Logo Passei Direto
Buscar

manejo_de_rejeitos_e_estereis_de_mineracao_unidade_i_

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

MANEJO DE REJEITOS E 
ESTÉREIS DE MINERAÇÃO
UNIDADE I
RESÍDUOS DA MINERAÇÃO
Elaboração
Cristiane Oliveira de Carvalho
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
4
5
UNIDADE IRESÍDUOS DA MINERAÇÃO
Nesta primeira parte do Caderno de Estudos será apresentado o conceito de resíduos da 
mineração, um pouco da legislação que rege a disposição e alguns métodos de disposição 
dos resíduos. O capítulo 1 aborda uma definição de resíduos da mineração, diferenciando 
os estéreis dos rejeitos.
O capítulo 2 aborda um resumo sobre leis, normas e resoluções que são importantes 
para a correta disposição de rejeitos, tais como a Lei no 12.334, NRM 19, NBR 13028 
e NRM 13.029. Este capítulo ainda explica as alternativas que estão sendo estudadas 
para aproveitamento dos rejeitos da mineração, como opção para evitar a disposição 
desses rejeitos.
O terceiro capítulo ficou reservado para tratar um pouco de alguns métodos da disposição 
de rejeitos, tais como codisposição e disposição compartilhada de estéreis e rejeitos.
Objetivos da Unidade
 » Entender o conceito de resíduos.
 » Conhecer o pouco da legislação que rege a disposição de resíduos.
 » Aprender novas alternativas para a disposição de resíduos.
Você sabia que os rejeitos da mineração estão sendo estudados como materiais da 
construção civil?
Os estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto estão pesquisando, nos 
Laboratórios de Materiais de Construção Civil, novas técnicas de aproveitamento do 
material rejeitado do mineral para serem utilizados em construção civil e infraestrutura.
Fonte: https://ufop.br/noticias/pesquisa-e-inovacao/pesquisa-sobre-uso-dos-rejeitos-da-mineracao-indica-diferentes-maneiras.
6
CAPÍTULO 1 
DEFINIÇÕES DOS RESÍDUOS
A mineração é uma atividade econômica que tem enorme capacidade de produzir 
impactos ambientais, que estão associados a grande parcela de resíduos produzidos. 
Devido à possibilidade de prejuízos ambientais, a extração de minérios pode influenciar 
de muitas formas a qualidade do meio ambiente e, consequentemente, na sociedade.
Para extrair e beneficiar recursos minerais da crosta terrestre para uso econômico 
é necessário realizar diversas atividades complexas, resultando em transformações 
ambientais, que ocorrem por meio das operações de lavra e processo.
O processo de lavra são as atividades que visam extrair o mineral, buscando a sua 
aplicação industrial ou direta, enquanto os processos da mineração estão vinculados 
ao beneficiamento mineral, abrangendo atividades com separações físicas e químicas 
para conseguir obter o mineral valioso.
Nesses processos são gerados rejeitos que ainda não possuem valor econômico, sendo, 
então, descartados pelas usinas de tratamento. Esses rejeitos podem ser definidos 
como resíduos provenientes de processos de tratamento mineral que buscam obter os 
elementos valiosos, ou o produto final.
De acordo com a natureza do minério beneficiado e os tratamentos utilizados, podem 
ser gerados rejeitos com diferentes características geotécnicas, físico-químicas e 
mineralógicas. Além disso, os rejeitos que possuem granulometria fina são conhecidos 
como lama e aqueles que possuem granulometria grossa são nomeados como rejeitos 
granulares. (DUARTE, 2008).
Figura 1. Ciclo da atividade mineira mostrando o estéril e o rejeito
 
 
Estéril Barragem de 
contenção de 
sedimentos 
Efluentes 
Efluentes 
Barragem de rejeitos 
Recirculação de água 
Industrial 
Produtos 
Fonte: Ibram apud https://docplayer.com.br/81702922-Evolucao-da-legislacao-de-barragens-no-brasil.html.
7
RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I
Na mineração são produzidos basicamente dois tipos de resíduos: os estéreis (resíduos 
sólidos de extração) e os rejeitos (tratamento/beneficiamento) (BEZERRA, 2017; 
IBRAM, 2016). No decorrer dessas operações, esses materiais que não são aproveitados 
economicamente são dispostos em locais previamente estabelecidos e preparados com 
esse objetivo. (SILVA, 2014).
Estes resíduos, de modo geral, podem ser pilhas de minérios pobres, 
estéreis, rochas, sedimentos, solos, aparas e lamas das serrarias de 
mármore e granito, as polpas de decantação de efluentes, as sobras da 
mineração artesanal de pedras preciosas e semipreciosas – principalmente 
em região de garimpos – e finos e ultrafinos não aproveitados no 
beneficiamento. Os outros resíduos resultantes da operação das plantas 
de mineração são, em geral, os efluentes das estações de tratamento, os 
pneus, as baterias utilizadas nos veículos e maquinários, além de sucatas 
e resíduos de óleo em geral, cuja disposição se dá em locais e forma a 
eles adequados. (IBRAM, 2016).
Os materiais conhecidos como estéreis são aqueles provenientes das escavações e 
movimentações no decorrer das atividades de lavra no decapeamento e lavra da mina, 
mas não possuem nenhum valor econômico agregado. Esses materiais são rochas, solos 
ou misturas desses (BEZERRA, 2017; SILVA, 2014).
Segundo Pulino (2010), a lavra que acontece nas minas a céu aberto gera mais estéreis 
do que as minas subterrâneas, pois, nestas, a lavra se limita ao corpo de minério. Os 
estéreis na lavra de minas a céu aberto são removidos para que se alcance o corpo de 
minério ou para possibilitar uma cava estável na perspectiva geotécnica. Já os estéreis 
das minas subterrâneas são gerados em uma quantidade menor e ficam depositados 
no subsolo.
Os estéreis são gerados em diversas granulometrias e são dispostos, frequentemente, 
em pilhas dotadas de grandes dimensões, conhecidas como pilhas estéreis (PDE). 
(BEZERRA, 2017; PULINO, 2010; SILVA, 2014).
Outro tipo de resíduo, o rejeito, é proveniente dos processos de tratamento, resultando em 
polpa ou lama, que consiste na mistura de sólido e água, e é armazenado em reservatórios 
que são chamados de barragens de contenção ou dispostos em pilhas, assim como os 
estéreis (ABNT, 2017; BEZERRA, 2017; SILVA, 2014)
Duarte (2008) explica que o descarte pode ser feito a granel e que são transportados 
com o auxílio de caminhões ou correias transportadoras; ou como polpa, que é uma 
mistura de água e sólidos, e seu transporte é realizado através de tubulações valendo-se 
de sistemas de bombeamento ou ajuda da gravidade. 
8
UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO
Duarte (2008) e Ibram (2016), em consonância com os citados anteriormente, dispõem 
que os rejeitos podem ser dispostos em cavas exauridas de minas, minas subterrâneas, em 
pilhas, por empilhamento a seco (método dry stacking), por disposição em pasta ou em 
barragens de contenção. Ainda reiteram que as barragens de contenção são as favoritas 
e que a seleção de um método para realizar a disposição dos rejeitos varia conforme:
 » tipo de processo da mineração.
 » condições geológicas e topográficas da região.
 » propriedades mecânicas do material.
 » capacidade do rejeito impactar negativamente o ambiente.
 » condições climáticas da região.
Figura 2. Imagem apresentando: a) barragem de rejeito; b) pilha de estéreis
Fonte: Adaptado de http://recursomineralmg.codemge.com.br/meio-ambiente-e-mineracao/ e http://www.anm.gov.br/
noticias/ministro-de-minas-e-energia-visita-mina-de-ouro-em-sabara-mg/3.jpg.
A tabela a seguir mostra a produção de rejeito e estéril do minério de ferro no Brasil 
dos anos de 2010 a 2019.
9
RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I
Tabela 1. Geração de rejeito e de estéril para o tratamento de minério de Ferro (milhões de 
Toneladas)
Ano
Produção 
beneficiada
Brasil
Produção 
MG
Produção 
PA
Rejeito 
MG
Rejeito 
PA
Rejeito 
unidades 
federativas
Rejeito 
Brasil
Estéril 
Brasil
2010 298 207 86 82,8 6,9 2,5 92,2 255,0
2011 372 260 101 104,0 8,1 5,5 117,6 321,5
2012 398 275 110 110,0 8,8 6,5 125,3 343,0
2013 401 277 107 110,8 8,6 8,5 127,9 347,5
2014 386 265 105 106,0 8,4 8,0 122,4 333,5
2015* 420 275 128 110,0 10,2 8,5 128,7 356,0
2016* 430 283 140 127,4 11,2 3,5 142,1 360,0
2017* 470 280 180 126,0 14,4 5,0 145,4 380,02018* 520 280 230 126,0 18,4 5,0 149,4 405,0
2019* 530 290 230 130,5 18,4 5,0 153,9 415,0
Fonte: Carvalho et. al. (2018).
10
CAPÍTULO 2
LEGISLAÇÃO DO MANEJO DE REJEITOS E 
ESTÉREIS DA MINERAÇÃO
Diversos países passaram a regulamentar de maneira mais intensa os variados aspectos 
que abrangem a gestão e o manejo de rejeitos de mineração. A partir do século XX, de 
modo gradual, os dispositivos legais começaram a formalizar e estabelecer requisitos 
e obrigações para os empreendimentos mineiros com o objetivo de conseguir medidas 
mitigadoras e saneadoras, ou alternativas que evitem ou minimizem os riscos de acidentes 
futuros. (IBRAM, 2016 e CEDEC-MG, 2019).
Deste material enfatizará leis, normas e regulamentos federais atuais e vigentes no País, 
que possibilitaram a regulamentação da gestão e manejo de rejeitos e estéreis no País 
e segurança de barragens:
 » Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010: Esta lei foi responsável por instituir a 
Política Nacional de Resíduos Sólidos (PRS). 
 » Lei no 12.334, de 20 de setembro de 2010: estabelece a Política Nacional 
de Segurança de Barragens (PNSB) que visam ao armazenamento de água para 
quaisquer aplicações, e a disposição permanente ou provisória de rejeitos e resíduos 
industriais, além de criar o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de 
Barragens (SNISB).
 » Resolução 91 da Agência Nacional das Águas (ANA), de 2 de abril de 
2012: define a periocidade, qualificação do responsável técnico, e ainda detalha 
o conteúdo e o nível que deve constar no Plano de Segurança de Barragem e a 
Revisão Periódica de Segurança de Barragem.
 » Resolução 143 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) do 
Ministério do Meio Ambiente, de 10 de julho de 2012: estabelece critérios 
gerais de classificação de barragens por categoria de risco, dano potencial associado 
e pelo volume do reservatório, em atendimento ao art. 7o da Lei no 12.334, de 20 
de setembro de 2010.
 » Resolução 144 do CNRH do Ministério do Meio Ambiente, de 10 de 
julho de 2012: define as diretrizes referentes à implantação do PNSB e como 
serão aplicados os instrumentos e aplicação SNISB conforme o art. 20 da Lei no 
12.334/2010.
 » Portaria DNPM no 12, de 22 de janeiro de 2002: institui as Normas 
Reguladoras de Mineração (NRM), inclusive a NRM 19, que trata da Disposição 
de Estéril, Rejeitos e Produtos.
11
RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I
 » Portaria Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) 416, de 
3 de setembro de 2012: institui o Cadastro Nacional de Barragens de Mineração 
e delibera sobre o Plano de Segurança Revisão Periódica de Segurança e Inspeções 
Regulares e Especiais de Segurança das Barragens de Mineração de acordo com 
a Lei no 12.334/2010. 
 » Portaria DNPM 526, de 11 de dezembro de 2013: define qual a regularidade 
de atualização e revisão, qualificação do responsável técnico, e ainda detalha o 
conteúdo mínimo e o nível que deve constar do Plano de Ação de Emergência das 
Barragens de Mineração (PAEBM), em consonância com os arts. 8o, 11 e 12 da Lei 
no 12.334/2010. 
 » Portaria ANM no 70.389, de 17 de maio de 2017: revoga a Portaria DNPM 
no 416 e em sua descrição determina a criação do Cadastro Nacional de Barragens 
de Mineração, o Sistema Integrado de Gestão em Segurança de Barragens de 
Mineração e define a regularidade para que ocorra a execução ou atualização, 
qualificação dos responsáveis técnicos, o detalhamento do conteúdo mínimo e o 
nível do Plano de Segurança da Barragem, assim como as Inspeções de Segurança 
Regular e Especial da Revisão Periódica de Segurança de Barragem e do Plano de 
Ação de Emergência para Barragens de Mineração, em concordância com os arts. 
8o, 9o, 10, 11 e 12 da Lei no 12.334, de 20 de setembro de 2010.
 » Normas Brasileiras Regulamentadoras ABNT: NBR 13028/2017 – 
Mineração – Elaboração e apresentação de projeto de barragens para disposição 
de rejeitos, contenção de sedimentos e reservação de água – Requisitos.
 » ABNT: NBR 13029/2017 – Mineração – Elaboração e apresentação de projeto 
de disposição de estéril em pilha.
Essas NBRs de 2017 são uma revisão da versão de 2006. Dentre os principais aspectos, 
essas normas passaram por consulta pública e, além disso, foram revisadas as terminologias 
específicas, foram aprovados critérios de avaliações mais gerais e o uso de critérios 
hidrológicos para realizar o dimensionamento do sistema extravasor, em virtude das 
possíveis consequências ou destruição potencial vinculada, recomendações e critérios 
mínimos de projeto.
A revisão que resultou nas NBRs de 2017 começou a ser feita em 2015 sob condução do 
Instituto Brasileiro de Mineração. No entanto, as normas originárias surgiram em 1993 
produzidas em parceria com o DNPM e especialistas, mas essas apresentam aspectos 
questionáveis e não possuía uma terminologia adequada.
12
UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO
É importante ressaltar que além desses dispositivos legais, atualmente, muitas pesquisas 
estão sendo realizadas com a finalidade de solucionar ou mitigar o problema associado 
à disposição de grandes volumes de rejeitos. O uso de métodos convencionais para 
disposição dos rejeitos em polpa necessita de enormes áreas e traz prejuízos ao meio 
ambiente e, como consequência, impossibilidades para realização de novos licenciamentos. 
(CARVALHO et al., 2018).
Além disso, a recuperação e o reaproveitamento de resíduos podem ser uma excelente 
alternativa para aproveitar o máximo dos rejeitos gerados. É primordial entender 
a importância das pesquisas e desenvolvimento, visando à redução da geração e 
reconhecimento de novas aplicações para tais resíduos. (IBRAM, 2016). 
A referência citada anteriormente ainda ressalta que algumas pesquisas estão sendo 
realizadas e mostram muitas possibilidades tecnológicas, para beneficiamento destes 
resíduos e para uso em indústrias:
 » cerâmica;
 » construção civil;
 » metalúrgica; 
 » química;
 » agricultura;
 » artesanato;
 » produção de pavimentos; 
 » produção de tijolos.
Conforme Carvalho et. al. (2018), a indústria da mineração vem buscando o uso dos 
rejeitos para outras aplicações econômicas e em consonância com as normas da ABNT. 
Alguns exemplos podem ser citados e já estão sendo aplicados como a utilização de finos 
na construção civil e ainda o enchimento de cavas esgotadas das minas e na agricultura.
De acordo com Carvalho et al. (2010) e Ibram (2016), pesquisadores da Universidade 
Federal de Minas Gerais (UFMG) produziram tecnologia para transformar resíduos da 
mineração de ferro, bauxita, fosfato e calcário em produtos como:
 » cimento – construção de blocos, vigas, passeios e estradas;
13
RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I
 » areia – indústria de vidro e chips de computador;
 » pigmentos – tintas.
A Figura 3 mostra uma casa construída com rejeitos de mineração, tecnologia desenvolvida 
pelos pesquisadores da UFMG.
Figura 3. Imagem de uma casa produzida pelos rejeitos da mineração
Fonte: http://www.simi.org.br/noticia/Pesquisadores-mineiros-constroem-casa-com-lama-de-rejeitos.
No entanto, essa inovação ainda encontra barreiras mercadológicas e, também, pelos 
pequenos valores desses insumos derivados, e, ainda, o uso está restrito aos mercados 
adjuntos, representando um volume muito pequeno se comparado com a grande geração 
de volume de estéreis e rejeitos.
O rejeito de minério de ferro também é usado para produção de argamassa, e até 85% 
desses rejeitos podem ser aplicados, considerando que os resultados são satisfatórios, 
podendo fabricar vários produtos, dentre eles, blocos de pavimentação e alvenaria. 
(IBRAM, 2016). 
Na agricultura, esses rejeitos também podem ser utilizados. Como, por exemplo, o 
pó de calcário industrial, que pode ser aplicado para a correção do pH do solo e para 
satisfazer a carência do mercado. O pó de rocha é também um dos insumos utilizados 
na agricultura. Esse pó é aplicado diretamente no solo, ao qual fornece nutrientes, tais 
como cálcio, fósforo, magnésio e, em especial,potássio.
A principal função dessas rochas é condicionar o solo, possibilitando que os demais 
nutrientes e que as condições do solo fiquem mais equilibradas e que cada nutriente 
seja oferecido de acordo com a demanda da cultura. 
14
UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO
Outra possibilidade para reforçar o solo é realizar a incorporação de produtos à base 
de polímeros acrílicos, melhorando a qualidade do solo que geralmente é dispensado, 
transformando num solo de boa qualidade que se torna viável na pavimentação de 
diversas construções, inclusive como reforço de barragens.
Esse método possibilita realizar o descomissionamento de pilhas e barragens, resultando 
nos volumes, que reduz a necessidade de novas barragens e, como consequência, 
diminuindo os riscos associados. 
15
CAPÍTULO 3 
ALTERNATIVAS DE DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS
Como uma alternativa à disposição convencional dos resíduos da mineração, outras 
alternativas estão sendo estudadas em busca de reduzir as áreas que esses depósitos de 
resíduos ocupam, diminuir os danos ambientais, e driblar o endurecimento dos órgãos 
governamentais para a construção e o alteamento de barragens. Essas alternativas 
possuem vantagens em comparação com os métodos tradicionais.
Empilhamento a seco
O empilhamento a seco, também conhecido como dry stacking, é uma técnica bastante 
aplicada na disposição de rejeitos filtrados em pilhas. Assim, são utilizados filtros (de 
disco a vácuo), que possibilitam a filtragem dos rejeitos e, logo em seguida, é a realizada 
a disposição como empilhamento a seco, eliminando a necessidade do uso de barragens. 
(CARVALHO, 2017 e IBRAM, 2016).
Essa técnica é bastante antiga, e é muito aplicada nas empresas que trabalham com 
alumínio para dispor, de maneira mais viável, os rejeitos da alumina. No empilhamento 
a seco, o rejeito fino sofre adensamento nos espessadores até teores de sólidos elevados; 
logo em seguida, são submetidos a evaporação. (IBRAM, 2016). A figura a seguir mostra 
um empilhamento de rejeito a seco.
Segundo Carvalho (2017), o empilhamento a seco pode ser considerado basicamente 
uma operação de terraplanagem, e com o objetivo de minimizar custos operacionais e 
assegurar a estabilidade do empilhamento, é possível compactar apenas o trecho em 
que a superfície de ruptura é considerada crítica, sem a necessidade de compactar todo 
o resíduo, levando, assim, à resistência ao cisalhamento.
Figura 4. Rejeitos em pasta e empilhamento a seco
Fonte: Adaptado de Figueiredo (2007) e https://institutominere.com.br/blog/empilhamento-de-rejeito-a-seco-alternativa-a-
disposicao-em-barragens. 
16
UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO
Figueiredo (2007) explica a técnica de desaguamento da polpa dos rejeitos, que consiste 
na remoção de água em que esse pode estar, em diversos estados físicos, tais como polpa, 
pasta ou massa tipo torta e exibir diferentes comportamentos geotécnicos. Ressalta que 
o processo pode acontecer através, além dos filtros a vácuo, de espessadores de grande 
porte, elevando o teor de sólidos e melhorando os parâmetros de resistência. E ainda 
explica os diversos conceitos de rejeitos que passam pelos processos de desaguamento:
Rejeitos espessados (thickened tailings) – rejeitos desaguados 
parcialmente, mas que apresentam ainda a consistência de uma polpa, 
com alto teor de sólidos e ainda passível de bombeamento;
Rejeitos em pasta (paste tailings) – rejeitos espessados mediante a 
incorporação de algum tipo de aditivo químico (tipicamente um agente 
hidratante);
Rejeitos filtrados a úmido (wet cake tailings) – rejeitos na forma de uma 
massa saturada ou quase saturada, não mais passível de bombeamento; 
Rejeitos filtrados a seco (dry cake tailings) – rejeitos na forma de uma 
massa não saturada (grau de saturação tipicamente entre 70% e 85%), 
não passível de bombeamento. (GOMES, 2006 apud FIGUEIREDO, 
2007, p. 26).
Codisposição e disposição compartilhada de estéreis e 
rejeitos
As metodologias de codisposição e disposição compartilhada ainda não são explicadas 
completamente. No entanto, a disposição compartilhada é o caso em que os rejeitos –
rejeitos ou os rejeitos e estéril não passam por um processo de mistura antes de serem 
dispostos no local. (ALVES, 2009; CARVALHO, 2017; SILVA, 2014).
Enquanto é possível tratar a codisposição como a técnica em que se misturam os rejeitos 
ou mesmo rejeitos e estéril e logo após realização, o processo de disposição. Essa 
metodologia consiste, simplesmente, em combinar estéril que possuem granulometria 
mais grosseira com um rejeito com granulometria fina. (ALVES, 2009; CARVALHO, 
2017; SILVA, 2014).
As partículas finas do rejeito servem como preenchimento dos espaços vagos que são 
deixados pelas partículas granulares. A formação de pilhas por estéreis possui grandes 
quantidades de vazios, pois o desmonte do material nas frentes das lavras é feito usando 
explosivos, produzindo estéreis com os mais variados formatos e dimensões.
17
RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I
A disposição de rejeitos e estéreis, normalmente, tem seu projeto, construção e operação 
realizado de forma diversificada, pois é necessário considerar as características particulares 
do material. Entretanto, levando em conta as características geotécnicas desfavorecidas de 
determinados materiais à disposição geralmente é realizada em conjunto estéril-rejeito.
Carvalho (2017) descreve que a codisposição pode ser realizada com três possibilidades:
 » Mistura do estéril-rejeito: neste método, o estéril e o rejeito são misturados 
antes de ser dispostos e pode ocorrer nas atividades de processamento e transporte 
que são realizadas por caminhões e/ou correias transportadoras, ou mesmo pode 
ser feito no topo do depósito próximo à crista do talude, realizando o ajuste da 
camada com auxílio de equipamentos apropriados, produzindo o material com 
certa homogeneidade.
 » Injeção dos rejeitos no depósito de estéril: neste caso, há uma injeção de 
rejeitos sob forma de pasta, que é realizado logo após o desaguamento e espessamento 
que acontece do depósito estéril. A injeção é executada através de furos e tubulações 
que são inseridas no topo do depósito.
 » Disposição do rejeito em camadas finas no depósito de estéril: deste 
método a disposição é compartilhada através de finas camadas de rejeitos que estão 
entre as camadas de estéril, possibilitando que seja realizada a dissipação total do 
excesso de poropressão, que é produzida na parte interna do maciço de rejeito.
Figura 5. Imagem representado a codisposição em mistura do estéril-rejeito e da injeção dos 
rejeitos no depósito estéril, respectivamente
 
 
15m 
20 m 
TUBO 
PEAD 
Ф100mm 
Zona de injeção de 
rejeito 
Face ativa de 
lançamento 
Estéril 
Mistura rejeito-estéril 
Face ativa de 
lançamento 
Estéril 
3 
1 
Fonte: Adaptado de Carvalho (2017).
18
UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO
Quadro 1. Vantagens e desvantagens da codisposição e disposição compartilhada
Método Vantagens Desvantagens
Co-disposição
 » Redução de volume: melhoria das 
características geotécnicas e de densidade da 
mistura de rejeitos;
 » Redução de volume: melhoria das 
características geotécnicas e de densidade da 
mistura de rejeitos + estéreis;
 » Melhoria das características de resistência 
e de deformabilidade quando os resíduos 
misturados possuem granulometrias muito 
diferentes;
 » Redução de comprometimento ambiental de 
áreas para disposição de resíduos;
 » Recuperação de área minerada.
 » Necessidade de maiores cuidados no projeto 
e de controle durante a operação do sistema;
 » Possibilidade de comprometimento 
das características de resistência e de 
deformabilidade quando resíduos muitos 
finos são misturados a resíduos grossos em 
grandes proporções;
 » Comprometimento ambiental quando um 
dos rejeitos for quimicamente ativo ou 
tóxico;
Disposição compartilhada
 » Aproveitamento de áreas já utilizadas 
anteriormente para disposição de rejeitos ou 
de estéreis (estéreis lançados sobre baciasexauridas de rejeito ou rejeitos lançados 
sobre platôs de pilhas de estéreis);
 » Redução de comprometimento ambiental de 
áreas para disposição de resíduos;
 » Recuperação de área minerada.
 » Necessidade de maiores cuidados no projeto 
e de controle durante a operação do sistema;
 » Comprometimento ambiental quando um 
dos resíduos for quimicamente ativo ou 
tóxico.
Fonte: Silva (2014).
Além das técnicas citadas, o processamento e concentração magnética dos rejeitos sem 
o uso de água no seu tratamento é uma opção. Nesse procedimento é processamento 
e concentração magnética e o tratamento do rejeito em forma de pilhas e barragens, 
introduzindo um método a seco. (IBRAM, 2016).
19
REFERÊNCIAS 
AMN. Agência Nacional de Mineração. Manual de Fiscalização para Barragens de Mineração. 
ANM: Brasília, 2018. Acessado em 5/10/2018. Disponível em: http://www.anm.gov.br/assuntos/barragens/
manual-de-fiscalizacao-para-barragens-de-mineracao-anm-versao-2018/view.
ALBUQUERQUE FILHO, Luiz Heleno. Avaliação do comportamento geotécnico de barragens 
de rejeitos de minério de ferro através de ensaios de piezocone. Dissertação (Mestrado em 
Engenharia Civil) – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2004.
ARAGÃO, Giani Aparecida Santana. Classificação de pilhas de estéril na mineração de ferro. 
Dissertação (Mestrado em Engenharia Mineral) – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2008.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 13028: Mineração – Elaboração e 
apresentação de projeto de barragens para disposição de rejeitos, contenção de sedimentos e reservação 
de água – Requisitos. Rio de Janeiro. 2017.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13029: Mineração – Elaboração e apresentação 
de projeto de disposição de estéril em pilha – Requisitos. Rio de Janeiro. 2017.
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS. ANA. (Brasil). A gestão dos recursos hídricos e a mineração. 
Coordenação-Geral das Assessorias; Instituto Brasileiro de Mineração; Organizadores: Antônio Félix 
Domingues, Patrícia Helena Gambogi Boson, Suzana Alípaz. Brasília: ANA, 2006.
BEZERRA, Carolina Goulart Caracterização do rejeito de minério de ferro (IOT) e avaliação da 
sua influência no comportamento físico-químico e mecânico de pastas de cimento. Dissertação 
(Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.
BORMA, L. S.; SOARES, P. S. M. Drenagem ácida e gestão de resíduos sólidos de mineração. 
In: Extração de ouro: princípios, tecnologia e meio ambiente. Cap.10. Rio de Janeiro: CETEM/MCT, 
2002. p. 253-276.
BRASIL. Lei no 12.334, de 20 de setembro de 2010. Estabelece a Política Nacional de Segurança 
de Barragens destinadas à acumulação de água para quaisquer usos, à disposição final ou temporária de 
rejeitos e à acumulação de resíduos industriais, cria o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de 
Barragens e altera a redação do art. 35 da Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997, e do art. 4o da Lei no 9.984, 
de 17 de julho de 2000. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/
Lei/L12334.htm. Acesso em: 5 out. 2019. 
BRASIL._ Portaria ANM no 70.389, de 17 de maio de 2017. Cria o Cadastro Nacional de Barragens 
de Mineração, o Sistema Integrado de Gestão em Segurança de Barragens de Mineração e estabelece a 
periodicidade de execução ou atualização, e dá outras providências. Disponível em: http://www.anm.
gov.br/dnpm/documentos/portaria-dnpm-no-70-389-de-17-de-maio-de-2017-seguranca-de-barragens-
de-mineracao/view. Acesso em: 8 out. 2019.
CARVALHO, Pedro Sérgio Landim de; MESQUITA, Pedro Paulo Dias; REGIS, Rafael Dirques David; 
MEIRELLIS, Thamyris de Lima. Sustentabilidade socioambiental da mineração. Mineração | 
BNDES Setorial 47, p. 333-390, 2018.
20
REFERÊNCIAS
CARVALHO, Wesley Durval Soares de. Sistema de disposição compartilhada de estéreis e rejeitos 
desaguados da mina de Fernandinho. Dissertação (Mestrado em Geotecnia) – Universidade Federal 
de Ouro Preto, Ouro Preto, 2017.
CEDEC-MG. Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Gabinete Militar do Governador. Plano de 
Segurança para as comunidades próximas a barragens de mineração –CEDEC – Minas 
Gerais: GMG. 2019.
CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS. CNDH. Relatório sobre o rompimento 
da barragem de rejeitos da mineradora Samarco e seus efeitos sobre o vale do rio doce. 
Brasília: CNDH, 2017.
DUARTE, Anderson Pires. Classificação das barragens de contenção de rejeitos de mineração 
e de resíduos industriais no estado de Minas Gerais em relação ao potencial de risco. 
Dissertação (Mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos). Universidade Federal de 
Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.
FARIA, Luciana Rodrigues de. Disposição de estéril em cava: um estudo de caso. Dissertação 
(Mestrado) – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2016.
FIGUEIREDO, Marcelo Marques. Estudo de metodologias alternativas de disposição de rejeitos 
para a mineração Casa de Pedra. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Ouro Preto, 
Ouro Preto-MG: 2007.
FREITAS, Carlos Machado; SILVA, Mariano Andrade da. Acidentes de trabalho que se tornam desastres: 
os casos dos rompimentos em barragens de mineração no Brasil. In: Rev Bras Med Trab. 2019;17(1):21-9.
GALVÃO SOBRINHO, Antônio Rafael de Vasconcelos. Metodologia para implantação de um 
sistema de disposição de rejeitos em minério de ferro na região do semiárido: estudo de 
caso. Dissertação (Mestrado em Engenharia Sanitária) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 
Natal. 2014.
INSTITUTO BRASILEIRO DE MINERAÇÃO. IBRAM. Gestão e manejo de rejeitos da mineração. 
Organizador: Instituto Brasileiro de Mineração. 1. ed. Brasília: IBRAM, 2016.
LOZANO, F. A. E. Seleção para locais de barragens de rejeitos usando o método de análise 
Hierárquica. (Dissertação de Mestrado). Departamento de Engenharia de Estruturas e Fundações, 
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
LUZ, A. B.; Sampaio, J. A.; FRANÇA, S. C. A. Tratamento de minérios. 5. ed. Rio de Janeiro: CETEM/
CNPq, 2010. 932p. 
NEVES, Paniago Luís. Segurança de Barragens – Legislação federal brasileira em segurança de 
barragens comentada. Brasília, 2018. Consultado em 5/10/2019. Disponível em: http://www.anm.gov.
br/assuntos/barragens/e-book-livre-legislacao-federal-brasileira-em-seguranca-de-barragens-autor-
luiz-paniago-neves. 
PEREIRA, Oniwendel Felipe de Morais. Análise da classificação de barragens de contenção 
de rejeitos no brasil, quanto ao critério de categoria de risco. Artigo científico (Mestrado 
Profissional em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais) ─ Instituto Tecnológico 
Vale Desenvolvimento Sustentável, Belém, 2016.
21
REFERÊNCIAS
PETRONILHO, Michelle Rose. Avaliação do comportamento geotécnico de pilhas de estéril 
por meio de análises de risco. Dissertação (Mestrado em Geotecnia) – Universidade Federal de 
Ouro Preto, 2010.
PLANO DE SEGURANÇA PARA AS COMUNIDADES PRÓXIMAS A BARRAGENS DE MINERAÇÃO – 
CEDEC – Minas Gerais: GMG. 2019.
PORTES, Andréa M. C. Avaliação da disposição de rejeitos de minério de ferro nas consistências 
polpa e torta. Dissertação (Mestrado Geotecnia e Transportes) – Universidade Federal de Minas Gerais, 
Belo Horizonte, 2013.
PULINO, Alexandre Masocatto. Índices de estimativa de custos de fechamento de pilhas de 
estéril e barragens de rejeitos. Dissertação (Mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos 
Hídricos) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.
OLIVEIRA, Valdir de Castro; OLIVEIRA, Daniela de Castro. A semântica do eufemismo: mineração e 
tragédia em Brumadinho. In: Reciis – Rev Eletron Comun Inf Inov Saúde. 2019 jan-mar.; 13(1):13-
38 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278.
RAFAEL, Herbert Miguel Angel Maturano. Análise do potencial de liquefação de uma barragem 
de rejeito. Dissertação (Mestrado Engenharia Civil) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 
Rio de Janeiro, 2012.
SILVA, Raika Katiuscia Alves.Co-disposição e disposição compartilhada de rejeitos e estéreis 
em cava exaurida. Dissertação (Mestrado profissional em engenharia geotécnica) - Universidade 
Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2014.
SABBO, Gabriela Rodrigues; ASSIS, Milena Maria Graciano de; BERTERQUINI, Aline Botini Tavares. 
Barragens de retenção de rejeitos de mineração. In: Revista Engenharia em Ação UniToledo, 
Araçatuba, SP, v. 2, n. 1, p. 3-15, jan./ago. 2017.
VICTORINO, Heloísa da Silva. Análise de deformação em pilhas de disposição de estéril (NWI, 
W E SIV) no Complexo Minerador de Carajás com uso de dados Stripmap do Satélite 
Terrasar-X. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – São José dos Campos: INPE, 2016.

Mais conteúdos dessa disciplina