - DEMONSTRAÇÃO DE ALONGAMENTO ESTÁTICO Fonte: Disponível em: <https://encryptedtbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9Gc RbJUsW9At9IRH7w2pm7Mn2Kqj_xYSxsjSP5GSonlLBCaGYopuA>. Acesso em: 22 set. 2015. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 79 Alongamento Balístico É caracterizado pelo uso de movimentos vigorosos e rítmicos de um segmento do corpo, pelo alcance do movimento, com o objetivo de alongar o músculo ou o grupo muscular (BANDY, 1998). É a movimentação da articulação, para que a mesma atinja o máximo possível de amplitude no movimento. No método balístico há um maior risco de lesões, pela facilidade de ultrapassar nossos limites sem que tenhamos controle da situação, pois os movimentos são rápidos e vigorosos. Esse tipo de alongamento balístico é usado em atletas cujo esporte envolva movimentos balísticos em seu desempenho, e em planos de aulas escolares o uso deve ser limitado a estudantes com experiência e vivência corporal adequadas (ACHOUR JÚNIOR, 1996). FIGURA 61 - DEMONSTRAÇÃO DE ALONGAMENTO BALÍSTICO FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRh SH4sz1i9HPsA1Rr5YO-Kbhcl80C02T1hsWj-0jLmfTT7QgEL>. Acesso em: 22 set. 2015. UNI O alongamento dentro da ginástica escolar é uma prática importante, ajuda a desenvolver a elasticidade dos músculos, tendões e ligamentos, estimulando a consciência corporal. Crianças em idade escolar são extremamente flexíveis, mas perdem essa capacidade se não forem estimuladas a manter esses movimentos conforme vão crescendo, amadurecendo. Dessa forma, o alongamento incluído no programa de ginástica contribui muito para o condicionamento físico da criança e adolescente em período escolar (GRABER, WOODS, 2014). FONTE: Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=Tza_AwAAQBAJ&pg=PA3 17&dq=alongamento+na+ginastica+escolar&hl=ptBR&sa=X&ved=0CDAQ6AEwBGoVChM Ij9WK95WNyAIVhYeQCh17Hgly#v=onepage&q=alongamento%20na%20ginastica%20escolar>. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 80 Agora que você leu sobre a importância do alongamento, vamos estudar mais um componente das valências físicas, a força. ESTUDOS FU TUROS Força Refere-se à produção de força (vigor) de um músculo em contração e está diretamente relacionada à quantidade de tensão que um músculo em contração pode produzir (KISNER, 2005). A força de músculo, para ser aumentada, a contração muscular necessita ser resistida ou receber uma carga para aumentar os níveis de tensão e aumentar o recrutamento das fibras musculares (KISNER, 2005). Força reflete a capacidade dos músculos de exercer esforço por um curto período de tempo, diferentemente da resistência, que, como já vimos, é a capacidade de manter essa força. (KISNER, 2005). Segundo conceitos da Física, força é uma tração ou impulsão que altera ou tende a alterar o estado de movimentação de um corpo. E está diretamente associada ao movimento, onde haverá primeiro a força e depois o movimento, mas pode ocorrer força sem que haja movimento, por exemplo, a postura de defesa de um jogador de vôlei ao preparar-se para receber o ataque de saque do adversário (VILELA, 2011). Na ginástica, a força muscular traduz a capacidade de a musculatura produzir tensão, ou seja, aquilo a que denominamos contração muscular. O trabalho da força é fundamental para atingir desempenhos elevados nos movimentos, nas atividades de ginástica, nas competições (HERTOHG et al., 1994). FIGURA 62 - DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn0.gstatic.com/images?q= tbn:ANd9GcQJ9TVjsCQe8fK0663tC7wKD4hlN7bdGctbVtYzILN0ko6zw si6g>. Acesso em: 23 set. 2015. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 81 No aspecto do tipo de treinamento muscular a força pode ser estática ou dinâmica. Veja a diferença a seguir: Força Isométrica ou Estática É uma força realizada contra cargas insuperáveis, ou seja, não se observa qualquer tipo de movimento apesar de existir contração muscular. É uma contração muscular que resulta em nenhum tipo de movimento (BADILLO, 2000). A força isométrica está associada a uma contração isométrica, que ocorre quando um músculo produz força e esse esforçar-se para encurtar suas fibras não consegue superar a resistência externa e mantém-se estático. Podemos visualizar um exemplo prático abaixo, quando um indivíduo segura um objeto pesado em uma das mãos, com o cotovelo flexionado em 90º, ocorre uma contração isométrica do músculo bíceps (MCARDLE, 2003). Barbanti (1979) conceitua força estática como aquela em que não existe encurtamento das fibras musculares, portanto não há movimento, e cada modalidade esportiva deve ater-se à melhor forma de trabalhar e valência física. FIGURA 63 - DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA ESTÁTICA FONTE: Disponível em: <http://www.educacaofisicanaveia.com.br/wpcontent/ uploads/2013/08/contracao-isometrica.png?895009>. Acesso em: 23 set. 2015. Força isotômica ou dinâmica É realizada quando a resistência a vencer pode ser deslocada pelo menos uma vez. A força dinâmica é quando existe um encurtamento das fibras musculares, provocando uma aproximação ou afastamento dos segmentos ou partes musculares próximas, portanto há movimento (BARBANTI, 1979). A força isotônica é quando a contração muscular provoca um movimento articular e se diferencia da resistência produzindo movimento, é força em movimento, onde os músculos se contraem e encurtam (BADILLO, 2000). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 82 FIGURA 64 - DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA DINÂMICA FONTE: <https://encryptedtbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTriyDvH2hASP7 de6XF2oGsDY3Gt3g8QwIUpcQGe1jEYOex8e37yA>. Acesso em: 23 set. 2015. Você pode aprofundar seu conhecimento sobre uma das mais importantes valências físicas, a força, nos sites a seguir: <http://www.efdeportes.com/> <http://www.cayolla.com>. DICAS UNI Segundo Barbanti (1979), tanto no esporte de atletas de qualquer modalidade, em competição ou não, como nas atividades físicas escolares, a força motora manifesta-se no aparelho locomotor, dependendo do sistema nervoso que o dirige, do sistema ósseo que o sustenta e dos sistemas cardiovasculares e respiratórios que transportam os nutrientes necessários para o desenvolvimento de sua tarefa. Força é “como uma característica humana, com a qual se move uma massa (seu próprio corpo ou um instrumento esportivo), sua capacidade em dominar ou reagir a uma resistência pela ação muscular” (BARBANTI, 1979). TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 83 Agora vamos estudar mais um componente das valências físicas, a potência motora. ESTUDOS FU TUROS Potência muscular Potência muscular é uma valência que causa certa controvérsia, dúvida entre alguns autores em sua definição. Muitos deles acreditam que, por estar intimamente ligada com a força muscular e velocidade, por vezes sua definição se confunde com a definição de velocidade. Para tanto, vamos apresentar várias definições para que não haja confusões entre tais valências. Já para Fleck e Kraemer (1999, p. 90), "potência é a velocidade em que se desempenha o trabalho". O treino da potência é um aprimoramento entre duas importantes capacidades: força e velocidade. E para treiná-la é necessário o domínio de movimentos complexos com mediação de grupos musculares e articulações. E treinando potência são trabalhados simultaneamente força e velocidade. Assim, quanto melhor for a proficiência do movimento, mais potente e veloz ele será. A potênciamuscular, também conhecida como força explosiva, é uma função da força exercida e velocidade de execução de um determinado movimento. É a paridade da força com a velocidade, que por vezes tem o domínio da força, como, por exemplo: levantamentos de pesos, e em outras vezes, a superioridade da velocidade, como o que acontece nos arremessos de dardos (DANTAS, 2003). Potência muscular é produto da força pela velocidade e pode ser aperfeiçoada com a capacitação das fibras musculares, e então se entende que ocorre uma diminuição da velocidade máxima quando o músculo se encurta, diminuindo o comprimento efetivo do músculo (BARBANTI, 2010). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 84 FIGURA 65 - DEMONSTRAÇÃO DE POTÊNCIA MUSCULAR FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/j1a9miRxh9o/USvREuhiIEI/ AAAAAAAAAE8/25pvcqyXV8Y/s1600/portada.png>. Acesso: 24 set. 2015. UNI Assim como a força, a potência muscular pode ser avaliada por meio de testes, e um deles é o salto vertical, que pode ser incluído nas aulas de educação física como forma de brincadeiras de saltar e mensurar a potência, principalmente dos membros inferiores dos seus alunos e estimulá-los a aprimorar sua potência. Para aprofundar o assunto, leia na dissertação de mestrado “Publicações nacionais da avaliação da força muscular no período de 2000 a 2010: estudo exploratório”, de Ricardo Aparecido Avelino. Disponível em: <https://www.unimep.br/phpg/bibdig/aluno/visualiza.php?cod=858>. <http://www.efdeportes.com/ http://www.personalclub.com.br/imagens/upload/capacidade_motoras.docx>. DICAS TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 85 Agora vamos estudar mais um componente das valências físicas, a coordenação motora. ESTUDOS FU TUROS Coordenação É a "qualidade física que permite ao homem assumir a consciência e a execução, levando a uma integração progressiva de aquisições, favorecendo a uma ação ótima dos diversos grupos musculares na realização de uma sequência de movimentos com o máximo de eficiência e economia" (TUBINO, 1979, p. 180). Para Bemstein (1967) apud Veiga (1987, p. 9), a coordenação motora é o modelo ideal, de forma a atingir a solução final na execução do movimento, ação de acordo com o objetivo estabelecido. A coordenação é um de processo de manutenção de onde resulta o maior grau de liberdade do segmento em movimento, em um sistema controlado. Costa (1968, p. 285) afirma que a definição correta de coordenação seria a "qualidade de sinergia que permite combinar a ação de diversos grupos musculares na realização de uma sequência de movimentos com o máximo de eficácia e economia ou de rapidez, se estiverem envolvidas a velocidade e a força". Kiphard (1976, p. 9) entende por coordenação de movimentos a "interação harmoniosa e econômica de músculos, nervos e sentidos com o fim de produzir ações cinéticas precisas e equilibradas (motricidade voluntária) e reações rápidas e adaptadas a situações (motricidade reflexa)". Telena et al. (1977, p. 20) esclarece que "coordenação é a faculdade de utilizar conjuntamente as propriedades dos sistemas nervoso e muscular sem que uma interfira na outra". Estes mesmos autores citam ainda Le Boulch, que define coordenação como "a organização das sinergias musculares para cumprir um objetivo por meio de um processo de ajuste progressivo, que é a estruturação de uma práxis (atividade, movimento)". Coordenação motora é a capacidade que o corpo tem de realizar movimentos articulados entre si, como, por exemplo, pular, andar, correr, escrever e outros. Qualquer movimento do corpo humano exige coordenação motora (FERREIRA, 2004, p. 545). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 86 Como uma das valências, a coordenação motora é compreendida por uma competência do cérebro em sustentar os movimentos do corpo, na ação dos músculos e das articulações. Está sempre em desenvolvimento, pode e deve ser aprimorada com estímulos constantes durante todo o desenvolvimento humano. Ao nascer o bebê vai descobrindo, experimentando, percebendo sensações motoras, e à medida que cresce, adquire novas habilidades de movimentos corporais, e já é capaz de executar movimentos mais elaborados, mais refinados, como andar, correr, pular, escrever, desenhar, pintar, entre muitas outras coisas. Assim segue até completar todo o seu desenvolvimento motor na idade adulta, após inicia os estímulos de manutenção dessa coordenação motora para o processo de envelhecimento humano. FIGURA 66 - DEMONSTRAÇÃO DE COORDENAÇÃO MOTORA FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9Gc QuwoAY2TE3OzedFmqRBFhOBnoKtoidfFjEU-UHAC3ISahAM6Oc>. Acesso em: 24 set. 2015. Essas novas aquisições são denominadas de coordenação motora grossa e fina, as quais vocês vão entender no texto que segue abaixo. Coordenação Motora Grossa É também chamada de coordenação global ou ampla, é quando há a realização de grandes movimentos envolvendo partes do corpo, e para tais movimentos são recrutadas grandes massas musculares e articulações que trabalham em harmonia para fazer os deslocamentos, sem muita elaboração, mas com perfeita execução. Exemplos: andar, nadar, correr, saltar, marchar, subir e descer escadas etc. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 87 FIGURA 67 - DEMONSTRAÇÃO DE COORDENAÇÃO MOTORA GROSSA FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/3TsF25NUaZY/ UCPfUMPc_iI/AAAAAAAAFPw/1g274p7MKJU/s1600/planing+motor+15. jpg>. Acesso em: 24 set. 2015. Coordenação motora fina É a capacidade para realizar movimentos específicos, movimentos mais refinados, mais elaborados, acurados, utilizando pequenos músculos, a fim de atingir a execução bem-sucedida da habilidade. Requer um ato de grande precisão no movimento. Movimentos manuais em que a coordenação e a precisão são essenciais. Exemplo: escrever, sublinhar, modelar com massinhas, recortar, colar, trabalhos com objetos pequenos como pinças, jogar jogos como “resta um”, jogar “bolitas”, “cinco marias”, jogar futebol de botão, montar quebra-cabeças, entre outros. FIGURA 68 - DEMONSTRAÇÃO DE COORDENAÇÃO MOTORA FINA FONTE: Disponível em: <http://www.colegiosantoinacio.com.br/upload/galeria/ futebol_de_dedo_ed_fisica_2013/foto_83067d9b6ecd6d20d8ef20cec3b5108b. jpg>. Acesso em: 24 set. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 88 Você pode ler mais sobre coordenação nos sites que seguem: <http://www.efdeportes.com.http://www.brasilescola.com/biologia/ coordenacao-motora.htm>. DICAS UNI Coordenação motora "é a qualidade de sinergia que permite combinar a ação dos diversos grupos musculares para a realização de uma série de movimentos com o máximo de eficiência e economia". Estes autores ainda consideram a coordenação como "a base do aprendizado e do aperfeiçoamento técnico cujo objetivo é a obtenção do gesto específico visando à ação mais fácil e produtiva". (ROCHA & CALDAS, 1981, p. 42). Na sequência veremos conceitos de velocidade na ginástica escolar. ESTUDOS FU TUROS Velocidade Fauconnier citado por Tubino (1984) define velocidade como “a qualidade particular do músculo e das coordenações neuromusculares que permite a execução de uma sucessão rápida de gestos que, em seu encadeamento, constituem uma só e mesma ação, de uma intensidade máxima e de uma duração breve ou muito breve”. Segundo Frey (1977) citado por Weineck (1991, p. 210), velocidade é “a capacidade, com base na mobilidade dos processos do sistema nervo-músculo, de desenvolver força muscular, de completar ações motoras, em determinadas condições, no mesmo tempo”. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 89 O mesmo autor refere que “a velocidade motora resulta, portanto, da capacidade psíquica, cognitiva, coordenativa e do condicionamento, sujeitas às influências genéticas, do aprendizado, do desenvolvimento sensorial e neuronal, bem como de tendões, músculos e capacidade demobilização energética”. (WEINECK, 1999, p. 379). FIGURA 69 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE FONTE: Disponível em: <http://www.notapositiva.com/pt/trbestbs/educfisica/ imagens/12_capacidades_motoras_12_d.jpg>. Acesso em: 24 set. 2015. FIGURA 70 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn2.gstatic.comimages?q=tbn :ANd9GcQbYiPMT6PpNy6hoors5U8ZdHjzGhYapJPcMo7q3lgN9YlG2i9ONA>. Acesso em: 24 set. 2015. A velocidade é classificada em vários tipos, é o que estudaremos a seguir: UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 90 Velocidade de reação Velocidade de reação se diferencia entre reações simples e reações complexas. Um exemplo de reação simples seria a largada de uma corrida de velocidade, a largada de uma competição de natação. Uma reação complexa seria representada por um jogo esportivo, onde é necessário reagir adequadamente às diversas situações de jogo (WEINECK, 1991). Também chamada de tempo de reação, a velocidade de reação pode ser definida como a velocidade com a qual um indivíduo é capaz de responder a um estímulo (TUBINO, 1984). FIGURA 71 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE DE REAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://www.atletesplus.com/uploads/imagens/ velocidade.jpg>. Acesso em: 24 set. 2015. FIGURA 72 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE DE REAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://apanasc.com.br/blog/wp-content/ uploads/2011/10/shapeimage_1-2.png>. Acesso: 24/09/2015. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 91 Velocidade de deslocamento Velocidade de deslocamento representa uma forma especial da velocidade cíclica (rítmica, repetida) e refere-se à capacidade locomotora das extremidades inferiores, ou seja, a capacidade máxima de um indivíduo deslocar-se de um ponto a outro. Também é chamada de velocidade de movimento. A velocidade de deslocamento é uma valência física específica em provas de velocidade de um modo geral, com destaque para esportes coletivos (natação, ciclismo e remo), e em desportos coletivos como handebol, futebol, basquetebol, polo aquático e voleibol. FIGURA 73 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn3.gstatic.com/ images?q=tbn:ANd9GcSHw9ak4ZGdaIuofzCH9hPWmnF6H_ L0Pgoix1JH_gVKcrC42kYGfA>. Acesso em: 24 set. 2015. FIGURA 74 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO FONTE: Disponível em: <https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn: ANd9GcRB4HfacKvjktlRoGlMHMdPY-mKI2RnQmcqMenzi-glzwFDkH4dEA>. Acesso em: 24 set. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 92 Velocidade de movimento dos menbros superiores e inferiores Como o próprio nome já diz, velocidade de movimento dos membros (superiores e inferiores) são habilidades de mover braços e/ou pernas tão rápido quanto possível. É muito importante em vários desportos e há também uma grande necessidade de seu reconhecimento em atletas por parte dos treinadores (TUBINO, 1979). É uma valência física fundamental para os corredores e nadadores de velocidade, lutadores de boxe, ciclistas, esgrimistas, voleibolistas e outras modalidades desportivas. Temos que ter cuidado para não confundir essa habilidade física com a velocidade de deslocamento. Por exemplo: um nadador pode apresentar uma maior frequência de braçadas e de passadas (maior velocidade dos membros), contudo, não possui uma boa velocidade de deslocamento. FIGURA 75 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE DE MEMBROS FONTE: Disponível em: <http://www.ahebrasil.com.br/upload/fotos/2011/12/02/ Can__Naiane_Pereira_e_a_Paula_Vergutz_-_Luiz_Pires_-_VIPCOMM.j>. Acesso em: 24 set. 2015. FIGURA 76 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE DE MEMBROS FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd 9GcThvUhQyLlm8GsJYHGZMcEEtjp1POe1ASPugMSS15_CHHz9Ha7aBQ>. Acesso em: 24 set. 2015. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 93 Velocidade de ação Por velocidade de ação entende-se a orientação do emprego em determinados esportes ou em grupos de esportes, prescindindo-se do aspecto puramente motor, e enfatiza fortemente os fatores espaciais e temporais que regem as exigências subjetivas da ação. As atividades com velocidade de ação começam de uma maneira e terminam de outra. É uma velocidade acíclica, inicia de um jeito e termina de outro, manifesta-se no esporte na forma de lançamento, de arremesso, de salto, de chute (WEINECK, 1991). FIGURA 77 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE DE AÇÃO FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9 GcRR6_OGxRNLDBiweWa PStunfyFgP9BCdVTEl8EhYJBbMk8uY5-QqA>. Acesso em: 24 set. 2015. FIGURA 78 - DEMONSTRAÇÃO DE VELOCIDADE DE AÇÃO FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn1.gstatic.com /images?q=tbn:ANd9GcRSZn6wQD0is0oTYPLntN0btnaVLw6 DdvXfP_7d7ZJFQJN2_xHRg>. Acesso em: 24 set. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 94 <http://www.efdeportes.com><http://www.jvianna.com.br/jefe/velocidade. PDF><https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=velocidade+motora+na+educa%C3%A 7%C3%A3o+fisica>. DICAS Se você quiser ter uma leitura minuciosa, pode acessar os sites a seguir: UNI Velocidade é um período curto de reação motora. A capacidade de velocidade, assim como qualquer uma das valências, pode ser aperfeiçoada, pois é determinada por: força, resistência, flexibilidade, coordenação. Velocidade é produto da amplitude, frequência e velocidade de reação (WEINECK, 1999). A velocidade é sempre trabalhada nas atividades durante as aulas de ginástica escolar, sendo em brincadeiras como: corrida de saco, dança das cadeiras ou pula corda, como também em jogos de competições, como: revezamento com bastão de 25 cm de comprimento, futebol, handebol, vôlei, entre tantos outros. Continuando nossos estudos sobre as valências físicas, agora teremos noções básicas de equilíbrio. ESTUDOS FU TUROS Equilíbrio É a capacidade de manter o corpo estabilizado (equilíbrio estático - mantém uma posição em determinado tempo) e/ou perder essa estabilização e recuperá-la em diversas trocas de posições e solicitações, denomina-se equilíbrio dinâmico - controle do corpo em movimento (TELEÑA, MUINÕ e GARCIA, 1977). Equilíbrio é “a faculdade de adaptar-se a uma posição contra a força da gravidade e manter o controle do corpo em situações difíceis” (TELEÑA, MUINÕ e GARCIA, 1977, p. 203). “O corpo necessita do equilíbrio para manter- se em pé, sendo que sua mobilidade é a combinação de duas valências, que TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 95 possuem uma relação de proximidade forte, o próprio equilíbrio e a coordenação motora” (ROSADAS, 1986, p. 71). “O equilíbrio corporal é a inter-relação com a coordenação motora, pois para se equilibrar é essencial a ação das capacidades da coordenação motora”. (ZAKHAROV, 1992, p. 174). FIGURA 79 - DEMONSTRAÇÃO DE EQUILÍBRIO ESTÁTICO FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_V5gBGYc5EYM/ SiGgd4sgVI/AAAAAAAAAwM/naidUfh00k4/s400/65.bmp>. Acesso: 30 set. 2015. FIGURA 80 - DEMONSTRAÇÃO DE EQUILÍBRIO DINÂMICO FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-tzTz7f4NXyY/UDdqu_kmboI/ AAAAAAAAFow/-NVB70JiA/s1600/fine+17.jpg>. Acesso em: 30 set. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 96 UNI Uma maneira divertida de trabalhar “equilíbrio” nas aulas de educação física é aplicar a brincadeira da “Mudança Tríplice”, que testa “equilíbrio, reflexo e destreza”. A organização da brincadeira inicia com o professor numerando os alunos de três em três, e colocando um aluno sozinho no centro do círculo. Para a execução da brincadeira o professor dá o sinal e dirá um dos três números (1, 2, 3) e todos os alunos correspondentes ao número chamado deverão mudar rapidamente um ao outro. O aluno do centro, durante essa mudança, deverá ocupar um dos lugares, aquele que não chegar ao lugar sobra e irá ao centro. Disponível em: <http://educacaofisicaeacao.blogspot.com.br/2010/06/53-brincadeiras-e-dinamicas-infantis.html>. Acesso em: 1 out. 2015. Veja nas sugestões de vídeos situações simples desenvolvidas por professores de educação física em suas aulas para estimular o equilíbrio, envolvendo força e coordenação motora. <www.youtube.com/watch?v=GUInTpwA0Mg> <www.youtube.com/watch?v=TSe6yGz2VY4> <www.youtube.com/watch?v=B1jeoRkkqxw> <www.youtube.com/watch?v=ZdTnxZk4zCU>. DICAS Ritmo É a capacidade de articular com evidência adequada o desenvolver de um movimento e de agrupar o desenvolvimento temporal e dinâmico que caracteriza, segundo conjuntos ritmicamente perceptíveis (SILVA e GIANNICHI, 1995). Por definição, ritmo é entendido como toda e qualquer organização do movimento dentro do tempo. Não faz parte apenas da música, o ritmo está ligado ao movimento. A conceituação e a avaliação do ritmo são complexas, mas ele pode ser adquirido por experiências e aprendizagem (ANDRADE, 1999). O ritmo é um elemento manifesto com música e aliado ao movimento. Essa capacidade pode ser trabalhada nas aulas de educação física usando brincadeiras de roda, como, por exemplo, a brincadeira “buraco do tatu ou rabo do jardim”, que é uma brincadeira que é feita com os alunos sentados em círculo no chão, e tem como auxílio “copos”, onde ocorre uma sintonia entre ritmo e movimento. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 97 UNI Você pode entender melhor essa brincadeira visualizando o blog e o site no endereço a seguir: <http://educacaofisicaeacao.blogspot.com.br/2010/06/53-brincadeiras-e-dinamicas-infantis.html>. <https://www.youtube.com/watch?v=AUqlkCikMRI>. Segundo Zimermann (1987, p. 288), “ritmo ocorre quando um indivíduo se adapta a um movimento ordenado, regular, com uma mesma cadência, compasso, e ele segue e realiza o movimento seguindo o seu ritmo interno”. O ritmo pode ser testado pelo “teste de ritmo”, utilizando um metrônomo (é um dispositivo do tipo de um relógio que mede o tempo do andamento musical) e um cronômetro. O teste é realizado durante um tempo próprio (10 segundos), executa-se uma corrida no ritmo do metrônomo (42 golpes a cada 15 segundos). Em seguida, o metrônomo é desligado e o indivíduo deverá correr seguindo o mesmo ritmo. Corre 42 passos e mede-se o tempo realizado, que é comparado com o tempo proposto no ritmo definido pelo metrônomo (15 segundos) (BENDA, 2001). De acordo com Beraldi (1997), o ritmo reflete uma ordem temporal e espacial ao movimento, intensificando sua estrutura com uma acentuação que vem reforçar sua amplitude, o seu desenho no espaço. O meio em que vive o homem é um universo rítmico, tudo o que nos rodeia expressa “ritmo”, tanto que é considerado um constituinte de comunicação universal entre os homens, fazendo parte de todo o conjunto de movimentos. A palavra ritmo teve origem do grego rhein e significa fluir. E entende que “o ritmo constitui a coordenação motora e integração funcional de todas as forças estruturadas, tanto corporais como psíquicas e espirituais”. (NISTA-PICCOLO, 1998, p. 13). Para diferenciar ritmo de compasso e demonstrar que são distintos, Nista-Piccolo (1998, p. 15) denota: "Ritmo é o movimento das ondas do mar que se repetem periodicamente, de forma semelhante, mas não idêntica, enquanto métrica é a repetição exata, tal qual nas mudanças de luz de um farol de trânsito". Na realização de aulas de educação física, o ritmo é muito requisitado, mas a sua execução nem sempre é fácil a todos. Para trabalhar essa capacidade é importante que o professor estimule seus alunos de forma coerente, para que o ritmo se torne apropriado e consiga alcançar o acomodamento na sincronia do ritmo-movimento. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 98 E assim, em uma aula em que o ritmo seja o objetivo é necessário um planejamento e atividades que envolvam: comando de voz, contagem numérica, comando por algum instrumento sonoro, comando por palmas, exploração do espaço e direção, identificação do ritmo no jogo ou atividade, percepção temporal (tempo), espacial (noção do seu corpo no espaço) e rítmica (identificação do ritmo durante a aula). Tudo isso tem que ser planejado para que a criança, o adolescente, percebam que estão trabalhando ritmo, tomando consciência da reação que ocorre no campo espacial e temporal, durante uma aula de ritmo. NOTA Incorporar diferentes atividades nas aulas de educação física escolar, evidenciando “ritmo”, é certamente a melhor maneira de conhecimento, experiência e desenvolvimento da expressão corporal (BERALDI, 1997). FIGURA 81 - DEMONSTRAÇÃO DE ATIVIDADES ESCOLARES DE APRIMORAMENTO DE RITMO FONTE: Disponível em: <http://www.ndonline.com.br/uploads/2011/10/14-10- 2011-14-44-10-foto-marcelobittencourt-14.10.11-escola-vila-formosa-projeto-mais- educacao-19-.jpg>. Acesso: 2 out. 2015. A seguir, para encerrar nosso assunto sobre valências físicas, vamos conhecer a última: “agilidade”. ESTUDOS FU TUROS TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 99 Agilidade Agilidade é a responsável por modificações rápidas e precisas do corpo durante a execução do movimento (BARBANTI, 2003). A agilidade é um componente neuromuscular caracterizado pela troca rápida de direção, sentido e deslocamento da altura do centro de gravidade e de todo corpo ou parte dele (MATSUDO, 1980). A agilidade é observada no corpo como um todo ou isoladamente nos segmentos corporais. Ambas são necessárias para o estímulo e a manutenção da expressão corporal. A agilidade geral, do corpo todo, permite uma melhor locomoção, enquanto a agilidade específica de membros superiores e inferiores proporciona uma melhor eficiência na execução das tarefas básicas que exigem performances destes membros (MAGIL, 1984). A agilidade, em conjunto com as demais capacidades físicas, proporciona uma maior independência. Tendo consciência desses conceitos é importante que, durante o planejamento das aulas de educação física, as atividades que envolvam essa capacidade sejam bem estimuladas (BARBANTI, 2003). A tarefa sugerida para a mensuração da habilidade referida é o “Teste do quadrado ou quatro cantos”, descrito a seguir: Material: um cronômetro, um quadrado desenhado em solo antiderrapante com 4 m de lado, quatro cones de 50 cm de altura ou quatro garrafas de refrigerante de dois litros do tipo PET. Orientação: O aluno parte da posição de pé, com um pé avançado à frente imediatamente atrás da linha de partida. Ao sinal do avaliador, deverá deslocar-se até o próximo cone em direção diagonal. Na sequência, corre em direção ao cone à sua esquerda e depois se desloca para o cone em diagonal (atravessa o quadrado em diagonal). Finalmente, corre em direção ao último cone, que corresponde ao ponto de partida. O aluno deverá tocar com uma das mãos cada um dos cones que demarcam o percurso. O cronômetro deverá ser acionado pelo avaliador no momento em que o avaliado realizar o primeiro passo tocando com o pé o interior do quadrado. Serão realizadas duas tentativas, sendo registrado o melhor tempo de execução. Anotação: A medida será registrada em segundos e centésimos de segundo (duas casas após a vírgula) (BARBANTI, 2003). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 100 FIGURA 82 - DEMONSTRAÇÃO DO TESTE DE AGILIDADE 4 metros 4 metros 4 metros 4 metros FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/C79uJsdM01E/TfOw6ezHCiI/ AAAAAAAAAH8/_q0tcA1Kjbc/s1600/Teste+de+agilidade.png>. Acesso: 2 out. 2015. UNI Exemplos de atividades, brincadeiras para trabalhar “agilidade” na aula de educação física: Pique-Volta: É um tipo de pega-pega, brincado em um espaço amplo e que tenha paredes nas duas extremidades. Quem for pego, deverá pegar a pessoa que lhe pegou antes que ela corra e toque na parede do muro. Se o participante conseguir tocar na parede ou no muro antes de ser pego, ele é quem pega, o que fará com que o pegador se transforme em vítima. Assim que conseguir tocar na parede, seráo pegador. Vence quem tocar no muro mais vezes (cada aluno conta as vezes que tocar no muro). Cordão: É um pega-pega que quem for pego deve segurar na mão do pegador, e juntos deverão pegar os demais. E nenhum pegador pode soltar das mãos dos companheiros. Arranca-Rabo: Formar um grupo de alunos e dividi-lo em dois, os integrantes de um dos times penduram um pedaço de fita na parte de trás da calça ou bermuda, eles serão os fugitivos. O professor dará um sinal. E os fugitivos correm tentando impedir que as crianças do time adversário peguem suas fitas. Quando todos os rabos forem arrancados, as equipes trocam de papéis, quem era pegador vira fugitivo. Disponível em: <http://profecarminha.blogspot.com.br/2011/11/habilidades-motoras-brinca deiras-que.html>. Acesso em: 2 out. 2015. TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 101 O “teste do quadrado” pode ser visualizado no link a seguir: <https://www.youtube.com/watch?v=IE9g1dwEkNA>. DICAS FIGURA 83 - DEMONSTRAÇÃO DE AGILIDADE COM A BRINCADEIRA CORRIDA DO SACO FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/ aulas/12886/imagens/corridasacoi.jpg>. Acesso em: 3 out. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 102 LEITURA COMPLEMENTAR A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS / BRINCADEIRAS PARA A APRENDIZAGEM DOS ESPORTES NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA No artigo publicado de Silva (2007), a autora abordou a importância dos jogos e brincadeiras para a aprendizagem dos esportes nas aulas de educação física na rede pública do município de São Luís-MA. Teve como objetivo identificar os conteúdos desenvolvidos em sala de aula, como estímulo para aquisição e aprimoramento do domínio corporal no espaço e no tempo, como, por exemplo, a combinação de movimentos grossos e finos e todas as habilidades físicas específicas para a maturação das diversas formas motoras. Realizou uma pesquisa de investigação, bibliográfica e de campo do tipo descritivo- exploratória. A pesquisa foi executada com 11 professores de quatro escolas do município de São Luís, nas séries de 5ª a 8ª do Ensino Fundamental. A autora chegou a algumas conclusões, as quais alguns gráficos explicitam abaixo. 1) Os professores estão convictos de que atividades e jogos propostos em aula devem seguir o nível de habilidades motoras dos alunos, mediante desafios táticos, eles obtêm êxito no aprendizado do jogo e/ou brincadeira. Assim, o professor pode e deve modificar os jogos, alterar suas regras e instrumentos, criando um ambiente desafiador que leva os alunos a melhorarem suas habilidades motoras (resistência, força, alongamento, coordenação, flexibilidade, velocidade, agilidade, ritmo e equilíbrio), como também aumentar a capacidade de tomada de decisão durante a realização do jogo ou brincadeira. 2) Os jogos são relevantes para o desenvolvimento psicossocial, motor (habilidades), ajudam na concentração, estimulam as habilidades nos esportes e melhoram a relação entre os alunos, desenvolvendo senso de coletividade. 3) Os jogos/brincadeiras são essenciais na educação física enquanto meio de educação por meio do movimento. 18,2% d c b a 36,3% 27,3%18,2% a □ Melhor forma de ensinar esporte b □ Ajuda na assimilação do conteúdo c □ Contribuem para a formação do esporte e do aluno d □ Desenvolvem as habilidades e constituem a base para o desenvolvimento Gráfico 1 – Distribuição da amostra quanto à utilização dos jogos/brincadeiras no ensino dos esportes Fonte: Dados da Pesquisa TÓPICO 1 | A FISIOLOGIA DA GINÁSTICA ESCOLAR 103 18,2% d c b a 36,3% 27,3%18,2% a □ Brincadeiras com bola em geral, tiro ao alvo e vôlei b □ Câmbio, queimado, pião (bobo) e estafeta c □ Corridas de pega, jogos cooperativos, pula corda, pegador, tico-bol, passe dez d □ Vôlei gigante, casa e sítio, futebol de dois pontos e jogos de perseguição Gráfico 2 – Distribuição da amostra quanto aos jogos/brincadeiras mais utilizados nas aulas Gráfico 3 – Distribuição da amostra quanto quanto assimilação dos conteúdos Fonte: Dados da Pesquisa Fonte: Dados da Pesquisa a □ O aprendizado ocorre naturalmete de forma lúdica, trabalha-se a mecânica do esporte de forma lúdica e prazerosa b □ Acontece a interação entre os alunos dando-se oportunidade para todos c □ Os jogos são estímulos e trabalha o lado social desenvolvendo habilidades d □ São motivantes, realização de um trabalho mais técnico principalmente em atividades de atenção e □ O interesse do aluno melhora como também a cultura, ainda existem dificuldades de adaptação por conta do fator gênero 36,4% d c e b a 9,1% 9,1% 27,3%18,1% UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 104 Você poderá ler a íntegra desse trabalho no endereço a seguir: <http://www.ufrgs.br/ceme/uploads/1381975809Copia_de_Monografia_Antonia_Pereira_ da_Silva.pdf>. DICAS 105 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico você viu que: • A resistência é a capacidade de executar um movimento durante um período de tempo. • A flexibilidade é a capacidade do músculo de relaxar e ceder a uma força de alongamento, extensibilidade muscular. • O alongamento é a capacidade do músculo em realizar o estiramento de suas fibras, fazendo com que elas aumentem de comprimento. • A força é a capacidade de vigor, contração do músculo, tensão que o músculo produz em um esforço realizado por um curto período de tempo. • A potência é a capacidade de força dividida pela unidade tempo. • A coordenação é a capacidade de utilizar conjuntamente as propriedades do sistema nervoso e muscular sem que uma interfira na outra. • A velocidade é a capacidade do sistema nervo-músculo de desenvolver força muscular, de completar ações motoras, em determinadas condições, no mesmo tempo. • O equilíbrio é a capacidade de manter o corpo estabilizado. • O ritmo é a capacidade de articular com evidência adequada o desenvolver do movimento e de agrupar o desenvolvimento temporal, segundo os conjuntos ritmicamente perceptíveis. • A agilidade é a capacidade de realizar modificações rápidas e precisas do corpo durante a execução do movimento. 106 AUTOATIVIDADE Responda às questões abaixo. 1 As valências físicas são organizadas em vários aspectos: resistência, flexibilidade, ritmo, agilidade, equilíbrio, velocidade, coordenação, potência, força, alongamento. Nesse sentido, assinale V para verdadeiro e F para falso sobre as características que compõem os aspectos das valências: ( ) Em relação à resistência muscular, podemos dizer que é uma capacidade que o músculo adota de executar uma quantidade numerosa de contrações sem que haja diminuição do movimento, na velocidade e na força. ( ) Movimentos de alongamentos não assumem relevância no desenvolvimento da elasticidade dos músculos, tendões e ligamento, estimulando a consciência corporal. ( ) Assim como a força, o ritmo e a agilidade podem ser avaliados por meio de testes, e um deles é fazer alongamento de membros inferiores. ( ) Como uma das valências físicas, a coordenação motora é compreendida por uma competência do cérebro em sustentar os movimentos do corpo, na ação dos músculos e das articulações. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a) ( ) F – F – V – V. b) ( ) V – F – F – F. c) ( ) F – V – F – V. d) ( ) V- F – F – V. 2 Segundo Tubino (1979), valências físicas são habilidades que cada indivíduo possui, classificadas em níveis de menor a maior complexidade. Diante disto, qual das alternativas caracteriza valências físicas? a) Contratura e atrofia muscular. a) Coordenação, reflexo, corrida. c) Amplitude de movimento e atividades de vida diária. d) Força, equilíbrio e flexibilidade. e) Alongamento, capacidades individuais e estiramento. 107 3 Em concordância com Weineck (1999), na velocidade, uma das valências físicas é “a capacidade, com base na mobilidade dos processos do sistema nervo-músculo, de desenvolver força muscular, de completar ações motoras, emdeterminadas condições, no mesmo tempo”. Sobre esses aspectos da velocidade, analise as seguintes sentenças: “A velocidade motora resulta, portanto, da capacidade psíquica, cognitiva, coordenativa e do condicionamento, sujeitas às influências genéticas, do aprendizado, do desenvolvimento sensorial e neuronal, bem como de tendões, músculos e capacidade de mobilização energética”. (WEINECK, 1999, p. 379). E ainda, a velocidade é entendida como uma capacidade peculiar dos músculos e suas coordenações neuromusculares que facilitam a efetivação de um seguimento rápido dos gestos, que, em sua construção, constituem uma só e mesma ação, de máxima intensidade e de breve duração (TUBINO, 1984). a) ( ) Ambas afirmações são falsas. b) ( ) As duas são verdadeiras e a segunda é complemento e justificativa da primeira. c) ( ) As duas são verdadeiras, mas não têm relação entre si. d) ( ) A primeira é uma afirmação e a segunda é falsa. 4 Qual é a definição da valência física “Resistência”, para Weineck (2000)? a) Resistência é a capacidade de um grupo muscular executar contrações repetitivas por um período de tempo suficiente para causar fadiga muscular ou manter estaticamente uma percentagem específica de contração voluntária muscular (CVM) por um período de tempo prolongado. b) Resistência muscular localizada (RML) é definida como qualidade física que permite um contínuo esforço, proveniente de exercícios prolongados, durante um determinado tempo. c) Resistência é a capacidade geral psicofísica de tolerância à fadiga em sobrecargas de longa duração, bem como a capacidade de uma rápida recuperação após estas sobrecargas. d) É a capacidade física que concede ao organismo executar um esforço de alta intensidade por um curto período de tempo. São esforços de grande intensidade que requerem alto gasto de oxigênio, mas de curta duração. 5 Segundo Gunsch, Silva e Navarro (2010), na ginástica escolar a amplitude de movimento é muito valorizada, por uma valência física ter um papel fundamental para o desenvolvimento motor das crianças. Qual é? 108 a) Alongamento muscular. b) Velocidade. c) Flexibilidade. d) Ritmo. 6 Sobre o alongamento, assinale a alternativa correta: a) É classificado em duas modalidades: alongamento estático e balístico. b) Não é compatível com a flexibilidade. c) Suas fibras musculares diminuem seu comprimento e como consequência ocorre a diminuição da agilidade. d) Não é um exercício adequado para aumentar a mobilidade dos tecidos moles. e) O alongamento é um exercício utilizado para alongar o tecido ósseo em indivíduos adultos. 109 TÓPICO 2 CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, você será apresentado à classificação e aos métodos da ginástica escolar, dentre elas as ginásticas: circense, rítmica desportiva, artística (olímpica) e pilates na escola. Os conteúdos de cada modalidade de ginástica terão seus conceitos básicos para melhor entendimento e aplicabilidade nas aulas de educação física. 2 GINÁSTICA CIRCENSE Para entendermos o que é a ginástica circense temos que viajar um pouco no tempo e descobrirmos como eram os primórdios do circo. O histórico da cultura circense é muito antigo, registros demonstram que o circo teve seus primórdios há 4.000 anos a.C. na China, a partir de pinturas antigas, onde estavam desenhados acrobatas, equilibristas e contorcionistas. A acrobacia era uma maneira de exercício, capacitação para os guerreiros da época, pois o treino acrobático solicitava muitos movimentos que envolviam força, flexibilidade e agilidade (CASTRO, 2005). Querubim (2003) explica que a palavra “circus” é de origem latina e designa o lugar onde as competições romanas aconteciam. É uma arte muito expressiva e por muito tempo utilizaram-se os números de picadeiro (área central, circular, onde os artistas realizavam as exibições) com animais, e com o passar dos anos, o artista foi introduzido no espetáculo. “Embora sempre tenham mantido um lugar de privilégio, as apresentações com animais diminuíram e foram, pouco a pouco, desde meados do século XIX, cedendo lugar a outros números”. (COXE, 1988, p. 28). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 110 Há relatos de que em 108 a.C. houve uma grandiosa festividade em homenagem aos visitantes estrangeiros, e nessa ocasião ocorreram apresentações acrobáticas que impressionaram a todos pela variedade de movimentos e a capacidade em realizá-los. E depois desta festa o imperador deliberou que todas as festividades fossem agraciadas com espetáculos do gênero, principalmente no festival da Primeira Lua (TORRES, 1998). E assim, com o passar do tempo foram se agregando outras qualidades e acrescidas muitas brincadeiras, beleza, graça e harmonia, estabelecendo “o circo” como entretenimento popular, onde o malabarismo com espigas de milho, os saltos acrobáticos e até equilibrar vasos gigantes com os pés eram a parte alta do espetáculo, que foi sendo aprimorado com a evolução (TORRES, 1998). FIGURA 84- FIGURA DEMONSTRATIVA DO CIRCO FONTE: Disponível em: <http://www.rhbn.com.br/uploads/docs/images/images/ Gran%20Circus%20Americano%20-%20Niter%C3%B3i%20-%2017-Nov-1961.jpg>. Acesso em: 16 out. 2015. FIGURA 85 - FIGURA DEMONSTRATIVA DO CIRCO ANTIGO FONTE: Disponível em: <http://amigosporelviento.wikispaces.com/file/view/circo. jpg/386539164/circo.jpg>. Acesso em: 16 out. 2015. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 111 Para muitos historiadores, os “domadores” tiveram origem nesse período, época de faraós, que se orgulhavam em exibir, nos desfiles militares, seus domadores com animais ferozes, no Egito, em 2.500 a.C. Em 1.500 a.C., na Índia, há registros de que o contorcionismo estava presente nos rituais e cerimônias sagradas. Na Grécia, por volta de 300 a.C., existiam apresentações com números de equilíbrio e força, faziam parte das modalidades olímpicas, e juntamente com essas apresentações surgiram os primeiros “palhaços”, que eram sátiros e faziam o povo rir (CASTRO, 2005). No ano de 70 a.C. havia um anfiteatro para os espetáculos de habilidades incomuns na cidade de Pompeia, do Império Romano, e nesse mesmo lugar foi encenado o “Circo Máximo de Roma”. Esse local foi destruído por um incêndio em 40 a.C., sendo construído no mesmo local um Coliseu com 87 mil lugares para os espectadores. As exibições eram realizadas no Coliseu, eram apresentações excêntricas de homens louros nórdicos, engolidores de fogo, gladiadores e animais exóticos (CASTRO, 2005). Com o início da Idade Média, século V, surgiram “trupes” (grupos de artistas, comediantes, palhaços) de mímicos, ilusionistas, equilibristas, entre outros, que se apresentavam em feiras, praças e também nas ruas da Europa (TORRES, 1998). Nessa época, a censura por parte da Igreja era muito forte. Espetáculos que utilizassem partes do corpo eram proibidos. E os artistas que andavam pelos castelos e cortes passaram a reunir-se em praças e feiras, assim deram origem a verdadeiras companhias de saltimbancos (TORRES, 1998). O circo em Roma, além de diversão, servia também para alienar a população, os problemas sociais eram ocultados enquanto a mesma estava entretida (QUERUBIM, 2013). No século XVIII, na Europa, principalmente na Inglaterra, França e Espanha, o movimento dos saltimbancos em feiras e praças foi crescendo e tomando força, pois nelas encontravam-se sortidas culturas e era o lugar de reconhecimento do povo. As exibições de destrezas com cavalos e provas de equitação eram frequentes. Tudo isso começou a chamar a atenção e atrair grande público para as praças e feiras, até que no ano de 1770, em Londres, foi inaugurado o primeiro circo europeu, por um oficial da cavalaria britânica, o Astley’s Amphitreatre, que tinha picadeiro com arquibancadas ao redor. No começo, as apresentações mantinham os espetáculos equestres com o rigor militar, mas com o passar do tempo os saltimbancos,equilibristas, saltadores e palhaços passaram a fazer parte do show, mesclando atrações de equilíbrio, malabarismo com diversos objetos, força, dança na corda, acrobacias e um pouco de teatro (CASTRO, 2005). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 112 No Brasil, os ciganos que evadiram da Europa iniciaram as atividades circenses por aqui, trouxeram vários números de doma de ursos e leões; exibições com cavalos, ilusionismo, atividades de muito equilíbrio e força faziam parte de suas habilidades demonstradas nas apresentações. Os circenses viajavam de cidade em cidade e adaptavam seus espetáculos conforme a preferência da população local. Em 1700, os circos itinerantes já percorriam o país (QUERUBIM, 2003). O circo como o conhecemos, ouvimos falar ou que assistimos na televisão, em filmes, com sua natureza peculiar, surgiu no final do século XIX. A trupe se instalava na periferia das cidades, esticava uma lona para proteção do mau tempo e para que pudesse cobrar, e realizava os espetáculos para as classes populares. A bilheteria era fonte de renda e sustento de toda a trupe. O nomadismo é uma característica marcante da cultura circense, foi uma estratégia que os donos de circos encontraram para diminuir os custos financeiros, assim não tinham despesas com aluguéis de terrenos e o retorno da bilheteria era maior. A forma nômade, a liberdade de não ter endereço fixo, segundo Baroni (2006), não é uma simples alternativa de sobrevivência, é uma concepção cultural dos ciganos, saltimbancos, do povo circense. As artes circenses, como a dança e o canto, têm origem no sagrado, naquelas representações onde se permitia essa loucura que é a arte. Além, claro, da sua relação com as práticas esportivas. Já o circo, como nós o conhecemos – um picadeiro, lonas, mastros, trapézios, desfiles, animais exóticos e suas jaulas, isso para não citar a pipoca e o algodão doce -, é a forma moderna de antiquíssimo entretenimento de diversos povos e culturas. Mas o circo como espetáculo pago, como picadeiro onde se apresentam números de equilíbrio a cavalo e habilidades diversas, é muito recente. (TORRES, 1998, p. 16). Recentemente, nos anos 80, houve a criação da Escola Nacional de Circo, localizada no Rio de Janeiro, e vários filhos de proprietários de circos foram se profissionalizar. As técnicas de dança e teatro foram mais utilizadas nas apresentações de circo. E com esse processo de profissionalização, houve uma mudança no circo, que aos poucos está abrindo espaço para o Circo Contemporâneo, o Novo Circo. Para suprir a demanda de artistas, surgiram as escolas de circo, que passaram a formar novos artistas, agora não mais indivíduos pertencentes às famílias circenses, e com isso o modelo tradicional ou familiar de circo sofreu uma ruptura, abrindo espaço para o que se conhece atualmente como Circo Novo ou Circo Contemporâneo. (BARONI, 2006, p. 89). A arte circense é milenar e construiu sua cultura espetáculo após espetáculo, transmitida de pai para filho por gerações. Com a evolução do tempo, a falta de investimentos do poder público e as novas formas de entretenimento culminaram para um drástico declínio dessa cultura. Mas, ao contrário do que muitos pensam, que o circo acabou, existem mais de 2.000 circos espalhados pelo Brasil, buscando TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 113 cada vez mais profissionalização e modernização dos espetáculos para torná-los mais atrativos ao público como um todo, mantendo-se vivo no cenário brasileiro. O Circo Spacial foi um dos primeiros circos do Brasil e ainda continua vivo, com uma grande estrutura física, proporcionando grandes espetáculos com trapézio de voos, animais e grande elenco (CASTRO, 2005). Nos endereços dos vídeos a seguir você poderá visualizar reproduções de tais encontros artísticos circenses de que falamos até então: <https://www.youtube.com/watch?v=_UsfvhVW-pk> (Circo Spacial) <https://www.youtube.com/watch?v=d2uyoi0LdEc> <https://www.youtube.com/watch?v=CZPjnxKW3cY> <http://mestresdahistoria.blogspot.com.br/2009/12/os-saltimbancos-artistas-medievais- que.html>. DICAS Agora, depois dessa breve viagem pela história do circo, retornemos ao nosso foco, a ginástica. Dentro do circo ela está presente em todos os movimentos, desde as cambalhotas dos palhaços, passando pelo equilibrismo do artista que anda na corda bamba, se equilibra no cavalo em movimento, na agilidade do atirador de facas e do domador de animais, a força e a flexibilidade para os voos do trapézio, o contorcionista, o acrobata, o homem-bala, até a coordenação do malabarista que mistura em seus movimentos bolinhas, aros, claves, entre tantas outras atrações. Com todas essas informações, vários questionamentos e ideias permeiam a cabeça do professor de educação física, entre elas: Como inserir atividades circenses numa aula de educação física? Por onde começar? Ou: como propor aos alunos artes circenses enquanto elemento de cultura corporal e vivência do entretenimento? Para aplicarmos a arte circense na prática da aula de educação física temos que entender a diferença entre arte e ginástica circense. O circo é a institucionalização das práticas associadas a atividades não corporais, como adestramento de animais. É a representação de passatempo, recreação de diversos povos e culturas. E as artes circenses são expressões humanas onde existe uma linguagem corporal voltada para a expressão e vivência (TORRES, 1998; BARONI, 2006). Arte circense é uma manifestação artística que desperta o interesse e o fascínio para os espectadores e para os próprios artistas, pois são usados movimentos e expressões corporais de forma espetacular (SIMÕES; GOMES; OLIVEIRA, 2008). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 114 A atividade circense é configurada como uma atividade que reúne vários conhecimentos de caráter educativo, o que é suficiente para abordar tal arte no currículo não só da Educação Física, mas de outras disciplinas escolares (INVÉRNO, 2003 apud DUPRAT; BORTOLETO, 2007). Para o professor de educação física inserir a ginástica circense em suas aulas, ele deve entender a sua realidade, observar as possibilidades da escola, do local, do grupo de alunos e realizar um planejamento da atividade a ser desenvolvida. Para iniciar é interessante fazer uma sucinta explanação sobre o assunto proposto e avaliar as possibilidades e os limites dos alunos. Em seguida, classificar as modalidades e eleger os materiais que podem ser aplicados em aula, sendo compatíveis com as ações corporais desejadas a executar (DUPRAT e BORTOLETO, 2007). Bortoleto e Machado (2003 apud DUPRAT; BORTOLOTO, 2007) preconizam também que durante a aula a proposta atenda às necessidades lúdicas, vivência motora, infraestrutura escolar e conhecimento do professor e dos alunos sobre o exercício a ser aplicado, atentando para a segurança dos mesmos. Exemplo: Prática de malabarismos com bolas e/ou claves feitas de garrafas pet, não acrescentar risco elevado de periculosidade aos executantes e também de baixo custo, que até os próprios alunos podem confeccionar para usá-los durante a aula de ginástica circense. Os materiais que também podem ser usados nas aulas de Educação Física são: massas, bolas, arcos, para realizar as seguintes atividades: atirar, lançar, girar, rotar, manter em equilíbrio, arrastar ou conduzir, recepcionar, golpear e balançar. A bola pode ser feita de meia com uma bola de tênis dentro (AYALA, 2008). Essa atividade exemplificada trabalha muito a capacidade motora do aluno sem que ele perceba, pois o lúdico está presente, deixando a atividade muito leve e prazerosa. Além disso, desenvolve outras capacidades, como o raciocínio lógico, na tentativa de solucionar possíveis problemas, domínio visual, desenvolvimento das relações sociais, interagem e cooperam entre si para superar as dificuldades e conseguir realizar os movimentos(COSTA et al., 2008; VENTURINI, 2010). Ainda falando de malabarismos, que é a habilidade de manusear um ou mais objetos, não podemos deixar de exemplificar uma das modalidades mais antigas praticadas no circo, que é a chamada “Tábua equilíbrio ou o rola-rola”, que é realizada com um cilindro e uma prancha, tábua que desliza lateralmente sobre o cilindro, rolo, estimulando o controle de equilíbrio (AYALA, 2008; GÁSPARI et al., 2007). TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 115 FIGURA 86 - DEMONSTRAÇÃO DE ATIVIDADES CIRCENSES DE MALABARES NA AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA FONTE: Disponível em: <http://msalx.revistaescola.abril.com.br/2013/06/06/1853/ LfC4j/educacao-fisica-palavra-especialista-inclusao-circo-bambole.jpeg>. Acesso em: 19 out. 2015. FIGURA 87 - DEMONSTRAÇÃO DE MALABARISMO FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/ galerias/imagem/0000000120/0000022004.jpg>. Acesso em: 19 out. 2015. Outro exemplo de ginástica circense que pode ser desenvolvido em aulas de educação física é a modalidade de acrobacia, que trabalha muito as valências físicas, flexibilidade e equilíbrio e ainda estimula a memória, a relação de peso x força, distância, altura, impulsão e força de explosão (COSTA et al., 2008; VENTURINE et al., 2010). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 116 Podem ser trabalhadas no solo, no ar ou em aparelhos específicos, pois a acrobacia é um jogo de preenchimento do espaço com o próprio corpo, que inicia a partir de medidas de distâncias, limite e pesos (SILVA e LEITE, 2008). Baroni (2006, p. 93) defende que existem várias modalidades da arte circense que podem ser trabalhadas não só na educação física, mas também em outras disciplinas, como as encenações dos palhaços e mágicos que desenvolvem a interdisciplinaridade, integrando o aprendizado do aluno. E defende o seguinte raciocínio: a acrobacia, o malabarismo, o trapézio, o palhaço, a corda bamba, o contorcionismo, enfim, as mais diversas formas de manifestação dessa arte são vivenciadas a partir da escuta dos corpos brincantes que expressam medo, vergonha, angústia, ansiedade, satisfação, coragem, dificuldades e qualidades físicas e emocionais, que são mediadas para que cada um se torne sujeito atuante. FIGURA 88 - DEMONSTRAÇÃO DE ATIVIDADES ACROBÁTICAS NA AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn1.gstatic.com/images?q=tbn:AN d9GcTv6wGmGMpnzAfwTmmxAcd6E6bkmmMap_xiPedf6EyeKD4B14ny>. Acesso em: 19 out. 2015. FIGURA 89 - DEMONSTRAÇÃO DE ATIVIDADES ACROBÁTICAS NA AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/KHo3IZmepdE/UWlL4fdU9I/ AAAAAAAAAJI/EU3l68JsPNk/s1600/Gin+(12).JPG>. Acesso em: 19 out. 2015. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 117 Outra atividade circense que pode ser trabalhada em aula, dependendo das estruturas da escola, são as atividades de acrobacias com tecidos, bandeira, pedaços de tecidos coloridos fixados no teto do ginásio, ou do lugar específico para a realização do mesmo, e estimulam as noções de lateralidade (direita e esquerda), direção (frente, atrás, diagonal), ritmo (lento, moderado, acelerado), organização espacial (dentro, fora, acima, abaixo, ao lado, sobre), bem como conceitos de flexionar, estender, alongar, inclinar, girar, balancear (COSTA, TIAEN, SAMBUGARI, 2008). FIGURA 90 - DEMONSTRAÇÃO DE ATIVIDADES DE ACROBACIA COM TECIDO FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-N5bqY79R9ew/ U0XfCua56ZI/AAAAAAAAAf8/sAFju3uQ-8c/s1600/escola+203.jpg>.Acesso em: 19 out. 2015. FIGURA 91 - DEMONSTRAÇÃO DE ATIVIDADES DE ACROBACIA COM TECIDO FONTE: Disponível em: <http://www.itu.com.br/img/conteudo/46323_full. jpg>.Acesso em: 19 out. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 118 UNI Para Duprat e Bortoloto (2007), há uma riqueza de possibilidades de movimentos oferecida pela arte circense, desde as formas mais simples até as mais complexas. Pode ser em grupo ou individual, e bem exploradas pelo professor, remetem ao aluno uma vasta diversidade de experiências motoras e corporais únicas de expressão, criatividade, perigo, magia e encantamento. Nos vídeos a seguir você poderá ver na prática aulas de educação física utilizando as artes circenses. <https://www.youtube.com/watch?v=v_Okq4ihkyI> (Atividades acrobáticas no tecido). <https://www.youtube.com/watch?v=lfM5Ym-DYZk> (Atividades circenses: Possibilidade e perspectivas para a Educação Física Escolar). Com a leitura a seguir você terá condições de trabalhar ginástica rítmica desportiva em suas aulas de educação física. Boa leitura! ESTUDOS FU TUROS Ginástica rítmica A ginástica rítmica teve origem nas escolas europeias no século XIX, com o educador Jacques Dalcroze, que trabalhava diferentes formas de exercícios físicos. Quatro países (Alemanha, Suécia, Inglaterra e França) (SOARES, 2001) demonstravam esse tipo de ginásticas, mas a GR originou mesmo na Alemanha, com base nos estudos de Basedow e Salzmann, influenciados pelo estilo de Rousseau, que defendia o pensamento de que o exercício ocupava lugar de destaque na formação do homem (SANTOS 1994). Essa nomenclatura GR é uma denominação recente, do século XXI, antes conhecida como ginástica rítmica moderna, ginástica feminina moderna e ginástica rítmica desportiva. A sua formação sofreu influência da conexão entre a arte, a música, a dança e o teatro. Vários pesquisadores estudavam tal modalidade de ginástica, mas foi Rudolf Bode seu verdadeiro criador, que desenvolveu um sistema de exercícios integrados com a dança. A ginástica fluía como uma reação aos movimentos padrões básicos das características fisiológicas e anatômicas vigentes na ginástica daquela época (SAUR, 1980). TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 119 Esse conjunto de exercícios corporais idealizado por Bode tinha como característica principal a integralidade dos movimentos e a fluência rítmica (SANTOS, 1994). E Medau, um experiente professor alemão, estudioso do movimento e da música e que foi presidente da federação de ginástica alemã, Deutsche Gymnastikbud, analisou muito os movimentos graciosos das mulheres durante a ginástica e, então, inseriu aparelhos manuais aos exercícios idealizados por Bode, dentre eles: bolas, fitas, arcos, cordas e maças, executados seguindo um ritmo musical. Medau afirmava que a inclusão desses aparelhos refinava a expressão natural do movimento, exercendo certo grau de complexidade e fluência rítmica (VELARDI, 1999). Com o passar do tempo, a GR foi passando pelo processo de evolução e foi consolidada como uma prática corporal realizada com aparelhos. Dentro da sua estruturação e desempenho, a GR foi sendo aprimorada, fomentando suas características específicas, tomando um cunho competitivo integrado ao seu lado pedagógico. As técnicas para a prática da GR eram e são muito minuciosas, trabalhadas, há uma preocupação, um rigor quanto à postura, à respiração, aos movimentos rítmicos das palmas e as batidas no chão, tudo deve ser ritmado, compassado (MATIAS, 1997). Em 1952 houve a fundação de uma liga, a Liga Internacional de Ginástica Moderna, que consolidou a GR numa perspectiva competitiva, sendo reconhecida pela Federação Internacional de Ginástica como um esporte independente, e regulamentada anos depois, como uma modalidade de ginástica específica, de alto nível de dificuldade com utilização de aparelhos. NOTA Atualmente é um esporte reconhecido mundialmente, exclusivamente feminino, que apresenta uma coreografia muito bem ritmada, que segue uma sequência de movimentos corporais, especificamente planejados, manejando aparelhos. Pode ser realizada individualmente ou em grupos de até cinco ginastas, onde protagonizam apresentações que chegam a ser espetáculo de ritmo, dança e movimento, articulado com um dos cinco aparelhos, mediante a avaliação de um júri. Essa modalidade faz partedas Olimpíadas e o Brasil já garantiu sua vaga nas Olímpiadas de 2016, nas categorias conjunto e individual com a ginasta Natália Gaudio. Leia a seguir várias definições e conceitos práticos sobre a ginástica rítmica, que complementarão seu aprendizado. DICAS UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 120 A GR é um dos desdobramentos da ginástica que permite infinitas possiblidades de movimentos corporais combinados com elementos de balé e dança. A GR tem como base o desenvolvimento do conjunto da expressão corporal e a virtuosidade técnica, desencadeando movimento e ritmo harmoniosos. (LAFFRANCHI, 2005). A GR como desporto é uma modalidade esportiva essencialmente feminina, que requer um alto nível de desenvolvimento das habilidades físicas, exigências de rendimento elevado, chegando perto da perfeição, pois são movimentos complexos que utilizam vários aparelhos (LEBRE, 1993). É uma fusão de atividades esportivas que procura a excelência de desempenho, mas também é considerada uma prática artística que preconiza a criação, composição, amplitude, harmonia e ritmo de movimento (GOMES, 2000). FIGURA 92 - DEMONSTRAÇÃO DE GINÁSTICA RÍTMICA EM GRUPO FONTE: Disponível em: <http://news.portalbraganca.com.br/wpcontent/uploads/2015/07/ ginasticar%C3%ADtmica-1024x681.jpeg>. Acesso em: 22 out. 2015. Ginástica Rítmica Brasileira – a equipe nacional conquistou o pentacampeonato dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015. As brasileiras mostraram beleza, delicadeza e graça numa coreografia impecável que reúne esporte, dança e arte, e que será novamente apresentada nas Olimpíadas de 2016. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 121 FIGURA 93 - EQUIPE BRASILEIRA DE GINÁSTICA RÍTMICA COM APARELHOS DE MAÇAS FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/PElbp4uQSLs/VaweerPvbI/AAAAAAAAtrY/ hIEGHyE1kTU/s640/www.geeral.com.br.jpg>. Acesso em: 22 out. 2015. FIGURA 94 - GINÁSTICA RÍTMICA EM GRUPO COM FITAS FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn0gstaticcomimages?q=tbn:ANd9GcQ0cb1apq_ v1QxiBDzqEHx4Xi6d4tW3vLdzjWZqst1lFGOlh0f6NA>. Acesso: 22 out. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 122 FIGURA 95 - GINÁSTICA RÍTMICA INDIVIDUAL, GINASTA ANGÉLICA KVIECZYNSKI FONTE: Disponível em: <http://fw.atarde.uol.com.br/2015/07/650x375_angelica-kvieczynski- ginastica-ritmica_1541671.jpg>. Acesso em: 22 out. 2015. FIGURA 96 - GINÁSTICA RÍTMICA INDIVIDUAL COM FITA, GINASTA ANGÉLICA KVIECZYNSKI FONTE: Disponível em: <http://i0.statig.com.brbancodeimagens/3e/1v/2w/3e1v2wss4xpa2i 9zt0vhmeplp.jpg>. Acesso em: 22 out. 2015. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 123 FIGURA 97 - GINÁSTICA RÍTMICA INDIVIDUAL COM ARO, GINASTA ANGÉLICA KVIECZYNSKI Fonte: Disponível em: <http://www.lancenet.com.br/fotos/HOME-Toronto-2015-Angelica- Kvieczynski-PaassenAFP_LANIMA20150717_0200_25.jpg>. Acesso em: 22 out. 2015. FIGURA 98 - GINÁSTICA RÍTMICA INDIVIDUAL COM BOLA, GINASTA NATÁLIA GAUDIO FONTE: Disponível em: <http://fw.atarde.uol.com.br/2015/07/g_2015717141047650.jpg>. Acesso em: 22 out. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 124 FIGURA 99 - GINÁSTICA RÍTMICA EM GRUPO UTILIZANDO CORDA FONTE: Disponível em: <https://encryptedtbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQe_48A_ NwnnY4gojY19tTelujLRjprHUnr8j0c01ZQzAz-Hqjs>. Acesso em: 22 out. 2015. Uma modalidade dinâmica como a GR pode contribuir, e muito, no desempenho corporal, desde os movimentos simples aos complexos, estimulando a aprendizagem de movimentos básicos, como o desenvolvimento motor, e aumentar a capacidade de flexibilidade (TOLEDO, 2009). Nas aulas de educação física, o professor tem muitas possibilidades de explorar seus alunos, trabalhando várias formas de movimentos e estimulando o interesse deles em empenhar-se na ginástica rítmica, fomentando-os para futuras competições. Oportunizar ao aluno situações em que ele mesmo se coloque no papel ativo no processo de ensino-aprendizagem aprimora seu desenvolvimento e estimula outras capacidades, como a imaginação, a decisão, criatividade, iniciativa. E, para tanto, o professor deve organizar atividades que possibilitem aos alunos se integrarem com o processo de produção do conhecimento, onde eles criam suas próprias soluções aos problemas encontrados, incentivando sua autonomia. (TAFFAREL, 1985). Assim, em uma aula de educação física em que a GR seja o tema proposto, o professor pode, por exemplo, estimular seus alunos a descobrir, elaborar movimentos expressivos que despertem sua criatividade e imaginação. O produto dessa aula pode evoluir para uma coreografia de ginástica rítmica (TOLEDO, 2009). TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 125 Os estímulos vivenciados nas aulas de educação física desde as séries iniciais são propulsores de futuros atletas e profissionais da área. Essas experiências e incentivos desafiam o aluno a ser competitivo e superar seus próprios limites, fomentando conhecimentos e construindo sua carreira. O desafio é inerente à ginástica rítmica, todos os seus movimentos são desafiadores e precisam de muito empenho, determinação e persistência do aluno e/ou futuro ginasta para realizá-los, como, por exemplo, virar estrelinhas, fazer lançamentos com corda, rolamentos com bolas, cambalhotas, passagens por dentro do arco com o corpo no ar durante um salto, fazer as reversões, mantendo equilíbrio, postura, força, agilidade, flexibilidade, entre tantas outras habilidades, que são trabalhadas arduamente nos treinos pré-competitivos (OLIVEIRA; PORPINO, 2010). FIGURA 100 - GINÁSTICA RÍTMICA NA AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA FONTE: Disponível em: <http://www.araras.sp.gov.br/im/images/2010/marco/ginastica_ ritmica.jpg.JPG>. Acesso em: 23 out. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 126 FIGURA 101 - GINÁSTICA RÍTMICA NA AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA FONTE: Disponível em: <http://alb.com.br/arquivomorto/edicoes_ anteriores/anais15/alfabetica/wakyrialeite_arquivos/image002.jpg>. Acesso em: 23 out. 2015. Além dos movimentos rítmicos propriamente ditos, o professor pode dar dicas específicas da técnica. Como fazer um lançamento adequado com o arco? Qual é a postura da “pega” nos diversos aparelhos utilizados na GR? Como proceder para recuperar o aparelho lançado? Qual a postura antes, durante e final do movimento em relação ao aparelho? (OLIVEIRA; PORPINO, 2010). Gaia (1996), idealizador do projeto “Ginástica Rítmica”, demonstrou relevantes contribuições para o desenvolvimento da GR nas aulas de educação física, indicando a utilização de materiais alternativos para viabilizar a prática da GR para alunos em idade escolar. Exemplo: fitas confeccionadas com papel laminado e estilete de bambu, bolas elaboradas artesanalmente com meias e jornais, cordas grandes (ou mangueiras velhas) e o tradicional bambolê. “É importante estimular, incentivar, criar espaços para que todos possam se beneficiar da atividade esportiva, não a partir da reprodução de valores da sociedade dominante, mas sim em função da transformação desses valores no processo educativo”. (GAIA, 1996, p. 154). Materiais utilizados na GR: FONTE: Disponível em <http://s3.amazonaws.com/topgimimages/ system/pictures/files/345/original_image.jpg?1333999092>. Acesso em: 23 out. 2015. FIGURA 102 - MAÇAS DE GR ESCOLAR TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 127 FIGURA 103 - ARCO DE GR – COMPETIÇÃO OFICIAL FONTE: Disponível em: <http://s3.amazonaws.com/topgimimages/ system/pictures/files/348/original_image.jpg?1333999092>. Acesso em: 23 out. 2015. FIGURA 104 - BOLAS DE GR FONTE: Disponível em: <http://s3.amazonaws.com/topgimimages/ system/pictures/files/342/original_GINA035_web.jpg?1444643165>. Acesso em: 23 out. 2015. FIGURA 105 - FITAS PARA GR FONTE: Disponível em: <http://i00.i.aliimg.com/wsphoto/v0/260163 466/R%C3%ADtmica-fita-gin%C3%A1stica.jpg>.Acesso em: 23 out. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 128 FIGURA 106 - CORDA PARA GR FONTE: Disponível em: <http://www.pistaecampo.com.br/media/ product/565/corda-de-ginastica-ritmica-com-10mm-de-espessura-e- 3m-de-comprimento-pista-e-campo-ce5.jpg>. Acesso em: 23 out. 2015. UNI CURIOSIDADES Em competições, as provas de ginástica rítmica têm seis modalidades: exercícios em grupo, corda, arco, bola, maças e fitas. Mas, apesar de a GR utilizar cinco materiais, durante as disputas são escolhidos somente quatro elementos. Foi o que aconteceu nas Olimpíadas de Londres em 2012, em que não houve disputa com corda. FONTE: Disponível em: <www.cbginastica.com.br / www.fig-gymnastics.com>. Acesso em: 23 out. 2015. Nos vídeos a seguir é possível assistir às aulas de educação física utilizando a ginástica rítmica. <https://www.youtube.com/watch?v=p-d8ErDlc64> <https://www.youtube.com/watch?v=4L737eRggfg> <https://www.youtube.com/watch?v=Z_l-9-5caBY>. DICAS TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 129 UNI Exemplo de aula de ginástica rítmica na educação física Tema: Experienciar movimentos utilizando aparelhos de arco, fita, corda e bolas de ginástica rítmica. Objetivo principal: - Vivenciar, manusear elementos de bola, fita, arco e corda e suas especialidades realizando as atividades propostas em aula. - Aprender e executar movimentos de equilíbrio e deslocamentos utilizando técnica da ginástica rítmica. Objetivo secundário: - Aprendizagem dos movimentos básicos utilizando arco, fita, corda e bola, juntamente com os giros, circundação, saltos, saltitos, serpentina, espiral, oito, lançar e recuperar os objetos com as mãos, exercitando os movimentos de equilíbrio e deslocamento. Execução: Aula com fita: Primeiro momento: Alongamento, aquecimento. Em seguida o professor posiciona os alunos em círculos e explica os objetivos da aula. Logo após o professor demonstra um movimento usando a fita e alunos iniciam suas experiências. Com o braço estendido para cima, pulso para baixo, dedo indicador à frente e a ponta do elemento no meio da mão; Caminhar para a frente, sempre mantendo-se na ponta do pé e apenas manusear a fita de um lado para o outro; o professor deve deixar que os alunos vivenciem até conseguirem dominar o movimento, em seguida colocar as variações: manusear a fita de modo que ela forme um círculo no ar; realizar saltos do tipo “tesoura” manuseando a fita lateralmente, e assim sucessivamente até passarem por todos os elementos, e para terminar a aula, dez minutos antes do final o professor coordena um alongamento. Essa aula pode ser repetida até que todos os alunos estejam inteirados com os movimentos. Nosso próximo assunto será a Ginástica Artística, que irá completar o conhecimento sobre as modalidades de ginástica. Bom estudo! Ginástica Artística (OLÍMPICA) A Ginástica Artística (denominada Olímpica no Brasil) é mais um dos desdobramentos da ginástica, é uma modalidade de prática de exercícios físicos que, como a “ginástica”, teve seus primórdios há muitos e muitos anos, que, como já vimos (mas é bom revisar), surgiu na pré-história e sua prática era questão de sobrevivência, para defender-se e atacar. A ginástica fazia parte de festividades, jogos, rituais e mais tarde passou a ser desenvolvida no meio militar, que servia como preparação para os soldados (PUBLIO, 1998). A ginástica artística foi preconizada pelos gregos, na Grécia antiga, ganhando um lugar de destaque na sociedade. Faziam apresentações atléticas, com acrobacias circenses nas ruas, como forma de entretenimento das pessoas, UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 130 como vimos na ginástica circense. Com práticas constantes nessas apresentações, as capacidades dos executantes começam a ser reconhecidas e a ginástica começa a ser desenvolvida e adaptada, e tornou-se uma atividade de relevância cultural (HAYHURST, 1983). Na Idade Média, a ginástica como competição foi um pouco esquecida e voltou a ser valorizada no século XVIII, na Europa. Os treinamentos específicos e a forma da ginástica artística como a conhecemos atualmente tiveram seus primeiros passos em uma escola alemã que utilizava movimentos rítmicos com aparelhos de base sueca. Foi idealizada por Friedrich Ludwig Jahn, por volta de 1811, ele defendia que a ginástica de maneira geral deveria ser para todos, independente de classe social. Ele influenciou diretamente na evolução da ginástica e contribuiu para a pluralização das escolas e organizações de ginástica na Alemanha, introduzindo os exercícios em aparelhos, estabelecendo as regras e fabricando os aparelhos (DUARTE, 2004). FIGURA 107 - INÍCIO DA GINÁSTICA ARTÍSTICA FONTE: Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd109/trapezio04.jpg>. Acesso em: 23 out. 2015. Fiorin (2002, p. 32) nos revela seu pensamento sobre a história da ginástica artística: Nas ginásticas de competição, cada modalidade teve seu caminho diferenciado, principalmente a partir das sistematizações criadas nas escolas Alemã, Sueca e Francesa. A gênese da Ginástica Artística pode ser encontrada na escola Alemã quando Jahn, para criar obstáculos para os seus exercícios, constrói aparelhos específicos que mais tarde dariam origem aos modernos aparelhos de competição nesta modalidade. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 131 A Ginástica Artística (GA) teve muita influência das acrobacias circenses, a maioria dos aparelhos foi inspirada nas práticas circenses, como as técnicas aéreas na corda, trapézio, argolas e barra fixa, como está ilustrado na figura acima (ORFEI, 1996). Na antiguidade, o culto ao corpo e o exibicionismo da aptidão física eram muito presentes, tanto é que as estátuas expondo corpos musculosos e nus artísticos eram inúmeras, ostentadas nas reuniões festivas, “as olímpiadas gregas”, onde os atletas competiam em lutas ou arremessos de pedras, realizadas na cidade de Olímpia (LANCELLOTTI, 1996). Os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna foram realizados em 1896, na Grécia, em Atenas. Alguns anos depois, o primeiro campeonato mundial de GA aconteceu na Bélgica, em Antuérpia, e somente atletas masculinos podiam participar, às mulheres apenas era permitido assistir às apresentações. Somente 30 anos mais tarde, em 1934, no Campeonato de Budapeste, na Hungria, é que as mulheres puderam participar dos Jogos Olímpicos (DUARTE, 2004). FIGURA 108 - MULHERES NA GA FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/comm ons/thumb/f/f8/Gym_combination_2.JPG/250px-Gym_combination_2 .JPG>. Acesso em: 23 out. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 132 Depois de termos uma noção de como surgiu a modalidade de ginástica, vamos nos aprofundar no conteúdo descobrindo conceitos, técnicas, regras e tudo o que envolve a ginástica artístico-olímpica. As informações a seguir foram todas retiradas do site do Comitê Olímpico Brasileiro, que pode ser visitado no link a seguir: <www.cob.org.br>. O COB é a entidade máxima do esporte no Brasil, representa e difunde o ideal olímpico no território brasileiro. Seu presidente atual é Carlos Arthur Nuzman, sua sede fica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Trabalha diretamente com as confederações brasileiras de todas as modalidades esportivas que compõem o programa de jogos olímpicos. ESTUDOS FU TUROS O termo “ginástico” tem origem do grego gymnádzein, e significa “treinar” e, em sentido literal, “exercitar-se nu”, a forma como os gregos praticavam os exercícios. A GA (Olímpica) é um conjunto de exercícios corporais sistematizados, de cunho competitivo, em que se conjugam a força, a agilidade e a flexibilidade, entre outros (COB, 2015). A ginástica artística e/ou olímpica é um esporte que exige muito das habilidades do ginasta, como flexibilidade, força, equilíbrio, coordenação, controle do corpo e elegância nosmovimentos, principalmente com as extremidades do corpo, mãos e pés (VIEIRA, 2007). É uma modalidade rica em possibilidades de trabalho, seus movimentos são complexos, e desafia o desempenho e a superação dos que a praticam (POLITO, 1998). A GA é uma demonstração corporal de exercícios específicos, como saltos, giros, ondas, equilíbrio, entre outros, e movimentos acrobáticos, rolamentos, rodante, mortais, estrelas etc. Os exercícios têm características diferenciais, são realizados em aparelhos: argolas, solo, saltos sobre o cavalo, cavalo com alças, trave de equilíbrio, barras assimétricas, barra fixa e barras paralelas (POLITO, 1998). A diversidade de aparelhos abre um leque de infinitos arranjos de movimentos, que além das competições podem ser reproduzidos em aulas de educação física. Nas competições a ginástica pode ser realizada individualmente ou por equipes, e é separada por gênero masculino e feminino. (NISTA-PICCOLO, 1998). A ginástica artística constitui caráter formativo, com o objetivo de desenvolver as habilidades motoras, e competitivo, com a intenção de estimular as habilidades específicas com alta precisão técnica e que atenda ao grau de exigência do código de pontuação, as regras da modalidade (NUNOMURA; CARRARA; CARBINATTO, 2010). TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 133 Independente do cenário, para a ginástica artística ser ensinada e aprendida, cabe ao professor fomentar as atividades tendo base a familiarização, iniciação e adaptação dos alunos ao tema. O reconhecimento, a familiarização, consiste num trabalho de aproximação, contato, ambientação e experimentação dos aparelhos oficiais ou alternativos. Após esse conhecimento, pode ser iniciada a aprendizagem das posições básicas, manipulação e repetições dos exercícios para que haja melhoria das sensações, fixação e automatização dos movimentos básicos (ARAÚJO, 2003; NUNOMURA; TSUKAMOTO, 2006). A GA possibilita aos alunos enfrentar situações não tão seguras, até mesmo perigosas, por ter um alto nível de complexidade na execução dos movimentos que, muitas vezes, se não tomados os devidos cuidados, as lesões são inevitáveis. Para tanto, o aluno, futuro atleta, tem que trabalhar juntamente com a ginástica, além de suas capacidades motoras, o seu lado psicológico para estimular a coragem, desembaraçar as questões de ansiedade, nervosismos, participação em grupos, responsabilidades em mostrar retorno e desempenho e todas as exigências de uma competição de ginástica olímpica (TEIXEIRA, 2005). Para você ficar informado sobre tudo o que acontece com a ginástica artística brasileira, pode acessar o link a seguir e ler na íntegra as notícias e o desempenho dos nossos atletas nas Olímpiadas de 2016. <http://esportes.terra.com.br/lance/brasil-estreia-no-mundial-de-ginastica-artistica-focado- em-vagas-olimpicas,4f092921a50f2aa37e44bdc500e91a543po0zux7.html>. DICAS Um dos maiores nomes de ginastas brasileiros é a atleta Daiane Garcia dos Santos, foi a primeira ginasta brasileira entre homens e mulheres a conquistar uma medalha de ouro em campeonato mundial, nos Jogos de Atenas. E foi ela, Daiane dos Santos, a primeira ginasta no mundo que protagonizou o famoso salto: o duplo twist carpado, ou Dos Santos I, a evolução deste primeiro: o duplo twist esticado. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 134 UNI Veja no quadro a seguir as medalhas de Daiane dos Santos durante sua trajetória na GA. MEDALHAS DE DAIANE SANTOS CAMPEONATOS MUNDIAIS OURO Anaheim 2003 Solo JOGOS PAN-AMERICANOS PRATA Winnipeg 1999 Salto PRATA Rio de Janeiro 2007 Equipe BRONZE Winnipeg 1999 Solo BRONZE Winnipeg 1999 Equipe BRONZE Santo Domingo 2003 Equipe FONTE: Disponível em: <http://revistaicone.com/home/daiane-dos-santos-ginasta-de- ouro>. Acesso em: 24 out. 2015. UNI Entrevista de Daiane dos Santos para a revista Ícone em 2013, relatando como é ser uma atleta de GA. Daiane ama o que faz e afirma: “Tudo o que eu tenho hoje foi a ginástica que me deu”. Empenhada e satisfeita, a ginasta conta que o que mais a fascina na profissão é a alegria que os esportistas podem proporcionar para o povo brasileiro. “O Brasil é muito carente de ídolos e acho que o esporte colabora um pouco com essa identificação nacional”, diz. Faltando pouco mais de um mês para os Jogos, Daiane está presente nesta edição para contar a vocês leitores um pouco de sua rotina atual e do preparo para a tão aguardada Olímpiada de Londres. Como é sua rotina diária de treinamento? Eu treino seis vezes por semana, de segunda a sábado, na parte da manhã, além da musculação na parte da tarde. Você tem uma alimentação especial? Durante muito tempo eu tive o acompanhamento de nutricionistas, mas agora já sei o que posso ou não comer. E procuro me cuidar, ter uma alimentação regrada e balanceada, pois na ginástica o peso faz muita diferença. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 135 Qual é a sensação de estar no topo do pódio? A sensação de estar no topo do pódio é muito boa, é tudo o que um atleta de alto rendimento deseja. Durante anos, eu fui a primeira do ranking mundial. Isso é maravilhoso, mas o amadurecimento no esporte vem com as derrotas. O atleta que não sabe perder não pode ser desportista, pois todos passam por isso um dia. A vida de atleta de alto nível demanda sacrifícios. Você consegue fazer as coisas que quer? Sim. A vida de atleta sempre demanda sacrifícios, privações e a convivência com dores, muitas vezes. Mas quando você gosta do que faz, tudo isso acaba fazendo parte da rotina. Eu costumo fazer as coisas que quero, sim, mas sempre sabendo das minhas obrigações enquanto atleta. A ginástica olímpica ainda não é um esporte popular no Brasil. O que pode ser feito para mudar isso? A ginástica cresceu muito nos últimos anos, mas claro que, se comparado ao futebol, ainda falta muito. O que pode ser feito é a disseminação da modalidade para crianças que não têm acesso, fomentar o esporte na base mesmo. Eu tenho muita vontade de trabalhar com projetos sociais um dia. Fonte: Disponível em: <http://revistaicone.com/home/daiane-dos-santos-ginasta-de-ouro. Acesso em: 10 out. 2015. Assista ou reveja nossa atleta de ouro Daiane dos santos em sua coreografia que ficou famosa: “O brasileirinho”. <https://www.youtube.com/watch?v=VLvJY4oKvcQ> <https://www.youtube.com/watch?v=OeAqY92_HZI>. Na ginástica artística masculina a revelação brasileira fica por conta de Diego Hypólito, OURO no solo. Veja nos vídeos a seguir: <https://www.youtube.com/watch?v=sV6xkci-nU0> <https://www.youtube.com/watch?v=7O2kEx53zYM>. DICAS DICAS UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 136 Arthur Zanetti, campeã mundial de argolas, treina forte e busca junto com seus companheiros de equipe uma vaga para as Olímpiadas de 2016, no Rio de Janeiro. Veja no vídeo a seguir a reportagem na íntegra, exibida no Jornal Nacional da TV Globo, no dia 23 out. 2015. <http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/v/arthur-zanetti-busca-objetivo- diferente-no-mundial-de-ginastica-artistica/4560525/>. DICAS NOTA Dando continuidade ao nosso assunto, em seguida vamos aprender a respeito de quais são os aparelhos utilizados na GA, bem como as regras e exigências para as competições olímpicas. FIGURA 109 - FLUXOGRAMA DAS “AÇÕES GÍMNICAS” Primeiros passos para a atividade ParaPara Volteio Balancear em suspensão Passar pela apoio invertido Passar pelo suspensão invertida Deslocar-se "bipedicamente" Passagem pelo solo (ou trave) (Abertura e fechamneto) Equilibrar-se Balancear em apoio Girar sobre si mesmo Aterrisar, equilibrar-se Saltar FONTE: Leguet (1987) TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 137 Ações gímnicas são ações motoras, elementos básicos que compõem as combinações complexas da ginástica artística. Leguet (1987) propunha que esta sistematização motora deveria ser trabalhadanas aulas de educação física, de forma gradativa, estimulando o desenvolvimento motor da criança, iniciando com os movimentos mais simples e, à medida que as respostas forem sendo dadas, se evolui para atividades mais complexas. Com base nessas ações é possível fomentar o aprimoramento motor do aluno nas aulas de educação física. Seguindo a teoria de Leguet (1987), listamos alguns possíveis exemplos de como iniciar a trabalhar a ginástica artística na escola: Girar sobre si mesmo, saltar, aterrissar e equilibrar-se, balancear em apoio (barras paralelas), balancear em suspensão (barras fixas), abrir e fechar o corpo, equilibrar-se, deslocar-se bipedicamente, e com esses exercícios os alunos ficam preparados para qualquer modalidade que no futuro queiram desempenhar. Na GA as competições técnicas são norteadas em vários exercícios e a maior competição são as Olímpiadas. A ginástica pode ser apresentada individualmente ou por equipes. Para os homens as provas são: salto sobre o cavalo, cavalo com alças, barra fixa, barras paralelas, argolas e solo. Já as mulheres realizam as provas em quatro aparelhos: de solo com música, salto sobre o cavalo, barras assimétricas e trave de equilíbrio (COB, 2015). Quando a competição é por equipe, a formação é de cinco atletas que realizam provas em seis aparelhos: solo, salto, barras paralelas, e fixas, cavalo com alças e argolas. Os exercícios que cada atleta realiza são pontuados e julgados por um júri. As pontuações para todos os exercícios têm um valor inicial, 8.6 para os homens e 9.0 para as mulheres, e os atletas são obrigados a evoluir com elementos para obterem pontos extras ou uma espécie de bônus para chegarem a conquistar o máximo da nota de 10 pontos. Os juízes avaliam a postura, execução, equilíbrio e cumprimento dos movimentos obrigatórios (COB, 2015). Existe um “Código de Pontos” desenvolvido pela FIG, Federação Internacional de Ginástica, que pontua cada movimento obrigatório e elemento de cada aparelho. E a cada olimpíada este código é atualizado (COB, 2015). UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 138 Regras dos aparelhos para os homens: FIGURA 110 - GA MASCULINA Ginástica masculina solo barra fixa horizontal cavalo com alças salto sobre cavalo argolas barras paralelas FONTE: Disponível em: <http://media.escola.britannica.com.br/eb-media/90/91590-073-9B62D 44D.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. SOLO O exercício de solo para homens dura entre 50 e 70 segundos e, ao contrário do feminino, não é acompanhado de música. FIGURA 111 - TATAME PARA APRESENTAÇÃO DE GA SOLO FONTE: Disponível em: <http://www.georgettevidor.com.br/related/media/ fiquepordentro/074/074d.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 139 CAVALO COM ALÇAS Está a 1,05 metro do solo e tem 1,60 metro de comprimento. O ginasta deve executar movimentos contínuos de círculos e tesouras. Somente as mãos devem tocar o aparelho. FIGURA 112 - APARELHO CAVALO COM ALÇAS GA MASCULINO FONTE: Disponível em: <http://www.georgettevidor.com.br/related/ media/fiquepordentro/074/074e.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. ARGOLAS Estão a 2,55 metros do solo. Durante a apresentação o ginasta deve ficar pelo menos dois segundos parado numa posição vertical ou horizontal em relação ao solo. As argolas devem sempre permanecer paradas. FIGURA 113 - ARGOLAS DE GA MASCULINO FONTE: Disponível em: <http://www.georgettevidor.com.br/related/ media/fiquepordentro/074/074f.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 140 SALTO SOBRE CAVALO O cavalo está a 1,35 metro do solo. O ginasta deve comunicar aos árbitros qual salto irá realizar para que se possa atribuir a nota de partida. FIGURA 114 - APARELHO DE SALTO SOBRE CAVALO GA MASCULINO FONTE - Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/-RP142E5l7UY/Tl65PQC3caI/ AAAAAAAABRQ/1BNem-qPM28/s1600/cavalo.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. BARRAS PARALELAS Estão a 1,75 metro do solo. Durante a apresentação o ginasta deve executar um movimento em que ambas as mãos não estejam em contato com o aparelho. 115 - BARRAS PARALELAS GA MASCULINO FONTE: Disponível em: <http://blog.ceime.com.br/wp-content/uploads/2012/05/ BARRAS-PARALELAS.png>. Acesso em: 24 out. 2015. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 141 BARRA FIXA Está a 2,55 metros de altura. Durante a execução da prova o atleta deverá manter-se em ação realizando movimentos como mortais e saltos encarpados. FIGURA 116 - BARRAS FIXAS GA MASCULINO FONTE: Disponível em: <http://www.georgettevidor.com.br/related/ media/fiquepordentro/074/074h.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. Regras de aparelhos para as mulheres: FIGURA 117 - PROVAS FEMININAS DE GA FONTE: Disponível em: <http://media.escola.britannica.com.br/eb-media/89/91589-073- ECFB4B5E.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. solo trave de equilíbrio barras assimétricas salto sobre cavalo Ginástica feminina UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 142 SOLO A avaliação do exercício começa com o primeiro movimento acrobático da ginasta. A duração do exercício de solo não pode ser menor que 1 minuto e 10 segundos, nem maior que 1 minuto e 30 segundos. A ginasta tem de 70 a 90 segundos para apresentar uma diversidade de movimentos de dança e acrobacias. O acompanhamento musical pode ser orquestrado, piano ou outro instrumento sem canto. Ultrapassar a área de solo (12 m x 12 m) significa tocar o solo com qualquer parte do corpo, fora da linha demarcatória, a cada ultrapassagem existe uma dedução. As partes de valor (dificuldade) A – B – C – D e E devem pertencer aos seguintes grupos de elementos: Elementos acrobáticos com ou sem fase de voo para frente ou para o lado e para trás. Elementos ginásticos, tais como: giros, saltos, combinações de passos e corridas e ondas corporais (Fonte: <http://www.spieth-gymnastic.com/>.) FIGURA 118 - TATAME PARA APRESENTAÇÃO DE GA SOLO FONTE: Disponível em: <http://www.georgettevidor.com.br/related/media/ fiquepordentro/074/074d.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. TRAVE DE EQUILÍBRIO A avaliação do exercício começa com a impulsão no trampolim até a saída nos colchões. Tem 5 m de comprimento e apenas 10 cm de largura. O desafio é fazer movimentos de dança e acrobacias sem cair, a 1,25 m do chão. A duração do exercício na trave de equilíbrio não pode ser menor de 1 minuto e 10 segundos, nem maior que 1 minuto e 30 segundos. Durante o exercício devem ser criados pontos altos e dinâmicos com: TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 143 a) Elementos acrobáticos e ginásticos de diferentes grupos. b) Variações no ritmo entre movimentos rápidos e lentos, para frente, lado e para trás. c) Mudança do trabalho próximo e afastado da trave. FIGURA 119 - TRAVE DE EQUILÍBRIO FONTE: Disponível em: <http://www.georgettevidor.com.br/related/media/ fiquepordentro/074/074c.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. SALTO SOBRE O CAVALO Todos os saltos devem ser realizados com repulsão de ambas as mãos sobre o cavalo. A distância da corrida pode ser determinada individualmente. No limite máximo de 25 m. O cavalo é um apoio de 1,25m de altura, 1,20m de altura e comprimento e 0,95 de largura. A chegada ao trampolim deve ser com os dois pés e pode ser: da corrida de aproximação ou de um elemento. São permitidas três corridas de aproximação, desde que a ginasta não tenha tocado o trampolim e/ou o cavalo. Não é permitida uma quarta corrida. Os saltos encontram-se classificados em quatro grandes grupos e os valores variam de 8 a 10 pontos. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 144 FIGURA 120 - MESA CAVALO DE SALTO GA FEMININA FONTE: Disponível em: <http://www.spiethgymnastics.com/ tl_files/Spieth%20Gymnastics/Marketing%20beelden%20Spieth/ Rio%202016%20apparatus/Rio%202016%20Ergojet%20Spieth%20 1407210.jpg>. Acesso em: 24out. 2015. BARRAS PARALELAS ASSIMÉTRICAS A avaliação do exercício começa com a impulsão no trampolim, ou colchões. O exercício deve ser composto de elementos de diferentes grupos. A ginasta alterna movimentos contínuos entre as duas barras, a inferior fica a 1,66 m do chão e a superior fica a 2,46 m. As partes de dificuldade A – B – C – D e E devem representar uma variedade dos seguintes grupos de elementos: Dos grupos estruturais devem ser executados elementos com giros sobre o eixo longitudinal (piruetas) e transversal (mortais), trocas de tomadas e elementos com voo. FIGURA 121 - BARRAS PARALELAS ASSIMÉTRICAS FONTE: Disponível em: <http://www.georgettevidor.com.br/related/ media/fiquepordentro/074/074b.jpg>. Acesso em: 24 out. 2015. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 145 As categorias em que se compete são: a) Pré-infantil (6 anos) b) Infantil (7 e 8 anos) c) Infantil A (9 e 10 anos) d) Infantil B (11 e 12 anos) e) Juvenil (13 a 15 anos) f) Maiores (16 anos adiante) Há uma segunda classificação por níveis (classificados por letras) que determina o nível de dificuldade dos exercícios e os aparelhos: a) Escolinha (somente metropolitano) b) D (solo exercícios de solo e salto obrigatórios) c) C2 (se compete em quatro aparelhos) d) C1 (os exercícios obrigatórios) e) B2 (os exercícios podem ser livres ou obrigatórios dependendo da categoria) f) B1 (exercícios livres com algumas exceções nas categorias mais jovens) g) A o Elite (as seis melhores notas deste nível integram a seleção nacional). A nota máxima que um ginasta pode alcançar é 10,00 e se consegue pela soma dos diferentes pontos dos árbitros. São eles: Dificuldades e parte de valor (3,00) Exigências específicas ou requisitos obrigatórios (1,40 – 0,20) Bonificação (1,00) Composição e combinação (0,60) Execução (4,00) Fonte: Comitê Olímpico Brasileiro/. Disponível em: <www.cob.com>. Acesso em: 24 out. 2015. Com a leitura complementar você poderá se inteirar sobre a vida de uma ginasta de competições oficiais. Boa leitura! ESTUDOS FU TUROS UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 146 LEITURA COMPLEMENTAR Leia parte da entrevista com Angélica Kvieczynski (Ginástica Rítmica) concedida à repórter Katryn Dias, para o site esporteessencial. Se quiser visualizar a entrevista na íntegra, veja disponível em: <http:// www.esporteessencial.com.br/entrevista/angelica-kvieczynski-ginastica- ritmica>.Acesso em: 20 out. 2015. Entrevista: Angélica Kvieczynski é hexacampeã brasileira, bicampeã dos Jogos Sul- Americanos, três vezes eleita a melhor ginasta do país pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e a primeira brasileira a conquistar uma medalha no individual geral em Jogos Pan-Americanos. Os títulos comprovam a supremacia de Angélica Kvieczynski na ginástica rítmica dentro do país. Aos 23 anos, a paranaense sonha em conquistar sua classificação para a Olimpíada do Rio e continuar trazendo resultados inéditos para o Brasil. Para isso, a ginasta não pode ser prejudicada por erros administrativos, como o que vai deixá- la fora da disputa por medalhas no Campeonato Mundial deste mês, na Turquia. Esporte Essencial (EE): Como você conheceu a ginástica rítmica? AK: Foi por acaso, na verdade. Na minha cidade, Toledo, no Paraná, tinha um projeto e eu passei onde ficava a escolinha de ginástica. Quando vi, perguntei para a minha mãe o que era e ela me explicou que era ginástica rítmica. Eu gostei de ver as meninas treinando e quis logo começar. A minha mãe me matriculou e comecei a treinar. EE: Na sua cidade, a ginástica rítmica é muito difundida? AK: Lá em Toledo temos um projeto bem grande com ginástica, que tem cerca de 1.500 crianças treinando, entre escolinha e alto rendimento. A prefeitura da cidade tem alguns parceiros que mantêm esse projeto, como Sadia, Sesi, Unimed e Itaipu. EE: Quando foi que você começou a se destacar no esporte? AK: Sempre fui uma criança bem esforçada, treinava muito e os resultados vieram rápido. Comecei a treinar em 2000 e já em 2002 fui campeã pan-americana infantil, aos 12 anos. Eu me dedicava bastante aos treinos, era a primeira a chegar ao ginásio e a última a sair. TÓPICO 2 | CLASSIFICAÇÃO E MÉTODOS DA GINÁSTICA ESCOLAR 147 EE: Você já disse que acredita estar hoje na melhor fase da sua carreira. Você precisou abdicar de muitas coisas para chegar até esse momento? AK: Sim. Eu abri mão de muita coisa, mas para ser atleta de alto rendimento isso é necessário. Sempre me dediquei bastante e agora estou me dedicando mais ainda para a próxima Olimpíada, que é a minha meta. EE: O que falta para a ginástica rítmica brasileira se destacar mais internacionalmente? AK: Primeiramente, não pode acontecer esse tipo de erro. Esses erros são decisivos na carreira de um atleta. Eu treinei o ano inteiro com meta nesse campeonato, que é o mais importante da temporada, já visando os Jogos Olímpicos. E agora aconteceu isso... Precisamos de mais investimentos, mais competições. Nós estamos viajando pouco para competições fora. Temos muitas etapas de Copa do Mundo e as brasileiras esse ano quase não apareceram lá fora. Isso é muito importante, ainda mais porque os Jogos Olímpicos estão batendo na porta e nós podemos trazer um resultado melhor. O Brasil tem uma ótima equipe na ginástica rítmica e uma ótima comissão técnica. Então, acredito que tudo pode melhorar. EE: Você vê acontecendo uma renovação na ginástica rítmica? Existe uma nova geração que pode seguir o seu exemplo de conquistas? AK: Olha, ginastas novas com capacidade o Brasil tem muitas. Basta investir, e nas certas. EE: A CBG faz um bom trabalho na base? AK: Eles estão fazendo. Está melhorando cada vez mais. Mas se nós visamos resultados melhores, acho que ainda precisa melhorar bastante. EE: Qual a sua opinião sobre o trabalho da CBG quanto à divulgação da ginástica? AK: Agora a CBG vem fazendo um bom trabalho de divulgação da ginástica rítmica. Estão sendo feitos alguns campeonatos aqui no Brasil e isso eu acho muito interessante. Nós vemos o número de crianças praticantes crescendo e a qualidade melhorando também. Eu acompanho os Jogos Escolares da Juventude há muito tempo e percebo que a cada ano melhora o nível das ginastas que estão competindo. Isso é bom. UNIDADE 2 | PERSPECTIVAS TEÓRICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE A GINÁSTICA ESCOLAR 148 EE: A responsabilidade de ser a melhor ginasta do país pesa? AK: Ah, pesa, mas pesa de maneira positiva. Eu fico querendo manter os resultados e melhorar cada vez mais. É como eu digo para as meninas mais novas que treinam comigo: nós estamos abrindo as portas para a próxima geração, só vai depender de vocês mantê-las abertas. EE: Como é a experiência de ser embaixadora dos Jogos Escolares? AK: Nossa, já deve ser a quinta vez que sou embaixadora! É maravilhoso! Eu gosto muito, porque gosto de criança. Acho que é muito importante para o crescimento das crianças e dos atletas mais novos ter esse contato com os ídolos delas. Elas fazem perguntas muito interessantes. Eu quando era mais nova gostaria de ter recebido mais informações, como elas têm acesso. Esse contato é muito legal. <https://www.youtube.com/watch?v=8rpS__7Bexw> <https://www.youtube.com/watch?v=GSsxgD6G0G8> <https://www.youtube.com/watch?v=Xr0fYUzvxP0>. DICAS 149 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico você estudou sobre as classificações e métodos da ginástica: • Conheceu a ginástica circense, como foi construída e todo o desenrolar de sua história, desenvolvimento até os dias atuais. Os métodos de sua aplicabilidade em aulas de educação física. • Aprendeu sobre a modalidade da ginástica rítmica e sua conexão com a arte, a música e o teatro. Um conjunto de movimentos corporais, bem distribuídos em belas coreografias, evidenciando a beleza dos movimentos cadenciados com o ritmo da música. E viu como essa ginástica arte pode ser trabalhada na escola, de maneira a fomentar a ginástica rítmica entre os alunos.• Descobriu também a ginástica artística ou ginástica olímpica, que é um dos desdobramentos da ginástica, idealizada pelos gregos, estimulados pelos circenses e atualmente um esporte de relevância internacional, onde o Brasil está em busca de uma vaga para a equipe brasileira de Ginástica Artística participar dos Jogos Olímpicos de 2016, que acontecem de quatro em quatro anos, e no próximo ano serão realizados aqui no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. • Todas essas modalidades e desdobramentos da ginástica são práticas esportivas desafiadoras, que exigem de todos os que estão envolvidos – atleta, equipe, treinadores, família, patrocinadores – muita dedicação, empenho, comprometimento, disciplina, persistência, foco, competividade, controle das emoções e, principalmente, amor e coragem para revelar a beleza, a arte, o encantamento e superação de movimentos corporais perfeitos, proporcionando um verdadeiro espetáculo em ocasiões como nas Olimpíadas e jogos de competições. 150 AUTOATIVIDADE Responda às questões a seguir: 1 O histórico da .........................é muito antigo, registros demonstram que o .................teve seus primórdios há 4.000 anos .................na ........... a partir de pinturas antigas, onde estavam desenhados acrobatas,......................................e .......................... .................. Sendo a............................ uma maneira de exercício, capacitação para os........................... da época, pois o treino acrobático solicitava muitos movimentos que envolviam força, ............................. e agilidade (CASTRO, 2005). Assinale a alternativa correta que preenche a citação acima: ( ) Ginástica rítmica, teatro, a.C., Turquia, trapezistas, malabaristas, danças, espadachins e flexibilidade. ( ) Cultura siciliana, dança, d.C., Áustria, equilibrista, atirador de facas, ritmos, soldados, coordenação. ( ) Cultura africana, balé, d.C., África, domadores de animais, acrobatas, malabares, lutadores, velocidade. ( ) Cultura circense, circo, a.C., China, equilibristas, contorcionistas, acrobacia, guerreiros e flexibilidade. 2 Em seus estudos você pôde notar que há vários tipos de ginástica, e cada uma com suas características específicas. Sobre essas distinções versam os itens a seguir: I - Ginástica circense. II - Ginástica rítmica. III - Ginástica artística. ( ) A modalidade de acrobacia é um tipo de ginástica circense que pode ser desenvolvida em aulas de educação física, trabalha várias valências físicas, como flexibilidade e equilíbrio. ( ) Fusão de atividades esportivas, com excelência de desempenho, também conhecida como ginástica olímpica. ( ) Esporte exclusivamente feminino. ( ) A utilização do “tecido”, pode ser aplicada na ginástica escolar. Agora, assinale a alternativa correta: a) I, III, II, I. b) I, II, I, III. c) II, III, I, I. d) III, I, II, I. 151 3 A ginástica rítmica na escola: como o professor pode fomentar essa modalidade de esporte na vivência dos alunos? Desenvolver atividades como equilíbrio na corda, cambalhotas. Pode dar dicas específicas sobre a técnica, como lançar o arco adequado, demonstrar qual a postura das mãos na “pega” dos diversos aparelhos utilizados na ginástica rítmica. Utilizar o tecido para fomentar nas crianças o gosto pela ginástica rítmica. Estimular os meninos a desempenhar os exercícios rítmicos com excelência para que no futuro sejam atletas olímpicos. 4 Após a leitura sobre os diversos tipos de ginástica, liste quatro formas que podem ser aplicadas em aula de educação física escolar. Ginástica Circense Ginástica Artística 1 2 3 4 5 Para realizar ginástica rítmica em sala de aula é preciso um planejamento específico. Nesse sentido, assinale V para verdadeiro e F para falso sobre os objetivos da aplicação da ginástica rítmica na escola: ( ) Aprender e executar movimentos de equilíbrio e deslocamentos utilizando técnica da ginástica rítmica. ( ) Vivenciar, manusear elementos de bola, fita, arco e corda e suas especialidades realizando as atividades propostas em aula. ( ) Não é necessário o professor fazer uma explicação antes de iniciar a aula. ( ) Aprendizagem dos movimentos básicos utilizando arco, fita, corda e bola, juntamente com os giros, circundação, saltos, saltitos, serpentina, espiral, oito, lançar e recuperar os objetos com as mãos. 152 Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a) ( ) V – V – F – V. b) ( ) F – F – V – V. c) ( ) V – F – F – F. d) ( ) V – F – V – F. 6 Fiorin (2002) nos revela seu pensamento sobre a história da ginástica artística: “Na ginástica de............................., cada modalidade teve seu caminho diferenciado, principalmente a partir das .................................. criadas nas escolas Alemã, Sueca e Francesa. A gênese da Ginástica .......................... pode ser encontrada na escola Alemã, quando Jahn, para criar obstáculos para os seus exercícios, constrói ....................... específicos que mais tarde dariam origem aos aparelhos modernos de competição nesta modalidade”. Assinale a alternativa correta que preenche a citação acima: a) treinamento, individual, circense, sem aparelhos. b) competição, aleatória, pilates, aparelhos. c) treinamentos, grupo, rítmico, sem aparelhos. d) competição, sistematizações, artística, aparelhos. 153 UNIDADE 3 METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você será capaz de: • conhecer o campo de atuação da ginástica; • reconhecer as perspectivas teóricas da ginástica escolar; • aprimorar o conhecimento relacionado à pesquisa em ginástica. Esta unidade está dividida em dois tópicos. Em cada um deles, você encon- trará atividades que o ajudarão a fixar os conhecimentos abordados. TÓPICO 1 – GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR TÓPICO 2 – PESQUISA EM GINÁSTICA NA ESCOLA 154 155 TÓPICO 1 GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, você verá que a ginástica está inserida no contexto escolar. Faz parte como conteúdo e elementos fundamentais para serem trabalhados na educação física escolar. 2 OS CAMPOS DE ATUAÇÃO DA GINÁSTICA A ginástica, apresentada em seus diversos campos de atuação, contempla modalidades provenientes das áreas competitivas, fisioterápicas, de consciência corporal, de condicionamento físico ou demonstrativas, possibilitando o acesso e a ampliação do repertório motor de seu praticante (PARRA; SANTANA; LIMA, 2010). A figura a seguir mostra os campos de atuação da Ginástica, segundo Paoliello (2011): UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 156 FI G U R A 1 2 2 - C A M P O S D E A T U A Ç Ã O D A G IN Á ST IC A D e co ns ci en tiz aç ão co rp or al G in ás tic a ge ra l (q ua lq ue r m od al id ad e G ím ni ca c om o bj et iv o de d em on st ra çã o) . Lo ca liz ad a Ar tís tic a Po st ur a G lo ba l Bi oe ne rg ét ic a C in es io te ra pi a Tr am po lim Ac ro bá tic o Et c. Et c. Et c. Et c. R ítm ic a D es po rti va M us cu la çã o Eu to ni a R ee du ca çã o An ti- gi ná st ic a D e C on di cio na m en to D e D em on st ra çã o D e C om pe tiç ão Fi si ot er ap êu tic a FO N T E : P ao lie llo ( 2 0 11 ) TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 157 Reis e Oliveira (2015) explicam os campos de atuação da ginástica: • As ginásticas de condicionamento físico englobam todas as modalidades que têm por objetivo a aquisição ou a manutenção da condição física do indivíduo comum e/ou do atleta. • As ginásticas de competição são aquelas regulamentadas e configuradas internacionalmente. Atualmente, a Federação Internacional de Ginástica (FIG), órgão de maior representatividade da área, reconhece seis delas: ginástica artística feminina, ginásticaartística masculina, ginástica rítmica, ginástica acrobática, ginástica aeróbica esportiva e ginástica de trampolim. • As ginásticas fisioterapêuticas possuem algum vínculo com certas técnicas orientais, que reúnem exercícios físicos para a prevenção ou tratamento de doenças e não são específicas da área da Educação Física. • Também com característica de solucionar problemas físicos e posturais, as ginásticas de conscientização corporal trazem as “técnicas alternativas” ou “ginásticas suaves”. • Reunindo as modalidades gímnicas, com caráter demonstrativo, temos a ginástica geral (GG), que possui como “principal característica a não competitividade, tendo como função a interação social, isto é, a formação integral do indivíduo nos seus aspectos: motor, cognitivo, afetivo e social”. Esses campos de atuação da ginástica vêm a partir do contexto histórico de desenvolvimento das ginásticas, bem como de sua atual configuração, comportando diferentes esferas de movimentações corporais e, segundo Souza (1997, p. 25): [...] o estabelecimento de um conceito único para ela restringiria a compreensão deste imenso universo que a caracteriza como um dos conteúdos da Educação Física. Esta modalidade no decorrer dos tempos tem sido direcionada para objetivos diversificados, ampliando cada vez mais as possibilidades de sua utilização [...]. Constituem-se fundamentos da ginástica: "saltar", "equilibrar", "rolar/ girar", "trepar" e "'balançar/embalar". Por serem atividades que traduzem significados de ações historicamente desenvolvidas e culturalmente elaboradas, devem estar presentes em todos os ciclos em níveis crescentes de complexidade (SOARES et al., 1992). UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 158 Veja abaixo as características: FIGURA 123 - FUNDAMENTOS DA GINÁSTICA • Desprender-se da ação da gravidade, manter-se no ar • Impulsionar-se e dar ao corpo um movimento de "vaivém" • Dar voltas sobre os eixos do próprio corpo • Permanecer ou deslocar-se numa superfície limitada, vencendo a ação da gravidade • Subir em suspensão pelos braços, com ou sem ajuda das pernas, em superfícies verticais ou inclinadas. Saltar Equilibrar Trepar Balançar/embalar Rolar/girar FONTE: Soares et al. (1992) Deve-se pensar a ginástica no contexto da Educação Física escolar como um tema que se insere na chamada cultura corporal e que, portanto, deve ser tratada, experimentada, problematizada, conhecida e transformada (MARCASSA, 2004). Segundo Soares (1998), a ginástica deve ser compreendida em dois aspectos: QUADRO 1 - ASPECTOS DA GINÁSTICA Conteúdo Forma Movimentos fundamentos básicos da ginástica (ações, posturas, movimentos e gestos). Movimentos sequências ginásticas possuem uma estética própria, uma configuração plástica. Combinados e sistematizados em torno dos métodos ginásticos e nas modalidades que conhecemos hoje como a ginástica artística, rítmica, natural, aeróbica, acrobática, calistênica. Conjunto de posturas e gestos que podem ser traduzidos e representados pelos signos da retidão e verticalidade. FONTE: Soares (1998) TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 159 Agora que você leu sobre os campos de atuação da ginástica, verá a aplicação dela no âmbito escolar. ESTUDOS FU TUROS 3 GINÁSTICA ESCOLAR (PRÉ-ESCOLA AO ENSINO MÉDIO) A ginástica, um histórico componente da EF escolar, enquanto conteúdo regular de ensino, tem como fundamento ou elemento central, identificador e diferencial, o exercício físico educativo escolar, pois, sem alienar-se da interação entre corpo e mente, privilegia a parte motriz, a dimensão física corporal do ser humano, por meio de elementos como marchas, corridas, saltos, agachamentos, “apoios”, “polichinelos”, “abdominais”, alongamentos, rotações, forçamentos, descontrações etc. (PEREIRA, 2006). Nos PCN (BRASIL, 1998), as lutas e as ginásticas pertencem ao mesmo bloco de conteúdos dos esportes e jogos, mas essa descrição tem por objetivo acrescentar o que deve ser ressaltado como específico dessas práticas. • Aspectos histórico-sociais das ginásticas: • Compreensão e vivência das diferentes formas de ginásticas relacionadas aos contextos histórico e sociais (modismos e valores estéticos, ginásticas com diferentes origens culturais). Por exemplo: aeróbica, chinesa, ioga (BRASIL, 1998). A ginástica na escola pode enriquecer as experiências dos educandos, possibilitando uma educação comprometida com a formação humana e a educação física escolar, é responsável por proporcionar aos alunos essa vivência, em um universo da cultura corporal dos movimentos da ginástica, de forma que eles possam agir de forma autônoma e crítica (RINALDI e SOUZA, 2003). A ginástica, desde suas origens, como a "arte de exercitar o corpo nu", englobando atividades como corridas, saltos, lançamentos e lutas, tem evoluído para formas esportivas claramente influenciadas pelas diferentes culturas (SOARES et al., 1992). De acordo com Soares et al. (1992, p. 77), a ginástica como uma forma de exercitação provoca “valiosas experiências corporais, enriquecedoras da cultura corporal das crianças, em particular, e do homem em geral”. Dessa forma, torna- se necessária, pois é uma prática permeada por um significado cultural, por abarcar a “tradição histórica do mundo ginástico”, permitindo aos alunos darem sentido às suas exercitações ginásticas. UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 160 No livro Coletivo de autores (1992, p. 53-57) há o roteiro do que pode ser trabalhado na ginástica nos diferentes ciclos da educação. Veja a seguir: Ciclo de Educação Infantil (Pré-Escolar) e no Ciclo de Organização da Identificação da Realidade (1ª a 3ª séries do Ensino Fundamental): a) Formas ginásticas que impliquem as próprias possibilidades de saltar, equilibrar, balançar e girar em situações de: - Desafios que apresenta o ambiente natural (por exemplo, os acidentes do terreno, como: declives, buracos, valas etc., ou árvores, colinas etc.). - Desafios que apresentam a própria construção da escola, praça, rua, quadra etc. onde acontece a aula. - Desafios propostos por meio de organização motivadora de materiais ginásticos, formais ou alternativos. b) Formas ginásticas que impliquem diferentes soluções aos problemas do equilibrar, trepar, saltar, rolar/girar, balançar/embalar. (Sugere-se o início com técnicas rudimentares, criativas dos alunos, evoluindo para formas técnicas mais aprimoradas.) c) Formas ginásticas organizadas para possibilitar a identificação de sensações afetivas e/ou cinestésicas, tais como prazer, medo, tensão, desagrado, enrijecimento, relaxamento etc. d) Formas ginásticas que contribuam para promover o sucesso de todos. e) Formas ginásticas com fundamentos iguais para os dois sexos. f) Formas ginásticas coletivas em que se combinem os cinco fundamentos: saltar, equilibrar, trepar, embalar/balançar e rolar/ girar. (Recomenda-se promover a exibição pública das habilidades ginásticas desenvolvidas, bem como a avaliação individual e coletiva para evidenciar o significado das mesmas na vida do aluno). FIGURA 124 - GINÁSTICA NA ESCOLA - EDUCAÇÃO INFANTIL FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/ discovirtual/galerias/imagem/0000002154/0000026156.jpg>. Acesso em: 20 out. 2015. TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 161 FIGURA 125 - GINÁSTICA NA ESCOLA - EDUCAÇÃO INFANTIL FONTE: Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd114/ggu.jpg>.Acesso em: 20 out. 2015. Veja o vídeo a seguir sobre exemplos de trabalhar a ginástica na educação infantil: <https://www.youtube.com/watch?v=Gsq3LnSfYh4>. DICAS FIGURA 126 - GINÁSTICA NA ESCOLA FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=ginastica+na+esc ola&rlz=1C1SKPM_enBR429BR429&espv=2&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbo= u&source=univ&sa=X&sqi=2&ved=0CCcQsARqFQoTCJa-0ZjR0cgCFUWXgAodK9 EHWQ&dpr=1#imgrc=xwPbISRJIosb4M%3A>.Acesso em: 20 out.2015. UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 162 • Ciclo de Iniciação à Sistematização do Conhecimento (4ª à 6ª série): a) Formas técnicas de diversas ginásticas (artística ou olímpica rítmica desportiva, ginásticas suaves, ginástica aeróbica etc.). b) Projetos individuais e coletivos de prática/exibições na escola e na comunidade. • Ciclo de Ampliação da Sistematização do Conhecimento (7ª à 8ª série): a) Programas de formas ginásticas tecnicamente aprimoradas, considerando os objetivos e interesses dos próprios alunos. b) Formação de "grupos ginásticos" que pratiquem e façam exibições dentro e fora da escola, envolvendo a comunidade. • Ciclo de Aprofundamento da Sistematização do Conhecimento (Ensino Médio): a) Formas ginásticas que impliquem conhecimento técnico/artístico aprofundado da ginástica artística ou olímpica, da ginástica rítmica desportiva ou de outras ginásticas. b) Formas ginásticas que impliquem conhecimento científico/técnico aprofundado da ginástica em geral para permitir o planejamento do processo de treinamento numa perspectiva crítica do significado a ela atribuído socialmente. Veja o vídeo a seguir sobre a abertura de um festival de ginástica com o tema O Circo do Papai Noel. <https://www.youtube.com/watch?v=Yeim9r5bhSs>. DICAS Nos PCN (BRASIL, 1998, 97), os gestos são relatados como mostrado a seguir: • vivência de situações em que se faça necessário perceber, relacionar e desenvolver as capacidades físicas e habilidades motoras presentes na ginástica esportiva e acrobática (estrelas, rodantes, mortais etc.); • compreensão e vivência das situações em que estejam presentes os aspectos relacionados à repetição e à qualidade do movimento na aprendizagem do gesto ginástico, tanto no que se refere às acrobacias como à criação de sequências de exercício com e sem material (espaldar, barra fixa, corda, exercícios em duplas, trios etc.). TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 163 A linguagem da ginástica é grande, podendo abordar uma variedade enorme de atividades expressivas que envolvem ações de resgate e vivência dos fundamentos e aparelhos oficiais da ginástica, pesquisa e exploração de movimentos com base nas referências individuais e coletivas, criação e expressão de sequências e composições temáticas, oficinas de construção de materiais, instrumentos musicais, cenário e figurino, dramatização e significação de narrativas corporais (MARCASSA, 2004). A ginástica é organizada com base nas habilidades básicas de caminhar, correr, saltar, equilibrar, rolar, balançar, girar, entre outras, e quando realizada de forma planejada, sistematizada e sequenciada, possui potencial para intensificar os benefícios e exigir diferentes habilidades motoras e condicionamento físico. Estimula a eficiência fisiológica, a força, flexibilidade, resistência e agilidade, estimula a criatividade, perseverança e coragem, ou seja, o desenvolvimento multilateral na criança (SANTOS et al., 2015). A ginástica está situada num plano diferente das modalidades competitivas, com abertura para o divertimento, o prazer, a simplicidade de movimentos, a participação irrestrita; tendo como principal alvo o sujeito, a integração entre as pessoas e grupos. Pode ser diversificada e não ter regras rígidas preestabelecidas, o que implica respeito aos limites e possibilidades de cada um e onde os festivais são sua principal forma de manifestação, o que não significa desconsiderar o processo em detrimento do produto final, mas sim valorizar a expressão artística que se vincula à composição coreográfica, à apresentação e ao espetáculo (AYOUB, 2003). Agora que você leu a atuação da ginástica na escola, verá a aplicação dela no âmbito pedagógico. ESTUDOS FU TUROS 4 ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO ENSINO DA GINÁSTICA NA ESCOLA A Educação Física trata de forma pedagógica conteúdos preenchidos por uma gama de valores culturais que foram sistematizados historicamente e que demonstram a relação entre o homem, o corpo e a sociedade (FERREIRA e RODRIGUES, 2014). UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 164 O termo conteúdo, extremamente usado no meio escolar, é definido como uma seleção de formas ou saberes culturais, conceitos, explicações, raciocínios, habilidades, linguagens, valores, crenças, sentimentos, atitudes, interesses, modelos de conduta etc., cujo aprendizado e assimilação são fundamentais para o desenvolvimento da socialização adequada do aluno na escola (ROSÁRIO e DARIDO, 2005). A Dinamarca, em 1801, foi o primeiro país a incluir as ginásticas nas escolas, influenciada pelas ideias de Franz Netchegal, que em 1928 consegue que o ensino das ginásticas na escola seja obrigatório (OLIVEIRA, 1985). O método dinamarquês não teve a mesma força de aceitação como o alemão, o francês e o sueco, justamente pelo seu caráter pedagógico em contraposição ao militar. Pensada como uma pedagogia do gesto e da vontade (SOARES, 1998), a ginástica representou a constituição de um modelo de “educação do corpo”, cuja finalidade era forjar corpos aprumados, limpos, fechados e acabados, portando uma feição reta, rígida e vertical, cuja máxima expressão pode ser visualizada pela noção de estética da retidão e da verticalidade (SOARES, 2001). Lara et al. (2007) apontam que uma nova metodologia de ensino voltada para a ginástica na escola deu-se a partir de 2006 e 2007, com o desenvolvimento de algumas abordagens metodológicas, como a desenvolvimentista, construtivista, ensino aberto, crítico-superadora, crítico-emancipatória, sistêmica e plural. Atualmente, a educação física tem apresentado avanços na prática pedagógica da ginástica, sobretudo numa dimensão progressista, ou seja, numa perspectiva educacional de rompimento com paradigmas das escolas tradicionais, que tenha característica crítica, social e política voltada, sobretudo, para um projeto de transformação social (SERON et al., 2007). Pedagogicamente, segundo Betti e Zuliani (2002), a escolha de estratégias, bem como de conteúdos específicos para a prática da educação física escolar, englobando a ginástica, deve obedecer aos princípios metodológicos gerais, como: • Princípio da inclusão: Os conteúdos e estratégias escolhidos devem sempre propiciar a inclusão de todos os alunos. • Princípio da diversidade: A escolha dos conteúdos deve, tanto quanto possível, incidir sobre a totalidade da cultura corporal de movimento, incluindo jogos, esporte, atividades rítmicas/expressivas e dança, lutas/artes marciais, ginásticas e práticas de aptidão física, com suas variações e combinações. • Princípio da complexidade: Os conteúdos devem adquirir complexidade crescente com o decorrer das séries, tanto do ponto de vista estritamente motor (habilidades básicas à combinação de habilidades, habilidades especializadas etc.) como cognitivo (da simples informação à capacidade de análise, de crítica etc.). TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 165 • Princípio da adequação ao aluno: Em todas as fases do processo de ensino deve-se levar em conta as características, capacidades e interesses do aluno, nas perspectivas motora, afetiva, social e cognitiva. Quando desenvolvida no sistema escolar, essa prática corporal pode propiciar condições favoráveis de aprendizado a partir do mundo de movimento dos alunos, promovendo a autonomia por meio de uma ação reflexiva e significativa em estreita relação com o cotidiano. A escolha do caminho metodológico torna-se crucial para que manifestações gímnicas deem sentido à vida do aluno e à sua formação, não sendo tratadas apenas em seus aspectos técnicos (SERON et al., 2007). Ayoub (2001) aponta algumas características pedagógicas da ginástica em âmbito escolar: • não ter a competição como foco principal, sendo marcada pelo prazer e pelo divertimento; • possibilitar a integração de seus praticantes, a liberdade de expressão, o prazer e a criatividade; • abranger todasas ginásticas e fornece possibilidades para a utilização de diferentes tipos de materiais, indumentária e música; sua principal forma de manifestação se dá por meio de apresentações artísticas. O ensino da ginástica na escola deve explorar o potencial de movimento que os alunos apresentam, ampliando suas bagagens motoras. Como, por exemplo, ao ensinar um elemento acrobático, o professor pode utilizar-se, ou não, de aparelhos específicos, criar situações-problema, exigir maior domínio do corpo, segurança e elegância nas execuções, proporcionando novas experiências motoras e sensações diferentes do seu cotidiano (NISTA-PICCOLO, 1999). Cabe ao professor tentar incluir e diferenciar a ginástica de outras práticas corporais, mas que não signifique compartimentalizar os conhecimentos, uma vez que nenhuma prática corporal pode ser compreendida de forma isolada, mas na totalidade da cultura corporal (AYOUB, 2003). Desde a Antiguidade já existia o papel de ‘educador de ginástica’ ou ‘educador físico’, que era, além de um monitor de ginásticas, um educador; e não era apenas pelo exemplo e pela prática que se ensinavam as ginásticas nesse período, havia a apropriação de um conhecimento superior, ou seja, aqueles que ensinavam ginásticas deveriam ter uma abrangente sabedoria filosófica sobre corpo e mente (MARROU, 1969). UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 166 FIGURA 127 - FRIEDRICH JAHN, ALEMÃO CHAMADO "PAI DA GINÁSTICA" FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/6/65/Friedrich_Ludwig_Jahn.jpg>. Acesso em: 20 out. 2015. Aponta-se que ser um educador, seja na formação acadêmica, seja na escolar, é mostrar aos alunos aquilo que vai além do presente, é voltar ao passado para se construir um futuro. É apresentar o que foi e o que pode ser e situar esses alunos dentro dessa edificação que em muito depende deles (FIGUEIREDO e HUNGER, 2010). Cabe à escola e ao professor de Educação Física, de acordo com a sua realidade, ponderar sobre as melhores condições para oferecimento da disciplina (DARIDO, 2004). Para que a ginástica escolar, significativamente, seja mais do que “aquecimento” e “alongamentos”, ela necessita objetivar a real educação humana, orientada por um profissional que foque, no desenvolvimento de aulas, a associação entre as práticas ginásticas, conteúdos cognitivos específicos: históricos, sociológicos, fisiológicos, anatômicos, biomecânicos e técnico-gestuais (PEREIRA, 2006), dentro de algumas categorias de aprendizagem. TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 167 NOTA Caetano et al. (2015), em seu estudo, relatam que a diversidade de métodos, aparelhos, formas de execução dos movimentos, além do desafio imposto por certos elementos gímnicos, podem ser considerados fatores de motivação para praticantes de ginástica. E que a motivação é o conjunto de fatores que modelam o comportamento direcionado a determinado objetivo. A ginástica também pode ser considerada uma manifestação muito prazerosa, por apresentar diversas formas e possibilidades. Segundo Zabala (1988), as categorias em que os conteúdos podem ser apresentados são: • Conceitual - ligado a fatos, conceitos e princípios, ou seja, na Educação Física deve-se levar em conta, além das questões de regras, táticas, história e recordes, o entendimento de como e por que realizamos movimentos corporais, como constitui-se um movimento da ginástica, os motivos que levam as pessoas à prática de esportes, as mudanças de nosso organismo a curto e longo prazo com a prática de atividades físicas etc. • Procedimental - ligada ao fazer, o aprendizado e execução de gestos esportivos, dos movimentos rítmicos, do trabalho em grupo para a criação de novas regras e jogos etc. • Atitudinal - vinculada a normas, valores e atitudes. É tratada através de leituras, discussões, debates, vivências em atividades que tragam à tona temas como a violência, a cooperação, a competição, o coletivo, a justiça, a autoridade, o respeito e como tudo isso aparece na cultura corporal de movimento e na sociedade. A educação física escolar tem como conteúdo elementos da cultura corporal de movimento e ao longo do Ensino Fundamental e Médio, sendo necessário fazer um processo de sistematização destes conteúdos, porém, elencados de acordo com a realidade, necessidades e interesses dos alunos, não sendo possível predeterminar o momento adequado de ensinar determinados conhecimentos a alguém (SOUSA; RAMOS, 2015). Zabalza (1994) classifica as sistematizações de conteúdos em simples e complexas. As sequências simples ou lineares são classificadas em: UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 168 FIGURA 128 - SEQUÊNCIAS SIMPLES DE CONTEÚDOS FONTE: Zabalza (1994) As sequências complexas completam as sequências simples apresentando variações quanto à equidistância e homogeneidade. São elas: FIGURA 129 - SEQUÊNCIAS COMPLEXAS DE CONTEÚDOS a) Sequência homogêna: na qual todos os conteúdos têm a mesma importância no programa; b) Sequência heterogênea: se atribui importância diferente aos conteúdos; c) Sequência equidistante: todos os conteúdos são abordados num mesmo espaço de duração de tempo; d) Sequência não equidistante: há diferença na previsão para se abordar cada conteúdo (muito ligado também à questão de importância dos conteúdos). a) Sequência complexa com alternativas: para passar de um conteúdo para outro o professor pode ter mais de um caminho. b) Sequência complexa com retroatividade: a ordenação prevê saltos para frente ou para trás no programa, possibilitando ao professor esclarecer o porquê de novos conceitos; c) Sequência em espiral: onde há uma continuidade e sequencialidade curricular, ou seja, um modelo onde existe um aprofundamento e uma ampliação dos conteúdos aprendidos em anos anteriores. d) Sequência convergente: o mesmo conteúdo pode ser analisado sob pontos de vista distintos e cada pode de vista infere a necessidade de introdução de novos conceitos. FONTE: Zabalza (1994) TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 169 Desta forma, uma sistematização dos conteúdos da Educação Física deve possibilitar o processo de construção da cidadania dos alunos, o aumento do repertório de conhecimento/habilidade e compreensão e reflexão sobre a cultura corporal de movimento (RESENDE e SOARES, 1997). De acordo com os PCN (BRASIL, 1998, p. 72), As ginásticas são técnicas de trabalho corporal que, de modo geral, assumem um caráter individualizado com finalidades diversas. Por exemplo, pode ser feita como preparação para outras modalidades, como relaxamento, para manutenção ou recuperação da saúde ou ainda de forma recreativa, competitiva e de convívio social. Envolvem ou não a utilização de materiais e aparelhos, podendo ocorrer em espaços fechados, ao ar livre e na água. Cabe ressaltar que são um conteúdo que tem uma relação privilegiada com o bloco conhecimentos sobre o corpo, pois nas atividades ginásticas esses conhecimentos se explicitam com bastante clareza. Atualmente, existem várias técnicas de ginástica que trabalham o corpo de modo diferente das ginásticas tradicionais (de exercícios rígidos, mecânicos e repetitivos), visando à percepção do próprio corpo: ter consciência da respiração, perceber relaxamento e tensão dos músculos, sentir as articulações da coluna vertebral. Veja a pesquisa de Darido (2004) Artigo: Artigo publicado na Rev. Bras. Educ. Fís. Esp. Disponível em: <file:///C:/Users/Win7/ Downloads/16551-19700-1-PB%20(1).pdf>. Acesso em: 21 out. 2015. Darido (2004) fez uma pesquisa para verificar as opiniões dos alunos a respeito das aulas de Educação Física e como elas se modificam ao longo dos ciclos escolares. Aplicou questionário em 1.172 alunos divididos entre a 5ª e a 7ª série do Ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual. Os resultados indicam que os alunos têm uma imagem fortemente valorizadada disciplina, relacionando-a com liberdade, alegria, interesse, beleza e prazer. Além disso, as opiniões dos alunos se modificam ao longo das séries em função da faixa etária; dos 11 aos 13 anos manifestam, em relação ao esporte, uma grande espontaneidade e entusiasmo; dos 14 aos 16 anos é um período em que há grandes variações individuais, os ritmos tornam-se mais variados, os alunos mais reservados e menos ativos. Dos 11 aos 14 anos, 90% dos alunos participam regularmente das atividades corporais na escola, dos 15 aos 16 anos este número cai para 83%. Apontaram o futebol como a atividade que mais praticam, e nem apontaram a ginástica. DICAS Observando o estudo acima, concluímos que a prática da ginástica na escola requer incentivo do professor, um planejamento adequado e estimulante ao aluno. UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 170 Agora que você leu a pedagogia da ginástica, veja os aspectos que devem ser levados em conta ao construir uma aula. ESTUDOS FU TUROS 5 COMO DAR UMA AULA DE GINÁSTICA ESCOLAR? Quando vamos elaborar uma aula, selecionar o conteúdo e a forma como será dado, devemos sempre pensar que conhecimentos queremos transmitir. Resende e Soares (1997) destacam que a escola deve selecionar os conteúdos clássicos, que são entendidos como aqueles que levam à participação, compreensão e interpretação do mundo universal e particular do trabalho e da prática social intencional. Na escola pode-se trabalhar várias modalidades de ginástica e formas. O importante é que sempre a aula seja dividida em três partes: aquecimento, principal e volta à calma. O tempo da aula varia de escola para escola (45min a 60min). Devemos privilegiar sempre o trabalho coletivo e a expressão criativa. Ayoub (2003) apresenta um modelo de estruturação de aulas de ginástica: • 1º momento: fazer com que os participantes explorem o tema a ser desenvolvido em aula, criando e realizando diferentes possibilidades de ação. • 2º momento: propor “pistas”, para que os participantes solucionem os problemas apresentados e criem alternativas de ação, individualmente ou em grupo; e também explorar vários recursos utilizando materiais tradicionais ou não tradicionais (como tecidos, jornais, garrafas de plástico, bambus etc.). • 3º momento: abordar a perspectiva lúdica; os elementos ainda não contemplados são vivenciados pelo grupo. A finalização é feita com uma conversa sobre o conteúdo abordado. Veja o vídeo de aulas de ginástica para crianças. <https://www.youtube.com/watch?v=G_5PGG7qnMY> <https://www.youtube.com/watch?v=ulBoQthZLog>. DICAS TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 171 Não existem receitas prontas na montagem de uma aula, pois cada grupo possui características diferenciadas e cabe ao professor identificar a melhor maneira de conduzir o aprendizado da ginástica (OLIVEIRA, 2007). Entre os vários movimentos possíveis, uma criança poderá suspender-se, apoiar-se, fazer rolamentos, deslocar-se de quatro (quadrupedia), correr, saltar etc. Esses movimentos podem ser considerados como “primeiros passos” para se desenvolver um trabalho relacionado à ginástica (BEZERRA, FERREIRA FILHO e FELICIANO, 2006). Exemplo de estruturação de aulas de ginástica, proposta por Oliveira (2007): FIGURA 130 - EXEMPLO DE ESTRUTURAÇÃO DE AULAS DE GINÁSTICA 1º momento: integração do grupo (por meio de jogos, brincadeiras ou outras atividade lúdicas); 4º momento: tarefas em pequenos grupos, explorando diversas possibilidades de movimento, sem materiais e com materiais, favorecendo a construção de pequenas coreografias; Finalização: apresentações para os demais grupos. 2º momento: apresentação do tema da aula (explorar a temática da ginástica e suas relações, com diversos temas propostos de acordo com os objetivos do grupo); 3º momento: aprendizagem e/ou desenvolvimento de elementos gímnicos: saltar, equilibrar, balançar, girar, rolar, trepar, dentre outros; além do desenvolvimento de ritmo e coordenação de diferentes elementos; FONTE: Oliveira (2007) Quanto à criação de coreografias, apesar de não se constituir a única finalidade da prática da ginástica, elas são parte integrante do processo. A coreografia é a composição de uma apresentação da modalidade, levando em conta vários elementos corporais, predominantemente os ginásticos, interligados de forma harmoniosa, com utilização ou não de aparelhos (sejam de pequeno ou grande porte), porém, considerar que o objetivo principal das composições coreográficas deve ser o de atender aos anseios dos participantes, respeitando suas individualidades, sem exclusões do processo (elaboração, composição, ensaios) e do produto (apresentação) (OLIVEIRA, 2007). UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 172 FIGURA 131 - MODELO DE COREOGRAFIA DE GINÁSTICA NA ESCOLA FONTE: Disponível em: <http://www.ufjf.br/joaoxxiii/files/2013/07/20130624_125626.jpg>. Acesso em: 20 out. 2015. Seron et al. (2007) fizeram uma pesquisa em que avaliaram as experiências com ginástica em uma escola estadual na cidade de Maringá-PR, em 2005. Foram oito aulas de ginástica geral, sob a ótica da abordagem do ensino aberto, para uma turma de 5ª série do Ensino Fundamental, no horário regular da educação física. Concluíram que a ginástica desenvolvida na escola levou os alunos a visualizarem uma outra educação física. Veja no quadro a seguir o exemplo das oito aulas com ginástica: QUADRO 2 - AULAS DE GINÁSTICA Conteúdo Objetivo Encaminhamento Aula 1 Manifestações gímnicas, Aspectos principais da GG. Possibilidades de trabalho com GG. Introduzir o tema "Ginástica Geral" para que os alunos percebam essa manifestação nas ações do cotidiano e visualizem possibilidades de trabalho com este saber na de EF escolar. Discussão sobre o tema. Visualização da manifestação por meio de gravuras e video. Aula 2 Saltos e salitos: individualmente, com/ sobre o colega, com obstáculos propsotos pelo professor. Reconhecer as situações de saltos, individualmente ou em grupo, relacionando-os com as situações cotidianas. Conversa sobre o tema. Criação de situações de saltos utilizando materiais diversos. Discussão sobre as criações. TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 173 Aula 3 Flexibilidade, Giros, Equilíbrios, Formas de andar, Formas de correr. Criar e executar movimentos gímnicos por meio de atividades práticas em grupo, buscando relacioná-los com as ações cotidianas. Diálogo sobre os movimentos. Experimentação e criação em grupos e com música. Apresentação das possibidades criadas. Discussão sobre a pertinência do conhecimento para a vida diária. Aula 4 Rolamento (para frente, para trás). Roda. Parada de mãos. Parada de cabeça. Conhecer e vivenciar alguns elementos acrobáticos por meio de discussões e vivências práticas, para que os alunos relacionem esses movimentos com sua vida de movimento. Conversa com o grupo para identificar os elementos e perceber o entendimento dos alunos acerca do tema. Experimentação de movimentos. Diálogo buscando relacionar a prática com o cotidiano. Aula 5 Colaborações e acrobacias em trios e sextetos. Compreender e vivenciar acrobacias e colaborações por meio de atividades práticas em grupos para que os alunos conheçam essas manifestações e apontem possibilidades por meio de suas experiências cotidianas. Diálogo com o grupo sobre os elementos, buscando identificar o conhecimento acerca do tema. Experimentação e elaboração de ações do movimentos em grupos. Discussão sobre a importância desse trabalho nas ações diárias. Aula 6 Manejo dos aparelhos e combinação de elementos gímnicos. Criar possibilidades de movimentos por meio de atividade prática (com uso de diversos aparelhos) para que os alunos descubram suas próprias capacidades. Dialogar com a turma para identificar os aparelhos de ginástica conhecidose entender como visualizam as formas de utilizá-los. Exploração dos aparelhos. Apresentação dos elementos criados. Aula 7 Composição coreográfica. Elementos gímnicos. Manuseio e utilização de materíais. Elaborar uma composição coreográfica utilizando os elementos corporais e os materiais trabalhados em aula. proporcionando um espaço de criatividade e subjetividade. Resgate das criações anteriores por meio de diálogo. Escolha da música. Construção e experimentação de um material de jornal para a coreografia. Apresentação do que foi criado e discussão final. Aula 8 Composição coreográfica; Elementos gímnicos; Manuseio e utilização de materiais. Concluir a composição coreográfica por meio de trabalho coletivo, proporcionando um espaço de criatividade e respeito mútuo, relacionando-a com as ações cotidianas. Resgatar os materiais e as composições contruídas. Apresentação da coreografia. Reflexão e discussão final. FONTE: Seron et al. (2007) UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 174 Várias brincadeiras populares têm elementos de ginástica, contribuem com a ampliação das técnicas corporais dos alunos, favorecendo o aprendizado de experiências em grupo, de cooperação e convivência com o outro, de respeito e de aprendizado da cultura em que se encontram inseridos. Exemplos são as brincadeiras como gato e rato, amarelinha, lenço atrás, ciranda-cirandinha, escravos de Jó, balança caixão, pula carniça (BARBOSA-RINALDI, LARA e OLIVEIRA, 2009). FIGURA 132 - BRINCADEIRAS ENVOLVENDO OS ELEMENTOS DA GINÁSTICA NA ESCOLA Fonte: Disponível em: <http://www.blogers.com.br/wp-content/uploads/2010/08/ Brincadeiras-folcl%C3%B3ricas..jpg>. Acesso em: 20 out. 2015. Também pode ser explorada a construção de objetos pelas próprias crianças (como balanços, pernas-de-pau, túneis de tecido) ou existentes na escola (escada, pneus, bolas, cordas), que podem representar meios de abordar as diversas formas gímnicas presentes na contemporaneidade (BARBOSA-RINALDI, LARA e OLIVEIRA, 2009). FIGURA 133 - BRINCADEIRAS DA GINÁSTICA COM PERNA-DE-PAU FONTE: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/img/620x300/perna-pau.jpg>. Acesso em: 20 out. 2015. TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 175 Veja o vídeo de uma aula na escola envolvendo perna-de-pau. <https://www.youtube.com/watch?v=4Qz0_yOm05A>. DICAS FIGURA 134 - BRINCADEIRAS DA GINÁSTICA COM BAMBOLÊ FONTE: Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/-T7Ax3e9ywNU/UopCuA3XPlI/ AAAAAAAAUec/rvos9DSs_r0/s320/Atividades+com+Bambol%C3%AA+(2).JPG>. Acesso em: 20 out. 2015. Veja o vídeo de uma coreografia na escola envolvendo arcos. <https://www.youtube.com/watch?v=57d7ALLriSw>. DICAS 6 AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E NA GINÁSTICA A avaliação funciona como um termômetro, apontando as possíveis falhas no processo ensino-aprendizagem, e está diretamente ligada à relação de causa e efeito, ou seja, à avaliação de objetivos e do próprio planejamento (GOLDBERG UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 176 e SOUSA, 1979). Na Educação Física a avaliação é, igualmente, um diagnóstico, portanto, deve ter o intuito de detectar possíveis falhas no processo ensino- aprendizagem (BRATIFISCHE, 2003). Devemos levar em conta a avaliação do ensino-aprendizagem da educação física, na perspectiva da cultura corporal. Segundo Resende e Soares (1997), no contexto da cultura corporal a avaliação é primordial e de contínuo diagnóstico. Entendemos que o professor de Educação Física deverá estar a todo momento identificando, refletindo e tomando decisões acerca das experiências do ensino- aprendizagem. Para Gardner (1997), a verdadeira avaliação depende de professores capazes de fazer observações sobre seus alunos e sensíveis para diagnosticar o real envolvimento nas atividades e projetos significativos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais consideram que a avaliação deva ser de utilidade tanto para o aluno como para o professor, para que ambos possam, dentro do processo de ensino e aprendizagem, dimensionar os avanços e as dificuldades e torná-lo cada vez mais produtivo (BRASIL, 1998). Segundo os PCN (BRASIL, 1998, p. 58): Os instrumentos de avaliação deverão atender à demanda dos objetivos educativos expressos na seleção dos conteúdos, abordados dentro das categorias conceitual, procedimental e atitudinal. A predominância das intenções avaliativas ocorrerá dentro de uma perspectiva processual, ou seja, facilitará a observação do aluno no processo de construção do conhecimento. Essa avaliação contínua compreende as fases que se convencionou denominar diagnóstica ou inicial, formativa ou concomitante e somativa ou final. Para Bloom et al. (1983), existem três tipos de avaliação: a diagnóstica, a formativa e a somativa. A diagnóstica refere-se à identificação de capacidades e/ou ao déficit que o indivíduo apresenta no início do processo. Com relação à formativa, é dar indícios sobre o posicionamento do aluno em face de uma aprendizagem e propor soluções a partir da identificação de alguma dificuldade, a fim de alcançar determinado objetivo. Por fim, a somativa instala-se com o objetivo de observar o resultado alcançado depois de uma intervenção. A avaliação da educação física não deveria ter o caráter somativo, ou seja, conferir notas e conceitos que impliquem a aprovação ou reprovação dos alunos. No entanto, esta concepção não dispensa o professor da necessidade de submeter os alunos a diferentes técnicas e instrumentos de medida/avaliação, no sentido de constatar e fornecer informações sobre o grau de assimilação dos conhecimentos/ habilidades que foram socializados (RESENDE e SOARES, 1997). TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 177 As informações colhidas no processo avaliativo servirão de base para decisões que assegurem o processo de assimilação dos conhecimentos/habilidades da educação física. Portanto, só se deve privilegiar como objeto de avaliação os conhecimentos/habilidades que são básicos à educação física enquanto componente curricular (RESENDE e SOARES, 1997). Segundo Hurtado (1988), deve-se avaliar o aluno como um todo, em sua globalidade, no seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor, e para isso o professor deverá se utilizar de diferentes técnicas e diferentes instrumentos, sendo a técnica o método pelo qual se tem as informações, e o instrumento o recurso que será usado para cada técnica. FONTE: Hurtado (1988) FIGURA 135 - TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA Observação - quando o professor consegue ouvir, prestar a atenção nas habilidades cognitivas, afetivas e psicomotoras dos alunos e registar estas observações em ficha de controle e escala de classificação. Inquirição - A inquirição é a interrogação, ou seja, a busca da opinião do aluno sobre determinados assuntos, pode ser por questionário, entrevista e sociograma. Testagem - produz resultados mais eficientes, utilizando como instrumento de inquirição os diferentes tipos de testes, sendo os mais utilizados aqueles que se referem ao domínio cognitivo. Não é recomendável usar todos estes instrumentos de uma única vez, o ideal é intercalar, pois essa diversidade de critérios e instrumentos avaliativos elucida uma gama de possibilidades, mas não exatamente todo o processo. Ou seja, se utilizarmos somente um instrumento avaliativo, podemos não compreender toda a complexidade da aprendizagem do educando (OLIVEIRA, 2009). Em seu estudo, Borges (2013) utiliza um instrumento de avaliação automático (na apreciação de uma prestação motora) e acessível (pois permite, a partir de um referencial de observação avaliar as habilidades executadas). UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 178 Considerou-se também importante elaborar um documento destinado a informar o encarregado de educação sobre os resultados alcançados pelo seu educando numa determinadamatéria de ensino. Veja partes a seguir e, na íntegra, acesse o artigo de Borges (2013). FIGURA 136 - MODELO DE AVALIAÇÃO EM GINÁSTICA Nota: (*) sai do tapete/mãos no tapete (na saída da rotação) - nestas situações há uma penalização, baixando a avaliação para o nível 3 (Suf). Elemento gímnico Rolamento à frente Não executa ALVOS NEGATIVOS A SUPERAR ALVOS POSITIVOS A ALCANÇAR Termina de costas Sem erros Termina sentado (ou sai do tapete/ mãos no tapete*) Termina com os pés afastados/cruzados Nível 1 / Fraco Nível 2 / Insuficiente Nível 3 / Suficiente Nível 4 / Bom Nível 5 / Excelente Critérios de observação 1. Rotação total no eixo transversal 2. Pés juntos na fase final FONTE: Borges (2013) UNI Para ler o artigo de Borges na íntegra, acesse:<http://www.efdeportes.com/ efd185/ginastica-na-escola-proposta-de-avaliacao.htm>. TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 179 FIGURA 137 - MODELO DE AVALIAÇÃO EM GINÁSTICA (BORGES, 2013) Elemento gímnico Avião ALVOS NEGATIVOS A SUPERAR ALVOS POSITIVOS A ALCANÇAR Nível 1 / Fraco Nível 3 / Suficiente Nível 4 / Bom Nível 5 / Excelente Critérios de observação 1. Posição equilíbrada 2. Pernas estendidas e em amplitude Nível 2 / Insuficiente Não executa Não mantém a posição (esboça a posição) Pernas fletidas e/ou em pouca amplitudo Equilíbrio instável (instabilidade postural) Sem erros FONTE: Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd185/ginastica-na-escola-proposta-de- avaliacao.htm>. Acesso em: 22 out. 2015. FIGURA 138 - MODELO DE AVALIAÇÃO EM GINÁSTICA Escola (nome) Disciplina Número Ano/TurmaAluno Avaliação Data Não executa Educação Física Elemento Rolamento à frente Rlamento à retaguarda Termina de costas Rola até aos ombros Termina sentado (ou sai do tapete/ mãos na tapete) Termina de joelho (ou sai do tapete) Termina com os pés afastados/cruzados Termina com os pés afastados/ cruzados Sem erros Sem erros Classificação (1) Classificação (2) Fraco (nível 1) Bom (nível 4)Insuficiente (nível 2) Suficiente (nível 3) Excelente (nível 5)Elemento Fraco (nível 1) Insuficiente (nível 2) Suficiente (nível 3) Excelente (nível 5) Não avaliado Não avaliado Bom (nível 4) Ginástica no solo dd-mm-aaaa Não executa Fonte: Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd185/ginastica-na-escola-proposta-de- avaliacao.htm>. Acesso em: 22 out. 2015. UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 180 LEITURA COMPLEMENTAR Leia parte da entrevista com Marcos Neira, especialista da Universidade de São Paulo, sobre o papel da Educação Física nas escolas. A função da disciplina é investigar como os grupos sociais se expressam pelos movimentos. A entrevista foi concedida ao repórter Rodrigo Ratier, para o site Nova Escola. Se quiser visualizar a entrevista na íntegra, acesse: <http://revistaescola. abril.com.br/formacao/vez-formar-atletas-analisar-cultura-corporal-487620.shtml>. Entrevista: De todas as disciplinas do Ensino Fundamental, provavelmente a Educação Física foi a que sofreu transformações mais profundas nos últimos tempos. Mudanças pedagógicas e na legislação fizeram com que até mesmo sua missão fosse questionada. Se até a década de 1980 o compromisso da área incluía a revelação de craques e a melhoria da performance física e motora dos alunos (fazê-los correr mais rápido, realizar mais abdominais, desenvolver chutes e cortadas potentes), hoje a ênfase recai na reflexão sobre as produções humanas que envolvem o movimento. Se antes o currículo privilegiava os esportes, hoje o leque se abre para uma infinidade de manifestações, da dança à luta, das brincadeiras tradicionais aos esportes radicais. Ecos da perspectiva cultural, que domina pesquisas e ganha cada vez mais espaço nas escolas. Considerado um dos principais investigadores dessa tendência, o professor Marcos Garcia Neira, da Universidade de São Paulo (USP), defende que a principal função da Educação Física escolar é analisar a diversidade das práticas corporais da sociedade – mesmo as consideradas mais polêmicas, como danças do tipo funk e axé. Amparado por 17 anos de docência na Educação Básica e pela participação na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e das Orientações Curriculares do município de São Paulo, Neira discute essa questão provocadora e avalia os principais desafios da disciplina. Por que a Educação Física mudou tanto nos últimos anos? NEIRA: Foi uma mudança que acompanhou uma série de outras transformações. Na sociedade, grupos que não tinham sua voz ouvida ganharam espaço, o que impactou o currículo. A escola, antes voltada apenas para o conhecimento acadêmico ou a inserção no mercado, passou a visar a participação do aluno em todos os setores da vida social, o que mexeu com os objetivos da área. E a própria legislação, que desde a década de 1970 apontava um compromisso com a melhoria da performance física e a descoberta de talentos esportivos, foi substituída em 1996 pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que propõe que a Educação Física seja parte integrante da proposta pedagógica da escola. TÓPICO 1 | GINÁSTICA PARA TODOS NO CONTEXTO ESCOLAR 181 Na prática, quais foram as principais transformações? NEIRA: Eu acredito que a Educação Física passou a ser reconhecida como um componente importante para a formação dos alunos. Antes, eram comuns as aulas fora do período regular, as dispensas por motivos médicos ou a substituição por atividades pouco relacionadas com a área, como conselhos de classe, por exemplo. Tudo isso colaborou para construir, na cabeça de alunos e professores, a representação de uma disciplina alheia ao projeto escolar, que servia apenas como recreação ou passatempo e não tinha nenhum objetivo pedagógico. Hoje essa concepção não é mais dominante. Qual é o objetivo da Educação Física escolar hoje? NEIRA: É o mesmo objetivo da escola: colaborar na formação das pessoas para que elas possam ler criticamente a sociedade e participar dela atuando para melhorá- la. Dentro dessa missão, cada disciplina estuda e aprofunda uma pequena parcela da cultura. O que a Educação Física analisa é o chamado patrimônio corporal. Nosso papel é investigar como os grupos sociais se expressam pelos movimentos, criando esportes, jogos, lutas, ginásticas, brincadeiras e danças, entender as condições que inspiraram essas criações e experimentá-las, refletindo sobre quais alternativas e alterações são necessárias para vivenciá-las no espaço escolar. Como deve ser uma aula ideal? NEIRA: Certamente não deve ser a do tipo “desce para a quadra, corre, corre, corre, sua, sua, sua e volta para a sala”. A Educação Física proposta na escola não pode ser a mesma proposta em outros espaços. Se é apenas para o aluno se divertir, existem lugares para isso – ginásios públicos e centros comunitários, por exemplo. Se é somente para aprender modalidades esportivas, melhor procurar um clube ou uma academia. A escola não serve para formar atletas, mas para refletir e entender as manifestações culturais que envolvem o movimento. Campeonatos e festivais esportivos continuam tendo espaço? NEIRA: Particularmente, acho que montar uma seleção com seis a 12 alunos e deixar 300 sem aula para disputar uma competição é fabricar adversários. Não podemos partir do pressuposto de que um pequeno grupo vai ser privilegiado e participar da atividade enquanto a maioria vai apenas torcer, ou nem isso. Agora, se os educadores consideram a competição algo importante, é possível, sim, organizar eventos, mas de uma perspectiva diferente. Sugiro, por exemplo, combinar de levar uma turma de 5ª série para jogar com a de uma escola próxima, negociar regras, fazer todo mundo participar da experiência e realizar uma avaliação conjunta depois, discutindo o que os jovens acharam da atividade e como melhorá-la numa próxima vez. UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 182 Como lidar com crianças quedemonstram especial habilidade em alguma modalidade esportiva? NEIRA: Devemos estimulá-las a prosseguir. Entretanto, o lugar para continuar com o trabalho não pode ser a escola, mas instituições especializadas para a prática esportiva. A escola tem como função ajudar a compreender o mundo e sua cultura. Não há como desenvolver um projeto esportivo se o que se pretende é contemplar todos os alunos. Como saber quais esportes, jogos, lutas, danças e brincadeiras devem fazer parte do currículo? NEIRA: O ponto de partida é sempre o diagnóstico inicial. O interessante é que esse mapeamento do patrimônio cultural corporal da turma – as práticas ligadas ao movimento que os alunos conhecem ou realizam - revela uma realidade mais diversificada do que imaginamos. A garotada brinca de esconde-esconde, conhece skate pela TV, tem algum parente que pratica ioga e conhece malha ou bocha porque os idosos jogam na praça. É possível ainda fazer outros mapeamentos. O professor pode passear pelo bairro observando manifestações corporais e equipamentos esportivos. Há academias ou ruas de caminhada, por exemplo? Mas é preciso escolher algumas práticas no meio de tanta diversidade. Como fazer isso? NEIRA: Antes de mais nada, é fundamental ter em mente as finalidades do projeto pedagógico da escola - devemos lembrar que a Educação Física não pode ser uma prática alienada. Além disso, a perspectiva cultural da disciplina considera quatro princípios importantes na definição do currículo. O primeiro é que a matriz de conteúdos deve dialogar com todos os grupos que compõem a sociedade – e trabalhar só com esportes modernos contradiz esse princípio. O segundo é a noção de que o aluno precisa enxergar na sociedade as manifestações que está estudando. O terceiro é entender e respeitar as possibilidades de cada estudante, evitando, por exemplo, as avaliações por performance. E o quarto é o professor repensar constantemente a própria identidade cultural para aperfeiçoar o currículo. Como desenvolver o senso crítico? NEIRA: Comparando, indagando e aprofundando conteúdos para que a turma reflita. Depois de pular amarelinha, pense por que existem as “casas” do céu e do inferno. Durante o estudo dos exercícios físicos, reflita por que a academia se transformou numa espécie de espaço sagrado da saúde se as qualidades físicas alcançadas por lá também são obtidas, de graça, no parque. Uma Educação Física que trabalha apenas com o movimento não constrói esse senso crítico. 183 Neste tópico você viu que: • A ginástica, vários campos de atuação, desde competitivas até de consciência corporal, possibilitando o acesso e a ampliação do repertório motor de seu praticante. • Constituem-se fundamentos da ginástica: “saltar”, “equilibrar”, “rolar/girar”, “trepar” e “’balançar/embalar”. • A ginástica na escola pode enriquecer as experiências dos educandos, levando a uma educação comprometida com a formação humana. • A educação física escolar é responsável por proporcionar aos alunos essa vivência. • Abordar também a forma autônoma e crítica da ginástica. • A ginástica engloba atividades como corridas, saltos, lançamentos e lutas, e se utiliza de vários materiais. • Também incentivar as coreografias e apresentações de ginástica na escola, como incentivo ao esporte. • Sob os aspectos pedagógicos, a ginástica é como uma linguagem corporal e, como tal, veículo e objeto de comunicação. • Busca a experimentação e registro de diferentes práticas educativas envolvendo o movimento expressivo, juntamente com o estudo da ginástica geral. • Avaliação deve visar ao aluno como um todo, em sua globalidade. • Avaliar o desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor do aluno. • Utilizar diversas técnicas para avaliar e diferentes instrumentos. RESUMO DO TÓPICO 1 184 Responda às questões a seguir: 1 A ginástica deve ser compreendida em dois aspectos: conteúdos e formas. Nesse sentido, assinale V para verdadeiro e F para falso sobre as características que compõem os aspectos da ginástica: ( ) Em relação ao conteúdo, podemos dizer que ele engloba os movimentos fundamentos básicos da ginástica (ações, posturas, movimentos e gestos). ( ) Movimentos de sequências ginásticas que não possuem uma estética própria, uma configuração plástica seria a forma. ( ) O conteúdo também diz respeito ao conjunto de posturas e gestos que podem ser traduzidos e representados pelos signos da retidão e verticalidade. ( ) Combinados e sistematizados em torno dos métodos ginásticos e nas modalidades que conhecemos hoje, como a ginástica artística, rítmica, natural, aeróbica, acrobática, calistênica, poderíamos dizer que se referem à forma. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a) ( ) F – F – V – V. b) ( ) V – F – F – F. c) ( ) F – V – F – V. d) ( ) V – F – V – F. 2 Conforme os estudos, a ginástica faz parte dos PCN (1998), no mesmo bloco de conteúdos dos esportes e jogos e, enquanto conteúdo regular de ensino, tem como fundamento central o exercício físico educativo escolar. Sobre esses aspectos da ginástica no contexto escolar, analise a seguinte situação: A ginástica na escola pode enriquecer as experiências dos educandos, possibilitando uma educação comprometida com a formação humana. PORQUE A educação física escolar é responsável por proporcionar aos alunos essa vivência, em um universo da cultura corporal dos movimentos da ginástica, de forma que eles possam agir de forma autônoma e crítica. a) ( ) A primeira é uma afirmação verdadeira e a segunda, falsa. b) ( ) Ambas afirmações são falsas. c) ( ) As duas são verdadeiras, mas elas não têm relação entre si. d) ( ) As duas são verdadeiras e a segunda é complemento e justificativa da primeira. AUTOATIVIDADE 185 3 A linguagem da ......................... é grande, podendo abordar uma variedade enorme de .................................................... que envolvem ações de resgate e ................................... e aparelhos oficiais da ginástica, pesquisa e exploração de movimentos com base nas referências individuais e.................................., criação e expressão de sequências e composições temáticas, oficinas de construção de materiais, instrumentos musicais, ......................................, dramatização e significação de narrativas corporais (MARCASSA, 2004). Assinale a alternativa correta que preenche a citação acima: a) ( ) ginástica, atividades expressivas, vivência dos fundamentos, coletivas, cenário e figurino. b) ( ) musculação, atividades expressivas, vivência dos fundamentos, coletivas, cenário e figurino. c) ( ) ginástica, atividades expressivas, vivência dos fundamentos, únicas, cenário e figurino. d) ( ) ginástica aeróbica, atividades expressivas, vivência dos fundamentos, coletivas, cenário de filme. 4 Após a leitura da ginástica nos diferentes ciclos da educação, tente enumerar cinco formas que podem ser trabalhadas com a prática da ginástica na escola: 1 2 3 4 5 5 Segundo Zabala (1988), as categorias em que os conteúdos podem ser apresentados na ginástica escolar diferem em três formas. Sobre essas distinções, associe os itens a seguir: I- Conceitual. II- Procedimental. III- Atitudinal. ( ) Ligada ao fazer, o aprendizado e execução de gestos esportivos, dos movimentos rítmicos, do trabalho em grupo para a criação de novas regras e jogos etc. ( ) Vinculada a normas, valores e atitudes. É tratada através de leituras, discussões, debates, vivências em atividades que tragam à tona temas como a violência, a cooperação, a competição, o coletivo, a justiça, a autoridade, o respeito e como tudo isso aparece na cultura corporal de movimento e na sociedade. 186 ( ) Ligado a fatos, conceitos e princípios, ou seja, na Educação Física levar em conta, além das questões de regras, táticas, história e recordes, o entendimento de como e por que realizamos movimentos corporais, como constitui-se um movimentoda ginástica, os motivos que levam as pessoas à prática de esportes, as mudanças de nosso organismo a curto e longo prazo com a prática de atividades físicas etc. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a) ( ) I – II – III. b) ( ) III – I – II. c) ( ) II – III – I. d) ( ) II – I – III. 6 Ao se trabalhar a ginástica na escola, não se deve ter a competição como foco principal, mas o prazer e o divertimento e, ao mesmo tempo, possibilitar a integração de seus praticantes, a liberdade de expressão, o prazer e a criatividade, abrangendo todas as forma de ginásticas utilizando diferentes materiais, indumentária e música. Assinale a alternativa correta em relação ao que o texto acima se refere: a) ( ) Características físicas da ginástica ao se trabalhar em âmbito escolar. b) ( ) Características pedagógicas da ginástica em âmbito escolar. c) ( ) As características psicológicas da ginástica ao se trabalhar em âmbito escolar. d) ( ) As características da ginástica ao se trabalhar em âmbito competitivo. 7 Sobre o papel do professor de Educação Física no ensino da ginástica escolar, assinale a alternativa verdadeira: a) ( ) O professor de Educação Física deve associar a ginástica com os conteúdos cognitivos específicos: históricos, sociológicos, fisiológicos, anatômicos e biomecânicos. b) ( ) O professor de Educação Física, ao trabalhar com a ginástica, deve focar na competição. c) ( ) O professor de Educação Física não deve focar no desenvolvimento como um todo. d) ( ) O professor de Educação Física deve escolher os melhores alunos para as apresentações. 187 TÓPICO 2 PESQUISA EM GINÁSTICA NA ESCOLA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste tópico você verá como é feita pesquisa envolvendo a ginástica na escola, os tipos de pesquisa que podem ser feitos e todos os aspectos que devem ser levados em conta na construção da pesquisa. E para que serve este tópico? Respondo dizendo que esses tipos de pesquisas são os que você irá usar para fazer o seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) ou montar um artigo. Sempre escolher apenas um tipo de pesquisa com suas peculiaridades para a realização do TCC ou artigo. 2 PESQUISA EM GINÁSTICA Pesquisa é o mesmo que busca ou procura, ou seja, buscar ou procurar resposta para alguma coisa. É importante definir o tipo de pesquisa e da escolha do instrumental ideal para a coleta dos dados, pelo fato de não haver erros na pesquisa (LIBERALI, 2011). Os tipos de pesquisa mais usados atualmente para publicação em ginástica: 2.1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA OU SISTEMÁTICA As revisões fazem uma avaliação crítica sobre um tema, que envolve análise, avaliação e integração da literatura publicada, levando frequentemente a importantes conclusões em relação às descobertas da pesquisa até aquele momento. Na revisão bibliográfica escreve-se TCC (artigo) baseado em teoria, com uma estrutura teórica baseada em livros, artigos, fazendo uma revisão de literatura aprofundada, mantendo uma sequência lógica de pensamento, abordando o assunto de um contexto geral para um contexto específico (LIBERALI, 2015). 188 UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS E na revisão sistemática, além da parte teórica, teremos que sintetizar pesquisas de campo sobre o assunto. Ou seja, buscar pesquisas de campo (artigos, TCC) já publicadas sobre o assunto para sintetizá-las (observar que não é você que irá coletar dados, você irá buscar em revistas científicas, buscar artigos científicos, que fizeram pesquisas de campo sobre seu assunto e que já estão publicadas) (LIBERALI, 2015). Exemplo de artigo de revisão bibliográfica com a ginástica Artigo: Detecção, seleção e promoção de talentos esportivos em ginástica rítmica desportiva: um estudo de revisão (Artigo publicado na Rev. Paul. Educ. Fís., 2001) Disponível em: <http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/v15%20n2%20artigo4.pdf>. Para perceber de uma maneira lógica o texto, após uma introdução sobre o tema, os autores abordaram o assunto na revisão de literatura, pelo seguinte caminho teórico do geral para o específico: - Talento esportivo; - Detecção de talentos esportivos; - Seleção de talentos esportivos; - Promoção de talentos esportivos; - Modelo de detecção, seleção e promoção de talentos em GRD; - Aptidão física no desempenho esportivo; - Características morfológicas de atletas de GRD; - Massa e proporcionalidade corporal; - Desempenho motor na GRD; - Flexibilidade em atletas de GRD; - Idade para iniciação esportiva. DICAS 2.2 PESQUISA DE CAMPO DESCRITIVA A pesquisa descritiva é um tipo de pesquisa que envolve a análise, discussão da realidade sem nela interferir. Exemplos de pesquisas descritivas que podem ser feitos com ginástica: • Aplicar um questionário a um grupo de alunos que fazem ginástica rítmica na escola, de ambos os sexos, na faixa etária entre 29 a 30 anos, para avaliar a autoestima e a imagem corporal. • Aplicar um questionário nas escolas, em professores de Educação Física, para verificar o conhecimento, o tipo de ginástica e a forma como eles trabalham a ginástica. TÓPICO 2 | PESQUISA EM GINÁSTICA NA ESCOLA 189 • Comparar o nível de flexibilidade de crianças praticantes de ginástica rítmica e não praticantes, de ambos os sexos, com idade entre 8 a 10 anos, de uma escola municipal. Aspectos necessários para realizar as pesquisas de campo descritivas: • Neste tipo de pesquisa é feita apenas uma única coleta. • Pode ser feita com apenas um sexo, ou ambos os sexos e em qualquer faixa etária. • Pode ser feita com qualquer modalidade de ginástica, ou comparação entre praticantes e não praticantes. • Pode ser mensurada qualquer medida antropométrica (peso, altura, IMC, circunferências, RCQ, perímetros), questionários (imagem corporal, autoestima etc.) • Pode demonstrar algo, ou comparar algo, ou traçar um perfil. • É necessária aprovação da escola para realizar a coleta de dados (Veja no UNI o Modelo de autorização para realizar a pesquisa (local)). • É necessária a aprovação dos pais quando pesquisar com menores, e quando de maiores, a própria pessoa (veja no UNI o Modelo de consentimento livre e esclarecido). • É necessária aprovação de um comitê de ética, hoje, no Brasil, regida pela Resolução nº 466 e obrigatória a autorização da Plataforma Brasil. Maiores informações no link: <http://aplicacao.saude.gov.br/plataformabrasil/login.jsf>. Veja exemplo de artigo de pesquisa descritiva Artigo: PAZ E PIRES (2011) em artigo publicado no Congresso Educere. Disponível em: <http://educere.bruc.com.br/CD2011/pdf/6388_3552.pdf>. Os autores objetivaram identificar o desempenho motor de 45 crianças de oito a 10 anos, 20 praticantes e 25 não praticantes de Ginástica Rítmica (mas que fazem atividade física apenas nas aulas de Educação Física), do sexo feminino. Para avaliar o desempenho motor dos sujeitos utilizaram o Test of Gross Motor Development – Segunda Edição (TGMD- 2). Os resultados encontrados mostram diferença em todas as tarefas que compõem as habilidades de locomoção e controle de objetos entre os grupos. Concluiu-se que o grupo que pratica Ginástica Rítmica tem seu desenvolvimento motor melhor que o grupo que pratica atividade física apenas nas aulas de Educação Física da escola. DICAS 190 UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS 2.3 PESQUISA DE CAMPO EXPERIMENTAL Pesquisa de campo experimental é um tipo de pesquisa que envolve a manipulação de tratamentos como uma tentativa de estabelecer relações de causa e efeito. Exemplos de pesquisas experimentais que podem ser feitos com dança: • Verificar as alterações na força muscular, no equilíbrio, antes e após três meses de aula de ginástica acrobática em crianças de ambos os sexos, com idade entre 10 a 15 anos. • Verificar as alterações no peso corporal antes e após uma aula de ginástica preconizando os saltos, em meninas com idade entre sete a 10 anos. O peso corporal será verificadoantes da aula e imediatamente após o término da aula, para verificar o grau de desidratação. Cuidados necessários para fazer as pesquisas de campo experimentais: • Este tipo de pesquisa é feito com mais de uma coleta, geralmente antes e depois de um procedimento. • Pode ser feito com apenas um sexo, ou ambos os sexos e em qualquer faixa etária. • Pode ser feito com qualquer modalidade de dança. • Pode ser feito com qualquer medida antropométrica (peso, altura, IMC, circunferências, RCQ, perímetros), questionários (imagem corporal, autoestima etc.) • Para verificar se algo teve efeito, no caso de alguma dança, em algum parâmetro. • É necessária a aprovação da escola para realizar a coleta de dados (veja no UNI o Modelo de autorização para realizar a pesquisa (local)). • É necessária a aprovação dos pais quando pesquisar com menores, e quando de maiores, a própria pessoa (veja no UNI o Modelo de consentimento livre e esclarecido). É necessária a aprovação de um comitê de ética, hoje, no Brasil, regida pela Resolução nº 466 e obrigatória a autorização da Plataforma Brasil. <http:// aplicacao.saude.gov.br/plataformabrasil/login.jsf>. Veja exemplo de artigo de pesquisa experimental Artigo: PARRA, SANTANA e LIMA (2010) em artigo publicado na Revista Cesumar – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Disponível em: <http://periodicos.unicesumar.edu.br/index. php/revcesumar/article/view/1178/1121>. DICAS TÓPICO 2 | PESQUISA EM GINÁSTICA NA ESCOLA 191 Os autores objetivaram compreender como ocorre a aceitação da Ginástica Acrobática, em uma escola municipal, com aplicação de um questionário antes e depois de uma intervenção com ginástica acrobática, para 35 adolescentes de ambos os gêneros, com idades entre 13 e 14 anos. Como resultado verificou-se que 100% dos alunos nunca haviam vivenciado a Ginástica Acrobática dentro do ambiente escolar, 71,5% não possuíam conhecimento acerca desta modalidade gímnica. Após fazerem a intervenção, ou seja, aulas de ginástica acrobática, responderam novamente ao questionário, sendo que 85,8% dos alunos adquiriram um conceito formado a respeito da Ginástica Acrobática, 100% dos adolescentes apoiaram a metodologia utilizada para a elaboração das aulas e 97,1% aprovaram a Ginástica Acrobática como meio de intervenção durante as aulas de educação física escolar. Veja o blog com informações e vídeos de pesquisa: <metalogociencia.blogspot.com>. DICAS Ao elaborarmos uma pesquisa em qualquer área do conhecimento é importante construir algumas etapas, são elas: • 1º) elaboração de um anteprojeto (escolha do tema, problematização, objetivos, justificativa e esquema de trabalho e buscar dados que já existem na literatura sobre o assunto); • 2º) elaboração de um projeto (corresponde aos capítulos I, II e III de uma monografia; ou a parte inicial de um artigo científico etc.); • 3º) execução da pesquisa (coleta dos dados propriamente dita); • 4º) relatório final da pesquisa (monografia, dissertação, artigo ou tese). Veja a seguir as autorizações necessárias para realizar pesquisa de campo (descritiva ou experimental): 192 UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS UNI UNI Modelo de AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAR A PESQUISA (LOCAL) _________________________, ________ de _______________________ de _________ O (local onde será realizada a coleta de dados), por meio do seu responsável (nome do presidente, diretor ou responsável contendo o número do registro no conselho profissional), autoriza a realização da pesquisa intitulada (“Título do trabalho completo”) como requisito para a aprovação no curso ........................................ (nome do curso) da Universidade ............................... pelos(as) pesquisadores(as) (nome completo dos pesquisadores). A identidade do local e dos amostrados será mantida em sigilo e os dados serão usados para fins de defesa de TCC e publicação em revistas indexadas na área. _____________________ Assinatura do responsável CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu, ..............................., aluno(a) do curso de ............ em ..............................da Universidade ............................, estou desenvolvendo uma pesquisa sobre “colocar aqui o título”. Para tanto, estou convidando para participar voluntariamente da pesquisa. Caso aceitar fazer parte do estudo, assinale abaixo desta mensagem. Os dados serão tratados com anonimato e sigilo, bem como serão utilizados apenas para fins de investigação. A participação nesta pesquisa não traz complicações legais a nenhum participante. O indivíduo participante não terá nenhum tipo de despesa ao participar desta pesquisa, bem como nada será pago por sua participação. A partir do momento em que não desejar mais fazer parte da pesquisa, reservo-lhe o direito de retirar o seu consentimento, livre de sofrer qualquer penalização ou danos, quaisquer que sejam. Como não há riscos de saúde ao indivíduo, o método utilizado na pesquisa, comprovadamente pela literatura, não há indenizações, principalmente porque não há nenhum tipo de intervenção traumática. Desde já agradecemos sua atenção e ficamos ao seu inteiro dispor para demais esclarecimentos. Eu, ........................................, concordo em participar do estudo “Título do artigo’’ como sujeito. Fui devidamente informado e esclarecido pelos pesquisawdores sobre a pesquisa e os procedimentos nela envolvidos. Dou consentimento livre e esclarecido, para que se façam as coletas necessárias a esta pesquisa e posterior uso e publicação dos dados nos relatórios parciais e conclusivos, bem como publicações em revistas indexadas, a fim de que estes sirvam para beneficiar a ciência e a humanidade. ----------------------------------------------------------------------------––––––––––––––––––––-------- Assinatura da pessoa da amostra CPF e/ou Identidade TÓPICO 2 | PESQUISA EM GINÁSTICA NA ESCOLA 193 • Observação: o termo de consentimento é assinado por cada pessoa da amostra ou da população. A diferença entre população e amostra é que a população equivale a todas as pessoas e a amostra seria uma parcela representativa dessa população. • Exemplo: Se fôssemos avaliar a autoestima de crianças praticantes de ginástica acrobática, a população do estudo corresponderia a todas as pessoas da escola (diretora, professores, alunos, servidores etc., dando uma população de N=300 pessoas). Destas, selecionar somente os alunos que fazem a aula (então, da população acima, teríamos uma amostra de n=30 crianças). Como estas crianças menores, a assinatura do termo de consentimento deve ser feita pelos pais/ responsáveis. E a autorização do local a responsável assina, no caso da escola, a diretora. Agora que você entendeu os tipos de pesquisa em ginástica, veja como montar um anteprojeto e um projeto. ESTUDOS FU TUROS O ANTEPROJETO inicia pela escolha da identificação de um tema/ problema, ou seja, o assunto é o que se deseja desenvolver, o que se deseja provar, o que se deseja explorar. Devemos ter cuidado na escolha do tema, observando alguns aspectos: • interesse pessoal e tempo disponível para a realização do trabalho de pesquisa; • conhecimento dos limites do tema; • cuidado para não executar um trabalho que não interessa a ninguém, levando em conta a significação do tema escolhido, sua novidade, oportunidade e seus valores acadêmicos e sociais; • o limite de tempo determinado pela instituição para a conclusão do trabalho; • verificar a disponibilidade do material e dados necessários ao pesquisador. Para elaborar um anteprojeto deve-se seguir algumas etapas de trabalho. • TEMA (Escrever o assunto que vai desenvolver). • OBJETIVOS (O que eu vou fazer? Para quem?) • PROBLEMA (Basicamente transformar o objetivo em uma pergunta) • JUSTIFICATIVA (Para quê? Por quê?) • REVISÃO DE LITERATURA (Relatar em tópicos o assunto, do geral para o específico). • TIPO DE PESQUISA (Caracterizar otipo de pesquisa). • ESQUEMA (Como será feito? Quem?) • VARIÁVEIS QUE SERÃO MENSURADAS (O que vamos medir, mensurar). 194 UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS UNI UNI Exemplo de anteprojeto em ginástica escolar (pesquisa de campo) 1 – TEMA = Verificar a flexibilidade de crianças que fazem ginástica acrobática. 2 – OBJETIVOS = Avaliar a flexibilidade de praticantes de ginástica acrobática de ambos os sexos, com idade entre 10 a 14 anos, em uma escola municipal. 3 – PROBLEMA = Qual é o nível da flexibilidade de praticantes de ginástica acrobática de ambos os sexos, com idade entre 10 a 14 anos? 4 – JUSTIFICATIVA = Demonstrar que a ginástica também é importante na manutenção da flexibilidade. 5 – TIPO DE PESQUISA = Descritiva, pois irá avaliar a flexibilidade uma única vez, mostrando a realidade sem nela interferir. 6 – VARIÁVEIS QUE SERÃO MENSURADAS = Flexibilidade pelo banco de wells. 7 – ESQUEMA = A flexibilidade será medida uma única vez. Será marcada hora, explicada a importância da pesquisa e o que será feito. Após as assinaturas dos termos de autorização para participação da pesquisa, medir a flexibilidade. Exemplo de anteprojeto em ginástica (pesquisa de revisão) 1 – TEMA = Força em ginastas. 2 – OBJETIVOS = Demonstrar por meio de uma revisão a força de ginastas. 3 – PROBLEMA = Qual é o nível da força de ginastas. 4 – JUSTIFICATIVA = Demonstrar que a ginástica exige força muscular como uma valência para sua realização. 5 – TIPO DE PESQUISA = Revisão sistemática. Buscar artigos que mediram a força e a literatura sobre o assunto. 6 – BASES DE DADOS QUE SERÃO USADAS NA BUSCA = Google Acadêmico, Scielo, Bireme, Lilacs. Critérios de escolha dos artigos: português, dos últimos 20 anos, que tenham medido a força em qualquer estilo de ginástica. Palavras-chave a serem usadas na busca: ginástica, força e seus correlatos. TÓPICO 2 | PESQUISA EM GINÁSTICA NA ESCOLA 195 LEMBRE-SE Depois de elaborado o anteprojeto, o próximo passo no desenvolvimento da pesquisa é ler o que já foi publicado sobre o assunto. Deve-se fazer um levantamento na literatura, para sintetizar todos os dados relevantes sobre o tema em questão, buscando o maior número de artigos relacionados ao tema. DICAS Ao elaborarmos um projeto é um pouco mais complexo e completo do que o anteprojeto. Exemplo de um projeto de pesquisa: • TÍTULO = Alterações na autoestima em crianças que fazem ginástica • INTRODUÇÃO = Relatar o assunto preferencialmente na introdução do assunto geral para o específico. Uns quatro a cinco parágrafos. Usar bastantes citações. • Definição do problema = Transformar o objetivo em formato de pergunta. • Justificativa = Mencionar o porquê da necessidade de realizar o estudo etc. • Objetivos = Objetivo Geral e Objetivos Específicos. • Questões a investigar = Seriam os objetivos específicos em formato de pergunta. • METODOLOGIA • Caracterização da pesquisa = tipo de pesquisa • População e amostra = A população são todas as pessoas e a amostra é uma parcela dessa amostra. Relatar os critérios de inclusão dessa amostra. • Instituição pesquisada = Especificar o local sem identificar. • Delimitação do estudo = As variáveis que serão mensuradas. • Instrumentos de coleta de dados = Detalhar o instrumento de medida (questionário, testes etc.). • Procedimentos de coleta dos dados = Detalhar como foi realizada a coleta de dados. • Análise estatística = Descrever como será feita a análise estatística dos dados coletados. 196 UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS • CRONOGRAMA 01/01/ a 15/01/2008 Elaboração do projeto de pesquisa e contato com o responsável pela instituição para esclarecimento do objetivo da pesquisa. 15/01 a 30/01 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 01/02 a 15/02 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 21/02 a 23/02 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 01/03 a 30/02 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 01/05 a 01/06 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 01/06 a 01/07 Entrega e defesa do artigo. • ORÇAMENTO (Nem sempre é preciso, apenas em projeto em que se prevê patrocínio) Material Valor R$ Xerox R$ 80,00 Coleta e determinação das enzimas R$ 800,00 Seringas R$ 20,00 TOTAL R$ 1.000,00 • Referências Bibliográficas Xxxxxxxxxxxxxxx Xxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxx • Anexos TÓPICO 2 | PESQUISA EM GINÁSTICA NA ESCOLA 197 LEITURA COMPLEMENTAR Leia parte da entrevista com Marcos Goto (técnico de ginástica artística brasileira) concedida à repórter Katryn Dias, para o site esporteessencial. Se quiser visualizar a entrevista na íntegra, veja disponível em: <http:// www.esporteessencial.com.br/entrevista/marcos-goto-tecnico-de-ginastica- artistica->.Acesso em: 15 out. 2015. Entrevista: O FUTURO DA GINÁSTICA BRASILEIRA EE: O Brasil tem novos talentos para seguir o caminho de Zanetti? Que nomes você apontaria para o futuro da modalidade, nos Jogos de 2016 e 2020? MG: Hoje nós temos muitos ginastas com potencial para chegar a 2016. A preocupação nossa é quem vai chegar inteiro, depois do ciclo olímpico. Não só os atletas, mas os clubes, os treinadores e os próprios profissionais da seleção brasileira precisam tomar cuidado com as lesões. Mas nós temos um grupo de pelo menos 15 atletas em perfeitas condições de chegar a 2016 como uma equipe muito forte. EE: Como é possível identificar talentos esportivos ainda na infância? Quanto tempo é preciso para formar um atleta de nível competitivo internacional? MG: É uma boa pergunta! Eu não enxergo não, nós vamos trabalhando e as coisas vão acontecendo. Num país que te dá pouca condição de trabalho, é muito difícil identificar um talento esportivo. Talento no Brasil é aquele que aguenta treinar e chega ao alto rendimento. Um atleta que chega ao nível internacional, mesmo com a pouca estrutura que nós temos no país, aí ele é um talento, com certeza. É difícil identificar quando é criança, porque tem vários fatores que influenciam. Para chegar ao alto rendimento não precisa só ser bom de ginástica ou ser coordenado, existem outros fatores fora do esporte. Por exemplo, a família, a força de vontade do atleta, a sua coragem. Isso sem falar nas condições que vão dar para ele, se vai receber ajuda ou não. Às vezes a família não tem dinheiro nenhum e o atleta precisa de vale-transporte para treinar. E às vezes o clube não tem para dar. Sem dinheiro, muitos precisam parar de treinar para ir trabalhar. Assim, nós perdemos muitos atletas. 198 UNIDADE 3 | METODOLOGIA DO ENSINO DE GINÁSTICA: NOVAS PERSPECTIVAS EE: Qual o papel do esporte na formação de uma criança? MG: O esporte é um meio de tirar a criança da rua, dar uma condição de vida melhor para ela. Se você tem uma criança saudável, vai ter um adulto saudável. Assim, investindo no esporte para crianças, os gastos com a saúde vão diminuir. Países inteligentes conseguem enxergar isso. Infelizmente, o Brasil ainda não. O esporte realmente educa, disciplina, dá uma linha de raciocínio. Uma criança que está dentro do esporte é mais politizada e tem uma percepção do mundo muito melhor. Cada modalidade e seus treinadores estão fazendo um pedacinho. Os treinadores nacionais cumprem o seu papel, quem não cumpre é o governo. EE: Para você, o esporte é essencial? MG: O esporte é essencial para a vida do ser humano. Porque o ser humano é competitivo por natureza. Então, o esporte é um meio de canalizar essa habilidade. EE: Como técnico, você orienta seus atletas em relação ao doping? Qual a sua posição pessoal sobre esse assunto? MG: Na ginástica não tem muito isso. Não adianta o cara tomar alguma substância ilegal e achar que vai ter uma performance melhor da ginástica, porque não vai. O doping dentro da ginástica só atrapalha. O atleta tem que treinar mesmo. É o volume, associado à qualidade de trabalho, que determina o nível técnico de um ginasta. Por isso, nós não temos muitos problemas com doping dentro da ginástica.199 Neste tópico você viu: • Pesquisa é procurar resposta para alguma coisa. • Os tipos de pesquisa mais usados atualmente para publicação em ginástica são as pesquisas de revisão bibliográfica, de campo, descritiva ou experimental. • A pesquisa descritiva possui uma única coleta. • A pesquisa experimental possui relação de causa e efeito, com mais de uma coleta e intervenção. • Para realizar pesquisa de campo é necessária a aprovação do local onde será realizada a pesquisa, das pessoas da amostra e aprovação de comitê de ética, hoje a Plataforma Brasil. • O anteprojeto seria uma elaboração antecipada do que se pretende realizar em uma pesquisa. • O projeto seriam os passos que serão seguidos na realização da pesquisa. RESUMO DO TÓPICO 2 200 AUTOATIVIDADE Responda às questões a seguir: 1 Existem três tipos de pesquisa que podem ser usualmente utilizados nas pesquisas com a ginástica escolar. Sobre os tipos de pesquisa, associe os itens a seguir: I- Revisão. II- Experimental. III- Descritivo. ( ) Tipo de pesquisa que envolve a análise, discussão da realidade sem nela interferir. ( ) Tipo de pesquisa em que se faz uma avaliação crítica sobre um tema, com análise, avaliação e integração da literatura publicada. ( ) Tipo de pesquisa que envolve a manipulação de tratamentos como uma tentativa de estabelecer relações de causa e efeito. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a) ( ) I – II – III. b) ( ) III – I – II. c) ( ) II – III – I. d) ( ) II – I – III. 2 Em um estudo, os pesquisadores aplicaram um questionário em professores de Educação Física de duas escolas (uma privada e uma pública) para verificar o conhecimento, o tipo de ginástica e a forma como eles trabalham a ginástica na escola. Em que tipo de pesquisa podemos classificar o estudo acima? a) ( ) Revisão bibliográfica. b) ( ) Revisão sistemática. c) ( ) Pesquisa experimental. d) ( ) Pesquisa descritiva. 3 Em um estudo, os pesquisadores mediram a flexibilidade de 50 crianças na escola, da 1ª à 4ª série. Durante três meses fizeram aulas de ginástica durante a educação física escolar e reaplicaram a medida de flexibilidade, para verificar se a ginástica na escola alterou a flexibilidade das crianças. 201 Em que tipo de pesquisa podemos classificar o estudo acima? a) ( ) Revisão bibliográfica. b) ( ) Revisão sistemática. c) ( ) Pesquisa experimental. d) ( ) Pesquisa descritiva. 4 Conforme seus estudos sobre como fazer pesquisa na ginástica escolar, como forma de fortalecimento da profissão educação física e da própria prática da ginástica, analise o texto abaixo e assinale a alternativa correta. Para mostrar que a ginástica na escola alterou a força muscular das crianças, os pesquisadores necessitaram medir antes da intervenção e novamente após a intervenção. PORQUE Esse é um tipo de pesquisa que envolve a manipulação de tratamentos como uma tentativa de estabelecer relações de causa e efeito, e para isso necessitam a intervenção e acompanhamento antes e depois de um procedimento. a) ( ) As duas são verdadeiras e a segunda é justificativa da primeira. b) ( ) Ambas afirmações são falsas. c) ( ) A duas são verdadeiras, mas não têm relação entre si. d) ( ) A primeira é uma afirmação verdadeira e a segunda, falsa. 5 Para se realizar uma pesquisa de campo em ginástica, precisamos envolver a coleta de dados com seres humanos. Nesse sentido, assinale V para verdadeiro e F para falso sobre as características das autorizações necessárias a tais pesquisas: ( ) É necessária a aprovação da escola para realizar a coleta de dados. ( ) É necessária a aprovação dos pais quando pesquisar com menores e, quando se tratar de maiores, a própria pessoa. ( ) Não é necessário nenhum tipo de autorização para realizar a pesquisa. ( ) É necessária a aprovação de um comitê de ética, hoje, no Brasil, regida pela Resolução nº 466 e obrigatória a autorização da Plataforma Brasil. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: a) ( ) F – F – V – V. b) ( ) V – F – F – F. c) ( ) V – V – F – V. d) ( ) V – F – V – F. 202 203 REFERÊNCIAS ACHOUR JÚNIOR, A. Bases para o exercício de alongamento relacionado com a saúde e no desempenho atlético. Londrina: Midiograf, 1996. ALMEIDA, R. S. et al. A teoria geral da ginástica, o trabalho pedagógico, a formação dos professores e as políticas públicas no campo da ginástica: contribuições da pesquisa matricial do grupo LEPEL/FACED/UFBA. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, v. 10, n. especial, p. 98- 114, 2012. ALMEIDA, T. T.; JABUR, N. M. 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