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Faculdade Multivix. Aluno: JOÃO VICTOR ZOCCA DO NASCIMENTO DISCIPLINA: Direito Penal III Vitória 30/06/2021 JOÃO VICTOR ZOCCA DO NASCIMENTO TRABALHO: Resenha Crítica ao Filme Vidas Perdidas. Trabalho da disciplina Direito Penal III, que vislumbra sobre os assuntos Abordados no Filme Vidas Perdidas, onde perpassa por uma Resenha Crítica. Prof. Caroline de Queiroz Costa Vitorino Vitória 30/06/2021 Graça e Raul são um casal comum. Casaram-se, construíram seu lar, tiveram duas filhas e vivem uma vida razoavelmente confortável em um bairro da bela cidade de Recife, no Pernambuco. Algo incomum para a época, Graça é a principal fonte de renda da família, já que Raul tirou um tempo para estudar e só agora volta ao mercado de trabalho. Num Brasil da década de 80, os dois são felizes, se amam, possuem uma vida ativa – tanto social quando sexualmente. Tudo começa a mudar, no entanto, quando Raul recupera seu posto de provedor principal da casa. Cada vez mais orgulhoso e possessivo, o professor passa a se comportar com agressividade, de forma abusiva e com desdém com relação às conquistas da esposa. O longa “Vidas Partidas”, dirigido pelo global Marcos Schechtman e roteirizado por José Carvalho poderia contar a história de qualquer uma das mulheres brasileiras que sofreram violência doméstica nos últimos anos. No entanto, o filme é inspirado na história de uma delas, um caso que ganhou projeção e inspirou a mais importante lei contra a violência doméstica, o caso de Maria da Penha Maia Fernandes. Ou seja, não é brincadeira, e acontece o tempo todo muito perto de cada um de nós. É por isso que o longa “Vidas Partidas” é tão relevante, porque trata de uma temática que precisa ser discutida. Conforme o filme vai se desenrolando, vemos um Raul ganhando confiança e perdendo cada vez mais o respeito pela mulher, uma bióloga que trabalha em um importante instituto e que passa a ser reconhecida pelo seu trabalho, onde chega a receber um prêmio. Graça passa por duas tentativas de feminicídio, que fazem com que ela sofra severas consequências. Ficção? Sim, livremente inspirada em uma triste realidade, uma vez que foi exatamente isso que aconteceu com Maria da Penha. A palavra feminicídio ganhou destaque no Brasil a partir de 2015, quando foi aprovada a Lei Federal 13.104/15, popularmente conhecida como a Lei do Feminicídio. Isso porque ela criminaliza o feminicídio, que é o assassinato de mulheres cometido em razão do gênero, ou seja, a vítima é morta por ser mulher. https://www.cafecomfilme.com.br/filmes/vidas-partidas https://www.cafecomfilme.com.br/busca?searchword=Marcos+Schechtman O Brasil é considerado o quinto país do mundo com maior número de feminicídios. Agora, durante a pandemia em decorrência do novo coronavírus, os índices são preocupantes. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que os casos de feminicídio cresceram 22,2% em março e abril deste ano, em relação ao mesmo período de 2019. Segundo o documento, a alta dos crimes foi registrada em 12 Estados brasileiros. Embora seja categorizado como um Drama, “Vidas Partidas” tem sua trama encaminhada de forma a instigar a curiosidade e envolver o telespectador. Quando o filme começa, já sabemos onde ele vai chegar. Mas, como ele vai nos levar até lá? É esta a grande surpresa e o grande trunfo deste longa metragem: sua estrutura narrativa. Para isso, Marcos Schechtman utiliza muito bem dois importantes recursos: a linha do tempo descontínua e o tom de suspense. O filme mostra acontecimentos de 1982, 1992 e 2006, que se intercalam não necessariamente em ordem cronológica, o que instiga o público e desperta a curiosidade para saber o que vai acontecer. Neste sentido, o uso de técnicas muito características dos filmes de suspense também ajuda muito: a trilha sonora, a iluminação e as tomadas com enquadramentos que fazem com que o telespectador se sinta parte do vídeo, sem saber exatamente o que vai acontecer. Os movimentos de câmera são outro grande destaque, pois ajudam a ambientar bem as cenas e contribuem com a sensação de suspense Do ponto de vista técnico, talvez o aspecto em que filme mais peca seja na parte da ambientação e figurino. Embora seja ambientado no início dos anos 80, em diversas cenas fica difícil esconder alguns elementos mais modernos do que isso, apesar do claro esforço da produção em situar a trama adequadamente. Se o longa-metragem não dissesse claramente em que anos se passa sua história, não seria tão difícil enganar o público e dizer que ela é dos anos 90. No entanto, isso não prejudica o andamento de “Vidas Partidas”, que sob todos os outros pontos de vista conta muito bem a história que se propõe a contar, surpreende em vários momentos, além de trazer uma temática de extrema relevância. O talento do elenco também conta muitos pontos na construção deste longa- metragem, que traz alguns rostos conhecidos, como os de Milhem Cortaz e Nelson Freitas, além dos atores que encarnam os protagonistas, Naura Schneider e Domingos Montagner. Ambos, especialmente, fazem um belíssimo trabalho, mostram uma grande sintonia e destreza mesmo nas cenas mais complexas, como as de sexo e as de violência. Naura, inclusive, está excepcional no papel de uma vítima de violência doméstica. O medo estampado no olhar de quem encontra o agressor, a mudança na alegria da personagem do começo da trama até a fase final, quando passa a ser agredida, tudo isso é muito vívido no trabalho da atriz. Além da violência contra a mulher, outro grande ponto que vem tendo grande discussão doutrinaria é em relação a possibilidade da pessoa transsexual, ser a vítima do feminicídio. Para responder sobre a possibilidade ou não do transexual como vítima do feminicídio, duas posições discutem o assunto. Fruto de uma doutrina conservadora, uma primeira corrente defende que o transexual não pode figurar como vítima do feminicídio, uma vez que, apesar de passar por cirurgia de mudança de sexo tendo seu órgão genital alterado em conformidade com sua identidade de gênero psíquico, geneticamente não é mulher. Ou seja, leva-se em consideração apenas o critério biológico para a configuração do feminicídio. Em sentido contrário, uma corrente considerada moderna entende ser perfeitamente possível que um transexual seja vítima de feminicídio, desde que altere o sexo de forma permanente (cirurgia de mudança de sexo irreversível). De acordo com esta correte, o transexual deve ser tratado conforme sua atual realidade morfológica, coadunando-se, inclusive, com o atual entendimento jurisprudencial no qual admite a alteração do registro civil. Diversamente da corrente anterior, leva-se em consideração os critérios biológico e jurídico.