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1ºAula
Geografia e Turismo: um olhar 
interdisciplinar
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, vocês serão capazes de: 
•	 compreender a relação interdisciplinar existente entre a Geografia e o Turismo;
•	 entender o fenômeno turístico enquanto objeto de interesse da Geografia;
•	 conhecer as diversas atividades que o geógrafo pode exercer no campo turístico;
•	 analisar o turista inserido na abordagem geográfica.
Prezados(as) acadêmicos,
É provável que alguns de vocês estejam se perguntando: Por que estudar uma 
disciplina que trata do Turismo, em um curso de graduação em Geografia? Qual seria 
a relação entre esses dois campos do conhecimento? Pois bem, minha intenção nessa 
disciplina e, sobretudo nesta primeira aula, é mostrar a vocês que a Geografia e o 
Turismo possuem muito mais aproximações do que distanciamentos. Em certo sentido, 
pode-se dizer que a Ciência Geográfica e o fenômeno turístico complementam-se na 
medida em que utilizam o mesmo objeto de estudo: a sociedade, o meio ambiente e 
suas diversas relações. Nessa perspectiva, os espaços ditos geográficos, onde ocorrem 
essas relações e transformações também são utilizados pelo Turismo, para a realização 
de várias atividades. 
Vamos, então, aprofundar um pouco mais essa discussão?
 Mas antes, vamos conhecer os objetivos da aprendizagem desta aula:
Bons estudos!
6Geografia, Turismo e Território
Seções de estudo
1 - Geografia e Turismo: abordagens 
iniciais
1. Geografia e Turismo: abordagens iniciais
2. Os agentes e o processo: geógrafos, turistas e 
 implicações geográficas
1.1 - A relação da Geografia com o 
Turismo e do Turismo com a Geografia
Disponível em: <http://geografianaserpapinto.blogspot.com.br/2015/10/materia-
para-o-1-teste-de-geografia-9ano.html>. Acesso em: 21/11/2017.
Para iniciarmos a apresentação e o debate sobre a 
relação da Geografia com o Turismo e vice-versa, iremos 
explorar um pouco mais adiante, alguns conceitos acerca do 
Turismo. Porém, já alerto que, devido ao caráter complexo e 
multidisciplinar e da relativa juventude da atividade turística 
enquanto atividade socioeconômica, não há consenso em uma 
definição única que delimite e distinga o Turismo dos demais 
setores. Ao contrário, atualmente existe um amplo debate 
acadêmico em relação aos conceitos, elementos formadores, 
origens e demais aspectos inerentes a essa atividade. Nesse 
sentido, os conceitos elaborados pelos teóricos das áreas de 
Ciências Sociais e Humanas contribuem para a compreensão 
do Turismo (OMT, 2001, p. 35).
Primeiramente é interessante notar que o Turismo 
tem uma dinâmica própria, pois pode ser objeto de estudo 
acadêmico, é considerado um fenômeno social, uma área 
de atuação profissional, uma atividade de lazer e um setor 
da economia (BECKER, 2014, p. 53). Rodrigues (2001) 
aprofunda ainda mais essa reflexão, pois para a autora, o 
Turismo: 
É certamente um fenômeno complexo, 
designado por distintas expressões: uma 
instituição social, uma prática social, uma frente 
pioneira, uma processo civilizatório, um sistema 
de valores, um estilo de vida – um produtor, 
consumidor e organizador de espaços – uma 
“indústria”, um comércio, uma rede imbricada 
e aprimorada de serviços (RODRIGUES, 2001, 
p. 49-50).
Assim, no campo teórico ainda não representa uma 
ciência independente, necessitando dessa forma, de uma ação 
interdisciplinar com as diferentes áreas do conhecimento, 
dentre as quais está a Geografia. E esta se faz fundamental 
por oferecer o campo de atuação da oferta turística - o espaço 
geográfico. Além disso, a Geografia e o Turismo mantêm 
fortes ligações com o ambiente natural, sendo o espaço 
geográfico o resultado da interferência humana na natureza, 
(re)criando paisagens humanas e humanizadas (BECKER, 
2014, p. 53-56). Nesse caso, a utilização do espaço geográfico 
pelo Turismo, que por sua vez é objeto da Geografia, está 
pautada na produção e consumo do espaço, sendo expresso 
pela materialização territorial e pelas relações sociais que são 
inerentes a tal processo. 
Há ainda que se salientar que a Geografia acolhe o Turismo 
no sentido acadêmico, na medida em que a “Geografia: é uma 
das poucas disciplinas em que o turismo tem sido reconhecido 
como área de interesse e, como tal, vem sendo estudado sob 
a denominação de geografia do turismo, geografia turística, 
geografia da recreação ou geografia recreacional” (REJOWSKI, 
2001, p.19).
Ainda contribuindo com essa discussão, Rodrigues (2001) 
explica que:
O Turismo na sua enorme complexidade 
reveste-se de tríplice aspecto com incidências 
territoriais específicas em cada um deles. Trata-
se de fenômeno que apresenta áreas de dispersão 
(emissoras), áreas de deslocamento e áreas de 
atração (receptoras). É nestas que se manifesta 
materialmente o espaço turístico ou se reformula 
o espaço anteriormente ocupado. É aqui também 
que se dá de forma mais acentuada o consumo do 
espaço (RODRIGUES, 2001, p. 43).
Você sabe quando o fenômeno turístico passou a ser objeto de 
interesse da Geografia? 
O estudo do Turismo através da Ciência geográfica surgiu no continente 
europeu com J. Stradner no início do século XX, relacionado a pesquisas 
sobre impactos gerados a partir do fenômeno do ócio. Posteriormente, 
outras pesquisas foram feitas na Alemanha e na Espanha. Porém, de 
forma mais concreta disseminada, “o estudo do Turismo no âmbito da 
Geografia acentua-se a partir da década de sessenta, respondendo 
o acelerado desenvolvimento do fenômeno, ligado à prosperidade 
econômica que marcou o período de pós-guerra nos países centrais do 
capitalismo” (RODRIGUES, 2001, p. 40). 
Já no decorrer da década de 1970, os estudos e pesquisas relacionados 
à área incorporam as abordagens da Geografia Crítica, Humanista e 
Cultural (CASTRO, 2006, p. 19). Nessa década, o interesse dos geógrafos 
passou a se realizar também na América Latina, principalmente na 
Argentina e no México. 
No Brasil, pode-se dizer que os estudos são mais recentes e estão 
vinculados ao desenvolvimento do Turismo no país, sobretudo no final 
da década de 1970, quando a atividade turística passou a ser chamada 
de indústria sem chaminés, expressão que foi utilizada enquanto uma 
estratégia para a imagem do país, enaltecendo seu desenvolvimento 
econômico ocorrido também a partir do Turismo. 
A partir da década de 1980, a Geografia passa a discutir e contribuir para 
7
o planejamento turístico, fato que se deve à diversificação e segmentação 
do Turismo no país e de sua relevância para o crescimento nos âmbitos 
social, econômico e cultural. Além disso, o desenvolvimento tecnológico 
também é parte integrante dessa relação, uma vez que as questões de 
acessibilidade, melhoria no sistema de transporte, ampliação da oferta 
de infraestrutura adequada, surgimento de novas tecnologias nas áreas 
de comunicação e informação permitiram que a maior parte do planeta 
pudesse ser visitada pelo ser humano. Nesse sentido, distâncias foram 
aos poucos, encurtando-se e permitindo que um número maior de 
pessoas circulasse pelos espaços geográficos.
Sem dúvidas, ao longo do tempo, a temática referente ao 
âmbito do Turismo vem ganhando campo nas pesquisas com 
abordagem geográfica, na medida em que o Turismo passa 
a se constituir em uma atividade que interfere nas diferentes 
perspectivas: política, social, econômica, ambiental e cultural, 
na organização, desenvolvimento e (re)produção do espaço 
geográfico (GRIZIO, 2011, p. 97). Por outro lado, muitos 
pesquisadores têm se dedicado à temática e passaram a adotar 
a terminologia Geografia do Turismo para as discussões que 
tratam a ciência geográfica na perspectiva da atividade turística. 
Ou seja, o Turismo e a Geografia desenvolvem seus caminhos 
teóricos e conceituais em perspectivas semelhantes, porém, 
não podemos deixar de lembrar que esses campos de estudo 
têm suas especificidades e objetivos próprios. 
1.2 - Conceituando Turismo e 
inserindo a temática no campo da 
Geografia
Disponível em: <http://www.liegebarbalho.com/mapa-do-turismo-brasileiro/>.Acesso em: 21/11/2017.
O conceito mais utilizado para definir Turismo é o da 
Organização Mundial do Turismo – OMT, que em 1994 orientou 
que “o turismo compreende as atividades realizadas pelas 
pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes do seu 
entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, 
por lazer, negócios ou outros” (OMT, 2001, p. 3, destaques 
meus). Note que no trecho por mim destacado percebemos 
que o Turismo implica deslocamento, movimento físico de 
pessoas, sendo estas, chamadas na terminologia turística 
de turistas. O sociólogo Reinaldo Dias aponta o Turismo 
como uma “prática social e cultural orientada para atender 
às necessidades psicossociológicas dos turistas, que geram 
incontáveis interações sociais [...] provocando mudanças sociais e 
culturais” (DIAS, 2005, p. 19, destaques meus). Aqui destaco 
as transformações que o Turismo provoca em pessoas e 
lugares, sendo essas positivas ou negativas, o que chamamos 
de impactos socioambientais. Ou seja, todos esses elementos: 
espaço, interação social, ambiente natural, cultura, são 
objetos de reflexão, análise e interpretação da Geografia e 
do Turismo. 
Trago também para a discussão, o conceito elaborado 
pelo geógrafo Marcos Aurélio Tarlombani da Silveira, cujo 
entendimento do Turismo está no pressuposto de que é uma: 
[...] atividade que consiste no deslocamento 
de pessoas provisório e limitado no tempo 
e no espaço, de tal modo que não implica na 
transferência do local habitual de residência 
e que possui motivações diversas [...] e que 
tem, por um lado, como subjacente ao 
aproveitamento desse tempo de deslocamento, 
um desejo de evasão por parte do ser humano 
do seu território cotidiano e, por outro lado, a 
busca por novos espaços e culturas de forma 
mais ou menos vinculada e que não deixará de 
produzir efeitos de ordem econômica, social, 
cultural e ambiental. Portanto, entende-se o 
turismo como uma atividade que produz e 
consome espaços, sendo responsável por novas 
territorialidades [...] (apud CASTRO, 2006, p.41).
Albach; Gândara (2011) nos revelam suas percepções 
sobre esse assunto, de acordo com a pesquisa realizada por 
eles que questiona a relação da Geografia com o Turismo, na 
qual propõem a seguinte indagação, que por sinal também é 
o título do artigo: Existe uma Geografia do Turismo? Vejamos:
Para Coriolano e Mello e Silva (2005, p.21) “a 
Geografia é a ciência do espaço e o Turismo 
concretiza-se nos espaços geográficos”. 
Por meio dela, é possível compreender as 
singularidades dos lugares onde se habita e 
onde se faz turismo, saber o que o diferencia e 
aproxima os seres humanos, entender as formas 
de relações socioespaciais, ou como diferentes 
sociedades interagem com a natureza nessa 
construção. Para estes autores “a incumbência 
da Geografia do Turismo é ler o mundo, explicar 
e interpretá-lo, para entender a mobilidade dos 
fluxos turísticos” (CORIOLANO E MELLO E 
SILVA, 2005, p.22) (ALBACH; GÂNDARA, 
2011, p. 6). 
Como exemplo prático, proponho que reflitamos um 
pouco a respeito dessa relação: como imaginar e planejar uma 
viagem sem ter conhecimentos prévios sobre os elementos 
geográficos como clima, aspectos geomorfológicos, recursos 
hídricos, cultura local? Como determinar qual segmento do 
Turismo pode ser desenvolvido em determinado local sem 
contar com a disponibilidade dos aspectos físicos, humanos 
e biológicos inerentes ao campo da Geografia? Como 
8Geografia, Turismo e Território
desenvolver o Turismo em um ambiente natural, tornando-o 
um negócio economicamente rentável e com o mínimo de 
impacto ambiental negativo? As respostas a essas e outras 
diversas questões estão relacionadas às contribuições do 
campo do conhecimento da Geografia para o Turismo! 
Por outro lado, quando o Turismo estuda as formas, 
a organização e os impactos dessa atividade nos contextos 
ambiental, social e econômico, remete à Geografia algumas 
noções e estratégias no uso e planejamento do território, da 
utilização dos espaços e da paisagem, descrição de fluxos 
turísticos, implicações geradas a partir do planejamento da 
atividade, além das questões que relativas às políticas públicas 
e privadas aplicadas ao Turismo e ao espaço (SALES, 2010, 
p. 278). 
Você conseguiu perceber que, para além das relações das 
áreas de estudo, há diversas contribuições mais práticas que a 
Geografia faz ao Turismo e que o Turismo faz à Geografia?
Então, podemos agora pensar sobre outro 
questionamento, sendo este apontado pela pós-doutora em 
Geografia do Turismo pela Universidade de Paris I, Adyr 
Balastreri Rodrigues: “A geografia serve para entender o 
turismo ou o turismo serve para entender a geografia?” Veja 
o que a pesquisadora diz sobre essa relação:
Podemos dizer que a geografia do turismo 
serve para alimentar e irrigar a reflexão na 
geografia. O contrário também é válido 
– é necessário aprofundar-se na reflexão 
geográfica para entender o fenômeno no 
turismo, contemplando sua natureza complexa 
e multifacetada, percorrendo os campos 
econômico, sociológico, antropológico, 
psicológico, cultural, político, jurídico, 
ideológico, com significativas incidências 
espaciais (RODRIGUES, 2003, p. 95).
Note que, se faz urgente, fundamental e trata-se de uma 
operação contínua a necessidade do aprofundamento dos 
significados desses campos, percebendo sua complexidade e 
a sua interdisciplinaridade, já que a questão apontada acima 
não encontra atualmente resposta definitiva em nenhum 
manual. Além disso, os temas tratados nessa fusão Geografia 
e Turismo extrapolam os campos supracitados, pois abarcam 
também temas que envolvem as práticas sociais, o imaginário, 
as relações de produção e consumo, as formas e imagens, 
dentre outros.
A relação fundamental nas pesquisas em 
Geografia e Turismo se dá no espaço turístico. 
Elementos do espaço geográfico e do espaço 
turístico acabam por compor as temáticas 
de pesquisas afins em Geografia e Turismo, 
evidenciando a necessária e positiva constituição 
de um caráter multi e interdisciplinar (ALBACH, 
GÂNDARA, 2011, p. 8).
 Nesse sentido, entendendo que “o turismo é a única 
prática social que consome elementarmente espaço” (CRUZ, 2003, p. 
VI, destaque da autora), a Geografia não aborda apenas o 
âmbito científico do fenômeno turístico, mas sim se refere à 
dimensão socioespacial da prática social do turismo. E é esse 
tipo de análise que nos interessa nessa disciplina.
2 - Os agentes e o processo: geógrafos, 
turistas e implicações geográficas
2.1 - O geógrafo e o turismo
Já entendemos que o Turismo, por ser uma atividade 
dinâmica e que necessita da interdisciplinaridade com outras 
áreas do conhecimento, representa um agente que interfere 
na construção e produção do espaço geográfico, estando 
intrinsecamente conectado a essa categoria, pois vários 
elementos conceituais da mesma são utilizados como produtos 
ou atrativos turísticos, como por exemplo: o lugar, a paisagem 
e o território. Você não sabe as diferenças conceituais desses 
elementos e a relação com o Turismo? Fique tranquilo(a), pois 
eles serão abordados mais detalhadamente na próxima aula.
 Por enquanto, seria interessante nos perguntar: Como 
o trabalho do geógrafo pode contribuir com a atividade 
turística? Veja o que a Cartilha Turismo & Profissões produzida 
pelo Ministério do Turismo em 2010 aponta para a área da 
Geografia.
Vejamos:
Podemos perceber que são diversas as áreas de 
contribuição do profissional ligado à Geografia para o 
campo e a atividade operacional e de gestão do Turismo. 
Além disso, são várias as temáticas de estudo que aliam 
Geografia e Turismo, as quais destacamos abaixo e ao longo 
da disciplina discutiremos e aprofundaremos um pouco mais: 
espaço geográfico,organização espacial, tempo, espaço rural 
e urbano, lugar, território, territorialidades, território turístico, 
desterritorializar e reterritoralizar, paisagem, produção espacial, 
técnica, natureza, patrimônio histórico e artístico, sentimentode patrimônio, comunidade, turismo comunitário, arranjo 
produtivo, litoral, região, regionalização, cidade, cultura, mundo, 
local, população, rede, relação sociedade/natureza e unidade 
Fonte: Adaptado de Mtur (2010, p. 31; 32).
Avaliar os impactos sa atividade de Turismonas diversas áreas: litoral, rural, natural, urbana, urbana não litorânea.
Realizar estudos e fornecer subsídios para organizar a atividade turística como consumidora dos lugares
Analisar motivações turísticas ligadas ao uso da imagem do destino turístico para despertar o desejo de mobilidade 
das pessoas.
Atuar em equipes interdisciplinares para o planejamento e gestão de políticas públicas.
Atuar na capacitação de profissionais do Turismo - guias, condutores - conscientizando sobre a importância da 
manutenção do equilíbrio socioambiental.
Estudar as potencialidades turísticas, com ênfase nos aspectos naturais da localidade.
Exemplos de atividades que podem ser exercídas pelo Geográfo, no Turismo:
O profissional da Geografia pode estar presente em todas as etapas da prática do Turismo para prevenir ou minimizar 
os impactos da atividade turística sobre o espaçõ geográfico.
Estudar as 
potencialidades 
turísticas naturais
Participar no 
planejamento e gestão 
de políticas públicas
Elaborar estudos sobre a 
atividade turística como 
consumidora de lugares
Avaliar os impactos da 
atividade turística no 
espaço geográfico
9
geoambiental (ALBACH, GÂNDARA, 2011, p. 9).
Importante também salientar que, como o enfoque 
geográfico perpassa a questão da interação homem/meio 
ambiente, a atuação do geógrafo pode se operacionalizar no 
sentido de contribuir para o Turismo e, em paralelo, para a 
atuação do turismólogo, nas seguintes ações: 
[...] identificar fluxos, localizar áreas turísticas, 
fatores e efeitos espaciais do turismo, 
comportamento de diferentes grupos de 
turistas na perspectiva de formas de instalações 
turísticas e processos da organização espacial. 
Ora nos processos de desenvolvimento e 
organização espacial, ora nos seus impactos, 
os geógrafos constroem referências essenciais 
para a elaboração de novas postulações sobre 
o espaço turístico, além de oferecer subsídios 
às políticas de ordenamento, planejamento e 
gestão da atividade (CASTRO, 2006, p. 20).
2.2 - O turismo, o turista: a 
abordagem e interesses geográficos
Disponível em: <https://www.organicsnewsbrasil.com.br/hoje-e-dia-de/hoje-e-dia-
do-turista/>. Acesso em: 21 de nov. 2017.
A doutora em Geografia Física Nair Apparecida 
Ribeiro de Castro apresentou em sua Tese de doutoramento 
defendida em 2006, a qual foi intitulada O lugar do Turismo 
na Ciência geográfica: contribuições teórico-metodológicas à ação 
educativa, contribuições no sentido de compreender o lugar 
assumido pelo Turismo enquanto atividade produtiva e 
prática social no contexto da Geografia. Nesse sentido, a 
pesquisadora nos mostra que a base da relação da Geografia 
com o Turismo consiste no “fato de o deslocamento 
espacial situar-se no centro da prática social do turismo, 
uma vez que os produtos turísticos são consumidos in situ 
e a demanda é que se desloca” (CASTRO, 2006, p. 30). 
De fato, o deslocamento é um dos elementos fundamentais 
para a experiência turística, sendo esta ainda relacionada ao 
destino turístico e ao consumo do produto turístico.
Mas o que é demanda no Turismo? Pode-se dizer que a 
demanda vinculada à atividade turística é “formada por um 
conjunto de consumidores – ou possíveis consumidores – 
de bens e serviços turísticos” (OMT, 2001, p. 39). Ou seja, 
quando falamos em demanda para o Turismo, basicamente 
estamos falando de turistas que buscam produtos e serviços 
no mercado turístico a fim de satisfazer suas diversas 
necessidades. Mas há uma diferença do mercado turístico 
em relação aos outros mercados: “não é o produto que se 
desloca até o consumidor; é este que se desloca para um 
local onde é oferecido o produto turístico” (DIAS, 2005, 
p. 53).
 E como a demanda turística se desloca? Rodrigues 
(2001) nos ajuda a entender essa questão:
A demanda se desloca através dos fluxos 
– aéreos, terrestres, fluviais, marinhos 
e oceânicos – que também incidem 
concretamente no território. No caso dos 
transportes aéreos, marítimos e oceânicos 
circunscrevem-se no espaço através dos 
equipamentos de embarque e desembarque, 
que não deixam de ser significativos. Há que 
se considerar-se ainda, no capítulo dos fluxos, 
os não-visíveis, como os fluxos de capitais 
e da informação. Esses fluxos, quando 
mapeados, fornecem importantes fontes 
de dados para o estudo das conexões, em 
qualquer escala geográfica que se quer enfocar 
(RODRIGUES, 2001, p. 22-23).
 Na prática, o deslocamento proporciona a 
prática sócio espacial e (re)cria fluxos turísticos, que são 
entendidos como mercado, no enfoque do capital. Tal 
prática condiciona tanto a questão do deslocamento para 
o destino, como as relações sociais que o turista estabelece 
com os indivíduos nos locais visitados (CASTRO, 2006, 
p. 31). Logicamente que tais afirmações estão (cor)
relacionadas às inúmeras outras abordagens e dependem 
de fatores demográficos, sociais, culturais, econômicos, e 
sobretudo, psicológicos que irão determinar as motivações 
dos turistas para se deslocar à determinado destino. Nesse 
sentido, tais questões são importantes para compreender 
os processos de territorialidades que surgem nos 
espaços geográficos, tanto no sentido material, como no 
simbólico. Nesse último sentido, “os espaço se reveste, 
então, de visões simbólicas, formadas não por um projeto 
de reconstrução objetiva do mundo, mas por sonhos 
ou por arquétipos culturais subliminares, que acabam 
globalizando-se” (RODRIGUES, 2001, p. 26).
Castro (2006, p. 26) ainda aponta que “outro tema 
de interesse do geógrafo sobre a prática social do turista 
refere-se às relações de sociabilidade que ele estabelece 
com os anfitriões”. Nesse sentido, Mário Carlos Beni, um 
dos maiores especialistas em Turismo no Brasil, esclarece 
que o consumo do produto turístico, aqui entendido 
inicialmente como espaço, afeta e é afetado por: 
Um elaborado complexo processo de decisão 
sobre o que visitar, onde, como e a que preço. 
Neste processo intervêm inúmeros fatores 
de realização pessoal e social de natureza 
emocional, econômica, cultural, ecológica e 
científica que ditam a escolha dos destinos, 
a permanência, os meios de transporte e o 
alojamento, bem como o motivo da viagem 
em si para a fruição material como subjetiva 
de sonhos, desejos, imaginação projetiva, 
10Geografia, Turismo e Território
de enriquecimento existencial histórico-
humanístico, profissional, de expansão de 
negócios. Este consumo é feito por meio de 
roteiros interativos espontâneos ou dirigidos, 
compreendendo a compra de bens e serviços 
da oferta original e diferencial das atrações 
e dos equipamentos a ela agregados em 
mercados globais com produtos de qualidade 
e competitivos (BENI, 2000, p. 35).
 Diante dessas assertivas, pode-se refletir e 
produzir algumas considerações, a saber: 1) os elementos 
que constituem a territorialidade do fenômeno turístico 
são: deslocamento, motivação, infraestrutura básica 
e destino turístico; 2) o uso, produção e consumo do 
território turístico produzem uma espacialidade complexa, 
sendo necessária sua análise abrangendo as dimensões: 
econômica, simbólica, comportamental e sociológica 
(CASTRO, 2006, p. 42). Agora que já entendemos essa 
dinâmica, podemos também compreender que, de fato:
O interesse do geógrafo em relação ao 
entendimento do comportamento espacial 
do turista, bem como as diferentes 
motivações que levam as pessoas a viajar 
[...] tornou possível a compreensão de certos 
procedimentos espaciais como a locomoção e 
a orientação, além dos mapas mentais como 
representação do espaço como referência. 
O referencial teórico humanista tem dado 
sustentação teórica à pesquisa na abordagem 
geográfica do turismo, tanto no âmbito das 
relações entre anfitriões e visitantes quantono âmbito de seu comportamento espacial 
(CASTRO, 2006, p. 32).
Dessa forma, ao entendermos que a Geografia 
do Turismo é o estudo do fluxo turístico e das suas 
transformações pela demanda, ficará clara a existência do 
Turismo, pois é através da realimentação dos fluxos que o 
Turismo é produzido. Na perspectiva científica, a condição 
do turista é inerente aos condicionantes da cultura local, 
ou seja, o turista interage/absorve/influencia fatores 
que podem inserir determinados “lugares e culturas no 
processo da economia-mundo, ou seja, na integração do 
local com o global e vice-versa” (SANTOS, 2010, p. 21).
Nesse sentido, as relações sociais e culturais realizadas 
através dos deslocamentos proporcionaram ao fenômeno 
turístico um caráter de atividade de consumo e produção 
global. Logicamente que tais processos nem sempre são 
benéficos, tanto para os indivíduos, como para o ambiente 
no qual os visitados vivem. Dessa forma, a ciência geográfica 
entendida como a ciência da análise, pesquisa interpretação 
das ações do ser humano em seu espaço, transformando-o 
conforme seus desejos e necessidades, tem no Turismo mais 
um objeto de análise, sendo fundamental a relação destes 
para o equilíbrio socioambiental da atividade turística. Os 
geógrafos devem estar sempre atentos a essa dinâmica a 
fim de oportunizarem estudos voltados à complexidade 
do Turismo como mais um aporte para a realização de 
pesquisas a nível local, regional e global (SANTOS, 2010, 
p. 21).
Retomando a aula
Chegamos, assim, ao final da primeira aula. Espera-
se que agora tenha ficado mais claro o entendimento 
de vocês sobre a relação da Geografia e do Turismo, 
sobretudo em âmbito interdisciplinar. Além disso, o papel do geógrafo 
em relação à atividade turística e sua importância enquanto pesquisador 
do espaço turístico.
1 – Geografia e Turismo: abordagens iniciais
Nesta seção, aprendemos que o Turismo tem uma 
dinâmica própria, pois pode ser objeto de estudo acadêmico. 
É considerado um fenômeno social, uma área de atuação 
profissional, uma atividade de lazer e um setor da economia. 
Nesse sentido, necessita de uma ação interdisciplinar com 
as diferentes áreas do conhecimento, dentre as quais está a 
Geografia. E esta se faz fundamental por oferecer o campo de 
atuação da oferta turística - o espaço geográfico. Além disso, 
aprendemos alguns conceitos sobre o turismo, bem como as 
diversas contribuições mais práticas que a Geografia faz ao 
Turismo e que o Turismo faz à Geografia. Por fim, percebemos 
que a Geografia não aborda apenas o âmbito científico do 
fenômeno turístico, mas sim se refere à dimensão socioespacial 
da prática social do turismo.
2 – Os agentes e o processo: geógrafos, turistas e 
implicações geográficas
Aqui, apresentamos a discussão de que como o trabalho 
do geógrafo pode contribuir com a atividade turística e 
entendemos que ele pode estar presente em todas as etapas 
da prática do turismo, no sentido de prevenir ou minimizar os 
impactos da atividade turística sobre o espaço geográfico. Além 
disso, conhecemos alguns conceitos relacionados ao turismo, 
como: demanda, mercado, produto, sobretudo enfatizando a 
perspectiva do turista enquanto agente produtor de relações 
sociais e culturais realizadas através dos deslocamentos.
ALBACH, V. M.; GÂNDARA, J. M. G. Existe uma geografia 
do turismo? Revista Geográfica de América Centra. Número 
Especial EGAL. Costa Rica, p. 1-16, II sem. 2011. Disponível em: 
<http://www.revistas.una.ac.cr/index.php/geografica/article/
view/1804>. Acesso em: 13/03/2018.
BECKER, E. L. S. Geografia e Turismo: uma introdução ao 
estudo de suas relações. Revista Rosa dos Ventos. Caxias do Sul/
RS, v. 6, n. 1, p. 52-65, jan./mar. 2014. Disponível em: <http://ucs.
br/etc/revistas/index.php/rosadosventos/article/view/2333>. 
Acesso em: 13/03/2018.
Vale a pena
Vale a pena ler
11
GRIZIO, E. V. O Turismo na ótica geográfica. Acta 
Scientiarum. Human and Social Sciences, Maringá, v. 33, n. 1, p. 97-
105, 2011. Disponível em: <http://periodicos.uem.br/ojs/index.
php/ActaSciHumanSocSci/article/download/9089/9089>. 
Acesso em: 13/03/2018.
Disponível em: <http://www.turismo.gov.br/>. 
Ministério do Turismo.
Disponível em: <http://www.publicacoesdeturismo.
com.br/>. Base de dados de livros e artigos científicos na 
área do Turismo.
Vale a pena acessar
Minhas anotações

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