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TEMA-06-Prescrição, decadência e prova

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Prévia do material em texto

DESCRIÇÃO
Os impactos do decurso do tempo sobre as relações jurídicas e a prova dos fatos jurídicos.
PROPÓSITO
Compreender as noções de prescrição e de decadência, bem como sua aplicação, é
importante para sua formação, pois essas figuras visam ao alcance da certeza jurídica e da
estabilidade nas relações, apresentando consequências práticas relevantes. Estudar a
disciplina da prova no Código Civil e no Código de Processo Civil é relevante para sua atuação
profissional, pois os meios de prova servem para demonstrar a existência dos fatos jurídicos.
PREPARAÇÃO
Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos o Código Civil e o Código de Processo Civil.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Identificar qual é o objeto da prescrição
MÓDULO 2
Distinguir a decadência e a prescrição
MÓDULO 3
Relacionar a disciplina da prova contida no Código Civil e no Código de Processo Civil
INTRODUÇÃO
A passagem do tempo tem repercussão direta em nossas vidas e acarreta diferentes
consequências no plano jurídico. Basta pensarmos que a sua influência perpassa, por
exemplo:
 
Imagem: Pixabay
O atingimento da plena capacidade para a prática de todos os atos da vida civil ao se
completar dezoito anos (Código Civil, art. 5º, caput).
 
Foto: Pixabay
A possibilidade de se adquirir a propriedade de um imóvel após, dentre outros requisitos, sua
posse prolongada (Código Civil, art. 1.238 e seguintes).
 
Foto: Pixabay
A perda da exigibilidade do direito de cobrar a reparação civil pelos danos sofridos em acidente
de automóvel, quando o lesado ficar inerte por três anos (Código Civil, art. 206, § 3º, V).
O estudo da prescrição e da decadência compreende o exame dos impactos do decurso
do tempo nas situações e nas relações jurídicas. Em outras palavras, busca-se identificar
se a passagem do tempo, aliada a outros requisitos, implicou a perda de exigibilidade ou a
extinção de direitos. 
O alcance da certeza jurídica com a definição de situações consolidadas no tempo é o que
fundamenta tanto a prescrição como a decadência. Afinal, não haveria paz social se o Direito
admitisse a manutenção de situações de incerteza, mesmo diante da inação prolongada do
interessado. 
Muito sinteticamente, a prescrição é a perda da possibilidade de exigir a satisfação de um
direito violado, pois não houve a exigibilidade no prazo definido na lei. Já a decadência é a
extinção de um direito pela falta de exercício no prazo fixado.
 SAIBA MAIS
Essas noções serão aprofundadas adiante e, para se ter uma ideia da relevância e da
atualidade da matéria, o Regime Jurídico Emergencial e Transitório das relações jurídicas de
Direito Privado (RJET) no período da pandemia do coronavírus, instituído pela Lei nº
14.010/2020, contém um capítulo dedicado à disciplina de prazos prescricionais e decadenciais
(Capítulo II, art. 3º).
Por ora, para facilitar a compreensão do assunto, podemos pensar no seguinte exemplo:
Maria comprou pisos e azulejos da fabricante Cerâmica Master, os quais, após alguns meses,
apresentaram defeitos e começaram a se deteriorar. Maria entrou em contato com a empresa,
que, embora tenha reconhecido o problema, não ofereceu solução compatível com as
despesas necessárias à substituição do revestimento.
 
Foto: Zivica Kerkez/Shutterstock.com
Passado um ano, Maria estava cansada de aguardar por um desfecho amigável para o
problema e ajuizou ação de indenização por danos patrimoniais contra Cerâmica Master.
DIANTE DESSE CENÁRIO, É CORRETO QUE
CERÂMICA MASTER ALEGUE A PRESCRIÇÃO?
OU SERIA UMA HIPÓTESE DE DECADÊNCIA?
OU, AINDA, NÃO TERIA CABIMENTO
QUAISQUER DESSAS TESES?
Para buscarmos essas respostas e desenvolvermos o estudo deste tema, primeiro
abordaremos a figura da prescrição. Partindo de considerações gerais, abordaremos, na
sequência, as regras especiais e os efeitos da prescrição. No segundo módulo, trataremos da
figura da decadência, observando-se a mesma divisão da matéria.
MÓDULO 1
 Identificar qual é o objeto da prescrição
NOÇÕES GERAIS
REGRAMENTO LEGAL
A prescrição e a decadência são figuras tratadas no Código Civil de 2002 e há, nesse
aspecto, uma importante inovação em relação ao diploma anterior, de 1916.
Uma das diretrizes seguidas pelo legislador de 2002 foi a da operabilidade, isto é, o diploma
deveria ser de mais fácil interpretação e aplicação pelo operador do Direito.
O clássico exemplo dessa diretriz é justamente o cuidado que se teve em distinguir a
prescrição da decadência. 
Como referido por Miguel Reale, o supervisor da Comissão Elaboradora do Código Civil, os
casos de prescrição foram enumerados, de modo taxativo, na Parte Geral do Código
(REALE, 2005, p. 40). Já as hipóteses de decadência foram endereçadas, primordialmente, na
Parte Especial, que cuida do Direito das Obrigações; do Direito de Empresa; do Direito das
Coisas; do Direito de Família e do Direito das Sucessões. Em outras palavras:
REGRAS ATINENTES À PRESCRIÇÃO E AOS PRAZOS PRESCRICIONAIS
ESTÃO CONTIDAS NA PARTE GERAL, NOS ARTIGOS 189 A 206.

REGRAS SOBRE DECADÊNCIA CONSTAM NOS ARTIGOS 207 A 211 DA
PARTE GERAL E TAMBÉM ESTÃO PRESENTES NA PARTE ESPECIAL
(COMO OS ARTIGOS 501, 516, 618, ENTRE OUTROS).
 COMENTÁRIO
As hipóteses em que foram disciplinados prazos decadenciais na Parte Geral são raras e,
nessas situações, buscou-se deixar clara a natureza do prazo, como é o caso do parágrafo
único do artigo 45, segundo o qual “Decai em três anos o direito de anular a constituição das
pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da
publicação de sua inscrição no registro”.
Como veremos adiante, a preocupação do legislador com a diferenciação entre a prescrição e
a decadência é justificada, pois os seus regimes são diversos.
CONCEITO
O Código Civil de 2002 prevê, no artigo 189, que: “Violado o direito, nasce para o titular a
pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206”.
Vejam que o Código se refere à noção de pretensão. Assim, para entendermos o conceito de
prescrição, precisamos ter bem definido, inicialmente, o que é a pretensão, pois se trata de
noção central na matéria.
Conforme afirma Pontes de Miranda, “pretensão é a posição subjetiva de poder exigir de
outrem alguma prestação positiva ou negativa”, razão pela qual o “prazo da prescrição começa
a correr desde que nasce a pretensão” (2012, § 615, p. 533 e § 670, 287, respectivamente).
A pretensão é, portanto, o poder de exigir uma prestação de outrem.
 EXEMPLO
Pense no credor de uma prestação pecuniária a ser paga pelo devedor quando alcançado o
seu vencimento. Antes de ser atingido o termo final para o pagamento, o credor é titular do
direito de crédito, mas ainda não pode exigir o pagamento da dívida pelo devedor. 
 
Somente a partir do vencimento é que surgirá ao credor a pretensão (isto é, o poder exigir) ao
cumprimento pelo devedor. Se o devedor não adimplir na data prevista e o credor não exigir o
pagamento no prazo fixado em lei, a sua pretensão será encoberta pela prescrição,
acarretando a perda da exigibilidade do direito de crédito. Nessa hipótese, se o credor passar a
cobrar o pagamento de dívida prescrita, o devedor pode apresentar a exceção de prescrição.
A prescrição consiste, em síntese, na “exceção que alguém tem, contra o que não exerceu,
durante certo tempo, que alguma regra jurídica fixa, a sua pretensão [...]” (PONTES DE
MIRANDA, 2012, § 662, p. 219). 
A regra é que são encobertas pela prescrição as pretensões derivadas de direitos subjetivos
(isto é, direitos dos quais derivam o poder de exigir de outrem um comportamento para a
satisfação de um interesse). 
Essa conclusão também é amparada pela afirmação de José Carlos Moreira Alves, Relator da
Parte Geral do Anteprojeto do Código Civil, segundo o qual o Projeto de Código adotou a tese
por ele sustentada, pois “o que prescreve é a pretensão e não a ação” (MOREIRA ALVES,
2003, p. 99).
 SAIBA MAIS
Ao acolher esse entendimento, o Código aproximou,nesse tema, o Direito Civil brasileiro do
modelo alemão, o qual define a prescrição como a extinção da pretensão (XAVIER
LEONARDO, 2010, p. 105-106).
Assim, em nosso ordenamento, o direito subjetivo violado não é alcançado pela prescrição.
Perde-se a exigibilidade do direito, e não o direito em si.
 COMENTÁRIO
Tanto o direito não é atingido pela prescrição, que o pagamento de dívida prescrita é válido,
não se admitindo a repetição, conforme previsto no artigo 882 do Código Civil. Ou seja, o
devedor não está impedido de realizar o pagamento espontâneo de uma dívida prescrita. Se o
fizer, não pode exigir a devolução do montante pago, argumentando se tratar de dívida
prescrita.
PRESCRIÇÃO EXTINTIVA X PRESCRIÇÃO
AQUISITIVA
Como vimos, este módulo trata da prescrição como meio de encobrir a pretensão. Por vezes,
essa figura é referida como prescrição extintiva, a fim de diferenciá-la da prescrição
aquisitiva ou usucapião. 
A prescrição aquisitiva, isto é, a figura que leva à aquisição de direitos, está ligada aos
Direitos Reais e, mais especificamente, à aquisição do direito de propriedade após o
transcurso dos prazos previstos no Código Civil para a usucapião (artigos 1.238 a 1.244 e
1.260 a 1.262).
 EXEMPLO
Se alguém possuir um imóvel como se fosse seu, durante quinze anos sem interrupção,
independentemente de título e da posse de boa-fé, poderá requerer que o juiz reconheça ter
havido a aquisição da propriedade (artigo 1.238).
Sobre a relação entre usucapião, posse aquisitiva e posse prolongada, veja mais a seguir:
NA USUCAPIÃO, O FOCO RECAI SOBRE A POSSE PROLONGADA.

JÁ NA PRESCRIÇÃO EXTINTIVA, O ASPECTO CENTRAL É A
NECESSÁRIA PACIFICAÇÃO SOCIAL DIANTE DA INÉRCIA PROLONGADA
RELATIVAMENTE AO EXERCÍCIO DE UM DIREITO SUBJETIVO.
PRESCRIÇÃO AQUISITIVA VISA A CONSOLIDAR A SITUAÇÃO FÁTICA
QUE PERDUROU POR CERTO LAPSO TEMPORAL.

PRESCRIÇÃO EXTINTIVA VOLTA-SE À ESTABILIZAÇÃO DAS RELAÇÕES
DIANTE DO NÃO EXERCÍCIO PROLONGADO DO DIREITO SUBJETIVO
POR SEU TITULAR (TEPEDINO; OLIVA, 2020, P. 376).
Como se pode perceber, a única aproximação entre as figuras é a relevância dada ao
transcurso do tempo para a produção de efeitos jurídicos (TEPEDINO; OLIVA, 2020, p.
377), não havendo similitude entre os demais requisitos envolvidos para a configuração da
usucapião e da prescrição extintiva. Por essa razão, diversos autores sustentam que o mais
adequado é:
Reservar a utilização do termo “prescrição” para a hipótese de prescrição extintiva,
empregando-se o termo “usucapião” quando se tratar de casos envolvendo a aquisição do
direito de propriedade.
FUNDAMENTO DA PRESCRIÇÃO
A prescrição visa a evitar “o estado de intranquilidade social” (AMORIM FILHO, 1997) ao
assegurar a segurança jurídica diante de situações já estabilizadas há longo tempo. Ou seja, a
necessidade de alcançar a certeza nas relações e de evitar a eterna litigiosidade justifica que
situações que tenham perdurado por longo tempo não possam ser superadas, sendo tornadas,
assim, definitivas.
Como destacado por Humberto Theodoro Júnior, a prescrição “se coloca entre os institutos de
ordem pública”, o que se confirma por circunstâncias como:
1
2
1
O ordenamento estabelece que os prazos prescricionais não podem ser alterados por acordo
entre as partes (artigo 192 do Código Civil) (THEODORO JÚNIOR, 2018, p. 16).
2
Proíbe-se a renúncia prévia aos efeitos da prescrição (artigo 191 do Código Civil). A renúncia à
prescrição pelo devedor pode ocorrer de modo tácito ou expresso, mas não pode ser realizada
enquanto esta não se consumar.
Outro fundamento da prescrição é a punição da inércia do titular do direito subjetivo
violado, no sentido de que, se este restar inerte por longo período de tempo, haverá a
consolidação do não exercício do direito por ele titulado.
 EXEMPLO
Se o credor não procura o devedor para realizar a cobrança de uma dívida ao longo de
sessenta anos, não poderá mais exigir o seu pagamento, pois isso significaria uma reviravolta
nessa situação já assentada há muito tempo. Tamanha incerteza não é tolerada pelo Direito,
razão pela qual a prescrição, nessa hipótese, encobrirá a pretensão do credor.
É importante definirmos em que consiste a inércia a ser punida, pois não se trata de qualquer
inatividade. Estudaremos esse assunto no tópico “Regras concernentes ao prazo”.
REGRAS ESPECIAIS
REGRAS CONCERNENTES À
IMPRESCRITIBILIDADE
A regra é que se sujeitam à prescrição as pretensões derivadas de direitos subjetivos
patrimoniais e disponíveis (AMARAL, 2018, p. 685). Como toda regra, existem exceções. Por
exemplo:
Não prescrevem pretensões ligadas a direitos existenciais, como a que objetiva a reparação de
danos em casos de tortura ocorridos durante o regime militar (TEPEDINO; OLIVA, 2020, p.
381).
A doutrina também aponta não se sujeitarem à prescrição pretensões de direitos indisponíveis,
como direitos derivados de relações de família (THEODORO JÚNIOR, 2018, p. 19).
 ATENÇÃO
Isso não significa que os efeitos patrimoniais de pretensões decorrentes de direitos
indisponíveis, como as de exigir a reparação por dano moral oriundo de ofensa ao direito à
honra, sejam imprescritíveis (THEODORO JÚNIOR, 2018, p. 19).
REGRAS CONCERNENTES AO PRAZO
O prazo prescricional, assim como os demais prazos, apresenta um termo inicial para a sua
contagem e um termo final. Como a prescrição afeta a pretensão, é o surgimento da pretensão
que marca o termo inicial do prazo. Isto é:
A partir do momento em que se pode exigir a prestação, tem início o prazo prescricional.

Já o momento em que se completa o lapso temporal fixado na lei para o exercício do direito
configura o termo final desse prazo.
 COMENTÁRIO
A partir da leitura do artigo 189 do Código Civil, pode-se questionar se o momento em que há a
violação do direito sempre coincide com o momento em que nasce a pretensão. A resposta é
que não necessariamente existe essa coincidência.
O Enunciado 14 da I Jornada de Direito Civil auxilia a esclarecer que o artigo 189 do Código
Civil diz respeito às situações em que a pretensão nasce imediatamente após a violação do
direito:
“1) O início do prazo prescricional ocorre com o surgimento da pretensão, que decorre da
exigibilidade do direito subjetivo;
2) o art. 189 diz respeito a casos em que a pretensão nasce imediatamente após a violação do
direito absoluto ou da obrigação de não fazer”.
Há situações distintas, em que a pretensão surge anteriormente à violação do direito ou
mesmo posteriormente, pois não se tinha conhecimento do dano. Veja mais a seguir:
PRETENSÃO SURGE ANTERIORMENTE
O disposto no artigo 333 do Código Civil serve para exemplificar a hipótese em que a
pretensão surge anteriormente à violação do direito: o credor pode cobrar a dívida antes de seu
vencimento quando houver a falência do devedor (inciso I).
PRETENSÃO SURGE POSTERIORMENTE
Já o artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor exemplifica a situação em que o momento
do surgimento da pretensão pode ser posterior à violação do direito, pois demanda o
conhecimento do lesado: prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos
causados por fato do produto ou do serviço, contando-se o prazo a partir do conhecimento do
dano e de sua autoria.
No caso referido na introdução deste módulo, a solução está, justamente, no artigo 27 do
Código de Defesa do Consumidor: não houve prescrição, pois ainda não havia decorrido o
prazo prescricional de cinco anos. Logo, Cerâmica Master não poderia alegar a ocorrência da
prescrição da pretensão indenizatória de Maria.
Não há entendimento unânime quanto à necessidade ou não de o titular do direito ter
conhecimento sobre a sua violação para que se inicie a contagem do prazo prescricional.
Nesse contexto, é recorrente a utilização da expressão actio nata na doutrina e na
jurisprudência, compreendendo diversos sentidos e diversas aplicações. A expressão é
empregada tanto com um viés objetivo como com um subjetivo. Veja mais a seguir:
CORRENTE OBJETIVA“A prescrição começa a correr tão logo ocorra a violação do direito, independentemente de o
seu titular ter conhecimento ou não do fato” (THEODORO JÚNIOR, 2018, p. 30). O Superior
Tribunal de Justiça assim se pronunciou no REsp. nº 1168336/RJ, relatado pela Min. Nancy
Andrighi em 2011.
CORRENTE SUBJETIVA
O início do prazo prescricional deve se dar com a ciência da lesão pelo titular do direito
(FARIAS; ROSENVALD, 2015, p. 622-623). Neste sentido, foi a decisão adotada pelo Superior
Tribunal de Justiça REsp. nº 1846621/MA, relatado pela Min. Assusete Magalhães em 2020, na
qual se registrou que a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que o termo inicial da
prescrição se dá a partir do conhecimento inequívoco do dano.
 COMENTÁRIO
Se for adotada a corrente subjetiva, sem que a parte tenha conhecimento da violação ao seu
direito e do autor da lesão, não pode ser considerado como inércia o não exercício da
pretensão.
Para se buscar parâmetros mais claros para a definição do momento em que surgiria a
pretensão, a doutrina tem defendido a utilização de padrões objetivos de comportamento a fim
de que se investigue se “era possível nas circustâncias concretas, que o sujeito houvesse tido
conhecimento da lesão e da sua autoria”, em vez de se avaliar se houve, de fato, ciência
efetiva pelo lesado (TEPEDINO; OLIVA, 2020, p. 380).
Apesar de não haver unanimidade quanto à necessidade ou não de o titular do direito ter
conhecimento sobre a sua violação para que se inicie a contagem do prazo prescricional, é
importante registrar que o Código Civil deixou claro, em algumas hipóteses, quando vinculou o
termo inicial do prazo prescricional ao conhecimento da lesão pelo credor, mas em outras
situações, não há essa indicação. Por exemplo, segundo o art. 206, § 1º, II, b, prescreve em
um ano a pretensão do segurado contra o segurador contado o prazo da ciência do fato
gerador da pretensão.
 SAIBA MAIS
Outro aspecto relevante para o estudo é saber que a ocorrência da prescrição requer a inércia
prolongada pelo titular do direito, além de a inação ocorrer quando, mesmo podendo adotar
certa conduta, o titular opta por não agir (TEPEDINO; OLIVA, 2020, p. 380). Se a inércia for
momentânea (por exemplo, o sujeito que ficou acamado por uma semana para se recuperar de
uma doença), não cabe falar em prescrição.
 RESUMINDO
A prescrição encobre a pretensão.
O fundamento da prescrição é a necessidade de certeza e de estabilidade das relações
sociais.
O termo inicial do prazo prescricional é o nascimento da pretensão.
O termo final do prazo prescricional é o momento em que se completa o lapso temporal
fixado na lei para o exercício do direito.
Para a ocorrência da prescrição, a inércia deve ser prolongada, e não momentânea.
Outra regra importante no tocante à contagem do prazo diz respeito à distinção entre o prazo
geral e os especiais. Veja mais a seguir:
PRAZO GERAL OU ORDINÁRIO
É o prazo de dez anos e está previsto no artigo 205 do Código Civil. Ou seja, a prescrição se
consuma em dez anos, quando a lei não tenha fixado prazo menor. Se o Código Civil ou a
lei extravagante não tiverem fixado prazo diferente, será aplicado o geral de dez anos.
 COMENTÁRIO
É interessante notar que houve considerável redução no prazo geral, se comparado com o
disposto no artigo 177 do Código Civil de 1916, segundo o qual o prazo ordinário era de vinte
anos.
A regra contida no artigo 205 é de Direito Privado e não afeta os prazos prescricionais
estabelecidos em normas de Direito Público, disciplinadas na legislação pertinente (MENKE,
2019, p. 328).
 EXEMPLO
A prescrição para a cobrança do crédito tributário ocorre, por exemplo, em cinco anos,
contados de sua constituição definitiva, como está no artigo 174 do Código Tribuntário
Nacional, e o enunciado do artigo 205 do Código Civil em nada interfere a esse respeito.
Diversamente, quando houver lacuna na legislação de Direito Público, o prazo geral previsto
na Lei Civil deve ser aplicado, pois há função supletiva das normas do Código Civil (MENKE,
2019, p. 328).
PRAZOS ESPECIAIS
Por sua vez, são prazos estipulados de modo específico no Código Civil e na legislação
extravagante. Por exemplo:
Prescreve em um ano a pretensão do segurado contra o segurador (artigo 206, § 1º, II do
Código Civil).
Prescreve, em três anos, a pretensão para a obtenção de reparação civil na responsabilidade
civil que não seja derivada de um negócio jurídico — denominada extracontratual —, como os
danos patrimoniais derivados de um acidente de carro na estrada (artigo 206, § 3º, V do
Código Civil).
Cite-se, ainda, o prazo de cinco anos para a cobrança de honorários advocatícios (artigo 25 da
Lei nº 8.906/1994) e o de cinco anos para a reparação pelos danos causados por fato do
produto ou do serviço, contando-se o prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria
(artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor).
 SAIBA MAIS
Recentemente, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no
sentido de que o prazo prescricional aplicável à pretensão decorrente de inadimplemento
contratual é o geral de dez anos, e não o especial de três anos. O prazo de três previsto no
artigo 206, § 3º, V do Código Civil é aplicável à responsabilidade extracontratual, como antes
referido (Embargos de Divergência em REsp. nº 1.281.594/SP).
Por fim, outro ponto que merece destaque quanto ao curso da prescrição diz respeito ao artigo
196 do Código Civil. Como fica claro do enunciado, a prescrição iniciada contra uma pessoa
prosseguirá contra o seu sucessor. Ou seja, a prescrição flui, normalmente, não importando
a titularidade do direito, ressalvados os impedimentos dos arts. 197 e 198, que se relacionam
com a pessoa vinculada à relação jurídica (como os cônjuges e os absolutamente incapazes).
REGRAS CONCERNENTES ÀS CAUSAS
IMPEDITIVAS, SUSPENSIVAS E INTERRUPTIVAS
O prazo prescricional pode sofrer a influência de diversos fatores, como impedimentos a que o
seu curso seja iniciado ou obstáculos a que o prazo já em curso tenha prosseguimento. A
depender do tipo de interferência verificada no curso do prazo prescricional, pode acontecer
de, cessada a interferência, o prazo ser retomado a partir do momento em que foi suspenso ou,
então, ser recomeçado a partir daquele momento.
IMPEDIMENTO
Se não houve a deflagração do prazo prescricional em virtude de existir um obstáculo para o
seu início, a hipótese é de impedimento. Isto é, causas impeditivas da prescrição são aquelas
anteriores ao momento em que o prazo deveria começar a fluir. Por exemplo:
A constância da sociedade conjugal é uma circunstância impeditiva da fluência do prazo
prescricional entre os cônjuges (artigo 197, I, do Código Civil) e também entre os companheiros
na constância da união estável (Enunciado 296 da IV Jornada de Direito Civil).
Além disso, não fluirá o prazo prescricional em se tratando de ascendentes e descendentes
enquanto perdurar o poder familiar (artigo 197, II, do Código Civil) nem mesmo entre tutelados
ou curatelados e os seus respectivos tutores ou curadores (artigo 197, III, do Código Civil).
Enquanto perdurar a causa impeditiva, nada se computará na verificação do prazo
prescricional.
SUSPENSÃO OU INTERRUPÇÃO
Diferentemente, se o obstáculo é verificado no curso do prazo, pode haver suspensão ou
interrupção, a depender da repercussão sobre o tempo já transcorrido.
CAUSA SUSPENSIVA
Para ser considerada uma causa suspensiva, é necessário que o prazo prescricional tenha
começado a fluir e o seu curso venha a ser afetado por um óbice. As causas suspensivas são,
portanto, supervenientes.
O efeito da suspensão é pausar temporariamente o curso da prescrição.
Diante de uma causa suspensiva, ocorre a cessação temporária da fluência do prazo
prescricional, sem prejuízo do lapso de tempo escoado. Para o cômputo do prazo prescricional,
será preciso considerar os períodos descontínuos, isto é, o anterior ao óbice e o que lhe
suceder.Ou seja, se o prazo prescricional for de cinco anos e a causa suspensiva for verificada
após o decurso da metade do prazo (dois anos e meio), a prescrição se completará quando,
retomado o curso do prazo, passarem-se mais dois anos e meio.
As hipóteses de impedimento ou de suspensão estão previstas nos artigos 197 a 199 do
Código Civil (Seção II – Das causas que impedem ou suspendem a prescrição). Apenas a título
de exemplo, cabe referir que não corre a prescrição contra:
Os absolutamente incapazes, isto é, os menores de dezesseis anos (artigo 198, I do Código
Civil).
Servidores públicos federais, estaduais e municipais ausentes do país (artigo 198, II do Código
Civil).
Ademais, não se sujeitam à prescrição as pretensões cíveis decorrentes de fatos cuja
apuração tenha que se desenvolver em juízo criminal, enquanto não proferida a sentença
penal, como disciplinado pelo artigo 200 do Código Civil.
CAUSAS INTERRUPTIVAS
Já as causas interruptivas compreendem o evento previsto em lei que leva a descartar todo o
prazo já decorrido, reiniciando a sua contagem. Ou seja, desaparecendo a causa interruptiva,
inicia-se uma nova contagem do prazo prescricional.
 EXEMPLO
Se um prazo prescricional for de cinco anos e a causa interruptiva for verificada após o decurso
da metade do prazo (dois anos e meio), o prazo prescricional terá a sua contagem reiniciada e
se completará ao fim de cinco anos.
As causas interruptivas diferem das causas impeditivas por serem supervenientes e das
suspensivas por desconsiderarem o prazo decorrido antes da interrupção.
O artigo 202 do Código Civil divide entre hipóteses de interrupção relacionadas ao:
CREDOR
Por meio do exercício do direito.
DEVEDOR
Pelo reconhecimento da subsistência do direito do credor.
Haverá a interrupção da fluência do prazo prescricional:
Por meio do despacho do juiz que ordenar a citação do devedor (inciso I).
Pelo protesto (inciso II).
Pelo protesto cambial (inciso III).
Pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores
(inciso IV).
Por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor (inciso V).
Por qualquer ato inequívoco que importe reconhecimento do direito pelo devedor (inciso
VI).
A contagem do prazo prescricional, se ocorrer a sua interrupção, acontece a partir da data do
ato que provocou a interrupção, ou do último ato do processo para a interromper (parágrafo
único do artigo 202).
Outro ponto a ser destacado é a chamada unicidade da interrupção da prescrição, que
consiste em uma inovação do Código Civil de 2002. Diz o artigo 202: “A interrupção da
prescrição” somente poderá ocorrer “uma vez”. Na codificação anterior, não havia limitação do
número de vezes em que poderia ocorrer a interrupção da prescrição. O intuito dessa regra
está alinhado à redução dos prazos prescricionais, os quais não podem ser interrompidos e
reiniciados indefinidamente, e à necessidade de abreviar estados de incerteza (MENKE, 2019,
p. 322).
 RESUMINDO
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Causas impeditivas —impedem que o curso do prazo prescricional seja iniciado.
Causas suspensivas e interruptivas são supervenientes ao início da fluência do prazo
prescricional.
Causas suspensivas — ocasionam a cessação temporária da fluência do prazo
prescricional, com aproveitamento do lapso de tempo escoado.
Causas interruptivas — ocasionam a interrupção do prazo prescricional, sem
aproveitamento do lapso de tempo escoado.
A PRESCRIÇÃO E SUAS CAUSAS
EXTINTIVAS E IMPEDITIVAS
No vídeo a seguir, veja a análise da professora Giovana Benetti sobre as causas de extinção e
impedimento.
EFEITOS
A simples consumação do prazo prescricional não dispara, automaticamente, os efeitos da
prescrição. A mera ultrapassagem do prazo fixado na lei não opera automaticamente a
prescrição.
 ATENÇÃO
Para que a pretensão do credor seja paralisada, é indispensável que o devedor, quando
demandado, argua a prescrição como meio de defesa.
Como está no artigo 193, a prescrição pode ser alegada, pela parte que dela se beneficia, em
qualquer grau de jurisdição. Conforme estudamos no tópico “Conceito”, a prescrição gera uma
exceção, que o devedor pode invocar ou não.
No ordenamento atual, a prescrição também pode ser decretada de ofício pelo juiz, diante da
revogação do artigo 194 do Código Civil. A revogação do referido artigo recebeu críticas da
doutrina.
Atualmente, segundo o artigo 487, inciso II do Código de Processo Civil de 2015, quando o juiz
decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou de prescrição,
haverá resolução de mérito.
Também se determina que a prescrição e a decadência serão reconhecidas apenas se for dada
prévia oportunidade às partes para se manifestarem a esse respeito, exceto se o juiz verificar,
de plano, a ocorrência de prescrição ou decadência, quando poderá julgar o pedido
liminarmente improcedente (artigo 487, parágrafo único, c/c artigo 332, § 1º do Código de
Processo Civil).
Como vimos anteriormente, diversas são as hipóteses impeditivas, suspensivas e interruptivas
passíveis de afetar o curso do prazo prescricional, de modo que não é simples verificar,
liminarmente, a ocorrência de decadência ou prescrição. Embora assim esteja disciplinado no
Código de Processo Civil (artigo 332, § 1º), recomenda-se que o juiz “efetivamente intime a
parte adversa antes de extinguir o processo liminarmente”, reservando essa possibilidade para
os casos de decadência legal, em que, como se verá adiante, não pode haver renúncia da
parte (MENKE, 2019, p. 316).
Ao proceder dessa forma, permite-se que as partes suscitem questão de fato com repercussão
sobre o curso do prazo prescricional, como a prática de algum ato pelo devedor que importe o
reconhecimento do direito do credor.
Em linhas gerais, esses são os principais aspectos atinentes ao regime da prescrição. No
Módulo 2, vamos passar para o exame da decadência.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
 Distinguir a decadência e a prescrição
NOÇÕES GERAIS
Antes de adentrarmos o conceito e no regime jurídico da decadência, há um ponto prévio a ser
estudado: a noção de direito potestativo, tendo em vista sua correlação com o fenômeno da
decadência. Direito potestativo é:
O PODER QUE O AGENTE TEM DE INFLUIR NA
ESFERA JURÍDICA DE OUTREM, CONSTITUINDO,
MODIFICANDO OU EXTINGUINDO UMA SITUAÇÃO
SUBJETIVA SEM QUE O OUTRO SUJEITO DA
RELAÇÃO POSSA FAZER ALGUMA COISA A NÃO SER
SUJEITAR-SE [...]
(AMARAL, 2018, p. 682)
A contraparte fica em estado de sujeição. Como está no clássico texto de Agnelo Amorim Filho,
“a principal característica dos direitos potestativos é o estado de sujeição que o seu exercício
cria para outra ou outras pessoas, independentemente da vontade dessas últimas, ou mesmo
contra sua vontade” (AMORIM FILHO, 1997).
 EXEMPLO
Podemos citar como um direito potestativo o divórcio. Uma pessoa casada tem o direito de se
divorciar e a outra pessoa terá que aceitar, mesmo contra a sua vontade, pois estará em
estado de sujeição.
O titular de um direito potestativo não exige uma prestação de outrem, mas apenas exerce o
seu direito sem que haja um dever correlato.
Como os direitos potestativos são exercidos unilateralmente por seus titulares, não se pode
falar em “violação de direito potestativo”. Por isso, não cabe aplicar aos direitos potestativos a
prescrição: não há pretensão.
O que acontece é que, pela inércia de seu titular, o próprio direito potestativo perece por não
ter sido exercido no prazo fixado. Assim, se o figurante de um contrato foi induzido a erro, é de
quatro anos o prazo de decadência para buscar a anulação do negócio jurídico com
fundamento no dolo, contando-se o prazo do dia em que o contrato foi celebrado (artigo 178, II
do Código Civil). Se a parte enganada não exercer nesse prazo o seu direito potestativo
de anular o negócio jurídico, perecerá o seu direito, em virtude da decadência.
REGRAMENTO LEGAL
Como visto no tópico “Regramento legal”,sobre a prescrição, o Código Civil adotou a diretriz
da operabilidade, buscando facilitar a identificação de quais prazos seriam considerados como
prescricionais e quais seriam decadenciais. Veja mais a seguir:
As regras relativas à prescrição e aos prazos prescricionais estão contidas na Parte Geral,
nos artigos 189 a 206.
As regras sobre decadência e sobre prazos decadenciais constam nos arts. 207 a 211 da
Parte Geral e também estão presentes na Parte Especial.
 COMENTÁRIO
Raramente, prazos decadenciais foram disciplinados na Parte Geral e, quando assim se
procedeu, identificou-se expressamente, como verificado no artigo 119, que estabelece o prazo
decadencial de 180 dias para pleitear-se a anulação do negócio concluído pelo representante
em conflito de interesses com o representado.
Como exemplos de prazos decadenciais constantes na Parte Especial do Código Civil, pode-se
citar:
Na seção sobre vícios redibitórios, o artigo 446, segundo o qual o adquirente deve denunciar o
defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência.
Na seção sobre contrato de transporte, há o artigo 745, que disciplina o prazo de cento e vinte
dias para o transportador ajuizar ação para obter indenização pelos danos decorrentes da
informação inexata ou falsa constante da relação de coisas a serem transportadas, a qual é
elaborada por seu remetente.
CONCEITO
A decadência é a perda de um direito potestativo pela inércia de seu titular em exercê-lo no
prazo estabelecido. Dito de outro modo: é a extinção de direito potestativo em virtude do
não exercício por seu titular.
A decadência não se confunde com a prescrição, embora as figuras se aproximem em virtude
de envolverem o impacto da passagem do tempo e a inação do titular de um direito. Veja mais
a seguir:
A DECADÊNCIA LEVA AO PERECIMENTO DE UM DIREITO POTESTATIVO.

A PRESCRIÇÃO ENCOBRE A PRETENSÃO DERIVADA DE UM DIREITO
SUBJETIVO.
Além disso, o curso do prazo decadencial obedece a regras diversas das que examinamos ao
abordar a prescrição, como veremos adiante.
FUNDAMENTO
O fundamento da decadência é, geralmente, apontado como a necessidade de se obter
certeza e segurança nas relações jurídicas. Segundo Agnelo Amorim Filho, foi necessário
estabelecer um prazo para o exercício de certos direitos potestativos, pois o seu não exercício
“concorre de forma mais acentuada para perturbar a paz social”.
 EXEMPLO
Nesse sentido, exemplifica o direito de preferência; o direito de promover a anulação do
casamento etc. (AMORIM FILHO, 1997).
Existe, contudo, entendimento diferente. Para Caio Mário da Silva Pereira, o “fundamento da
decadência é não se ter o sujeito utilizado de um poder de ação, dentro dos limites temporais
estabelecidos à sua utilização”. Em sua visão, os direitos potestativos carregam “o germe da
própria destruição”, de modo que o fundamento da decadência estaria conectado a essa
peculiaridade inerente ao direito que acaba perecendo em virtude de não ter havido o seu
exercício no período preestabelecido (PEREIRA, 2020, p. 581).
REGRAS ESPECIAIS
REGRAS CONCERNENTES AO PRAZO
O prazo decadencial começa a fluir no momento em que o direito nasce, surgindo,
simultaneamente, direito e termo inicial (AMARAL, 2018, p. 687), o que, como visto, não
ocorre na prescrição. Veja o comparativo a seguir:
Decadência
Se opera de modo fatal.

Prescrição
Prazo sujeito à interferência de causas impeditivas, suspensivas e interruptivas.
É o que está no artigo 207 do Código Civil: ressalvadas as hipóteses em que a lei disciplinar,
as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição não se aplicam à
decadência. Em outras palavras, apenas por exceção legal é que o curso do prazo
decadencial se submeterá a óbices.
Nesse sentido, o artigo 208 ilustra uma hipótese em que, por determinação em lei, impede-se a
fluência do prazo decadencial. Segundo tal artigo, são aplicáveis à decadência o disposto nos
artigos 195 e 198, inciso I. Esse último artigo disciplina que o prazo prescricional não flui contra
os absolutamente incapazes, razão pela qual também restará impedido o curso do prazo
decadencial contra os absolutamente incapazes.
 EXEMPLO
Outra causa que obsta o curso normal do prazo decadencial consta no artigo 26, § 2º do
Código de Defesa do Consumidor. Esse artigo prevê prazo decadencial para que o consumidor
exerça o direito de reclamar o término ou a alteração do negócio jurídico em que foi verificado o
vício no produto ou no fornecimento de serviço, determinando que a reclamação formulada
pelo consumidor perante o fornecedor obsta a decadência até a resposta negativa (inciso I). De
modo semelhante, a instauração de inquérito civil obsta a decadência (inciso III).
O prazo decadencial pode ter origem legal ou convencional. Veja mais a seguir:
DECADÊNCIA LEGAL
DECADÊNCIA CONVENCIONAL
DECADÊNCIA LEGAL
É, por óbvio, aquela fixada em lei, como é a hipótese do já referido artigo 446 do Código Civil.
DECADÊNCIA CONVENCIONAL
Decorre do exercício da autonomia privada (isto é, as partes podem pactuar prazos
decadenciais para o exercício de direitos), desde que se trate de matéria disponível e não se
configure, de algum modo, fraude aos ditames legais (AMARAL, 2018, p. 687).
É o que acontece quando as partes, por exemplo, estipulam um prazo para o exercício do
direito de arrependimento, isto é, para o desfazimento do negócio.
REGRAS CONCERNENTES À RENÚNCIA
Na decadência convencional, admite-se a renúncia pelas partes. O titular do direito potestativo
pode exercê-lo mesmo após a ultrapassagem do prazo estabelecido para tanto, como se
depreende do artigo 209 do Código Civil, que veda apenas a renúncia à decadência legal.
Segundo o artigo 209, a decadência legal é irrenunciável.
Segundo Humberto Theodoro Júnior, se o prazo para o exercício do direito potestativo é fixado
em lei, a norma deve ser tratada como de ordem pública, o que justifica a vedação legal à
renúncia pelas partes (THEODORO JÚNIOR, 2018, p. 354). Esse argumento também serve
como justificativa para o fato de que a:
DECADÊNCIA LEGAL
Deve ser suscitada de ofício pelo juiz (artigo 210 do Código Civil).
DECADÊNCIA CONVENCIONAL
Deve ser arguida, em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita (artigo 211 do
Código Civil).
É interessante registrar aqui algumas notas comparativas entre prescrição e decadência.
Em se tratando de prescrição, não há a possibilidade de as partes alterarem os prazos
prescricionais (artigo 192 do Código Civil). Além disso, observadas certas condicionantes
(artigo 191 do Código Civil), a prescrição pode ser renunciada. Ou seja, aquele que se
beneficia com a exceção da prescrição (o devedor) pode escolher não a exercer.

Na decadência, observados os limites já expostos, admite-se a pactuação de prazo
convencional. Quanto à renúncia, admite-se apenas àquela fixada de modo convencional,
sendo nula a renúncia à decadência legal (artigo 209 do Código Civil).
 RESUMINDO
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Decadência é a perda de um direito potestativo pela inércia de seu titular em exercê-lo no
prazo estabelecido.
Diferentemente da prescrição, a noção central é a de direito potestativo. Não cabe falar
em pretensão.
O prazo decadencial sofre interferência em seu curso quando houver previsão legal.
A decadência pode ser qualificada como convencional ou legal.
O REGRAMENTO DA DECADÊNCIA
No vídeo a seguir, veja a análise da professora Giovana Benetti sobre as principais regras de
decadência.
EFEITOS
A decadência leva à extinção do direito potestativo e, consequentemente, põe fim ao estado de
sujeição.
Como disse Agnelo Amorim Filho (1997), “o efeito imediato da decadência é a extinção do
direito”, pois a intranquilidade social está ligada, segundo o autor, à possibilidade de o direito
vir a ser exercido.
Se, mesmo com a fixação de um prazo em lei, o direito “sobrevivesse”, “a situação de
intranquilidade continuaria de pé” (AMORIMFILHO, 1997).
 COMENTÁRIO
Nessa hipótese, não haveria sentido em fixar a decadência legal, pois a situação de incerteza
remanesceria. Isso porque o outro sujeito ficará em estado de sujeição, devendo acatar a
consequência do exercício do direito potestativo independentemente de sua vontade. Por essa
razão, a decadência, diferentemente da prescrição, acarreta a extinção do direito potestativo.
Vencido o estudo da decadência, passaremos para o próximo tópico, também disciplinado na
Parte Geral do Código Civil: a prova.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 3
 Relacionar a disciplina da prova contida no Código Civil e no Código de Processo Civil
DA PROVA
O termo prova comporta diferentes definições:
DEFINIÇÃO 1
É utilizado para designar os meios que podem ser empregados para demonstrar a existência
de um fato jurídico, isto é, um documento ou o depoimento de uma testemunha.
DEFINIÇÃO 2
É empregado para referir o conjunto de atividades voltadas à verificação das alegações de
fatos relevantes para o julgamento (ou seja, as atividades que possibilitem ao julgador formar o
seu convencimento sobre a ocorrência do fato).
A matéria relativa à prova é tratada no Código Civil em sua Parte Geral, logo após a
abordagem da prescrição e da decadência. O assunto é disciplinado em Título próprio (“Da
Prova”), sendo tratado nos artigos 212 a 232.
 SAIBA MAIS
Essa é uma diferença importante em relação ao Código Civil de 1916, o qual regulava o
assunto juntamente com a forma dos atos jurídicos. Como veremos, prova e forma não se
confundem, de modo que é mais adequada a abordagem da temática da prova em título
próprio.
A disciplina da prova não está restrita ao Código Civil. Como a matéria é situada na fronteira
entre o Direito Civil e o Processo Civil, há regras sobre prova, igualmente, no Código de
Processo Civil, nos artigos 369 a 485.
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Costuma-se dizer que cabe ao Direito Civil regular os meios de prova e que, ao Direito
Processual, cabe a disciplina para a produção e a apreciação da prova em juízo.
 DICA
Percebe-se que o estudo da prova é relevante para a sua atuação profissional, pois os meios
de prova servem para demonstrar a existência dos fatos jurídicos, de modo que compreender a
sua disciplina auxilia na resolução de problemas concretos, como, por exemplo, o de saber se,
para a comprovação de um determinado fato, é admissível a apresentação de troca de
mensagens eletrônicas (e-mails).
Para desenvolvermos o estudo da prova, primeiro trataremos da sua definição.

Na sequência, aprofundaremos o exame de sua disciplina a partir da interação entre as regras
do Código Civil e do Código de Processo Civil, sendo que o foco da abordagem recairá sobre
as normas de Direito Civil.

Por fim, abordaremos os meios de prova.
DEFINIÇÃO
Sobre prova e forma, veja as definições a seguir:
PROVA
É o conjunto dos meios que podem ser empregados para demonstrar a existência de um fato
jurídico (BEVILAQUA, 2001, p. 330). Por exemplo, para comprovar a ocorrência de um fato
jurídico pode-se utilizar todos os meios hábeis para tanto, desde que lícitos, como a prova
testemunhal e um documento público.
FORMA
É o meio pelo qual a declaração de vontade é exteriorizada, ou seja, é o aspecto exterior da
declaração de vontade, por meio do qual esta se revela. A forma pode ser escrita, oral, gestual
etc.
Em nosso sistema, vigora o princípio da liberdade das formas, ou seja, a declaração de
vontade, via de regra, não depende de forma especial, ser eleita a forma que mais aprouver
aos figurantes. É o que está no artigo 107 do Código Civil.
Contudo, se a lei exigir, expressamente, uma forma especial, é necessário observá-la, como
nos seguintes casos:
Contrato de fiança em que se requer a forma escrita (artigo 819)
Contrato de compra e venda de imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário-mínimo
vigente no país em que se exige instrumento público (artigo 108).
 ATENÇÃO
Vale recordarmos que, segundo o artigo 166, inciso IV, será nulo o negócio jurídico que não
observar a forma prescrita em lei.
Há pertinência entre o tema da prova e o da forma, todavia não se pode confundir ambas as
figuras. Veja mais a seguir:
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A percepção no meio social é a de que a forma pode servir como fonte de prova ao envolver a
exteriorização da declaração da vontade (TEPEDINO; OLIVA, 2020, p. 250).

O termo “prova” também é empregado para designar o conjunto de atividades voltadas à
verificação das alegações de fatos relevantes para o julgamento.
Como está no artigo 369 do Código de Processo Civil, “para provar a verdade dos fatos em que
se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz”, é assegurado às
partes o direito de empregar todos os meios legais. Como podemos perceber, essa definição
está mais conectada à perspectiva do Direito Processual Civil.
Como a abordagem da temática da prova neste módulo tem como perspectiva principal o
Direito Civil, a definição que norteará o nosso estudo é aquela segundo a qual a prova é
conjunto dos meios empregados para a comprovação da existência de um fato jurídico.
PROVA NO CÓDIGO CIVIL E NO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL
A disciplina da prova encontra-se, como referido na introdução a este módulo, na fronteira
entre as normas de Direito Material e de Direito Processual. Por isso, é importante identificar as
linhas divisórias na matéria.
DIREITO CIVIL
Cabem (i) a disciplina dos meios de prova, (ii) a indicação de quais atos podem ser
evidenciados por um determinado tipo de prova e (iii) a definição dos requisitos que o meio de
prova deve apresentar (PEREIRA, 2020, p. 498). Vejamos exemplos de cada uma dessas
hipóteses: 
 
O Código Civil elenca, no artigo 212, (i) meios de prova pelos quais um fato jurídico pode ser
provado, salvo se for exigida forma especial: confissão, documento, testemunha, presunção ou
perícia. Já o artigo 646 prevê (ii) que o contrato de depósito será provado por escrito.
Finalmente, o artigo 215, § 1º, prevê uma série de requisitos mínimos para a escritura pública
(iii), dentre os quais estão a data e o local de sua realização; o reconhecimento da identidade e
da capacidade das partes, bem como a indicação de quantos hajam comparecido ao ato; o
nome, a nacionalidade, o estado civil, a profissão, o domicílio e a residência das partes e
demais comparecentes; entre outros.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Por sua vez, incumbe estabelecer os preceitos que regem a apreciação da prova em juízo e a
técnica para apresentá-la ao julgador (PEREIRA, 2020, p. 497). 
 
Por exemplo, o artigo 369 do Código de Processo Civil prevê que o juiz deve, de ofício ou a
requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito e que, ao
julgador, também cabe admitir a prova produzida em outro processo, atribuindo o valor que
considerar adequado (artigo 371). 
 
Além disso, o Direito Processual Civil define a quem incumbe o ônus da prova (artigo 373),
determinando caber ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à
existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 
 
Vale referir, ainda, que o Código de Processo Civil estabelece quais fatos não dependem de
prova (artigo 374) e define como se dá a produção de prova documental (artigo 434 e
seguintes), além de tantas outras regras constantes no Capítulo XII do Título I do Livro I da
Parte Especial.
 ATENÇÃO
É importante estar ciente de que existe controvérsia sobre a natureza das regras sobre prova,
pois, na visão da maioria dos processualistas contemporâneos, “as regras sobre prova são de
natureza processual, já que apenas no processo têm a sua eficácia própria” (MARINONI, 2011,
p. 382).
Contudo, existem situações em que não é ajuizada uma demanda e os figurantes utilizam os
diferentes meios de prova para a demonstração de fatos jurídicos. Basta pensarmos que, fora
do ambiente judicial,existe a seguinte possibilidade:
Um cidadão pode procurar meios de comunicação para realizar denúncia sobre a poluição
ambiental causada por uma fábrica

Para tanto, envia a gravação de um vídeo que demonstra o momento em que os produtos
tóxicos são lançados no rio.
Ou seja, nesse cenário, há um documento (a gravação em vídeo) que pode ser usado
para comprovar um fato jurídico, sem ter sido ajuizada uma demanda.
 RESUMINDO
Em conclusão, ao Direito Civil compete a disciplina de quais meios de prova os interessados
podem utilizar para comprovar a existência de um fato jurídico e, ao Direito Processual Civil,
cabe endereçar as regras de produção e de apreciação das provas em juízo.
MEIOS DE PROVA
O Código Civil contém, no artigo 212, rol de meios de prova pelos quais um fato jurídico com
forma livre pode ser provado. Trata-se de rol exemplificativo, pois são admitidos outros meios
de prova ali não elencados, desde que lícitos, como prevê o artigo 369 do Código de Processo
Civil.
Constam, no artigo 212 do Código Civil, os seguintes meios de prova:
Confissão
Documento
Testemunha
Presunção
Perícia
Cabe examiná-los a partir de agora.
CONFISSÃO
A confissão é disciplinada nos artigos 389 a 395 do Código de Processo Civil. Consiste no
reconhecimento de um fato contrário ao interesse de quem confessa e favorável ao de seu
adversário.
Para ser eficaz, a confissão deve ser proveniente de quem seja capaz de dispor do direito a
que os fatos confessados se referem e, se for realizada por um representante, somente
produzirá efeitos nos limites do quanto o representante pode vincular o representado (artigos
213 e 214 do Código Civil; artigo 392 do Código de Processo Civil). É necessário que os
poderes para confessar constem expressamente no instrumento de representação, pois, caso
contrário, a confissão será considerada como ato jurídico ineficaz (MENKE, 2019, p. 353).
A confissão pode ser:
JUDICIAL
Se obtida a partir de depoimento prestado em juízo
EXTRAJUDICIAL
Se não for obtida em juízo
ESPONTÂNEA
Quando é feita pela própria parte ou por representante com poder especial
PROVOCADA
Quando consta do termo do depoimento pessoal, como está no artigo 390 do Código de
Processo Civil
A confissão é irrevogável, isto é, não se admite arrependimento ou retratação.
Todavia, a confissão pode ser anulada se tiver decorrido de erro de fato ou houver sido obtida
mediante dolo ou coação (artigo 214 do Código Civil; artigo 393 do Código de Processo Civil).
DOCUMENTO
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Documento é todo “suporte material, físico ou eletrônico, de registro de um fato ou de uma
manifestação de vontade” (TEPEDINO; OLIVA, 2020, p. 255).
 EXEMPLO
Escritos, fotografias e vídeos são considerados documentos.
Há documentos públicos e particulares. Veja mais sobre cada um deles a seguir:
DOCUMENTOS PÚBLICOS
Os documentos produzidos por agentes públicos, observando as suas competências e as
formalidades legais, são documentos públicos. Se o documento não observar essas
particularidades, o artigo 407 do Código de Processo Civil prevê que, assinado pelas partes, tal
documento terá a mesma eficácia probatória do documento particular. 
 
O documento público serve como prova de sua formação e, igualmente, dos fatos que o agente
público declarar terem ocorrido em sua presença (artigo 405 do Código de Processo Civil). 
 
São exemplos de documentos públicos a escritura pública (artigo 215 do Código Civil) e a ata
notarial. Ata notarial é aquela lavrada por tabelião e que se presta a atestar ou documentar
algum fato, nos termos do artigo 384 do Código de Processo Civil.
DOCUMENTOS PARTICULARES
Os documentos particulares são produzidos pelos interessados no âmbito de relações
privadas. De acordo com o artigo 221 do Código Civil, o instrumento particular assinado
comprova as obrigações de qualquer valor, mas os seus efeitos apenas repercutirão sobre
terceiros se for registrado no registro público.
Há, ainda, os documentos eletrônicos, os quais são confeccionados com o auxílio de
sistemas de informática, como e-mails, formulários de páginas da web (MENKE, 2019, p. 349).
O valor probatório desse tipo de documento tem sido reconhecido, desde que “seja apto a
conservar a integridade de seu conteúdo e idôneo a apontar sua autoria, independentemente
da tecnologia empregada” (Enunciado 297 da IV Jornada de Direito Civil).
O Código de Processo Civil trata dos documentos eletrônicos nos artigos 439 a 441.
TESTEMUNHA
Testemunha é um terceiro, estranho ao processo, que depõe sobre o que sabe a respeito dos
fatos em discussão na lide.
O Código Civil elenca, no § 1º do artigo 228, quem não pode ser admitido como testemunha e
a matéria também é tratada no artigo 447 do Código de Processo Civil. A prova testemunhal é
regulada, ainda, nos artigos 442 a 463 do Código de Processo Civil.
Trata-se de prova sempre admissível, exceto se a lei previr de modo diverso (artigo 442 do
Código de Processo Civil).
 EXEMPLO
A lei determina que, no inventário e na partilha, os fatos relevantes devem ser provados por
documento (artigo 612 do Código de Processo Civil), o que permite concluir não ser admitida a
prova testemunhal. 
 
Além disso, a lei prevê que, o contrato de depósito voluntário deve ser provado por escrito,
como já mencionado. Nesta última hipótese, a prova testemunhal será admissível se houver
começo de prova por escrito (artigo 444 do Código de Processo Civil).
Vale referir, ainda, que a prova testemunhal é admissível independentemente do valor do
negócio jurídico. O Código de Processo Civil revogou o caput do artigo 227 do Código Civil,
que admitia a prova testemunhal apenas para os negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse
determinado montante. Permanece em vigor o parágrafo único do artigo 227 do Código Civil, o
qual estabelece que “qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é
admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito”.
PRESUNÇÃO
Presunção é a ilação retirada a partir da reiteração de fatos conhecidos a fim de comprovar um
fato desconhecido. Ou seja, parte-se da “convicção da ocorrência de determinado fato
conhecido” para, “por dedução lógica, inferir a existência de outro” (MENKE, 2019, p. 352).
Para Caio Mário da Silva Pereira, não se trata, propriamente, de uma prova, mas de um
processo lógico destinado a atingir a verdade legal (PEREIRA, 2020, p. 511). Apesar disso, a
presunção consta no rol do artigo 212 do Código Civil como meio de prova.
As presunções classificam-se em comuns ou legais; e as legais podem ser absolutas ou
relativas. Veja mais sobre isso a seguir:
A presunção comum é a dedução feita pelo juiz, no contexto de um caso concreto, com base
em certo fato para concluir pela ocorrência de outro fato.

A presunção legal é prevista em lei e se baseia naquilo que normalmente acontece, podendo
admitir prova em contrário (presunção relativa) ou não (presunção absoluta).
Sobre a presunção legal, vamos pensar em dois exemplos:
PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA
A entrega do título ao devedor acarreta a presunção de pagamento, conforme disposto no
artigo 324 do Código Civil. Contudo, admite-se prova em contrário: se o credor provar, em
sessenta dias, a falta do pagamento, ficará sem efeito a quitação, nos termos do parágrafo
único do artigo 324. Como a presunção está prevista no Código Civil e admite prova em
contrário, estamos diante de presunção legal relativa.
PRESUNÇÃO LEGAL ABSOLUTA
Se o proprietário abandonar imóvel situado em zona rural com a intenção de não mais o
conservar em seu patrimônio, essa intenção será presumida de modo absoluto se os atos de
posse cessarem e o proprietário deixar se satisfazer os ônus fiscais, em conformidade com o
artigo 1.2176, § 2º do Código Civil. Aqui temos outra presunção disciplinada no Código Civil, a
qual se dá de modo absoluto e, portanto, não comporta prova em sentido contrário. Portanto,temos uma presunção legal absoluta. 
 
A respeito da presunção legal absoluta, é importante atentar para o artigo 374 do Código de
Processo Civil, que estabelece não dependerem de prova os fatos relativamente aos quais
milita presunção legal de existência ou de veracidade (inciso IV).
PERÍCIA
A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação, nos termos do artigo 464 do Código
de Processo Civil. A perícia é necessária diante de fato que requeira conhecimento técnico
para ser apreendido, ou seja, que dependa de conhecimento especial não exigível do homem
médio e do juiz (MARINONI, 2011, p. 792).
O perito é quem realiza a prova pericial, sendo nomeado pelo juiz (artigo 465 do Código de
Processo Civil).
A prova pericial é regulada pelos artigos 464 a 480 do Código de Processo Civil e pelos artigos
231 e 232 do Código Civil.
 RESUMINDO
A disciplina da prova encontra-se na fronteira entre as normas de Direito Material e de
Direito Processual.
O Direito Processual Civil cuida das regras de produção e de apreciação das provas em
juízo.
Os meios de prova previstos no artigo 212 do Código Civil são confissão, documento,
testemunha, presunção ou perícia.
OS MEIOS DE PROVA
No vídeo a seguir, veja a análise da professora Giovana Benetti sobre os meios de prova.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como vimos, a prescrição, a decadência e a prova são temas tratados, primordialmente, na
Parte Geral do Código Civil. 
A prescrição e a decadência são figuras relacionadas com os impactos do decurso do tempo
nas situações e nas relações jurídicas e desempenham papel importante no ordenamento, na
medida em que visam a assegurar a certeza no ambiente social. 
A prescrição encobre a pretensão (isto é, o poder exigir), e não extingue o direito substantivo
que restou violado. Para a ocorrência da prescrição, a inércia do interessado deve ser
prolongada, e não momentânea. O curso do prazo prescricional tem início com o nascimento
da pretensão e pode sofrer a interferência de causas impeditivas, suspensivas ou interruptivas. 
Já a decadência é a perda de um direito potestativo pela inércia de seu titular em exercê-lo no
prazo estabelecido. O direito potestativo é exercido unilateralmente por seu titular, de modo
que não cabe falar em sua violação e, consequentemente, não cabe falar em pretensão. 
Quando se estabelece um prazo para o exercício do direito potestativo, o prazo é decadencial
e começa a fluir no momento em que o direito nasce. Via de regra, o curso do prazo
decadencial não estará sujeito a causas impeditivas, suspensivas e interruptivas.
O último assunto abordado foi a prova. Como vimos, esse é um termo que comporta diferentes
definições. Segundo a perspectiva que norteou o nosso estudo, prova é o conjunto dos meios
empregados para a comprovação da existência de um fato jurídico. 
A disciplina da prova encontra-se na fronteira entre as normas de Direito Material e de Direito
Processual. Cabe ao Direito Civil a disciplina de quais meios de prova os interessados podem
utilizar para comprovar a existência de um fato jurídico, como está no artigo 212 do Código
Civil. Já ao Direito Processual Civil cabe disciplinar as regras de produção e de apreciação das
provas em juízo, como se verifica nas regras constantes no Capítulo XII do Título I do Livro I da
Parte Especial.
 PODCAST
Agora com a palavra, a professora Giovana Benetti, comentando sobre prescrição, decadência
e prova. Vamos ouvir!
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
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THEODORO JÚNIOR, H. Prescrição e Decadência. 1. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018. p.
16, 19, 30.
EXPLORE+
Para aprofundar seu conhecimento, leia o livro A juízo do tempo: estudos atuais sobre
prescrição, com coordenação de Márcia Celina Bodin de Moraes Gisela Sampaio da
Cruz Guedes e Eduardo Nunes de Souza, publicado pela editora Processo em 2019.
Leia também o artigo A evolução da prova entre o direito civil e o direito processual
civil, de Gustavo Tepedino e Francisco de Assis Viégas, publicado na Pensar Revista de
Ciências Jurídicas (v. 2, n. 2, maio-ago. 2017, p. 551-566.
Consulte, no site do Conselho da Justiça Federal, os Enunciados citados nos módulos:
Enunciado 14 da I Jornada de Direito Civil; Enunciado 296 da IV Jornada de Direito
Civil; Enunciado 297 da IV Jornada de Direito Civil.
CONTEUDISTA
Giovana Valentiniano Benetti
 CURRÍCULO LATTES
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