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Portal Secad- IMERSÃO EM ÁGUA FRIA NA RECUPERAÇÃO

Artigo sobre imersão em água fria na recuperação pós-exercício que traz introdução e objetivos, histórico da técnica, fundamentos fisiológicos, revisão das evidências científicas e análise da evolução das publicações (aumento desde 2007; pico em 2009; auge em 2014).

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26/07/2019 Portal Secad
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IMERSÃO EM ÁGUA FRIA NA RECUPERAÇÃO
PÓS-EXERCÍCIO
CARLOS MARCELO PASTRE
FRANCIELE MARQUES VANDERLEI
ARYANE FLAUZINO MACHADO
■ INTRODUÇÃO
A otimização do processo de recuperação pós-exercício pode permitir que atletas de elite ou amadores sejam capazes de experimentar
menos fadiga durante o exercício, possibilitando maior carga de treinamento e potencializando seus efeitos. Para tanto, a crioterapia
aparece como uma das principais estratégias.
Howatson e van Someren apontam-na como um recurso atrativo para aliviar os sinais e sintomas do dano muscular induzido por exercício.
Hohenauer e colaboradores analisaram, por meio de revisão sistemática e metanálise, os efeitos de diferentes aplicações da crioterapia na
recuperação pós-exercício e identificaram que mais de 76% dos estudos incluídos optaram pela técnica de imersão em água fria.
Além de ser amplamente investigada por pesquisadores, a crioterapia é considerada a mais popular técnica de recuperação pós-exercício na
prática clínica. Seu uso iniciou-se com atletas de alto rendimento e tem aumentado popularmente entre os esportes amadores, por se tratar
de uma técnica rápida, de baixo custo e facilmente realizada em diferentes situações. Portanto, merece ser descrita, conforme será feito
neste artigo, em detalhes, desde a fisiologia até as evidências mais recentes a seu respeito.
■ OBJETIVOS
Ao final da leitura do artigo, o leitor será capaz de:
 
conhecer a evolução da aplicação da imersão em água fria ao longo dos anos;
identificar os principais efeitos fisiológicos proporcionados pela imersão em água fria na recuperação pós-exercício;
identificar as principais evidências científicas relacionadas à imersão em água fria na recuperação pós-exercício;
comparar os efeitos deletérios e o efeito placebo da técnica;
escolher a estratégia de uso ideal para cada desfecho que se objetiva recuperar.
■ ESQUEMA CONCEITUAL
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Pesquisa Estendida
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■ HISTÓRICO DA IMERSÃO EM ÁGUA FRIA
Para introduzir o tema, será realizado um breve histórico sobre o uso da imersão em água como agente de recuperação.
Egito, Babilônia e Grécia antiga apresentam registros pictóricos de banhos no contexto da saúde, e a Roma dos gladiadores também
considerava a terapia por banhos como medida terapêutica.
Entretanto, os primeiros registros científicos do uso da água como medida terapêutica aparecem por volta do ano de 1797, período no qual o
Dr. James Currie teve publicado um de seus trabalhos referentes às suas opiniões e experiências com o uso da água no tratamento de
doenças em Liverpool, Reino Unido. Tal estudo foi traduzido para várias línguas, e sua quarta edição, no ano de 1805, tornou-se a mais
divulgada, popularizando assim o uso dos banhos terapêuticos. Na base de dados PubMed/Medline, as evidências aparecem apenas por
volta do ano de 1899.
O estudo de Gordon, intitulado The uses and abuses of hydrotherapy, publicado em 1928 pelo periódico The British Medical Journal,
especulou os fundamentos do banho de água fria pela primeira vez e discutiu efeitos como:
 
a constrição dos vasos superficiais;
a estimulação das terminações nervosas;
o aumento reflexo no trato respiratório e na taxa de pulso;
a eliminação de toxinas por meio da diurese;
o aumento da troca metabólica geral.
O estudo ainda apresenta os efeitos causados pela pressão hidrostática, como o aumento da circulação periférica.
Apesar de terem sido observados diversos efeitos fisiológicos sobre os sistemas do corpo, apenas na década de 1960 apareceram os
primeiros registros do uso da técnica como recuperação pós-exercício. Clarke investigou o efeito da imersão em água fria na recuperação
da contração voluntária isométrica máxima das mãos em 30 participantes após protocolo de fadiga e não observou diferenças no
desempenho. Mais tarde, na década de 1980, é retomado o interesse pelo tema; porém, apenas na década de 1990 há uma periodicidade de
publicação, marcada por estudos de alta qualidade, que são utilizados como referência até os dias atuais.
A Figura 1, elaborada a partir de busca na base de dados PubMed/Medline com termos relacionados com a imersão em água, como no
estudo de Machado e colaboradores, demonstra a quantidade de publicações envolvendo a aplicação da imersão em água fria na
recuperação pós-exercício em seres humanos ao longo dos anos. É possível observar um expressivo aumento nas publicações a partir do
ano de 2007, apresentando pico em 2009 e seu auge em 2014.
 
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Figura 1 – Evolução científica da imersão em água fria na recuperação pós-exercício.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
Tal ascensão no número de publicações parece ser consequência de uma prática clínica cada vez mais comum. A utilização da hidroterapia
como técnica no tratamento fisioterapêutico tem sido sugerida desde 1950, e tornou-se realidade nas últimas décadas.
No âmbito esportivo, Lopes e colaboradores apontaram que a crioterapia foi a terceira técnica mais realizada (17,2% de todos os
procedimentos) no departamento médico do Comitê Olímpico Brasileiro durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, que aconteceu no Rio
de Janeiro, Brasil.
No cenário mundial, Grant e colaboradores descreveram o espaço destinado à imersão em água fria da Policlínica dos Jogos Olímpicos de
Londres em 2012 e destacaram o papel da fisioterapia nesse evento. O estudo aponta que, dentre as diferentes opções de tratamento
utilizadas, a crioterapia foi uma das cinco modalidades mais frequentemente aplicadas, sendo responsável por 6,9% do total de tratamentos.
Além dos diferentes diagnósticos, como lesão muscular, lesão articular, entre outros, os fisioterapeutas relataram também a importância de
intervenções para atletas sem características de lesão, evidenciando a necessidade de assistência no processo de recuperação. Nesse
caso, a crioterapia foi responsável por 11% de todas as técnicas, sendo a mais utilizada. Deve-se enfatizar que, em ambos os estudos, o
tipo de técnica da crioterapia adotada não foi especificado, podendo abranger outras técnicas além da imersão em água fria.
De maneira geral, a imersão em água fria consiste na aplicação de gelo em um reservatório, como tanques ou piscinas cheias de
água, no qual o atleta deverá permanecer por um período estipulado. Essa técnica pode ser definida como a imersão de parte do
corpo em água a temperatura igual ou inferior a 15ºC.
Wilcock, Cronin e Hing atribuíram essa definição à temperatura na qual é iniciada a sensação dolorosa causada pelo frio. No entanto,
estudos mais antigos já atribuíram os diferentes efeitos fisiológicos abordados anteriormente quando aplicado o banho de água fria a 60°F,
ou seja, 15ºC.
Ainda que haja divergências quanto a sua aplicação, observa-se que a imersão em água fria tem sido comumente utilizada no processo
de recuperação pós-exercício no esporte, e seus efeitos têm sido o foco de diversas evidências científicas.
As Figuras 2 e 3, a seguir, apresentam, respectivamente, a aplicação da imersão em água fria em reservatório plástico e em tanque.
 
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Figura 2 – Aplicação da imersão em água fria em reservatório plástico.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
 
Figura 3 – Aplicação da imersão em água fria em tanque.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
■ EFEITOS FISIOLÓGICOS DA IMERSÃO EM ÁGUA FRIA
A imersão em água fria é uma técnica recuperativa amplamente utilizada como estratégia de recuperação pós-exercício. É
considerada um método nas rotinas diárias dos esportes de alto rendimento no intuito de facilitar e acelerar o retorno às condições
iniciais do atleta, seja nos treinamentos ou nas competições.
Em tese, o processo de imersão emágua fria pode ser obtido como resultado da própria resposta do organismo ao estímulo do frio, da
imersão ou da associação de ambos. Entretanto, a escassez de estudos para responder a essas questões deixa lacunas a serem
preenchidas.
Os achados de Broatch e colaboradores sugeriram que a imersão em água fria nada mais é do que um efeito placebo. De acordo com os
autores, a imersão em água placebo após um treinamento intervalado de alta intensidade é superior na recuperação pós-exercício do
desfecho força muscular ao longo de 48 horas em comparação à imersão em água termo-neutra e é tão eficaz quanto a imersão em água
fria. Esse fato pode ser atribuído às melhoras observadas no escore obtido do questionário sobre prontidão física, dor e vigor, sugerindo,
assim, que os benefícios fisiológicos são pelo menos em parte relacionados com o efeito placebo.
Independentemente de qualquer papel fisiológico, treinadores e/ou pesquisadores do esporte devem educar seus atletas sobre os
benefícios da recuperação pós-exercício e também encorajar a crença nessa prática.
Os aspectos apontados, acerca do efeito placebo, reforçam a falta de pesquisas sobre as respostas fisiológicas. No entanto, não se podem
descartar hipóteses levantadas a partir de condições teóricas clássicas, baseadas principalmente na termorregulação e nas respostas
hemodinâmicas e que devem ser consideradas para interpretar tanto observações empíricas quanto desfechos de pesquisas.
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O esquema contido na Figura 4, a seguir, mostra os principais efeitos fisiológicos observados com a utilização da imersão em água fria.
Figura 4 – Principais efeitos fisiológicos da imersão em água fria.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
Em termos gerais, os achados disponíveis na literatura sobre as respostas fisiológicas da imersão em água fria estão pautados na
termorregulação e nas respostas cardiovasculares.
Uma redução na temperatura tecidual a partir da temperatura da água e da pressão hidrostática da imersão pode reduzir ou atrasar a
resposta inflamatória após o exercício por redução do fluxo sanguíneo. Essas reduções no processo inflamatório pós-exercício estão
sendo associadas à diminuição da dor muscular de início tardio e ao aumento da percepção de recuperação.
Esses efeitos fisiológicos são descritos detalhadamente a seguir.
RESPOSTAS TERMORREGULATÓRIAS
A resposta inicial da imersão em água fria compreende uma gama de respostas iniciadas pela estimulação dos receptores cutâneos de frio
durante a redução rápida da temperatura da pele. A localização subepidérmica superficial desses receptores (cerca de 0,18 milímetros
abaixo da superfície da pele) explica a rapidez da resposta ao frio e por que o tecido gorduroso subcutâneo não protege contra ela.
A imersão em água fria provoca uma redução da temperatura corporal em decorrência do aumento do gradiente de transferência de
calor entre o corpo e o ambiente externo, sendo que o processo de termorregulação é um dos principais mecanismos envolvidos
nessa fase.
O processo de termorregulação é semelhante a muitos outros sistemas de controle fisiológico, em que o cérebro funciona por meio de
mecanismos de feedback para amenizar as variações ocorridas.
A percepção térmica aferente, a regulação central e a resposta eferente compõem os três estágios em que a informação
termorreguladora é processada.
Inicialmente, células termossensíveis distribuídas ao longo do corpo obtêm informações da temperatura quando ocorre a imersão do membro
em água fria, sendo os receptores de frio despolarizados com a diminuição da temperatura cutânea.
Essa informação dos receptores térmicos progride por meio das fibras C não mielinizadas e de fibras A delta pequenas mielinizadas até a
lamina superficial do corno dorsal da medula espinal. Em seguida, cruzam a linha média, dirigindo-se no sentido ascendente por meio do
trato espinotalâmico contralateral até à formação reticular pontina e os núcleos posterolateral ou ventrolateral do tálamo. Posteriormente,
essa informação progride para o hipotálamo.
A regulação central da temperatura é controlada pelo hipotálamo, o qual processa estímulos térmicos provenientes de suas vias aferentes e
promove uma integração no córtex cerebral para obter uma resposta termorregulatória. A porção anterior do hipotálamo é responsável por
integrar essas informações aferentes térmicas, sendo que é na área pré-óptica do hipotálamo que os neurônios que detectam o frio se
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localizam, ao passo que a porção posterior do hipotálamo é responsável pelas respostas efetoras que ocorrerão na sequência.
Desse modo, a redução da temperatura corporal desencadeia, por intermédio do hipotálamo posterior, uma resposta efetora. Essa resposta
efetora ocorre por meio dos mecanismos de produção de calor, também conhecidos como termogênese muscular, e principalmente pela
liberação de catecolaminas por via do sistema nervoso autônomo simpático e das glândulas suprarrenais.
Verifica-se, então, uma resposta mediada por catecolaminas, no sentido de contrapor a diminuição da temperatura corporal, a qual consiste
na vasoconstrição periférica e no aumento da frequência cardíaca, do débito cardíaco e da pressão arterial média. Além disso, ocorre
redução na atividade enzimática e uma ineficiência nas vias metabólicas na tentativa de manter a homeostase corporal.
Por condução, ocorre perda de calor ao longo dos tecidos expostos à crioterapia. Dessa forma, as respostas descritas resultam em
constrições sucessivas cujo efeito tende a cessar as respostas termorregulatórias, prevalecendo, ao longo de um tempo, a vasoconstrição
como característica mais evidente quanto à resposta terapêutica de longo prazo.
RESPOSTAS METABÓLICAS E CARDIOVASCULARES
A aplicação da imersão corporal em água fria pode beneficiar o processo de recuperação pós-exercício em curto prazo por meio da
atenuação da sobrecarga cardiovascular. Durante o exercício físico, o esforço cardiovascular é elevado, fazendo com que o fluxo sanguíneo
seja redirecionado da musculatura ativa para a circulação cutânea, a fim de dissipar calor e regular a temperatura.
O resultado do redirecionamento sanguíneo para a periferia reduz o volume de sangue central, causando diminuição no fluxo
sanguíneo muscular e, como consequência, pode prejudicar a oferta de oxigênio e desempenho. A imersão em água fria resulta em
uma rápida vasoconstrição cutânea, redirecionando o sangue para a circulação central. Esse processo potencializa a difusão de
líquidos, otimizando a nutrição tecidual.
Além disso, a diminuição da temperatura corporal resultante da imersão corporal em água fria reduz a demanda termorregulatória para
dissipação do calor e, portanto, limita a necessidade de reorientação do fluxo para a pele.
Uma consideração importante subjacente às respostas hemodinâmicas pós-exercício da imersão em água fria diz respeito à pressão
hidrostática da água. Pouco se sabe sobre a contribuição da pressão hidrostática da água para as respostas hemodinâmicas, apesar do seu
envolvimento na remoção de metabólitos a partir do músculo para a circulação central.
A imersão em água fria provavelmente induz redistribuição do fluxo sanguíneo periférico por meio da combinação da diminuição da
temperatura tecidual decorrente da temperatura da água e da compressão do membro ou de regiões corporais imersos por meio da pressão
hidrostática da água.
Uma comparação sistemática de protocolos envolvendo temperaturas diferentes e diversos níveis de imersão em água faz-se importante
para diferenciar entre os efeitos da temperatura da água e os da pressão hidrostática.
Por meio da temperatura e da pressão hidrostática da água, sugere-se que a imersão em água fria é capaz de acelerar a remoção de
metabólitos causados pelo exercício de alta intensidade, como o aumento da concentração de lactato sanguíneo e daatividade da creatina
quinase. Entretanto, há uma limitação nas evidências relacionadas a esses marcadores.
Estudos especulam, ainda, que a melhora do desempenho pode estar relacionada com outras alterações metabólicas, como a alteração
térmica. Nesse sentido, sabe-se que uma temperatura tecidual entre 10ºC e 15ºC é necessária para diminuir o metabolismo em mais de
50%, associando-se à diminuição no número de leucócitos, e, com isso, há uma condição desfavorável à instalação de um processo
inflamatório pós-exercício.
RESPOSTAS NA CONDUÇÃO NERVOSA
Após a pele, os próximos tecidos corporais a se esfriar são os nervos superficiais e os músculos. Isso pode causar incapacidade
significativa sob a forma de decréscimos na força muscular, na agilidade e na coordenação em um curto período de tempo.
O tecido nervoso abaixo de uma temperatura ideal faz com que a taxa de condução e a amplitude dos potenciais de ação sejam retardados,
impactando diretamente na potência muscular. As razões para essa diminuição na função muscular incluem:
 
redução da atividade enzimática;
diminuição da liberação da acetilcolina e do cálcio;
taxa mais lenta de difusão;
diminuição da perfusão muscular;
aumento da viscosidade;
redução das taxas de condução;
repolarização do potencial de ação.
A exposição ao frio pode aumentar a tolerância à dor, devido à diminuição na velocidade de condução nervosa, além da redução da
produção dos mediadores de dor com minimização em sua percepção Desse modo a imersão em água fria promove efeitos
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produção dos mediadores de dor, com minimização em sua percepção. Desse modo, a imersão em água fria promove efeitos
analgésicos que podem favorecer o processo de recuperação.
Abramson e colaboradores mostraram correlação linear entre a velocidade de condução nervosa e o grau de resfriamento do tecido.
Wilcock e colaboradores12 afirmaram que o resfriamento dos tecidos diminui a transmissão nervosa e, possivelmente, promove o aumento
do limiar da dor.
Macedo e colaboradores estudaram a resposta da condução nervosa do movimento de inversão de tornozelo após imersão em água fria de
4º±2ºC por 20 minutos e observaram diminuição do pico do sinal eletromiográfico dos músculos de MMII.
Em síntese, tem-se que a aplicação da imersão em água fria promove a estimulação dos receptores térmicos que utilizam a via
espinotalâmica lateral, uma das quais transmitem os estímulos dolorosos. Portanto, o resfriamento faz com que ocorra aumento na duração
do potencial de ação dos nervos sensoriais e, consequentemente, aumento do período refratário, acarretando diminuição na quantidade de
fibras que irão despolarizar no mesmo período de tempo. Conclui-se, então, que ocorre diminuição na frequência de transmissão do impulso
e na sensibilidade dolorosa.
RESPOSTAS AUTONÔMICAS
A função do sistema nervoso autônomo é considerada um importante marcador global da recuperação do atleta e de sua consequente
capacidade de treinar. Os índices que refletem a modulação parassimpática têm sido correlacionados significativamente com inúmeras
perturbações fisiológicas induzidas pelo exercício, incluindo mudanças em lactato sanguíneo e pH sanguíneo. Portanto, o controle da
evolução temporal na restauração da modulação autonômica cardíaca parassimpática parece ser um indicador da recuperação global, além
de poder ser uma ferramenta útil e não invasiva para avaliar facilmente esse estado ou a eficácia de intervenções recuperativas.
Tanto a imersão em água fria como a modulação autonômica cardíaca já são exploradas na recuperação pós-exercício. Após
exercício supramáximo, o desarranjo autonômico permanece elevado, em função da hipermodulação simpática e da quase
inexistente modulação parassimpática.
Estudos sugeriram que a imersão em água fria resulta em melhora na regulação autonômica cardíaca, mais especificamente na
melhora da recuperação de índices de variabilidade da frequência cardíaca relacionados à modulação parassimpática.
Existem algumas hipóteses para explicar os desfechos há pouco descritos:
 
o estímulo a barorreceptores centrais;
a resposta à redução de temperatura a partir da termorregulação.
Os barorreceptores, que são sensíveis às mudanças no volume sanguíneo, são estimulados pelo redirecionamento de fluxo sanguíneo da
periferia para a região torácica e pelo consequente aumento no volume sanguíneo central, devido à pressão hidrostática, o que induz a
redução da modulação simpática concomitantemente com a modulação parassimpática.
Já no caso da redução de temperatura, os termorreceptores na pele, os tecidos subcutâneos e os vasos sanguíneos são estimulados, o que
aumenta a vasoconstrição e o reflexo parassimpático cardíaco, além de potencializar o redirecionamento de fluxo, para proteção de órgãos
vitais.
Destaca-se que a análise da modulação autonômica cardíaca a partir dos índices da variabilidade da frequência cardíaca tem sido uma
opção recente e útil para inferir sobre a recuperação do atleta no período pós-exercício do sistema nervoso autonômo.
1. Descreva qual é a finalidade da utilização da imersão em água fria na prática esportiva.
Confira aqui a resposta
 
2. A imersão em água fria pode aumentar a tolerância à dor devido:
A) ao aumento da produção de mediadores químicos.
B) à diminuição na velocidade de condução nervosa.
C) à diminuição na duração do potencial de ação dos nervos sensoriais.
D) ao aumento na frequência de transmissão do impulso.
Confira aqui a resposta
 
3 O centro responsável pelo controle da temperatura corporal localiza-se na região:
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ATIVIDADES
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3. O centro responsável pelo controle da temperatura corporal localiza-se na região:
A) supraóptica do hipotálamo anterior.
B) paraventricular do hipotálamo anterior.
C) pré-óptica do hipotálamo anterior.
D) ventromedial do hipotálamo médio.
Confira aqui a resposta
 
4. O fisioterapeuta de um atleta de alto rendimento, após a realização de um treinamento físico intenso, optou por realizar a imersão
em água fria como técnica recuperativa. Explique a importância da pressão hidrostática da água nas repostas hemodinâmicas
desse atleta.
Confira aqui a resposta
 
5. O processo de termorregulação funciona por meio de mecanismos de feedback. A informação termorregulatória é processada a
partir de diferentes estágios, que são:
A) percepção sensorial e percepção motora.
B) percepção térmica aferente, regulação central e resposta eferente.
C) percepção sensorial e percepção central.
D) percepção motora, percepção sensitiva e resposta regulatória intermediária.
Confira aqui a resposta
 
6. O sistema nervoso autônomo é considerado um importante marcador global da recuperação do atleta e de sua consequente
capacidade de treinar. Diante desse contexto, a imersão em água fria pode
A) melhorar a recuperação da modulação simpática.
B) promover a modulação simpática.
C) ajustar a modulação global.
D) promover a modulação simpática e ajustar a modulação global.
Confira aqui a resposta
 
7. O tecido nervoso abaixo de uma temperatura ideal faz com que a taxa de condução e a amplitude dos potenciais de ação sejam
retardados, impactando diretamente na potência muscular. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) sobre as razões para essa
diminuição na função muscular.
( ) Aumento da viscosidade.
( ) Aumento da atividade enzimática.
( ) Diminuição da perfusão muscular.
( ) Aumento da liberação da acetilcolina e cálcio.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A) F — V — V — F
B) F — V — F — V
C) V — F — F — V
D) V — F — V — F
Confira aqui a resposta
 
8. Depois da pele, quais são os próximos tecidos corporais que sofrem resfriamento? O que pode ser ocasionado em razão dessa
ocorrência?
Confira aqui a resposta
 
ESTRATÉGIAS DE USO
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■ ESTRATÉGIAS DE USO
Discute-se a repercussão do uso da imersão em água fria sobre diversos parâmetros, sejam eles clínicos, funcionais, metabólicos,
autonômicos e/ou cardiovasculares. Como já observado, variáveis como profundidade de imersão, temperatura da água, tempo de execução
da técnica e tipo de exercício podem modular a magnitude dos efeitos da aplicação. Assim, o controle dessa diversidade de eventos torna-se
complexo; portanto, atualmente, em qualquer que seja o âmbito de análise, os resultados confrontados apresentam-se controversos e, dessa
forma, uma breve revisão sobre achados de pesquisas merece ser considerada.
A Figura 5 ilustra o modelo de profundidade de imersão até a altura das cristas ilíacas.
 
Figura 5 – Modelo de profundidade de imersão até a altura das cristas ilíacas.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
Skurvydas e colaboradores observaram que a realização da imersão em água fria em dois turnos com temperatura a 15±1ºC por 15
minutos e com 10 minutos entre uma imersão e a outra mostrou-se positiva na redução acelerada da creatina quinase, porém não se
mostrou eficaz no marcador de fadiga. No entanto, Sellwood e colaboradores realizaram a aplicação da técnica em períodos entre 1 e 5
minutos com temperatura a 5ºC e verificaram que não houve contribuição na concentração do nível sérico de creatina quinase. Ou seja, a
diminuição de marcadores de lesão parece ser mais efetiva em aplicações repetidas de imersão com maiores tempos e temperaturas.
Ascensão e colaboradores estudaram 20 jogadores de futebol do sexo masculino e relataram que a imersão em água fria por 10 minutos a
uma temperatura de 10ºC imediatamente após uma partida de futebol foi capaz de reduzir o dano muscular e a percepção de dor,
possivelmente contribuindo para uma recuperação mais rápida da função neuromuscular, além de proporcionar melhora na contração
voluntária máxima.
Como a dor é influenciada por estímulos fisiológicos e psicológicos, a interpretação do participante pode influenciar na sua percepção
subjetiva da dor. Acredita-se que qualquer desconforto experimentado durante a técnica pode afetar o seu julgamento, e, assim,
não se consegue verificar qualquer efeito positivo que a técnica pode trazer. Esse aspecto reforça a importância de selecionar e
controlar adequadamente a estratégia de aplicação da imersão em água fria para proporcionar uma recuperação mais adequada.
Al Haddad e colaboradores realizaram estudo com objetivo de investigar o efeito da imersão em água fria (14ºC), água termoneutra (34ºC)
e sem imersão, em 12 indivíduos fisicamente ativos, após esforço exaustivo sobre a reativação parassimpática. Os autores verificaram que a
imersão em água é o meio mais simples, eficiente e imediato de acionar a modulação vagal pós-exercício, sendo que temperaturas mais frias
podem aumentar a eficácia da reativação parassimpática. Entretanto, destacaram que a imersão em água fria (14ºC) pode estimular
receptores térmicos e, por meio do sistema de termorregulação, promover um efeito cumulativo das respostas hemodinâmicas, favorecendo
um melhor controle autonômico.
No estudo de Buchheit e colaboradores, realizado com 10 ciclistas do sexo masculino, verificou-se que a realização da imersão em água à
14ºC durante 5 minutos após dois estímulos supramáximos em bicicleta ergométrica favoreceu a restauração dos índices vagais da
variabilidade da frequência cardíaca, o que demonstrou que a técnica é eficiente para acelerar a recuperação do sistema nervoso autônomo.
Stanley e colaboradores compararam a imersão em água fria por 10 minutos a uma temperatura de 14ºC com o contraste e a recuperação
passiva em 18 ciclistas bem treinados após realizarem um exercício de alta intensidade em bicicleta ergométrica e verificaram que as
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técnicas recuperativas melhoraram a modulação parassimpática; no entanto, o grupo que realizou a imersão em água fria apresentou
melhores resultados, o que apoia o uso dessa estratégia de recuperação.
Por fim, Bastos e colaboradores encontraram que, em 20 homens fisicamente ativos, a técnica de imersão em água fria à 11ºC por 6
minutos induziu maior modulação autonômica cardíaca durante o período de recuperação, com valores de índices vagais maiores, em
comparação às demais técnicas recuperativas. No entanto, após um tempo de recuperação maior, as diferenças entre as técnicas não foram
relevantes, e, assim, deve-se questionar o uso da imersão em água fria para a recuperação passiva quando o objetivo principal é o desfecho
em períodos superiores a uma hora.
Desde 2009, autores relatam a necessidade de considerar o tempo e a temperatura de aplicação da técnica para cada desfecho clínico,
no sentido de aproveitar o modo mais eficiente com as respostas positivas geradas por sua utilização. Bleakley e colaboradores
relataram que a temperatura, a duração e a frequência de realização da técnica variam entre os estudos e também sugeriram que uma
investigação nessa área seja realizada.
Mais recentemente, foi publicada uma revisão sistemática com metanálise para dor muscular e um ensaio clínico randomizado e controlado
que avaliam a dose-resposta da imersão em água fria. Machado e colaboradores sugeriram que a imersão em água fria é mais eficiente no
manejo da dor comparado a técnicas de recuperação passiva. Além disso, verificou-se que os melhores resultados foram obtidos com a
aplicação da imersão em água fria a 11 e 15ºC por 11 e 15 minutos de duração.
Sobre a recuperação autonômica, Almeida e colaboradores investigaram os efeitos da imersão em água fria durante a recuperação pós-
exercício, com diferentes durações e temperaturas de aplicação, sobre os índices de variabilidade da frequência cardíaca. Os achados
demonstraram que, se o objetivo do processo recuperativo for restaurar a modulação autonômica cardíaca, a técnica mais eficaz está
relacionada a 14ºC e duração de aplicação de 15 minutos.
Almeida e colaboradores relataram que essa estratégia de aplicação da imersão em água fria promoveu uma recuperação antecipada dos
índices da variabilidade da frequência cardíaca, além de ser facilmente reproduzida em cenário de campo, devido ao baixo desconforto
térmico que a temperatura ao redor de 14ºC pode promover, comparada às temperaturas mais baixas frequentemente utilizadas nos
esportes e nos ensaios clínicos.
O levantamento detalhado da literatura, além da experiência prática de campo, mostra a diversidade de modelos utilizados para a
aplicação da técnica de imersão em água fria. A ponderação sobre a melhor opção ainda deve ser feita considerando-se a realidade
de cada sujeito ou grupo em que se aplica, mas não se podem negar alguns indicativos já constatados, como a variação de
temperatura e de tempo de aplicação, por volta de 14ºC e 15 minutos, respectivamente.
■ EVIDÊNCIAS DA IMERSÃO EM ÁGUA FRIA
Diversos estudos de alta qualidade metodológica com alto nível de evidência, como revisões sistemáticas e metanálises, têm sido realizados
com o objetivo de identificar os efeitos dessa técnica em diferentes desfechos que compõem o processo de recuperação. A seguir, serão
comentadas as evidências segundo cada desfecho.
DOR MUSCULAR
Ainda que os efeitos da imersão em água sejam investigados em uma gama de desfechos, é possível observar que maior enfoque é dado ao
manejo da dor muscular de início tardio.
Bleakley e colaboradores, em uma das mais relevantes pesquisas envolvendo a imersão em água fria, determinaram, por meio de
metanálise, os efeitos da técnica comparada à condição placebo ou controle, a técnicas de contraste e outras intervenções. Para isso, foram
identificados 17 estudos publicados entre os anos de 1998 e 2009.
Seus achados evidenciaram que a imersão em água fria é capaz de reduzir a dor muscular de início tardio quando comparada à condição
controle. No entanto, o estudo destaca que se deve ter cautela ao tirar conclusões definitivas, devidoà baixa qualidade dos estudos incluídos
na metanálise. Esse fato é atribuído pelos autores ao pequeno tamanho de amostra dos ensaios clínicos randomizados incluídos, que
apresentaram, em sua maioria (70% dos estudos), amostra igual ou inferior a 20 participantes.
No mesmo sentido, o estudo de Leeder e colaboradores, envolvendo 14 ensaios clínicos randomizados, observou diferença
estatisticamente significativa para a imersão em água fria quando comparada com a condição controle, apresentando um efeito estatístico
moderado. Seus resultados apresentam-se mais expressivos no alívio da dor em 24 e 48 horas após exercícios de alta intensidade,
divergindo dos efeitos identificados após exercício excêntrico. O estudo aponta que existe uma dificuldade em explicar os mecanismos de
ação da imersão em água nos diferentes tipos de exercício, principalmente no exercício excêntrico e no exercício de alta intensidade.
Um dos mais recentes estudos de revisão sistemática envolvendo a imersão em água é o de Machado e colaboradores, que objetivou, além
de determinar a eficácia de imersão em água fria na dor muscular, identificar quais são a temperatura da água e o tempo de imersão capazes
de fornecer os melhores resultados.
As evidências do estudo de Machado e colaboradores, assim como os demais estudos citados, demonstraram que a imersão em
água fria apresentou resultados positivos para a melhora da dor muscular de início tardio comparada à condição controle para efeitos
imediatos e tardios, independentemente do tempo e da temperatura de imersão.
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Quando comparada às demais técnicas de resfriamento, Hohenauer e colaboradores, em uma subanálise, identificaram que a imersão em
água fria reduz mais significativamente a dor muscular de início tardio do que técnicas como ar frio, sacos de gelo e resfriamento corporal
total (whole body cooling) em até 96 horas após protocolos de exaustão e de indução ao dano muscular por meio de exercício.
Apesar da melhora evidente no manejo da dor muscular, não é possível identificar sua superioridade quando comparada a outras técnicas de
imersão (por exemplo, o contraste e a imersão em água quente), como evidenciado no estudo de Bleakley e colaboradores.
Murray e Cardinale identificaram efeitos triviais e pequenos na aplicação da imersão em água fria na recuperação pós-exercício de
adolescentes e destacam, ainda, que, apesar do uso difundido, pouco se questiona em quem ou como se aplicar a técnica.
DESEMPENHO
Há divergências entre os estudos a respeito dos efeitos da imersão em água fria no desempenho de atletas. Muito se atribui aos seus efeitos
fisiológicos, os quais já foram aqui discutidos.
Um dos principais estudos envolvendo a imersão em água na recuperação do desempenho é o estudo de Versey e colaboradores. O estudo
aponta que a maioria dos ensaios clínicos randomizados referentes à imersão em água fria obteve resultados favoráveis à técnica ou
encontrou nenhum efeito, enquanto uma quantidade mínima de estudos (n = 5) reportou efeito deletério.1
Os efeitos positivos do estudo de Versey e colaboradores1 foram identificados após exercícios como ciclismo, corrida, escalada,
salto vertical e testes de força. Os autores sugerem que esse fato aponta que os benefícios da imersão em água fria não são
limitados a formas específicas de exercício. No entanto, apontam, ainda, que a magnitude desses efeitos pode variar entre minutos
ou dias e atribuem tal fato à intensidade e ao modo de exercício.1
Ainda assim, os resultados do estudo de Bleakley e colaboradores revelam um dado muito importante: no momento imediatamente após a
aplicação da imersão em água fria, é possível observar uma diferença estatisticamente favorável à recuperação passiva. Já no momento
tardio (24, 48, 72 e 96 horas após o exercício), não há diferença entre os grupos. No entanto, esses resultados diferem quando é avaliado o
percentual de ganho a partir do valor basal, identificando, assim, um resultado estatisticamente favorável à imersão em água fria no momento
tardio.
Além das divergências com relação ao momento de análise, é possível observar resultados diferentes entre os desfechos
específicos do desempenho. O estudo de Leeder e colaboradores, envolvendo 14 estudos elegíveis, identificou que a imersão em
água fria não é eficaz na restauração da força muscular pós-exercício; no entanto, é capaz de melhorar a potência muscular em
todos os momentos avaliados (24, 48 e 72 horas pós-exercício).
A metanálise realizada no estudo de Poppendieck e colaboradores identificou uma média de ganho de desempenho de 2,4%. Os melhores
resultados foram com relação aos sprints, apresentando um ganho de recuperação de 2,6%, com diferença estatisticamente significativa.
Apesar de o estudo abordar diferentes técnicas de resfriamento, 16 dos 21 ensaios clínicos incluídos optaram pela aplicação da imersão em
água fria, aos quais são atribuídos os maiores efeitos. Nesse sentido, o estudo atribui, ainda, a melhora significativa nos sprints às
metodologias utilizadas nos estudos, principalmente com a escolha da imersão em água fria. Similar a Leeder e colaboradores, os efeitos
encontrados sobre a força e o salto foram em sua maioria pequenos ou insignificantes.
Não foi possível identificar qualquer tipo de efeito da imersão em água fria na recuperação do desempenho quando comparada a
técnicas como banhos de contraste e água quente. O estudo de Murray e Cardinale, que investigou os efeitos da técnica em
adolescentes, também não observou efeitos significativos para testes de força, potência e resistência, como contração voluntária
máxima (CVM), saltos e sprints.
MODULAÇÃO AUTONÔMICA CARDÍACA
Os índices da variabilidade da frequência cardíaca são utilizados como marcador global da recuperação de atletas e amadores pós-
exercício. Ainda que em pequena quantidade, ensaios clínicos randomizados têm abordado os efeitos da imersão em água fria nesses
índices. Seus resultados indicam uma tendência de efeitos positivos para a aplicação da imersão em água fria quando comparada à
condição controle. No entanto, não há revisões de literatura disponíveis em base de dados, e, assim, a magnitude desses efeitos não está
bem estabelecida.
Uma recente revisão sistemática com metanálise, realizada pelo Laboratório de Fisioterapia Desportiva da Faculdade de Ciências e
Tecnologia da Unesp (Lafide – FCT/Unesp), ainda não publicada, teve seu protocolo registrado no Registro Internacional Prospectivo de
Revisões Sistemáticas (Prospero 2015: CRD42015016923). Tal pesquisa objetivou investigar os efeitos da imersão em água fria nos índices
da variabilidade da frequência cardíaca pós-exercício, comparados aos da recuperação passiva.
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O estudo realizou uma busca sistemática de ensaios clínicos randomizados em cinco bases de dados até janeiro de 2016. Foram
identificados 20 estudos, sendo apenas sete considerados elegíveis para a metanálise. Dados não publicados revelam efeitos
estatisticamente significantes favoráveis à imersão em água fria na recuperação de índices específicos da variabilidade da frequência
cardíaca.
DESFECHOS EM MARCADORES SANGUÍNEOS
Desfechos em marcadores sanguíneos estão relacionados à sua capacidade de identificar dano muscular, inflamação e fadiga, entre
outros.
Investigações sobre desfechos em marcadores sanguíneos em ensaios clínicos randomizados, ainda que tenham aumentado nos últimos
anos, não possibilitaram revisões com conclusões definitivas. Apesar da variedade, esse tipo de marcador é pouco considerado como
desfecho principal em revisões sistemáticas.
Assim, o único estudo que analisa as variáveis como objeto de estudo é o de Leeder e colaboradores, que objetivou identificar os efeitos da
imersão em águafria na recuperação de exercício excêntrico ou de alta intensidade em quatro desfechos, incluindo a concentração de
creatina quinase. O agrupamento desses estudos (metanálise) identificou que a imersão em água fria é eficaz na redução do fluxo de
creatina quinase no sangue após exercício; no entanto, apresenta pequeno tamanho de efeito.
■ EFEITO PLACEBO E EFEITOS DELETÉRIOS DA IMERSÃO EM ÁGUA FRIA
Poucos estudos têm investigado o efeito placebo em relação à imersão em água fria.
O efeito placebo é um fenômeno bem aceito na medicina e também influencia o desempenho esportivo, além de ter efeito
potencializado em períodos de longa duração.
McClung e Collins verificaram um efeito positivo na melhora do desempenho do atleta apenas ao afirmar que o mesmo receberia uma
intervenção pós-exercício. Broatch e colaboradores concluíram que a condição placebo administrada após uma única sessão de exercícios
de alta intensidade aplicada de forma aguda é tão eficaz quanto a imersão em água fria para a recuperação da força muscular, apesar de
não haver diferenças nos marcadores sanguíneos. Desse modo, os autores concluíram que a ausência de diferença indica que a percepção
de recuperação com tais modalidades recuperativas pode ter um efeito placebo/psicológico maior do que qualquer efeito fisiológico por si só.
Além disso, devem-se citar os efeitos no desempenho muscular. Howatson van Someren verificou, em homens fisicamente ativos após
realização de um protocolo pliométrico de salto com imersão em água fria à 15ºC por 12 minutos, uma diminuição na força muscular de 25%,
avaliada por meio da contração voluntária isométrica máxima.
Assim, dois aspectos devem ser considerados a partir do tema abordado. O primeiro trata dos reais efeitos fisiológicos da técnica. Nesse
caso, é importante atentar para a relação dose-resposta. Parece haver evidência de efeitos positivos, mas para tempo e temperatura
específicos, e não para aplicações aleatórias. O outro refere-se aos efeitos deletérios. Parece haver alguma perda em curto prazo de
respostas funcionais, e, nesse caso, deve-se ponderar sobre o tempo entre a aplicação da técnica e a realização de atividades posteriores.
A realização imediata de atividades pós-técnica parece não ser aconselhável no caso de imersão em água fria. Sugerem-se,
portanto, estratégias que possibilitem a restauração funcional antes de certas práticas.
■ RACIOCÍNIO CLÍNICO
À luz do que a ciência revelou até o momento e do que se vê na prática de campo do fisioterapeuta, algumas informações parecem
pertinentes ao profissional para sua tomada de decisão. Não há que se esperar o milagre da melhora de desempenho após a
imersão em água fria; considerando-se aspectos multifatoriais, torna-se complexo atribuir ao uso da imersão uma recuperação plena.
Não há controle de todos os fatores que interferem nesse processo e, portanto, os ganhos após uma única aplicação podem não
garantir, necessariamente, melhor resultado.
O que se vê são respostas fisiológicas pontuais que não produzem desempenho em curto prazo, mas que, em tese, poderiam proporcionar
um efeito cumulativo, repercutindo positivamente sobre o treinamento sistematizado. Ressalta-se, entretanto, que pouco tem sido explorado
sobre essa hipótese até o momento.
As melhores respostas são sobre a dor e a modulação autonômica cardíaca. Sobre a dor, a estratégia para a imersão seria quando houvesse
um estímulo novo, como um aumento importante de carga ou uma mudança na sistemática do treinamento que promova um estresse
importante, a ponto de gerar microtraumas. Nesse caso, a técnica poderia produzir bons resultados.
Sobre o balanço autonômico, aparentemente, as respostas são obtidas sempre e em curto prazo. Assim, o uso da imersão poderia ser
aconselhado quando se tem um novo evento em intervalo próximo, entre uma e duas horas após o primeiro estímulo, pois assim seria
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aco se ado qua do se te u o o e e to e te a o p ó o, e t e u a e duas o as após o p e o est u o, po s ass se a
aproveitado seu efeito.
A percepção de recuperação é um importante marcador, mas tem sido questionada, sobretudo, por resultados obtidos a partir da
comparação com placebo da técnica. Nesse caso, o raciocínio clínico deve considerar os efeitos já constatados em âmbito fisiológico para
construir sua rotina e, assim, garantir o sucesso da aplicação, potencializando qualquer sensação positiva adicional.
Não é sugerida a inserção da técnica de imersão em água fria em quem não é habituado ao método às vésperas de competições.
Entende-se como necessária uma adaptação ao processo para que os efeitos sejam mais bem aproveitados sem que haja o
estresse ao experimentar o recurso. Em convocações, nas quais o gestor na recuperação convive com atletas de outros centros, é
comum ocorrer esse cenário e, nesse caso, é sensato respeitar a individualidade do atleta.
Por fim, todos os efeitos em que se observaram evidências colocam a aplicação em curto intervalo de tempo após o exercício como a
aplicação que traz benefícios.
Não se devem esperar efeitos positivos quando se faz a opção por utilizar a imersão em água fria mais de 2 horas após o evento.
Não há um tempo limite para tal aplicação, mas as dinâmicas devem respeitar o menor tempo possível após o fim do exercício. Nesse caso,
sugere-se que a preparação da intervenção seja em campo ou, ao menos, próxima do local onde o exercício será realizado.
9. São fatores que podem modular a magnitude da resposta fisiológica da imersão em água fria:
I — profundidade da imersão;
II — temperatura da água;
III — duração da imersão;
IV — carga da atividade física do atleta.
Quais estão corretas?
A) Apenas a I, a II e a III.
B) Apenas a I, a II e a IV.
C) Apenas a I, a III e a IV.
D) Apenas a II, a III e a IV.
Confira aqui a resposta
 
10. Descreva o mecanismo fisiológico da imersão em água fria para acelerar a reativação parassimpática.
Confira aqui a resposta
 
11. As melhores respostas clínicas da imersão em água fria dizem respeito à
A) percepção de recuperação e lactato.
B) modulação autonômica cardíaca e percepção de recuperação.
C) dor muscular e modulação autonômica cardíaca.
D) dor muscular e inflamação.
Confira aqui a resposta
 
12. Sobre os efeitos ligados à imersão em água fria e o raciocínio clínico, analise as seguintes afirmativas.
I – Broatch e colaboradores concluíram que a condição placebo administrada após pelo menos três sessões de exercícios de alta
intensidade aplicada de forma aguda é tão eficaz quanto a imersão em água fria para a recuperação da força muscular, apesar
de haver diferenças nos marcadores sanguíneos.
II – A realização imediata de atividades pós-técnica não sofre restrições no caso de imersão em água fria.
III – O uso da técnica de imersão em água fria não é indicado em quem não é habituado ao método às vésperas de competições.
Qual(is) está(ão) correta(s)?
A) Apenas a I.
B) Apenas a I e a II.
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ATIVIDADES
26/07/2019 Portal Secad
https://www.portalsecad.com.br/artigo/5564 14/17
C) Apenas a III.
D) Apenas a II e a III.
Confira aqui a resposta
 
13. Por que não é sugerida a inserção da técnica de imersão em água fria em quem não é habituado ao método às vésperas de
competições?
Confira aqui a resposta
 
14. Não se devem esperar efeitos positivos quando se faz a opção por utilizar a imersão em água fria:
A) menos de meia hora após o evento.
B) mais de meia hora após o evento.
C) mais de uma hora após o evento.
D) mais de duas horas após o evento.
Confira aqui a resposta
 
■ CASO CLÍNICO
E.J. é um atleta que, durante uma sessão de treinamento específica à sua modalidade, teve uma atividade diferente do usual, seja
em intensidade, volume ou na biomecânica do gesto atlético. Tal atividade poderia levar à ocorrência de dor muscular de início tardio.
15. Como recurso imediato pós-treino ao caso de E.J., sugere-se:
A) imersão em água fria a 14°C por 15 minutos.
B)imersão em água fria a 5°C por 3 minutos.
C) imersão em água a 20°C por 20 minutos.
D) imersão em água fria a 5°C por 20 minutos.
Confira aqui a resposta
 
■ CONCLUSÃO
O presente artigo destinou-se a apresentar evidências científicas de boa qualidade e atualizadas sobre a utilização da imersão corporal em
água fria na recuperação pós-exercício. É possível observar que existe uma grande variação de estratégias de uso da técnica. Dessa forma,
com base nos efeitos fisiológicos promovidos pela técnica recuperativa, deve-se atentar ao momento correto de aplicação, para evitar
possíveis prejuízos ao atleta, além de considerar o tempo e a temperatura mais adequados para se atingir a recuperação dos desfechos
pretendidos.
■ RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS
Atividade 1
Resposta: A imersão em água fria é uma técnica recuperativa amplamente utilizada como estratégia de recuperação pós-exercício. É
considerada um método nas rotinas diárias dos esportes de alto rendimento no intuito de facilitar e acelerar o retorno às condições iniciais do
atleta, seja nos treinamentos ou nas competições. Em tese, tal processo pode ser obtido como resultado da própria resposta do organismo
ao estímulo do frio, da imersão ou da associação de ambos.
ATIVIDADE
26/07/2019 Portal Secad
https://www.portalsecad.com.br/artigo/5564 15/17
Atividade 2
Resposta: C
Comentário: Há uma correlação linear entre a velocidade de condução nervosa e o grau de resfriamento do tecido. Além disso, considera-se
que o resfriamento dos tecidos diminui a transmissão nervosa, reduz a liberação de acetilcolina e, possivelmente, promove o aumento do
limiar da dor.
Atividade 3
Resposta: C
Comentário: A porção anterior do hipotálamo é responsável por integrar as informações aferentes térmicas; a área pré-óptica do hipotálamo
é onde os neurônios que detectam o frio se localizam e é o centro responsável pelo controle da temperatura corporal.
Atividade 4
Resposta: A contribuição da pressão hidrostática da água para as respostas hemodinâmicas, apesar do seu envolvimento na remoção de
metabólitos a partir do músculo para a circulação central, se dá porque a imersão em água fria provavelmente induz redistribuição do fluxo
sanguíneo periférico através da combinação da diminuição da temperatura tecidual decorrente da temperatura da água e da compressão do
membro imerso por meio da pressão hidrostática da água.
Atividade 5
Resposta: B
Comentário: O processo de termorregulação é semelhante a muitos outros sistemas de controle fisiológico, em que o cérebro funciona por
meio de mecanismos de feedback para amenizar as variações ocorridas. A percepção térmica aferente, a regulação central e a resposta
eferente compõem os três estágios em que a informação termorreguladora é processada.
Atividade 6
Resposta: A
Comentário: A imersão em água fria é uma técnica ideal para acelerar a reativação vagal, devido à sua capacidade de aumentar o volume
sanguíneo central, o que, consequentemente, resulta em aumento do volume sistólico e do débito cardíaco. Além disso, estudos científicos
têm comprovado efeitos estatisticamente significantes favoráveis à imersão em água fria na recuperação de índices específicos da
variabilidade da frequência cardíaca que refletem a modulação vagal.
Atividade 7
Resposta: D
Comentário: O tecido nervoso abaixo de uma temperatura ideal faz com que a taxa de condução e a amplitude dos potenciais de ação sejam
retardados, impactando diretamente na potência muscular. As razões para essa diminuição na função muscular incluem: redução da
atividade enzimática; diminuição da liberação da acetilcolina e do cálcio; taxa mais lenta de difusão; diminuição da perfusão muscular;
aumento da viscosidade; redução das taxas de condução; e repolarização do potencial de ação.
Atividade 8
Resposta: Após a pele, os próximos tecidos corporais a se esfriarem são os nervos superficiais e os músculos. Isso pode causar
incapacidade significativa sob a forma de decréscimos na força muscular, na agilidade e na coordenação em um curto período de tempo.
Atividade 9
Resposta: A
Comentário: Variáveis como profundidade de imersão, temperatura da água e tempo de execução da técnica podem modular a magnitude
dos efeitos da aplicação. Assim, o controle dessa diversidade de eventos torna-se complexo. Portanto, atualmente, qualquer que seja o
âmbito de análise, os achados clínicos devem ser analisados com cautela e deve-se considerar tais fatores.
Atividade 10
Resposta: A imersão em água fria é uma técnica ideal para acelerar a reativação vagal, devido à sua capacidade de aumentar o volume
sanguíneo central, o que, consequentemente, resulta em aumento do volume sistólico e do débito cardíaco. Essas alterações
consequentemente ativam os barorreflexos arterial e cardiopulmonar, inibindo a modulação simpática e aumentando a modulação vagal,
levando a uma bradicardia.
Atividade 11
Resposta: C
Comentário: Diversos estudos de alta qualidade metodológica com alto nível de evidência, como revisões sistemáticas e metanálises, têm
sido realizados com o objetivo de identificar os efeitos da imersão em água fria, sendo que as melhores respostas são sobre a dor e a
modulação autonômica cardíaca.
Atividade 12
Resposta: C
Comentário: Broatch e colaboradores concluíram que a condição placebo, administrada após uma única sessão de exercícios de alta
intensidade aplicada de forma aguda, é tão eficaz quanto a imersão em água fria para a recuperação da força muscular, apesar de não haver
diferenças nos marcadores sanguíneos. A realização imediata de atividades pós-técnica parece não ser aconselhável no caso de imersão
em água fria.
Atividade 13
Resposta: Não é sugerida a inserção da técnica de imersão em água fria em quem não é habituado ao método às vésperas de competições,
pois se entende como necessária uma adaptação ao processo, para que os efeitos sejam mais bem aproveitados sem que haja o estresse
ao experimentar o recurso.
Atividade 14
Resposta: D
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Comentário: Não se devem esperar efeitos positivos quando se faz a opção por utilizar a imersão em água fria mais de duas horas após o
evento.
Atividade 15
Resposta: A
Comentário: Machado e colaboradores, em recente revisão sistemática com metanálise envolvendo nove ensaios clínicos randomizados,
identificaram a presença da relação da dose-resposta na imersão em água fria, indicando que essa técnica fornece melhores resultados no
manejo da dor a temperaturas entre 11 e 15°C por 11 a 15 minutos de exposição. Os autores apontam que os benefícios dessa temperatura
não são discutidos na literatura. Entretanto, sabe-se que temperaturas muito baixas causam efeitos adversos que podem ser interpretados
como estímulos nocivos, além de diminuir a velocidade de condução nervosa. Sabe-se, ainda, que são necessários curtos períodos de
exposição a temperaturas muito baixas para a presença desses estímulos, o que pressupõe que longos períodos de imersão promovam a
exacerbação do estímulo. O estudo de Almeida e colaboradores demonstrou, ainda, efeitos positivos da imersão em água fria na restauração
de índices da variabilidade da frequência cardíaca e identificou que essa técnica, quando aplicada a 14°C por 15 minutos, apresenta os
melhores resultados. Dessa forma, sugere-se a aplicação a 14°C por 15 minutos, considerando as informações apontadas e a facilidade de
reprodução da técnica em cenário de campo.
■ REFERÊNCIAS
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Sports Med. 2013 Nov;43(11):1101–30.
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Bras Med Esp. 2009 Mar–Abr;15(2):138-44.
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4. Hohenauer E, Taeymans J, Baeyens J, Clarys P, Clijsen R. The effect ofpost-exercise cryotherapy on recovery characteristics: a
systematic review and meta-analysis. PLoS One. 2015 Sep;10(9):e0139028.
5. Machado AF, Ferreira PH, Micheletti JK, Almeida AC, Lemes IR, Vanderlei FM, et al. Can water temperature and immersion time influence
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