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Sintese historica da legislação ambiental brasileira

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Síntese Histórica da Legislação Ambiental Brasileira 
(1500 a 2006) 
Profa. Silvia Macedo Rodrigues* 
 
1500 a 1930 (Colonização, Império e República Velha) 
Colonização 
1500 - Descobrimento do Brasil – vigora em Portugal as Ordenações Afonsinas. 
1504 - Arrendamento das terras descobertas para cristãos-novos, sob o comando 
de Fernando de Noronha, para exploração do pau-brasil e riquezas naturais. 
1521 – Ordenações Manuelinas com proibição de corte de árvores frutíferas, da 
caça e de determinados apetrechos e de proteção às abelhas. 
1530 - Expedição Colonizadora de Martim Afonso - missão de colocar marcos 
indicadores de posse, doar terras, introduzir as leis gerais do reino português, 
nomear tabeliães e oficiais de justiça, instalar no Brasil a administração portuguesa 
e estabelecer locais para o ofício religioso. Através de cartas de doação, instituindo 
o sistema de sesmarias. 
1534 – Implantação do sistema de Capitanias Hereditárias com direitos e deveres 
aos donatários. A comercialização do pau-brasil e de minerais são declaradas 
monopólio da Coroa (ao proprietário, a redízima). Os direitos e obrigações ao 
pagamento de foros, constava em carta especial que continha um conjunto de 
ordenações e prescrições de ordem constitucional, criminal, cível e processuais. 
Dentre esses direitos do proprietário, o direito à metade da décima de pescarias e 
ao monopólio das marinhas, moendas de águas e outros engenhos. 
1549 – O primeiro Governador-Geral do Brasil, Tomé de Souza, traz toda uma 
estrutura de governo, leis, códigos e regulamentos: a Carta do Regimento, 
considerada, por alguns autores como a primeira Constituição do Brasil. As leis 
portuguesas passam a funcionar no Brasil contendo delimitações em relação à 
matas a serem conservadas. 
 
 
 
 
 
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1559 – Autorizada, em carta régia aos senhores de engenho, a vinda de até 120 
escravos do Congo. Com o início oficial da escravidão negra, o Governador passa a 
proteger mais os índios, incentivando a Companhia de Jesus e suas missões. 
1576 – Decreto impõe o monopólio real sobre o sal. 
1595 - Ordenações Filipinas atribui aos Corregedores das Comarcas e aos 
vereadores poderes para realizações urbanísticas públicas, bem como o incentivo à 
plantação de árvores em terrenos baldios; proíbe a pesca e a utilização de redes 
em rios e lagos nos meses de procriação; proíbe, qualquer pessoa, de jogar 
material que possa matar os peixes, dificultar sua criação ou sujar as águas dos rios 
e das lagoas. 
1605 - Regimento sobre o Pau-Brasil com expressa autorização para a retirada do 
pau-brasil e de limitações para sua exploração impondo severas penas. 
1605 - Regime de contrato exclusivo da Coroa portuguesa par as atividades da 
pesca. 
1609 - Regramento sobre cuidados com o provimento de lenha e de madeira. 
1619 - Lei contra a poluição da Baía de Guanabara, decorrente da primeira 
atividade industrial e poluidora da baía: a extração de óleo e azeite de baleias. 
1630 – Início do domínio holandês, com Maurício de Nassau, em Pernambuco. 
Alguma normatizações privilegiam a matéria ambiental como: abate do cajueiro, 
poluição das águas, pesca, caça, passarinhagem e introdução e aclimatação de 
novas espécies. 
1652 - Carta-régia reforça o monopólio dos recursos madeireiros. 
1677 - O Regimento de Povoação de Terras Novas incrementa a exploração das 
minas de salitre, da pesca da baleia e da extração de ouro das minas. Prevê 
poderes ao Governador para tomar as terras de quem não pudesse cultivá-las. 
1679 - Ordenação do Rei obriga a plantação de outras culturas além da cana-de- 
açúcar. 
1688 - Portugal determina aos lavradores brasileiros, principalmente aos 
plantadores de cana-de-açúcar, o cultivo obrigatório de mandioca por cada 
escravo. 
1695 - Ato régio garante a posse das minas de ouro e prata a seus descobridores. 
1699 - Criada a 1ª Administração das Minas. 
 
 
 
 
 
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1731 - Carta régia cria monopólio de extração de diamantes. 
1735 - Portaria impõe pena de morte a quem misturar outro metal ao ouro. 
1760 - Alvará disciplina a proteção dos manguezais nas capitanias. 
1773 - Ordem de atenção especial ao corte da madeira e conservação das matas. 
1780 – Lei reitera alvará de 1607, determinando a responsabilidade do dano 
causado por animal ao pasto vizinho. 
1785 - D. Maria I manda extinguir toda indústria têxtil no Brasil, com exceção das 
de pano grosso para sacarias e roupas de escravos. (Proibição abolida em 1812, por 
D.João VI). 
1796 - Cartas-régias determinam a criação de jardins botânicos em Belém, Olinda, 
Salvador, Vila Rica e São Paulo. 
1797 - Carta-régia de conservação das madeiras declara como propriedade da 
Coroa as matas e arvoredos existentes à borda da costa ou de rios, não podendo ser 
doadas como sesmarias e, as existentes, trocadas, como indenização, por outras 
terras do interior, mas com a obrigatoriedade de se conservarem as madeiras reais. 
1797 - Carta-régia, à capitania do Rio Grande de S.Pedro, exige cuidado especial 
na conservação das matas e arvoredos, notadamente naquelas que tivessem pau-
brasil. 
1798 - Criado o jardim botânico de Belém. 
1798 - Abolido o monopólio real da pesca da baleia. 
1799 – Estabelecido o primeiro Regimento de Corte de Madeiras no Brasil, com 
normas rigorosas. Revogado por pressões. 
Final de século XVII ao século XVIII – editadas diversas legislações sobre extração 
de ouro, prata e diamantes. 
1802 - Portugal baixa novas normas sobre reflorestamento, por solicitação de José 
Bonifácio de Souza. 
1803 – Legislação prevê controle uso das águas e matas mineiras. Em 1807 a lei é 
abrandada 
1808 - Instalação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e criação do Museu 
Histórico Nacional. 
 
 
 
 
 
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1817 - Proibição de corte de árvores na nascente do rio Carioca, no Rio de Janeiro. 
1819- As terras indígenas são tornadas inalienáveis por D. João VI. 
1822 – Independência do Brasil 
1822 – Extinção do sistema de sesmarias; nova realidade fundiária, sem controle. 
1823 - Criada a Secretaria de Estado para Assuntos Imperiais. (Ministério do 
Interior) 
1824 – Constituição Política do Império do Brasil 
1824 – Decisão Imperial de nº 152. determina que nas terras distribuídas a 
colonos estrangeiros do Rio Grande do Sul fossem preservadas as matas da borda do 
mar e dos rios navegáveis. 
1825 – Portaria determina remessa de sementes para reflorestamento em 
províncias do 
Rio Grande do Sul. 
1825 – Reiterada a proibição de licença a particulares para o corte do pau-brasil e 
outras madeiras. 
1826 – Assinada a Convenção Brasil-Inglaterra pela extinção do tráfico negreiro, no 
prazo de três anos, e ratificada em 1827, sem resultados práticos. 
1827 - Carta Régia de Lei incumbe os juízes de paz a fiscalizarem as matas. 
1827 – Primeira exportação de borracha em escala. 
1828 – Lei 1º-10/28, dispõe sobre Posturas Policiais, algumas de cunho 
socioambiental. 
1829 – Reafirmada proibições de roçar e derrubar matas em terras devolutas. 
1830 – O primeiro Código Criminal penaliza, com penas severas, o corte ilegal de 
madeira 
1844- Decreto nº 363 manda executar lei anterior (Lei nº317/43) que previa multa 
e apreensão de embarcação com contrabando de pau-brasil. 
 
 
 
 
 
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1850 – Editada a Lei nº 601, Lei de Terras, com sanções contra o poluidor e adota 
o princípio da responsabilidade objetiva. Registra as terras ocupadas e pune o dano 
por derrubada e queimada de matas. Proíbe a exploração florestal em terras 
descobertas. 
1854 – Decreto nº 1.318, função a delegados de conservadores das matas 
nacionais, em seus distritos. 
1856- Instituído o primeiro serviço de tratamento de esgoto no Rio de Janeiro. 
1861 a 1874 – Rearborização da Floresta da Tijuca. Decreto nº 577, em Portaria 
de 11 de dezembro de 1861. 
1872 – Lançada a idéia, por André Rebouças, de se criarem