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MANEJO DE REJEITOS E ESTÉREIS DE MINERAÇÃO UNIDADE I RESÍDUOS DA MINERAÇÃO Elaboração Cristiane Oliveira de Carvalho Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX 4 5 UNIDADE IRESÍDUOS DA MINERAÇÃO Nesta primeira parte do Caderno de Estudos será apresentado o conceito de resíduos da mineração, um pouco da legislação que rege a disposição e alguns métodos de disposição dos resíduos. O capítulo 1 aborda uma definição de resíduos da mineração, diferenciando os estéreis dos rejeitos. O capítulo 2 aborda um resumo sobre leis, normas e resoluções que são importantes para a correta disposição de rejeitos, tais como a Lei no 12.334, NRM 19, NBR 13028 e NRM 13.029. Este capítulo ainda explica as alternativas que estão sendo estudadas para aproveitamento dos rejeitos da mineração, como opção para evitar a disposição desses rejeitos. O terceiro capítulo ficou reservado para tratar um pouco de alguns métodos da disposição de rejeitos, tais como codisposição e disposição compartilhada de estéreis e rejeitos. Objetivos da Unidade » Entender o conceito de resíduos. » Conhecer o pouco da legislação que rege a disposição de resíduos. » Aprender novas alternativas para a disposição de resíduos. Você sabia que os rejeitos da mineração estão sendo estudados como materiais da construção civil? Os estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto estão pesquisando, nos Laboratórios de Materiais de Construção Civil, novas técnicas de aproveitamento do material rejeitado do mineral para serem utilizados em construção civil e infraestrutura. Fonte: https://ufop.br/noticias/pesquisa-e-inovacao/pesquisa-sobre-uso-dos-rejeitos-da-mineracao-indica-diferentes-maneiras. 6 CAPÍTULO 1 DEFINIÇÕES DOS RESÍDUOS A mineração é uma atividade econômica que tem enorme capacidade de produzir impactos ambientais, que estão associados a grande parcela de resíduos produzidos. Devido à possibilidade de prejuízos ambientais, a extração de minérios pode influenciar de muitas formas a qualidade do meio ambiente e, consequentemente, na sociedade. Para extrair e beneficiar recursos minerais da crosta terrestre para uso econômico é necessário realizar diversas atividades complexas, resultando em transformações ambientais, que ocorrem por meio das operações de lavra e processo. O processo de lavra são as atividades que visam extrair o mineral, buscando a sua aplicação industrial ou direta, enquanto os processos da mineração estão vinculados ao beneficiamento mineral, abrangendo atividades com separações físicas e químicas para conseguir obter o mineral valioso. Nesses processos são gerados rejeitos que ainda não possuem valor econômico, sendo, então, descartados pelas usinas de tratamento. Esses rejeitos podem ser definidos como resíduos provenientes de processos de tratamento mineral que buscam obter os elementos valiosos, ou o produto final. De acordo com a natureza do minério beneficiado e os tratamentos utilizados, podem ser gerados rejeitos com diferentes características geotécnicas, físico-químicas e mineralógicas. Além disso, os rejeitos que possuem granulometria fina são conhecidos como lama e aqueles que possuem granulometria grossa são nomeados como rejeitos granulares. (DUARTE, 2008). Figura 1. Ciclo da atividade mineira mostrando o estéril e o rejeito Estéril Barragem de contenção de sedimentos Efluentes Efluentes Barragem de rejeitos Recirculação de água Industrial Produtos Fonte: Ibram apud https://docplayer.com.br/81702922-Evolucao-da-legislacao-de-barragens-no-brasil.html. 7 RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I Na mineração são produzidos basicamente dois tipos de resíduos: os estéreis (resíduos sólidos de extração) e os rejeitos (tratamento/beneficiamento) (BEZERRA, 2017; IBRAM, 2016). No decorrer dessas operações, esses materiais que não são aproveitados economicamente são dispostos em locais previamente estabelecidos e preparados com esse objetivo. (SILVA, 2014). Estes resíduos, de modo geral, podem ser pilhas de minérios pobres, estéreis, rochas, sedimentos, solos, aparas e lamas das serrarias de mármore e granito, as polpas de decantação de efluentes, as sobras da mineração artesanal de pedras preciosas e semipreciosas – principalmente em região de garimpos – e finos e ultrafinos não aproveitados no beneficiamento. Os outros resíduos resultantes da operação das plantas de mineração são, em geral, os efluentes das estações de tratamento, os pneus, as baterias utilizadas nos veículos e maquinários, além de sucatas e resíduos de óleo em geral, cuja disposição se dá em locais e forma a eles adequados. (IBRAM, 2016). Os materiais conhecidos como estéreis são aqueles provenientes das escavações e movimentações no decorrer das atividades de lavra no decapeamento e lavra da mina, mas não possuem nenhum valor econômico agregado. Esses materiais são rochas, solos ou misturas desses (BEZERRA, 2017; SILVA, 2014). Segundo Pulino (2010), a lavra que acontece nas minas a céu aberto gera mais estéreis do que as minas subterrâneas, pois, nestas, a lavra se limita ao corpo de minério. Os estéreis na lavra de minas a céu aberto são removidos para que se alcance o corpo de minério ou para possibilitar uma cava estável na perspectiva geotécnica. Já os estéreis das minas subterrâneas são gerados em uma quantidade menor e ficam depositados no subsolo. Os estéreis são gerados em diversas granulometrias e são dispostos, frequentemente, em pilhas dotadas de grandes dimensões, conhecidas como pilhas estéreis (PDE). (BEZERRA, 2017; PULINO, 2010; SILVA, 2014). Outro tipo de resíduo, o rejeito, é proveniente dos processos de tratamento, resultando em polpa ou lama, que consiste na mistura de sólido e água, e é armazenado em reservatórios que são chamados de barragens de contenção ou dispostos em pilhas, assim como os estéreis (ABNT, 2017; BEZERRA, 2017; SILVA, 2014) Duarte (2008) explica que o descarte pode ser feito a granel e que são transportados com o auxílio de caminhões ou correias transportadoras; ou como polpa, que é uma mistura de água e sólidos, e seu transporte é realizado através de tubulações valendo-se de sistemas de bombeamento ou ajuda da gravidade. 8 UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO Duarte (2008) e Ibram (2016), em consonância com os citados anteriormente, dispõem que os rejeitos podem ser dispostos em cavas exauridas de minas, minas subterrâneas, em pilhas, por empilhamento a seco (método dry stacking), por disposição em pasta ou em barragens de contenção. Ainda reiteram que as barragens de contenção são as favoritas e que a seleção de um método para realizar a disposição dos rejeitos varia conforme: » tipo de processo da mineração. » condições geológicas e topográficas da região. » propriedades mecânicas do material. » capacidade do rejeito impactar negativamente o ambiente. » condições climáticas da região. Figura 2. Imagem apresentando: a) barragem de rejeito; b) pilha de estéreis Fonte: Adaptado de http://recursomineralmg.codemge.com.br/meio-ambiente-e-mineracao/ e http://www.anm.gov.br/ noticias/ministro-de-minas-e-energia-visita-mina-de-ouro-em-sabara-mg/3.jpg. A tabela a seguir mostra a produção de rejeito e estéril do minério de ferro no Brasil dos anos de 2010 a 2019. 9 RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I Tabela 1. Geração de rejeito e de estéril para o tratamento de minério de Ferro (milhões de Toneladas) Ano Produção beneficiada Brasil Produção MG Produção PA Rejeito MG Rejeito PA Rejeito unidades federativas Rejeito Brasil Estéril Brasil 2010 298 207 86 82,8 6,9 2,5 92,2 255,0 2011 372 260 101 104,0 8,1 5,5 117,6 321,5 2012 398 275 110 110,0 8,8 6,5 125,3 343,0 2013 401 277 107 110,8 8,6 8,5 127,9 347,5 2014 386 265 105 106,0 8,4 8,0 122,4 333,5 2015* 420 275 128 110,0 10,2 8,5 128,7 356,0 2016* 430 283 140 127,4 11,2 3,5 142,1 360,0 2017* 470 280 180 126,0 14,4 5,0 145,4 380,02018* 520 280 230 126,0 18,4 5,0 149,4 405,0 2019* 530 290 230 130,5 18,4 5,0 153,9 415,0 Fonte: Carvalho et. al. (2018). 10 CAPÍTULO 2 LEGISLAÇÃO DO MANEJO DE REJEITOS E ESTÉREIS DA MINERAÇÃO Diversos países passaram a regulamentar de maneira mais intensa os variados aspectos que abrangem a gestão e o manejo de rejeitos de mineração. A partir do século XX, de modo gradual, os dispositivos legais começaram a formalizar e estabelecer requisitos e obrigações para os empreendimentos mineiros com o objetivo de conseguir medidas mitigadoras e saneadoras, ou alternativas que evitem ou minimizem os riscos de acidentes futuros. (IBRAM, 2016 e CEDEC-MG, 2019). Deste material enfatizará leis, normas e regulamentos federais atuais e vigentes no País, que possibilitaram a regulamentação da gestão e manejo de rejeitos e estéreis no País e segurança de barragens: » Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010: Esta lei foi responsável por instituir a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PRS). » Lei no 12.334, de 20 de setembro de 2010: estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) que visam ao armazenamento de água para quaisquer aplicações, e a disposição permanente ou provisória de rejeitos e resíduos industriais, além de criar o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB). » Resolução 91 da Agência Nacional das Águas (ANA), de 2 de abril de 2012: define a periocidade, qualificação do responsável técnico, e ainda detalha o conteúdo e o nível que deve constar no Plano de Segurança de Barragem e a Revisão Periódica de Segurança de Barragem. » Resolução 143 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) do Ministério do Meio Ambiente, de 10 de julho de 2012: estabelece critérios gerais de classificação de barragens por categoria de risco, dano potencial associado e pelo volume do reservatório, em atendimento ao art. 7o da Lei no 12.334, de 20 de setembro de 2010. » Resolução 144 do CNRH do Ministério do Meio Ambiente, de 10 de julho de 2012: define as diretrizes referentes à implantação do PNSB e como serão aplicados os instrumentos e aplicação SNISB conforme o art. 20 da Lei no 12.334/2010. » Portaria DNPM no 12, de 22 de janeiro de 2002: institui as Normas Reguladoras de Mineração (NRM), inclusive a NRM 19, que trata da Disposição de Estéril, Rejeitos e Produtos. 11 RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I » Portaria Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) 416, de 3 de setembro de 2012: institui o Cadastro Nacional de Barragens de Mineração e delibera sobre o Plano de Segurança Revisão Periódica de Segurança e Inspeções Regulares e Especiais de Segurança das Barragens de Mineração de acordo com a Lei no 12.334/2010. » Portaria DNPM 526, de 11 de dezembro de 2013: define qual a regularidade de atualização e revisão, qualificação do responsável técnico, e ainda detalha o conteúdo mínimo e o nível que deve constar do Plano de Ação de Emergência das Barragens de Mineração (PAEBM), em consonância com os arts. 8o, 11 e 12 da Lei no 12.334/2010. » Portaria ANM no 70.389, de 17 de maio de 2017: revoga a Portaria DNPM no 416 e em sua descrição determina a criação do Cadastro Nacional de Barragens de Mineração, o Sistema Integrado de Gestão em Segurança de Barragens de Mineração e define a regularidade para que ocorra a execução ou atualização, qualificação dos responsáveis técnicos, o detalhamento do conteúdo mínimo e o nível do Plano de Segurança da Barragem, assim como as Inspeções de Segurança Regular e Especial da Revisão Periódica de Segurança de Barragem e do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração, em concordância com os arts. 8o, 9o, 10, 11 e 12 da Lei no 12.334, de 20 de setembro de 2010. » Normas Brasileiras Regulamentadoras ABNT: NBR 13028/2017 – Mineração – Elaboração e apresentação de projeto de barragens para disposição de rejeitos, contenção de sedimentos e reservação de água – Requisitos. » ABNT: NBR 13029/2017 – Mineração – Elaboração e apresentação de projeto de disposição de estéril em pilha. Essas NBRs de 2017 são uma revisão da versão de 2006. Dentre os principais aspectos, essas normas passaram por consulta pública e, além disso, foram revisadas as terminologias específicas, foram aprovados critérios de avaliações mais gerais e o uso de critérios hidrológicos para realizar o dimensionamento do sistema extravasor, em virtude das possíveis consequências ou destruição potencial vinculada, recomendações e critérios mínimos de projeto. A revisão que resultou nas NBRs de 2017 começou a ser feita em 2015 sob condução do Instituto Brasileiro de Mineração. No entanto, as normas originárias surgiram em 1993 produzidas em parceria com o DNPM e especialistas, mas essas apresentam aspectos questionáveis e não possuía uma terminologia adequada. 12 UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO É importante ressaltar que além desses dispositivos legais, atualmente, muitas pesquisas estão sendo realizadas com a finalidade de solucionar ou mitigar o problema associado à disposição de grandes volumes de rejeitos. O uso de métodos convencionais para disposição dos rejeitos em polpa necessita de enormes áreas e traz prejuízos ao meio ambiente e, como consequência, impossibilidades para realização de novos licenciamentos. (CARVALHO et al., 2018). Além disso, a recuperação e o reaproveitamento de resíduos podem ser uma excelente alternativa para aproveitar o máximo dos rejeitos gerados. É primordial entender a importância das pesquisas e desenvolvimento, visando à redução da geração e reconhecimento de novas aplicações para tais resíduos. (IBRAM, 2016). A referência citada anteriormente ainda ressalta que algumas pesquisas estão sendo realizadas e mostram muitas possibilidades tecnológicas, para beneficiamento destes resíduos e para uso em indústrias: » cerâmica; » construção civil; » metalúrgica; » química; » agricultura; » artesanato; » produção de pavimentos; » produção de tijolos. Conforme Carvalho et. al. (2018), a indústria da mineração vem buscando o uso dos rejeitos para outras aplicações econômicas e em consonância com as normas da ABNT. Alguns exemplos podem ser citados e já estão sendo aplicados como a utilização de finos na construção civil e ainda o enchimento de cavas esgotadas das minas e na agricultura. De acordo com Carvalho et al. (2010) e Ibram (2016), pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) produziram tecnologia para transformar resíduos da mineração de ferro, bauxita, fosfato e calcário em produtos como: » cimento – construção de blocos, vigas, passeios e estradas; 13 RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I » areia – indústria de vidro e chips de computador; » pigmentos – tintas. A Figura 3 mostra uma casa construída com rejeitos de mineração, tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores da UFMG. Figura 3. Imagem de uma casa produzida pelos rejeitos da mineração Fonte: http://www.simi.org.br/noticia/Pesquisadores-mineiros-constroem-casa-com-lama-de-rejeitos. No entanto, essa inovação ainda encontra barreiras mercadológicas e, também, pelos pequenos valores desses insumos derivados, e, ainda, o uso está restrito aos mercados adjuntos, representando um volume muito pequeno se comparado com a grande geração de volume de estéreis e rejeitos. O rejeito de minério de ferro também é usado para produção de argamassa, e até 85% desses rejeitos podem ser aplicados, considerando que os resultados são satisfatórios, podendo fabricar vários produtos, dentre eles, blocos de pavimentação e alvenaria. (IBRAM, 2016). Na agricultura, esses rejeitos também podem ser utilizados. Como, por exemplo, o pó de calcário industrial, que pode ser aplicado para a correção do pH do solo e para satisfazer a carência do mercado. O pó de rocha é também um dos insumos utilizados na agricultura. Esse pó é aplicado diretamente no solo, ao qual fornece nutrientes, tais como cálcio, fósforo, magnésio e, em especial,potássio. A principal função dessas rochas é condicionar o solo, possibilitando que os demais nutrientes e que as condições do solo fiquem mais equilibradas e que cada nutriente seja oferecido de acordo com a demanda da cultura. 14 UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO Outra possibilidade para reforçar o solo é realizar a incorporação de produtos à base de polímeros acrílicos, melhorando a qualidade do solo que geralmente é dispensado, transformando num solo de boa qualidade que se torna viável na pavimentação de diversas construções, inclusive como reforço de barragens. Esse método possibilita realizar o descomissionamento de pilhas e barragens, resultando nos volumes, que reduz a necessidade de novas barragens e, como consequência, diminuindo os riscos associados. 15 CAPÍTULO 3 ALTERNATIVAS DE DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS Como uma alternativa à disposição convencional dos resíduos da mineração, outras alternativas estão sendo estudadas em busca de reduzir as áreas que esses depósitos de resíduos ocupam, diminuir os danos ambientais, e driblar o endurecimento dos órgãos governamentais para a construção e o alteamento de barragens. Essas alternativas possuem vantagens em comparação com os métodos tradicionais. Empilhamento a seco O empilhamento a seco, também conhecido como dry stacking, é uma técnica bastante aplicada na disposição de rejeitos filtrados em pilhas. Assim, são utilizados filtros (de disco a vácuo), que possibilitam a filtragem dos rejeitos e, logo em seguida, é a realizada a disposição como empilhamento a seco, eliminando a necessidade do uso de barragens. (CARVALHO, 2017 e IBRAM, 2016). Essa técnica é bastante antiga, e é muito aplicada nas empresas que trabalham com alumínio para dispor, de maneira mais viável, os rejeitos da alumina. No empilhamento a seco, o rejeito fino sofre adensamento nos espessadores até teores de sólidos elevados; logo em seguida, são submetidos a evaporação. (IBRAM, 2016). A figura a seguir mostra um empilhamento de rejeito a seco. Segundo Carvalho (2017), o empilhamento a seco pode ser considerado basicamente uma operação de terraplanagem, e com o objetivo de minimizar custos operacionais e assegurar a estabilidade do empilhamento, é possível compactar apenas o trecho em que a superfície de ruptura é considerada crítica, sem a necessidade de compactar todo o resíduo, levando, assim, à resistência ao cisalhamento. Figura 4. Rejeitos em pasta e empilhamento a seco Fonte: Adaptado de Figueiredo (2007) e https://institutominere.com.br/blog/empilhamento-de-rejeito-a-seco-alternativa-a- disposicao-em-barragens. 16 UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO Figueiredo (2007) explica a técnica de desaguamento da polpa dos rejeitos, que consiste na remoção de água em que esse pode estar, em diversos estados físicos, tais como polpa, pasta ou massa tipo torta e exibir diferentes comportamentos geotécnicos. Ressalta que o processo pode acontecer através, além dos filtros a vácuo, de espessadores de grande porte, elevando o teor de sólidos e melhorando os parâmetros de resistência. E ainda explica os diversos conceitos de rejeitos que passam pelos processos de desaguamento: Rejeitos espessados (thickened tailings) – rejeitos desaguados parcialmente, mas que apresentam ainda a consistência de uma polpa, com alto teor de sólidos e ainda passível de bombeamento; Rejeitos em pasta (paste tailings) – rejeitos espessados mediante a incorporação de algum tipo de aditivo químico (tipicamente um agente hidratante); Rejeitos filtrados a úmido (wet cake tailings) – rejeitos na forma de uma massa saturada ou quase saturada, não mais passível de bombeamento; Rejeitos filtrados a seco (dry cake tailings) – rejeitos na forma de uma massa não saturada (grau de saturação tipicamente entre 70% e 85%), não passível de bombeamento. (GOMES, 2006 apud FIGUEIREDO, 2007, p. 26). Codisposição e disposição compartilhada de estéreis e rejeitos As metodologias de codisposição e disposição compartilhada ainda não são explicadas completamente. No entanto, a disposição compartilhada é o caso em que os rejeitos – rejeitos ou os rejeitos e estéril não passam por um processo de mistura antes de serem dispostos no local. (ALVES, 2009; CARVALHO, 2017; SILVA, 2014). Enquanto é possível tratar a codisposição como a técnica em que se misturam os rejeitos ou mesmo rejeitos e estéril e logo após realização, o processo de disposição. Essa metodologia consiste, simplesmente, em combinar estéril que possuem granulometria mais grosseira com um rejeito com granulometria fina. (ALVES, 2009; CARVALHO, 2017; SILVA, 2014). As partículas finas do rejeito servem como preenchimento dos espaços vagos que são deixados pelas partículas granulares. A formação de pilhas por estéreis possui grandes quantidades de vazios, pois o desmonte do material nas frentes das lavras é feito usando explosivos, produzindo estéreis com os mais variados formatos e dimensões. 17 RESÍDUOS DA MINERAÇÃO | UNIDADE I A disposição de rejeitos e estéreis, normalmente, tem seu projeto, construção e operação realizado de forma diversificada, pois é necessário considerar as características particulares do material. Entretanto, levando em conta as características geotécnicas desfavorecidas de determinados materiais à disposição geralmente é realizada em conjunto estéril-rejeito. Carvalho (2017) descreve que a codisposição pode ser realizada com três possibilidades: » Mistura do estéril-rejeito: neste método, o estéril e o rejeito são misturados antes de ser dispostos e pode ocorrer nas atividades de processamento e transporte que são realizadas por caminhões e/ou correias transportadoras, ou mesmo pode ser feito no topo do depósito próximo à crista do talude, realizando o ajuste da camada com auxílio de equipamentos apropriados, produzindo o material com certa homogeneidade. » Injeção dos rejeitos no depósito de estéril: neste caso, há uma injeção de rejeitos sob forma de pasta, que é realizado logo após o desaguamento e espessamento que acontece do depósito estéril. A injeção é executada através de furos e tubulações que são inseridas no topo do depósito. » Disposição do rejeito em camadas finas no depósito de estéril: deste método a disposição é compartilhada através de finas camadas de rejeitos que estão entre as camadas de estéril, possibilitando que seja realizada a dissipação total do excesso de poropressão, que é produzida na parte interna do maciço de rejeito. Figura 5. Imagem representado a codisposição em mistura do estéril-rejeito e da injeção dos rejeitos no depósito estéril, respectivamente 15m 20 m TUBO PEAD Ф100mm Zona de injeção de rejeito Face ativa de lançamento Estéril Mistura rejeito-estéril Face ativa de lançamento Estéril 3 1 Fonte: Adaptado de Carvalho (2017). 18 UNIDADE I | RESÍDUOS DA MINERAÇÃO Quadro 1. Vantagens e desvantagens da codisposição e disposição compartilhada Método Vantagens Desvantagens Co-disposição » Redução de volume: melhoria das características geotécnicas e de densidade da mistura de rejeitos; » Redução de volume: melhoria das características geotécnicas e de densidade da mistura de rejeitos + estéreis; » Melhoria das características de resistência e de deformabilidade quando os resíduos misturados possuem granulometrias muito diferentes; » Redução de comprometimento ambiental de áreas para disposição de resíduos; » Recuperação de área minerada. » Necessidade de maiores cuidados no projeto e de controle durante a operação do sistema; » Possibilidade de comprometimento das características de resistência e de deformabilidade quando resíduos muitos finos são misturados a resíduos grossos em grandes proporções; » Comprometimento ambiental quando um dos rejeitos for quimicamente ativo ou tóxico; Disposição compartilhada » Aproveitamento de áreas já utilizadas anteriormente para disposição de rejeitos ou de estéreis (estéreis lançados sobre baciasexauridas de rejeito ou rejeitos lançados sobre platôs de pilhas de estéreis); » Redução de comprometimento ambiental de áreas para disposição de resíduos; » Recuperação de área minerada. » Necessidade de maiores cuidados no projeto e de controle durante a operação do sistema; » Comprometimento ambiental quando um dos resíduos for quimicamente ativo ou tóxico. Fonte: Silva (2014). Além das técnicas citadas, o processamento e concentração magnética dos rejeitos sem o uso de água no seu tratamento é uma opção. Nesse procedimento é processamento e concentração magnética e o tratamento do rejeito em forma de pilhas e barragens, introduzindo um método a seco. (IBRAM, 2016). 19 REFERÊNCIAS AMN. Agência Nacional de Mineração. Manual de Fiscalização para Barragens de Mineração. ANM: Brasília, 2018. Acessado em 5/10/2018. Disponível em: http://www.anm.gov.br/assuntos/barragens/ manual-de-fiscalizacao-para-barragens-de-mineracao-anm-versao-2018/view. ALBUQUERQUE FILHO, Luiz Heleno. Avaliação do comportamento geotécnico de barragens de rejeitos de minério de ferro através de ensaios de piezocone. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2004. ARAGÃO, Giani Aparecida Santana. Classificação de pilhas de estéril na mineração de ferro. 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