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6ºAula Dimensionamento de Condutores Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • diferenciar capacidade de condução de corrente do circuito, limite de queda de tensão e capacidade de condução de corrente por tempo limitado; • identificar tabelas e métodos para dimensionar um condutor elétrico; • definir a bitola de um condutor por meio de método prático. Prezados(as) estudantes, Nesta aula, iremos ver um pouco como é o processo para determinar a capacidade de condução de corrente, para que, assim, possamos ter condições de dimensionar a corrente dos condutores para um circuito. Vamos, então, à leitura da aula? Boa leitura! Bons estudos! 331 Instalações Elétricas 54 1. Seções de estudo Instalação das linhas elétricas 2. Critério do limite da queda de tensão 1 - Instalação das linhas elétricas Ap rendemos na subseção 2.2 da Aula 4, que o caminhamento dos circuitos de distribuição e circuitos terminais é feito pelas linhas elétricas. Será necessário utilizar as informações da Tabela 19 para identificar o método de referência a ser utilizado na determinação da capacidade de condução de corrente da linha. Outro ponto importante sobre as linhas elétricas aprendemos no item 1.5.2 da Aula 3, no qual pudemos conferir as características dos cabos ou fios com relação a isolação, que podem ser de Policloreto de vinila (PVC), Borracha etileno- propileno (EPR) e Polietileno reticulado (XLPE). 1.1 - Critérios para dimensionamento da seção mínima dos condutores Os condutores devem ser dimensionados de forma que possam atender os seguintes critérios: • Capacidade de condução de corrente do circuito. • Limite de queda de tensão. • Capacidade de condução de corrente por tempo limitado. Nesta Aula, iremos focar apenas nos métodos de capacidade de condução de corrente do circuito e limite de queda de tensão. Para dimensionar a secção de cada condutor, deve- se respeitar as especificações técnicas de cada fabricante. Os fabricantes nacionais, por sua vez, respeitam as normas técnicas que iremos utilizar como referência, representadas pelas tabelas da Norma NBR 5410:2004. Nas Tabela 21 e Tabela 22, teremos os limites de condução de corrente dos condutores, conforme descrito na ABNT NBR 5410 (2004). 1.2 - Capacidade de condução de corrente do circuito Nesse método encontraremos o condutor ideal para o circuito, de forma que, a corrente máxima do circuito em regime premente não seja maior do que a Capacidade de condução de corrente do circuito. Para isso, iremos utilizar como base a ABNT NBR 5410, com os tipos de linhas elétricas, que estão descritas na Tabela 19. Para melhor entendimento, iremos usar um exemplo prático, mas primeiro, vamos falar dos métodos de instalação das linhas elétricas, apresentaremos as tabelas de capacidade de condução de corrente e as demais tabelas que irão nos auxiliar no dimensionamento dos condutores do nosso circuito. 1.2.1 - Tipos de linhas elétricas conforme NBR 5410 de 2004 Vocês devem estar se perguntando: Por que o método de instalação da linha elétrica exerce influência no dimensionamento do condutor? Basicamente, o método utilizado pode exercer influência no condutor e na sua isolação, de forma que, temos que nos assegurar que haverá garantia satisfatória de sua vida útil e que os efeitos térmicos não influenciem sua capacidade de condução de corrente elétrica. E nesse caso, temos na Tabela 19 os tipos de linhas elétricas - ABNT NBR 5410, juntamente, com o Método de Referência. Tabela 19 - Tipos de Linhas elétricas – (ABNT NBR 5410, 2004, p. 90). Método de Instalação número Esquema ilustrativo Descrição Método de referência 1 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto de seção circular embutido em parede termicamente isolante2) A1 2 Cabo multipolar em eletroduto de seção circular embutido em parede termicamente isolante2) A2 332 55 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto aparente de seção circular sobre parede ou diâmetro do eletroduto B1 4 Cabo multipolar em eletroduto aparente de seção circular sobre parede ou diâmetro do eletroduto B2 5 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto aparente de seção não-circular sobre parede B1 6 Cabo multipolar em eletroduto aparente de seção não-circular sobre parede B2 7 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto de seção circular embutido em alvenaria B1 8 Cabo multipolar em eletroduto de seção circular embutido em alvenaria B2 11 Cabos unipolares ou cabo multipolar sobre parede ou espaçado desta menos C 11A Cabos unipolares ou cabo multipolar C 11B Cabos unipolares ou cabo multipolar diâmetro do cabo C 333 Instalações Elétricas 56 12 Cabos unipolares ou cabo multipolar C Cabos unipolares ou cabo multipolar em 4) E (multipolar) F (unipolares) 14 Cabos unipolares ou cabo multipolar E (multipolar) F (unipolares) 15 Cabos unipolares ou cabo multipolar diâmetro do cabo E (multipolar) F (unipolares) 16 Cabos unipolares ou cabo multipolar em leito E (multipolar) F (unipolares) 17 Cabos unipolares ou cabo multipolar incorporado ou não E (multipolar) F (unipolares) 18 Condutores nus ou isolados sobre isoladores G 21 Cabos unipolares ou cabos multipolares lançados diretamente sobre a superfície instalados em suportes ou condutos dispostos no espaço de construção 5) 6) B2 B1 22 Condutores isolados em eletroduto de seção circular em espaço de construção5) 7) B2 B1 334 57 Cabos unipolares ou cabo multipolar em eletroduto de seção circular em espaço de construção 5) 7) B2 24 Condutores isolados em eletroduto de seção não-circular ou eletrocalha em espaço de construção 5) 25 Cabos unipolares ou cabo multipolar em eletroduto de seção não-circular ou eletrocalha em espaço de construção 5) B2 26 Condutores isolados em eletroduto de seção não-circular embutido em alvenaria 6) B2 B1 27 Cabos unipolares ou cabo multipolar em eletroduto de seção não-circular embutido em alvenaria B2 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletrocalha sobre parede em percurso horizontal ou vertical B1 Cabo multipolar em eletrocalha sobre parede em percurso horizontal ou vertical B2 Condutores isolados ou cabos unipolares em canaleta fechada embutida no piso B1 Cabo multipolar em canaleta fechada embutida no piso B2 Condutores isolados ou cabos suspensa(o) B1 335 Instalações Elétricas 58 Cabo multipolar em eletrocalha ou B2 41 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto de seção circular contido em canaleta fechada com percurso horizontal ou vertical 7) B2 B1 42 Condutores isolados em eletroduto de seção circular contido em canaleta ventilada embutida no piso B1 Cabos unipolares ou cabo multipolar em canaleta ventilada embutida no piso B1 51 Cabo multipolar embutido diretamente em parede termicamente isolante2) A1 52 Cabos unipolares ou cabo multipolar embutido(s) diretamente em alvenaria sem proteção mecânica adicional C Cabo multipolar em eletroduto (de seção circular ou não) ou em canaleta não-ventilada enterrado(a) C 61 Cabo multipolar em eletroduto (de seção circular ou não) ou em canaleta não-ventilada enterrado(a) D 336 59 61A Cabos unipolares em eletroduto (de seção não-circular ou não) ou em canaleta não ventilada enterrado(a) D Cabos unipolares ou cabo multipolar mecânica adicional9) D 71 Condutores isolados ou cabos unipolares em moldura A1 72 72A 72 - Condutores isolados ou cabos unipolares em canaleta provida de separações sobre parede 72A - Cabo multipolar em canaleta provida de separações sobre parede B1 B2 cabos unipolares ou cabo multipolar embutido(s) em caixilho de porta A1 74 cabos unipolares ou cabo multipolar embutido(s) em caixilho de janela A1 75 75A 75 76 75 - Condutores isolados ou cabos unipolares em canaleta embutida em parede 75A - Cabo multipolar em canaleta embutidaem parede B1 B2 337 Instalações Elétricas 60 4) A capacidade de condução de corrente para bandeja perfurada foi determinada considerando-se que os furos diâmetro do cabo unipolar ou condutor isolado; 1.2.2 - Número de condutores carregados Como vimos, anteriormente, conforme está instalada a linha elétrica, teremos um método de referência compatível, que irá influenciar na escolha do condutor, conforme critério de condução de corrente. Nesta subseção, veremos que o número de condutores carregados também irá influenciar. Condutores carregados são aqueles que a corrente elétrica estará efetivamente percorrendo o circuito em operação normal. Serão considerados condutores carregados, os condutores Fase e Neutro, com exceção dos circuitos trifásicos com Neutro, em que existem casos que o Neutro não será considerado condutor carregado. Como descrito na ABNT NBR 5410: Em particular, no caso de circuito trifásico com neutro, quando a circulação de corrente no neutro não for acompanhada de redução correspondente na carga dos condutores de fase, o neutro deve ser computado como condutor carregado (ABNT, 2004, p. 111). Quando há situação oposta, ao que está descrito acima, o Neutro não será considerado como carregado. Mas como na maioria dos casos há circulação de corrente no Neutro, devido, principalmente, pelo fato das correntes elétricas das fases estarem desequilibradas, veremos na prática, que o Neutro será considerado como carregado. Sendo assim, vejamos na Tabela 20, o número de condutores carregados a ser considerado, em função do tipo de circuito. Tabela 20 - Número de condutores carregados a ser consider ado, em função do tipo de circuito (NBR 5410/2004). Esquema de condutores vivos do circuito Número de condutores carregados a ser adotado Monofásico a dois condutores 2 Monofásico a três condutores 2 Duas fases sem neutro 2 Duas fases com neutro Trifásico sem neutro Trifásico com neutro 1.2.3 - Referências para escolha do condutor pela capacidade de condução de corrente Nas Tabelas 21 e 22 teremos a capacidade de condução de corrente para os condutores de cobre, que depende do método de referência, indicado na Tabela 19, e do número de contadores carregados, conforme a Tabela 20. Nas próximas etapas, iremos utilizar essas planilhas para dimensionar o condutor ideal para um circuito elétrico, a partir do valor da corrente elétrica que deve passar por ele. 338 61 Tabela 21 - Capacidades de condução de corrente, em ampères, para os métodos de referência A1, A2, B1, B2, C e D – N (ABNT NBR 5410, 2004, p. 101). Seções nominais Métodos de referência indicados na Tabela 19 A1 A2 B1 B2 C D Número de condutores carregados 2 2 2 2 2 2 Cobre 7 7 7 7 9 8 9 8 10 9 12 10 9 9 9 9 11 10 11 10 11 15 12 11 10 11 10 14 12 12 15 14 18 15 14 15 22 18 18 24 21 20 27 24 29 24 4 26 24 25 28 27 6 29 41 46 41 47 10 46 42 57 50 52 46 57 52 16 61 56 57 52 76 68 69 62 85 76 81 67 25 80 75 68 101 89 90 80 112 96 104 86 99 89 92 125 110 111 99 119 125 50 119 108 110 99 151 118 168 144 148 122 70 151 125 192 171 168 149 184 151 95 182 164 167 150 207 201 179 258 216 179 120 210 188 192 172 269 206 299 259 246 150 240 216 219 196 275 265 299 278 185 245 248 268 258 240 286 291 261 415 461 297 298 477 426 401 464 408 Tabela 22 - Capacidades de condução de corrente, em ampères, para os métodos de referência E, F e G Seções nominais dos condutores mm2 Métodos de referência indicados na Tabela 19 Cabos multipolares Cabos unipolares1) Dois condutores carregados Três condutores carregados Dois condutores justapostos Três condutores em trifólio no mesmo plano Justapostos Espaçados Método E Método E Método F Método F Método F Método G Método G (1) (2) (4) (5) (6) (7) (8) Cobre 11 9 11 8 9 12 10 14 12 14 11 11 16 1 17 14 17 14 19 16 22 22 17 18 24 21 25 24 25 29 4 40 41 45 6 51 45 59 51 10 70 60 60 81 71 16 94 80 99 82 85 110 97 339 Instalações Elétricas 62 25 119 101 110 114 146 148 126 162 181 162 50 180 196 167 174 219 197 70 196 251 216 225 281 254 95 282 264 275 120 276 150 406 456 419 185 409 427 521 480 240 514 546 485 507 615 569 497 629 561 587 709 659 1.2.4 - Outros fatores que influenciam no dimensionamento do condutor a partir do critério de condução de corrente Seguem outros fatores que influenciam no dimensionamento do condutor a partir do critério de condução de corrente, mas não vamos aprofundar nossos estudos neles. • Fatores de correção para temperaturas ambientes diferentes de 30ºC para linhas não-subterrâneas e de 20ºC (temperatura do solo) para linhas subterrâneas. • Fatores de correção para linhas subterrâneas em solo com resistividade térmica diferente de 2,5 K.m/W. • Agrupamento de circuitos. • Variações das condições de instalação num percurso (ABNT NBR 5410, 2004). Exemplo 8 Na Figura 91 temos a planta baixa de uma casa. Essa casa é alimentada por um circuito bifásico 127 – 220 volts. O Circuito 1 é monofásico 127 volts e atende os pontos de luz de toda a residência. Utilizaremos um condutor com isolação tipo PVC. Além disso, sabemos que o fator de potência dessa carga é igual a 1 (um), com rendimento de 100%. Figura 91 - Exemplo de uma residência. F onte: do autor. 340 63 Outra característica desse circuito é que o condutor é de cobre, com isolação de PVC. Assim, sabemos que a Temperatura no condutor, conforme Tabela 2, é de 70°C. Para determinar o condutor mínimo que atenda esse circuito, primeiramente precisamos determinar: i) Potência ativa total Circuito 1 A Potência ativa total desse circuito será dada pela soma da potência ativa de cada uma das lâmpadas. Nesse caso, temos que: • 10 pontos de luz com 100W cada; • 2 pontos de luz de 160W cada; Sendo assim, Potência total do circuito 1é igual a: OBS: Muita atenção com relação a unidade, pois em alguns projetos, a potência é apresentada em Volt-Ampère (VA). Nesse caso, teremos que considerar o efeito do fator de potência do circuito. ii) Corrente nominal do Circuito 1 Utilizaremos a Equação 22 para determinar a corrente nominal do circuito. Assim, temos que será igual a: A iii) Método de referência de instalar o condutor Com base na Tabela 1, iremos determinar qual será o método de instalação da linha elétrica. Nesse exemplo, utilizaremos o método 7, ou seja, condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto de seção circular embutido em alvenaria. Esse método de instalação nos levará ao método de referência B1. Tabela 23 - Método de referência utilizado no exemplo (ABNT, 2004). Método de Instalação número Esquema ilustrativo Descrição Método de referência 7 C o n d u t o r e s isolados ou cabos unipolares em eletroduto de seção circular embutido em alvenaria B1 Exemplos práticos de eletroduto em alvenaria: Figura 92 - Eletroduto embutido na parede de alvenaria. Fonte: <https://fotos. habitissimo.com.br/foto/eletrodutos_84213>. Acesso em: 11/09/2018. Figura 93 - Eletroduto embutido na parede e laje. Fonte: <https://www. custodaconstrucao.com/etapas-obra-e-valor/alvenaria/>. Acesso em: 11/09/2018. iv) Temperaturas características dos condutores De acordo com a ABNT NBR 5410 (2004, p.99), a corrente transportada por qualquer condutor, durante períodos prolongados em funcionamento normal, deve ser tal que a temperatura máxima para serviço contínuo. Como a temperatura ambiente é 30º C, não há necessidade de ajuste por efeito da temperatura ambiente. v) Condutores carregados Para o circuito monofásico desse exemplo, temos que, de acordo com a Tabela 20, Fase e Neutro são 2 (dois) condutores carregados. vi) Secção do condutor Sabendo, então, que: • Condutor de cobre. • Isolação do condutor é de PVC. • A. • Método de referência é o B1. • Número de condutores carregados igual a 2 (dois). • Temperatura ambiente igual a 30º C. Para encontrar a secção mínima do condutor na Tabela 21, verificamos que a coluna que atende os itens acima é a (6). A secçãomínima então será aquela que admite corrente acima da . Logo, o condutor poderia ser de #0,75mm². Contudo, conforme NBR 5410 (2004, p.113), a secção mínima ditada por razões mecânicas para circuitos de iluminação é de 341 Instalações Elétricas 64 1,5mm². Assim, de acordo com o método de capacidade de condução de corrente do circuito, a secção para o Circuito 1 é de 1,5mm². 2 - Critério do limite da queda de tensão Este método visa encontrar o condutor ideal para o circuito, de modo que a queda de tensão sobre ele respeite os critérios estabelecidos na ABNT NBR 5410. A ABNT NBR 5410 (2004, p. 115) estabelece os limites de queda de tensão, vejamos a seguir quais são: a) 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT, no caso de transformador de propriedade da(s) unidade(s) consumidora(s); 7% Entrada em alta tensão Tranformador em substação QGBT QDL QDF 4% Circuitos terminais Ponto de entrega no primário BT AT Figura 94 – Queda de tensão % com ponto de entrega no primário do Trafo (ABNT NBR 5410, 2014). 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT da empresa distribuidora de eletricidade, quando o ponto de entrega for aí localizado; 7% Entrada em alta tensão Tranformador em substação QGBT QDL QDF 4% Circuitos terminais Ponto de entrega no Secundário BT AT Figura 95 – Queda de tensão % calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT (ABNT NBR 5410, 2014). 5%, calculados a partir do ponto de entrega, nos demais casos de ponto de entrega com fornecimento em tensão secundária de distribuição; 5% Entrada em baixa tensão QGBT QDL QDF 4% Circuitos terminais Ponto de entrega no poste BT Figura 96 – Queda de tensão % com ponto de entrega com fornecimento em tensão secundária de distribuição (ABNT NBR 5410, 2014). (i) 7%, calculados a partir dos terminais de saída do gerador, no caso de grupo gerador próprio. 7% Gerador QGBT QDL QDF 4% Circuitos terminais BT Figura 97 - queda de tensão % calculados a partir dos terminais de saída do gerador. (ABNT NBR 5410, 2014). A NBR5410/2004 ainda diz que, em nenhum caso, a queda de tensão nos circuitos terminais pode ser superior a 4%. Em qualquer instalação, seja de alta, média ou baixa tensão, haverá queda de tensão. Contudo, essa queda deverá ter um limite máximo, de forma que não haja tantas perdas de potência no decorrer do circuito. Isso porque de acordo com a Lei de Ohm, descrito na Equação 5, que foi apresentada na Aula 2. Equação 5 Como pode ser verificado, a corrente resultante do circuito irá provocar a dissipação de calor no condutor. E como sabemos, quanto maior a secção do condutor menor será a resistência. Portanto, haverá menor perda de potência e por fim menor perda de energia. A energia perdida nesse caso é energia térmica, ou calor (efeito joule). O condutor em regime premente suportará uma dissipação de calor máxima, com limites de temperatura estabelecidos em norma e pelo fabricante. No caso do condutor com isolação de PVC, essa temperatura não poderá exceder 70º C, enquanto que, um XLPE 90º C. Assim, conforme Mamede (2017) é possível encontrar a secção mínima do condutor de um circuito trifásico, pela Equação 41. Equação 41 Onde: : é a resistividade do cobre duro; LC: comprimento do circuito, em metros; IC: corrente elétrica do circuito, em ampère; U%: queda de tensão em um circuito trifásico, em volts; UFF: tensão entre fase, em volts; Vamos considerar que a resistividade ( ) do cobre duro é igual a 1/56. Para encontrarmos a queda de tensão percentual para um 342 65 circuito trifásico, de acordo com Mamede (2017), utilizaremos a Equação 42. Equação 42 Onde: U% Queda de tensão para cargas elétricas distribuídas ao longo do circuito; Ncp é o Número de condutores em paralelo por fase; LC é o comprimento do circuito,em metros; IC é a corrente elétrica do circuito,em ampere; UFF é a tensão entre fase,em volts; Rcond é a Resistência do condutor,em m /m; Xcond é a Reatância do condutor,em m /m; é o Ângulo do fator de potência da carga; A ABNT NBR NM 280 define os valores de Resistência (Rcond) e Reatância (Xcond) que, por sua vez, são utilizados pelos fabricantes. Sendo assim, para exemplos práticos, utilizaremos os valores das Tabela 24 e Tabela 25. Sendo os valores da Tabela 24, vejamos: Tabela 24 – Resistências Elétricas Indutivas de Fios e Cabos em PVC, HEPRe XLPE em condutos fechados Rcc (A) XLPE em condutos fechados Rca XL 4 6 10 16 25 50 70 95 120 150 185 240 (A) Resistencia elétrica em corrente contínua Tabela 7 – Resistências Elétricas Indutivas de Fios e Cabos em PVC, HEPRe XLPE ao Ar Livre ( /km) – NBR NM 280 (NAMBEI, 2018, p. 12). Tabela 25 – Resistências Elétricas Indutivas de Fios NBR NM 280 (NAMBEI, 2018, p. 12). Rcc (A) Condutores Isolados - Cabos Unipolares ao Ar Livre (B) Trifólio Rca XL 4 6 10 16 25 50 70 95 120 150 185 240 (A) Resistencia elétrica em corrente contínua Exemplo 9 Na Figura 98 temos uma carga sendo alimentada por uma fonte trifásica. Essa carga é um motor de indução, que serve como força motriz para alguma atividade fim. Vamos, então, determinar a secção dos condutores isolados em PVC que alimentam a carga a partir do CCM. Esses condutores unipolares terão 25m de comprimento e estão dispostos em um trifólio em eletrocalha armada. CCM L = 25 metros P = 11 kW ou 15HP In = 37,6 A Fp = cons = 0,83 Fs = UFN = Volts Nessa instalação = 3 × CARGA Figura 98 – Carga trifásica alimenta por fonte, que se liga a ela por um condutor com 25m de comprimento. Fonte: (POLTRONIERI, 2018). Resolução 343 Instalações Elétricas 66 (i) Máxima queda de tensão admitida Conforme vimos nesta aula, o limite de queda de tensão percentual, entre a fonte e a carga, deve ser 4%, pois se trata de um circuito terminal; (ii) Corrente nominal do Circuito Como esse circuito atende apenas o motor, para encontrarmos a corrente do circuito usaremos a Equação 23:: Equação 23: Lembrando que a unidade para Ptotal é Watts, contudo a informação passada na placa do motor foi em Obs: atentar-se para tensão nominal do motor entre Fase e Neutro (UFN), utilizar os dados de placa do mesmo; (iii) Secção mínima do condutor Com base nas informações do exemplo, utilizaremos a Tabela 19 para determinar o método de referência, que está resumido na Tabela 26. Tabela 26 - Método de referência utilizado no exemplo (NBR, 2004). Método de I n s t a l a ç ã o número Esquema ilustrativo Descrição Método de referência 14 Cabos unipolares ou cabo multipolar sobre eletrocalha aramada E (multipolar) F (unipolares) Identificamos que o método de referência é o F, pois trata-se de condutores unipolares. Logo, utilizaremos a Tabela 22 para verificar a secção mínima do condutor. Como trata- se de três condutores carregados, isolados em PVC, sobre suportes horizontais ou eletrocalha, a coluna selecionada na Tabela 22 é a (6). A partir disso, concluímos que a secção nominal do condutor por critério de capacidade de condução de corrente é . Isso porque o condutor de só alimenta corrente máxima de 34A, enquanto que nosso circuito possuí e o condutor de admite corrente nominal de até 45A. Vamos considerar o número de condutores em paralelo por fase, como apenas um, ou seja, não há necessidade de aumentar o número de condutores por fase para dividir a corrente elétrica. Isso seria necessário caso a corrente fosse muito alta, e para reduzir a secção do condutor aumentaríamos o número de condutores por fase, dividindo a corrente elétrica pelo número de condutores por fase que haveria. Mas esse não é o caso nesse exemplo; Poderíamos ainda encontrar a secção nominal do condutor (Sc) utilizando a Equação 41 Ou seja, utilizando a Equação 41 encontramos a secção do condutor mínimo que atende o critério de queda de tensão, essa secção é igual a , já que é a bitola padronizada que estáligeiramente acima do valor encontrado no cálculo. Entretanto, essa secção não atenderia o critério de capacidade de condução de corrente, que vimos nos itens anteriores. Nesse caso, teríamos que selecionar o condutor de maior bitola que é o de . Para efeito de exemplo, continuaremos com os cálculos para encontrar a queda de tensão ao longo do circuito utilizando-o, contudo, com secção . (iv) Resistência e reatância do condutor O método de instalação é o 14, ou seja, cabos unipolares ou cabo multipolar sobre suportes horizontais, eletrocalha aramada ou tela. Nesse caso, podemos concluir que os cabos estarão ao ar livre. Sendo assim, utilizaremos a Tabela 25 para verificar a Resistência (Rcond) e Reatância (Xcond) do condutor com secção Sc=6mm². Rcond=3,69 /km ou m /m Xcond=0,14 /km ou m /m Pela Equação 2, (Rcond) está relacionada com cos e Reatância (Xcond) com sin . Como sabemos o valor de cos Utilizando a trigonometria, temos que: sin 2+cos 2=1 sin 2+0,832=1 sin =0,557 (v) Queda de tensão Por fim, a partir da Equação 42, temos que: V%=1,34% Assim temos que, o condutor de 6mm² atende ao critério de queda de tensão, visto que: 344 67 V%<4%. Retomando a aula estudamos? 1 - Instalação das linhas elétricas Na seção 1, verific amos os cálculos para encontrarmos o condutor ideal para um circuito elétrico, com base no critério de capacidade de condução de corrente elétrica do circuito. Verificamos as tabelas de referência para método de instalaçao das linhas elétricas, capacidade de condução de corrente para cada secção de condutores. 2 - Critério do limite da queda de tensão Na Seção 2, verificamos o método de cálculo de queda de tensão, que complementa o método da seção 1, onde temos que verificar se o condutor atende também o critério de queda de tensão admissível pela ABNT NBR 5410, para assim definirmos o condutor que será utilizado no circuito elétrico. Instalações Elétricas de Ademaro A. M. B. Cotrim. – 4ª edição; São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2003. 1939-2000. CREDER, Hélio. Instalações elétricas. - 15. ed. - Rio de Janeiro: LTC, 2007. Instalações Elétricas Industriais de João Mamede Filho. – 9. Ed. – Rio de Janeiro: LTC, 2017 pena ler Vale a pena Minhas anotações 345