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CURSO: 2ª Graduação em História ALUNO: Tiago Alves Furtado DESAFIO Antigo Regime português De que forma você, professor de História, utilizaria a definição e a história do "sistema de mercês" para ensinar as relações clientelísticas, corporativas e patrimonialistas da cultura política brasileira contemporânea? R. A Administração colonial portuguesa no Brasil caracterizou-se pela consolidação de um sistema denominado "sistema de mercês" ao qual era comum uma fusão das relações pessoais com as profissionais, a existência de interesses particulares e corporativistas nas decisões políticas e econômicas e no favorecimento de determinados setores ou figuras em detrimento de outras. Historicamente o desenvolvimento da sociedade e cultura política brasileira estão relacionados com a maneira ao qual os portugueses construíram os alicerces sociais e culturais da sociedade colonial no período da colonização do Brasil. Nesse sentido observa-se que se estabelece culturalmente um "sistema de mercês" ao qual se caracteriza pela ocorrência de que a gestão política e econômica desconsidera os fatores estritamente profissionais e racionais e baseia-se em geral no favorecimento aos interesses particulares e corporativistas de determinados setores da sociedade. O "sistema de mercês", organizador da economia, da política e da sociedade do Império Português, permite ao professor aproximar a temática da história colonial da cultura política contemporânea no Brasil. Ao trabalhar os conceitos de clientelismo, corporativismo e patrimonialismo, e explicar de que forma essas práticas eram desempenhadas na América Portuguesa, e com qual finalidade, é possível pensar em aproximações com exemplos contemporâneos. O professor pode, por exemplo, trazer alguns exemplos de manchetes políticas e perguntar aos alunos a quais práticas políticas eles correspondem. Dessa forma, consegue-se problematizar a longa duração de certas práticas da cultura política, bem como as continuidades e as reproduções das desigualdades sociais no Brasil.